Archive for the ‘Carnaval’ Category

E o carnaval só acaba em abril… em Orlando

11/03/2010

Em Orlando, a festa fake não pode parar

Se você acha que cariocas somos festeiros e adoramos carnaval…

Na semana passada o Ancelmo Gois escreveu em sua coluna que o carnaval do Rio ainda não tinha acabado, que um bloco sairia no fim de semana.

E qual não foi a minha surpresa quando cheguei no Unioversal Studios, no último sábado?

O Mardi Gras deles (ou seja, Terça-Feira Gorda, inspirado nas festividades de Nova Orleans) vai até o dia 17 de abril. Tudo bem que é tudo fake, mas é certamente o carnaval mais longo do mundo.

Resquícios da folia: o bloco dos presidiários (e a chegada do frio, o caldo verde da Dona Ana…)

03/03/2010

Batata, couve, paio regados com pimenta e azeite: num dia frio, garantia de felicidade

Ai ai ai.
Essa foi boa.
Apesar de já ter até chegado um friozinho à cidade e o carnaval já ter passado há 15 dias, ainda há ecos da folia na minha cabeça.
Só isso pode explicar:

Tava lendo a coluna Gente Boa de hoje e dei de cara com uma nota:

“Os oito blocos do presídio da Frei Caneca…”

Parei na frase. E pensei. “Cacete, oito blocos num presídio. O carnaval do Rio anda animado mesmo”.

Espantado, continuei a leitura. “…serão implodidos no próximo dia 13, precisamente às 11h”.

Ah, tá…

Falando na coluna Gente Boa de hoje, uma das notas diz respeito aos quitutes que estão sendo criados pelo pessoal do Aconchego Carioca para concorrer ao Comida di Buteco. Tem uma picanha de porco com cerveja e banana da terra e um camarão empanado na castanha de caju e molho de abacate.

Talvez sejam sensacionais, como é tudo neste bar. Mas é preciso cuidado. Não podemos desvirtuar os bares do Rio.  Picanha de porco com cerveja e banana da terra e camarão empanado na castanha de caju e molho de abacate eu prefiro comer em outros lugares que não botecos. Isso tá ficando muito chique pro meu gosto.

Estão querendo desmoralizar os botecos, parodiando o Moacyr Luz, que cunhou a brilhante frase ao se deparar com um jiló cheio de frufrus: “Estão querendo desmoralizar o jiló”. E eu digo o mesmo dos nossos botecos.

E já que estamos divagando sobre a cidade, que tempo doido este, né? Nunca tinha visto um verão tão quente, com tantas horas de sol e tão pouca chuva. Nunca tinha visto. Nunca tinha visto um mar por dias tão quente, muito quente, como no fim de janeiro, começo de fevereiro. Aí, de repente, não mais que de repente, o tempo muda e chega um frio raro para março, para o verão. Tá frio mesmo, um frio gostoso, que eu tava pedindo, que todo o carioca tava pedindo. Uma delícia, dá até vontade de subir a serra para sentir a temperatura cair ainda mais. Acender uma lareira, tomar um vinhozinho, se esconder nas cobertas, se afundar na leitura de um bom livro. Deu até para tomar o caldo verde sensacional da Dona Ana, do Galeto 183, coisa que queria fazer há tempos.
O tempo tá gostoso. Mas tem um monte de gente baqueada com gripes e resfriados. Quem tá feliz é a horta aqui de casa. Como andam sorrindo o manjericão, a malagueta, o tomilho, o capim-limão…

E viva o Luis Carlos da Vila. Viva o Walter Alfaiate. Viva Elton Medeiros, Dorina, Wilson das Neves. Viva Caymmi e Luiz Melodia.

E vivo o carnaval do Rio, que deu origem a este papo matinal meio maluco.

