Archive for the ‘Comida’ Category

Baixa gastronomia em alta: os dez melhores bolinhos (e afins) do Rio de Janeiro

13/03/2012

Outro dia, fui entrevistado por uma repórter da revista da Gol, para mais uma reportagem sobre o Guia do Gosto Carioca, numa nova pauta em que, orgulhosamente, uniram o meu livro ao Rio Botequim, do amigo Guilherme Studart, o que me enche de orgulho (eu que sou leitor desde a primeira edição, em 1998, e jamais poderia um dia imaginar estar escrevendo um livro que fosse pauta ao lado dele). Hoje, vindo para São Paulo, pela Gol, tive o prazer de ver uma página inteira dedicada às duas publicações, numa edição esperta, bem resolvida. Parabéns, Bruna, pelo trabalho.

Ela destacou alguns ícones da gastronomia carioca, eu e Guilherme elegemos os nossos favoritos em cada categoria. Ficou legal. Vou fotografar a página e postar aqui em breve.

Melhor que isso foi ver o meu vizinho de assento lendo a matéria com atenção. Quase me identifiquei…

Pois então, eu me lembrei que outro dia uma amiga me perguntou o que seria, para mim, a comida típica do Rio, comparando ao acarajé de Salvador, ao churrasco do Rio Grande do Sul.

Ele me pegou. Falei do filé à Oswaldo Aranha, criado aqui e hoje difundido por todo o país, citei os bolinhos de bacalhau, traço lusitano, encontrados em qualquer botequim que se preze. Acabei chegando à conclusão de que não existe no Rio um prato que seja tão marcante, disseminado e característico da cidade.

Mas há muitas coisas fantásticas, que não apenas são a cara da cidade, mas que estão por toda a parte, como os bolinhos de aipim com camarão, os croquetes, os bolinhos de bacalhau e, mais recentemente, os bolinhos de feijoada.

Bingo!

Os bolinhos, e salgadinhos em geral, são o Rio em forma de comida.

Resolvi, então, escolher os meus dez preferidos.

– Bolinho de feijoada do Aconchego Carioca (na foto): uma revolução na nossa cozinha.
– Bolinho de bacalhau do Adonis: melhor exemplar dessa tradição carioca.|
– Bolinho de camarão com catupiry do Bracarense: para sempre um ícone.|
– Croquete de carne da Casa do Alemão: nada mais que um bolinho de carne
– Bolo de carne do Bar Brasil: uma grande almôndega afogada em molho de tomate
– Rissóis de camarão do Antiquarius: impossível parar de comer
– Coxinha de pato do Q: a reinvenção de um clássico
– Bolinho de siri da Adega Pérola: pescado, desfiado e frito
– Pataniscas de bacalhau do Pavão Azul: bacalhau, ovo e muita felicidade
– Bolinho de polenta com carne moída do Chico e Alaíde: virou o meu preferido ali

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Huevos rotos, do Entretapas, o melhor bar de tapas do Rio de Janeiro: minha mais nova obsessão gastronômica

09/03/2012

Minha mais nova obsessão gastronômica não é a fantástica costeleta de cordeiro empanada em pão com ervas acompanhadas por uma fumegante panelinha de cobre cheia de delicadas lentilhas, servidas no novo cardápio do Fasano, que aliás incorporou algumas receitas clássicas do grupo, como as costeletas de vitelo à milanesa com risoto de açafrão. Nem o refrescante carpaccio de carne envolvendo uma burrata produzida ali mesmo, na cozinha do Cipriani, pelo chef Nicola Finamore. Tampouco é o inacreditavelmente delicioso vermelho em vagens de primeira extração salpicadas com gergelim da Roberta Sudbrack, comovente exemplo de como pode ser magnífica a simplicidade. Poderia ser qualquer um dos três pratos, mas não: minha mais nova obsessão gastronômica é algo ainda mais simples, os “huevos rotos” do Entretapas, uma pecaminosa combinação de batata frita coberta com chorizo esfarelado, chistorra e dois ovos de gema mole coroando tudo. Só de escrever fico com vontade de correr para lá, e olha que ainda não são 10h da manhã… Veja que delícia indecente.

Como já escrevi no Guia do Gosto Carioca, e também lá na Enoteca, o Entretapas é de longe o melhor bar de tapas do Rio. Achei muito bom tudo o que comi ali, nas cinco ou seis vezes em que lá estive.

