Archive for the ‘Buenos Aires’ Category

Dicas de Buenos Aires: as melhores casas de tango

22/02/2015

O show de tango era correto. Bons músicos e bailarinos, e um repertório de clássicos, bem apresentados. Dava para ver bem o palco, porque El Viejo Almacén, um dos endereços mais tradicionais do ritmo portenho, é uma casa intimista, pode-se dizer. Eis que de repente surge um grupo de supostos índios, com trajes andinos, tambores e flautas, tocando canções aparentemente folclóricas. Mas eu queria tango. Paguei para escutar tango, para ver casais dançando tango. Com todo o respeito à tradição cultural indígena, não era o que eu procurava. Queria tango. São muitas as casas de tango na capital argentina.

A estátua de Carlos Gardel, em frente à casa que leva o seu nome, em Abasto

A estátua de Carlos Gardel, em frente à casa que leva o seu nome, no bairro  portenho de Abasto

Eu recomendo poucas. Apenas três, além de clubes, para dança, como Confitería Ideal: El Boliche de Roberto; Esquina Carlos Gardel e Rojo Tango. Cada qual em seu estilo. Com o fim do pequeno, aconchegante e muito intimista Bar Sur, em San Telmo, resta esse trio.
Assim como as parrillas, as empanadas e as lojas de vinho, as casas de tango mais recomendáveis estão entre as dicas mais pedidas pelos viajantes brasileiros que visitam Buenos Aires. Há muitas, mas poucas eu acho que valem mesmo a pena. Mesmo endereços tradicionais, como El Viejo Almacén, dão umas escorregadas, como a sessão dedicada aos ritmos andinos.
Depois da prova de vinhos na loja Lo de Joaquín Alberdi, terminamos o dia no ritmo do tango. Fomos na Esquina Carlos Gardel, em Abasto, em frente ao grande shopping center. Eu havia estado na casa há 12 anos, logo após a inauguração. Vi um ótimo show, com comida ok, e vinho ruim.

O cantor que representa Gardel com um duo de violões

O cantor que representa Gardel com um duo de violões

O show continua muito bom, pena que desfalcado de sua estrela maior naquela ocasião, um chileno que interpretava Carlos Gardel com impressionante precisão. Os tons, os timbres, a voz absolutamente igual. Hoje um bom cantor o substitui, e canta com precisão…

O cantor se parece com Gardel

O cantor se parece com Gardel

… com a vantagem de se parecer fisicamente com o cantor.

O show dura aproximadamente uma hora e meia, tempo suficiente para deixar um gostinho de quero mais.

O banda tem piano, violinos, dois bandonions e violoncelos

O banda tem piano, violinos, dois bandonions e violoncelos

Um bom conjunto, com piano, violino e dois bandonionistas, como manda o figurino do tango, executa bem um repertório de clássicos de Carlos Gardel.

Uma das cenas do show da Esquina Carlos Gardel

Uma das cenas do show da Esquina Carlos Gardel

Os bailarinhos cumprem um repertório que vai de passos clássicos, na cadência elegante do ritmo, até malabarismos exagerados, que arrancam aplausos.

Esquina Carlos Gardel - show 2

É bonito o show.

Esquina Carlos Gardel - show 4

É bonito o figurino, com trajes femininos muitas vezes ousados, que fazem parte da própria coreografia, altamente sensual em muitos casos.

Esquina Carlos Gardel - Porco
Comi empanadas e matambre de porco (na foto), ok, e um trio de sobremesas. Mas o vinho incluído no preço, o San Felipe… Tivemos que pedir uma garrafa por fora.
O Boliche de Roberto, em Almagro, é um caso à parte. Um boteco onde se encontram cantores e músicos, profissionais e amadores, jovens e senhores de idade bem avançada, para levar horas e horas de um tango informal, e delicioso, quase clandestino, regado por cerveja de garrafa, para deleite de portenhos e turistas, muita gente cabeluda e tatuada, ao lado de senhores de terno elegante. Um lugar que pode-se chamar de democrático, e sobre o qual eu já escrevi para este blog (para ler mais sobre El Boliche de Roberto, clique aqui).
Outro show que recomendo, e que conheci logo que começou, é o Rojo Tango, no hotel Faena. Estive lá em duas ocasiões, logo que o hotel foi inaugurado, em 2005. Um show moderno e elegante, como o próprio hotel, minimalista, intimista e sensual. Chique, com música de primeira, e bailarinos idem.

