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Um dia, quatro restaurantes, entre eles o novíssimo Ró, inaugurado ontem, o primeiro crudívoro do Brasil

09/06/2016

Ontem fiz uma loucura, uma deliciosa e insana jornada gastronômica, em parte fruto do meu apetite por novidades, em parte resultado de feliz desenrolar de acontecimentos.

Já acordei com uma agenda cheia. Trabalho como escritor de manhã cedo, reunião às 11h, almoço ao meio-dia e meia no Puro, degustação de vinhos no Encontro Mistral, no Sofitel de Copacabana, às 17h, e jantar no Bagatelle, às 20h30.

Até aí, tudo bem.

Mas a loucura começo a se desenhar quando, logo ao chegar ao Puro, para o almoço, li na página do Facebook do novíssimo restaurante Ró a seguinte mensagem: “Chegou o dia! Abriremos hoje para almoço de 12:30 às 16:30 horas (sem reserva) e o jantar com reservas pelo telefone 3559-0102 ou e-mail contato@ro-raw.com Almoço com menu “a la carte” e jantar “Experiência Ró de 5 ou 8 pratos. Sejam todos muito bem-vindos !”

Pensei… Se o almoço acabar antes das 16h, acho que vou me sentar no balcão do Ró pra beber um drinque (tinha ouvido falar que este será um dos pontos fortes da casa) e provar uns dois pratos.

Enquanto apreciava um menu degustação de imenso deleite preparado pelo chef Pedro Siqueira, do Puro, que pra mim já se colocou na minha galeria de preferidos, toca o telefone.

– Oi, Bruno. Queria te convidar pra jantar esta semana no Sushi Leblon, o cardápio comemorativo dos 30 anos da casa, em carta até sexta, com o chef espanhol Ricardo Sanz, do premiado restaurante Kabuki, com quatro unidades em Madri, Tenerife e Málaga, todas elas estreladas pelo Guia Michellin. Você pode? – perguntou a assessora da casa.

– Caramba, que pena. Não vai dar. Tenho um jantar hoje, e amanhã eu subo a serra. Estou sofrendo desde já – respondi com o coração guloso tomado de imensa tristeza.

– Ah, não acredito. Queríamos tanto a sua presença.

– Olha, também quero ir. Mas só temos uma chance. Meu jantar está marcado para 20h30. Vou tentar passar pra 21h. Se der, eu poderia chegar às 19h, mas preciso sair 20h45 (sou metódico com horários, e tenho orgulho de raramente me atrasar para compromissos).

– Ok, vou ver se consigo.

Logo ela retorna.

– Consegui um lugar no balcão, 19h. Mas não atrasa, senão não dá tempo de provar o menu inteiro.

Pois então, neste hercúleo esforço de reportagem, eu consegui encaixar tudo o que queria.

Encerrei o almoço no Puro, que me deixou eufórico, com uma sequência de pratos arrebatadora (farei um post à parte), com destaque para os dois exemplares mar-e-montanha, o sashimi de vermelho em caldo de porco, e o polvo com barriga de porco, além de um lagostim no mais preciso ponto de cozimento possível, selado só de um lado, mostrando toda a delicadeza e sabor delicioso do crustáceo, sem falar na moela de pato, que me comoveu, e um acém de wagyu grelhado que eu vou te contar…

Como a novidade é fresquíssima, vou dedicar este post de hoje ao Ró, que – como já disse – abriu as portas para o público ontem.

Fica a poucos passos do Puro, ali no final (ou começo), da Pacheco Leão, quase na rua Jardim Botânico.

Subi as escadinhas que levam ao salão, muito bonito por sinal. As paredes de tijolo aparente, as mesas de madeira, uma escultura arborista no centro, a cozinha envidraçada ao fundo, e o bar com balcão de poucas cadeiras logo à esquerda, na entrada.

Cheguei, e dei de cara com uma mesa reunindo os criadores da casa. Os Alexandres Lalas e Schiavo, os sócios, e a chef Inês Braconnot, que foi enviada aos EUA pela dupla para estudar na mais prestigiosa escola de gastronomia crudívora, ou seja, não só vegetariana, mas também restrita a alimentos crus (na verdade, cujo processo de cozimento não pode passar os 42 graus Celsius.

Bebi um delicioso rosé da Vinhética, em edição não-filtrada, especialmente para a casa, acertado pedido do Lalas. E pude me encantar com esse menu criativo, com pratos lindos, com já andei acompanhando nas duas últimas semanas, quando as minhas redes sociais foram enfeitadas por fotos dos pratos. Provei alguns.

Ró - ravióli de nabo

O surpreendente ravióli de nabo

Comecei logo com o que foi o meu preferido, chamado adequadamente de transparência, um ravióli com “massa” de nabo, finíssima, recheado com kinchi e o PhilaRó, nome irreverente para o cremoso falso queijo, feito com leite de amêndoas.

Ró - sopa de cenoura

A aveludada sopa fria de cenoura

Depois, uma delicada sopa fria de cenoura, com gengibre, refrescante e bem temperada, aveludada pelo uso de castanhas e com o bom sabor do gergelim negro.

– Como você sabe, o gergelim negro é tostado. Ou seja, não é cru. Não sou radical, não gosto de radicalismo. Como é só um tempero, faço uma concessão. Mas 99% do que usamos é absolutamente cru – conta a chef Inês Braconnot.

Ró - salada de algas

A salada de algas, com gomos de laranja e rabanete

Logo em seguida, a salada de algas, que tem textura cheia de nuances, e que traz coroando a montagem dois gomos de laranja, ao fundo, pra no final o prato ganhe contornos cítricos e mais suculência.

Ró - panna non cotta

A irreverente panna non cotta

Pra fechar, o também irreverente no nome panna non cotta. Delírio na arquibancada. Que lugar legal, original, pioneiro, sem igual não no Rio, mas no Brasil, talvez na América Latina. Muita criatividade, louças belas, que dão lindos contornos à apresentação dos pratos, com flores, brotos e especiarias aparentes. Inteligência no uso dos temperos, e técnica apurada, nos cortes e nos preparos. Fiquei encantado. Só plantas. Uma leveza, uma delicadeza.

Enfim, quero voltar, com calma, com mais gente, pra provar todo o menu, todo. Porque tudo me apeteceu. Uma grande novidade para o Rio.

De lá, fui para o Encontro Mistral, rapidamente, e em seguida pro Sushi Leblon. O menu fica em cartaz até sexta, e é o seguinte. Tem primeiro uma versão do dry martini de boas-vindas feito com a vodca Belvedere. Em seguida, vieiras com shichimi fresco, usuzukuri de peixe branco com flor elétrica 9nosso jambu), usuzukuri de peixe branco com azeite do seu fígado, tudo escoltado pelo brilhante champanhe Ruinart Blanc de Blancs. Depois, ovos fritos com batatas e atum picante ou ouriço, sushi de peixe branco com toucinho e sushi de tutano com caviar (estão tendo dificuldades de encontrar o tutano, e talvez precisem adaptar), com o igualmente delicioso champanhe Ruinart Brut Rosé. A sequência seguinte tem tataki de atum com ovas, guisado clássico com sashimi e sushi de atum com açúcar moreno queimado, abrilhantadas pela refrescância do neo-zelandês  Cloudy Bay Sauvignon Blanc 2014. Custa R$ 410, e te digo: está valendo, e muito. Tanto que talvez nem tenha mais vagas. A quem quiser chegar, o telefone é 2512-7830. Quer ver umas fotos do jantar? Vai lá no Instagram @brunoagostinifoto

De lá, corri para o Bagatelle, e consegui ser pontual. E curti a casa. Lugar bonito, com público jovem e festeiro, e uma equipe também jovem e festeira, com ótima carta de drinques, bem executados, e um cardápio pra lá de aconchegante, que tem base francesa, mas passeia pela Itália, e traz referências brasileiras, como as coxinhas de galinha, que agora fazem frente ás já famosas servidas no Bar da Gema. Depois de certa hora, o lugar vira uma quase boate, com música em tom mais alto, gente dançando, e um clima de festa. Também merece post a parte, assim como o Puro, e em breve público aqui. Foi um dia longo, cansativo, e calórico. Mas delicioso. Por essas e outras, eu adoro o meu trabalho, e a liberdade que a vida de frila me proporciona.

