Archive for the ‘Bares e restaurantes’ Category

Astrodome fecha as portas. E eu choro

11/11/2010

 

Uma das refeições mais emocionantes do ano passado foi, sem dúvida, o almoço no restaurante Astrodome.  Foi até gostosa a comida. Mas a emoção não veio daí, sim das lembranças do avô, que comia ali sempre, e me levou diversas vezes para acompanhá-lo. Chorei, como choro agora.

Deu hoje no Ancelmo: o Astrodome fechou.

Era de se esperar. Senti um clima de fim de festa no ar. Sei lá. Decadence avec elegance. 

Vou aproveitar para incluir, lá no Índice de posts de restaurantes, ao lado do nome da casa, uma cruz, indicando o seu falecimento. Até porque quero escrever sobre outros restaurantes que agonizam mas não morrem, como o samba. Caso, por exemplo, do Cosmopolita, que sucumbe ao mau gosto que impera nas novas gerações de cariocas, que andam fresquentando e adorando lugares para lá de estranhos, não é verdade? Assim, sofrem alguns clássicos. Uns merecidamente, caso do Lamas e do Le Coin (o II, porque o I já se foi há tempos. Em seu lugar abriu mais um restaurante inexpressivo, e talvez haja gente que goste dele). Outros sem qualquer razão de ser, como o Cosmopolita e o Nova Capela.

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Uma saborosa e engraçada noite de autógrafos do novo livro do Moacyr Luz, sobre o bar Pirajá, em São Paulo

10/11/2010

A alheira do Astor: o delicioso sabor da simplicidade

Não, este blog não está virando território literário, ainda que livros que tratem de Rio de Janeiro, comida, vinho, viagem e outras coisas gostosas serão sempre bem vindos neste espaço.
Mas é que preciso registrar aqui o lançamento, ontem, do livro do meu amigo Moacyr Luz sobre o bar Pirajá, em São Paulo. Cheguei tarde, quase meia-noite, depois de um fechamento tranquilo, mas lento, em meio a dezenas de outras coisas a resolver. Achei que o negócio já estaria no fim, e fui porque o Astor, inevitável endereço da festinha, é do lado da minha casa, menos de três minutos de caminhada. Quanta ingenuidade a minha pensar que tudo acabaria cedo. Ficamos na mesa da varanda até umas três da madrugada.
Rimos muito, não poderia ser diferente. Ainda mais quando o Chico Caruso chegou, ainda depois de mim, e se juntou ao grupo, inspirando o Moa a relembrar histórias engraçadíssimas. Chico, por sua vez, não deixou barato, apresentando uma leva de novas piadas do Jaguar “as únicas verdadeiramente boas que ele ouviu ultimamente”. 
O livro está uma beleza, daqueles para ficar em cima da mesa da sala, para distrair convidados e até o anfitrião. Com seu estilo autêntico, que mistura erudição extrema nos assuntos relacionados ao Rio de Janeiro, ao samba e aos botequins, bom humor e um texto bem calibrado, com ideias e tiradas de mestre. Vez ou outra Moa nos ensina alguma receita, como a que combina maxixe, quiabo e jiló. De vez em quando o Ruy Castro faz o que os editores chamam de “intervenções”. Ou seja, complementa o assunto trazendo algumas histórias que ele, colecionador delas, tem aos montes. Fotos são de Rômulo Fialdini, outro craque, além de algumas compradas de agências.
Falamos de botecos, é claro. Entre eles o Aboim, do qual nunca havia ouvido falar, e foi tema corrente na noite de ontem. Também tratamos do Bar Getúlio, que se mudou para a Atlântica. Moa deu dicas de restaurantes em Portugal, próxima parada estrangeira deste repórter (antes tem Búzios, no próximo fim de semana, e uma expedição pela praia do Ceará ao Maranhão)
O chope foi devidamente escoltado pela minha receita favorita no Astor, a alheira com batata frita e dois ovos. Não precisei pedir o prato. Dudu Cunha, um dos sócios e uma das pessoas mais admiráveis no mundo da gastronomia carioca, um baú de boas histórias e receitas, se encarregou de solicitar ao garçom o embutido português para mim, e ainda advertiu os ocupantes da mesa que o pedido era meu. Evidente, ainda bem, que ninguém respeitou a ordem.
Adoro alheira, e não é de hoje. Já comi no Brasil e em Porugal, no Rio e em São Paulo, na Zona Sul e na Zona Norte, em restaurante chique e em birosca. Acho sempre bom. A do Astor está entre as melhores. Por duas razões. A primeira eu já conhecia. Eles criaram um modo muito interessante de preparar este embutido à base de pão, muito tempero (alheira, compreendeu?), alguma gordura e pouca carne. Eles tiram a película que envolve a massa e fritam. Parece que está empanado. “É por causa do pão”, me explicou o Deco, outro dos sócios, certa vez. Nunca vi, em nenhuma parte. A segunda razão descobri ontem.
“Nossa alheira é feita artesanalmente por um português, o mesmo que fornece para o Adegão Português”, me explicou Dudu Cunha.
Também comi uns espetinhos de pão com bife à milanesa e queijo.
Além de alguns chopes, ainda provei um diferente martini com café, que achei bem interessante.
 
