Archive for the ‘Comida’ Category

Manjericão, em Teresópolis: a pizzaria que começou a ensinar o carioca a comer pizza, acabando com a piada de paulista

25/01/2012

A pizza de queijo de cabra com castanha-do-pará e escarola refogada, uma das melhores pedidas da casa

Na falta de praia, samba de qualidade e Cristo Redentor, paulista tenta sacanear carioca dizendo que aqui botamos katchup na pizza. Piada velha, que deixou de ser procedente de maneira definitiva há uns dez anos (mesmo que alguns ainda coloquem, mesmo que haja pizzas medonhas por aí, como há em São Paulo também). Mas o processo começou antes. Eu diria que há 22 anos, quando abriu as portas, em Teresópolis, a pizzaria Manjericão, numa casinha de esquina muito simpática, no bairro do Alto. Havia uma linda plantação da erva que batiza o lugar, e quando passávamos pela rua, sentíamos o aroma, uma beleza.
Se não me engano, foi uma das primeiras pizzarias do estado do Rio a abolir frescos de katchup e mostarda sobre as mesas, ao mesmo tempo em que Danio Braga e Eduardo Cunha começavam a fazer ótimas pizzas também na serra, em Itaipava (mas isso foi um pouco depois, em 1992).
Foi na Menjericão que aprendi a comer pizza. Massa fina e crocante, feita com água mineral, assada no forno a lenha, com coberturas mais capricahadas, usando ingredientes frescos e alguns importados, que começavam a chegar ao país.
Era um grande prazer adolescente ir ao restaurante. Foi ali que aprendi, por exemplo, o que era taxa de rolha, quando levei uma namorada para jantar mas, na dureza dos meus 17 anos, não tinha  dinheiro para pagar o vinho, então comprei no supermercado uma garrafa.
Foi ali que aprendi o que é molho pesto, estrela de uma das melhores pizzas da casa.
Desde a inauguração, não passei um ano sequer sem ir até lá. A filha adora, porque além de gostar de pizza, curte bastante o parquinho do lado de fora, uma estrutura de madeira que entretém as crianças.
As pizzas, de tamanho individual custam ali entre R$ 22 (a simples, de mussarela, e R$ 37, algumas das chamadas “especiais”, como a que combina queijo de cabra, castanha-do-pará e escarola (ou chamariam chicória?) refogada, a minha preferida atualmente. Também curto a trifolate, que combina três cogumelos, e a manjericão, que leva o tal molho pesto (sendo que a receita dali é um pouco diversa da original, levando creme de leite, para dar uma consistência interessante quando assada).
A casa já teve até estrela do Guia Quatro Rodas, se não me engano a única pizzaria do Rio a ganhar tal honraria, mas pedeu (acho que não merece mesmo). Mas continua sendo um ótimo lugar para um jantar, com pizzas deliciosas, preços legais, e uma carta de vinhos, embora modesta, vendida a preços justos, com boas taças etc. Tanto que vive lotada nos fins de semana. na minha última visita, no feriado passada, dia 20 de janeiro, fui jantar lá com a filha. Dividimos a pizza de queijo de cabra, a pedido da moça. Esperamos 20 minutos na fila e, quando fomos embora, por volta das 22h30, tinha ainda mais gente esperando mesa.
Pois é. Não parece, mas o manjericão já tem 22 anos. Quem disse que o que é bom dura pouco?

Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

Pomodorino: bom, bonito, barato e um pouco inconveniente

23/01/2012

Ravióli de vitelo com molho cremoso de cogumelos: delícia que custa uns R$ 32

A cozinha italiana, na minha opinião, é a mais aconchegante de todas. Uma massa, envolta em molho, seja de tomates maduros, seja de cogumelos ao creme, seja um pesto aromático, é como receber carinho na língua, é como afagar o estômago.  O fenômeno se repete em todas as regiões do país, da dieta mediterrânea do Sul às receitas calóricas do Norte. Uma salada capresa regada com azeite, um minestrone fumegante, uma pizza, um espaguete à bolonhesa, uma lasanha, um risoto daqueles bem cremosos, um brasato al Barolo e tantos outros são pratos que nos aproximam do Céu: é a elevação gastronômica da simplicidade, a culinária franciscana, a bíblia em forma de alimento, uma missa que se come, uma reza que se faz saboreando.
Restaurantes italianos deveriam ser baratos, e na Itália encontramos casas que servem uma comida sublime, a preços bastante convidativos. No Brasil não é muito fácil hoje em dia encontrar um grande restaurante italiano onde se possa ir comer todos os dias. O Pomodorino, na Lagoa, é um desses poucos lugares em que um casal pode jantar muito bem com menos de R$ 100 (dependendo da fome e da sede, dá até para colocar um vinhozinho nessa soma aí). Conta pontos a favor a localização privilegiada, na porção ipanemense da Lagoa, com vista bonita, num ambiente agradável. Escolha uma mesa na varanda envidraçada, sem dúvida um dos locais mais aprazíveis e – porque não dizer? _ românticos da cidade para uma longa refeição, seja de noite estrelada, seja numa tarde ensolarada (de inverno, ok?).
O problema é que ir ao Pomodorino exige planejando: não dá para chegar assim, ali pelas 21h, e dizer: “E aí, vamos jantar no Pomodorino?”. Como a casa não aceita cartões de crédito, o que é inacreditável nos dias de hoje, temos que passar no banco e sacar dinheiro antes de chegar ao restaurante (não, não uso cheque), o que é um baita inconveniente. Assim, vou menos ao Pomodorino do que gostaria. Ainda assim, no ano passado eu jantei lá umas três vezes. Comi bem em todas, e saí satisfeito com a comida e com o valor da conta.
Esse ravióli de vitelo aí da foto, que me fez refletir sobre como é aconchegante a cozinha italiana, é um prato fantástico, com recheio delicado, massa bem feita e saborosa, e um molho admirável, com cogumelos de qualidade em quantidade suficiente para deixar a receita equilibrada, tudo ainda melhor quando cai aquela chuva de parmesão ralado. Não estou com absoluta certeza, mas acho que custa uns R$ 32. Sim, R$ 32, uma porção farta. Delicioso.
No fim, prove o tiramisu.
A carta de vinho é muito boa, com rótulos adequados ao menu (leia-se boa oferta de italianos) e preços novamente atraentes.
Vá ao Pomodorino, vale a pena. Só não se esqueça de passar no banco, ou de pegar o talão de cheques.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