No mais, pensando bem, ontem foi moleza, se comparado com o dia em que fui a seis restaurantes, e mais um bar, em Buenos Aires, para preparar esta reportagem aqui. Vida de repórter de turismo, gastronomia, vinhos e afins é assim mesmo, um saboroso devaneio.

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Ró – Rua Pacheco Leão 102, Jardim Botânico. Tel. 3559-0102. www.ro-raw.com

 

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O novo Oro é uma versão urbana e modernas dos tradicionais restaurantes familiares

03/06/2016
Oro - homenagem ao Cervantes

A homenagem ao Cervantes: sanduichinho de porco empanado com picles de abacaxi no brioche

Eu tenho um especial apreço por restaurantes familiares, tocados por casais, seus pais e seus filhos, seus irmãos, cunhados, noras e muitas vezes, os amigos mais próximos, os vizinhos. Acho que todo mundo tem.
Estabelecimentos assim, tocados por parentes, estão na própria origem dos restaurantes, cujo nome vem de restauração, restaurar. Eram as estalagens medievais que recebiam geralmente os viajantes, que paravam nas estradas para comer e descansar, muitas vezes passando a noite no local, porque no mesmo momento nasciam os hotéis.
Já estive em restaurantes no interior da Itália, e também da França, mas eles existem por toda a Europa, que contam com apenas duas pessoas. Marido na cozinha, e mulher no salão, ou vice-versa. Como é o caso do magnífico La Speranza, em Farigliano, no Piemonte, onde comi as trufas bancas mais exuberantes de toda a vida, colhidas na mesma manhã em que foram fatiadas finamente sobre os meus pratos.
Comandando os fogões está Maurizio Quaranta, chef histórico do Piemonte. No salão, sua mulher, Sabrina. E eles cuidam de tudo. Escolhem os vinhos, com precisão. Afinam queijos. E montam menus deliciosamente acertados. Talvez seja o melhor custo-benefício da região. Sem contar o fato de que Farigliano, asfastado das áreas vinícolas dos arredores de Alba, ainda tem as suas florestas preservas nas cercanias, é na nas raízes de seus carvalhos que nascem as cobiçadas trufas. Difícil achar mais frescas, mesmo nas feiras e melhores mercados de Alba.
Toda essa introdução para dizer que o casal Cecilia Aldaz e Felipe Bronze estão fazendo um lindo trabalho no Oro, seguindo essa linhagem de restaurante familiar. Claro que a realidade urbana é outra, e eles contam com uma equipe de primeira linha, na cozinha, no bar e no salão. Mas a alma da casa é o casal. No antigo Oro eu tive experiências memoráveis, que foram me agradando de maneira crescente, de modo cada refeição que fazia ali era melhor que a outra. Já sentia uma guinada em direção ao conforto nas últimas visitas à casa. Mas ontem ficou muito clara essa nova fase, que tem na brasa o fio condutor do menu, e todos os pratos passam no calor das churrasqueiras.
Por detrás do balcão, Felipe Bronze rege a entrada dos pedidos e a saída dos pratos, servidos pelos próprios cozinheiros, na linhagem Noma. Ele mesmo cuidou da decoração, escolhendo mesas e cadeiras bonitas, e um balcão central que além de ter quatro lugares para os comensais ainda deixa uma linda bancada de maneira para que Cecília brilhe, exibindo a sua desenvoltura no serviço, com atenção ao nível das taças, o conhecimento profundo que não deixa perguntas enófias sem resposta, mas que principalmente faz um trabalho incrível de harmonização, escolhendo rótulos certeiros, mas que fogem do óbvio. Ela sempre saca três ou quatro coisas que não conheço, e sei que isso não é fácil. Em cada visita é assim.
Em breve conto detalhes do menu, com destaques para o éclair de foie gras ao chocolate branco, o ceviche de vegetais montado sobre delicado e inesquecível crocante de batata-doce, o taco de camarão, o sanduíche de porque empanado com abacaxi, o tempura de vagem francesa, o arroz meloso de favas, as empanadas de alho poró, e o dim sum de rabada, o polvo purê de amêndoas ao limão, e o trio de sobremesas.
Foi assim. Cheio de aconchego.

Um roteiro pelas melhores feijoadas do Rio de Janeiro (lembrando que o prato nada tem que ver com escravos, e menos ainda com a África)

22/10/2015
Na Casa da Feijoada o prato é servido em sistema de rodízio, a R$ 62,70 por pessoa (vale a pena pedir em casa, a porção serve tr~es ou quatro)

Na Casa da Feijoada o prato é servido em sistema de rodízio, a R$ 62,70 por pessoa (vale a pena pedir em casa, a porção serve três ou quatro)

Na rotina sofrida das senzalas, os escravos ao menos comiam bem. Naqueles ambientes escuros e insalubres eles conseguiram criar o prato mais emblemático do Brasil, a feijoada. Usavam, para isso, os restos de carnes de porco salgada, dispensadas pelos senhores, cozidas com feijão preto. A história é bonita, talvez por isso tenho sido propagada por tanto tempo. Porém, por mais triste que seja dizer isso, não, a feijoada não nasceu assim. Os senhores, mesmo eles, não tinham carnes de porco sobrando. E, lamentavelmente, essa é apenas uma lenda histórica, já há muito consertada pelos estudiosos do tema. É inacreditável que, em pleno século 21, no ano de 2015, ainda exista gente que conte essa história como se fosse verdade. Pior ainda, se for um jornalista especializado no assunto. Porque ainda tem leitor que acredita, e assim essa linda mentira continua sendo perpetuada. Lamentável.

Pior ainda é dizer que a feijoada tem origem africana… Aí, meu amigo… Não, a feijoada não tem origem africana, mas europeia. É uma receita derivada de tantos ensopados preparados com feijões ou seus primos, de cores, tamanhos e formatos variados. Ao contrário do que se diz, com ingenuidade e ignorância, a feijoada não tem origem humilde, mas muito nobre. Nasceu sob a inspiração do cassoulet francês, da fabada asturiana, dos caldos ricos italianos, e, principalmente, de tantas variações de pratos afins que existem por Portugal.

Sem querer cortar o barato de ninguém, jornalista deve ser fiel aos fatos. E os fatos são esses.

É tão ridículo quanto outra teoria de um ícone brasileiro, a cachaça. Sim, há quem diga que o nome aguardente vem da dor que sentiam os escravos ao ter um pouco de pinga caindo sobre as suas costas machucadas pelo açoite. Francamente…

Os melhores lugares do Rio pra beber cachaça a gente pode deixar pra outro dia. Já das feijoadas podemos falar hoje.