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Cosmopolita: berço do filé à Oswaldo Aranha, receita carioca universal

08/11/2010

 

Ainda hoje o prato é servido na frigideira de ferro, como na época em que foi criado, a década de 1930

 

O restaurante Cosmopolita, na Lapa, é daqueles endereços que precisam ser visitados. Porque não sei se ele vai durar ainda muito tempo. Numa esquina da Mem de Sá, já foi um dos lugares mais importantes da cidade, quando era freqüentado por políticos, principalmente esses, e também diplomatas, jornalistas e empresários, o que o levou a ser conhecido como Senadinho.

Vem desse período a criação de uma receita que tem a cara do Rio, o filé à Oswaldo Aranha, batizado assim por ter sido criado pelo próprio.

O prato é uma obra-prima da simplicidade e harmonia de sabores: pega um belo pedaço de filé, grelhando-o de maneira a deixar uma casquinha queimada, dura e crocante, e um miolo rosado, macio e suculento. Numa frigideira de ferro fumegante a carne é servida escoltada por farofa, arroz e batatas fritas à portuguesa, aqueles chips crocantes que mexem definitivamente na textura de um prato assim, tão aconchegante.

Em tempos de policiamento calórico o maitre sempre pergunta se pode, ao sevir em seu prato o pedaço de carne, arroz e farofa na chapa que está untada de manteiga e sucos da carne, uma daquelas tentações irresistíveis que são capazes de transformar a simples combinação de arroz e farofa num retrato sublime da gastronomia carioca. É possível que alguém ache o prato calórico demais, mas não tratamos de dieta, e sim de prazer.

Esse fabuloso conjunto carne-farofa-batata frita-arroz, nascido exatamente no distante ano de 1933, já se bastaria. Mas aí veio a genialidade culinária do velho Oswaldo Aranha, que certamente não poderia supor como ficaria famoso não apenas no Rio, mas em todo o Brasil, porque o prato virou clássico do receituário nacional (ou estou enganado?): ele, embaixador e ministro, mandou jogar por cima dessa bendita mistura um montão de alho fatiado e frito (nada de espremer o alho, hein: na receita original ele é finamente fatiado). Isso é a glória. Um prato que, se fosse gente, merecia ser canonizado. É simples, é puro, faz bem à alma. Opera milagres.

O chope do Cosmopolita é bom, muito bom. E há outros pratos respeitáveis, que seguem à risca o receituário clássico dos restaurantes e bares mais cariocas do planeta, como é o Cosmopolita, como é a Lapa: o cardápio lista coisas de bacalhau, cabrito, outras variações de uma boa peça de filé. Tudo preparado com aquela dignidade e fartura à moda antiga, do tipo que não se vê mais por aí. Mas, vai por mim. Não há razão de ir ao Cosmopolita e pedir algo que não seja chope e filé à Oswaldo Aranha. Em respeito ao bom gosto e à memória da cozinha carioca.

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Gero x Fasano: qual é o melhor restaurante para um almoço nos dias de semana, com o menu mezzogiorno

02/11/2010

O bar do Fasano al Mare, sempre com champanhes a gelar: menu a R$ 78

Mas e então: afinal, qual é o melhor restaurante para um almoço nos dias de semana, com o menu mezzogiorno, Gero ou Fasano?

O salão do Gero: almoço chique e sempre gostoso a R$ 85

No post anterior eu escrevi sobre a personalidade de cada um dos restaurantes, elementos figurarivos, metáforas, seguindo uma linha de raciocínio absolutamente psicológica. Clima, decoração, conceito, arquitetura, localização e por aí nos fomos. Nem falamos de comida, que é, no fundo, o que mais importa em um restaurante.

Abobrinhas fritas: valem fácil, fácil, os R$ 7 de diferença e são uma ótima companhia para uma taça de borbulhas

Hoje a intenção é comparar os dois cardápios.  O preço é bem equivalente: R$ 85 no Gero e R$ 78 no Fasano. A diferença de R$ 7 se justifica totalmente. No Gero a refeição começa sempre ao sabor das lâminas de abobrinha fritas, crocantes, salgadinhas, indispensáveis e inesquecíveis. Peça uma taça de espumante para fazer a boca comendo o legume deliciosamente preparado. No Fasano essa cortesia não há.    

Couvert do Gero: é bom, mas é caro (R$ 20) e inflaciona demais a conta do mezzogiorno

Em ambos eu dispenso o couvert, que custa R$ 20 e, assim, aumenta a conta (da comida) em 25%, em média. Acho que não vale a pena, ainda que os grissini sejam ótimos e os pães, bem gostosos, assim como as pastinhas que acompanham a brincadeira, pelo tempo que o cliente quiser. Ou seja, se a idéia é um almoço longo, que vá pela tarde adentro, acho que aí, sim, pode começar a valer pena.

O menu do Gero é bem maio, com 22 pratos quentes para escolher, entre eles esse belo ravióli de hadocck com aspargos e açafrão

Os menus são bastante diferentes entre si, e o do Gero é muito maior: são dez entradas e 22 pratos principais (nove massas, cinco risotos e oito “piatti diversi”, com receitas de carne e pescados), contra nove entradas e cinco pratos principais no Fasano.