Um panorama dos vinhos argentinos através de 12 rótulos

21/02/2015

Depois de um almoço sempre bom no La Cabrera, com molleja inteira e asado de tira, fomos visitar Joaquín Alberdi. Tínhamos um horário livre, e tudo o que não se deve fazer em viagens do tipo, é descansar nas horas vagas. Nessas horas, muitas vezes, acontecem algumas das melhores coisas.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - terraço
Chegamos e fomos conferir as boas novas. Subimos as escadas até o terraço, área nova, onde acontecem degustações de vinho, ao lado de uma baita parrilla, vizinha de um belo forno.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - pia

Mas o melhor da nova parte alta da loja são as pias, feitas em cima de barricas. Curti.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - queijos
Outra novidade, esta no térreo, é o balcão refrigerado que abriga uma admirável seleção de queijos de cabra, da Cabañas Piedras Blancas, incluindo variedades como reblouchon e um negro, pintado com tinta de lula. Pois, assim, é possível provar uns vinhos e “picar”, que é petiscar para os argentinos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - porão
A prova ocorreu no porão, área reservada, ideal para pequenos grupos. Além de nós quatro havia outros quatro brasileiros (duas amigas, de Cuiabá; e um casal de São Paulo), Joaquín Alberdi, e alguns de seus funcionários e amigos.
O homem então se animou, e enfileirou uma baita bateria de vinhos, com uma boa amostra da produção argentina, reunindo clássicos como o Achaval Ferrer Finca Mirador e experimentações, como o Cara Sur, que é “100% Criolla de Parral de más de 80 años”, ou seja, um vinho fino de uva Criolla.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Gran Medalla
Abrimos com um vinho top de uma bodega gigante. Era o Trapiche Chardonnay 2012, com pêssego e limão, uma madeira bem integrada, e uma boa persistência.Bem feito, mas sem ser encantador (custa 398 pesos). Mais para a frente falamos sobre a Trapiche, que está com projetos bem  interessantes depois que foi comprada pela família que era dona da cervejaria Quilmes, antes dessa ser comprada pela brasileira Ambev.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Lágrima Canela
Depois, o Lágrima Canela 2011, com madeira surgindo em aromas de canela e baunilha, acidez na medida certa, com notas cítricas refrescantes, e um final de boca amplo e gordo. Custa 308 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Desierto Pinot Noir
Desierto 25 Pinot Noir 2013 é um vinho com muitos méritos. Para começar, tem bom preço: 100 pesos. Ou seja, uns R$ 25 (a cotação do Real, em lojas, hoje está na casa dos 4 para 1). Por esta pechincha levamos um vinho puro, leve, com boa expressão da fruta, com sabor de cereja em conserva e framboesa, fácil de gostar e de beber, com boa acidez e taninos sutis.Vinho leve, para ser bebido mais fresco. Muito bom para embalar a conversa, ou um prato de comida, com a sua assumida humildade.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Cara Sur
O já citado Cara Sur, “100% Criolla de Parral de más de 80 años”, foi uma bela surpresa. Resultado de fermentação natural, com leveduras indígenas, este vinho leva a assintura de Sebastian Zuccardi & Francisco Bugallo. As uvas estão plantadas em Barreal, Valle de Calingasta, em San Juan, a 1.500 metros acima do nível do mar. Não parece ter os seus 14% de álcool. Um vinho que afaga o ego da uva Criolla, nada valorizada. Custa 155 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Finca Mirador
O vinho seguinte foi igualmente outro usado como exemplo da diversidade desta prova: o Finca Mirador 2011. Um dos grandes da Argentina, sempre muito bom, quando não excepcional, como é o caso desta safra, que ainda se mostra com certa timidez, porque este é um rótulo que precisa de algum tempo para se apresentar melhor, por inteiro. O que se pode fazer é usar um decanter, deixando o vinho respirar. No meu copo, ele mudou intensamente durante o tempo que eu pude prová-lo. Resumindo, um vinho delicado no nariz, com buquês de flores, as rosas, as violetas… Na boca, é potente e firme, mas com certa ternura, os taninos marcantes, mas macios, e a acidez que deixa a textura sedosa, e agradável. A madeira traz notas de especiarias, que se entendem bem com a fruta, sem mascarar, mas apenas temperando, aquele conhecido pomar que a Malbec apresenta, a ameixa seca, os mirtilos e amoras, aqui ainda frescas, mas que devem evoluir para algo em compota. Vale ficar atento a este vinhos nos próximos anos. Aqui o preço já é sério: 1.012 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Special Blend
Depois, mais Achaval Ferrer, agora um vinho que eu ainda não havia provado: o Special Blend 2011. Corte de Malbec e Carménère, é um vinho interessante, que apresenta da primeira as notas de violeta, e da segunda os aromas herbáceos, de tomilho e alecrim. Algo de alcaçuz, que eu entendo mais como rapadura, também me remetia a alguns outros exemplares de Malbec que já provei. Mas vale uma observação: não consegui confirmar o corte das uvas, já li que é Cabernet Franc e Petit Verdot, mas na degustação disseram se trata de Malbec e Carménère, e no site da vinícola eu não encontro as informações. Se alguém as tiver, agradeço o compartilhamento. Custa 500 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Gran Enemigo
Seguimos com o Gran Enemigo 2010 Cabernet Franc, com muita fruta, um vinho concentrado, de textura agradável, firme, escuro, e um tanto misterioso. Tem aromas de cafá, chocolate, grafite, alcaçuz… Vinhaço, para resumir. Belo trabalho de Alejandro Vigil. Foi o vinho que primeiro despertou a minha atenção para Gualtallary (se pronuncia “Gualtajarí”), subregião do Vale de Uco, perto de Tupungato, em Mendoza, e que eu ainda provaria muitos vinhos interessantes de lá, uma zona que é queridinha dos enólogos. Custa 875 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - De Angeles
O próximo era um vinho de uma bodega preciosa, que o próprio Joaquín Alberdi tratou de me apresentar, através de Pablo Rivero, do restaurante Don Julio, para mim a melhor parrilla de Buenos Aires, e com uma carta de vinhos à altura das carnes, cuidada pelo próprio Pablo, da família proprietária da casa. Era o De Angeles Grand Cabernet S 2012, fresco, intenso e profundo. Custa 480 pesos.
Tá pensando que terminou? Pois ainda veio o Yacuil (Yacochuya-Tacuil, parceria entre essas duas bodegas), um vinho produzido em Salta, exuberante e ensolarado, cheio de fruta madura, equilibrado, com notas de violetas e também algo animal, de salame, pele de salame, estruturado, e bem elegante, um tanto diferente do perfil dos vinhos de Salta. Gostaria de provar este vinho com um belo curry de cordeiro. Custa 900 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - El Esteco
E o Joaquín se animou. Sacou o El Esteco Chañar Punco, um canhão. Mas ainda está bem sisudo, fechadão. Mas, quando se abrir, daqui a uns cinco anos, promete dar o que falar. Custa 965 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Témporis
E depois, mais Achaval Ferrer, mostrando a grandeza da casa. Era o Témporis 2011. Confesso que não tomei notas desse vinho, já distraído com o clima de confraternização que tomava conta da sala, os outros brasileiros se despedindo. Mas lembro que gostei, e também me marcou a textura, um vinho amplo, com taninos firmes, cheio de vitalidade e elegância. Custa 1.350 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Montesco Agua de Roca
– Agora, para limpar a boca, vamos abrir esse Montesco Agua de Roca 2014, da Pasionate Wines. Uma beleza, pura refrescância, cítrico, acidez pontiaguda, uns 10% de álcool, um vinho inimaginável para a Argentina. Uma delícia – anunciou Joaquín, para a minha alegria de quem já tinha sido apresentado a este vinho dois dias antes, em jantar no restaurante Uco, no Fierro Hotel (para ler o post, clique aqui). Custa 170 pesos, de pura alegria, juventude e frescor.
E assim, com a boca limpa para a próxima prova, voltamos ao hotel para nos arrumarmos para o show de tango. Mas isso é assunto pro próximo post.