As mais divertidas da cidade acontecem nas quadras das escolas de samba, que já estão fervilhando no clima pré-carnavalesco. A Portela, com as suas quituteiras de mão cheia, e seus sambistas de fino trato e grandes composições, sem dúvida é a mais emblemática no quesito (inclusive já até lançaram um livro de receitas, “Batuque na cozinha – As receitas e as histórias das tias da Portela”). Mas, tradicionalista que sou, indico ainda a Mangueira, o Império Serrano e o Salgueiro. Como as escolas fazem as feijoadas em fins de semana alternados, sempre tem alguma rolando. Na Feira das Yabás, que acontece todo o segundo domingo do mês, na Praça Paulo da Portela, em Oswaldo Cruz, as tias da Portela, incluindo Dona Neném, do alto de seus 87 anos, servem várias comidas em suas barracas, que servem refeições bacanudas por cerca de R$ 15. Marlene é famosa pela sua feijoada.

Seguramente, em nenhum restaurante ou hotel a feijoada será tão animada quanto esses da turma do samba. Nos hotéis, muitas vezes o bufê de feijoada dos sábados é servido com um conjunto, que anima o ambiente com clássicos. Já fui no Caesar Park (antes de virar Sofitel), em Ipanema, e no Sofitel, no Posto 6, em Copacabana. Achei a comida boa, e música contribuiu para a minha felicidade (raramente gosto de música ao vivo em restaurantes, como aqueles de Paraty, onde somos obrigados a jantar com um banquinho e violão tocando, mas ás vezes curto a ambiência sonora, caso dos pianos da Brasserie Lapeyre, no Centro, e da Churrascaria Palace, em Copacabana).

Servida como reza a tradição aos sábados, a feijoada do Rubaiyat Rio, no Jockey Club, tem várias bossas extras, a começar pelas corridas de cavalo, que acontecem ao longo da tarde (vale tentar uma mesa na varanda, mas evite isso nos dias muito quentes), passando pelas batidas, servidas livremente, e pelo bufê de sobremesas, tudo incluído no preço. No belo balcão de madeira que recebe os panelões com as carnes também abriga um belo leitão, além de tudo aquilo que nos habituamos a ver nos serviços de feijoada. Um caldeirão com o feijão, e vários outros com as carnes separadas, a farofa, o arroz, a couve, o torresmo e a laranja, além de complementos suínos, como linguiça, bisteca, pernil e costelinha, sem falar na banana frita.  Pelo conjunto a obra, eu diria que todo o carioca deveria fazer esse programa ao menos uma vez na vida. Como ir até o Corcovado e subir o Pão de Açúcar. Custa R$ 109, e incluindo isso tudo, está de bom tamanho.

– O que é legal é que as partes suínas são todas de baby pork da Fazenda Rubaiyat. O feijão também é supernovo, igualmente da fazenda. A feijoada tem todos os pertences separados: carne seca de Brangus, costela fresca, costela defumada, paio, língua, rabinho, pé, orelha. O Claude só vai lá por conta desses três últimos– conta um dos sócios da casa, David Zylbersztajn.

Já se vão lá mais de 20 anos que a Casa da Feijoada (na foto), em Ipanema, se converteu em um dos poucos restaurantes que também são ponto turístico da cidade. Fazendo um trabalho junto a hotéis e guias de viagem, a  Casa da Feijoada recebe muitos turistas, e não tantos cariocas assim. Besteira. Seguramente é um dos melhores lugares do Rio para se dedicar a esse prato, servido em sistema de rodízio, na mesa, com preço por pessoa (R$ 62,70).  Pra começar,  caldinho de feijão e linguiça mineira, além de batidas de limão e maracujá (também incluídas no preço). Com o feijão, são 11 opções de carnes, que podem ser encomendadas pelos clientes: bacon defumado, orelha de porco, lombo salgado, carne seca, linguiça fresca, rabo, costela salgada, língua defumada, chispe, carne de boi e paio. Os acomapanhamentos de sempre. E a sobremesa são as compotas caseiras de abóbora com coco, banana e o doce de leite. Vale pedir para a viagem. São muitas quentinhas, que servem umas três ou quatro pessoa, sendo assim de preço praticamente imbatível. Confira.

Pra minha surpresa, porém, descobri que os dois restaurantes portugueses mais tradicionais do Rio também servem admiráveis feijoadas. No Antiquarius e no Adegão Português eu como feijoadas não menos que sublimes, com toda aquela fartura que nos habituamos a ver na culinária portuguesa.

Essas são as minhas feijoadas preferidas em terras cariocas (muito aprecio a do Tempero com Arte, em Teresópolis, e do Parador Lumiar, em Nova Friburgo, ambas também aos sábados). Falam-me, ainda, maravilhas de duas feijoadas tijucanas. Do Bar do Momo e do Bar do Pavão. Nunca fui, mas diante das observações de bambas como Guilherme Studart e Gabriel Cavalcante (o da Muda), eu confio cegamente nas dicas.

Sem que a gente possa se esquecer do antológico e inigualável bolinho de feijoada do Aconchego Carioca, servido na matriz, na Praça da Bandeira, e também na filial do Leblon.

Feijoada é uma delícia, o mais brasileiro dos pratos. Mas nada tem que ver com escravos, e menos ainda com a África. Ok?

Pão de queijo em versões autorais, incluindo a matriz francesa chamada gougère) invadem os nossos menus: que alegria!!!

17/03/2015

O pão de queijo e o gougère nunca estiveram tão próximos. Enquanto vemos restaurantes brasileiros criando versões mais caprichadas do petisco mineiro, o belisquete francês vem invadindo as mesas cariocas, servindo como abre-alas para algumas das melhores refeiões da cidade.

Esplanada Grill - Couvert

O couvert do Esplanada Grill traz os pães de queijo sempre quentinhos

No primeiro caso, destaco o pão de queijo, simples, do Esplanada Grill, uma das estrelas do couvert da casa; que tem farofa, conserva de cebola, molho à campanha e bastões de cenoura.

Aprazível - pão de queijo com pernil

No Aprazível o pão de queijo pode ser recheado com pernil assado e desfiado

 

Também merece louvor a receita do Aprazível, que faz um sanduíche de linguiça com ele (pode imaginar isso?) ou, o que é ainda melhor, a versão recheada com pernil (muito bem assado, com o seus caldos do cozimento, e a carne se desfiando). Difícil parar de comer, em ambas as casas.

Pão de queijo: o chef Rafa Costa e Silva, do Lasai, criou a sua versão, que é recheada com queijo de ovelha curado, tipo Serra da Estrela, mas feito no Vale das Videiras, em Petrópolis, na Quinta da Pena

Pão de queijo: o chef Rafa Costa e Silva, do Lasai, criou a sua versão, que é recheada com queijo de ovelha curado, tipo Serra da Estrela, mas feito no Vale das Videiras, em Petrópolis, na Quinta da Pena

E, para coroar, o chef Rafa Costa e Silva, do Lasai, criou a sua versão, que é recheada com queijo de ovelha curado, tipo Serra da Estrela (mas feito no Vale das Videiras, em Petrópolis, na Quinta da Pena: para ler mais, clique aqui).
Agora, são os gougères que andam abrilhantando as nossas mesas.

