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Guia 450 Sabores do Rio: um inventário comemorativo da gastronomia carioca

01/03/2015
Minha alma canta/ Vejo o Rio de Janeiro/ Estou morrendo de saudades/ Rio, seu mar/ Praia sem fim Rio, você foi feito pra mim/ Cristo Redentor/ Braços abertos sobre a Guanabara/ Este samba é só porque/ Rio eu gosto de você

Braços abertos sobre a Guanabara…

No meio do ano passado, ali durante a Copa do Mundo, no meio daquela confusão, quando começou a tomar corpo o noticiário a respeito das comemorações dos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro, eu tive uma ideia: fazer um guia com os 450 lugares que melhor representam a gastronomia carioca. Os grandes restaurantes, e os mais tradicionais, familiares, e mais pitorescos. Os botequins. Os bares. Os cafés, lanchonetes e casas de sucos. As sanduicherias. As sorveterias. Os empórios e delicatessens, as padarias. As comidas de rua. Uma ideia que acabou se encaixando perfeitamente em uma vontade que já cultivo há tempos: editar anualmente um guia dedicado à gastronomia do Rio. Mas, na correria do final de ano, um período atípico ainda mais que o normal, com o rescaldo da Copa do Mundo, as eleições e outros empecílhios, acabei abandonando o projeto, ainda mais neste momento de economia estagnada. Não havia tempo hábil. Parece exagero, mas planejar, produzir, executar, editar, revisar, imprimir, distribuir e começar a vender um livro é um trabalho gigantesco, que não cabe em sete ou oito meses – em condições normais de temperatura e pressão, ou seja, levando uma vida minimamente normal.
Abandonei o projeto, com certa tristeza, porque imaginei inicialmente que ele deveria ser lançado hoje, exatamente hoje, quando a cidade completa 450 anos de fundação. Como não daria tempo, entrou no rol daqueles trabalhos que a gente tanto queria fazer, mas que as condições não foram favoráveis. E ele ficou para lá. Acontece que sim, ele acabou sendo lançado hoje.
Porque é algo muito perverso com a gente mesmo desistir dos nossos sonhos, assim, nas primeiras dificuldades. Como acredito que a ideia é boa, e que o resultado pode ser muito bacana, e reeditado anualmente (em 2016, serão 451 lugares; em 2017, 452; em 2018, 453, e assim eternamento, desejo eu), resolvi arregaçar as mangas agora, e começar o guia 450 Sabores do Rio hoje, aqui mesmo neste blog. O guia nasce no ambiente digital, mas com vontade de virar livro. E também site. E aplicativo para celulares. E canal de vídeos. E muitos outros desdobramentos que andam povoando a minha imaginação, com ideias que me entusiasmam.
Então, este post de hoje é para apresentar o Guia Sabores do Rio, edição de aniversário. Uma seleção, mais que isso, um inventário, sentimental, observador e colaborativo, do que melhor de existe para se comer no Rio. Vamos eleger 450 lugares. E falar de seus pratos ou petiscos mais emblemáticos. Do ambiente, quando isso for importante. De seus personagens, caso sejam relevantes no contexto da casa.
Os posts sempre serão ilustrados com uma foto, e com um serviço completo, com endereço, telefone e site (com link, quando tiver).
Comentários e sugestões são sempre bem-vindos. De certo modo, vamos montar juntos esse guia. O cronograma é folgado, mas não tanto. A meta é concluir o projeto daqui a um ano, no dia 1° de março de 2016. Ou seja, temos um 365. Um post por dia, mais uns 85 dias com duas publicações. Um desafio e tanto. Vou tentar manter essa regularidade, de um post por dia, pelo menos. Mas possivelmente haverá dias que não conseguirei, compensando em seguida.
Nesses primeiros dias, vou me dedicar aos clássicos da cidade. A lista inicial não vai seguir ordem alfabética. Isso vou reservar para um post, onde estarão os lugares, de A a Z. Por aqui, vamos publicando por blocos temáticos. Ou, eventualmente, seguindo uma efeméride, ou ainda o noticiário, que coloque algum lugar em evidência. As novas casas, vamos testar. Podem entrar, ou não. Começamos com endereços tradicionais do Rio, e os pratos mais emblemáticos da cidade.

