A orquestra, o quarteto de cordas e o solista: os diferentes rótulos do champanhe Krug se traduzem através da música

É preciso alguma sensibilidade para falar de um grande vinho com poucas palavras e sem cair nos clichês chatos.
O jantar no Lasai já passava da metade. O vinho estava à altura da comida. Ou a comida estava à altura do vinho. Dá no mesmo. Estávamos em altos patamares gastronômicos, numa mesa descontraída, vendo a chuva cair lá fora, abrigados na casinha simpática de Botafogo.

Krug Magnum

Bebíamos Krug. Primeiro, uma magnum de Grande Cuvée.

Krug 750ml

Depois uma garrafa convencional, de 750 ml, considerando que uma Krug jamais será convencional: falamos do continente, e não do conteúdo.

Krug Vintage 2000 - tratada

Quando deixamos o lounge no segundo andar, e nos acomodamos à mesa, foi servido o Krug Vintage 2000. Eis que a frase da noite foi dita.
– O Grande Cuvée é como uma orquestra sinfônica. Está tudo ali, dezenas de instrumentos funcionando para um resultado harmonioso. E precisamos de um maestro para conduzir isso tudo – comentou Jessica Julmy, gerente de desenvolvimento de negócios da Krug, que está em rápida visita ao Brasil.
Ela falava, com poesia e conhecimento de causa, do processo de produção deste vinho, a linha de entrada da maison, que é resultado da mistura criteriosa de dezenas de vinhos, entre cerca de 140 testados pelo chef de cave, antes de serem mesclados. Cada vinho é um instrumento, e o trabalho do chef de cave, o maestro, é fundamental.
Aí, eu completei.
– E o vintage seria um spalla, ou um grande solista?
Ela já tinha a resposta na ponta da língua, eu é que – na minha curiosidade jornalística – adiantei um pouco o seu discurso.
– Não. Um spalla, um grande solista, são os vinhedos únicos, Clos du Mesnil e Clos d’Ambonnay. Um ano, uma única parcela. O vintage seria um quarteto de cordas, expressando o melhor de uma única safra – completou a elegante dama, na aparência e no discurso.
Que existe poesia nos vinhos, todos nós sabemos. E esta foi uma das melhores, mais ilustrativas e bonitas alegorias que já escutei neste âmbito.
E como foi o jantar? Isso eu deixo para o post de amanhã (para ler, clique aqui). Porque a cozinha do chef Rafa Costa e Silva, harmonizada com Krug, merece um capítulo à parte.
Santé!
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Para falar de um grande vinho, recorrer ao vocabulário clássico é o caminho mais fácil. Vamos falar de um champanhe de exceção. Descrevendo aromas e texturas, cores e borbulhas, montamos textinhos assim. “Um grande exemplar, com intensidade aromática, trazendo perfumes de frutas cítricas, flores brancas e avelãs, muita mineralidade, um toque salino, além de notas bem marcadas de padaria, derivadas do longo contato com as leveduras, com brioche o pão tostado. Champanhe encorpado, que revela a presença da Pinot Noir, cheio de frescor e vivacidade, com uma acidez eletrizante.”
Beleza. Diz mesmo o que o vinho é. Mas, muitas vezes, fazer alegorias diz muito mais, e com menos palavras. Não é fácil. Não é para qualquer um. Assim, em mais de dez anos envolvido no mundo do vinho, tive oportunidade de ouvir muitas tiradas dessas.
(já ouvi tiradas horríveis também, como “Este vinho é um suco de pau”. Em tempos de selfies e acessórios para eles, poderíamos supor se tratar de um vinho de ego inchado, mas não, o sujeito queria dizer que tinha madeira demais na bebida, melhor dizendo, que tinha passado muito tempo em barricas).

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.

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