Guia 450 Sabores do Rio 41 – Bar da Portuguesa: o mais botequim dos botequins e seu torresmo fora de série

O torresmo do bar da Portuguesa: é preciso destacar, e reverenciar, o torresmo do Bar da Portuguesa. O toucinho de porco frito, essa instituição dos botequins do Brasil, essa estigmatizada iguaria, que vemos sumir dos bares da cidade, esse pobre petisco execrado por cardiologistas, porque essa esse crocante bocado é preparado à perfeição no Bar da Portuguesa, e não se tem notícia de que haja melhor torresmo no Rio

O torresmo do bar da Portuguesa: é preciso destacar, e reverenciar, o torresmo deste boteco clássico de Ramos. O toucinho de porco frito, essa instituição dos botequins do Brasil, essa estigmatizada iguaria, que vemos sumir dos bares da cidade, esse pobre petisco execrado por cardiologistas, porque essa esse crocante bocado é preparado à perfeição no Bar da Portuguesa, e não se tem notícia de que haja melhor torresmo no Rio

Se imaginarmos o arquétipo perfeito de um botequim carioca ele: 1) Deverá estar localizado em uma esquina; 2) Será administrado por uma família portuguesa; 3) Bolinho de bacalhau precisará ser muito bom; 4) A vitrine aquecida obrigatoriamente exibirá torresmo; 5) No cardápio haverá sardinha frita e jiló; 6) O salão será abençoado por um altar em louvor a São Jorge; ) A pimenta da casa terá que ser da boa; 8) A clientela mesclará bebuns e famílias; 9) Os preços precisarão ser honestos, para não dizer módicos; 10) A comida, como um todo, deve ser farta e muito saborosa. E seria desejável, mas não item obrigatório, como os anteriores, que ele estivesse localizado no subúrbio. Pois o Bar da Portuguesa, em Ramos, se enquadra em todos os dez requisitos, nos 11, considerando a condição geográfica, elemento importante por conta da ambiência. Sem falar na cerveja bem gelada, item tão óbvio que os não o obedeçam já são desclassificados de cara.Talvez seja o mais botequim dos botequins brasileiros. Tem alma. E coração. E muitos outros elementos qualitativos, ainda mais em se tratando de um boteco de administração familiar, com dona Donzília, a matriarca, trabalhando ao lado dos filhos Paulinho e Cris, os três sempre por lá. Tem um altar para São Jorge, e mesas espalhadas pela calçada. A frequência mescla com absoluto equilíbrio os bebuns que não podem faltar em botequim que se preze, com famílias reunidas, grupos de amigos barrigudos com camisas de times de futebol, moças formosas, moradores do bairro com forasteiros atraídos pelo excelente repertório de comidas, e as cervejas, sempre geladas. Podemos elencar diversos itens como a especialidade da casa: os bolinhos de bacalhau, e a fritada do mesmo peixe, ambos entre os melhores do Rio. O “sanduíche” formado por duas bandas de jiló recheado com carne-seca (este, tradicionalmente servido apenas aos domingos), lambuzado por delicioso molho com tomate, os bolinhos de aipim com recheio copioso de camarão, de massa leve e recheio abundantemente bom… As empadas… A sardinha frita, que vai chegando em levas de cinco à estufa do balcão, e logo é servida, e assim está sempre deliciosamente fresquinha. Sem falar nos pratos do dia. Porque se domingo é dia de jiló com carne seca, e de carne assada, as quintas é servida uma famosa e concorrida sopa de siri (que no inverno fica ainda melhor) e, às sextas, mocotó, mas bom mesmo são os sábados, quando tem salada de bacalhau, e punheta, feita com o mais lusitano dos peixes. Tudo muito bom, tudo muito bem. Mas é preciso destacar, e reverenciar, o torresmo do Bar da Portuguesa. O toucinho de porco frito, essa instituição dos botequins do Brasil, essa estigmatizada iguaria, que vemos sumir dos bares da cidade, esse pobre petisco execrado por cardiologistas, porque essa esse crocante bocado é preparado à perfeição no Bar da Portuguesa, e não se tem notícia de que haja melhor torresmo no Rio. Vai bem com uma cerveja gelada que é uma beleza. E um copo de boa pinga, com uma rodela de limão ao lado, também vai muito bem. Esse Bar da Portuguesa é mesmo um baita de um botequim. Inaugurado em 192, era frequentado por Pixinguinha. Só isso, apenas isso.

BAR DA PORTUGUESA – Rua Custódio Nunes 155, loja D, Ramos. Tel. 2260-8979. De seg. a qua., das 17h às 23h; qui. e sex., das 1h à 1h; sáb., das 10h às 18h; dom., das 10h às 18h. Aceita cartões.

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