Ao longo do ano, podemos criar listas. Quais as melhores empadinhas do Rio? E o caldinho de feijão? Onde comer sardinhas na brasa? E codornas? Que restaurantes fecharam as portas que fazem mais falta? E o que mais a nossa imaginação permitir. Dez botecos com altares a São Jorge. Os melhores PFs da cidade. As melhores caipirinhas.

Os posts vão ser publicados aqui, dentro de uma categoria, 450 Sabores do Rio. E o blog continua a sua vida, em paralelo, com matérias sobre o Rio de Janeiro, restaurantes, viagens, vinhos, cervejas, cachaças e outras coisas gostosas.

Portugal de Norte a Sul: um passeio pelos vinhos do país, na Cavist

27/02/2015

Este ano começo a dar aulas e palestras de vinho regularmente, e de temas afins, como turismo e gastronomia, e cervejas. Em paralelo, vamos organizar, com diversos parceiros, eventos, almoços e jantares. E até viagens. Vou, por assim dizer, começar a diversificar os negócios, fazendo consultorias, montando cartas de bebidas e dando treinamentos.
Dizem que a propaganda é a alma do negócio. Então, vamos a ela. O trabalho começa no dia 9 de março, com uma aula sobre vinhos portugueses na Cavist de Ipanema. No dia 16, a aula se repete, na filial da Barra da Cavist. Os vinhos servidos serão representantes de cinco zonas vinícolas das mais importantes do país, mostrando a sua diversidade enológica em termos de uvas e estilos.
Serão eles:
- Vinhos Verdes – Quinta do Ameal
- Douro – Flor do Crasto Branco
- Dão – Vinhas Paz Colheita
- Alentejo – Anas Tinto – Herdade do Sobroso
- Porto – Taylor’s Selection
Custa R$ 170. E começa às 20h. Mais informações e reservas nos telefones 2123-7900 (Ipanema) e 2493-6161 (Barra)
Haverá outros, que já estou acertando, que irei divulgar aqui oportunamente (de certo, nos dias 4 e 5 de maio, na mesma Cavist, haverá degustação de Champanhe).

Para ampliar a imagem abaixo, para ver mais detalhes, basta clicar em cima.

image (1)

Degustação dos vencedores do Argentina Wine Awards: os meus cinco preferidos

15/02/2015
O Petit Verdot Mini Ediciones Remolinos Vineyard 2012, que venceu o prêmio de sua categoria (de US$ 30 a US$ 49,99), e também foi consagrado como o campeão entre as vinícolas de Mendoza

O Petit Verdot Mini Ediciones Remolinos Vineyard 2012, que venceu o prêmio de sua categoria (de US$ 30 a US$ 49,99), e também foi consagrado como o campeão entre as vinícolas de Mendoza, ao lado de outros vinhos premiados, e degustados

O que é ruim para o enófilo pode se converter em uma grande oportunidade para as importadoras de vinho. Com o fechamento da Ana Import, algumas bodegas deixaram de vender para o Brasil. Entre elas está a Decero, que tem uma linha consistente, a grande vencedora do Argentina Wine Awards 2015, com o seu belíssimo Petit Verdot Mini Ediciones Remolinos Vineyard 2012, que venceu o prêmio de sua categoria (de US$ 30 a US$ 49,99), e também foi consagrado como o campeão entre as vinícolas de Mendoza, a mais tradicional e relevante região produtora não só da Argentina, mas de toda a América Latina, e provavelmente de todo o Hemisfério Sul, com suas cerca de 1.400 bodegas (para efeito de comparação, o Chile tem 600, aproximadamente).
Além de ter alcançado a mais alta pontuação do certame enológico, a bodega também se destacou na degustação de dez dos vinhos vencedores do AWA. Eu, e meus três companheiros de viagem, em uníssimo, proclamamos o Petit Verdot Mini Ediciones Remolinos Vineyard 2012 o melhor da prova, que aconteceu na manhã seguinte à divulgação do resultado. Muita fruta, dominando os aromas, com cereja negra, amora, servindo de base para um bem integrado panorama de condimentos e uns defumados, tipo pão tostado, com ótima acidez e um corpo macio, sedoso, com final longo e agradável. Vinhaço mesmo.