Sandubas naturebas: dois hambúrgueres saudáveis, diferentes e deliciosos

19/01/2012

Será que endoideci?

Hambúrguer do Joe & Leo's: em várias versões, todas deliciosas

Gosto muito dos hambúrgueres do Joe & Leo’s, e suas receitas variadas, da versão com picanha, cheddar e cebola roxa do Bazzar Café e também daquela assada em forno a lenha, da Forneria São Sebastião.

A Maria também adora o hamburguinho do Joe & Leo's: ainda não levei ela para provar os naturebas. Será que vai gostar?

Mas, acredite você ou não, tenho tido mais prazer ultimamente ao comer versões mais naturebas – quem sabe fruto do propósito de levar uma vida um pouco mais saudável a partir de 2012, para poder pelo resto da vida comer a minha rabada com copinho de pinga de vez em quando.

O fato é que o hamburguer de soja do Universo Orgânico, servido com cogumelos, tomate, brotos… com um molho incrível de tomate, versão deliciosa e leve de katchup, e uma maionese  de açafrão com caju germinado que é demais. Além de delicioso o sanduba é levinho, levinho.

Não sei se estou maluco, se fui abduzido, se estou delirando na busca de uma vida mais saudável. Acho que não. Mas o fato é que o melhor hambúguer da cidade hoje para mim é esse exemplar vegetaria. Sim, também acho isso muito estranho.

Para ver a receita, é só clicar aqui.

Nunca fui de comer na praia, só Biscoito Globo e Sorvete Itália, e os sandubas fenomenais do Uruguaio, no Posto 9. Espetinho de camarão? Empada? Coxinha de galinha? Jamais? Sanduíche natural? Só os que um francês que vivia no Vidigal e vendia os sandubas ao lado de um cão simpático (o cara era muito famoso, porque fazia combinações fantásticas, mas morreu assassinado, misteriosamente, ali em meados dos anos 1980. Uma pena). Como dizia, nunca fui de comer na praia, mas já tinha provado, umas duas vezes, o Hare Burguer, preparado por um figuraça que andava pelas areias de Ipanema, vendendo os seus sanduíches com receitas inspiradas e nomes espirituosos, todos preparados com carne de soja, porque o sujeito é vegetariano. Uma verdadeira maravilha. O cara foi alçado ao estrelado com o Guia de Comidas de Rua. teve uma sacada empreenderora, sabendo que tinha um bom produto em mãos, e resolveu abrir uma loja.

Galeria River: centro de enconto comercial do Arpoador andou caidaço, mas voltou a ser ponto de encontro de surfistas e skatistas

O local não poderia ser mais apropriado, a Galeria River, que tem tudo a ver com praia, Rio de Janeiro, vida saudável, espaço que andou decante nos anos 1990 até uns cinco anos atrás, mas que voltou a ganhar movimento de gente interessada em surfe, skate, patins, roupas praianas e grunge, enfim, um mundo diverso, divertido e curioso.

Hare rock shutney mango fly, o meu saboroso e leve pedido

Fui lá ontem para almoçar um sanduba, aproveitando que estava ali pelos lados do Arpoador. Achei mesmo uma delícia o Hare rock shutney mango fly (chutney com “s” mesmo), feito com harbúrguer de soja, muito bom, mango chutney, castanha de caju e queijo gouda “da lua jupteriana I.O.”.

O colorido, alegre e divertido cardápio

O cardápio é bem divertido, e quem bem definiu foi o crítico da Vejinha Fabio Codeço, que escreveu que as descrições  dos sandubas são uma diversão a mais. E são mesmo. O site deles também.

Para ver maior, clique aí na foto de cima, para ler os textos e observar os detalhes. Os sandubas são bem bons, e quero provar os outros.