Lo de Joaquín Alberdi: a minha loja de vinhos preferida em Buenos Aires (e em todo o mundo)

20/02/2015

O que não falta em Buenos Aires são lojas de vinho. Há muitas, algumas cadeias, como a Winery, onde até encontramos alguns rótulos interessantes, a preços justos. Mas não recomendo nenhuma dessas.

A fachada amarela da loja, em Palermo, perto da Plaza Cortázar (ex-Plaza Serrano)

A fachada amarela da loja de vinhos Lo de Joaquín Alberdi, em Palermo, perto da Plaza Cortázar (ex-Plaza Serrano)

Sempre que um amigo me pede dicas de onde comprar vinhos na capital argentina eu indico Lo de Joaquín Alberdi, em Palermo. A começar pela localização, a poucos passos da Plaza Serrano, hoje chamada Cortázar, mas que ainda é mais conhecida pelo seu nome antigo, epicentro do burburinho boêmio de Buenos Aires. Sem falar que fica na rua Jorge Luis Borges, número 1772. Adoro Jorge Luis Borges 1772.
Se não falha a minha memória, conheci a loja em 2006 (impressionante como o tempo passa), e desde então passei a frequentá-la e indicá-la, e a resposta que tenho dos amigos é sempre muito positiva.

Joaquín Alberdi, o próprio

Joaquín Alberdi, o próprio

Eis então que escrevi algumas matérias sobre Buenos Aires, e cheguei a citar a loja mais de uma vez, tanto na revista Viagem e Turismo, quanto em O Globo. Acho que até em alguns frilas que não me lembro bem. Fiz ainda um post no blog Enoteca também. E então, em 2009 (se a memória não me trai), visitei a loja mais uma vez (acho que em todas as últimas cinco vezes que estive em Buenos Aires estive em Lo de Joaquín Alberdi). Fui recebido por um sujeito simpático, empolgado, e determinado a sugerir vinhos raros, de pequenos produtores. Papo vai, papo vem, descobri que ele era o próprio Joaquín Alberdi, um ex-chef de cozinha que fez fama na capital Argentina, dono também do restaurante Cabernet, do outro lado da rua, bem em frente à loja. Apresentei-me a ele, como um “periodista” brasileiro, que escreve sobre vinhos, viagens, restaurantes e afins.
– Mucho gusto. Me chamo Bruno Agostini.
– Bruno Agostini???
– Sim.
Desculpe o momento vaidoso, mas ele faz parte indissociável desta história. Ele não hesitou em me dar um forte abraço, agradecendo pelas reportagens, e pela quantidade de gente que mandei pra lá, direta (os amigos) ou indiretamente (os leitores). Engatamos em um papo agradável, comprei uma vez mais vinhos interessantes e fora dos padrões e do mainstrean, degustamos outros rótulos, e nos tornamos amigos em mídias sociais, tipo Facebook e Instagram. Eu diria que hoje a nossa amizade extrapola o ambiente digital, embora os encontros sejam raros.