O irresistível carpaccio com torradinhas de migas indispensáveis é o único prato que se repete, acho eu

Acho que apenas um prato se repete, o carpaccio de filé, servido com vinagrete de azeitonas pretas e pinoles. Carpaccio e Fasano têm tudo a ver e acho esta sempre uma boa opção, melhorada ainda mais pelas torradinhas de pão de miga, complemento perfeito à delicadeza da carne, dando crocância ao conjunto.

Minilulas com ervilhas e nhoque de azeitona no molho de tomate: para mim, a melhor entrada considerando as duas casas da famiglia Fasano em Ipanema

Na minha opinião a seleção de entradas do Fasano  al Mare é bem mais interessante, criativa, e mesmo gostosa. Acho sublime o “calamaretti com piselli e gnocchetti di olive nere”, uma espetacular combinação de minilulas com grãos de ervilhas fresca, pedacinhos de tomate e um sensacional nhoque feito com azeitonas pretas. Adoro essa. Em segundo na minha lista de preferência aparece o carpaccio de atum com champignon, tomate seco e rúcula.

Outra boa pedida no Fasano: polvo grelhado em cesta de pão com feijão branco

Igualmente fazem bonito o polvo grelhado em cesta de pão com feijão branco (grão, aliás, que é um dos ingedientes favoritos do chef Luca Gozanni) e a cevada com salmão, molho de nozes e vinagre balsâmico. Também recomendo, especialmente para os dias quentes, a salada caprese com azeitonas pretas, a saldada verde com presunto de Parma, tomate seco e ricota defumada e os legumes grelhados com trouxinha de brie e rúcula.

O menu de almoço é uma bela oportunidade de provar o vitello tonnato, um clássico

No Gero a base é mais clássica. Para pegar leve podemos escolher entre a salada caprese, esta com mussarela de búfala e tomate ou a salada com queijo da cabra e pêra, que fica uma beleza com um vinho bem jovem e fresco, com um bom Sauvignon Blanc. O menu de almoço é uma boa oportunidade de experimentar o vitello tonnato, clássico da famiglia Fasano, delicadas fatias de carne de vitelo cobertas com molho de atum e alcaparras, tudo servido geladinho, pura refrescância.

Carpaccio de peixe branco no Gero: fresco e leve

O carpaccio de peixe branco do dia é sempre bom, temperado com pedaços miudinhos de cenoura e abobrinha, tirinhas de hortelã e flor de sal, tudo regado com bom azeite e uma pimentinha moída na hora. Para quem quiser algo mais quente, temos duas – e ótimas – polentas, uma com molho de cogumelos, outra com cogumelos e lingüiça. Italianíssimo.

Salmão marinado com dill e mostarda em grãos: olha só que belezura de entrada

Também recomendo com ênfase o salmão marinado com dill e mostarda em grãos, igualmente servido na ilustre companhia das torradinhas de pão de miga, um escândalo para essas ocasiões de carnes cruas.
Os dois percursos de entrada são ótimos, mas pessoalmente hoje estou mais para o Fasano, que vai liderando a parada por 1 a 0, vitória magra, bem apertada.

Purê de batata finalizado à mesa: sensacional, ótima companhia para carnes (e também para um bom peixe do dia grelhado)

Agora vamos à seleção de pratos principais. Neste quesito, em termos de quantidade, o Gero bate de longe, como já foi falado: são 22 pratos, contra apenas cinco do Fasano, divididas entre massas, carnes e uma seleção de receitas com destaque para pescados e carnes (neste setor é sempre uma boa pedir este fantástico purê, finalizado à mesa). Na casa da Aníbal de Mendonça fica até difícil escolher. Há coisas sensacionais, como o ravióli de pato com molho de laranja, outro clássico da grife Fasano, um espetáculo. Ainda no setor de massas, brilha nas tardes de verão o linguine com vôngoles, a clássica lasanha com ragu de carne (ou à bolonhesa, como se convencionou chamar por aqui), o tortelli de haddock com molho de aspargos e açafrão (maravilhoso mesmo, mas um pouco seco, pedindo uma boa regada de azeite bom) e o ravióli de mussarela com molho de tomate e manjericão, um daqueles exemplos de como a comida pode ser simples e divina ao mesmo tempo. 
A seleção de risotos, cinco no total, é bem interessante: tem de aspargos com camarão, de cogumelos secos italianos, de galinha d’angola, de codorna com verduras e de açafrão com ossobuco e cogumelos, todos com o padrão de qualidade habitual das casas do grupo, o que significa ingredientes de boa procedência e tempo correto de cozimento.

Galinha d'angola com cogumelos e duas polentas: meu favorito no Gero

Encerra o extenso menu os pratos diversos, lista que traz sempre um peixe do dia, que pode ser servido com acompanhamentos variados, o pargo cozido com molho de alcachofrinhas, e piccata al limone (que são delicados escalopinhos de vitela com molho de limão), entre outras receitas simples, mas sempre bem executadas. Neste setor eu prefiro, de longe, a faraona al funghi com polenta fresca: trata-se de um macio e suculento filé de peito de galinha d’angola com molho de cogumelos servido com duas polentas frescas, uma amarela e outra branca. Mas não custa lembrar: o purê finalizado à mesa também é ótima companhia, até melhor, eu diria perfeita.