Só o suco podia ser melhor, menos doce. É boa a ideia de combinar laranja, limão e tangerina, o Hare Harmonia, mas podiam espremer tudo na hora, e não colocar açúcar.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

Villa Sankt Gallen: a cervejaria mais bacana do Rio inaugura o Bistrô 1912 no próximo dia 2

18/01/2012

Agora está confirmado: segundo Vinícius Claussen, que está tocando a operação da Villa Sankt Gallen, cervejaria sensacional inaugurada em novembro em Teresópolis (para ler mais, com mais fotos e imagens mais detalhadas, clique aqui), o Bistrô 1912 vai ser aberto no próximo dia 2 de fevereiro, dia de Iemanjá, aliás.

Eu, assíduo frequentador da cidade, estou animado com o cardápio, que terá receitas com vieiras e costeletas de cordeiro. A filha, vai ficar ainda mais. Na semana passada, queria comer um polvo no Caldo de Piranha. Sugeri á moça:
– E aí, vamos comer um polvo?
– Ah, não tem vieira?
Garota esperta… Não sabia de nenhum restaurante teresopolitano que servisse vieiras. Agora eu sei. Maravilha.
No andar de cima vai funcionar a Abadia, lugarzinho acolhedor, com cardápio voltado ás iguarias suíças, especializado em fondues e raclettes.
– Esse deve ficar mais para perto do inverno. Vamos com calma, abrindo aos pouquinhos – diz o Vinícius.
Por isso que o lugar vive lotado.
Já provei o menu quase todo, em umas sete ou oito visitas diferentes, desde as primeiras, que originaram os posts. Acho as cervejas realmente muito boas, e nem sei dizer qual eu amis gosto. Acho que a Red Ale. Mas sem absoluta convicção.

Entre as cervejas, a Rubine (sim, estou numa fase vermelha) e a Weissbier são as preferidas.
No cardápio, as entradinhas de que mais gostei foram as coxinhas de frango marinadas na Cerveja Therezópolis  com lúpulo,  que são servidas com um adorável e surpreendente molho de rabanete; a costelinha de porco e o mix de salsichas, produzidas pelo Alemão da Serra. Mas posso dizer que gostei ainda do caldinho de feijão, servido com chantilly  salgado; do filé aperitivo acebolado feito na cerveja escura tipo Ebenholtz; da linguicinha recheada com queijo e também de uma receita exclusiva, um bolinho de cevada com bacon e linguiça (os componentes da cerveja entram em vários pratos) Entre as receitas de mais substância, amei o marreco assado; o eisbein e o kassler; servidos com diversos acompanhamentos, como salada de batatas, chucrute e um purê de ervilhas bem legal. Ah, sim, a farofinha é bem gostosa. Também é uma boa e original pedida para acompanhar os pratos o Reis Mit Roggen, ou seja, arroz com cevada.
Para encerrar, está mais que aprovado o bolinho de chocolate com sorvete de framboesas. Nham nham nham. Meu preferido.

Para ver o cardápio de comida, em forma de simpático porquinho, é só clicar na foto aí em cima que ela aumenta de tamanho.

 

Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

Casa do Alemão, o lar doce lar do melhor croquete de carne do planeta, e de um sanduíche de linguiça antológico

16/01/2012

Dois croquetes e um sanduíche de linguiça: almoço rápido e delicioso na estrada a caminho de Visconde de Mauá

Estamos cercados, no melhor e mais saboroso dos sentidos, pelos alemães. Com a inauguração recente de uma filial na rodovia BR-101, em Itaboraí, que nos conduz à Região dos Lagos, o carioca, que já tem filiais da tradicional rede na Barra e no Leblon, agora tem mais uma deliciosa opção de parada para comer quando sai do Rio.
Estar à beira da estrada é tradição da marca, que me alegra desde que me entendo por gente, nas paradas nas lojas que ficam uma defronte à outra, na Rio-Petrópolis, em Duque de Caxias. Quem vai para a Região Serrana, a para Minas Gerais, Brasília etc, tem as duas filiais mais tradicionais. Quem pega a Dutra, rumo a São Paulo, ao Vale do Paraíba e tantos outros destinos, encontra uma Casa do Alemão no começo da Rodovia que liga as duas maiores cidades do Brasil. Agora, os que seguem para a Região dos Lagos, bahia e todo o Nordeste, além do Espírito Santo, é claro, tem a nova unidade do grupo. Fica faltando apenas uma filial na Rio-Santos, para estarmos deliciosamente cercados pela Casa do Alemão, onde estive mais uma vez na semana passado, no trajeto entre Teresópolis e Visconde de Mauá, com escala de uma noite em Itatiaia.
Tenho uam relação antiga, amorosa, fiel e eterna com a Casa do Alemão. Primeiramente, eu acompanhava a dupla croquete e sanduíche de linguiça com Mineirinho, já que por acordor comerciais o refrigerante não podia ser vendido no Rio (reza a lenda, era uma proibição da Coca-Cola). Depois, já adolescente, passei a variar, pedindo vez ou outra salsichas e salsichões (vermelhos e brancos), lagarto defumado, lyoner, além das saladas com  kassler ou eisbein, já acompanhados com um ou dois chopinhos, hábito abolido com a Lei Seca.  Tem a língua defumado, que tanto aprecio, e os brioches de queijo. Tudo com bastante mostarda escura, de preferência.
Até hoje adoro os biscoitos amanteigados, mas os doces, que um dia já tanto apreciei, hoje me parecem completamente sem graça, ao contrário do canudinho com chocolate nas pontas e do chocolatinho com amendoim. Amo.
No freezer lá de casa sempre tem linguiça do Alemão, que ficam maravilhosas nos churrascos. Também não faltam salsichas e salsichões, e bastam uns minutinhos na água fervente para eu ter um sanduíche glorioso.
Vida longa ao alemão, que serve o melhor croquete do mundo, e os melhores sanduíches de linguiça do Rio.

Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

Alvaro’s: a cara do Rio com sabor de mil novecentos e antigamente

09/01/2012

O pastel da casa e o chope servido no copo baixo: duas marcas registradas do clássico restaurante do Leblon

Uma das ausências no Guia do Gosto Carioca que eu mais senti foi a do Alvaro’s, no Leblon. Notei que, mesmo gostando desse lugar, que me foi apresentado pelo avô ali no comecinho dos anos 1980, ele não estava, nem no guia, nem aqui neste blog. Que pecado! Em primeiro lugar, porque é a cara do Rio, serve alguns clássicos, como os pastéis fritos na hora, pedido de 11 em cada dez frequentadores. Além disso, a comida tem aquele sabor de mil novecentos e antigamente, aquele receituário tradicional da cidade, com receitas como badejo á belle meunière, camarões VG à milanesa com arroz à la grega, polvo à espanhola, picadinho carioca, bacalhau à braz (prato antológico), escalopinhos ao molho madeira com arroz à piemontese, filé à Oswaldo Aranha, carne-seca-desfiada com purê abóbora, capa de filé e tantos outros. O cardápio, claro, é com revestimento de couro, e os guardanapos, de pano. O polvo, esse bicho delicioso, mas de preparo difícil para chegar á perfeição, é um dos melhores da cidade (para ler o cardápio, clique aqui). Sem contar que é hoje o melhor e mais autêntico dos restaurantes-uisquerías do Leblon, com a morte do Le Coin (temos, ainda, o Le Coin II e o Degrau, mas o Alvaro’s, sem dúvida, é o melhor dos três). Enfim, o Alvaro’s é um clássico. Um clássico que adoro, que é mais que um restaurante, que trás lembranças da infância, da adolescência, do começo da fase adulta, onde já estive umas três vezes com a filha, e com umas três ou quatro namoradas. É um lugar que me acompanha por toda a vida. Meu pai conta que foi ali, nos anos 1950, talvez começo dos anos 1960, que ele bebeu pela primeira vez, um copo de uísque, para se sentir homem, como diz, recordando o dia.

Senti tanto a ausência do Alvaro’s no meu guia, que na noite de lançamento, em dezembro, eu fui jantar lá, depois do evento, com a mãe e o tio. Comi um inusitado filé à zíngara, bem-sucedida combinação de mignon com língua bovina e presunto, tudo afogado naquele molho madeira antológico.

Tornedor ao Alvaro's: filé alto, servido em molho madeira com champignon (o arroz, ao fundo, é puxado nesse caldo espesso, e fica uma delícia)

Outro dia resolvi ir almoçar lá também, e dessa vez experimentei o tornedor ao Alvaro’s, servido afogado em molho madeira, com champgnon e arroz puxado nesse mesmo molho, salpicado com salsinha. Achei uma delícia, carne no ponto certo, com interior rosadinho, molho espesso e saboroso envolvendo o mignon.
Fiquei pensando: jamais saí decepcionado do Alvaro’s.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

Bretagne: padaria e bistrô de Olivier Cozan, no Leblon, abre as portas com boas propostas, mas é preciso ajustar os ponteiros