 

Os vinhos degustados enfileirados: um post à parte sobre esta prova

Os vinhos degustados enfileirados: um post à parte sobre esta prova

São raros os encontros, mas muito bons (a degustação que fizemos com ele no sábado passado, ao lado de outros turistas brasileiros, foi antológica, memorável, emocionante, e ele é assim: abre mesmo vinhos para os potenciais compradores. E abre vinhos bons. E essa história em acho que merece um post à parte (já pronto, para ler, clique aqui), pelas mudanças que a loja sofreu, e pelos vinhos que provamos naquela tarde ensolarada e “inolvidable”).

A seleção criteriosa de vinhos tem raridades, como os rótulos da Viña 1924 De Angeles

A seleção criteriosa de vinhos tem raridades, de pequenas bodegas, como os rótulos da Viña 1924 De Angeles

Então, em uma outra visita que fiz à cidade, em 2012 (esta não tem erro, porque a reportagem que publiquei em seguida não me permite errar a data), eu estava com um roteiro superapertado, tendo que visitar muitos e muitos restaurantes (já contei aqui que cheguei a ir a seis em um único dia). Mas ele viu que eu estava em Buenos Aires. E me mandou uma mensagem, exigindo uma visita, ainda que ligeira. Lá fui, feliz com a exigência, aproveitando que precisava comer em um restaurante em Palermo, não muito longe dali.

Ao longo do dia várias garrafas são abertas para os clientes degustarem

Ao longo do dia várias garrafas são abertas para os clientes degustarem

Até hoje eu sou grato a ele por ter praticamente me obrigado a ir, no dia seguinte, mesmo com um almoço já marcado (no Hernán Gipponi, que funcionava no Fierro Hotel), conhecer o restaurante Don Julio. Ali fui apresentado ao Pablo Rivero, o jovem dono da casa, sommelier competente, hoje à frente do negócio da família, quem por sua vez me apresentou a entraña, um corte raro e que anda na moda na Argentina, de extrema maciez e sabor, e também os vinhos da bodega De Angeles Viña 1924. Ali eu vi o parrillero pegar um quarto traseiro de um boi, inteiro, com todos os ossos e músculos, e gorduras e nervos, e ir destrinchando a peça, separando com precisão cada corte. O cara não é só um parrillero, mas um carnicero (açogueiro) completo. Até hoje me arrependo de não ter filmado a cena, que aconteceu em rapidez impressionante.
– Olha. Aqui temos o bife de chorizo. Essa é a parte mais saborosa dele. O ojo de bife ancho. Aqui o entrecôte. Entre costelas, entende? Daí o seu nome, derivado do francês. E o asado de tira eu saco daqui. Tá vendo esta parte? É o lomo. Aqui seria o T-bone, juntando com o bife de chorizo, mantendo o osso. E, com cuidado, junto ao osso, pegamos a entraña, com a mão mesmo – e ele foi listando as partes do boi, enquanto acendia o fogo, com rara habilidade, e ia separando os cortes na bandeja. Foi uma aula.
Dizer que as carnes servidas depois do show açogueiro estavam impecáveis é pouco. Cada corte com o seu caráter evidente, no ponto exato de cozimento e de salga, e um repertório de achuras, que abriram o almoço, de ser aplaudido de pé. Desde então, quando amigos me perguntam qual a melhor parrilla de Buenos Aires, eu tenho a resposta na ponta da língua: Don Julio, com todo o respeito que eu nutro por outros endereços respeitáveis, como La Cabrera (o único lugar da vida que eu já vi uma molleja servida inteira), Cabaña las Lilas (caro, mas bom, e em lindo lugar) e El Pobre Luis (hoje desfalcado com a morte precoce de seu dono, o uruguaio boa-praça Luis Acuña), além, de outros endereços clássicos e que “a mi me gusta”, como El Desnível (simpático boteco carnívoro de San Telmo, digno de entrar em guias como Rio Botequim), La Brigada (muito bom, mas muito cheio, muito tumultuado), Las Nazarenas (é meio turístico na aparência, mas só vejo argentino por lá) e Arturito (herói da resistência tradicionalista na Corrientes, ao lado de lugares como a pizzaria Guerrín, e sua redondas, suas empanadas e seus fainás; e El Gato Negro, linda e deliciosa casa de chás e especiarias). Sim, o Palácio de las Papas Fritas, e outros do gênero, eu dispenso. É seguro que estou me esquecendo de boas parrillas. Falo de minhas preferidas, e as que já visitei. E que recomendaria, depois da Don Julio, claro.
E, assim, quando alguém me perguntar qual é a melhor loja de vinhos de Buenos Aires, e a melhor parrilla, duas questões muito corriqueiras em minha vida, eu nem vou responder. Vou mandar o link deste post.
Post este em que, de quebra, e como cereja do bolo, eu deixo outra dica que considero preciosa: a melhor empanada de Buenos Aires está na Ña Serapia, em Palermo, na parte de baixo do Parque Las Heras, uma preciosa dica do meu amigo Alexandre Bronzatto, que compatilho com vocês. Ou seja: quando me perguntarem qual a melhor empanada de Buenos Aires (algo muito menos comum que pedidos de indicações de parrillas e lojas de vinho), eu também vou compartilhar este link. Com todo o respeito a El Sanjuanino (famoso pacas, merecidamente), La Americana (muito bom, mas frequentada só por porteños) e a já citada Guerrín. De modo que este post vai virar algo como, “compre um, leve três”.