O Casarena Single Vineyard Cabernet Sauvignon Owen's Vineyard 2012, ganhador de uma medalha de ouro

Os rótulos da Casarena destacam o vinhedo de origem das uvas: na foto acima falta o Single Vineyard Cabernet Sauvignon Owen’s Vineyard 2012, ganhador de uma medalha de ouro

Logo atrás, em minha preferência pessoal, ficou o Casarena Single Vineyard Cabernet Sauvignon Owen’s Vineyard 2012, ganhador de uma medalha de ouro (não um dos troféus). Um vinho com rótulo que adorei, destacando o vinhedo de onde saem as uvas (na noite anterior eu tinha provado quatro vinhos da casa, esses da foto acima, mas não o Owen’s Vineyard). Um vinho cheio de frescor, leve caramelado, com pimenta negra e um bom painel de frutinhas do bosque, de framboesas a mirtilos.

Em primeiro na fila, o Finca Sophenia Sophenia Synthesis The Blend 2011, completando o meu pódio. Um vinho elegante, de estilo clássico, com indisfarçável inspiração bordalesa

Em primeiro na fila, o Finca Sophenia Sophenia Synthesis The Blend 2011, completando o meu pódio. Um vinho elegante, de estilo clássico, com indisfarçável inspiração bordalesa

Outro grande destaque da degustação cimeira foi o Finca Sophenia Sophenia Synthesis The Blend 2011, completando o meu pódio. Um vinho elegante, de estilo clássico, com indisfarçável inspiração bordalesa, mas com DNA argentino, um corte de Malbec (65%), Cabernet Sauvignon (30%) e Merlot ( 5%), como se fosse nascido na margem direita da região francesa.

O Ruca Malén Sparkling Brut: "Belo trabalho com leveduras", resumiu Marcel Miwa

O Ruca Malén Sparkling Brut: “Belo trabalho com leveduras”, resumiu Marcel Miwa

Ocupando o o quarto posto na minha estima, o Ruca Malén Sparkling Brut, com perlage abundante, mas nem muito fina, com sabor de maçã vermelha com casca, um floral gostoso, com 24 meses de contato com as borras, que aparecem em notas bem integradas de panificação.
– Fizeram um belo trabalho com as leveduras neste vinho – muito bem resumiu Marcel Miwa, do Estadão, um impressionante degustador de vinhos, que avalia com precisão cada garrafa, resumindo suas virtudes e defeitos em poucas e sábias palavras, ótimo companheiro de taça, e com quem aprendi muito nesta viagem.

 O Proemio Reserve Cabernet Sauvignon 2013 (terceiro da esq. para dir.), ao lado de outros vinhos da bodega que chega ao Brasil no mês que vem. Vale a pena ficar de olho, até porque, os preços são interessantes

O Proemio Reserve Cabernet Sauvignon 2013 (terceiro da esq. para dir.), ao lado de outros vinhos da bodega que chega ao Brasil no mês que vem. Vale a pena ficar de olho, até porque, os preços são interessantes

