Mendoza, primeiro dia, parte 2 – Proemio, novidade no Brasil, e Altocedro, que está de volta: bom ficar de olho neles

 

Depois do almoço no Bistro M, do Park Hyatt, começamos a jornada vinícola mendocina com uma novidade para o mercado brasileiro: fomos conhecer a Proemio, que a partir de março começa a ser vendida por aqui, uma bodega que eu resumiria como pragmática: querem fazer bons vinhos, usando madeira e uva de qualidade. E conseguem. O que vi foi uma linha de perfil conservador, que usa madeira de alta qualidade, fazendo uma classificação básica, com vinhos sem barrica, e outros com, e os rótulos de alta gama.

A sala de barricas da Proemio, que comprou uma bodega de 1930

A sala de barricas da Proemio, que comprou uma bodega de 1930

Na sua linha mais simples, enxergamos a fruta, e encontramos alguma leveza e frescor, como deve ser.

O Proemio Cabernet Sauvignon Reserve, ao lado de outros vinhos de alta gama da Proemio

O Proemio Cabernet Sauvignon Reserve, ao lado de outros vinhos de alta gama da Proemio

O seu Proemio Cabernet Sauvignon Reserve, com passagem em madeira, foi um dos vencedores do Argentina Wine Awards. “Condimentado, defumado, com taninos bem marcados e uma acidez nervosa, que vai lhe dar condições de muito melhorar nos próximos cinco anos, acho eu. Seco, com uma piracina interessante, que me lembrou ají amarelo, e boa expressão da fruta, com a madeira de qualidade bem integrada”, foi o que escrevi no post sobre os vinhos premiados.
Os vinhos apresentam uma boa relação qualidade-preço, mas como não são baratos, vão atingir mais o consumidor que busca mais qualidade do que preço.Gostei da purereza e do frescor do Chardonnay, sem barrica, um vinho limpo e fácil de beber, com acidez agradável.

Proemio Cabernet Sauvignon 2014: a pureza da fruta, a partir do mês que vem no Brasil, a R$ 49

Proemio Cabernet Sauvignon 2014: a pureza da fruta, a partir do mês que vem no Brasil, a R$ 49

O seu Cabernet Sauvignon básico, que será vendido na casa dos R$ 49 (é o preço da linha sem mandeira), muito me agrada. Um ponto interessante da prova foi harmonizar os vinhos com doces.
A empresa tem um perfil de atuação amplo em termos de negócios envolvendo o mundo do vinho.
– Queremos nos tornar um conglomerado de viticultura. Tudo começou com a importação de barricas francesas Vicard para a Argentina. Depois, veio a vontade de fazer vinho. Começamos comprando uvas, e hoje já temos os nossos vinhedos. E compramos essa bodega, que é de 1930, há 12 anos. O projeto inclui vários outros produtos, como polifenóis de semente de uva para cosméticos, e mesmo para a adição em vinhos – diz Julián Iñarra Iraegui, gerente de exportações da Proemio, que hoje produz 12 mil caixas por anos, e pretende vender mil delas para o mercado brasileiro, através da importadora Wine & Co.

A nova sede da Altocedro, em uma antiga bodega, em Coquimbito, na área de Maipú: "La Consulta é muito longe", diz Karim Mussi, o enólogo da casa

A nova sede da Altocedro, em uma antiga bodega, em Coquimbito, na área de Maipú: “La Consulta é muito longe”, diz Karim Mussi, o enólogo da casa

De lá fomos até Coquimbito, na área de Maipú, onde está uma espécie de novo posto avançado da bodega Altocedro, que assumiu uma antiga vinícola, estando agora também um pouco mais perto da cidade de Mendoza.
– La Consulta, onde estamos, é muito longe – resume Karim Mussi, o enólogo da Altocedro, que ainda dá consultorias, e fas projetos paralelos.
Foi ótimo reencontrá-lo (para ler uma reportagem sobre essa degustação, clique aqui). Karim Mussi é um dos expoentes da nova geração de enólogos argentinos, um cara com perfil empreendedor, e que faz os seus vinhos com a mesma personalidade que mostra ao falar deles. Tem ideias originais. E, o mais importante, sabe fazer vinhos. Durante esse encontro, algumas frases dele me chamaram a atenção.
“Tem muita gente fazendo Cabernet Franc varietal na Argentina. Ótimos vinhos, mas não vou fazer um vinho assim, porque não gosto de modismos”.
“Na hora de fazer vinhos, eu gosto de ter opções sobre a mesa. Não gosto de vinhos sobremaduros, porque quero preservar a boa acidez, e o frescor, e não quero um resultado muito alcoólico. Porém, na hora de montar um corte, é bom podemos misturar um vinho mais jovem, fresco, com um mais potente, encorpado. Este trabalho é um dos mais difíceis para um enólogo, e dos mais prazerosos”.