Balanço final do carnaval carioca

22/02/2010

Foliã (ous eria foliã?) no desfile da Banda de Ipanema, no sábado de carnaval: Rio de Janeiro tascou títulos de Salvador e Recife

Agora, sim.
Já passou o desfile das campeãs, o Monobloco já travessou a avenida Rio Branco arrastando a multidão que ainda queria folia. E o ano, enfim, começa de verdade.
Sim, acabou o carnaval, deixando certo rastro de tristeza mas também muita alegria. Que bom que não tem mais bloco aqui na rua, penso. Que bosta não ter mais bloco aqui na rua, retruco comigo mesmo…
Enfim, passou. E foi bom e ruim.
O Rio já sapecou de Salvador o título de maior carnaval de rua do Brasil, com três milhões de foliões brincando na cidade, contra uns 2,5 milhões na capital baiana.
Que os nordestinos não se abalem. Mas tascamos também de Recife o troféu de maior bloco de carnaval do planeta. O Cordão do Bola Preta teve mais gente que o Galo da Madrugada em 2010. Quer dizer, mais gente eu não sei: dizem que foram 1,5 milhão lá e outras 1,5 milhão de pessoas aqui. Não tenho dúvidas de quem em 2011, se os pernambucanos não recrutarem turistas nas vizinhanças, o Bola fatura essa. É preciso lembrar que até bem pouco tempo o Bola levava uns 300, 400 mil só. Com este crescimento absurso do carnaval de rua carioca, o bloco cresceu (e nem foi na mesma proporção, se fosse, hoje o Bola teria umas 15 milhões de pessoas atrás dele).
“Quem não chora não mama/ Segura meu bem a chupeta/ Lugar quente é na cama/ Ou então no Bola Preta”.
Aliás, que o galo ponha as cristas de molho: o Monobloco já tá reunindo umas 400 mil pessoas…
Acompanhando o desfile das escolas de samba fiquei certo, mais uma vez, que as escolas do Grupo de Acesso do Rio são infinitamente melhores que a primeira divisão das agremiações de São Paulo. Vai Vai, Leandro de Itaquera, Mancha Verde, Gaviões da Fiel, pelo amor de Deus, não dá. Também, num lugar que transforma torcida de futebol em escola de samba, você vai esperar o quê, meu? Nem a Charanga Rubro-Negra, que fazia música de verdade, virou escola de samba…
Pronto, agora que já exercitei o meu orgulho carioca, vamos olhar pro nosso umbigo.
 
Como em tudo, o Choque de Ordem trouxe coisas positivas e outras negativas ao carnaval. No balanço final, foram mais ações boas que ruins.
 
A sujeira foi terrível, uma vergonha. E, nisso, nem dá para culpar a prefeitura. Não há Comlurb que dê jeito de limpar essa porcalhada toda. Qunta falta de educação.
Mas, nisso tudo, sabe o que seria engraçado, se não fosse trágico. Pior é ver os gringos, educadinhos em suas cidades, jogando lixo no chão, como essa gente sem educação que larga garrafas, cocos e palitinhos de sorvete na praia, que joga papel de bala no chão…
Depois da prisões dos mijões, é hora de agir contra os que jogam lixo na cidade: isso, aginal, também é um ato obsceno. Ou não é?
 
Agora, comentando alguns comentários que apareceram aqui.
Sobre as águas geladas. Eu, pessoalmente, prefiro assim, bem fria mesmo. Logo antes do carnaval a água estava muito quente, nem refrescava, e deixava a praia muito desconfortável, com aquele calorão, sem uma frizinha gelada. Com as águas frias, sopra sempre um ventinho refrescante.
Outra coisa boa da água gelada é que ela é bem mais limpa, vem de correntes antárticas e por isso, são tão frias. Isso acontece porque, basta olhar o mapa do Brasil para perceber, o Rio (Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios, mais precisamente) estão bem numa esquina do país. Quando encontram resistência no continente, esses correntes sobem, no fenômeno chamado ressurgência, que traz muitos nutrientes também, dá as águas muito geledas e com muitos peixes e frutos do mar que vemos na Região dos Lagos. Isso se reflete também no Rio, às vezes com mais, às vezes com menos intensidade.
O que não gosto é da maré vermelha, que deixa a água feia. Ainda bem que foram só uns dias.
Também deram parabéns à Antártica. Eu não faria isso. O que a Ambev fez foi uma bela ação de marketing, que só merece aplausos dos diretores da empresa. Acho que investiram pouco pelo retorno de mídia que tiveram (e ainda venderam muita cerveja, porque estavam impondo um monopólio aos ambulantes, o que não funcionou).
Conversei com alguns venderdores que disseram que compraria a R$ 0,70 a lata para vender a R$ 2, mas estavam tendo que comprar em supermercado.
Então, para o próximo ano, para dar parabéns à Antártica é preciso que eles:
– Tripliquem a quantidade de banheiros químicos.
– Façam a limpeza diária deles.
– Não instalem aqueles curraizinhos ridículos.
– E, de fato, façam uma distribuição de cerveja a R$ 0,70, para que se venda pelo preço anunciado nos isopores, apagados neste ano.
Aí, se eu acordar de bom humor, posso até dar os parabéns a eles.
Hoje, ao contrário, só tenho queixas à cervejaria.
Mais uma coisa: o Afroreggae, gigante, precisa serguir os passos do Monobloco e passar a desfilar no Centro. Em Ipanema, não dá mais.