A loja fica na rua Jorge Luis Borges 1772

A loja fica na rua Jorge Luis Borges 1772

Para mim, Lo de Joaquín Alberdi é a melhor loja de vinhos; Don Julio, a melhor parrilla; e Ña Serapia, a melhor empanada. Um trio de ouro para se sentir a alma porteña, para tatear a gastronomia e a enologia hermana. Três lugares, enfim, para ser feliz em Buenos Aires.

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Para encerrar, deixo esta foto, de um painel que está na vitrine da loja, para orientar o cliente na escolha do vinho para comprar.

Lo de Joaquín Alberdi - painel - grande

 

É divertido. Clique na imagem para ampliar.

Lo de Joaquín Alberdi – Jorge Luis Borges 1772, Palermo,Buenos Aires. Tel. 54 11 4832-5329.

http://www.lodejoaquinalberdi.com

 

Serviço completo no Fierro Hotel, em Palermo: café da manhã, almoço, jantar e hospedagem

09/02/2015

Na minha última visita a Buenos Aires, em maio de 2012, eu tinha a missão de fazer uma nova versão de uma matéria que foi um dos maiores sucessos no site do Boa Viagem nesses últimos cinco anos. Era uma lista com os dez melhores restaurantes da capital argentina, resultado de umas 15 viagens que fiz a cidade, entre 2000 e 2009, ano da publicação (reportagem que, mesmo cinco anos depois de ter sido publicada, ainda tem muitos acessos via ferramentas de busca na internet: para ler, clique aqui). Um fenômeno. Na atualização da pauta, para não repetir o número de lugares, e fazendo uma brincadeira com o conceito de “Seleção Argentina”, eu decidi indicar 11 lugares (para ler a matéria, clique aqui) Era uma viagem de três noites apenas, e fiz uma maratona pelos restaurantes da cidade, visitando uns 15 lugares, para fazer a minha segunda “escalação”, que incluía novidades (teve um dia que cometi a insanidade de comer em seis lugares, três no almoço, e três no jantar, história que foi parar na página 2 do jornal, dentro da seção “Por Dentro do Globo”: para ler um texto sobre isso, clique aqui). Um desses restaurantes novos, e que me encantaram se chamava Hernán Gipponi, e estava localizado no térreo do hotel Fierro, em Palermo Hollywood. Foi um almoço delicioso, um menu degustação muito interessante, que fazia uma releitura contemporânea e autoral da culinária tradicional da Argentina.
Quando recebi a programação desta minha viagem, vi que eu não apenas me hospedaria no Fierro, um charmoso e pequeno hotel butique, como também faria duas refeições ali (fora os cafés da manhã): um jantar, na noite de chegada, sozinho; e um almoço no dia seguinte, já com o meu grupo inteiro (somos apenas quatro pessoas, o Deco Rossi, relações públicas do Wines of Argentina no Brasil; o Marcelo Miwa; colunista de vinhos do Paladar, do Estadão; e a Érika Mesquita, multiprofissional, nutricionista que escreve sobre vinhos para o jornal Correio de Uberlândia, empresária que tem uma loja de vinhos, na mesma cidade, e ainda é produtora de eventos gastronômicos, sommelier e representante da Casa Valduga, um trio que tem sido ótima companhia de viagem, que se diga).
Fiquei feliz ao perceber que poderia provar novamente a cozinha criativa e moderna do talentoso chef Hernán Gipponi. Mas, ao chegar ao Fierro, vi que o nome do restaurante tinha mudado, e também o chef, a decoração e todo o conceito da casa. Na hora, bateu uma tristeza. Mas, depois que dei uma espiada no ambiente, e cheguei lá para o jantar, vi o menu, conversei com o chef e o sommelier, logo me animei.