Por fim, o Proemio Reserve Cabernet Sauvignon 2013, um vinho que já havia me chamado a atenção quando visitei a bodega, que logo logo estará chegando ao Brasil (disseram que em maio começam a ser vendidos). Bem bom mesmo. Condimentado, defumado, com taninos bem marcados e uma acidez nervosa, que vai lhe dar condições de muito melhorar nos próximos cinco anos, acho eu. Seco, com uma piracina interessante, que me lembrou ají amarelo, e boa expressão da fruta, com a madeira de qualidade bem integrada.
Dos dez vinhos provados, entre os vencedores, esses foram os cinco que mais gostei, e que recomendo com segurança. Pode beber. Se não gostar, me escreve reclamando. E, se gostar, pode mandar mensagem de agradecimento. ;-)

P.S. – Amanhã voltamos à programação normal, ainda falando sobre a Patagônia.

Os vencedores da nona edição do Argentina Wine Awards

14/02/2015
Os vencedores e jurados posam para a foto oficial após a premiação

Os vencedores e jurados posam para a foto oficial após a premiação

A Wines of Argentina, entidade de promoção dos vinhos do país, anunciou ontem à noite na bodega Trivento (que é chilena, da Concha y Toro) os vencedores da nona edição do Argentina Wine Awards, principal prêmio da enologia local. O resultado confirma o crescimento na qualidade da Cabernet Franc na terra da Malbec, e também aponta a Petit Verdot como uma uva com grande potencial, duas coisas que a gente já tinha percebido depois de dez dias de viagem, período no qual já degustamos aproximadamente 250 vinhos.
Alguns dos rótulos vencedores nós já provamos durante a viagem, como o Numina Cabernet Franc, desta bodega bem conhecida no Brasil, e o Proemio Reserve Cabernet Sauvignon, de uma vinícola que chega às nossas prateleiras no mês que vem. Os outros, e esses também, vamos degustar daqui a pouco, numa degustação dirigida, com os vinhos premiados.
No total, foram 671 amostras de 137 bodegas diferentes, avaliadas por 12 juradas, já que esta edição tinha como tema “O apoderamento da mulher no vinho”.
Os vinhos são divididos em categorias de preço, e desde o ano passado, também há premiações para cada uma das regiões vitivinícolas do país: Salta, San Juan, Mendoza e Patagônia.
– Nós queremos federalizar o prêmio – disse a presidente da Wines of Argentina, Suzana Balbo.

De US$ 20 a US$ 29,99 – Ruca Malén Sparkling Brut

De US$ 6,90 a US$ 12,99 – Finca La Escondida Reserva Chadonnay 2014, da Bodegas La Rosa

De US$ 30 a US$ 49,99 – Salentein Single vineyard Chardonnay 2012

De US$ 30 a US$ 49,99 – Cadus Single Vineyard Finca Las Tortugas Bonarda 2013

De US$ 13 a US$ 19,99 – Septima Obra Malbec 2012

De US$ 20 a US$ 29,99 – Finca Las Divas Quinto Malbec 2013, da Riglos

De US$ 30 a US$ 49,99 – Casarena Single Vineyard Jamilla’s Vineyard Perdrirl Mslbec 2012

Mais de US$ 50 – Família Zuccardi Aluvional Vista Flores Malbec 2012

De US$ 30 a US$ 49,99 – Finca Decero Mini Ediciones Petit Verdot Remolinos Vineyard 2012

De US$ 20 a US$ 29,99 – La Mascota Cabernet Franc 2013, da Bodegas Santa Ana

De US$ 30 a US$ 49,99 – Salentein Numina Cabernet Franc 2012

De US$ 13 a US$ 19,99 – Proemio Reserve Cabernet Sauvignon 2013

De US$ 30 a US$ 49,99 – Serie Fincas Notables Tannat 2012 – El Esteco

Mais de US$ 50 – Sophenia Synthesis The Blend 2011

E agora, os prêmios locais, com os vinhos com pontuação mais alta em cada região.
Salta – Serie fincas Notables – bodegas El Esteco

Mendoza – Decero Mini Ediciones Petit Verdot Remolinos Vineyard 2012 (Era da Ana Import, e agora estão procurando importador: fica a dica)