Até conhecer os “huevos rotos”, as favas com jamón,…

… e a seleção de croquetas (sejam as de jamón, seja as de bacalhau ou as de cogumelos) estavam entre as minhas preferidas.

Ah, sim, e a tortilla com chorizo.

Não posso me esquecer desses mexilhões, feitos com a carne picadinha, coberta com uma espécie de farofinha de pão, que é levada ao forno.

Sem falar, é claro, nas carnes assadas longamente.

O cordeiro com batatas.

O leitãozinho fantáztico.

E, mais recentemente, a bochecha de vitelo com purê de grão-de-bico.

E o que dizer o cochinillo lacado, lançado no fim do ano passado, um prato sem pudores de ser gostoso? Sem palavras.

Sou louco, ainda, pelas torradinhas com chorizo e ovo.

Foi ali que fui apresentado ao ajo blanco, sopa fria feita com alho, um espetáculo.

No mais, gosto de começar com as tábuas de queijo ou jamón, com uma tacinha de Jerez, claro.

Acho o lugar lindo. E virei fã da dupla Jan Santos, o chef, e Antonio Alcaraz, os sócios que tocam mais de perto a operação da casa.

Para encerrar, torta de Santiago. Com Jerez PX, claro.

Ou, quem sabe, os churros?

Melhor ambos…

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Katia Barbosa, do Aconchego Carioca, cria novo menu para o Delirium Café, em Ipanema, templo carioca da cerveja

06/03/2012

A Roberta Sudbrack e a Katia Barbosa, do Aconchego Carioca, são as chefs mais badaladas do momento no Rio de Janeiro. Não à toa, vão juntas representando a cidade para o Toque et Clochers, no começo do mês que vem, no Sul da França.
São amigas, e estão em todas. Essa semana, quando a cidade será invadida por eventos de Bordeaux (leia mais clicando aqui, aqui e aqui), os dois superjantares programados acontecem justamente na Sudbrack. E a moça ainda vai cozinhar para o Príncipe Harry (isso para focarmos nos acontecimentos apenas desta semana).
E a Katia cada vez mostra que seu talento na cozinha, pura intuição e carinho, não se restringe ao bolinho de feijoada, um das maiores invenções da gastronomia brasileira no último século.
Elas estão trabalhando à beça, porque todo mundo quer contar com a capacidade de ambas na montagem de jantares, consultorias para cardápios, eventos, festivais, criação de menus etc etc etc. A assinatura delas vale muito.

Ontem fui apresentado a mais uma dessas investidas. Gosto da decoração de lá, com a fachada pintada, a marca do elefante rosa.

Adorei essas telhas. REpara só que beleza.

Kátia Barbosa criou um novo menu para o Delirium Café, bar sensacional para os amantes da cerveja, em Ipanema (filial do famoso Delirium Café, de Bruxelas, que promete se espalhar pelo país, em forma de franquias).
Pois a Katita, que sabe muito de comida e cerveja, agora, assina o novo cardápio que acaba de entrar em cartaz.
Ontem eles reuniram um pequeno e animado grupo, para provar as novidades, ainda em fase de adaptação. Turminha animada, ilustre e divertida, que contou com os sócios do Entretapas, o chef Jan Santos, brasileiro, e o espanhol Antonio Alcaraz, além de Guilherme Studart, meu ídolo, Lou Bittecourt, minha ídala, e a minha colega Livia Breves, e mais um povo animado. Um senhor petit comitê. Tudo organizado pela querida amiga Cacau.

Bebemos cervejas fantásticas, cada uma escolhida para harmonizar com cada prato.
Antes de mais nada, provamos uma boa porção de linguiça, além de adoráveis pasteizinhos de camarão (com ótima massa e um delicioso recheio, com camarões médios inteiros).

Também fomos nos mexilhões, claro, como num bom endereço de origem belga: primeiros  os pastéis, muito gostosos também, e uma porção deles cozidos, bem frescos (eles são criados em Santa Catarina, e chegam às segundas, quartas e sextas ainda vivos ao bar).


Depois, caldinho de feijão com bacon,…

… sopa de cerveja com chantilly salgado,…

… camarões em massa folheada…

Ainda teve um cordeiro em molho espesso servido com batatinhas laminadas, coxinhas de frango crocantes com dois molhos: de cerveja clara e de cerveja escura, é claro… Foi uma festa!


