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Um dia, quatro restaurantes, entre eles o novíssimo Ró, inaugurado ontem, o primeiro crudívoro do Brasil

09/06/2016

Ontem fiz uma loucura, uma deliciosa e insana jornada gastronômica, em parte fruto do meu apetite por novidades, em parte resultado de feliz desenrolar de acontecimentos.

Já acordei com uma agenda cheia. Trabalho como escritor de manhã cedo, reunião às 11h, almoço ao meio-dia e meia no Puro, degustação de vinhos no Encontro Mistral, no Sofitel de Copacabana, às 17h, e jantar no Bagatelle, às 20h30.

Até aí, tudo bem.

Mas a loucura começo a se desenhar quando, logo ao chegar ao Puro, para o almoço, li na página do Facebook do novíssimo restaurante Ró a seguinte mensagem: “Chegou o dia! Abriremos hoje para almoço de 12:30 às 16:30 horas (sem reserva) e o jantar com reservas pelo telefone 3559-0102 ou e-mail contato@ro-raw.com Almoço com menu “a la carte” e jantar “Experiência Ró de 5 ou 8 pratos. Sejam todos muito bem-vindos !”

Pensei… Se o almoço acabar antes das 16h, acho que vou me sentar no balcão do Ró pra beber um drinque (tinha ouvido falar que este será um dos pontos fortes da casa) e provar uns dois pratos.

Enquanto apreciava um menu degustação de imenso deleite preparado pelo chef Pedro Siqueira, do Puro, que pra mim já se colocou na minha galeria de preferidos, toca o telefone.

– Oi, Bruno. Queria te convidar pra jantar esta semana no Sushi Leblon, o cardápio comemorativo dos 30 anos da casa, em carta até sexta, com o chef espanhol Ricardo Sanz, do premiado restaurante Kabuki, com quatro unidades em Madri, Tenerife e Málaga, todas elas estreladas pelo Guia Michellin. Você pode? – perguntou a assessora da casa.

– Caramba, que pena. Não vai dar. Tenho um jantar hoje, e amanhã eu subo a serra. Estou sofrendo desde já – respondi com o coração guloso tomado de imensa tristeza.

– Ah, não acredito. Queríamos tanto a sua presença.

– Olha, também quero ir. Mas só temos uma chance. Meu jantar está marcado para 20h30. Vou tentar passar pra 21h. Se der, eu poderia chegar às 19h, mas preciso sair 20h45 (sou metódico com horários, e tenho orgulho de raramente me atrasar para compromissos).

– Ok, vou ver se consigo.

Logo ela retorna.

– Consegui um lugar no balcão, 19h. Mas não atrasa, senão não dá tempo de provar o menu inteiro.

Pois então, neste hercúleo esforço de reportagem, eu consegui encaixar tudo o que queria.

Encerrei o almoço no Puro, que me deixou eufórico, com uma sequência de pratos arrebatadora (farei um post à parte), com destaque para os dois exemplares mar-e-montanha, o sashimi de vermelho em caldo de porco, e o polvo com barriga de porco, além de um lagostim no mais preciso ponto de cozimento possível, selado só de um lado, mostrando toda a delicadeza e sabor delicioso do crustáceo, sem falar na moela de pato, que me comoveu, e um acém de wagyu grelhado que eu vou te contar…

Como a novidade é fresquíssima, vou dedicar este post de hoje ao Ró, que – como já disse – abriu as portas para o público ontem.

Fica a poucos passos do Puro, ali no final (ou começo), da Pacheco Leão, quase na rua Jardim Botânico.

Subi as escadinhas que levam ao salão, muito bonito por sinal. As paredes de tijolo aparente, as mesas de madeira, uma escultura arborista no centro, a cozinha envidraçada ao fundo, e o bar com balcão de poucas cadeiras logo à esquerda, na entrada.

Cheguei, e dei de cara com uma mesa reunindo os criadores da casa. Os Alexandres Lalas e Schiavo, os sócios, e a chef Inês Braconnot, que foi enviada aos EUA pela dupla para estudar na mais prestigiosa escola de gastronomia crudívora, ou seja, não só vegetariana, mas também restrita a alimentos crus (na verdade, cujo processo de cozimento não pode passar os 42 graus Celsius.

Bebi um delicioso rosé da Vinhética, em edição não-filtrada, especialmente para a casa, acertado pedido do Lalas. E pude me encantar com esse menu criativo, com pratos lindos, com já andei acompanhando nas duas últimas semanas, quando as minhas redes sociais foram enfeitadas por fotos dos pratos. Provei alguns.

Ró - ravióli de nabo

O surpreendente ravióli de nabo

Comecei logo com o que foi o meu preferido, chamado adequadamente de transparência, um ravióli com “massa” de nabo, finíssima, recheado com kinchi e o PhilaRó, nome irreverente para o cremoso falso queijo, feito com leite de amêndoas.

Ró - sopa de cenoura

A aveludada sopa fria de cenoura

Depois, uma delicada sopa fria de cenoura, com gengibre, refrescante e bem temperada, aveludada pelo uso de castanhas e com o bom sabor do gergelim negro.

– Como você sabe, o gergelim negro é tostado. Ou seja, não é cru. Não sou radical, não gosto de radicalismo. Como é só um tempero, faço uma concessão. Mas 99% do que usamos é absolutamente cru – conta a chef Inês Braconnot.

Ró - salada de algas

A salada de algas, com gomos de laranja e rabanete

Logo em seguida, a salada de algas, que tem textura cheia de nuances, e que traz coroando a montagem dois gomos de laranja, ao fundo, pra no final o prato ganhe contornos cítricos e mais suculência.