San Juan – Santiago Graffigna 2011

Patagônia – Bodegas del Fin del Mundo Special Blend 2010

Casa Valduga vai lançar quatro rótulos e cerveja:

06/02/2015

Cervejas da Casa Valduga
Sabe aquele ditado que diz “Se não pode vencê-los, junte-se a eles “? Pois é.
O mercado de cervejas especiais no Brasil teve um crescimento brutal nos últimos anos. E o pessoal do vinho está de olho nisso, acompanhando de perto esse movimento. O que eu não esperava era que uma das maiores vinícolas do país fosse lançar uma cerveja. Mas vai. Não uma, mas quatro, logo de uma vez. E virão mais depois.
Em breve chega às prateleiras do Brasil quatro rótulos que vão ser lançados pela Casa Valduga: uma Strong Ale, uma Witbier, uma Weiss e uma Ipa.
Fico imaginando as possibilidades. Fazer cervejas maturadas em barricas de carvalho usadas, e tentar a produção de sour, com vinho e uvas etc etc etc.
Pelo que escutei falar, a meta é produzir nada menos que 20 milhões de garrafas ao ano. Curioso para provar. Parece que comparam uma cervejaria no Rio Grande do Sul.

P.S. – Só peço desculpas pela qualidade da foto, reprodução de um slide.

 

Casa Carandaí lança linhas de produtos: tem desde goiabada cascão mineira até os grissini do Lorenzo Bistrô

03/02/2015

A Casa Carandaí abriu as portas há quase três anos. E eu aplaudi. Não pela inauguração de um simpático espaço, misto de padaria, delicatessen, café e loja de vinhos. Eu não contive o entusiasmo com a novidade por conta dos queijos. Pela primeira vez no Rio de Janeiro poderíamos comprar regularmente alguns exemplares mineiros, proibidos de serem comercializados fora de Minas Gerais, por serem feitos com leite cru, um efeito de nossas leis, que regular o setor alimentício, favorecido a indústria em detrimento dos pequenos produtos. João Luiz Garcia, o Janjão, quando criou a Casa Carandaí, teve coragem de enfrentar a tal lei. E passou a vender os queijos. Em minha opinião, ele foi – junto com algumas outras pessoas, e da pressão de vários grupos ligados à gastronomia – um dos responsáveis pelas mudanças que essas leis andam recebendo.

Casa Carandaí 3
Novamente a Casa Carandaí e Minas Gerais se encontram, para a nossa alegria. Agora, em forma de goiabada cascão, das melhores que já provei, cremosa, não muito doce, com as sementinhas crocantes. Show. Melhor ainda com um bom queijo mineiro, ou quem sabe – como fiz – com uma linda colherada do queijo de ovelha curado (feito na estilo Serra da Estrela) da Quinta da Pena, no Vale das Videiras (não conhece? Vá correndo comprar).
– Eu fui lá, conheci a produtora. Tudo muito simples e artesanal, mas com aquele cuidado com a escolha dos ingredientes, e com o preparo, que faz toda a diferença. Fiz alguns ajustes na receita com eles. Está vendendo muito, um sucesso desde que começamos a fazer os testes com o público – conta Janjão.
Também de Minas Gerais chega uma outra joia da doçaria de tacho típica dos interiores do Brasil: uma bananada com canela e um toque de cravo. Também cremosa e não tão doce.
Além desses, há outros produtos pinçados de pequenos produtores, como diversos tipos de castanha (são mais de 20, de castanha de caju a macadâmia, passando por amendoim caramelado, amêndoas defumadas, amêndoas laminadas, grão de bico torrado, nozes, pecan, damasco e pistache.). Esses integram a chamada linha “Seleção da Casa”, com itens escolhidos por Janjão, em parceria com a sua filha Mariana, minha colega de faculdade, aliás, quem cuidou do desenvolvimento da marca (e não é porque ela é minha amiga, mas está linda).
O xodó da família Garcia, porém, são os produtos de fabricação própria. Entre eles o famoso grissini, do vizinho Lorenzo Bistrô, que também pertence a eles, além de pães da padaria. Tem mini-cachorro quente, almofadinho com queijo mineiro curado… Foram devidamente provados e aprovados. Esses aí integram a linha “Produtos Feitos na Casa”.