Encerramos com a cerveja Perigosa, de fato um perigo àquela altura do compeonato…

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Yalla by Amir e o amor pela cozinha árabe: uma casa moderna desperta uma antiga paixão

05/03/2012

Com menos de cinco anos eu tinha grande prazer em ir ao pediatra. Não que gostasse de estetoscópio, termômetro e otoscópio, mas sim das esfirras do Baalbeck, que há mais de 50 anos serve comidas árabes na Galeria Menescal, em Copacabana, endereço do meu primeiro médico, dr. Geraldo Leme.
Pois passei a infância assim, indo feliz ao pediatra, porque no final tinha a recompensa em forma de esfirra.
Em paralelo a isso, quando em tinha uns seis ou sete anos, 1li por 1982, 1983, uma família de libaneses, fugindo da Guerra Civil no país, tornou-se minha vizinha, na casa de Teresópolis, onde passava férias, feriados e fins de semana. E depois chegaram mais imigrantes de origem árabe, de maneira que tabule, esfirra, quibe, carneiro assado e outras delícias étnicas passaram a fazer parte de maneira ainda mais corriqueira no meu cotidiano. Até pão eles faziam ali. Adorava a versão com za’atar. E a coalhada seca? Com hortelã e cebola picadinhas (foi assim, aliás, que passei a adorar cebola), regando com azeite e suco de limão. O sabor da simplicidade e da leveza, a valorização do frescor do ingredientes, a preservação dos sabores originais, as técnicas ancestrais de culinária… Tudo isso se entranhou em mim a partir dali, na mais tenra infância. Ah, e o halawa, e de gergelim, e toda aquela família de doces com massas folheadas, com pistache, mel, água de flor de laranjeira… Loucura total.
Lembrou-me bem, que ali aos dez anos, quando comecei a me aventurar na cozinha, preparando uns rocamboles para a família, eu tinha orgulho, e até certa pretensão em dizer que, entre todas, a cozinha árabe era a minha favorita (como se eu conhecesse muita coisa àquela altura).
Pois até hoje a comida árabe me comove, de maneira que o Amir está entre os meus restaurantes preferidos (para pedir em casa, é o melhor, junto com o Antiquarius), assim como o Cedro do Líbano e o Sírio e Libanês – também acho que o Árabe da Lagoa é o melhor quiosque do Parque dos Patins, pogramaço, e tanto o Baalbeck quanto a Rotisseria Sírio e Libanesa são dois dos melhores lugares para comer rapidamente no Rio, e até aqui, na lanchonete do Globo, o meu salgado preferido, que vale como almoço nos dias mais corridos, é a esfirra de carne, seguida pelo quibe (o pão de queijo também dá Ibope).
Todo esse imenso sentimentalismo gastronômico de hoje, essa revisitação da infância, foi motivada por umas fotos que encontrei. do Yalla by Amir, versão الوجبات السريعة  (fast food em árabe) do melhor restaurante árabe do Rio de Janeiro, inaugurado há cerca de dois anos, na rua Dias Ferreira.
Adoro o lugar. Estive lá três ou quatro vezes, e em todas elas – todas – a proprietária, Yasmim Habre, filha do dono do Amir, estava lá. Ia a mesa perguntar se estava tudo correto. Quase tudo: só as batatas fritas não me agradaram, meio massudas. Todo o resto me encanta, começando pela sopa fria de coalhada com pepino, refresco e leveza numa tarde quente, assim como a salada de feta com tomate e azeitonas pretas, dois ótimos começos. Também há salgados (quibe e esfirra), pastinhas com pão árabe e arroz com lentilhas, além de uma pecaminosa seleção de doces. Mas o foco da casa são mesmo  os sanduíches: o shawarma de cordeiro (na foto do alto) mantém o nível da casa original, em Copacabana, simplesmente fantástico. E vale por uma refeição.  Bela refeição.
O lugar é simpático, pequeno e moderninho, na medida para um lanche rápido e saboroso, sem pesar no bolso nem no estômago.