Ró - panna non cotta

A irreverente panna non cotta

Pra fechar, o também irreverente no nome panna non cotta. Delírio na arquibancada. Que lugar legal, original, pioneiro, sem igual não no Rio, mas no Brasil, talvez na América Latina. Muita criatividade, louças belas, que dão lindos contornos à apresentação dos pratos, com flores, brotos e especiarias aparentes. Inteligência no uso dos temperos, e técnica apurada, nos cortes e nos preparos. Fiquei encantado. Só plantas. Uma leveza, uma delicadeza.

Enfim, quero voltar, com calma, com mais gente, pra provar todo o menu, todo. Porque tudo me apeteceu. Uma grande novidade para o Rio.

De lá, fui para o Encontro Mistral, rapidamente, e em seguida pro Sushi Leblon. O menu fica em cartaz até sexta, e é o seguinte. Tem primeiro uma versão do dry martini de boas-vindas feito com a vodca Belvedere. Em seguida, vieiras com shichimi fresco, usuzukuri de peixe branco com flor elétrica 9nosso jambu), usuzukuri de peixe branco com azeite do seu fígado, tudo escoltado pelo brilhante champanhe Ruinart Blanc de Blancs. Depois, ovos fritos com batatas e atum picante ou ouriço, sushi de peixe branco com toucinho e sushi de tutano com caviar (estão tendo dificuldades de encontrar o tutano, e talvez precisem adaptar), com o igualmente delicioso champanhe Ruinart Brut Rosé. A sequência seguinte tem tataki de atum com ovas, guisado clássico com sashimi e sushi de atum com açúcar moreno queimado, abrilhantadas pela refrescância do neo-zelandês  Cloudy Bay Sauvignon Blanc 2014. Custa R$ 410, e te digo: está valendo, e muito. Tanto que talvez nem tenha mais vagas. A quem quiser chegar, o telefone é 2512-7830. Quer ver umas fotos do jantar? Vai lá no Instagram @brunoagostinifoto

De lá, corri para o Bagatelle, e consegui ser pontual. E curti a casa. Lugar bonito, com público jovem e festeiro, e uma equipe também jovem e festeira, com ótima carta de drinques, bem executados, e um cardápio pra lá de aconchegante, que tem base francesa, mas passeia pela Itália, e traz referências brasileiras, como as coxinhas de galinha, que agora fazem frente ás já famosas servidas no Bar da Gema. Depois de certa hora, o lugar vira uma quase boate, com música em tom mais alto, gente dançando, e um clima de festa. Também merece post a parte, assim como o Puro, e em breve público aqui. Foi um dia longo, cansativo, e calórico. Mas delicioso. Por essas e outras, eu adoro o meu trabalho, e a liberdade que a vida de frila me proporciona.

No mais, pensando bem, ontem foi moleza, se comparado com o dia em que fui a seis restaurantes, e mais um bar, em Buenos Aires, para preparar esta reportagem aqui. Vida de repórter de turismo, gastronomia, vinhos e afins é assim mesmo, um saboroso devaneio.

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Ró – Rua Pacheco Leão 102, Jardim Botânico. Tel. 3559-0102. www.ro-raw.com

 

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.

 

 

Sabores peruanos em cartaz no restaurante Pérgula, do Copacabana Palace

26/10/2015
O chef peruano Hernan Castañeda e a sua estação de ceviches, usada no almoço, até sexta

O chef peruano Hernan Castañeda e a sua estação de ceviches, usada no almoço, até sexta

Essa semana os sabores peruanos estrelam o menu do restaurante Pérgula, no Copacabana Palace. O festival começou nessa segunda, dia 26, e vai até sexta, dia 30, no almoço e no jantar. Pela segunda vez o hotel recebe o chef peruano Hernán Castañeda, e parte de sua equipe, como o padeiro David Jordan Lima e o cozinheiro Harlyn Raya Salas, do restaurante The Observatory, do Belmond Miramarflores Park, em Lima.

No almoço, o bufê (R$ 150) vai ganhar uma estação de ceviche, e vários pratos típicos do país, como, eventualmente com pitadas autorais, como tabule de quinoa com lulas grelhadas, tiraditos de peixe, polvo ao molho de azeitonas pretas e arroz com mariscos. Para a sobremesa, suspiro limeño e cheesecake com sauco.

À noite é servido um menu com três etapas (entrada, prato principal e sobremesa, por R$ 140), que começa com um ceviche. Em seguida, costelinhas de cordeiro ao molho seco com purê de feijão branco e batata calabresa ou Parihuela de frutos do mar. Para encerrar, alfajores com doce de leite e sorvete de baunilha. Para beber, Jéssica Sanchez criou uma seleção com drinques, incluindo uma soda não alcoólica de goiaba e variações de pisco sour.

 

E o outono chegou, com seu clima gostoso e suas comidas idem

16/04/2015
O caldo clarificado de bulbos com vôngoles do menu outonal do Bazzar, em foto de Pedro Mello e Souza (do Instagram @talheres)

O caldo clarificado de bulbos com vôngoles do menu outonal do Bazzar, em foto de Pedro Mello e Souza (do Instagram @talheres)

Os que pensam o contrário que me perdoem, mas é justamente agora, quando começa o outono, logo a partir da Semana Santa, que o Rio de Janeiro, cidade e Estado, chegam a sua melhor época do ano, período gostoso que se estende até setembro, quando a temperatura volta a esquentar, os dias se nublam, chove, faz sol, o caos se instala, o tempo fica feio, ou quente, ou ambos. É agora, com o friozinho agradável, que subir as montanhas fica ainda melhor. Seja Mauá, seja Teresópolis, Petrópolis, Friburgo. Seja Lumiar ou, descendo a serra, Sana. O mesmo vale para as praias. Búzios vive dias lindos, de paz, sol e temperaturas agradáveis, em terra e no mar. Paraty, Ilha Grande… acabam aqueles dias chuvosos que arruínam o programa praiano, e o tempo abre: temos sol, mar verde, luz perfeita para as fotos.