E agora chega: só falaremos de carnaval lá para outubro, combinado?
Mas de samba, não. De samba a gente fala sempre.
Então, hoje vamos dar um pulo lá na roda da Pedra do Sal?

O carnaval, o verão e o choque de ordem (e viva Paulo Barros)

17/02/2010

Cordão do Boitatá, na manhã de domingo: sol, fantasias, água de mangueira e fila nos banheiros

Acabou.
E foi bom, mas ainda há muito a se melhorar.

Não há dúvida de que a prefeitura se esforçando para ordenar o carnaval teve um resultado altamente positivo. Muita gente ainda mijou nas ruas, mas já se esboça um pouquinho de bons modos, com a maioria dos foliões enfrentando filas para ir ao banheiro.

Então, duas coisas precisam ser feitas para que em 2011 festa de Momo seja ainda melhor no Rio:
– Colocar mais banheiros químicos (pelo menos o dobro).
– Limpar os banheiros químicos todos os dias.

Outro problema deste ano foi o mau cheiro – e olha que teve muito menos xixi, hein. Em Ipanema, por exemplo, onde desfilam muitos e grandes blocos, a pista junto à praia, que virou uma zona nos anos anteriores, com um monte de gente acampada, motando barracos e vendendo comida e bebida, este ano estava (quase) livre desses ambulantes que, instalados na via pública, de ambulantes não tinham nada.
A coisa estava melhor. Acontece que não choveu. Então, a partir de domingo, com a sujeira acumulada, juntando com o fedor dos banheiro, o cheiro ficou insuportável quando o sol batia – e o sol bateu muito, todos os dias.
E esse sol foi a característica deste verão.

Enquanto São Paulo se afogava o Rio viveu gloriosamente os meses de janeiro e fevereiro (até agora, pelo menos) mais ensolarados que eu já vi. O mar, na maior parte dos dias, estava lindo – na verdade, quente demais para o meu gosto.
E não se vê, há dias, uma gota de chuva por aqui.
Só sol, só sol, só sol.
Eu, acredite, ando pedindo uma que um pouquinho de água caia do céu. Minha horta tá esturricando.

Outro ponto positivo deste verão que começa a acenar em despedida foi a vitória, anunciada agorinha, da Unidos da Tijuca.
Enfim, a criatividade e a ousadia de Paulo Barros saiu vencedora na apuração. Até que enfim.

Depois de seis anos cobrindo o desfile das escolas de samba na Sapucaí, muitas vezes com direito a presença no Grupo de Acesso e também no sábado das campeãs, em 2010 preferi fugir da Avenida. Fui em alguns blocos, mas o melhor do meu carnaval foi descansar. Por isso a longa ausência do blog.
Mas, agora que o carnaval passou e 2010 efetivamente começou, vamos ao trabalho.

Saara: a salvação dos (ainda) sem-fantasia

05/02/2010

Não somos só nós, as ruas da Sarra também se enfeitam para a festa de Momo

Já que ontem falamos da compra de fantasias, hoje resolvo publicar este textos, de dois carnavais atrás, ainda do tempo do Direto do Rio de Janeiro.