 

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Danio al Mare e o Selo Reserva, duas novidades gastronômicas da temporada

02/03/2012

Essa semana reencontrei Danio Braga num almoço fabuloso, que foi coordenado por ele, que cuidou dos vinhos, da harmonização e deu as diretrizes gastronômicas ao chef. Coisa fantástica: bebemos Massandra 1936 e Haut-Brion 1986, para ficar só nos dois mais espetaculares vinhos da tarde, fruto da generosidade de um amigo.
Papo vai, papo  vem, foi inevitável falarmos do novo restaurante que o italiano vai abrir em Búzios.
– vai ficar bem em frente à estátua do JK, na Orla Bardot. O projeto está lindo, arejado. Abrimos as portas em duas ou três semanas – me adiantou o chef.
Ele está bastante animado com o projeto, como deu para perceber. Serei um dos primeiros a visitar a casa, assim que abrir, com certeza. Vem coisa muito boa aí.
Neste mesmo almoço, fiquei sabendo de outra novidade: Erik Nako, da Prima Bruschetteria, está lançando um novo projeto, o Selo Reserva, misto de rede social com viés gastronômico, site de compras coletivas, cujos consumidores precisam ser convidados, como em um clube, e  ambiente de produção de conteúdo relativo aos temas afins, com foco em produtos especiais, e atenção às coisas feitas aqui no Brasil. Haverá oferta de vinhos, azeites, conservas, queijos e tudo o mais que seja gostoso. O site já está no ar, mas a operação ainda não começou. Tô curioso para ver como vai ser.

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Botequim do Jóia, no Centro do Rio: um bar que é uma pérola antiga

24/02/2012

Ele fica ali na Rua Júlia Lopes de Almeida (antiga Travessa Oliveira), na esquina com a Rua da Conceição. Nome oficial: Botequim do Jóia (dos tempos, claro, em que a palavra ainda tinha acento).

A especialidade: servir um Rio antigo, em forma de serviço cordial, mas lento, paio afogado no feijão com farofa de ovos, franguinho assado, cerveja de garrafa sempre gelada, servida em copinho americano da Cisper.

Pelas paredes há pôsteres do Botafogo e de mulheres nuas, numa improvável combinação, diga das melhores oficinas mecânicas.

O boteco chegou a fechar as portas depois da morte do dono, o seu Jóia, com acento. Pois alguns amigos do bar se cotizaram, e passaram a tomar conta do lugar, ajudando a simpática viúva, dona Alaíde (nome de quituteira boa é esse, né?), a tocar o negócio. Time de craques, capitaneados pelo bravíssimo Ataíde Venância, boa-praça, agitador cultural e carnavalesco, enófilo e donos de outras virtudes, como ser amigo do Moacyr Luz e frequentador do Armazém Senado, também naquelas cercanias com um quê de Rio antigo, pelas imediações da Presidente vargas nos arredores da Central do Brasil. Amigos tomarem conta de bares, preservando-os da descaracterização, algo tão comum ultimamente, é uma linda prática carioca. Há vários exemplos assim. A Toca do Baiacu, no burburinho boêmio da Rua do Ouvidor é um desses botecos. Outro é a famoso Adega Pérola, monumento da gastronomia carioca.

Pois no Bar do Jóia, ou no Botequim do Jóia, como queira, temos apenas o menu do dia, com pratos anunciados à porta, no quadro negro.

O paio no feijão, servido com farofa de ovos e arroz, é a receita mais famosa, e custa ridículos R$ 10 (repara no prato florido, que graça), seguido pelo frango assado que merece aplaudos (por R$ 12), com carne tenra e saborosa, pelezinha dourada, perfumado.
Como neste dia, minha última visita, o menu também anunciava, ainda, dobradinha (R$ 14)e carré com batatas (R$ 13).
No salão antigo e bem agradável, encontramos estudantes das redondezas, grupos de amigos e boêmios incorrigíveis, com terno e gravata, que dão uam escapulida do trabalho para uma cervinha, ou ali se encontram depois do expediente, que às vezes acaba cedo para muita gente que trabalha nas empresas públicas das redondezas, e dão uma paradinha no Jóia para uma happy hour mais cedo que o usual, antes de voltar para casa, na hora do rush.
O Botequim do Jóia, por essas e outras, é um achado.