Casa Carandaí 1

No mais, é isso: a Casa Carandaí continua a ser um dos melhores lugares do Rio para um café da manhã. Como não amar torradinhas fresquinhas com ovos mexidos e suco de melancia?

 

Casa Carandaí 2

E esse misto quente?

Casa Carandaí 4

Os produtos já estão sendo vendidos há algumas semanas, mas o lançamento oficial é no próximo sábado, lá mesmo na Casa Carandaí, onde encontramos ainda este belo lustre feito com nobres garrafas.

SERVIÇO: Casa Carandaí – Rua Lopes QuintaS 165, Jardim Botânico. Tel.: (21) 3114-0179. http://www.casacarandai.com.br/

 

E o Adegão Português chega a Ipanema em abril (que bom!)

31/01/2015
Arroz de pato (esq.) e de arroz de cabrito, especialidades do Adegão Português, que chega à Zona Sul com a inauguração de uma filial em Ipanema, em abril

Arroz de pato (esq.) e de arroz de cabrito, especialidades do Adegão Português, que chega à Zona Sul com a inauguração de uma filial em Ipanema, em abril

 

Interrompo a série de posts sobre Lima, que aliás está próxima do fim, para uma edição extraordinária deste blog. A notícia é da maior relevância. Neste ano de 2015 que promete ser agitado na gastronomia do Rio, com várias inaugurações (Formidabile Bistrot, de Pedro de Artagão, por exemplo) e eventos (Guia Michelin, Sirha) previstos, mais uma bela novidade para os cariocas. Sabe aquele prédio de três andares (ou quatro?) na esquina da Rua Barão da Torre com a Vinícius de Morais, em Ipanema? Pois o imóvel vai abrir uma filial do Adegão Português. Jamais vou abandonar a minha querida matriz, em São Cristóvão, mas saber que a poucas quadras de minha casa vou poder encontrar aquele cozido, aquele leitão, aquele polvo, aqueles bacalhaus, e todos os arrozes, o de coelho, o de pato…

Bacalhau à lagareiro, um clássico da casa

Bacalhau à lagareiro, um clássico da casa

Que bela novidade! A inauguração está prevista para o final de abril.
O cardápio terá todos os clássicos, e alguns pratos novos, como o bacalhau Maria Conceição (em lascas, assado no forno sobre cebola e tomate, com queijo parmesão e regado com molho de camarão e alho poró no azeite, e servido com batatas ao murro.
Amanhã continuamos a nossa programação normal, com um post sobre um linda exposição com fotos da fauna marina, que vi no shopping Larcomar, em Lima.

Katia Barbosa, do Aconchego Carioca, anuncia mais uma novidade: será o bar Calango, na Praça da Bandeira