O clima colabora para o meu apreço pela temporada outono-inverno. Assim como as suas implicações. Porque no frio fica mais agradável se sentar à mesa, com amigos e a família, para gastar a tarde, seja cozinhando em casa, seja comendo na rua. Comer rabada fica mais saboroso. O mesmo vale para a feijoada e tantos outros pratos calóricos: o ossobuco, o mocotó… Até o churrasco vai melhor, e fica melhor abrir tintos encorpados para acompanhar a carne (não sou desses que acha que verão é para branco e espumante e inverno para tinto, mas sem dúvida que é melhor abrir tintos grandiosos nos dias mais frios).

O Malága volta a servir o seu não menos que espetacular pot-au-feu, e o mesmo acontece no Le Vin (para ler mais, clique aqui).

Quem também volta a brilhar agora é a sopa Pequim, que retorna ao cardápio para a estação no Mr Lam. Ela é feita com cogumelos, shitake e funghi seco chinês, gengibre, frango, camarão e um toque de pimenta. Entre as outras novas criações estão o Fillet Wagyu GB (R$ 126), carne de Wagyu com marmorização 5, marinada e servida com molho inglês e especiarias com crosta crocante. Já o Camarão ‘Du’ Chef (R$ 105) consiste em camarões flambados com saquê, cebola roxa, pimentões vermelhos e verdes em um molho com perfume de alho.

E, para coroar essa história, temos os cardápios de outono, e os de inverno. Para começar, o Bazzar lança mais um menu desses que são pura poesia. Arte comestível. Tem conceito. Tem beleza estética. Tem textura. E, sobretudo, sabor. No Bazzar, o conceito não é simplista, do tipo “prato leve no verão, prato encorpado no inverno”. Vai muito além. Tem desenvolvimento de ideias, e naturalmente o eixo principal das receitas sazonais, que muitas vezes entram no cardápio (como o coelho com cogumelos e mostarda sobre purê de batata doce). O desta estação explora os alimentos que estão debaixo da terra. As raízes, rizomas, bulbos, tubérculos… Assim, nasceu um menu cheio de ternura, com caldo clarificado de bulbos com vôngoles; o bolo de milho verde com gengibre, catupiry de cabra e farinha d’água amarela; os cogumelos de Lumiar com tubérculos, raízes e agrião; o ovo de pata com peito de pato defumado com cará e farinha de beiju de Silva Jardim; e o doce de batata-doce amarela com iogurte de ovelha do Vale das Videiras e araruta. Custa R$ 107 (ou R$ 169 com o vinho).

O Rubaiyat Rio também está lançando o seu menu sazonal. Ele tem, como entradas, shitake, queijo manchego e pinoles sobre massa fina crocante; tagliatelle de palmito com creme de trufa e parmesão e canelone de ossobuco e purê de mandioquinha. Entre os pratos principais, prego na brasa com ervilhas tortas e molho de vinho tinto e açaí; lombo de cordeiro com baunilha e batatas confitadas econtrafilé com purê de batatas, figos e molho de vinho do Porto. Para encerrar, sopa fria de morangos com sorvete de baunilha e cremoso de chocolate com gelatina de laranja, azeite e sal.

O restaurante Gabbiano Al Mare, em Ipanema, também está com novidades para o outono. Entre as sugestões do chef Romano Fontanive estão o pappardelle – massa fresca ao açafrão com ragu de pato da fazenda Antenor e Filhos (R$59); o risoto com tintas de lula e polvo de mergulho grelhado (R$59); e paleta de javali cozido ao forno no vinho Malbec e servido com polenta ao perfume de tomilho (R$69).

No Garden, que está completando 60 anos neste 2015, começa agora a Temporada de Pato, talvez a mais importante entre as tantas que a casa promove (tem bacalhau, camarão…) ,que fica em cartaz até o fim do outono. São14 sugestões vendidas a R$ 49,50. Vale a pena, preço raro nesta cidade cara. Nesta quinta edição, o menu inclui quatro lançamentos e pratos que já viraram clássicos. Entre as boas novas temos o pato à Kiev, feito com peito empanado e recheado com manteiga derretida, acompanhado de palmito pupunha e aspargos frescos e o Pato Enamorado: peito assado e caramelado com shoyo e mel, recheado com patê de pato com ricota e acompanhado de arroz com castanha, ameixa e passas. No mais, tem coxa confit, em diferentes preparos, e tem o arroz de pato, à moda lusitana, e o risoto de pato, à moda italiana.

A Cavist também preparou novidades para a estação, e acaba de lançar pratos como o queijo de cabra gratinado com mel e amêndoas (R$34), de entrada, e para o prato principal, a costelinha de porco ao molho de goiaba picante com batata ao alecrim (R$59). Entre as sobremesas, o destaque vai para a goiabada com catupiry gratinado com canela (R$21).

No Fashion Mall, o Chez L´Ami Martin está lançando pratos mais calóricos, como a frigideira de escargots de Borgonha (R$ 54), feita com caracóis importados, cozidos no vinho branco Muscadet e refogados com aspargos, tomates assados e cogumelos frescos (imagine só: o prato é servido com o próprio molho emulsionado com manteiga de ervas e alho confitado); e outros mais leves, como a salada de salmão curado à moda “gravlax”, com waffle de trigo sarraceno (R$ 48) e o tradicional patê de campagne da casa, servido com picles de peras e chutney de frutas da estação (R$ 45). São cinco os pratos principais novos: a cavaquinha grelhada à moda Provençal, servida com risoto de limão siciliano (R$88); a vieira à provençal, que são vieiras frescas assadas na própria concha, com farofa amanteigada de amêndoa, servida com arroz basmati ao capim limão (R$88); o gibelotte de coelho da fazenda no vinho d´Alsace, uma espécie de guisado, servido com mini risoto de “coquillettes” (R$78); a côte de boeuf, costela de prime angus, para duas pessoas, com molho bérnaise, acompanhado com mix de folhas, vinagrete de mostarda de dijon e a novamente a batata canoa (R$ 170); o coq au vin (R$75) tradicional receita de frango caipira cozido no vinho tinto, com cogumelos frescos, cebolas assadas e bacon refogado, servido com musseline de batata, e por último, o linguine ao açafrão (R$62), preparado com mexilhões frescos de Santa Catarina, cozidos ao vinho branco, com brunoise de maçã verde e uma pitada de curry. Para finalizar, salada “perles du japon”, feito com sagu e frutas vermelhas (R$26).