 

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Meza, Doiz, Oztel, e um bar na Lapa: Fabio Bastistella monta um pequena império de comes e bebes (e dormes) modernos, criativos e saborosos

22/02/2012

O bar do Doiz, a segunda investida do chef em Botafogo

Desde que o Meza Bar abriu as portas, há coisa de dois ou três anos, eu passei a admirar o chef Fabio Batistella, pelo conjunto da obra. Como cozinheiro, tem uma boa criatividade e técnica, e assim cria cardápios bastante atraentes, buscando referências na cozinha tradicional, mas dando formato contemporâneo, servindo as receitas em pequenas porções. O cara, quando quis apostar nos drinques, foi estudar mixologia (a arte de fazer drinques). Desse modo, criou um belo cardápio, com pratos interessantes e drinques imperdíveis, que me fazem esquecer de ver a carta de vinhos da casa. O mangotini, mistura de vodca com sabor de manga, purê dessa fruta e pimenta dedo-de-moça é um acerto total. Também curto a caipirinha de melancia com cardamomo e manjericão, e de uma outra que combina uva rubi, gengibre e hortelã, e o apple martini é sempre um dos meus preferidos. Do menu peço os bolinho de risoto de açafrã com queijo e pesto de manjericão, e dos potinhos (peça o de quinoa com espetinho de lula;  o de polenta com ragu de calabresa e pimenta dedo-de-moça e a surpreendente combinação de tartare de atum com laranja, azeite de baunilha e crisp de parmesão, montando uma seleção ao seu gosto). Com essa boa proposta a casa conseguiu reafirmar a boa fase da cozinha moderna de Botafogo-Humaitá, que tem outras casas num estilo parecido, começando pelo Miam Miam, passando pelo Oui Oui até chegar ao Entretapas, ao Irajá…
Em teoria, o Doiz, a segunda investida do chef que abriu também ali no Humaitá, bem pertinho do Meza, teria um cardápio mais informal. Ali, num ambiente ainda mais moderno e descontraído que o Meza, com música mais alta e clima mais de lounge, ele manteve a pegada, e montou um menu superinteressante, com receitas bem boladas. Hoje posso dizer que até prefiro o Doiz ao Meza. O canapezinho de bife à cavalo, com creme de parmesão, é um dos meus preferidos. O fish and chips é pura alegria, servido com uma maionese caseira enriquecida com um bo vinagre balsâmico. O cardápio é todo assim, e dá vontade de provar quase tudo: o escabeche de cogumelos com bacon, o sunomono de picanha-de-sol com azeite defumado e farofa de pé-de-moleque; a bruschetta de polenta com frango com quiabo, o won ton de rabada com molho de agrião… Para beber tem até bullshot, aquele drinque clássico, que leva um rico caldo de carne (tipo beef tea) em sua composição). Eu também curti bastante um martini feito com suco de aloe vera, bem diferente e agradável, com um quê de estranhamento.
Enfim… Toda essa recapitulação é para  falar das mais novas investidas do jovem rapaz: o primeiro é um albergue, o Oztel (assim, sem o “h” mesmo), também que inaugurou agorinha, para o carnaval. Além de quartos coletivos (com preços entre R$ 45 e R$ 60 por pessoa) há as suítes para casal, com preços entre R$ 200 e R$ 240. Para os cariocas, ou para aqueles hospedados em outros lugares, o lugar terá um bar, seguindo a mesmo escola do Meza e do Doiz, com pequenas porções e drinques bacanas, que vai abrir na semana que vem.
A próximo passo é um bar na Lapa, projeto grandioso, com outros sócios. Em breve, mais notícias a respeito. Enquanto isso, na semana que vem vamos lá conferir a novidade.

 

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João de Barro: asas à tradição no Centro do Rio de Janeiro

18/02/2012

Na primeira vez que fui ao Beco das Sardinhas, numa happy hour de sexta-feira há uns dez anos atrás, eu passei pela porta do restaurante João de Barro. O lugar me chamou a atenção, em primeiro lugar porque eu tenho especial admiração por essa ave com vocação para a arquitetura, que constrói lindos ninhos usando apenas o barro – no Uruguai e na Argentina o bicho é chamado de “hornero”, que seria em tradução livre “forneiro”, em português, isso porque a sua casinha tem formato de forno de barro, daqueles para assar pizzas, e mais recentemente esse apreço só fez crescer, quando descobri que o pássaro gosta de morar em vinhedos (a foto foi feita na Bodega Bouza, bem pertinho de Montevidéu, na viagem que fiz no fim do ano passado). Pois desde aquele ano de 2002 eu tinha vontade de visitar o restaurante João de Barro.

Passava pela porta e lia o cardápio, cheio de pratos com nomes de frequentadores, e ficava invariavelmente com vontade de entrar. Vontade essa que cresceu imesamente ao saber que o seu Augusto Vieira, maitre e sócio do restaurante Málaga, bem perto dali, trabalhou por anos no João de Barro. A casa tem, naturalmente, esse espírito acolhedor, representado pelo dono sempre presente, pelos garçons com décadas de casa, pelo cardápio clássico.