Risoto de camarão com limão siciliano do Fasano, o meu preferido no restaurante da Vieira Souto, boa pedida para o verão ao lado de uma tacinha de vinho branco

Já o Fasano al Mare tem uma lista curta, mas de boa cepa, onde se destacam o risoto de camarão com limão, o meu preferido, sempre delicioso, e o espaguete com vôngole. Com o tempo aprendi também a gostar do salmão pochê ao molho de tomate, azeitonas pretas e purê de batata com ervas finas. O ravióli de mussarela com tomate fresco também é brilhante em toda a sua simplicidade franciscana. Para os carnívoros, a tagliata de filé com alecrim e aceto balsâmico faz bonito (comi o prato duas vezes: numa delas a carne veio muito passada, não curti, mas insisti em provar de novo a receita, porque queria comer carne, e também dar uma segunda chance, e aí ela veio no ponto certo, sangrando, macia, salgadinha).
Aqui, apesar da excelência do risoto de camarão com limão do restaurante praiano, a variedade de pratos e a possibilidade de provar por um preço mais acessível algumas receitas clássicos do grupo Fasano, me faz empatar esse jogo saboroso: 1 a 1.

Mil folhas: imbatível nas duas casas

Agora vamos às sobremesas. Aqui não tem muito o que avaliar: são praticamente as mesmas. O célebre millefoglie Fasano clássico é, nas duas casas, a minha sobremesa preferida, com massa delicada e crocante e um creme delicioso, tudo valorizado pelo creme inglês salpicado de sementinhas de baunilha.

A panna cotta de baunilha é sempre um encerramento de gala: delicado, leve e saboroso

Também vão bem a panna cotta de baunilha, o creme brulée ao limão, …

Tiramisu: outro clássico como fecho de ouro para uma refeição alla italiana

… o tiramisu, …

Tortinha de chocolate com avelãs e sorvete de baunilha, também sempre infalível

…a torta de chocolate com avelãs, o pudim de pão com creme de baunilha, a torta de limão e a “meringata di gelati Allá italiana”, ou seja, suspiros com sorvete. Aqui não poderia ser diferente, há um empate.

Eu diria que uma taça deste vinho, doce e sedutor, é quase obrigatória junto da sobremesa

E não importa onde você esteja, sempre vale a pena investir neste delicioso vinho doce da Di Lenardo para acompanhar as sobremesas dali, especialmente o mil folhas.

Cafezinho espresso do Fasano, com delicados petit fours, como essa cestinha de chocolate com maracujá, à direita, absolutamente deliciosa

Ainda temos o cafezinho, sempre bem-feito e indispensável, especialmente depois de um almoço desses, no meio de um dia de trabalho, para levantar o moral do cidadão. Aquela telha de amêndoas é uma delícia, e acompanha o espresso no Gero e no Fasano, mas este leva uma vantagem, porque ali o pratinho de petit fours é mais interessante, e chega à mesa povoado ainda por uma tortinha de chocolate de enternecer, além de um delicado macaron de chocolate, e de uma espécie de profiteroles com chocolate em pó.
Poderia, por isso, quem sabe, acrescentar mais um ponto ao Fasano, que ganharia a partida por 2 a 1. Mas, pensando bem, não seria justo, até porque, no quesito principal eles ganharam.
Eu, pessoalmente, como já disse, ando numa fase mais Fasano. Mas já me conheço, e sei como é: daqui a pouco muda. E depois muda de novo. E de novo, e de novo…
Declaro, então, um empate técnico na peleja. E cabe a você, de acordo com a sua fome, estado de espírito e outras variáveis, escolher aonde ir. Porque tanto o Gero quanto o Fasano são infalíveis, sempre uma bela pedida para o almoço de segunda a sexta, com preço muito mais interessante que o jantar.  Mas só tome cuidado com a água e o vinho, que podem fazer um estrago na sua conta.

Depois de um almoço assim, é só fazer como cantou Jobim: "andar pela praia até o Leblon". Depois de uma tarde dessas, a vida passa a fazer mais sentido

Obrigado.
Tchau!

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Almoço executivo, o mezzogiorno: qual é o melhor, Gero ou Fasano?