O italiano Duo, na Barra, está com chef novo. Nelo Garaventa, ex-Brigite’s, criou novidades outonais, para marcar a sua chegada. Na hora do almoço, durante a semana, tem o Menu Mezzoggiorno: couvert, antipasti e prato principal a R$68 (ou R$ 76, com sobremesa). Entre as sugestões, o chef destaca alguns pratos do menu: berinjelas à parmegiana com tomate, manjericão e mozzarella de búfala; e carpaccio de namorado com molho de limão siciliano, de entrada. Como prato principal, as novidades são o ravióli de abóbora com manteiga, sálvia e amêndoas crocantes; o risoto com ervilhas e lula fresca; e o filé fatiado ao azeite de alecrim e alho com batata gratinada. Entre as sobremesas, mil folhas de morangos frescos e chantilly; e panna cotta com calda de framboesa.

O italiano Fratelli também dá as boas-vindas para o outono com um menu especial elaborado pelo chef Massimo Torresan. De entrada, ele criou na um creme de cogumelos (R$ 42) com presunto de parma crocante. Para o prato principal, três opções novas: o rigatoni gigantes (R$ 51) com brócolis americanos, alici e burrata; o bacalhau fresco ao ragu de lagosta e alho poró com arroz de passas (R$ 89), e a coxa de pato confit (R$ 69) com risoto de laranja e amêndoas. Para finalizar, creme de chocolate branco e pão de ló ao Cointreau (R$ 20).

Outra casa italiana, a Prima Bruschetteria sempre lança coberturas da estação. O chef Erik Nako agora, para o outono, combinou ingredientes porchetta e pesto (R$13), rosbife com tomate assado e rúcula (R$13), e ragu de carne seca e grana padano (R$12,50).

Com a chegado da estação mais fresca, o chef Marcos Sodré, do tailandês Sawasdee, lança duas opções. Como entrada, ele prepara um sanduíche de porco desfiado, ao molho barbecue com cebola roxa e picles de chili e pepino japonês (R$ 28). E, para o prato principal, Sodré serve lulas recheadas com crumble de camarões e panko ao alho, com molho de tomates e chili grelhado(R$ 68). Para encerrar, as novidades do Sawasdee e este texto longo, o chef prepara cocada gratinada com calda de laranja, sorvete de iogurte e chip’s de coco torrado (R$ 22). O menu vale no almoço e jantar do Sawasdee Ipanema.

Adoro a temporada outono-inverno.

Divino Malte: uma das melhores lojas de cerveja do Rio vende a mítica Westvleteren 12

08/04/2015
A deliciosa californiana Sierra Nevada Pale Ale, novidade no Brasil: lançamento a R$ 15, depois sobre para R$ 20

A deliciosa californiana Sierra Nevada Pale Ale, novidade no Brasil: lançamento a R$ 15, depois sobre para R$ 20

Conheci a loja Divino Malte através de sua própria insistência. Comecei a receber e-mails divulgando esta loja de cerveja. Apagava todos, até que um me chamou a atenção. Isso porque anunciava a cerveja Sierra Nevada Pale Ale a R$ 15. O rótulo está chegando agora ao Brasil, e é muito bom, por sinal, um belo representante da escola californiana, com boa carga de lúpulo, muito perfumada e com estrutura elegante, paladar fino. O praço é muito bom, visto que eu já paguei US$ 5 por uma garrafinha dessas em uma deli de um hotel da Flórida. Ou seja, com o câmbio atual, está mais barato aqui do que nos EUA. Isso quase nunca acontece com nenhum tipo de produto, ainda mais os americanos. Pois então fui ver, e descobri que a loja fica ao lado de minha casa, a apenas três quadras, exatamente na rua Visconde de Pirajá 437, é a loja “i” de uma galeria comercial como tantas do bairro.
A loja fica lá nos fundos, e é miúda. Mesmo assim, está sempre lotada, com seus seis ou sete clientes, capacidade máxima do lugar. Pedi uma Sierra Nevada Pale Ale, e falei sobre o preço.
– É uma promoção de lançamento. Depois, vamos subir. Vamos vender a R$ 20 – disse o atendente.

A loja Divino Malte, em Ipanema, tem rótulos como os da japonesa Kuchi Brewery e da americana Blue Moon

A loja Divino Malte, em Ipanema, tem rótulos como os da japonesa Kuchi Brewery e da americana Blue Moon

Ok, ainda assim está um valor ok. Os preços que praticam ali são os melhores que já vi na Zona Sul. Tipo Noi Amara a R$ 30. Era uma quarta-feira à tarde, e na TV passava um jogo da Liga dos Campeões. Toda hora entrava alguém, para comprar uma cerveja, ou para beber ali. Pelo espaço diminuto, rola uma intimidade quase obrigatória entre os frequentadores, que acaba, conversando sobre cerveja, muita cerveja, além de futebol, política, Rio de Janeiro. Como toda a mesa de um bar, o que o Divino Malte não deixa de ser. Para comer, só amendoins, ofertados como cortesia.
Continuo recebendo os e-mails deles. Pois então hoje chega mais um que me chama a atenção. No assunto estava escrito: “DIVINO MALTE | WESVLETEREN 12”.
Para quem não sabe, esta é provavelmente a mais cultuada cerveja do mundo. Raríssima, é vendida em pequenas quantidades no mosteiro belga onde é produzido, manipulada exclusivamente pelos próprios monges (daí a produção muito limitada). É a Browerij der Abdij van St. Sixtus, localizada na cidade de Westvleteren (ou Sint-Sixtusabdij Westvleteren, segunda outra grafia). Para visitar o site da abadia, clique aqui.