Hotel Fierro 17 - Uco mesa
A decoração é mais rústica, com muita madeira (antes, era algo moderno, de cimento, se é que me lembro bem). Tem até um certo clima rural, com fotos de uvas e vinhedos, e a cozinha tem uma filosofia que se cruza com a anterior, na medida em que também se busca uma reinterpretação da culinária tradicional da Argentina, mas com menos arroubos tecnológicos, e mais foco em produtos orgânicos, na elaboração caseira de pães, na produção própria de carnes curadas e embutidos, e de sorvetes, e de iogurte (no café da manhã, foi o melhor iogurte que já provei, com uma baita de uma granola).

Hotel Fierro 1 - quarto

O quarto é espaçoso, com uma cama bem confortável, onde dormi muito bem por três noites. Decoração sem excessos, água de cortesia (1,5 litro), uma seleção caprichada de vinhos…

Desci para o jantar solitário. Fui no menu degustação, e pedi a harmonização livre, por assim dizer, com carta branca para o sommelier escolher os rótulos. E, no quesito vinhos, isso, sim, o conceito se manteve o mesmo: buscar bodegas de pequena produção, e outras menos conhecidas, e com rótulos que fujam um pouco da obviedade, da mesmice, mas sem deixar de selecionar alguns grandes vinhos das maiores vinícolas (o sommelier chef do hotel, Andrés Rosberg – presidente da Associação de Sommeliers da Argentina – ainda é o mesmo).

Hotel Fierro 2 - pátio
O restaurante tem um agradável pátio externo, nos fundos, perfeito para as noites de verão, ou para as tardes de sol do frio inverno portenho (a foto foi feita da minha sacada, no quarto andar, ainda com alguma luz do dia).
O menu custa 470 pesos (cerca de R$ 115, no câmbio informal das ruas de Buenos Aires, no oficial é um pouco menos favorável para nós), com outros 230 pesos para a “maridage” de vinhos com a comida.
– Gosto de fazer uma cozinha com perfil caseiro, com a produção própria de tudo quanto for possível. Fazemos nossos pães, o iogurte, e os fiambres. Gosto de servir pratos que possam ser divididos pelas pessoas à mesa – conta o chef irlandês .

Hotel Fierro 3 - couvert
O pães são feitos na casa, e eles acompanharam o primeiro prato com competência.

Hotel Fierro 5 - fiambres

Era um prato de “fiambres” caseiros. Foi um início e tanto. O trio de charcuterie Fierro tinha língua com chimichurri picante, bondiola (carne de porco) com compota de maçã e patê de coelho com amêndoas. Bela entrada.

Hotel Fierro 4 - Alta Vista Torrontés
Estava neste momento sorvendo com sede um Alta Vista Premium Estate Torrontés 2013, um belo exemplar desta casta, muito menos exuberante no nariz, e muito mais elegante que o habitual.

Hotel Fierro 6 = pescados fritos
Depois, uma clara referência à Itália (Roma, mais especificamente), um cone de papel recheado de pescados empanados em farinha e ovo e fritos, servido com aioli de alho assado. Tinha chipirones (aquelas lulinhas gordas e carnudas, com seus tentáculos miúdos), lagostins, cornalitos (uma espécie de manjubinha, mas ainda menor) e lisa (parece um mero, segundo o garçom). Crocantes, com a massa delicada, sequinhos. Adorei os dois peixes que não conhecia, em especial os cornalitos, miudinhos, miudinhos, miudinhos, e cheios de sabor.

Hotel Fierro 7 - Montesco Agua de Roca
Aí, neste momento, fui apresentado a um dos melhores vinhos brancos da América do Sul, em minha opinião, o Montesco Agua de Roca, da incrível Passionate Wines, um Sauvignon Blanc com apenas 10% de álcool, “refrescante como uma limonada”, segundo a ótima definição do amigo Alexandre Lalas, que colocou este vinho na ótima carta do restaurante Casa Vieira Souto.

Hotel Fierro 8 - Carpaccio
Para ele, foi servido o carpaccio de salmão branco “acevichado”, ou seja, preparado como um ceviche. Algo tão simples como bem bolado, juntando o prato italiano ao tempero peruano, e servido com um plátano (tipo de banana) coberto de tartare de manga.

Hotel Fierro 9 - Carpaccio 2

Merece até um close.

Hotel Fierro 10 - Vicentin

O sommelier que me servia, Marco Castellacci, então sacou este curioso Vicentin Blanc de Malbec. Um Malbec feito como vinho branco, sem qualquer contato com as cascas depois de uma uva ser prensada, mas ainda assim o resultado é praticamente um rosé, com leve tingimento. O vinho tem notas típicas da variedade, como o floral que lembra violeta, e algo de frutas vermelhas frescas. Um vinho gostoso de se beber, e bem diferente.