Vocês sabem que, em alguns dos blocos mais legais da cidade, a fantasia é praticamente obrigatória, sob pena de todos os foliões te olharem como um estranho no ninho, caso do Cordão do Boitatá, que desfila domingo de manhã no Centro, e Céu na Terra, amanhã pegando o bondinho de Santa Teresa, também cedinho. Você não vai querer pagar este mico, né?
Mas quem não tem fantasia não precisa se preocupar: basta ir ali até a Saara para montar a sua. Com R$ 10 dá pra fazer a festa na mais curiosa, barulhenta, tumultuada e divertida concentração de lojas populares do Rio. Tem gente que não gosta de andar por ali. Eu adoro me espremer na multidão, sentir o calor humano (calor mesmo) e comprar coisas baratas. Nesses dias pré-carnavalescos, então, a freqüência anda especialmente agradável, cheio de gatinhas procurando as suas fantasias. Tive lá agora e já vi uma galera entornando suas latinhas, e muita gente se conhecendo. Vai lá conferir. Tá muito divertido, apesar de lotado. Tem que ter um pouquinho de paciência. Aos mais atrasados, amanhã as lojas abrem também.
Só não espere alguma organização, porque o pessoal vende de tudo. Numa mesma banca é possível encontrar camisas do Flamengo e tênis da Nike falsificados, capas para banco de carro, CDs piratas, um isopor de cerveja e refrigerantes e até mesmo um pacote de alho(!!!), talvez a única coisa que seja original. A quem busca fantasia, todas as lojas podem ter alguma coisa que sirva. Mas as duas, digamos, sumidades em carnaval são as lojas Turuna (Rua Senhor dos Passos, 122-124) e Silmer (Rua da Alfândega, 171).
Eu, que já tinha o meu chapéu panamá, bermuda branca e camisa azul, só precisei de R$ 7 para completar a minha fantasia: R$ 6 foram investidos na compra de uma medalha de São Jorge (todo o sambista é devoto de São Jorge, não é verdade?) e R$ 1 na aquisição de uma fita azul para substituir a preta “que veio de fábrica” no chapéu. Pronto. Virei o Monarco da Portela.
Se você esbarrar com um representante da Velha Guarda da Portela não tão velha guarda assim, posso ser eu. Então,vamos cantar juntos: “Ouvi cantando assim/ oôô oôô/ A majestade do samba / oôô oôô/ Corri pra ver/ Pra ver quem era/ Chegando lá era Portela/ Era Portela do Seu Natal/ Ganhando mais um carnaval/ Era a Portela do Claudionor/ Portela é meu grande amor/ Era rainha de Oswaldo Cruz/ Portela muito nos seduz/ Foi mestre Paulo seu fundador/ Nosso poeta e professor). Sou mangueirense, mas amo a Portela do fundo do coração. E o Império Serrano, a Vila Isabel, a Unidos da Tijuca e o Salgueiro. Às outras escolas devoto apenas simpatia.
Estando lá, na ausência do Penafiel (buáááááá) não deixe de provar as gostosuras das mil e uma noites servidas no Cedro do Líbano e o Sírio e Libanês, ambos na Rua Senhor dos Passos, a poucos metros um do outro. Tenho uma queda maior pelo Cedro, mas até hoje não cheguei à conclusão definitiva sobre qual dos dois eu prefiro. E acho uma delícia provar os quibes, esfihas, kaftas, folhas de uva recheadas e outras receitas árabes nesses dois endereços tão tradicionais – e parecidos. Se estiver com pressa, pode parar na frente dos restaurantes que os salgadinhos são vendidos num balcão. Outro endereço emblemático na Saara é a Charutaria Syria (quase em frente aos dois restaurantes). Quem curte pitar não pode deixar de conhecer.
Por fim, atentendo ao pedido do Guilherme Lopes, assíduo colaborador deste blog, uma breve explicação do que é a Saara, se é que a Saara tem alguma explicação, e é esse um dos seus encantos: ser o caos.
Saara significa Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega. Claro que o nome carrega também outra simbologia além da gramática. O Deserto do Saara é associado à cultura árabe. Quem não lembra da marchinha? “Atravessamos o Deserto do Saara. O sol estava quente e queimou a nossa cara. Alá-lá-ô-ô-ô-ô”. Tem tudo a ver, porque a Saara é desde suas origens predominantemente árabe. A região é demarcada entre avenida Presidente Vargas, a Praça da República, a Praça Tiradentes e a Rua Uruguaiana. É mais ou menos isso. A Saara é uma espécie de 25 de Março carioca. Melhor, uma espécie de 25 de Março misturada com Pelourinho e Palestina, já que tradicionalmente árabes, estes principalmente, com já foi dito, e judeus mantém lojas ali. É um conjunto de ruas, boa parte com casario antigo bem preservado, lotada de lojas que de tudo vendem. Centenas de barraquinhas de camelôs e ambulantes de todos os tipos vendem toda a sorte de mercadorias. Durante o carnaval as ruas ficam enfeitadas com banderinhas, máscaras e faixas. E a oferta de produtos ligados à festa multiplica-se: parece que só existem artigos de carnaval à venda. Sempre que quero comprar alguma coisa barata, qualquer coisa, é pra lá que eu vou. Fica bem no Centro. Tem até uma rádio que toca nos alto-falantes (reparou a caixa de som no meio da foto? Pois é a rádio Saara). É imperdível para quem curte estar no meio do povão.