A Westvleteren 8, um pouco mais leve e menos alcoólica que a Westvleteren 12, sobre a mesa do bar do Antiquarius

A Westvleteren 8, um pouco mais leve e menos alcoólica que a Westvleteren 12, sobre a mesa do bar do Antiquarius

A Westvleteren 12 é um mito do universo cervejeiro, e beber uma dessas garrafas é um privilégio. Honra que eu pude ter através da generosidade de uma amiga, que foi até a Bélgica, e trouxe algumas dessas joias na mala (na mesma noite provei ainda a Westvleteren 8 e a Westvleteren 10, e fizemos isso no Antiquarius, comendo entre outras coisas bochechas de javali!). Na foto acima, aparece a Westvleteren 8, com detalhes em azul na tampinha.

As Westvleteren 8 e 12, no Antiquarius, em foto do Instagram (@brunoagostinifoto)

As Westvleteren 8 e 12, no Antiquarius, em foto do Instagram (@brunoagostinifoto)

Mas falamos da Westvleteren 12, a maioral, ícone maior desta abadia, pra muita gente, como dizíamos, a melhor cerveja do mundo, acima  em foto do Instagram (@brunoagostinifoto) ao lado da 8.
É uma cerveja corpulenta, afinal tem pelo menos 10,2% de álcool, e uma base de malte densa, untuosa, ampla. Musculosa e firme, a Westvleteren 12 (também se usa a numeração romana, XII) tem notas finas de padaria, malte e fermento, com algo que remete a frutos secos, como passas, ameixas e tâmaras, lembrando até um Jerez Pedro Ximenez. Tem aromas de chocolate amargo, especiarias… Uma loucura.
Lançada oficialmente em 1941, com nome oficial de Sixtus, a partir de 1992 adotou o nome Westvleteren depois de uma briga com a cervejaria vizinha St. Bernardus, com quem tinha uma parceria. A Justiça, então, determinou que ninguém poderia usar o nome Sixtus (o nome do mosteiro é Abadia de São Sisto). Lá na abadia uma caixa com 24 garrafas de 330 ml custa 40 euros, ou 52, para quem não tiver a caixa de madeira e os vasilhames para trocar.
Pois a Divino Malte está fazendo, até o próximo sábado, dia 11, a pré-venda desta cerveja mítica, a famosa garrafa sem rótulo, com tampinha com detalhes em amarelo. Vai custar R$ 175. Barato realmente não é… Mas da última vez que ouvi falar da venda da Westvleteren 12 no Rio ela custava R$ 250. Em São Paulo, soube da venda no Empório Alto de Pinheiros a R$ 190.

DIVINO MALTE – Rua Visconde de Pirajá 437, Loja i, Ipanema. Tel. (21) 3563-9491. http://www.divinomalte.com.br Aceita cartões.

Trópica: nova cervejaria carioca lança dois rótulos colaborativos com a Röter

29/03/2015
A Trópica 01 Bora Bora é uma American Blond com perfume de witbier, de coentro e casca de tangerina

A Trópica 01 Bora Bora é uma American Blond com perfume de witbier, de coentro e casca de tangerina, com 4,8%

 

O mundo das cervejas artesanais no Brasil é um universo em ebulição, e em expansão. Na mesma semana em que foi lançada a Miwok, produzida pela Rock Bird em parceria com a Röter, essa mesmo cervejaria apresentou outros dois rótulos colaborativos: Bora Bora (na foto) e Arequipa, ambos assinados pela Cervejaria Trópica, outra novidade tinindo de nova.  A Bora Bora é  Trópica 01, e a Arequipa é a Trópica 02. O Lançamento da dupla aconteceu na quarta-feira passada, reunindo a nata do mundo da cerveja no Rio.

As duas cervejas tinham exatos 4,8% de álcool. Bora Bora assume um estilo híbrido. Uma American Blonde Ale, com laranja e casca de tangerina, dando uma pincelada no perfume, trazendo notas típicas de uma witbier. Está vendendo mais, e provavelmente será assim para sempre. Tem um estilo mais comercial, adequado ao mercado brasileiro.

Porém, os cervejeiros presentes foram unânimes em preferir a Arequipa, uma Session Ipa com mate (tipo o mate de praia mesmo), o que dá uma reforçada no amargor, de maneira delicada.

Cada uma em seu estilo, mostram personalidade, com receitas bem ajustadas. E a julgar pelas primeiras impressões do público (ouvi muito cervejeiro experimentado), a Trópica, assim como a Rock Bird, são marcas de futuro muito promissor.

Boto fé.

Miwok, uma perfumada e equilibrada Session IPA, estreia em grande estilo da cervejaria Rock Bird

28/03/2015

Conheci o Afonso Dolabella há exatamente um ano, em março do ano passado, no Herr Pfeffer. Fui apresentado a ele, e a uma de suas cervejas, uma outmeal stout, que ainda por cima foi o que regou o joelhão de porco, antes de ele voltar ao voltar para ser levemente glaceado antes de ser servido (para ler essa história, clique aqui).
Pois na quinta passada, no mesmo Herr Pfeffer, no Leblon, e desta vez por pura coincidência, nos encontramos novamente. Esse é um dos meus locais preferidos na cidade hoje, para comer comida alemã (mas com ingredientes do Rio) e beber cervejas do mundo todo, e papear com os amigos. Na série 450 Sabores do Rio, destaquei justamente o joelhão da casa, algo único na cidade, e delicioso.