30/10/2010

Gero: elegância

Gero ou Fasano, qual menu executivo vale mais a pena? Esta é uma das perguntas mais recorrentes que recebo de amigos e leitores.
O problema é que a resposta não é tão simples como parece. Às vezes, gaiato, digo assim: vai nos dois e escolhe.
Tem períodos que ando preferindo o Gero (acho que no inverno). Noutros, me identifico mais com o Fasano (acho que no verão).
Até uma semana atrás, por exemplo, estava numa fase mais Gero, onde fiz umas quatro refeições primorosas nos dois últimos meses. Mas, depois de jantar no Fasano al Mare alguns pratos do novo menu, na semana passada, e um inacreditável leitão com feijão branco, na noite de quinta, em encontro de trabalho com hoteleiros da Suíça, eu voltei a pender de leve para o Fasano: o chef Luca Gozzani está em ótima forma, alternando o preparo de receitas com base clássica, como o tal leitão, o risoto de camarão com limão siciliano e o ravoióli de lagosta, mas também criando combinações um pouco mais ousadas, tanto em forma quanto em conteúdo, como o mix de sobremesas de morango.
A verdade é que não gosto de apontar assim, um melhor. Para mim, são equivalentes, parecidos, mas diferentes. E o que vai determinar a escolha não é a qualidade da comida, nem do serviço ou do ambiente, mas sim o estado de espírito do comensal, da estação do ano, quem sabe, da meteorologia do dia, da companhia…
Em resumo, eu diria que o Gero é inverno, o Fasano al Mare é verão. O Gero é para tardes chuvosas e o Fasano, para as ensolaradas. O Gero é para ir certeiro no receituário clássico italiano, enquanto o Fasano busca uma pegada mais contemporânea. Gero é fidelidade e Fasano, ousadia. Gero é terno, Fasano é bermuda. Gero é pai, Fasano é filho. Gero é tijolinho, Fasano é Carrara, é Murano.
O Gero é terra, embora faça grandes pratos com ingredientes marinhos. O Fasano é mar, ainda que o melhor prato da casa seja o leitãozinho assado lentamente em baixa temperatura, servido com feijões brancos preparados num tempero de enternecer.
Gero é cordeiro, é galinha d’angola, é costeleta de vitelo, Fasano é lagosta, é lula, é tentáculo de polvo. Gero é Barolo, Fasano é Franciacorta. Gero é Milão, Fasano é Veneza. Gero é avelã e o Fasano, morango.
O Gero é masculino, é couro, o Fasano é mulher, é seda. O Gero é lindo, e o Fasano também.
Gero é para comemorar o nascimento do filho, e o Fasano, começo do noivado. Gero é amor, Fasano é paixão. Gero é abraço, Fasano é beijo. Gero é terra, é fogo, Fasano é água, é ar.
O Gero é sério, o Fasano, nem tanto. O Gero é para fechar negócios. O Fasano é para ir com os amigos. Embora essa ordem, que fique claro, possa ser deliciosamente invertida.
Acho que é mais ou menos por aí.
Amanhã, aproveitando o tempo de vôo entre Fortaleza e o Rio, eu completo essa história, dissecando os dois menus mezzogiorno dos restaurantes cariocas do grupo Fasano (já escrevi, para ler basta clicar aqui). Não tenho dúvida que é entre o meio-dia e o fim da tarde, de segunda a sexta, o melhor horário para se visitar as casas de Ipanema, garantia inabalável de uma refeição primorosa. Pelos cerca de R$ 80  cobrados pelos dois cardápios, com entrada, prato principal e sobremesa, eu te confesso que acho até barato. O problema são os vinhos, porque uma refeição dessas não pode prescindir delas. E não há vinho barato, como se sabe, no Fasano nem no Gero. Quem sabe se esta não é a oportunidade de levar uma bela garrafa de casa? Dá até para pedir uma isenção de taxa de rolha…
O que importa é que, no almoço dos dias úteis, não há nada melhor no Rio de Janeiro em termos de custo-benefício.

Varanda do Fasano, de frente para a praia: um pouco mais despojado

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Bar da Amendoeira: a melhor carne seca da cidade, e um dos melhores chopes

29/10/2010

O acepipe, envolvido por uma farofa macia, e o chope: clássicos do subúrbio

 No fim de março do ano passado visitei o Bar da Amendoeira, em Maria da Graça, e logo fiz um post lá no blog antigo. Era algo curtinho, só um registro da visita gloriosa ao boteco, que logo eu coloquei como sendo um dos melhores da cidade.

 “Para ser feliz basta encostar a barriga no balcão do Bar da Amendoeira, em Maria da Graça, e pedir uma porção de carne-seca “empanada” na farofa. Custa R$ 16, mas dá para pedir meia (foi o que eu fiz, este pratinho aí da foto é a meia porção, a R$ 8). O chope pode ser classificado como entre os melhores da cidade, com pressão na medida certa – vindo de uma única torneira, obviamente, como reza a tradição botequeira carioca.
Outra estrela do cardápio, do cardápio, não, da estufa sobre o balcão, são os bolinhos de carne, realmente muito bons. Tem até um jiló recoberto com cebola passada na frigideira com manteiga e urucum. As refeições, baratas, substanciosas e, o que mais importa, saborosas, também são coisa muito fina. Sexta tem feijoada e sábado um angu muito famoso – e perfumado – que acaba cedo, porque antes do meio-dia já tem gente pedindo”.

Um mês depois veio uma notícia amarga: o Cesar, dono do bar da Amendoeira morreu, dentro do próprio bar, depois de uma discussão com um cliente. Eles brigaram, e o Cesar levou a pior: levou umas cacetadas da cabeça e morreu ali mesmo, dentro do bar. Um horror.

A história é muito triste. E mais triste seria se o bar tivesse fechado as portas. Ou então, se tivesse piorado. Ainda não voltei à casa, mas escuto falar que anda tudo como antes por ali. Ainda bem. Fica a dica: a carne seca é a melhor do Rio. E o chope está entre os três melhores, junto com o Bar Brasil e o Adonis.

Pode ir sem medo. E depois me conta.

Repara na farofa, nos fiapinhos da carne, que se mantém rosada: delícia, delícia

Para encerrar, um detalhe da carne seca: olha que lindo.

