Guia 450 Sabores do Rio 32 – Aboim, em Copacabana: o melhor PF do Rio, com feijão e farofa mais que perfeitos

O PF de carne-seca com abóbora do Aboim, em Copacabana: feijão cremoso e bem temperado e uma farofinha crocante e tostada na medida certa

O PF de carne-seca com abóbora do Aboim, em Copacabana: feijão cremoso e bem temperado e uma farofinha crocante e tostada na medida certa

 

O Aboim, em Copacabana, é um boteco de alta classe. A poucos passos do calçadão da mítica Avenida Atlântica, é lugar para poucos. Cabem no máximo seis pessoas em seu interior, um dos tantos bundas de fora da cidade devido ao perfil modesto de suas instalações. Do lado de dentro todos os clientes ficam de pé, apoiados no balcão, onde reluzem pastéis (imperdíveis, em especial o de carne-seca), carnes assadas, pernis suínos e outras iguarias tradicionalistas. Do lado de fora, há mesinhas e cadeiras baixas, mas não é fácil consegui-las. Lotam nos fins de semana, claro, boa parte levada pelos próprios frequentadores, como um dia foi no Bracarense. O PF do Café e Bar Aboim, nome oficial, é cotado como o melhor do Rio por gente como Guilherme Studart. Assinamos embaixo. O feijão e a farofa são mais que perfeitos. O primeiro é cremoso, encorpado, com tempero bem marcado, e sempre aquelas nuances de carne de porco que compõem a feijoada. O segundo tem a medida certa de tostagem, dando crocância e intensificado o sabor. A mistura dos dois, com gotas de pimenta, já seria uma refeição de gala. São acompanhamentos, mas jamais figurantes. O elemento principal escolhemos à parte. Carne assada e pernil, que também podem ser convertidos em sanduíche ou servidos como aperitivo, sempre estão disponíveis na casa, expostos na vitrine toda a sua gostosura. E há os pratos do dia. Rabada, carne-seca com abóbora, mocotó… Eles são servidos em pratinho à parte, enquanto feijão e farofa (também é possível pedir macarrão ou arroz, mas eu acho dispensáveis diante da qualidade da dupla citada) chegam forrando o prato, preparado e montado pelo chef Chicão, que fica lá atrás, na minúscula cozinha, manejando com destreza rara as suas panelas, conchas, escumadeiras e facas. Prato feito por ele, que vai perguntando as quantidades desejadas, e até se o sujeito quer o feijão por cima ou por baixo. PF de primeira. Para beber, ecletismo justo: cerveja, cachaça, caipirinha e até uma seleção de uísque boa, com preços imbatíveis na Zona Sul. Como se isso tudo não bastasse, o Aboim tem uma frequência que representa bem a fauna urbana do Rio de Janeiro: reúne pedreiros, pintores de parede, guardas municipais e PMs, apontadores do Jogo do Bicho, estudantes e boemios em geral, senhores praianos e elegantes de Copacabana e grupos de amigas, turistas e cariocas da gema, jornalistas, garçons e sommeliers. Uma síntese deliciosa da cidade. Sem contar que podemos passar lá na ida ou na volta da praia, ou em ambos os casos, coisa tão típica e agradável essa.

ABOIM – Rua Souza Lima 16-B, Copacabana. Tel. 3072-0094. Diariamente, das 7h à meia-noite. Não aceita cartões.

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