Os gougères que abrem as refeições do restaurante Roberta Sudbrack: impossível parar de comer

Gougères: pãozinho de queijo á moda francesa abre as refeições do restaurante Roberta Sudbrack: impossível parar de comer

Uma das primeiras a apostar no serviço do pão de queijo à moda francesa foi Roberta Sudbrack, e provar o petisco é um momento de delírio (para ler mais, clique aqui). Quentinho, aerado e leve, com sabor bem marcado de queijo, e assado no ponto exato, para ficar com a casca crocante e o interior oco. Coisa de louco. Dependendo do dia, chego a pedir para não servirem, porque é impossível parar de comer.
Já o Pedro de Artagão, do Formidable Bistrot, recém-inaugurado, também fez a sua versão do gougère, que vem sendo um dos maiores destaques do menu da aguardada novidade. Ele prepara, a julgar pelas fotos que vi (não, ainda não fui), uma versão também impecável, e comete a indecência de ocupar o espaço oco do interior com requeijão. Para tudo!
E será um “gougères à l´émental” o primeiro passo do jantar francês que acontece na próxima quinta, no Pérgula, do Copacabana Palace, dentro do gigante e mundial evento “Gôut du France“, que reúne mais de 1.000 chefs espalhados pelos cinco continentes do planeta, celebração da gastronomia francesa idealizada pelo chef Alain Ducasse (que, aliás, faz alguns dos melhores gougères do universo, como base de queijo gruyère).
Estou adorando este movimento. E podem vir mais pães de queijo e gougères.
Merci.

 

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Bazzar e Lorenzo Bistrô: olhando de longe, não parece, mas são dois restaurante com espíritos semelhantes

26/02/2015

Existem dois restaurantes que não se parecem em nada. Mas, que se observarmos bem os seus detalhes, perceberemos que são muito próximos, eu diria complementares. O Bazzar e o Lorenço Bistrô fogem da corrente atual dos restaurantes, cujos chefs são os atores principais. Cristiana Beltrão, escoltada pelo extraordinário Claudio de Freitas na cozinha, é a maestra do restaurante de Ipanema, e dos cafés, e do Lado B, que funcionam em unidades da Livraria da Travessa. João Luiz Garcia, o Janjão, personagem lendário da gastronomia carioca, fundador do Garcia & Rodrigues, difusor do vinho e – assim como a Cristiana Beltrão – um profundo conhecedor da História e dos prazeres da gastronomia, é quem rege a orquestra das duas casas do Jardim Botânico, o Lorenzo Bistrô, matriz, e a Casa Carandaí, filhote mais novo, um empório, enoteca e café dos mais simpáticos do Rio.
Isso já seria o bastante para se poder juntar os restaurantes no mesmo grupo (sem contar o fato que são casas que deram filhotes). Neles, como em poucos lugares, percebemos o espírito de seus proprietários, donos também do salão, dos conceitos, dos fundamentos de cada casa. A própria decoração revela um pouco da personalidade de cada lugar, que reflete os seus mentores.

O bubble bar do Bazzar: borbulhas, Jerez, cervejas especiais

O bubble bar do Bazzar: borbulhas, Jerez, cervejas especiais

 

No Bazzar temos uma arquitetura moderna, arejada, com opções de escolhas: podemos nos sentar na varanda, nas poltronas de couro, no balcão do bubble bar, ou mesmo nas mesas, digamos, regulares (adoro a redonda, ao fundo, junto à adega).

 

Garrafas de grandes vinhos decoram as paredes do Lorenzo Bistrô

Garrafas de grandes vinhos decoram as paredes do Lorenzo Bistrô

No Lorenzo Bistrô, eu encontro deliciosas referências pelas paredes: quadros com fotos de vinhos e comidas, páginas de revistas gastronômicas, garrafas de vinhos de sonho, num aconchegante painel de devoção à boa mesa. Tem mesmo um clima de bistrô, e cozinha idem. Podemos, também, ficar na varanda, na discrição do segundo andar, e até no terraço… Ou nas mesas regulares. Em comum aos dois, em termos de decoração, além da assinatura da Cris e do Janjão, está o aconchego. Me sinto muito bem nesses dois ambientes.
Fico com a impressão que a Cristiana Beltrão escreve a História do Bazzar olhando para o futuro, sem deixar de buscar as referências do passado, estudá-lo a fundo. Já o Janjão, observa o passado, a cozinha clássica do mundo inteiro, e colhe desse imenso e delicioso manancial os pratos que vai servir, podendo interferir levemente aqui ou ali, dando um tempero pessoal, familiar.

O salmão selvagem do Alasca com caldo de cajuína, dill e açafrão, um dos destaques do menu da primavera passada

O salmão selvagem do Alasca com caldo de cajuína, dill e açafrão, um dos destaques do menu da primavera passada: cardápios sazonais a cada nova estação

Olhando com atenção os menus é que temos essa certeza, de que são casas com espírito parecido. Em conjunto com o chef Claudio de Freitas, dos mais admiráveis que conheço, em todos os sentidos, Cristiana Beltrão instiga, provoca, conforta e acolhe a sua clientela, montando um cardápio autoral, que é criado a quatro mãos. Ela lança as ideias, eles debatem, Claudio vai testando, testando, e vão todos por lá provando, provando… E nesse processo o cardápio muda com a regularidade das estações. E toma carta de vinhos sazonal, e de cervejas, e de cachaças. Uma inquietude deliciosa. E assim nasceram pratos como salmão selvagem do Alasca com caldo de cajuína, dill e açafrão, um dos destaques do menu da primavera passada; e “O primeiro ato do menu invernal propriamente dito foi um consomée servido com torradinha de pão de champagne coroada com nacos de tutano de vitela e uns brotinhos, para dar um sabor verde e fresco”, como defini este prato em um post na época do lançamento, em julho do ano passado. E sem falar nos clássicos da casa. O  já adolescente carpaccio de pato com queijo de cabra e tomilho; o poético “aviús, ovas e ovos” e os indescritíveis lombos de cavaquinha com purê de aipim, crisp de alho poró e molho de amêndoas e avelãs.

O vitello alla milanese do Lorenzo, com saladinha de rúcula e tomate, e um purê de batata bem cremoso, na panelinha

O vitello alla milanese do Lorenzo, com saladinha de rúcula e tomate, e um purê de batata bem cremoso, na panelinha

Janjão faz um caminho que não deixa de ser parecido. Mas olhando mais para trás, e isso é muito atual, é deliciosamente contemporâneo. Depois de anos de viagens e viagens e mais viagens, montou com a saudosa Nick um cardápio sedoso, cheio de referências, e dos mais confortáveis do Rio. Traz pratos consagrados da Itália e da França, países melhor representados no menu: tanto assim que sábado tem “Le cassoulet de Toulouse” e, no domingo, “arrosto di capretto”. O cardápio traz receitas consagradas desses dois países, e da gastronomia universal: steak tartare, vitello alla milanese, bolinhos de bacalhau, cheeseburguer, confit de canard, frutos do mar à moda tailandesa, Cornwall scallops (aquela receita inglesa, de veiras com Parma). A França predomina nas entradas. E a Itália, nos principais, com respeitável repertório de massas e risotos. Para quem ama esses dois países, em grande parte por suas cozinhas, é um paraíso.

Queijos artesanais brasileiros no Lorenzo Bistrô

Queijos artesanais brasileiros no Lorenzo Bistrô

Existem ainda as virtudes revolucionárias encrustadas em cada um dos dois. O Janjão teve coragem de peitar a lei ignorante (que ainda temos, um pouco mais branda) e vender em sua Casa Carandaí queijos mineiros feitos com leite cru, que amadureciam numa cave moderna, talvez a primeira do Rio para maturação de queijos.