08/01/2012
Na onda de novos restaurantes cariocas, a última casa a abrir as portas foi o Bretagne, depois de Irajá, Vieira SoutoBottega del Vino e Brigite’s.  Há méritos, mas também erros na nova casa, que funciona no lugar do finado Le Bronx, que jamais tive sequer coragem de entrar: se o nome era ruim daquele jeito, imagine a comida…. O serviço no Bretagne está complicado, o que pode ser considerado normal: acontece nos primeiros dias, e eu pessoalmente não vejo mal nisso. Vi pessoas indo embora por causa da lentidão, e cheguei a morrer de rir com uma situação. A Miúcha, irmã do Chico, sentou-se na mesa ao lado da minha, com uma amiga. As duas pediram escargots. Estavam com ótima aparência. Os caracóis foram servidos com o clássico pegador.
- Mas e cadê o garfinho? – perguntou a cantora.
Muito sem jeito, e meio que sem saber do que se tratava, o garçom foi lá dentro.
- Não tem, o fornecedor não entregou.
- Então me traz um palito, qualquer coisa pra gente tirar o bicho aqui de dentro.
E lá voltou ele, com uns palitinhos…
Mas, ao menos, a dupla elogiou bastante o sabor. E manteve o bom humor.
- Até que está muito bom.
E rasparam o prato com os pães da casa. Mas não quiseram pedir o prato principal.
Acho que com o tempo as coisas se ajustam. O lugar ficou bonito e agradável, com varandinha, um pequeno salão na parte debaixo, ao lado de um bar e um espaço dedicado à venda de pães, biscoitinhos e outros artigos de padaria.
Achei que o lugar tem uma proposta bacana, de menu de jantar a R$ 54, com entrada, prato principal e sobremesa. A conta fica ainda melhor quando sabemos que a casa não cobra pela água filtrada, pelo couvert (na noite de sexta era uma cestinha de pães com uma manteiga temperada com curry, boa sacada). Mas se o lugar quer se tornar referência em padaria precisa melhorar bastante a qualidade. Os pães que provei (comprei alguns para levar para casa) não estavam bons. Não eram ruins, mas também não eram bons.
Ao contrário da padaria, eu gostei da cozinha. Pedi um creme de cogumelos com toque de trufas, bem presente. Achei meio desleixado a forma como a cumbuquinha chegou, veja como estava ressacado, como se tivesse sido aquecido no microondas. Bastava alguém dar uma mexidinha depois, não se pode servir assim. E foi o que fiz. Dei uma mexida e a suave crosta que se formou sumiu. E, o que importa de verdade é que a sopinha estava bem gostosa.
Melhor ainda foi o prato principal, um risoto de rabada com agrião, que estava bem cremoso, com arroz al dente e uma carne muito saborosa, se desfiando. Uma beleza. Porção fartíssima, não cheguei ao final.
Ficou ótimo com o vinho, que custou R$ 80. Preço ok.
A sobremesa foi uma bavaroise com morango. Estava ruim, inaceitável. Só consegui provar. O melhor, acredite, era a laranjinha de enfeite…
No final, o saldo foi o seguinte: a comida do Bretagne é bastante boa, e o lugar é bonito, os preços são justos, mas o pão precisa melhorar e o serviço, esse é mais fácil ajustar, também.
Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

O Bar do Mineiro teresopolitano (ou “o que é isso? chouriço”)

30/12/2011

– Papai, o que que é isso? – perguntou a Maria, caprichando no acento que indica estranhamento.

Não havia outra resposta.

– Chouriço – eu disse, sem conseguir conter a gargalhada que saiu espontaneamente.

– Mas o que que é chouriço?

– Ah, é um tipo de linguiça que eu adoro e é difícil de encontrar. Quer provar?

Ele declinou da minha oferta. Não lhe apeteceu o embutido de sangue e temperos, produzido artesanalmente em Além Paraíba, cidade mineira na divisa com o Rio. Estávamos no Bar do Mineiro, não o famoso, em Santa Teresa, mas uma versão serrana, no bairro da Tijuca, em Teresópolis, que por servir tão bom chouriço, e outros acepipes, já entrou para a lista de meus botecos preferidos.

Conheci esse bar num domingo qualquer, levado por um amigo, atrás de uma cerveja qualquer. A ideia era beber duas cervejas, quem sabe três, e ir embora. Acontece que, à certa altura, passou por mim uma travessa de alumínio cheia de chouriços. Comecei ali a perceber que o Bar do Mineiro me daria muitas alegrias. Deixamos o balcão e fomos para a mesa.

– Aqui tem que pagar 10% tá? – informou a garçonete.

– Me dá um chouriço desse aí.

Ela trouxe. Eu espremi limão, derramei um bocado de pimenta, e comi com imenso prazer. Instigado, resolvi experimentar mais coisas. Fui até o balcão do bar, onde uma vitrine aquecida exibia os tais chouriços. Vi ali um irresistível torresmo preparado junto a uma ripinha de costelinha de porco. Pedi. Estava bárbaro: casquinha crocante, carne saborosa, se desmanchando. Roí o osso. Solicitei, ainda, um bom naco de lombinho, adornado com molho rico de tomate. Bom, muito bom. Perguntei ao dono de onde era aquele chouriço, mas ele respondeu que o segredo era a alma do negócio. Mas jornalista que se preza não recebe uma resposta dessas e deixa por isso mesmo. Então, quando fui ao banheiro, aproveitei a passagem pela cozinha para elogiar a qualidade da comida, deixando uma pergunta no ar: “Mas e aquele chouriço, de onde é”. Elas logo responderam: “É bem artesanal, feito lá em Além Paraíba”. Obrigado. Fiquei com o Bar do Mineiro na cabeça.

Até que outro dia a Maria pediu para almoçar. Era uma tarde chuvosa e fria.

– Quero feijão, carninha e arroz.

Pensei: dizem que o PF do Bar do Mineiro é ótimo.

Saímos do clube e fomos direto para lá.

Pedi, então, um Chopp Daserra que, apesar do nome, é uma cerveja, que eu ainda não conhecia, e fui apresentado ali naquele instante. É produzida em Teresópolis também, como a Therezópolis e a St. Gallen, que são ótimas. Achei a Daserra boa. E também pedi o chouriço. Maria, distraída desenhando, não ouviu o pedido. E quando chegou o chouriço, ele se mostrou curiosa.

– O que é isso?

– Chouriço.

Pela primeira vez na vida eu entendi que essa rima, que tanta gente usava (lembra?) existe não apenas por causa da combinação das palavras. A linguiça de sangue causa mesmo alguma estranheza nas pessoas. Pela primeira vez na vida alguém me perguntou “o que é isso?” e eu respondi “chouriço” dizendo a verdade.

