Ninguém precisa reclamar que faltam restaurantes indianos no Rio: existe a casa de Rashmy Naik, no Leblon, e vale muito a pena conhecer

 

Já houve um tempo em que podíamos escolher entre dois (bons) restaurantes quando dava vontade de se dedicar às especiarias, aos sabores intensos e ao perfil aromático e sedutor da cozinha indiana. Havia o Natraj, no Leblon, que fechou as portas primeiro, e o Raajmahal, em Botafogo (hoje a empresa  faz pratos e refeições sob encomenda, em eventos ou em casa: para o contato, clique aqui), que existia pelo menos até uns cinco anos atrás, quando estive lá pela última vez. Hoje já não temos mais nenhum endereço especializado nessa que é uma das mais antigas e tradicionais cozinhas de todo o mundo. Tivemos festivais isolados, como  os menus preparados pela Bindu Mathur, no Miam Miam, e sempre encontramos alguns curries por aí.

A chef indiana Rashmy Nai apresenta as suas samosas

A chef indiana Rashmy Nai apresenta as suas samosas

Pois ontem eu fui apresentado à chef indiana Rashmy Nai. Ela dá aulas e prepara jantar em sua própria residência, ou na casa dos clientes, em clubes, restaurantes etc.

O que eu posso dizer é que ela cozinha muito.

O  murgh makhani (butter chicken) foi o melhor prato da noite

O murgh makhani (butter chicken) foi o melhor prato da noite

O menu foi incrível. Destaque para o Papadam, uma massa crocante de lentilha; e para o  murgh makhani (butter chicken), muito saboroso, picante na medida para os paladares brasileiros, com admirável textura do molho, denso, rico intenso. Além do iogurte feito ali mesmo (aliás, todas as massas, dos pães e da samosa, são feitas por ela, bem como os curries e vários temperos compostos por várias especiarias. É artesanato puro).

Reservas no 97190-1146 ou no e-mail rashkish@yahoo.com. O preço varia de acordo com diversos fatores. Ontem, pra comer na casa dela, garrafinhas de água mineral incluída, pagamos R$ 120 por cabeça. Achei bem bom, diante da qualidade e da quantidade (era muita comida, e quem quiser repetia várias vezes).

 

O Donnhoff Riesling Trocken: uma boa companhia para a cozinha indiana

O Donnhoff Riesling Trocken: uma boa companhia para a cozinha indiana

Pra harmonizar, fomos de champanhe, Ferrari demi-sec, Donnhoff Riesling Trocken, Leyda Riesling, e Viña Bisquertt La Joya Gewürztraminer. Pense sempre em vinhos aromáticos, e quem sabe com algum açúcar residual. Prefira os brancos aos tintos. E o mesmo raciocínio se aplica ás cervejas. Eu iria de Wit e de IPA (melhor ainda: imperial IPA, especialmente para os curries, de frango ou cordeiro).

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Reproduzo aqui a apresentação da chef, e o menu (quem organizou a farra foi a amiga Be Augusto, que descobriu Rashmy, ajudou a compor o menu, e escreveu o texto).

Nossa anfitriã Rashmy Naik nasceu em मुंबई, Bombaim (hoje Mumbai), cidade às margens do Oceano Índico que é a capital do estado de Maharashtra.  Ela viajou por vários países acompanhando seu marido, sempre valorizando a culinária do seu país.  Rashmy está há cinco anos no Brasil e é uma referência para expatriados que querem saborear a verdadeira comida indiana.  Ela dá aulas de culinária, faz sua própria Massala e traz de fora todos os ingredientes originais, pois não acredita em condimentos que já vem prontos ou moídos.  Sua cozinha parece simples, mas é carregada das tradições e sabores da Índia.  Bel montou com ela este menu recheado de informações importantes.

MENU

Samosas: Pequenos pastéis com recheio de batatas e ervilhas. Origem: Uttar Pradesh, estado a Noroeste da Índia que faz fronteira com Nepal.

Murgh Makhani (Butter Chicken): Prato indiano de frango em molho de manteiga com tomates, alho e gengibre, delicadamente picante, com receita do restaurante Moti Mahal, em Delhi.  Este restaurante tem mais de 50 anos e foi responsável por levar os indianos a comer fora de casa, hábito que não era frequente.  Lá se mantém a tradição da cozinha Tandoori, cujo nome vem do tipo de forno utilizado.  Hoje, o Moti Mahal tem filiais em Nova Delhi, Inglaterra , Dubai e Líbano.

Pulao de Vegetais:  Versão indiana do arroz pilaf, o pulao é mencionado no Mahabharata em 400 AC

Arroz Basmati puro:  A Índia produz 65% do arroz Basmati do mundo, sendo o resto produzido no Paquistão.  Hoje s abemos que este arroz é naturalmente aromático devido à presença, nos grãos, de um raro componente perfumado, o 2-acetyl-1-pyrroline

Palak Paneer: Um clássico da cozinha vegetariana indiana, com espinafre, molho de tomate e Paneer (queijo) temperados com Garam Massala e outras especiarias. Origem: Punjab, estado do noroeste da Índia que sediou uma das mais antigas civilizações do mundo

Raita: É feito de Dahi (iogurte) com pepino e tomate.  Muito usado para equilibrar os pratos picantes com seu frescor, tem origem no Paquistão e Bangladesh

Aloo Gobi Fry: Batatas e couve flor fritos temperados com especiarias. Origem: Paquistão, Nepal e Índia.

Gajar Halwa (Carrot pudding): É feito de cenouras com redução de leite, açúcar, frutas secas e especiarias. Origem: Norte da Índia e Paquistão

 

A noite foi um acontecimento.

 

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