Pois finalmente almocei por lá dia desses (estava combinando de ir com o Joaquim Ferreira dos Santos, mas não resisti…).

Aproveitei que tinha um compromisso pela manhã no Centro e cheguei ao João de Barro logo depois dele, exatamente às 11h30, hora de abertura da casa.

Claro que fui o primeiro cliente do dia. O vitral não é algo que eu chamaria de belo… Mas acredita que eu curti?

Dispensei o couvert, mas acabei aceitando os croquetinhos servidos pelo garçom, que não incluiu os acepipes na conta, simpaticamente. Pouco antes eu havia pedido uma garrafinha de vinho, daquelas de 187ml, de um dos meus produtores preferidos, o português Paulo Laureano.

Com muita dúvida no coração, quase pedi um prato marinho, instigado pela seleção de receitas que transitam entre combinações clássicas, como polvo à espanhola, cavaquinha ao thermidor, moqueca de frutos do mar e bacalhau à lagareiro, e outras mais raras de se ver, como cherne ao molho de mel e mostarda com arroz de açafrão, e uma série de pratos batizados com nomes de clientes assíduos.

Quem sabe como maneira de ter que voltar em breve, já estava simpatizando bastante com o lugar, acabei pedindo o prato do dia: naquela terça-feira era um arroz de rabada, e sempre que existe uma rabada no menu eu fico tentado a pedir. Vou ter mesmo que voltar, porque não só escolhi o arroz de rabada, como achei muito bom.

Não espere um risoto italiano. Era arroz comum mesmo. Mas o que vale, neste caso, é o sabor da carne, o tempero exato: havia boa quantidade de rabada misturada ao arroz, e havia também uns pedaços especiais, daqueles miudinhos, coroando o meu PF chique. Custava R$ 37,90 e dava até para duas pessoas (que não tivessem muita fome: eu deixei quase metade, e olha que estava muito bom, mas havia uma tarde de muito trabalho em seguida, e fechar jornal com sono é muito ruim).

Pulei o café, e fui para o jornal, seguro de que não vai demorar muito para eu voltar ao João de Barro. De preferência, carregando o Joaquim…

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Agora, o cardápio (clique na foto para aumentar e facilitar a leitura).

Começo pelo fim, mostrando os “Pratos dos amigos” e as sobremesas.

Os pratos do dia e as sugestões do chef.

Entradas, saladas, sopas e carnes…

Frutos do mar, aves e massas…

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Alessandro & Frederico: pizzaria carnívora

16/02/2012

A carne está na moda no Rio, sem dúvida. Nos últimos tempos, além da chega da Fogo de Chão e da criação da CT Boucherie, acontece a investida de antigas casas em cardápios carnívoros. Duas das pizzarias da Alessandro & Frederico, no Rio Design Barra e no Fashion Mall, hoje servem boas carnes que rivalizam na preferência dos clientes com as ótimas pizzas servidas ali.

A mesa de antipasti: começo obrogatório de percurso

Outro dia fui jantar no Fashion Mall, e fui focado nas carnes. Mas é claro que não resisti á mesa de antipasti, que é sempre a melhor madeira de se começar uma refeição ali, especialmente porque acompanhamos com uma boa focaccia, e regamos tudo com bom azeite.

O prime rib, também chamado de pirulito: macio e saboroso, mas um pouco mais passado e com mais sal que o ideal

Para o prato principal, escoltado por Catena Malbec, sempre bom par para uma boa carne, eu pedi um prime rib, que é dos meus cortes preferidos atualmente. Matéria-prima de ótima qualidade, que chegou um pouco mais passado do que eu gostaria (pedi no ponto do chef, como sempre peço, frisando que gosto de carne sangrenta, como sempre faço) e também com uma pitada a mais de sal. Mas estava macia, saborosa e suculenta.
Agora quero provar o bife ancho e as costeletas de cordeiro, duas outras paixões. Porque, apesar do churrasco vegetariano do domingo passada (para ler, clique aqui), eu ainda gosto e muito de um bom churrascão.

Agora, o menu (clique na imagem para ampliar).