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Em defesa do cabrito do Nova Capela: você pode achar ele bom ou ruim, só não dá para dizer que mudou

28/10/2010

 

Só de olhar dá para ver que o prato é uma delícia

Como um mantra sem sentido, tenho lido ultimamente críticas ao cabrito do Nova Capela, que teria caído muito de qualidade nos últimos anos. A pessoa pode até achar o prato horroroso, mas dizer que está pior é uma bobagem que só pode ter sido inventada por alguém que só conheceu o restaurante recentemente.
Não sei quem foi que fez esta mentirosa constatação. O cabrito do Capela continua sendo feito do mesmo jeito, e é servido igualzinho nos últimos 15 anos, pelo menos. Tostadinho, crocante, com bastante alho frito em cima, em padaços muitas vezes junto ao osso, uma espécie de versão ovina do frango à passarinho. É suculento, forte. O cabrito continua igual ao que sempre foi, assim como acontece com as batatas coradas e com o arroz de brócolis, suas clássicas companhias, com a canja, com o bolinho de bacalhau, com chope. Acho estranho alguém dizer que mudou, que está pior. Das duas, uma: ou a pessoa frequenta o Capela desde o início do ano apenas, e não pode comparar com o Capela de 10 ou 15 anos atrás ou, então, o cidadão tem uma memória péssima. Porque o Nova Capela continua igualzinho – pelo menos no que diz respeito à comida (está mais vazio, é verdade, mas isso não tem a ver com a qualidade da comida, pode ter a ver com preços, com a nova e fresca geração de boêmios e gourmets, como muito bem definiu o Paulo Thiago de Mello, que sabe tudo de boteco, sabe e frequenta, entende e conhece. O Capela também está menos enfumaçado, ainda bem). Pode até ter a ver com sei lá o quê, mas não com a qualidade da comida, ou pelo menos com a sua caída: continua a mesma, posso te garantir. Pode até ser que a cozinha calórica servida ali está fora de moda. Que a porção hoje é menor e mais cara… Mas dizer que o cabrito está pior, francamente.
Li ainda que o bolinho de bacalhau é ruim porque tem pouco bacalhau. Ora, ora, ora. Que besteira. Eu concordo só com metade da sentença: de fato, não tem muito bacalhau, há receitas que levam mais. Mas e daí, se é uma delícia: sempre frito da hora, chega fumegante à mesa para ser besuntado com pimenta e azeite. O bolinho tem uma casquinha crocante e um miolo macio e delicado, muito bem temperado. Talvez, se tivesse muito bacalhau não fosse assim. Poderia ser melhor, ou pior. Só sei que assim é bom. Bolinhos de bacalhau, como se sabe, são um petisco que compreende várias interpretações: pode ser pequenino ou grande, em formato arredondado ou comprido, com mais ou menos tempero na massa, com mais ou menos bacalhau. Pode até ser servido frio ou quente. Enfim, o bolinho de bacalhau do Nova Capela eu acho ótimo.
O cabrito também não mudou. É um prato para estômagos fortes, gorduroso, mas sublime.
Muita coisa mudou no mundo carioca dos botecos e restaurantes tradicionais. O Panafiel fechou as portas, o Le Coin também. O Bofetada, depois de anos de agonia, já totalmente descaracterizado, também acabou. O chope do Bar Luiz não é mais Brahma. O Bracarense, este sim, está em franca decadência (e, mesmo assim, continua bom de ir). Mas o cabrito do Capela continua igual. E me deu até vontade de ir lá comer hoje… 
 
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Bar Lagoa: depois de provar o seu tartar, 70% dos “melhores sabores do Rio” já foram degustados

25/10/2010

Outro dia, de brincadeira, fiz aquele teste do Facebook que, na teoria, teria os 100 melhores sabores do Rio. Eu pessoalmente, discordo de muita coisa, como não poderia ser diferente numa lista do gênero (aliás, discordo de muuuuuita coisa). Tive, como diria o presidente Lula, um índice relativamente alto de “provação”: provei 69% de tais pratos, petiscos, belisquetes e afins. Quer dizer, já são 70%. Porque ontem fui conferir o steak tartar do Bar Lagoa. Apesar de frequentar este restaurante tradicional desde a infância, não me lembro de ter pedido a tal receita.
Pois estão não foi outra senão esta a razão que ontem terminei a minha noite lá, na ótima companhia do Raulzito, meu amigo de fé, irmão camarada, que me acompanhou na viagem até o Engenhão para ver o Flamengo empatar com o Vasco.

O chope da casa, que é um tradicional redutor tricolar, porque ninguém é perfeito, continua bom. Mas acho que deu uma caída, e eu não mais o classificaria entre os melhores da cidade. DE qualquer maneira, é servido do jeito que eu mais gosto: no copo schnitt, com colarinho (natural por favor) espesso e líquido bem gelado, com bom índice de gás carbônico.
Eu já estava decidido em pedir o steak tartar. E foi o que fiz. Meu camarada mandou descer um sanduíche de filé com queijo que estava muito bom, pude comprovar com uma bela dentada.

Mas o que queria mesmo era o tal tartar. Logo veio o garçom e derramou um pouco de mostarda escura um prato, e ficou mexendo. Depois ele recebeu de um colega um prato com os ingredientes principais: um monte de filé mignon finamente cortado com uma gema de ovo cru e uns pedaços de anchova por cima, tudo rodeado pelo temperos: cebola, alcaparra…
Recebida a minha aprovação, ele foi em frente. Por cerca de dois minutos ele foi mexendo, alternando movimentos vigorosos com outros sutis, formando uma massa uniforme.