Afonso Dolabella tira a sua primeira cerveja comercial na torneira do Herr Pfeffer, no Leblon

Afonso Dolabella tira a sua primeira cerveja comercial na torneira do Herr Pfeffer, no Leblon

Pois na quinta passada o Afonso estava lá. Novamente levando uma cerveja de lavra própria. Mas desta vez, ao contrário do growler do ano passado, ele trazia um barril. Em vez de ter sido feita em casa, como a outmeal stout, tinha sido produzida em tanques, da cervejaria Röter, parceira dele, fundador da Rock Bird Craft Brewery (vejo enorme futuro nela).

Muito fácil de beber, a Miwok é fresca, saborosa e intensa, bem equilibrada, com boa textura, espuma firme, um acerveja de assumida inspiração californiana, que usa lúpulos da costa oeste dos EUA, e busca referência em clássicos da região

Muito fácil de beber, a Miwok é fresca, saborosa e intensa, bem equilibrada, com boa textura, espuma firme, um acerveja de assumida inspiração californiana, que usa lúpulos da costa oeste dos EUA, e busca referência em clássicos da região

Era uma West Coast Session IPA megalupulada, com 4,8%, batizada de Miwok Indian Series. Puta cerveja. Para os “hopheads”, ou seja, fanáticos por lúpulo. Muito fácil de beber, é fresca, saborosa e intensa, bem equilibrada, com boa textura, espuma firme. Um acerveja de assumida inspiração californiana, que usa lúpulos da costa oeste dos EUA, e busca referência em clássicos da região.
Ela seria lançada na sexta, e ele acertava os detalhes com Fabio Santos, sócio do Herr Peffer. Por sorte, tive o prazer e o privilégio, e a honra, de ver o Afonso plugar a sua primeira cerveja comercial na torneira. E também acompanhei ele tirar a primeira leva, com a devida pressão. E brindamos juntos com essa cerveja que achei incrível.
– Tem 16 gramas por litro de lúpulo. Uma IPA convencional tem 8 em média. Fiz um dry hopping poderoso.

A cerveja é muito aromática, cheia de ervas, com notas de frutas, como manga e melão, e toques cítricos

A cerveja é muito aromática, cheia de ervas, com notas de frutas, como manga e melão, e toques cítricos

O resultado é uma cerveja super aromática, com frescor intenso, e perfumes campestres, de ervas, grama cortada, mato, skank. Cheio de frutas tropicais também, com manga, melão e pêssego, algo cítrico, de abacaxi. Vai fazer sucesso, pode apostar.
Imagino que fique muito bom com peixes e frutos do mar em temperos asiáticos picantes, para sushis e sashimis mais encorpados, tipo enguia, polvo e toro, para usar wasabi e gengibre à vontade, além de queijos intensos, maduros e mais untuosos, gorgonzola e grana padano, por exemplo, e uma variedade de burgers, dos mais potentes, com cargas de picles, bacon defumado, barbecues, temperos picantes e queijos gordos. Achei que é muito boa para comida, por seu equilíbrio, seu perfil harmônico, mas com muita potência aromática, frescor, persistência e sabor marcante.

Miwok
O Lançamento continua pelos próximos dias nos principais redutos cervejeiros do Rio. Deixo o calendário.

Miwok 2
E a descrição da cerveja pela própria marca.
Belíssima novidade. Com identidade. Visual, inclusive. Afonso é designer, e criou uma programação visual interessante.

 

Acerva-Teresópolis faz brassagem coletiva com cerveja caseira e feijoada no próximo domingo

16/03/2015
Produção caseira de cerveja de panela na casa do amigo e confrade André Zahle Nader

Produção caseira de cerveja de panela na casa do amigo e confrade André Zahle Nader: no dia da festa serão produzidas duas cervejas, uma Muniche Helles e uma Brown Ale, e servidas outras, com feijoada

Na qualidade de membro pouco ativo mas entusiástico da coordenadoria de comunicação da Acerva-Teresópolis, eu aproveito para anunciar a realização, no próximo domingo, dia 22, da primeira confraternização desta nova fase da entidade que reúne cervejeiros caseiros. Na ocasião, os cervejeiros vão levar algumas produções caseiras, e vão acontecer duas brassagens, a partir das 10h manhã, feitas pela associação para competirmos no concurso da Acerva Petrópolis, em maio, produzindo uma Munich Helles e uma Brown Ale no dia do evento, junto do público. A festa acontece no Cenário Bier, agora em novo endereço, em Agriões (rua Carmela Durtra 306), e custa R$ 50 por pessoa. O preço inclui a feijoada em sistema de bufê que será servida ao longo da tarde. Uma festa cervejeira com cervas artesanais liberadas, fechando as comemorações pelo Saint Patrick’s Day.

