Guia 450 Sabores do Rio 31 – Bracarense: o bom e velho boteco do Leblon, e o seu bolinho de aipim com camarão e Catupiry, tão emblemático

Em meio a outros acepipes de responsa, como o camarão empanado com catupiry, o bolinho de abóbora com carne seca e  o bolinho de feijoada, brilha o mais famoso salgadinho do Bracarense, o  bolinho de aipim com camarão e catupiry

Em meio a outros acepipes de responsa, como o camarão empanado com catupiry, o bolinho de abóbora com carne seca e o bolinho de feijoada, brilha o mais famoso salgadinho do Bracarense, o bolinho de aipim com camarão e Catupiry

 

Houve um tempo em que o Bracarense papava todos os prêmios de botequins no Rio. Ganhava como melhor bar, melhor chope, melhor happy hour, melhor PF… Ganhava tudo, mas ganhava, sobretudo, no quesito melhor salgado, ou melhor petisco, seja lá que nome se dava aos acepipes típicos do Rio. Ganhava por causa do arredondado bolinho de aipim com camarão em Catupiry, ainda que as empadas sempre fossem sublimes, que as porções de pernil de porco assado estivessem invariavelmente entre as mais cobiçadas da cidade e que os PFs da casa eram campeões na relação preço-qualidade-quantidade-serviço. Isso foi lá em meados dos anos 1990, quando os cariocas começaram a dar mais valor aos seus botecos, e foram assim criados troféus gastronômicos, livros sobre o tema, e guias, como o clássico e icônico Rio Botequim. Se o bom e velho Braca sempre tinha uma comida altamente saborosa – naquele lindo repertório luso-carioca, com polvo, bacalhau, tutu, pernil, carne assada, feijão e feijoada, e a média do café da manhã, e os salgadinhos expostos na vitrine aquecida – também tinha ao mesmo tempo o seu elemento mais emblemático: o tal bolinho de aipim com camarão e Catupiry. Alaíde fez as malas e se partiu, hoje à frente do bar Chico e Alaíde (ótimo, por sinal), perto dali, no mesmo Leblon, ao lado de seu companheiro de Bracarense, Chico, que é dos garçons mais famosos e carismáticos do Rio. E a macaxeira recheada com a perfeita combinação entre o crustáceo e o requeijão, tão brasileira fórmula, continua sendo o carro-chefe do Braca. Continua igual ao que sempre foi. Há quem diga que não. Me parece o mesmo de sempre. Mas o Braca deixou de ser cartão-postal do Rio. Voltou a ser algo como o que sempre foi, dos anos 1950, quando abriu as portas, até o final dos anos 1990, quando entrou na moda. Dirceu continua no comando da chopeira, enchendo os copos com a dosagem certa de pressão. Os mesmos coroas do Leblon ainda aparecem pela manhã, para jogar conversa fora, e às vezes baralho e porrinha, derramando os seus copos de chope, de vinho e de aguardente. As mesas do lado de fora, que durante algum tempo foram propriedade apenas dos clientes cativos, estão cheias em todas as noites, naquele belo movimento do final de tarde do Rio. As empadas de siri, essas lindas, permanecem tapadas com plástico, para não deixar ressecar o recheio aberto, que merece gotas de pimenta, da casa, da boa. E podemos pedir sempre que quisermos o filezinho aperitivo com cebola, alho e salsinha, acompanhado de aipim frito. A impressão que se tem é que o Bracarense nunca foi tão Bracarense como hoje. Mas não espalha.

BRACARENSE – Rua José Linhares 85, Leblon. Tel. 2294-3549. De seg. a sex., das 8h à meia-noite; sáb., das 9h30m à meia-noite; dom., das 10h às 22h. http://www.bracarense.com.br Aceita cartão de débito.

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