Hotel Fierro 11 - Pesca del día

Aí, mostrou-se acertada a escolha do sommelier. Porque a etapa seguinte foi a “pesca del día”, no caso novamente o tal de lisa, servido com purê de batata ao açafrão e salada morna de vegetais mediterrâneos. Pele crocante, prato equilibrado, mas nada emocionante.

Hotel Fierro 12 - mollejas
Ao contrário do quinto prato da noite, a acelga recheada com mollejas e cogumelos portobello, simples, mas delicioso.

Hotel Fierro 13 - Miras
Ainda mais delicioso ficou ao ser combinado com o Miras Pinot Noir, produzido por Marcelo Miras, da Bodega del Fin de Mundo, que tem este projeto paralelo, com pequenas edições de vinhos simplesmente fantásticos (ontem encontrei com ele, e provei 14 de seus vinhos, e gostei de todos, e passei a ter certeza de que esta é das grandes bodegas da Argentina, mas isso é assunto para outro post. De qualquer maneira, se você encontrar uma garrafa desse cara por aí, pode comprar sem medo de errar). Que Pinot, amigo. Fresco, delicado, puro, cheio de fruta, condimentado, suculento. Uma belezura.

Hotel Fierro 14 -  cordeiro
A paleta de cordeiro patagônico cozida por 18 horas chegou acompanhado de um purê de grão-de-bico esverdeado pela adição de ervas, com “suco” de pimentões vermelhos assados, e os próprios por cima da carne, que veio escoltada pelo vinho  Zuccardi Zeta,  clássico corte de Malbec com um toque de Cabernet Sauvignon, que é sempre bom ter na taça, ainda mais diante de um cordeiro. Ainda tinha um pouco de Miras na taça, e vi a sua versatilidade à mesa.

Hotel Fierro 15 - Granité de iogurte
Para limpar a boca, um granité de soro de iogurte, que não só cumpriu o seu papel, como também me deu um bocado de prazer.

Hotel Fierro 15 - parfait de iogurte
A sobremesa dialogava com o granité: era um parfait de iogurte com frutas vermelhas, pêssegos caramelizados, amendoim e um toque de chocolate branco.

Hotel Fierro 16 - Solería
E foi então que fui apresentado ao Malamado Solería, também da Família Zuccardi,  um vinho doce generoso, um Torrontés criado em barricas expostas ao sol, que antes haviam abrigado Chardonnay, um gran finale marcante.
Foi só pegar o elevador, subir quatro andares, e dormir como um anjo.

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No dia seguinte, tive uma dose dupla do restaurante Uco, em intervalo de menos de três horas.

Hotel Fierro 19 - truta com ovo

Primeiro, no café da manhã, quando pedi a truta defumada, que coroava um ovo “4 minutos”, com espinafres salteado e tomate assado.

Hotel Fierro - Iogurte
Também pedi o iogurte caseiro, com granola idem. Como escrevi lá em cima, o melhor iogurte que me lembro de ter provado, com textura cremosa e um sabor delicado(a foto é do Instagram: @brunoagostinifoto).

Hotel Fierro 28 - salão
Subi pro quarto para escrever uma reportagem que estava devendo, para uma revista, e logo estava de volta, desta vez acompanhado dos companheiros de viagem(a foto não é deles, mas da mesa ao lado).

Hotel Fierro 18 - couvert
O serviço de pães é simpático.

Hotel Fierro 20 - granité
E ele foi seguido por uma espécie de granité de… Hummm… Não me lembro bem. Talvez de maçã verde, com uns brotinhos.

Hotel Fierro 22 - ovo 4 minutos
Minha entrada foi a junção do gosto do chef pela preparção do ovo “4 minutos”, coisa que eu adoro, com outro elemento que tem lugar cativo em minha estima gastronômica, a morcela. Era um ovo com aquela gema mole, envolto em presunto, empanado e frito, colocado sobre uma saladinha salpicada de pedacinhos de morcilla.

Hotel Fierro 21  - burrata
Outra boa pedida era uma espécie de carpaccio de tomate com uma burrata das boas, com berinjela assada e brotos de alfavaca.

Hotel Fierro 23 - Miras
Novamente eu fui brindado pelo Miras Pinot Noir, e não fiquei nada chateado em repetir o vinho da noite anterior. Ao contrário.

Hotel Fierro 24 - arañita
Para o prato principal, “arañita”, ou seja, aranhazinha, um pedaço especial de carne, conhecido na Argentina como “el corte de carnicero” (o corte do açogueiro), que pelo que pude notar anda na moda por lá.

Hotel Fierro 25 - Kaiken
Para ele, o Kaiken Terroir Series 2012, curioso corte de Malbec, Bonarda e Petit Verdot.

Hotel Fierro 26 - creme de pêssego
Para encerrar, uma preparação cremosa com pêssego e uns crocantezinhos, tipo crumble.