Guia 450 Sabores do Rio: um inventário comemorativo da gastronomia carioca

01/03/2015
Minha alma canta/ Vejo o Rio de Janeiro/ Estou morrendo de saudades/ Rio, seu mar/ Praia sem fim Rio, você foi feito pra mim/ Cristo Redentor/ Braços abertos sobre a Guanabara/ Este samba é só porque/ Rio eu gosto de você

Braços abertos sobre a Guanabara…

No meio do ano passado, ali durante a Copa do Mundo, no meio daquela confusão, quando começou a tomar corpo o noticiário a respeito das comemorações dos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro, eu tive uma ideia: fazer um guia com os 450 lugares que melhor representam a gastronomia carioca. Os grandes restaurantes, e os mais tradicionais, familiares, e mais pitorescos. Os botequins. Os bares. Os cafés, lanchonetes e casas de sucos. As sanduicherias. As sorveterias. Os empórios e delicatessens, as padarias. As comidas de rua. Uma ideia que acabou se encaixando perfeitamente em uma vontade que já cultivo há tempos: editar anualmente um guia dedicado à gastronomia do Rio. Mas, na correria do final de ano, um período atípico ainda mais que o normal, com o rescaldo da Copa do Mundo, as eleições e outros empecílhios, acabei abandonando o projeto, ainda mais neste momento de economia estagnada. Não havia tempo hábil. Parece exagero, mas planejar, produzir, executar, editar, revisar, imprimir, distribuir e começar a vender um livro é um trabalho gigantesco, que não cabe em sete ou oito meses – em condições normais de temperatura e pressão, ou seja, levando uma vida minimamente normal. (clique aqui neste link para ir ao post que lista todos os lugares, por ordem alfabética)
Abandonei o projeto, com certa tristeza, porque imaginei inicialmente que ele deveria ser lançado hoje, exatamente hoje, quando a cidade completa 450 anos de fundação. Como não daria tempo, entrou no rol daqueles trabalhos que a gente tanto queria fazer, mas que as condições não foram favoráveis. E ele ficou para lá. Acontece que sim, ele acabou sendo lançado hoje.
Porque é algo muito perverso com a gente mesmo desistir dos nossos sonhos, assim, nas primeiras dificuldades. Como acredito que a ideia é boa, e que o resultado pode ser muito bacana, e reeditado anualmente (em 2016, serão 451 lugares; em 2017, 452; em 2018, 453, e assim eternamento, desejo eu), resolvi arregaçar as mangas agora, e começar o guia 450 Sabores do Rio hoje, aqui mesmo neste blog. O guia nasce no ambiente digital, mas com vontade de virar livro. E também site. E aplicativo para celulares. E canal de vídeos. E muitos outros desdobramentos que andam povoando a minha imaginação, com ideias que me entusiasmam.
Então, este post de hoje é para apresentar o Guia Sabores do Rio, edição de aniversário. Uma seleção, mais que isso, um inventário, sentimental, observador e colaborativo, do que melhor de existe para se comer no Rio. Vamos eleger 450 lugares. E falar de seus pratos ou petiscos mais emblemáticos. Do ambiente, quando isso for importante. De seus personagens, caso sejam relevantes no contexto da casa.
Os posts sempre serão ilustrados com uma foto, e com um serviço completo, com endereço, telefone e site (com link, quando tiver).
Comentários e sugestões são sempre bem-vindos. De certo modo, vamos montar juntos esse guia. O cronograma é folgado, mas não tanto. A meta é concluir o projeto daqui a um ano, no dia 1° de março de 2016. Ou seja, temos um 365. Um post por dia, mais uns 85 dias com duas publicações. Um desafio e tanto. Vou tentar manter essa regularidade, de um post por dia, pelo menos. Mas possivelmente haverá dias que não conseguirei, compensando em seguida.
Nesses primeiros dias, vou me dedicar aos clássicos da cidade. A lista inicial não vai seguir ordem alfabética. Isso vou reservar para um post, onde estarão os lugares, de A a Z. Por aqui, vamos publicando por blocos temáticos. Ou, eventualmente, seguindo uma efeméride, ou ainda o noticiário, que coloque algum lugar em evidência. As novas casas, vamos testar. Podem entrar, ou não. Começamos com endereços tradicionais do Rio, e os pratos mais emblemáticos da cidade.

Ao longo do ano, podemos criar listas. Quais as melhores empadinhas do Rio? E o caldinho de feijão? Onde comer sardinhas na brasa? E codornas? Que restaurantes fecharam as portas que fazem mais falta? E o que mais a nossa imaginação permitir. Dez botecos com altares a São Jorge. Os melhores PFs da cidade. As melhores caipirinhas.

Os posts vão ser publicados aqui, dentro de uma categoria, 450 Sabores do Rio. E o blog continua a sua vida, em paralelo, com matérias sobre o Rio de Janeiro, restaurantes, viagens, vinhos, cervejas, cachaças e outras coisas gostosas.

Portugal de Norte a Sul: um passeio pelos vinhos do país, na Cavist

27/02/2015

Este ano começo a dar aulas e palestras de vinho regularmente, e de temas afins, como turismo e gastronomia, e cervejas. Em paralelo, vamos organizar, com diversos parceiros, eventos, almoços e jantares. E até viagens. Vou, por assim dizer, começar a diversificar os negócios, fazendo consultorias, montando cartas de bebidas e dando treinamentos.
Dizem que a propaganda é a alma do negócio. Então, vamos a ela. O trabalho começa no dia 9 de março, com uma aula sobre vinhos portugueses na Cavist de Ipanema. No dia 16, a aula se repete, na filial da Barra da Cavist. Os vinhos servidos serão representantes de cinco zonas vinícolas das mais importantes do país, mostrando a sua diversidade enológica em termos de uvas e estilos.
Serão eles:
– Vinhos Verdes – Quinta do Ameal
– Douro – Flor do Crasto Branco
– Dão – Vinhas Paz Colheita
– Alentejo – Anas Tinto – Herdade do Sobroso
– Porto – Taylor’s Selection
Custa R$ 170. E começa às 20h. Mais informações e reservas nos telefones 2123-7900 (Ipanema) e 2493-6161 (Barra)
Haverá outros, que já estou acertando, que irei divulgar aqui oportunamente (de certo, nos dias 4 e 5 de maio, na mesma Cavist, haverá degustação de Champanhe).

Para ampliar a imagem abaixo, para ver mais detalhes, basta clicar em cima.