Depois veio me mostrar o resultado.
Estava mesmo muito boa, com tempero correto. Mas uma coisa me aborreceu: eles server o tartar no companhia de torradinhas, muito sem graça, aliás, quando o mundo inteiro sabe que o par perfeito para um bom tartar são batatinhas fritas. Então, engordei em R$ 10 a conta pedindo uma porção. Aí, sim, o negócio ficou sério.
Até o Raulzito, que pelo menos até ontem não comia carne crua, provou, aprovou e repetiu muitas vezes (ainda bem, porque a porção é farta, para dois, ou até quatro, se for servida como entrada. Ainda assim sobrou um pouquinho).

No mais, adoro todo resto do Bar Lagoa, a começar pela varanda deliciosa (experimente pegar uma mesa bem na borda), os pratos alemães, o croquete, o ambiente art-déco lindo, com paredes pintadas em um verde bem claro, com detalhes belíssimos como espelhos, revestimento de mármore, ventiladores vintage, fotos antigas e até um pequeno palco sobre o bar. Também aprecio o receituário clássico do Rio nos anos 70 e 80: haddock com alcaparras, filé à piemontese (ou à francesa, ou á rossini, ou à parmegiana, ou ao molho madeira, ou à milanesa, ou ou ou ou), frango à cubana, o fetuccini à parisiense, o arroz à grega, além de toda a seleção de clássicos da casa, como as salsichas com salada de batata, o kassler (ou eisbein) com chucrute… Para encerrar de maneira histórica, apfelstrudel, mousse de choclate, romeu e julieta, pudeim de leite… etc etc etc.
Essas coisas me comovem.

 

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O novo Bar d’Hôtel: aos 10 anos, restaurante do Marina ganha de presente a chef Maria Victória

23/10/2010

Depois de uma rápida reforma reabriu há uns dez ou quinze dias, meio na encolha, o Bar d’Hôtel. As obras aconteceram também para marcar as comemorações de dez anos do restaurante no Marina All Suítes, com uma das melhores vistas da praia do Leblon (escolha uma mesa como essa aí, colada à janela: mas ligue reservando antes).

Eu gosto do estilo moderninho, algo meio cult, do hotel, como neste lounge que fica em frente ao elevador. Assim como no Oro, recém inaugurado pelo Felipe Bronze, no novo Bar d’Hôtel o uniforme dos garçons também foi desenhado por um estilista, no caso, Carlos Tufvesson, e a iluminação é assinada por Maneco Quinderé (o cara está em todas, parece o Vik Muniz).

A decoração tem espelhos no teto. Sabe pra quê? Pra gente poder observar a comida do vinho. Humm, que boa ideia. Gostei do grafite que ocupa toda a parede onde estão os elevadores. Mas o que importa é a cozinha. E a chef Maria Victória, ex-Montagu e Astoria, foi o maior presente que o restaurante ganhou no seu aniversário de dez anos. Ela aposta em criações simples, que valorizam os principais  matérias-primas de cada receita, com pratos confortáveis, sempre com referêcias clássicas, a culinária da vovó.

“Gosto da nitidez dos ingredientes”, ela me disse.

Pegamos o elevador e logo chegamos ao restaurante onde também é servido o café da manhã no ano passado eu dormi duas noites no Marina, e os dois cafés da manhã que fiz ali, coladinho à janela, logo após dar um mergulho fantástico, foram antológicos.

Começamos com uma versão do chopinho da casa, na verdade um drinque de frutas com um creminho por cima: neste caso era de manga com espuma de limão. Também apreciamos o clássico chope de maracujá (caipivodca de tangerina e espuma de mel, limão e gengibre).

O circuito começou com esses dois rolinhos aí de cima: de parma com aspargos e azeite de trufas e de presunto, rúcula e pesto.

Ao mesmo tempo vieram essas duas colherinhas com tartar: um de atum com mel e gergelim (que adorei e vou repetir rm casa) e outro de salmão com laranja.

Foi quando mandamos o barman preparar mais dois drinques.

Depois de bebê-los pedimos uma tacinha de vinho para acompanhar a parte mais séria do menu. Tacinha, não, ali não há, mas apenas algumas garrafinhas daquelas de 187 ml, uma solução que tem o meu apoio para restaurantes mais informais, como é o caso do Bar d’Hôtel. Primeiro um branquinho honesto escoltou mais uma duplinha, esta de escondidinhos: um de bacalhau, num estilo meio brandade, e outro de camarão com cogumelos, meu preferido, que também vou tentar fazer aqui em casa.

Eis que chega um pratinho comprido com queijo coalho grelhado e essas fatias aí de outro queijo que agora me foge da memória, servidos com uma espécie de mel de romã bem espesso, reduzido.

A etapa seguinte foi de imenso prazer: uns tentáculos de polvo com batatinhas, tomates-cereja e um molhinho de azeitonas pretas que fazia toda a diferença. Adoro polvo, ainda mais assim, macio, mas tostadinho por fora, no ponto certo de cozimento, com alguma crocância e muita fofura.