++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Mas, recapitulando.

Voltei ao Bar do Mineiro, dessa vez preparado, levando a câmera.

Pedi um Chopp Daserra. Boa cerveja.

Uma cerveja, um chouriço e uma pimentinha, para ser mais preciso.

Também pedi, é claro, um torresminho com costela, ou seria uma costelinha com torresmo?

A Maria ficou no PF, que ainda tinha uma tijelinha de feijão. Já sabia que o contra-filé estava macio, só de cortar a carne em pedacinhos.

Além de delicioso, o Bar do Mineiro é baratim. A conta (duas cervejas, um mate, um chouriço, um torresminho e um PF) deu R$ 28, 05. Com 10%, claro, porque comemos na mesa…

+++++++++++++++++++

E, para encerrar, uma amostra do cardápio.

As refeições. Repara só, tem até leitãozinho inteiro… Meus Deus… Quem topa ir até lá dividir um desses? Deve dar para uns oito.

E os petiscos. Pois é, chouriço e torresminho com costela não aparecem. Custam R$ 3, cada um.

E aí, vamos lá comer um chouriço e um leitãozinho?

Ah, sim. O Bar e Restaurante do Mineiro, nome oficial declarado no santinho com calendário, que tem uma imagem de um gatinho com um cachorro num cesto de vime sobre um gramado, fica na Rua Roberto Rosa 419, na Tijuca, em Teresópolis. É no mesmo endereço em que funcionava o Cati-Côco, um boteco que chegou a fazer sucesso, e que tinha noites animadas, e uma boa feijoada. Para maiores esclarecimentos o telefone é (21) 3097-2258.

Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

O quase surreal (e delicioso) perupatolinha do Aconchego Carioca: apesar da pouca idade, um clássico dos festejos natalinos cariocas

25/12/2011

Se é que podemos chamar de tradicional algo que só existe há dois anos, a noite do perupatolinha, no Aconchego Carioca, já é um dos eventos clássicos do calendário de festejos natalinos do Rio de Janeiro.

As três aves, com farofa, molho e as batatas, além da bela companhia cervejeira: noite memorável

Tudo nasceu no ano passado, quando a Kamile Viola, do jornal O Dia, comentou com a Katia, alma desse boteco, a respeito do turducken, um prato típico da Loisiana, nos Estados Unidos, uma quase surreal composição: pega-se um peru desossado, e coloca-se dentro dele um pato, também sem os ossos, que por fim acomoda uma galinha, igualmente só com a carne e a pele. Se o Salvador Dalí fosse chef de cozinha…
Pescou o nome? Tur, de turkey (peru em inglês), du, de duck (pato) cken, de chicken (galinha).
Convenhamos que perupatolinha é um nome muito melhor, né?

Repara só nas batatas, que absorvem o caldo rico de temperos

Não sei como fica essa receita preparada pelas mãos das cozinheiras americanas, mas o que a Katia faz é algo de comover.

Peru, pato e galinha, um dentro do outro: trem doido, mas delicioso (e saca só a cor da farofinha)

O peru, carne que acho um tanto sem graça devido ao seu ressacamento, fica mais molhadinho que o habitual, temperado pela gordura saborosa do pato, que prensado pelas duas outras aves, é a carne mais apetitosa.

Olha só que loucura: peru, pato e galinha!

A farofa, com umas frutas secas, é algo sublime. Mas o melhor de tudo era a batata. Esse tubérculo é uma maravilha, acho que todo mundo gosta. Acontece que eu jamais havia comida uma batata tão boa. Ela roubou a cena. Ainda mais quando quentinha, saindo do forno. Que coisa.

A Heineken, trincando de gelada

O quesito cerveja foi ótimo. Bebemos umas bem geladas…

St. Gallen Stout Porter: cervejaço!

… e rótulos bem especiais…

ST. Gallen Irish Red Ale: para começar

… que só deixaram tudo ainda melhor.

Caça ao tesouro: o depósito de cervejas do Aconchego Carioca, ou "o Édem"

No fim, visitamos a “adega” de cervejas da casa. O Paraíso, segundo a Kamile Viola.

Tudo isso, sob a bênção de Nossa Senhora. Amém.

O Pudim de Cachaça: foi mal, Fabio Maia

Encerramos com um pudim de cachaça, preparado com queijo, que estava sublime. Lembrei-me de um grande amigo, o Fábio maia, vulgo Pudim de Cachaça: desculpe ter te comido, meu camarada, mas até que foi bom.

A turma que participou da farra, engrandecendo o momento

Taí, já anotei. O meu primeiro compromisso de 2012 já está marcado na agenda: na noite do dia 22 de dezembro, eu vou estar no Aconchego Carioca, para a terceira edição do épico patoperupatolinha.

E, no mais: um feliz Natal a todos.

Que os nossos sonhos se realizem, e eles vão se realizar! Por isso, muito cuidado com os nossos próprios desejos!

 

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

Pois diga que irá, Irajá, Irajá!

08/12/2011

Há cerca de dois meses, quando soube que o chef Pedro de Artagão abriria o seu restaurante, o Irajá, numa casinha em Botafogo, pensei com absoluta convicção: “Vem coisa boa aí”.

