Sempre que acontecem episódios como os de ontem, envolvendo restaurantes badalados do Rio…

… um monte de gente vem me perguntar o que eu penso do assunto.

Pois então hoje tento condensar minha opinião a respeito.

Em primeiro lugar: é claro que ações do tipo contam com o meu apoio. Porém, da maneira que é feita, torna-se nefasta, ineficaz, covarde e sensacionalista. E a repercussão dos fatos geralmente não questiona a razão de regras tão tolas, e rígidas.
Um dos primeiros pontos importantes é o seguinte: se esses órgãos (Procon e Vigilância Sanitária) estivessem mesmo ocupados em proteger a alimentação das pessoas, fiscalizariam os estabelecimentos que de fato colocam em risco a saúde da população, risco de vida, inclusive. Numa cidade como o Rio, com tantos e tantos bares e restaurantes imundos, com funcionários porcos, e que trabalham sem higiene alguma, na cozinha, no banheiro, no salão, não faltam lugares que merecem ser não apenas multados, mas fechados. Porém, esses não dão ibope, não sairiam nos jornais, e portanto não interessam aos fiscais. E sem falar nos milhares de ambulantes de comida que estão por todo o canto, oferecendo alimentos que, pela aparência e estado de conservação, apresentam grandes chances de terem problemas. Nenhum desses é importunado.

Esse, a meu ver, é o primeiro ponto importante. O segundo são as regras em si. Não são apenas rígidas, porque assim devem ser, mas são tolas e sem qualquer eficiência na proteção da segurança alimentar da população. E sem contar no impacto que isso tem no custo do restaurante, e quem paga a conta é o próprio cliente, que muitas vezes aplaude essas ações (o Brasil é país que pune os empreendedores, os que trabalham corretamente: fazer sucesso e ganhar dinheiro aqui é como se fosse uma afronta). Nunca vi reportagens questionando essas regras. Não conheço outros lugares, e sou bem viajado, que tenham regras tão ridículas. Cozinha é lugar de manipulação de alimentos, e isso acontece ao longo de todo o dia. Se as mesmas regras fossem aplicados a outros restaurantes do mundo, os melhores, eles seriam autuados, não tenham dúvidas disso. Se esses mesmo fiscais, seguindo essa mesma legislação, fossem às cozinhas do Noma, do Mugaritz, do Le Meurice, do Per Se, do Jiro, e de tantos outros, eles também passariam pelas mesmas situações.
São essas mesmas regras tolas que impedem o aproveitamento de partes da cabeça dos animais, exclusividade brasileira. Só aqui não se pode comer bochecha de boi ou porco, cérebro e certas vísceras; e assim muitos alimentos nobres são descartados. E ainda tem outras questões. Os queijos de leite cru, os produtos alimentícios artesanais. Chegamos ao absurdo de termos proibido a produção de mel de abelhas nativas: por aqui, só mel de abelhas africanas. Como o perdão do trocadilho. O Brasil é o fim da picada.

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