 

 

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“Mucha Ambre” nessa hora…

14/02/2012

O salão tem decoração moderninha, mas clean, sem excessos

O Ambre Cuisine & Bar, em Botafogo, uma das boas novidades de 2011 no Rio de Janeiro, aponta duas tendências no cenário gastronômico carioca. A primeira está exposta no complemento do nome “Cuisine & Bar”: o lugar tem clima de bar moderninho, tipo lounge, mas dedica especial atenção à comida.  Esse tipo de lugar está mais que na moda por aqui, e reflete o interesse cada vez maio dos jovens pelos prazeres da boa mesa. O outro apontamento é a transformação de Botafogo (e Humaitá) em um pólo gastronômico variado, mas que tem nos bares desse estilo o carro-chefe. É coisa que começou há cerca de cinco anos, mas se reforçou definitivamente no ano passado, Isso já é não mais uma tendência, é uma realidade. O primeiro foi o Miam Miam, depois veio o Oui Oui, o Meza, o Doiz, o Entretapas e o Irajá, todos em Botafogo, cada qual a seu modo, apostando na combinação de boa comida, servida em pequenas porções (e ainda temos o Syuzzi, a Bottega del Vino, o Brigitte’s, todos na rua Dias Ferreira, no Leblon, outro aglomerado desse tipo de restaurante). Gosto de todos nessa lista. Por isso, hoje em dia, quando penso em sair para jantar, Botafogo é sempre um bairro cogitado. Até porque ainda tem o Alameda, a Cobal, o Yorubá…

Svmma Varietales 2004: elegante corte de Syrah, Petit Verdot e Cabernet Sauvignon

Estive lá recentemente com uma amiga, para bater papo e provar um vinho, um senhor vinho, o espanhol Marquês de Griñon Svmma Varietales 2004, de Valdepusa, uma DO de Pago nos arredores de Toledo, em Castilla-La Mancha: um vinhaço elegante, complexo e gastronômico, importado pela Winebrands (custa R$ 181), mas isso é tema lá para a Enoteca.

Bolinhos de baião de dois: mais uma interpretação de pratos com feijão em forma de croquete

Gostei bastante do cardápio, que tem ingredientes que aprecio, como cordeiro e rabada, em composições interessantes. São receitas aparentemente bastante aconchegantes, várias delas inspiradas em clássicos, como baião-de-dois, moqueca e bife à cavalo. Existe alguma critividade e umas pitadas de ousadia (ravióli de banana-da-terra com camarão?). Para acompanhar o lindo vinho, pedimos umas boas comidinhas. Primeiro, bolinhos de baião de dois com carne-de-sol e molho de pimenta-de-cheiro, seguindo a onda de transformar pratos de feijão em primos dos croquetes. Estava bem gostoso, divertido.

Rolinhos de cordeiro com pesto de queijo de cabra: boa sacada

Junto pedimos rolinhos de cordeiro com pesto de queijo de cabra. Na verdade, essa era para vir antes, porque pedimos primeiro, mas trouxeram tudo junto. Ora, se é um bar de pequenas porções, é melhor que chega uma de cada vez, não é? Essa coisa de vir tudo junto é para quando cada um vai comer um prato. Pois provavelmente o rolinho ficou pronto antes, e ficou lá na cozinha, esperando os bolinhos. Assim, chegou frio à mesa. O recheio estava saborosa á beça, a massa era delicada e tinha boa crocância, mesmo fria, e estava bem sequinha. Porque não foi servido antes? Uma pena. Mas gostei.

Escondidinho de cordeiro com batata baroa e mascarpone: bom, mas gordo

Finalizamos a parte salgada com um escondidinho de cordeiro com batata baroa e mascarpone, que estava bem gostoso, mas podeia ter menos gordura. Todos acompanharam muito bem o vinho, diga-se lá.

Pudim de cupuaçu com coulis de frutas vermeljas e tuille de castanhas: gran finale

Encerramos com um pudim de cupuaçu (amo cupuaçu) com coulis de frutas vermelhas e tuille de castanhas, que estava muito bom e equiliabrado, com boa harmonia entre salgado e o azedinho. Olha que beleza. Em toda a sua simplicidade, foi um gran finale.

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Agora, o cardápio. Clique na imagem para ampliar.

Preciso voltar para provar um monte de coisa: a terrine de queijo de cabra; a bruschetta de filé à cavalo com cebolinha francesa; a bruschetta de rabada; a trilogia de tapioca; a salada de bacalhau; as robatas de porco e de filé; a moqueca de peixe e camarão; o risoto de rabada, o ravióli de banana-da-terra com camarão, o tiradito…

Volveré! Con mucha Ambre.

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