O cação pescado em Búzios, fisgado pelo olhar atento e local de Cristiana Beltrão

O cação pescado em Búzios, fisgado pelo olhar atento e local de Cristiana Beltrão

E a Cris, muito antes de qualquer outra pessoa, abraça as mais novas vanguardas da gastronomia. Faz isso como poucos. Antes de qualquer um, estava trazendo a mesa do carioca ingredientes do Rio de Janeiro. O cação de Búzios, o pato de Sapucaia, os queijos de cabra da Região Serrana. E os orgânicos, a celebração atual ao tutano etc etc etc. E os fermentados.
Existem clássicos no Bazzar: uma tarte tatin de enternecer, o hambúrguer mais sensível de Ipanema, carne, pão e queijo, fritas das boas, e os molhos com assinatura da casa (produtos que hoje são exportados, e encontrados em Paris, Londres e Nova York, ilustrando vitrines de lugares com a Harrods e o Bon Marché. Está bom pra você?).
Assim como no Lorenzo encontramos criações autênticas da casa. Tipo o “confit de Canard a Nick”, com purê de maçã e damasco, e figos braisé. Ou a “mini cocotte a Lulu”, graciosa panelinha de lula, camarões salteados no azeite, alho e tomate cereja. Ou, ainda, outra assinatura da casa, “a memorável torta de chocolate e gengibre do Lulu” (Lulu era o antigo nome do restaurante), uma torta brownie de chocolate meio amargo e gengibre.

E, tanto no Bazzar, quanto no Lorenzo, podemos pedir com alegria um belo prato de queijos brasileiros, dos melhores. Um orgulho.

O couvert do Lorenzo, e seu famoso grissini

O couvert do Lorenzo, e seu famoso grissini

O couvert é certeiro, nos dois lugares. Tão certeiro tanto quanto simples, baseados em pães feitos na casa (adoro a torradinha de foccacia do Bazzar, e o grissini do Lorenzo), azeites e uma bossa aqui, outra ali. Nas duas casas há belos cheeseburgers. Desses cheios de ternura e simplicidade. Em ambas, comemos lindas tarte tatins.

A Cris e o Janjão adoram os produtos brasileiros. E, por fim, a linha própria de produtos da Casa Carandaí, lançada muito recentemente novamente entrelaça esses duas marcas: o Bazzar e, no caso, a Casa Carandaí. Apresentamos a novidade aqui em primeira mão (para ler, clique aqui). E foi justamento o que inspirou este post, quando comecei a pensar nas semelhanças e diferenças das duas casas. Assim como a Cris, Janjão agora também tem a sua linha de produtos.
Além disso, são amantes do vinho. E pessoas com quem eu tenho o prazer de dividir a mesa regularmente.

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Só não quero que me falte a danada da cachaça

25/02/2015
Não se engane: caipirinha, é de cachaça; se não é de cachaça, não é caipirinha

Não se engane: caipirinha, é de cachaça; se não é de cachaça, não é caipirinha

Faz um bom tempo uma coisa me intriga. Na verdade, hoje o verbo é irritar. Fico bem irritado quando vou a um bar – algo bem comum – e peço uma caipirinha – algo bem raro. Em cálculos ligeiros de memória, mas com índices altamente confiáveis, eu diria que em cerca de 80% dos casos a resposta do garçom me faz ter vontade imediata de ir embora, e em alguns casos eu vou mesmo, caso haja algo aceitável nas redondezas.
– O senhor prefere que tipo de vodca, premium ou comum? – agridem uns.
– Vodca nacional ou importada? – debocham outros.
Coisa irritante.
Coisa vergonhosa.
Porque se eu peço caipirinha, isso significa que se trata de um drinque feito com limão macerado com um pouco de açúcar, com cachaça e gelo. E até pode haver variações. Sempre questões quantitativas: com ou sem açúcar?, com pouco ou muito gelo? Ou, então, são questões cromáticas: prata ou ouro?, branca ou dourada?, com ou sem madeira? (De uma maneira geral, as branquinhas, sem passagem em barris, são mais adequadas, pela sua maior neutralidade, mas há exceções). Aceito até o uso de melado, ou açúcar mascavo. Até xarope de água com açúcar.
Ou seja, caipirinha é cachaça e limão. Qualquer coisa diferente disso, não é caiprinha. Se eu peço caipirinha, sequer preciso dizer que é de limão. Porque caipirinha é de limão. Se é de morango, de caju, de uva, ou de qualquer outra coisa, temos que chamá-la de caipirinha de morango, caipirinha de caju, caipirinha de uva, ou caipirinha de qualquer outra coisa. Sendo de limão, basta chamá-la caipirinha.
Se é de vodca, sequer pode ser chamada de caipirinha. Existe uma palavra (muito da chata) para isso: caipirosca (às vezes abreviado como rosca, caso da Bahia, o que torna pior o que é muito ruim). Ou caipivodca, que acho melhor, porque o nome já traz em si a sua subversão escrota; Caipirosca já dá margem a dúvidas.
Quando chegará o dia em que o Brasil vai entender que, quando pedimos caipirinha,a queremos um drinque de limão e pinga. Com (ou sem)
Pior é que se eu pedir um Cuba libre, não haverá garçom que me questione o tipo de destilado usado.
Pior é que se eu pedir um pisco sour, ninguém vai me perguntar se quero com que tipo de vodca.
Isso vale para todos os drinques clássicos. Caipirinha é um drinque clássico. Sua receita, com ingredientes imutáveis, seja lá onde se faça uma caipirinha, é limão e cachaça, tendo gelo e açúcar como acessórios.
E, evidentemente, se alguém pedir uma caipirosca, certamente jamais a resposta será: “Com qual marca de cachaça você prefere?”

 

ATUALIZAÇÃO: Ontem, publiquei o link deste post no Facebook. E foram muitos comentários em seguida. Um deles, merece destaque aqui, feito por Rafael De Almeida Sampaio, sócio do Barthodomeu, e um grande apreciador da cachaça: “Tem uma questão que separa os dois produtos. A Vodca é o único destilado que é mais elegante quanto menos gosto tem, então destilam um monte de vezes. Na cachaça, o gosto interessa!”

Deu pra entender que caipirinha é de cachaça com limão, açúcar e gelo, ou precisamos desenhar?

 

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Katia Barbosa, do Aconchego Carioca, anuncia mais uma novidade: será o bar Calango, na Praça da Bandeira