Hotel Fierro 27 - Salentein
Sobremesa pouco doce, como eu gosto, que se entendeu bem com o Salentein Single Vineyard 2012, um colheita tardia que tem um pouco de uvas botritizadas, algo muito raro de se acontecer na Argentina.
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Hotel Fierro 29 - Irish breakfast
Na manhã de sábado, outro “desayuno” no restaurante Uco. Deste vez, com acento irlandês, já que a Irlanda é a pátria do chef da casa, Edward Holloway. Pedi o “irish breakfast”, com linguiça, feijão, tomates assados, morcela e ovo. Era uma versão pequena, que eu realmente adorei. Achei um conjunto melhor dos que encontrei em Londres, mesmo em hotéis chiques nos quais já me hospedei, como The Langhan. Muito bom.
E, claro, não deixei de pedir também o iogurte.
No dia seguinte, com um voo saindo às 7h40 do Aeroparque em direção a Neuquén, não tivemos tempo para o café. Mas deixaram no quarto uma “marmita” na noite anterior. Tinha iogurte, pães, sucos. Mas na correria da manhã, fechando as malas e fazendo malabarismos para que a bagagem despachada não ultrapassasse os 15 quilos, o limite máximo permitido pela Aerolíneas Argentinas, acabei nem

Franks Bar, um segredinho portenho (pero no mucho)

07/02/2015

Buenos Aires é uma cidade cheia de seus segredinhos, com bares e restaurantes que só abrem as portas com reserva, muitas vezes através de senhas e outras medidas restritivas. Ontem visitei dois deles. A Casa Umare, um hotel butique em Almagro, cujo restaurante só recebe clientes que fizerem reserva (achei que não vale a pena comer no lugar, que é lindo, e deve ser bom para se hospedar), e o Franks Bar, aqui pertinho do meu hotel (o Fierro), em Palermo.
Voltamos do jantar na Casa Umare ainda com sede e sem sono. Eis então que o Marcel Miwa, colunista de vinhos do Paladar, do Estadão, e gente da melhor qualidade, deu a dica, quando eu sugeri uma saideira.
– Cara, estou pensando em ir ao Franks Bar. É um bar secreto, aqui pertinho. Mas tem que pegar a senha para entrar nas páginas deles nas redes sociais. Dizem que o lugar é bem legal, e os drinques são ótimos.
Então, ele foi ao quarto dele buscar a senha de entrada, e logo a gente estava a caminho do bar. O letreiro é uma pequena plaquinha, discreta, discreta.
Batemos na porta. E o segurança, um armário de dois metros de altura por um e meio de largura, com cara de poucos amigos, nos franqueou a entrada, depois de anunciarmos a senha da semana. Depois, a atendente, meio misteriosa, nos perguntou se a gente chegou para comer ou para tomar.
– Para tomar.
Então, ela nos encaminhou a uma cabine telefônica, onde digitamos uma outra senha, nos teclados, e então a porta do bar se abriu. Um lugar bonito, grande, que ainda não estava lotado. E assim conseguimos dois lugares no balcão. O relógio marcava 23h mais ou menos. E por volta da meia-noite o lugar ficou totalmente lotado, com muita gente em pé, sem lugar para sentar.
Os drinques custam na faixa de 100 pesos, o equivalente a mais ou menos R$ 25. A lista tem clássicos, e criações dos barmen (são vários, naquele estilo suspensório, gravatinha borboleta e que tais).

Negroni no Frabks Bar

Provei algumas coisas bem boas. Tipo esse Negroni da foto (não levei câmera, e ela foi feita para o Instagram: @brunoagostinifoto), impecável. Também pedi para o cara me fazer um drinque, indicando que gosto de coisas cítricas e amargas. E ele foi na mosca, me apresentando uma receita que, de tão ácida, chegou a me lembrar cervejas da família Lambic. Curti pra caramba. Recomendo muito o lugar. E deixo aqui a página no Facebook dos caras: https://www.facebook.com/FranksBar.ar?fref=ts E também o site: http://www.franks-bar.com/

Carne, vino y tango: os próximos dias deste blog serão dedicados à querida Argentina

05/02/2015

 

empanadas-do-el-desnivel
Os próximos dias serão de muita carne, empanada Malbec (mas eu prefiro os Cabernet Sauvignon de lá) e tango. Embarco agora de tarde para Buenos Aires, para uma viagem de dez dias, a convite da Wines of Argentina. No roteiro, além da capital, estarão a Patagônia e Mendoza, claro, onde acontece a premiação da entidade que promove os vinhos no país, na outra sexta-feira, dia 13.
Mas farei uma exceção. Como prometido ontem, publico hoje um post sobre o jantar no Lasai, regado a Krug  (para ler um post sobre a linha desta maison, personificada através de orquestra, quarteto de cordas e spalla, clique aqui). Como é de se imaginar, uma noite sublime.

La Boca

Minha querida Buenos Aires, hoje volto a te ver.
Saludos!