Hoje posso dizer que estava certo o raciocínio. Porque ontem jantei ali, de pé no balcão, de cara para a cozinha. A novidade fica na rua Conde de Irajá, que está se tornando um dos meus CEPs preferidos na cidade, por causa da deliciosa vizinha: Entretapas e Oui Oui.

O lugar é agradável. Uma casa antiga, com um longo corredor que leva até a área dos fundos, passando pela cozinha com janelas abertas: somos recebidos com os aromas da costelinha de porco glaceada, do bolo de brigadeiro fumegante. Cumprimentamos os cozinheiros, até. Uma espécie de agradecimento anterior pelo o que farão por nós, logo a seguir. Mas vale a pena se acomodar, antes de tudo, no longe com poltronas e sofás confortáveis, móveis antiguinhos…

… além de uma adega vistosa e um bar, de onde saem bons drinques. Fica numa espécie de antessala, logo à porta.

– Esse não é bem um lugar para se esperar uma mesa, mas para ficar mesmo. Beber, petiscar, quem sabe mesmo até jantar – explica a ideia o Pedro, com cara muito feliz.

Antes de seguir para o salão, pequeno e aconchegante, com poucas mesas, vale a pena gastar um tempo por ali. Dá próxima vez eu vou testar. Ali parece um lugar muito próprio para comer a coxinha de galinha, que dá nova dimensão a esse salgadinho clássico, com massa de rara crocância e um recheio com molho de requeijão que eu vou te contar…

Foi este o meu primeiro bocado no Irajá, depois de uns 15 minutos acompanhando o movimento da cozinha, de onde saíam, copiosamente, muitas porções de steak tartare (com carne picadinha na hora, na ponta da faca, temperada com delicadeza, servida com ovos de codorn, um tipo de caviar e, esse é um dos segredo, cubinhos de limão, além de um necessário tempurá de shitake).

Quando o garçom pediu pediu “Seis tartares na mesa X”, Pedro confidenciou, baixinho:

– Não gosto disso. Que falta de imaginação. Tem tanta entrada legal para a mesa provar. Gosto quando os grupos vão pedindo pratos diferentes, dividindo as porções. O espírito é um pouco esse – reclama, coberto de razão, a meu ver.

Foi um jantar delicioso, diferente de tudo: comi de pé no balcão, como se estivesse almoçando no Aboim. Quando a hostess quis saber o que eu beberia (depois, é claro, dos dois drinques “de entrada”, perguntou o que eu iria comer).

– Você já sabe, ou vai deixar nas mãos do chef.

Respondi sem palavras, com um olhar feliz, e ela percebeu que seria a segunda opção, é óbvio.

E assim foi. Ficamos ali batendo papo. Adoro ver o movimento da cozinha, e o balcão fica logo na saída dos pratos, onde o Pedro e a equipe finalizam as receitas com  cuidado e atenção, como esse risoto, que não cheguei a provar…

… ou a costelinha glaceada com bolo de fubá salgado e bolinhas de maçã caramelada, que não não experimentei.

Algumas coisas voltam para a cozinha. Sintonia entre a brigada dos fogões, o time de acabamento e a turma que distribui a comida pelo salão é algo sempre difícil. Ainda há ajustes a fazer, mas o Irajá já abriu as portas bem azeitado, como deve ser: acho chata aquela história de “ah, a casa acabou de abrir, por isso não está bom, tem que acertar a equipe”. Isso é uma bobagem. Por mais que sempre haja ajustes a se fazer, e isso vale para restaurantes veteranos também, não dá para perdoar um lugar que é inaugurado servido comida ruim, por garçons despreparados. O pessoal ali tá bem afinado. O fluxo da cozinha ao salão parece bem correto. Os pratos saem com relativa rapidez, e são finalizados com capricho. Não provei, mas adorei o mil folhas aí de cima, com recheio líquido, injetado com seringa.

Neste pequeno ambiente há, além do balcão, uma mesa para umas sete pessoas. Vai dar para comer ali. Coisa tipo menu confiance.

E também haverá lugares no balcão, o melhor para aqueles que gostam mesmo de cozinha, porque dá para acompanhar todo o movimento da cozinha, uma delícia.

– Nos fins de semana vou servir nessas mesas uns menus fechados, com receitas para dividir, como uma porchetta assada com sabores de Minas, tipos tutu de feijão. Também vou fazer paleta de cordeiro, coisas assim. Vai ser legal – adianta o Pedro.

Sei que vai ser legal mesmo.

Depois da cozinha de galinha eu provei o steak tartare.

Delicado, fresco, saboroso, com dois componentes de sabor que dão uma certa tensão, o caviar e o limão, dando volume na boca ao conjunto cremoso formado por carnes, temperos e gema de ovo de cororna crua: os shitakes são uma espécie de coroa, de cereja no bolo, entende?

A etapa seguinte foi um atum fatiado envolto em uma coalhada adorável, coroado com um pepino quente. O iogurte, de textura aveludada, envolve o peixe. Fiquei maluco:

– Cara o que é isso? Que iogurte é esse?