Saara ou os mercados árabes?

04/02/2010

Parace uma loja da Saara, mas é num mercado de Fuijarah, nos Eirados Árabes, que são um ótimo lugar para se comprar fantasias de carnaval

Nesta viagem pré-carnavalesca, também estou descobrindo uma coisa. Os países árabes são ótimos para se comprar fantasias. O que para elas são roupas comuns, do dia a dia, para nós podem virar ótimos paramentos para passar os dias de folia.
Tem sultão, odalisca, beduíno… Tudo encontrado em qualquer esquina, e a bons preços.
Parece até a Saara…

Se quiser acompanhar esta viagem, clica aqui que vai ter post todo o dia.

Mais um link essencial para o carnaval carioca

20/01/2010

 

O Simpatia apresenta o estandarte à praia de Ipanema esolarada

Dando continuidade à série de endereços eletrônicos fundamentais para se curtir o carnaval do Rio de Janeiro, deixo este, um mapeamento do Google de todos os blocos da cidade (quer dizer, quase todos) com dia, local e hora.

Quem me mandou foi o Ataíde, grande parceiro de sambas e vinhos (acredite), capitão do Berro da Viúva e agitador carnavalesco.

Opus: casa de sucos ou pé sujo?

14/01/2010

Frutas penduradas, balcão cheio de delícias (pernil, carne assada, lombinho...) e bom chope: um boteco diferente

Não se deixe levar pelas aparências. E pode crer no que diz o cartaz à esquerda: os sanduíches do Opus estão entre os melhores da cidade. Apesar das laranjas e abacaxis pendurados no teto, não se trata de mais uma casa de sucos carioca. O lugar, com uns 50 anos de bons serviços prestados à baixa gastronomia, é um pé-sujo. Dos bons, e na melhor acepção da palavra – na pior também. A especialidade ali são os sandubas, não lá muito naturais, e o chope. A casa escondida no número 88 da Gonçalves Dias (mesma rua da Confeitaria Colombo, localizou?) também vende sucos. Mas, e daí? A fama vem mesmo é do pernil (R$ 6), da carne assada (R$ 6), do tender (R$ 6,50) e das calabresas (R$ 5) que recheiam os pães, sempre muito frescos. No tempero bem dosado sobram cebolas. Estas, desmaiadas no molho farto que transborda das travessas, são a grande bossa desses acepipes que levaram o endereço às listas de melhores botecos da cidade. Um queijinho prato, opcional, cai bem também (todos os sandíches com queijo – também pode ser provolone – custam R$ 7,50). E, para mim, o abacaxi (mais R$ 0,50) é indispensável para acompanhar o tender e o pernil. Para a carne assada eu dispenso. Os sanduíches são ótimos, mas devo alertar que os balconistas, não raro, colocam a carne no pão com as mãos – e ainda podem dar aquela ajeitadinha na cebola que escapou e, argh, lamber os dedos para limpar. Um amigo me garantia ser esse o segredo… E o chope chega bem gelado, na pressão. Marcel Alcântara, um leitor, escreveu sobre o banheiro da casa. Fala, Marcel: “Bruno eu sou frequentador do Opus, os sanduíches são muito bons mesmo. Só faltou falar do banheiro em uma espécie de sótão, que o acesso é feito por uma escada parecida com essas que se usam em obra.” Tá falado, então. O Opus fica, como já foi dito, na Gonçalves Dias, entre Ouvidor e Rosário, pertinho do Mercado das Flores. Funciona até às 15h aos sábados. Depois do desfile do Cordão do Bola Preta, no Sábado de Carnaval, é um dos melhores lugares para matar a sede e a fome, vai por mim. Porque é das poucas casas de sucos da cidade que também vende aquele de cevada…

