Mendoza, primeiro dia, parte 3 – Seis bodegas e um jantar

Feira - Finca Agostino

 

De todas as bodegas que encontraria naquela noite, que ainda estava clara por volta das 21h, eu apenas não conhecia a Finca Agostino, que pertence a uma família de raízes italianas, como tantas em Mendoza, mas que imigrou para o Canadá, e anos mais tarde voltou à capital do vinho argentino para começar a produzir a bebida, numa trajetória muito particular. Comecei por ela. Provei um corte de Chardonnay e Viognier que é untuoso e amendoado, cremoso.

Maria e as lhamas
Pulei para a mesinha da Tapiz, bodega que conheço com certa intimidade, onde já havia me hospedado, em 2008 (para ler um post da época, clique aqui), numa pousada campestre, em meio aos vinhedos, com piscina frequentada por lhamas (acredite), e quartos instalados em um casarão antigo, de modo que a gente se sente em casa. A foto acima é “de arquivo”, roubada do post de 2008, lá no blog Enoteca.

Feira 2- Tapiz
Ali nos esperavam três vinhos da linha Alta Collection: Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Malbec. O primeiro segue a estirpe amadeirada, untuoso e rico, cítricos, com notas de peras suculentas, com bom frescor e final agradável. O Cabernet tem muita fruta madura, e aromas refrescantes, que remetem a ervas como menta e hortelã, com taninos persistentes. O Malbec também era potente, bem típico da uva, com ameixa e violeta, com notas adocicadas.

Feira 3 Finca El Origem
Na mesa da Finca El Origen, mais um Viognier ensolarado, floral, como se espera, o Reserva 2013. A vinícola opta por um estilo musculoso, com madeira marcante.

Feira 4 - Trivento
Na Trivento, um trio de Malbec, para investigar seus estilos. De uma maneira geral, entre os vinhos argentinos, os mais leves e frutados me dão mais prazer, e são bem mais baratos. Assim, achei sagaz e alegre o Malbec Reserva 2012, floral, frutado. O Golden Reserve 2012 é apimentado, com notas de violetas, as mais vinhedos de Luján de Cuyo, de onde saem as uvas deste vinho. Chegamos, então, ao Eolo, ícone deste bodega que faz parte da Chandon, e por consequência, do grupo LVMH, um vendaval, concentrado, espesso. Aí, neste exemplar da safra 2011, ainda encontramos tudo muito misterioso e concentrado. Há baunilha, chocoleta amargo, café. Há ameixas e uvas passas. Há geleias de amoras e mirtillos. Há flores. E ervas. Pode ser um tempero para pratos fortes.

Feira 5- Argento

A Argento levou um trio de perfil bem variado. O Pinot Gris mostra que esta casta anda mesmo em alta em várias áreas do novo mundo, dos EUA e Austrália, até a Argentina, já contaminando o resto da América do Sul.
Hoje a vinícola tem a sua própria bodega e vinhedo. E a Bonarda tem aquele perfil de que falávamos, de fruta, leveza, um vinho correto para o dia a dia, de preço justo, acessível.
O Malbec-Malbec Reserva 2012 é um corte de vinhos da mesma uva, que tem a virtude do equilíbrio.

Altocedro 1- Restaurante
O jantar foi bem agradável. O restaurante é uma unidade mendocina de uma casa porteña, que segue a linhagem “confort food”, buscando produtos orgânicos para resultar numa cozinha aconchegante. Levamos para a mesa os vinhos das provas. E outros foram abertos. O Altocedro Año Cero Rosé de Malbec é uma tchutchuca, delicado, refrescante e fresco, com sabor de maçã, com casca, daquelas suculentas, ácidas, e com alguma doçura. Lindeza.

Altocedro 2 - Restaurante
Foi com ele na taça que eu fui dando bicadinhas nessa xícara esmaltada, que trazia uma piperrada, sopinha fria, prima do gaspacho.

Altocedro 3 - Restaurante
Depois, eu fiquei namorando por muito tempo o Altocedro Pinot Noir. E pedi mais uma taça. Coloquei um pouco de Eolo. E nem estava pensando em harmonizar, porque a etapa seguinte era uma torradinha fina de focaccia, com provoleta de cabra, assada no forno, com casquinha crocante, ressaltando a sua salinidade e gordura, com uma espécie de ratatouille, e saladinha da horta, com folhas orgânicas, tomatinhos. Puro conforto. Maridaje? O Pinot ficou um tesão com esse prato.

Altocedro 4 - Restaurante
O prato principal era um matambre de porco, com recheio tipo “pascualino”, com queijo, espinafre, em base de ovo, com um purê verde (talvez de batatata com favas) e vagens francesas, em dois tons de cor, com molho de… Pimentão, se não me valha a memória (não tomei nota deste prato).

Altocedro 5 - Restaurante
O “postre” foi um pudim. Chamado por lá de flan. E, neste caso, preparado de modo que eu jamais havia visto, em tabuleiro, para ser cortado em quadradinhos, retângulos, ou como se queira. Ao lado, uma generosa colherada de doce de leite reforçava a doçura.

E amanhã vamos pegar uma estradinha, rumo ao cada vez mais badalado Vale de Uco.

 

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