20/12/2014

“As pessoas sempre chegam para mim dizendo que sou um cara de sorte. Que viajo, bebo os melhores vinhos e cervejas, como nos melhores restaurantes, e ainda sou pago para isso. Nem gosto de rebater dizendo que é tudo trabalho, que existem mil e uma obrigações etc etc etc. Digo apenas que a pessoa não entende mesmo o que faz o meu trabalho algo realmente interessante para quem, como eu, gosta de viajar, comer e beber. O que me faz sentir privilegiado são as pessoas que eu conheço. Viajar, comer e beber bem todo mundo pode. Se for caro, basta pagar. Se for longe, basta ir até lá. Se for um segredinho, basta ter boas fontes. Mas estar com pessoas como o Mikkel Borg Bjergsø… E ainda beber umas cervejas com ele…Isso não tem preço. Isso é que o que me faz trabalhar com um puta tesão, e agradecer por esse privilégio
https://riodejaneiroadezembro.wordpress.com/2014/12/07/um-dia-em-copenhague-de-uma-cerveja-com-mikkel-borg-bjergso-da-mikkeller-ate-um-jantar-no-relae/”
Foi com este texto que eu apresentei o post sobre um dia que passei em Copenhague. Resolvi reaproveitá-lo. Porque ele serve para falar sobre outras pessoas que a vida profissional e o apreço pelos prazeres de se compartilhar bons momentos à mesa me trouxeram. A Katia Barbosa, do Aconchego Carioca. Ela como capitã de um time de amigos que está incluído no pacote: sua filha Bianca, sua sócia Rosa, a “família Bar da Frente”, Valéria, mãe, Mariana, a filha; e mais os outros agregados, o Kadu Tomé, do Bracarense, e fotógrafo Berg Silva, minha amiga e ex-companheira de O Globo, a Marcella Sobral, e tanta gente legal. Um privilégio estar entre eles.
Especialmente quando se aproxima o Natal, e uma celebração das mais deliciosas e divertidas acontece na casa da rua Barão de Iguatemi. É a noite do Perupatolinha, cuja última edição, em dezembro de 2012, eu já relatei neste blog (para ler, clique aqui).
Mas vou resumir. Perupatolinha é a versão brasileira de uma receita típica dos Estados Unidos, para lá de doida, e até exagerada, como de fato gostam os americanos. Por lá, chama-se turducken (aglutinação de turkey, duck and chicken). Isso mesmo. Trata-se de um peru, recheado com um pato, e ambos recheados com um frango. O desafio foi lançado pela minha amiga querida Kamille Viola, jornalista de O Dia. E a Katia topou fazer. O trio de aves formando quase um rocambole vai ao forno. No nosso caso, com batatas, que absorvem os caldos do cozimento, ganhando sabor e textura cremosa. Para dar um tempero brasieiro, uma farofinha untuosa e rica, com um toque de passas brancas.
Pois ontem foi a noite do Perupatolinha. Um programa que eu classifico como “o único evento imperdível no meu calendário”. E foi aquela farra de sempre.

Aconchego Carioca 1 - almofadinha de queijo
Os petiscos celestiais foram fazendo afagos no estômago. E a cerveja da casa, a Electra (que também foi assunto de post) ia molhando a goela. E esta almofadinha de queijo, com sua delicada massa de tapioca, regada com a pimenta Samba do Crioulo Doido, bem forte, um perigo, foi um dos pratinhos compartilhados pela turma.
E é sempre nessas horas que acabamos tendo acessos a informações em primeira mão. Foi assim, só para ficar no ambiente do Aconchego, quando revelamos que a Katia Barbosa queria abrir um boteco com comida brasileira (para ler, clique aqui). Ela falava do Comedoria, que também fomos um dos primeiros a ir conferir: para ler, clique aqui (post que, aliás, está bombando, com centenas de acessos por dia, que chegam via ferramentas de pesquisa como o Google). Agora, temos outra novidade em primeira mão. No começo do ano que vem, talvez em fevereiro, talvez em março, abre as portas ali pertinho, também na Praça da Bandeira, mais uma casa da chef. Vai se chamar Calango, e terá cardápio de sanduíches.
– Vão ser sanduíches brasileiros. Carne assada, pernil. Vou fazer de carne-seca com cebola. Porcoburger, cachorro-quente. Quero cobrar preços legais. Tipo entre R$ 10 e R$ 15. O lugar é pequeno, e as mesas e cadeiras serão feitos com latões. Tudo muito simples – adianta Katia Barbosa, que vai reverter metade da renda do lugar para projetos sociais. – Vou doar para entidades que já trabalhamos, como o projeto Gastromotiva – diz.
A farra rolou no pátio, e chegou a chuviscar, dando um alívio no calor. Enquanto a boa música embalava as conversas idem, o povo ia chegando.

Aconchego Carioca 2 - katia e bianca
A estrela da noite foi servida por mãe e filha, para delírio dos paparazzi. Mas voltou pro forno, ainda precisava de mais tempo.
Mais bolinhos, Electras…

Aconchego Carioca 7 - Perupatolinha

… e chega o Perupatolinha, desta vez no ponto.

Aconchego Carioca 6 - Perupatolinha

E a turma foi ao delírio. Repare nas três carnes. A de pato, no meio, mais escura, no ponto, ainda ligeiramente sangrenta, e extremamente macia.
E a bagunça, que começou às 19h, chegou ao fim pouco depois das duas da madrugada. Uma bela festinha de despedida e confraternização. E que, de quebra, ainda nos deu uma notícia em primeira mão. Alguém por acaso duvida que o Calango será um sucesso?
Eu, não.

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Comedoria: novo bar de Katia Barbosa abre as portas no Leblon pronto para o verão carioca

10/12/2014

Comedoria 3
Vou interromper a série sobre Copenhague para dar uma notícia extraordinária, de interesse geral da nação carioca, e – por que não? – brasileira. É novidade fresquinha, e pra lá de promissora.
Abriu as portas na quinta-feira passada o bar Comedoria, nova jogada da craque Katia Barbosa, do Aconchego Carioca, seguramente uma das novidades mais aguardadas do ano na gastronomia do Rio de Janeiro.

Comedoria 1
O Comedoria é o casamento de dois ícones da cidade: o bar Belmonte, de Antônio Rodrigues, e o Aconchego Carioca da Katia Barbosa, que agora chega ao Leblon: o restaurante fica na rua Rainha Guilhermina, na quadra da praia, na esquina com a General San Martin. E desde já se apresenta como uma das melhores pedidas para aquela tão gostosa botecada pós-praia que tanto o carioca gosta.

Comedoria 4
Meu voo de Copenhague chegou ao Rio às 19h30. Saí rapidamente do aeroporto, cheguei em casa, tomei um belo e reconfortante banho frio, e parti para lá, para conhecer a novidade. Não só por ser um bar novinho em folha, e por ter a comida da Katia. Mas também porque eu cheguei com fome de cozinha brasileira. Smorrebrod é muito bom, eu adoro salsichas, cachorro-quente e hambúrguer, mas andava com saudades dos nossos quitutes. Muita saudade.

Comedoria 2
O lugar é arejado, janelões de vidro com cortininhas, uns tecidos pendentes do teto, mesas típicas de botequim cobertas toalhas de papel, daquelas pro povo desenhar, cadeiras de madeira. No fundo, o bar, com as geladeiras de portas de vidro exibindo as cervejas. Pra beber, a propósito, o foco são as cervejas e as cachaças.

Comedoria 6

Fotos em uma parede relembram momentos da Katia com outras colegas de profissão.
Do Aconchego Carioca, o único prato que faz parte do menu são os bolinhos de feijoada, um dos acepipes mais celebrados do Brasil na última década (e não sem razão).
Da cozinha saem pratos que viajam pela cozinha brasileira, mas tratados com a costumeira verve criativa da Katia, prestando homenagens a chefs de todo o Brasil. Tem o jiló do Claude. E se vinho, Thomas Troisgros, é homenageado com o sanduíche de barriga de porco na cebola puxada na cerveja escura, sua bebida preferida. Já o paraibano Onildo Rocha foi a fonte de inspiração para a criação do nhoque de veijão verde, enquanto Alex Atala é o cara de um prato que todo mundo faz em casa, mas que nunca vi em restaurante: feijão com macarrão.
Candidato a estrela é o camarão no coco com purê de baroa. E a rabada prensada com agrião (homenagem ao chef Paulão). No final deste post, deixo o cardápio da casa, e basta clicar na foto para ela abrir em tamanho maior e legível.