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Degustação dos vencedores do Argentina Wine Awards: os meus cinco preferidos

15/02/2015
O Petit Verdot Mini Ediciones Remolinos Vineyard 2012, que venceu o prêmio de sua categoria (de US$ 30 a US$ 49,99), e também foi consagrado como o campeão entre as vinícolas de Mendoza

O Petit Verdot Mini Ediciones Remolinos Vineyard 2012, que venceu o prêmio de sua categoria (de US$ 30 a US$ 49,99), e também foi consagrado como o campeão entre as vinícolas de Mendoza, ao lado de outros vinhos premiados, e degustados

O que é ruim para o enófilo pode se converter em uma grande oportunidade para as importadoras de vinho. Com o fechamento da Ana Import, algumas bodegas deixaram de vender para o Brasil. Entre elas está a Decero, que tem uma linha consistente, a grande vencedora do Argentina Wine Awards 2015, com o seu belíssimo Petit Verdot Mini Ediciones Remolinos Vineyard 2012, que venceu o prêmio de sua categoria (de US$ 30 a US$ 49,99), e também foi consagrado como o campeão entre as vinícolas de Mendoza, a mais tradicional e relevante região produtora não só da Argentina, mas de toda a América Latina, e provavelmente de todo o Hemisfério Sul, com suas cerca de 1.400 bodegas (para efeito de comparação, o Chile tem 600, aproximadamente).
Além de ter alcançado a mais alta pontuação do certame enológico, a bodega também se destacou na degustação de dez dos vinhos vencedores do AWA. Eu, e meus três companheiros de viagem, em uníssimo, proclamamos o Petit Verdot Mini Ediciones Remolinos Vineyard 2012 o melhor da prova, que aconteceu na manhã seguinte à divulgação do resultado. Muita fruta, dominando os aromas, com cereja negra, amora, servindo de base para um bem integrado panorama de condimentos e uns defumados, tipo pão tostado, com ótima acidez e um corpo macio, sedoso, com final longo e agradável. Vinhaço mesmo.

O Casarena Single Vineyard Cabernet Sauvignon Owen's Vineyard 2012, ganhador de uma medalha de ouro

Os rótulos da Casarena destacam o vinhedo de origem das uvas: na foto acima falta o Single Vineyard Cabernet Sauvignon Owen’s Vineyard 2012, ganhador de uma medalha de ouro

Logo atrás, em minha preferência pessoal, ficou o Casarena Single Vineyard Cabernet Sauvignon Owen’s Vineyard 2012, ganhador de uma medalha de ouro (não um dos troféus). Um vinho com rótulo que adorei, destacando o vinhedo de onde saem as uvas (na noite anterior eu tinha provado quatro vinhos da casa, esses da foto acima, mas não o Owen’s Vineyard). Um vinho cheio de frescor, leve caramelado, com pimenta negra e um bom painel de frutinhas do bosque, de framboesas a mirtilos.

Em primeiro na fila, o Finca Sophenia Sophenia Synthesis The Blend 2011, completando o meu pódio. Um vinho elegante, de estilo clássico, com indisfarçável inspiração bordalesa

Em primeiro na fila, o Finca Sophenia Sophenia Synthesis The Blend 2011, completando o meu pódio. Um vinho elegante, de estilo clássico, com indisfarçável inspiração bordalesa

Outro grande destaque da degustação cimeira foi o Finca Sophenia Sophenia Synthesis The Blend 2011, completando o meu pódio. Um vinho elegante, de estilo clássico, com indisfarçável inspiração bordalesa, mas com DNA argentino, um corte de Malbec (65%), Cabernet Sauvignon (30%) e Merlot ( 5%), como se fosse nascido na margem direita da região francesa.

O Ruca Malén Sparkling Brut: "Belo trabalho com leveduras", resumiu Marcel Miwa

O Ruca Malén Sparkling Brut: “Belo trabalho com leveduras”, resumiu Marcel Miwa

Ocupando o o quarto posto na minha estima, o Ruca Malén Sparkling Brut, com perlage abundante, mas nem muito fina, com sabor de maçã vermelha com casca, um floral gostoso, com 24 meses de contato com as borras, que aparecem em notas bem integradas de panificação.
– Fizeram um belo trabalho com as leveduras neste vinho – muito bem resumiu Marcel Miwa, do Estadão, um impressionante degustador de vinhos, que avalia com precisão cada garrafa, resumindo suas virtudes e defeitos em poucas e sábias palavras, ótimo companheiro de taça, e com quem aprendi muito nesta viagem.

 O Proemio Reserve Cabernet Sauvignon 2013 (terceiro da esq. para dir.), ao lado de outros vinhos da bodega que chega ao Brasil no mês que vem. Vale a pena ficar de olho, até porque, os preços são interessantes

O Proemio Reserve Cabernet Sauvignon 2013 (terceiro da esq. para dir.), ao lado de outros vinhos da bodega que chega ao Brasil no mês que vem. Vale a pena ficar de olho, até porque, os preços são interessantes

Por fim, o Proemio Reserve Cabernet Sauvignon 2013, um vinho que já havia me chamado a atenção quando visitei a bodega, que logo logo estará chegando ao Brasil (disseram que em maio começam a ser vendidos). Bem bom mesmo. Condimentado, defumado, com taninos bem marcados e uma acidez nervosa, que vai lhe dar condições de muito melhorar nos próximos cinco anos, acho eu. Seco, com uma piracina interessante, que me lembrou ají amarelo, e boa expressão da fruta, com a madeira de qualidade bem integrada.
Dos dez vinhos provados, entre os vencedores, esses foram os cinco que mais gostei, e que recomendo com segurança. Pode beber. Se não gostar, me escreve reclamando. E, se gostar, pode mandar mensagem de agradecimento.😉

P.S. – Amanhã voltamos à programação normal, ainda falando sobre a Patagônia.


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