Vinhos da Patagônia: dez considerações sobre eles

Caminhão antigo junto aos vinhedos da Humberto Canale: pioneirismo

Caminhão antigo junto aos vinhedos da Humberto Canale: pioneirismo

No site da bodega Humberto Canale, em vez de uma música ao fundo o que escutamos é o vento que sopra constantemente na Patagônia, contribuindo para a sanidade dos vinhedos, afastando a possibilidade de infestação de fungos e outras pragas. O sol implacável ajuda na maturação das uvas, que ainda se desenvolvem dentro de uma área com grande amplitude térmica, com um verão marcado por dias quentes e noites frescas, com temperaturas que podem variar entre 15 e 35, e até um pouco mais, graus Celsius.

Miras Pinot Noir
A Patagônia é responsável por apenas 1,3% da produção de vinhos na Argentina, mas responde por 2% do valor das exportações. O que já indica que os praços estão acima da média do país. Enquanto a linha de entrada das bodegas de Mendoza podem estar ali na casa dos R$ 25 no mercado brasileiro, essas garrafas mais austrais vão nos custar a partir de R$ 35. Em linhas gerais, a produtividade é mais baixa, e a acidez mais alta. Alguns dos melhores vinhos da Argentina que eu já provei vieram de lá, com os Pinots da Bodega Chacra e da Noemia, e a partir de agora, as garrafas de Marcelo Miras, que merece um capítulo à parte (para ler o post sobre ele, clique aqui).

Sala de barricas na Bodega del Fin del Mundo
Durante a minha curta e intensa estadia em Neuquén, passeando por vinícolas da área do Alto Río Negro, e também em Néuquen. O próximo post será dedicado a elas, destacando alguns dos vinhos degustados, e foram muitos.
Já estou em Mendoza, para cinco dias intensos. Mas hoje e amanhã ainda quero falar da Patagônia. Mendoza fica para quinta, e os dias posteriores. Carnaval neste blog vai ter muito Malbec, Cabernet Franc, bife de chorizo e empanadas, combinado?

Vinhedos em Neuquén

Vinhedos em Neuquén

Hoje faço algumas considerações gerais sobre a região, que tem uma paisagem linda, rara, muitas vezes hostil, e hostilidades climáticas muitas vezes fazem bem aos vinhos.

Paisagem em Río Negro: deserto, vento, sol, um clima radical, extremo

Paisagem em Río Negro: deserto, vento, sol, um clima radical, extremo

Assim como há na região muito turista interessado em esportes de aventura, eu diria que por lá a enologia também tem um pouco desse caráter, com altas doses de adrenalina.

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Os três Merlots da Schroeder: uma uva com grande potencial

Os três Merlots da Schroeder: uma uva com grande potencial

 

1) Pouco se fala da Merlot na Patagônia, mas alguns dos vinhos que mais gostei foram feitos com essa uva, que apresentou uma qualidade média bem alta nas provas que participei. Funciona em varietais, e em cortes, com outras uvas.

2) O mesmo vale para a uva Semillón, que além de tudo mostra grande capacidade de envelhecimento por lá, segundo escutei.

Riesling La Morita de Humberto Canale: diferente, perfumado e bem interessante

Riesling La Morita de Humberto Canale: diferente, perfumado e bem interessante

 

3) Riesling também tem potencial por lá. Provei um muito interessante na Humberto Canale, o Old Vineyard la Morita 2013.

Três dos espumantes da Schroeder, com uma linha variada e consistente

Três dos espumantes da Schroeder, com uma linha variada e consistente

4) Os espumantes foram uma das grandes surpresas. Provei vários, em diferentes estilos, e eles muito me agradaram. Um dos destaques foi o Schroeder Brut Nature, uma belezura de vinho. Outro foi o Deseado, um Torrontés feito com Asti, uma gostosura, com 9,8% de álcool e 75 gramas de açúcar por litro, camuflados por sua acidez alta.

5) Como acontece em Mendoza, por lá a Cabernet Franc é outra uva em alta, e eu pessoalmente fico muito, mas muito feliz com isso.

6) Apesar de a Humberto Canale estar por lá de 1909, e de haver muitos vinhedos antigos de Pinot Noir, como os da Bodega Chacra, ainda podemos considerar uma região nova, com uma série de projetos se desenvolvendo nos últimos 15 anos.

Trousseau Nouveau 2014 de Marcelo Miras: emocionante

Trousseau Nouveau 2014 de Marcelo Miras: emocionante

7) Como um interessante campo de experimentações, há muitas uvas diferentes sendo plantadas. Provei um Trousseau, de Marcelo Miras, que me fez chorar, e isso não é uma hipérbole. Chorei mesmo.

Fin del Mundo Tannat Single Vineyard
8) Acredito que a Tannat possa se dar muito bem por lá também. Provei um delicioso, que chegou a me lembrar o querido e delicioso Amat, dos melhores vinhos do Uruguai. Era o Fin del Mundo Tannat Single Vineyard 2010, da Bodega del Fin del Mundo.

9) A bodega Miras, do enólogo Marcelos Miras, que trabalha para a Bodega del Fin del Mundo e mantém esse projeto paralelo, me impressionou. Provei outros 13 vinhos, além do já citado Trousseau. Gostei, e muito, de todos. Finos, puros, delicados… Uma coisa de maluco. Difícil achar uma bodega com produção tão consistente.

10) Existe uma grande vocação na área para se fazer vinhos sem madeira, mais puros e frutados, valorizando a boa fruta que a região proporciona.

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