Comedoria 7
A Katia cuidou com carinho do menu, criado ao longo dos últimos meses, quando ela anunciou (neste post aqui) este novo projeto, inclusive já usando a palavra “comedoria”. Sua mão certeira para criar bolinhos resultou em outra bênção: o de rabada. Foi a minha primeira – e certeira – pedida.

Comedoria 8
O bolinho é sequinho, e denso, com a carne desfiada. Comer este croquete de rabo de boi, sozinho, é bom. Mas ele só alcança mesmo grau de excelência quando usamos um poderoso recurso servido ao lado: é o glorioso vinagrete de banana, que dá grandeza e profundidade ao prato, com o seu caráter agridoce, o que fica ainda (muito) melhor se regado com a (boa) pimenta da casa, que está sobre todas as mesas.

Comedoria 10
Depois, fui no sanduíche que homenageia Thomas Troisgros, que tinha um naco de barriga de porco coberta com cebola ligeiramente caramelizada na cerveja Therezópolis Ebenholz. Carne deliciosa, e a cebolano ponto certo. Boa comunhão entre eles. Mas o sanduíche estaria um pouco melhor se o pão tivesse sido levemente tostado, ganhando aquela casquinha mais dura e queimadinha, como manda o figurino dos melhores hambúrgueres, e assim o miolo não teria ficado encharcado e mole como ficou. Mas em termos de sabor, nota 10. Simples e delicioso.
Para acompanhar, pedi, é claro, a própria Therezópolis Ebenholz, uma bela cerveja escura, no estilo, Munich Dunkel, e não poderia mesmo haver melhor pedida para este sanduba suíno.
Logo antes de chegar o sanduíche e a cerveja, avistei o Fabio Codeço, da Veja Rio. E acabei me sentando ao lado dele. Ele provou metade do meu sanduíche. E eu pude dar um confere em dois dos seus pedidos. Um chamado cápsulas de aipim com queijo, brilhante bolinho em formato coquetel, pra gente comer como se fosse pipoca. Foi difícil ser educado e não ficar petiscando na mesa do amigo até aquilo terminar.
Ao menos, ao lado havia o bolinho de moqueca (homenagem ao chef Juarez Campos), outra bela sacada da Katia, petisco que eu vislumbro ter um futuro brilhante pela frente.
Pedi licença. Porque me deu uma baita vontade de ir até o Herr Pfeffer, ali perto, na rua Conde Bernardotte. Tipo intuição.

Mikkeller

Chegando lá, encontro amigos, como o Fabio Santos e o Cadinha. Papo ótimo, muita Dinamarca no assunto. Acabei provando, entre outras coisas, como sempre acontece por lá, cervejas que eu ainda não conhecia, como as que a Mikkeller (para ler o post sobre esta cervejaria, clique aqui) fez exclusivamente para o mercado brasileiro, esta bela APA com brett, fresca e perfumada, com este rótulo simpático, braços abertos sobre a Guanabara.
Cheguei com tudo. E o Comedoria também. Vida longa e ele. E que esse interesse do Mikkeller pelo Brasil, e do Brasil pelas cervejas mais azedinhas, e de fermentação espontânea, como muitas das que ele faz, também permaneçam crescendo.
Amanhã voltamos à Dinamarca, para o último dia dessa viagem deliciosamente fria e cervejeira. E depois continuamos com a nossa programação normal. Ou seja, Rio de Janeiro, viagens, bares e restaurantes, vinhos e cervejas, praias e montanhas, cidades e roças.

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Agora, o cardápio (clique na foto para ampliar).

Comedoria - menu 1

Da cozinha.

Comedoria - menu 2

E do bar.

 

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Copenhague, Copenhaga ou Copenhagen? (e como é divertido pensar nos nomes dos lugares)

02/12/2014

Guia Copenhagen

Estou chegando a Copenhague, esperando minha conexão no aeroporto de Roma. Se eu fosse português, estaria chegando a Copenhaga. Mas, para boa parte do resto do mundo, incluindo aí os países de língua inglesa, seria Copenhagen. E se eu resolvesse escrever na grafia nórdica, ninguém entenderia o destino: que tal irmos a København? E ainda tem o chocolate Kopenhagen…
Um dos prazeres de viajar é aprender. Novas línguas, observar diferentes culturas, a gastronomia, a música, a literatura… Conhecer as narrativas épicas de cada nação, e também a mesma História que já conhecemos, mas de um outro ponto de vista.
Nesse aprendizado constante, a nomeclatura de países, cidades e acidentes geográficos é algo muito divertido. Sempre. Copenhague ou Copenhaga? Mesmo na língua portuguesa encontramos muitas grafias diferentes. Se um dia você estiver a caminho de Frankfurt voando pela TAP, saiba que deverás pegar o voo para Francoforte. Isso aí. Eu já soube de história de um sujeito que queria ir para Gênova. Tomou um trem para Genebra, ludibriado pela grafia fracófila, Genève.
Há debates acalorados sobre certas grafias. Nova York, por exemplo. Eu prefiro assim. New York soa pedante, enquanto Nova Iorque fica feio. Mas já vi gente defendendo com afinco esta última forma, dizendo que “se é para traduzir, que se traduza tudo”. Não acho que seja por aí.
Ainda bem, por exemplo, que ninguém traduz Rio de Janeiro. O mundo inteiro fala Rio de Janeiro. Imagine que ridículo seria no inglês “River of January”, ou ainda pior no italiano, Fiume de Gennaio… Nem imagino como ficaria em russo ou japonês. Melhor mesmo o Rio de Janeiro. Já São Paulo, como homenagem ao Santo, ganha tradução. San Pablo, San Paolo… Mas não do inglês… Saint Paul seria mesmo estranho.
Imagine, então, a gente indo um dia visitar Bons Ares? Não soa bem, parece nome de aromatizar de ambiente, e não de uma capital tão querida por nós, brasileños.
Mas não existe lógica. São Francisco, na Califórnia, ganha tradução, mas San Sebastián, no País Basco (tambpem chamado Donostia em língua local), não.
Outro exemplo engraçado é o nosso vizinho Peru. Para nós, a ave que comemos no Natal. Mas e para os americanos? Turkey, a Turquia, significa, com todas as letras, o peru que eles comem no Dia de Ação de Graças.
E a República dos Camarões, que até onde consta não tem nada que vem com os crustáceos? Cameroon, até onde sei, não significa nenhum tipo de animal (não me lembro no momento em que escrevo, do significado).
E a confusão aumenta com os países que mudam de nome. Birmânia vira Myanmar. E Belarus? Que país mesmo era Belarus? Sim, era Bielorrússia
Cada caso é um caso, e quando trabalhamos para uma empresa de comunicação devemos seguir as instruções do manual, quando ele existe. Eu que já passei pelas redações do Jornal do Brasil, da Editora Abril e d’O Globo, ainda me pego pensando em qual é a maneira correta de se escrever certos lugares. No JB cheguei a mudar a maneira como se escrevia Paraty. No começo dos anos 2000 eles escreviam Parati. Mas eu convenci com muitos argumentos. “Se nas placas dos carros está escrito Paraty, se a prefeitura da cidade usa Paraty, se os moradores acham assim mais bonito, se até o Governo do Estado, e as placas do DER estão com Paraty, porque a gente vai escrever Parati?” Pois é. Pra mim, quando tem “i” no final estamos falando do peixe parati, do carro Parati, ou até mesmo deste sinônimo de pinga, cantado por Noel Rosa “Em vez de tomar chá com torradas bebeu parati”.
Existem pegadinhas, como Cingapura, que muita gente escreve com “S”, por conta da grafia inglesa, Singapore.
Agora vem a China, querendo nos convencer a escrever Beijing em lugar de Pequim. Inclua-me fora dessa… Imagine só, comer um pato Beijin… Não consigo, acabo lembrando do brasileiríssimo doce beijinho, aquela espécie de brigadeiro branco com coco, delícia.
Muitas vezes eu uso o critério da beleza. Provença, com todo o respeito, é mais feio que Provence, a grafia francesa, replicada na língua inglesa. Fico com a segunda. Também acho estranho falar do rio Ródano. Não sei se por causa de minha enofilia que muito aprecia os vinhos de lá (viva Ermitage, viva Condrieu, viva Côte-Rôtie!!!!!), mas eu só uso a palavra Rhône, tanto para me referir aos vinhos quanto também ao próprio rio, e o vale formado por ele.
Também não me acostume do o Rio Tibre, prefiro o Tevere. Aí, vamos traduzir também o bairro? Trastibre me soa estranho…
Adoro a forma italiana de grafar os lugar, adaptada á sua língua. Assim, o México vira Messico, Moscou vira Mosca, Paris vira Parigi e Brasil vira Brasile. E a China, vira Cina (fala-se Tina, e aí eu me lembro dos comerciais da Pepsi com Tina Turner).