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

O carnaval e o tempo (ou vice-versa)

12/01/2010

O Simpatia é Quase Amor invade a Vieira Souto, em Ipanema: um dos blocos que revitalizaram o carnaval de rua do Rio (que, aliás, está completando 25 anos em 2010)

Houve um tempo, até o que eu classificaria como início da minha juventude, ali pelos 20 e poucos anos, em que todos os cariocas queríamos viajar no carnaval. Em meados da década de 1990 nenhum jovem queria saber do carnaval no Rio. A Bahia era o sonho de consumo, fosse na pipoca de Salvador, nos blocos de Porto Seguro, nas raves de Trancoso e Arraial d’Ajuda, nos forrós de Caraíva ou nos reggaes de Itacaré. Quem não podia ir tão longe se contentava em chegar até os arrasta-pés de Itaúnas, no Espírito Santo. Ou mais perto, até Trindade ou Ilha Grande, aqui no estado do Rio mesmo, rústicos por natureza. Ou queríamos a loucura coletiva dos blocos das cidades históricas de Minas. Alguns subiam a serra atrás dos bailes dos clubes de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo. Muita gente buscava os trios elétricos farofados de Cabo Frio e Arraial do Cabo. E havia até quem se escondesse nas montanhas de Mauá. Muitos iam a Búzios atrás de um carnaval sem carnaval. E o inacreditável Bloco da Lama já atraía atenções para a folia no Centro Histórico de Paraty. Mas quase ninguém ficava no Rio. A cidade se esvaziava, não havia confusão. Eram como gatos pingados os foliões. Os blocos, poucos, circulavam sem problema. Há quem sinta enorme saudade deste tempo. Havia apenas meia dúzia de cariocas que saíam em seus blocos. E por alguns anos pareceu que o carnaval de rua do Rio acabaria. Alguns chegaram a decretar o seu fim. Tínhamos a impressão que até o carnaval dos salões, dos bailes, da gente fantasiada, também estavam em vias de extinção. Todos viajávamos porque estávamos fadados ao carnaval monotemático da escolas de samba. Por anos a folia de Momo era praticamente um recreio de gringos na Sapucaí. Havia alguns heróis, que bravamente mantinham o carnaval de Rua. A Banda de Ipanema, a Banda da Sá Ferreira, o Cordão do Bola Preta, o Cacique de Ramos. E havia também a feijoada do Ricardo Amaral. Muito peito de fora (Quem não lembra: “tem bumbum de fora pra chuchu/ Qualquer dia todo mundo nu”), mulatas e ziriguidum. O carnaval virou indústria. Os bambas do Império Serrano fizeram a previsão em 1982: “Super-escolas de samba S.A./ Super-alegorias/ Escondendo gente bamba/ Que covardia!/ Bum bum paticumbum prugurundum/ O nosso samba minha gente é isso aí”.
Do meio da década de 80 em diante, ali por 1985, 1986, tempos de abertura política, cenário que favorecia a proliferações de agremiações irreventes, traço comum a quase todos os blocos do Rio, surgiram alguns dos símbolos da nova era do carnaval carioca. Foi quando nasceram o Simpatia é Quase Amor, o Suvaco do Cristo e Bloco dos Barbas, entre muitos outros. Era um sinal de recuperação. Ao mesmo tempo parece que a qualidade dos sambas-enredo das escolas de samba diminuiu. Vai lá, diz aí, canta um samba do ano passado. O único que alguém sabe cantar – e muita gente sabe de cor e salteado, é o do Império Serrano, reedição do carnaval de 1976. Quem não lembra de “ A Lenda das Sereias. E os Mistérios do Mar”? Quem não lembra dos refrões (“Ela mora no mar/ Ela brinca na areia/ No balanço das ondas/ A paz ela semeia” e “Oguntê, Marabô / Caiala e Sobá/ Oloxum, Inae/ Janaína e Iemanjá/ São rainhas do mar”)? Quem não lembra? Tem sido assim nos últimos anos. Só lembramos dos sambas antigos. Nada mais fica, todos duram até a Quarta-Feira de Cinzas. Uma pena.