– É a receita da mãe da minha madrasta, uma libanesa de 90 anos – explica o Pedro. – Segundo ela a fórmula só dá certo se for passada em uma fronha de algodão branco que só pode ser lavada com sabão de coco. Assim que estamos fazendo, não sou maluco de contrariar uma receita assim.

Isso diz muito sobre a cozinha do Irajá: a casa mescla técnicas ancentrais com tecnologias de ponta, conhecimento empírico e tradicional com muito estudo e experimentações. A fórmula já vinha dando certo do Laguiole, que com um cardápio baseado em releituras delicadas de pratos clássicos  se tornou um dos melhores restaurantes da cidade nos últimos anos. Em sua própria casa, o Pedro de Artagão parece ainda mais à vontade e feliz.

Durante todo esse período fiquei apreciando uma tacinha do Adolfo Lona Rosé (gostei muito da carta: enxuta, com bons preços, uma boa seleção).

Passei para o Joaquim tinto, da Villa Francioni (de Santa Catarina) na hora de saborear a salada caprese, a quarta versão do chef para este prato clássico: dessa vez ele usam quatro variedades de tomates miúdos (cereja, pêra etc), maduros, perfeitamente maduros, aromatizados com uma infusão de manjericão e servidos com uma espécie de requeijão de mussarela de búfala e a já famosa farofinha crocante de pão. Uma delicadeza, uma delícia.

– Essa mussarela foi desenvolvida especialmente para esse prato. Sempre comprava o produto de um fabricante, aqui da Região Serrana. Uma vez ele errou a mão, e entregou uma espécie de requeijão de mussarela de búfala. Quando resolvi fazer mais uma versão da caprese, acabei me lembrando dessa história, e pedi para ele tentar fazer – lambra o Pedro.

Mas o melhor, para mim, viria a seguinte. Pura simplicidade, puro deleite, puro aconchego. O nome do prato é todo o galinheiro.

– É porque tem a galinha, o filho dela e o alimento deles – explica o chef.

Bem, a receita é relativamente simples: o chamado ovo perfeito, com gema e clara na mesma textura, resultado de técnicas modernas de cozimento, é servid num pratinho fundo, com curau de milho, farofinha de canjiquinha crocante e um molho demi glace “feito com uma galinha inteira”. Um espetáculo, uma obra de arte, uma delícia. Fiquei emocionado com o prato. Então, eu disse:

– Os pais deviam trazer os seus filhos aqui para provarem isso. As crianças vão adorar, e é uma forma lúdica e agradável de ensianar aos filhos como as coisas simples podem ser sublimes, mostrar a importância de se comer bem, para eles entenderem que ir a restaurante pode ser muito gostoso e divertido.

Fui seguindo o meu percurso. Um foie gras com calda de morango e ruibarbo servido com a farofinha, dessa vez com sabor de chocolate. Também ótimo: o foie gras é cozido em baixa temperatura antes de ser grelhado, ganhando uma incrível consistência.

Pirarucu (muito bom!) com banana grelhada e um palmito de textura fenomenal.

Depois, uma massinha, delicada que só, enriquecida com um molho de mariscos, com vieiras, mexilhões e sururus cozidos, além de ostra fresca e um pedacinho de lula. Espetáculo. Chama a atenção a delicadeza da massa.

Encerrei com o filé à parmegiana, com a carne rosada, depois de cozimento à baixa temperatura, com cobertura de tomate em gelatina e queijo, servido com purê de batatas com manjericão. Uma coisa de doido.

Para encerrar, uma leva e fresca sobremesa com frutas (manga perfeita, lichia, ameixa…) em calda de aloe vera (sim, aloe vera)…

… que foi sucedida por um bolo de chocolate com brigadeiro que me faltam palavras para descrever. Que delícia.

Gostei  tanto do bolo que até ganhei dois pedacinhos para levar para a filha, depois de falar que ela tinha que provar aquilo com ela, assim como o ovo (não foi uma indireta, juro).

Depois, cafezinho passado na hora (naquela cafeteira italiana clássica que vai direto ao fogo) acompanhado por esse bolinho de fubá com manteiga derretida e açúcar mascavo.

Você pode não acreditar, mas saí leve.

Pode anotar aí: o restaurante é, desde já, o canditado a melhor novidade de 2012 (sim, nesse aspecto já estamos no ano que vem: guias e prêmios gastrônimos de 2011 já foram todos lançados. Momento marketing: inclusive o meu, editado pelo Senac-RJ, cujo lançamento acontece na próxima quarta, dia 14, na Argumento do Rio Design BarraÇ estão todos convidados). Momento Tommy, como diria o Ricardo Freire (Tommy é primo da Tássia, a Tássia Chando): em 2009, no começo do ano, profetizei que a Roberta Sudbrack seria a chef do ano, e ela papou todos os prêmios e, no fim do ano passo, apostei que o Felipe Bronze, e o seu Oro, seria o cozinheiro e o restaurante do ano, e eles conquistaram um montão de troféu por aí: ainda vão rolas muitas águas em 2012 (como a abertura do Vieira Souto, de Joãozinho Souza, em Ipanema, que deve ser inaugurado ainda este ano), mas aposto que entre as grandes novidades de 2012 o Irajá vai estar muito bem cotado.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 1.143 outros seguidores