Por essas e outras, viajar é tão divertido e enriquecedor.

Uma noite alla italiana na casa da Alessandra Sposetti, no Leblon: aula de cozinha, menu refrescante e alto astral

12/02/2014

Não é só aqui. Essa é uma deliciosa febre mundial. Na Europa, nos Estados Unidos, em vários países latino-americanos, no Caribe, no Brasil. Muitas pessoas abrem as cozinhas de suas casas para receber gente interessada em apredender receitas interessantes ao redor de uma mesa agradável, bebendo um bom vinho, papeando, ouvindo músicas e, é claro, fazendo um jantar participativo e descontraído.
Tem até um site ( http://www.eatwith.com/#!/ ) que lista vários desses cozinheiros, gente que ama a boa mesa e veste o avental de professor. Aqui no Rio, por exemplo, tem muita gente fazendo isso. A minha amiga querida Manu Zappa, que criou o Prosa na Cozinha (prosanacozinha.com.br), em seu apartamento do Leblon, recebendo gente bacana para aulas-jantares, que também podem acontecer na casa das pessoas. Tanto sucesso, que na semana que vem ela inaugura um café no Jardim Botânico, na rua Lopes Quintas, bem a lado da simpática loja Dona Coisa.
Outra amiga que organiza eventos do gênero é a Gueta Ridzi, do Dona Gueta (www.donagueta.com.br), que cozinha na casa das pessoas, ou em clubes e afins.
Na semana passada, finalmente conheci a Alessandra Sposetti, cozinheira italiana de mão cheia, que recebe pequenos grupos, às quintas e sextas, em seu simpático apartamento do Leblon. Na agradável cozinha aberta, junta a um mesão de madeira, o cardápio é sempre italianíssimo, seguindo as estações, os sabores do mercado. A trilha sonora embala os trabalhos, ao som – por exemplo – do italiano Rino Gaetano. Bravo!
Conheci a Alessandra através do Facebook, depois de uma reportagem que fiz sobre a Toscana (o link está aqui). Fiquei sabendo dos seus eventos caseiros, e depois ainda tive mais detalhes deles através de outra amiga, a Ligia Ghizi, amante da boa mesa e “food hunter” dos Destemperados no Rio de Janeiro, onde cultiva um delicioso blog.
As aulas acontecem às quintas e sextas, a partir das 19h30. Para mim, dias e horários são pouco convenientes, e assim levei mais de um ano até conseguir estar lá, pouco depois das 20h, ainda no comecinho do programa.
Perdi o início da preparação da sobremesa, sorbet de café, que mostro lá no final.

Alessandra Sposetti 1 - vinho

Aceitei logicamente o vinho que está incluído no preço (R4 140), que inclui a aula, a comida, a bebida, a trilha sonora e o clima descontraído.

Alessandra Sposetti 3 - mesa 2
Noite legal, e barata diante dos preços aos quais estamos acostumados por aí.

Alessandra Sposetti 4 - insalata
A primeira etapa foi a deliciosa salada de atum sotto’olio com feijão branco, temperada com cebola roxa, azeite, limão siciliano e uma salsinha picadinha, e um bocadinho de pimenta-do-reino moída na hora.

Alessandra Sposetti 5 - insalata 2

Delícia. Pra você ver só. Outro dia, comi a mesma salada no Satyricon, simplesmente no Satyricon, o melhor restaurantes de pescados da cidade. O da minha aula estava melhor.

Alessandra Sposetti 6 - pão
Pois vamos em frente, saboreando a salada com um copo do vinho, molhando o pão naquele caldo cítrico e saboroso, papeando, fotografando, filosofando.
A etapa seguinte era uma massa com lula, feita com molho de tomate-cereja, pimenta calabresa, vinho branco e azeite.
– Mas e como fazer pra lula não ficar dura? – pergunta a aula.
– Ah, tem que usar ela bem fresca. Pode congelar, mas tem que comprar fresca – respondeu a chef-professora, que compra os seus pescados no Posto 6, direto dos pescadores, e os ingredientes no Zona Sul, incluindo o bons vinhos servidos.

Alessandra Sposetti 7 - calamari
De fato, deixamos o molho apurar bom um bom tempo.

Alessandra Sposetti 8 - mesa 3Cozinhamos a massa al dente.

Alessandra Sposetti 10 pasta ai calamari

Um farfalle De Cecco. Al dente, claro.
E novamente brindamos com o frescor o catalão Mas Rabell, branco gostoso mesmo da família Torres.

Alessandra Sposetti 11 granita di caffè
Enquanto isso, era explicado novamente como se fazer a granita di caffè com panna (não sabia, por incrível que pareça, já que adoro o pannacotta, que panna é chantilly). Delícia refrescante, facílima de fazer.
Eu vou tentar em casa, com limão siciliano, sem chantilly. Só pra dar um refresco.
Esta semana o cardápio está apetitoso. Veja.
A entrada é a focaccia pugliese (focaccia da região Puglia, a base de farinhas de trigo e batatas).
O prato principal é o pesce del giorno al forno con patate (peixe fresco do Posto 6 assado ao forno com batatas e temperos). Para a sobremesa, sorbetto di limone (sorbê de limão siciliano).
Vou te falar uma coisa, baixinho. Cara, R$ 140 por uma noite dessas, com uma comida muito boa, alto astral, regada a vinho de qualidade e adequado ao menu, em local agradável assim, com trilha sonora da boa. Tá barato pacas.
Depois de ver umas fotos no Instagram (@brunoagostinifoto), a Ligia Ghizi, uma das “food hunters” cariocas dos Destemperados, me disse. “Bruno, tem que provar o gnocci ao ragu de pato”, ou algo assim.
Sempre quis aprender a fazer gnocci, prato que adoro e tenho imenso respeito. Faço um respeitável ragu de pato, modéstia à parte. Quer aperfeiçoar. Já me inscrevi na aula, que acontece ali pelo outono, quando o cardápio dá uma encorpada conforme os termômetros vão baixando.
Visitar a Alessandra Sposetti foi uma linda descoberta.

Se animou?
Fala com ela: 98137-4773 ou  alessandra.sposetti@gmail.com

Eu curti muito.

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