Mas voltemos aos blocos. A coisa foi pegando aos poucos, de meados da década de 1990 em diante. Foi só cerca de 15 anos depois, na virada do século, ali pelo ano 2000, que o carnaval de rua no Rio se restabeleceu e tomou outra dimensão. Que Bahia, que nada, vamos curtir os blocos, virou o coro da juventude. E foram surgindo novas agremiações, num processo de multiplicação digno de coelhos.  Aí, ano após ano, os blocos e cordões nasceram em ritmo alucinado. Vários ritmos se incorporaram à festa, especialmente os nordestinos. O coco, a ciranda, o maracatu. A sonoridade ampliou as fronteiras. A festa ficou muito democrática (e cresceu demasiadamente. Alguns blocos, como o Suvaco e o Boitatá, passaram a esconder o horário dos desfiles). Hoje, no carnaval do Rio, se escuta de tudo, até música eletrônica, lamentavelmente. Nasceram o Monobloco, o Céu na Terra, o Cordão do Boitatá e dezenas, centenas e, se continuar neste ritmo, logo, logo, milhares, de blocos, cordões, bandas, corsos e outras denominações carnavalescas. Isso não aconteceu sozinho. Era como um movimento paralelo, que incluía a revalorização da Lapa e da Gamboa, que passa pelo resgate do samba, do choro e de outros ritmos ditos populares que voltaram a fazer jus ao adjetivo. Aconteceu junto ao amadurecimento da nova geração de músicos, que imprimiu uma nova roupagem à tradição. Jovens virtuosos, cheios de influências sonoras, ousados,gente que veio de outros estados, como o gaúcho Yamandú Costa, e também de outros países, como a rapaziada bem pirada do Songoro Cosongo e o violinista francês Nicolas Krassik, que virou um dos maiores nomes do choro, veja só. Vendo o gringo tocar todos juram que é carioca – da gema. Ele é uma espécie de Troisgros do choro.    Com o carnaval de rua novamente valorizado, foi a vez dos salões voltarem a ganhar importância. Quando todos os cariocas só queriam saber de viajar nas férias, entre o fim da década de 70 e a virada do milênio, que glamour poderia haver nos bailes de salão? Nenhum. Os bailes viraram coisa do passado, assim como o entrudo, o maxixe, o rei Momo gordo, os desfiles de fantasia sempre vencidos pelo Clóvis Bornay, e os corsos. Mas quando o carnaval de rua voltou com tudo e os cariocas começaram a considerar ficar por aqui durante a folia, para aproveitar o renascimento dos blocos, a festa cresceu em novas direções. O Terreirão do Samba virou point, o calendário de eventos carnavalescos parece inesgotável ao longo de todo o ano, a Cidade do Samba foi construída, os ensaios técnicos da Sapucaí viraram um programaço, e não só o carnaval, mas o samba e seus derivados começaram a viver anos de glória. Glória que nunca houvera. Não custa lembrar que o samba, o carnaval e todas essas manifestações populares sempre foram vistas com preconceito pela elite. Agora parece que não são. Que bom.

A lista oficial com locais de desfile, horários de concentração e percurso dos blocos de carnaval do Rio

08/01/2010

A rebarba do Céu na Terra, em Santa Teresa, no carnaval de 2009

Se você pretende passar o carnaval no Rio de Janeiro e gosta de blocos, este link aqui é fundamental.

Não falei? Os caras não estão de bobeira, não: conseguiram com exclusividade da Riotur a relação de todas essas agremiações que vão desfilar na cidade, com locais de desfile, horários de concentração e percurso.