O Altocedro Gran Reserva Icone Malbec 2012: "Muito fino e elegante. Profundo e complexo.  Bom agora, melhor em dez anos"

O Altocedro Gran Reserva Icone Malbec 2012: “Muito fino e elegante. Profundo e complexo. Bom agora, melhor em dez anos”

“O nosso Gran Reserva não é um macho forte, um vinho potente, musculoso. Pensamos nele como uma dama elegante. Queremos mudar este paradigma. Fazemos uma cofermentação, com cerca de 2 ou 3% de Sémillon”.
Resumi assim o vinho – feito com uvas de um vinhedos de mais de 100 anos, em La Consulta – no meu bloquinho: ” SENSACIONAL. Muito fino e elegante. Profundo e complexo. Bom agora, melhor em dez anos.

Abras Malbec e Abras Torrontés: produzidos em Salta

Abras Malbec e Abras Torrontés: produzidos em Salta

Começamos a nossa degustação com um Torrontés de Salta, o Abras 2014. No meu bloquinho de notas, escrevi em letras garrafais (homenagem ao amigo Pedro Mello e Souza): “Gosto disso”. Ao lado, outros comentários: “Bem + elegante mas com a mesma exuberância no aroma do que outros Torrontés. Muita flor, sim, mas com lichia, e outras notas que o aproximam de um Sauvignon Blanc, cítrico, algo vegetal, e acidez lá em cima”. Está dito.
– Colhemos a Torrontés em três etapas, mais verde, mais madura, e bem madura, para jorgar com a acidez, e o frescor, e a madurez, a estrutura, o álcool – explica Karim.

Año Cero Pinot Noir 2013,  um vinho raro em termos de enologia argentina: "Foi um dos melhores, entre os quase 300 provados durante a viagem".

Año Cero Pinot Noir 2013, um vinho raro em termos de enologia argentina: “Foi um dos melhores, entre os quase 300 provados durante a viagem”.

E os vinhos de Karin se encaixam no meu perfil. O seu Año Cero Pinot Noir 2013 é um vinho raro em termos de enologia argentina. Um vinho altamente sedutor, muito agradável de beber, com pimentas, especiarias, um tostadinho aqui, um defumado ali, tudo isso sem esconder a fruta fresca, que brilha em forma de notas de cerejinhas, amorinhas… Tudo isso com muita elegância, um vinho equilibrado, com acidez e frescor, e com volume de boca, untuoso.
Outro destaque foi o Cabernet Sauvignon Año Cero 2013, com aromas de morrones (pimentões vermelhos) assados, pimenta preta, amora frescor, e umas fumacinhas, com taninos marcantes.
E, antes que eu me esqueça… Os vinhos, que já foram importados para o Brasil pela Terramatter, estão voltando, por coincidência, assim como a Proemio, chegando ao Brasil agora em março, pelas mãos de uma nova importadora (que tem os dedos do Marcio Moualla, da Terramatter) chamada Ares dos Andes. Se eu fosse você, ficava de olho.
Além dos vinhos da Altocedro, ainda provamos rótulos de mais quatro bodegas (três de cada: Finca El Origen, Argento, Finca Agostino, Trivento e Tapiz). E, no lugar, também funciona um bom restaurante, e foi lá que jantamos. Mas isso é assunto para o post de amanhã, né? Este já está bem longo. E, nos próximos dias, vamos fazer assim. Vou continuar falando de Mendoza, e de San Juan, encerrando a jornada argentina, enquanto ao mesmo tempo também volto a falar do Rio de Janeiro, e de cerveja, e de vinhos de outras partes, e de cachaça. Ok?

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