Nesta altura pedi uma garrafinha de tinto. Porque a coisa começou a esquentar.
Também sou louco por pato. E sei reconhecer só de ver quando um magret foi bem executado, como foi o caso deste filé que, a exemplo do polvo, também tem uma crosta crocante resultado de bom tempo de grelha, mas no caso da ave, a principal virtude interna, além da maciez, é outra: a coloração…

… rosada, como se pode perceber vendo assim. O pato estava mesmo muito bom, valorizado pelo molho denso de mostarda, com muita personalidade, ganhando o conforto deste nhoque que, na verdade, é uma espécie de bolinho de batata, com massa levinha, frita em óleo bem quente, ganhando uma gostosa crocância em contraponto à cremosidade do miolo.

Ainda houve tempo para provarmos essa panelinha aí, onde assaram umas lascas de cogumelo.

Encerramos o confortável e gostoso percurso assim, como esses adoráveis profiteroles, com massa de cacau e recheio de sorvete de baunilha, servidos com calda de chocolate  e creme inglês. Beleza.

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Festival de trufas brancas e outras novidades no menu do Fasano al Mare

19/10/2010

Feliz da vida: Luca Gozzani apresenta as suas trufas

Já está aberta a temporada de trufas nos restaurantes do Grupo Fasano. A preciosa iguaria chegou a São Paulo na sexta e aqui no Rio no sábado. Luca Gozzani, do Fasano al Mare, está rindo à toa. Não só por causa dos tubérculos, mas porque ele está vibrando com a liberdade de criação que vem ganhando na casa.
 

O bar fica ainda mais belo à noite, todo iluminado

O chef, único do grupo a assinar um menu, está finalizando uma bateria de novos pratos para entrarem no cardápio nas próximas semanas. Cerca de 90% das receitas vão mudar, restando só alguns clássicos, como o ravióli de vitelo com seu molho e fonduta de queijo e o nhoque de azeitona com ervilhas e minilulas.
 
A liberdade que Luca ganhou de Rogério Fasano na cozinha está também na apresentação dos pratos, que agora podem ser servidos em louças diferentes, coisa que o clã tradicionalista nunca permitiu.
 
Ontem fiz um pequeno passeio pelas novidades (entre elas a chegada do querido Eduardo Ferreira para assumir o posto de sommelier deixado por Dionísio Chaves).

Carpaccio de peixe-espada sobre juliana crocante de abobrinhas e tartar de tomates no azeite de ervas: leve e delicioso

 
Depois do pãozinho de cebola caramelada e de uns grissinis foi apresentado este carpaccio de peixe-espada marinado no raíz forte servido sobre uma espécie de juliana de abobrinha e tomatinhos no azeite de ervas. Uma delícia. O peixe, muito fresco, tem uma carne rosada, delicada, não tão gordurosa como um atum nem tão magra quanto a de peixes brancos. A abobrinha dava crocância à coisa e os tomates, maduros, docinhos, davam acidez, molhando a receita.
 

Cavatelli de tomate com brócolis e pecorino curtido: simples e delicado

Então chegou este cavatelli de tomate com brócolis e um pecorino curtido por longo período. Simples, delicioso. Ainda mais na companhia de uma tacinha, na verdade, pouco mais que um dedinho só, de Vega Sicilia Único 1994, um esplendor. 

Tartine de funghi com creme de feijão branco e lascas de trufas brancas: a glória é esta

 
A etapa seguinte foi a glória: uma tartine de funghi sobre purê de feijão branco e muitas lascas de trufas brancas de Alba. O que dizer de algo assim? Começar a semana com Vega Sicilia Único e trufas de Alba não tem preço…
 
– As trufas esse ano estão melhores e mais baratas que em 2009. Tá vendo essas partezinhas avermelhadas. Essas são as melhores trufas – explica o Luca (essa eu não sabia mesmo: dá para ver na foto a coloração).
 
Além dos muitos pratos que vão logo logo entrar no menu, Luca Gozzani vai criar alguns menus degustação temáticos.
 
– Para o verão vou criar menus com peixes pescados no dia. Fiz uma parceria com um pescador que mergulha aqui em frente ao hotel, numa laje repleta de peixes. Ele sai do mar e vem direto aqui para a cozinha. A ideia é montar cardápios com seis ou sete pratos – conta Luca.
 
Entre outros pratos criados para o novo cardápio estão o ravióli de king crab, o tartar de peixe com aspargos e o filé mignon cozido no vapor e selado com maçarico, que fiquei doido pra provar.

Para encerrar, duas novas sobremesas, que me fizeram lembrar do recente jantar no Oro:

Tudo morango, uma seleção de receitas com a fruta

Tudo morango, como a fruta cozida no vinho branco, em forma de mousse, chantilly, merengue e tuille… e

Tudo avelã: pão-de-ló em Frangélico, terrine em crosta de pistache, quenelle de nutella...

 
… tudo avelã, na verdade chamada de sinfonia de nocciola, uma seleção com pão-de-ló de avelão com Frangelico, terrine em crosta de pistache, quenelle de gianduia e creme de mascarpone crocante.
Belezura.

Luca é amigo do Felipe Bronze e foi um dos primeiros a provar o novo cardápio da casa:

– Mas eu criei essas sobremesas antes, hein – disse Luca, brincando.

O café, por favor: pratinho ao lado é uma perdição

Depois disso tudo, nunca dispenso o café. Não só porque ali ele é bem passado, mas também pelo pratinho de docinhos que lhe acompanha: a tuille de amêndoas e a massinha de chocolate recheada com creme de maracujá são as minhas favoritas. E o macaron de morango também fez bonito…

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