20/12/2014

“As pessoas sempre chegam para mim dizendo que sou um cara de sorte. Que viajo, bebo os melhores vinhos e cervejas, como nos melhores restaurantes, e ainda sou pago para isso. Nem gosto de rebater dizendo que é tudo trabalho, que existem mil e uma obrigações etc etc etc. Digo apenas que a pessoa não entende mesmo o que faz o meu trabalho algo realmente interessante para quem, como eu, gosta de viajar, comer e beber. O que me faz sentir privilegiado são as pessoas que eu conheço. Viajar, comer e beber bem todo mundo pode. Se for caro, basta pagar. Se for longe, basta ir até lá. Se for um segredinho, basta ter boas fontes. Mas estar com pessoas como o Mikkel Borg Bjergsø… E ainda beber umas cervejas com ele…Isso não tem preço. Isso é que o que me faz trabalhar com um puta tesão, e agradecer por esse privilégio
https://riodejaneiroadezembro.wordpress.com/2014/12/07/um-dia-em-copenhague-de-uma-cerveja-com-mikkel-borg-bjergso-da-mikkeller-ate-um-jantar-no-relae/”
Foi com este texto que eu apresentei o post sobre um dia que passei em Copenhague. Resolvi reaproveitá-lo. Porque ele serve para falar sobre outras pessoas que a vida profissional e o apreço pelos prazeres de se compartilhar bons momentos à mesa me trouxeram. A Katia Barbosa, do Aconchego Carioca. Ela como capitã de um time de amigos que está incluído no pacote: sua filha Bianca, sua sócia Rosa, a “família Bar da Frente”, Valéria, mãe, Mariana, a filha; e mais os outros agregados, o Kadu Tomé, do Bracarense, e fotógrafo Berg Silva, minha amiga e ex-companheira de O Globo, a Marcella Sobral, e tanta gente legal. Um privilégio estar entre eles.
Especialmente quando se aproxima o Natal, e uma celebração das mais deliciosas e divertidas acontece na casa da rua Barão de Iguatemi. É a noite do Perupatolinha, cuja última edição, em dezembro de 2012, eu já relatei neste blog (para ler, clique aqui).
Mas vou resumir. Perupatolinha é a versão brasileira de uma receita típica dos Estados Unidos, para lá de doida, e até exagerada, como de fato gostam os americanos. Por lá, chama-se turducken (aglutinação de turkey, duck and chicken). Isso mesmo. Trata-se de um peru, recheado com um pato, e ambos recheados com um frango. O desafio foi lançado pela minha amiga querida Kamille Viola, jornalista de O Dia. E a Katia topou fazer. O trio de aves formando quase um rocambole vai ao forno. No nosso caso, com batatas, que absorvem os caldos do cozimento, ganhando sabor e textura cremosa. Para dar um tempero brasieiro, uma farofinha untuosa e rica, com um toque de passas brancas.
Pois ontem foi a noite do Perupatolinha. Um programa que eu classifico como “o único evento imperdível no meu calendário”. E foi aquela farra de sempre.

Aconchego Carioca 1 - almofadinha de queijo
Os petiscos celestiais foram fazendo afagos no estômago. E a cerveja da casa, a Electra (que também foi assunto de post) ia molhando a goela. E esta almofadinha de queijo, com sua delicada massa de tapioca, regada com a pimenta Samba do Crioulo Doido, bem forte, um perigo, foi um dos pratinhos compartilhados pela turma.
E é sempre nessas horas que acabamos tendo acessos a informações em primeira mão. Foi assim, só para ficar no ambiente do Aconchego, quando revelamos que a Katia Barbosa queria abrir um boteco com comida brasileira (para ler, clique aqui). Ela falava do Comedoria, que também fomos um dos primeiros a ir conferir: para ler, clique aqui (post que, aliás, está bombando, com centenas de acessos por dia, que chegam via ferramentas de pesquisa como o Google). Agora, temos outra novidade em primeira mão. No começo do ano que vem, talvez em fevereiro, talvez em março, abre as portas ali pertinho, também na Praça da Bandeira, mais uma casa da chef. Vai se chamar Calango, e terá cardápio de sanduíches.
– Vão ser sanduíches brasileiros. Carne assada, pernil. Vou fazer de carne-seca com cebola. Porcoburger, cachorro-quente. Quero cobrar preços legais. Tipo entre R$ 10 e R$ 15. O lugar é pequeno, e as mesas e cadeiras serão feitos com latões. Tudo muito simples – adianta Katia Barbosa, que vai reverter metade da renda do lugar para projetos sociais. – Vou doar para entidades que já trabalhamos, como o projeto Gastromotiva – diz.
A farra rolou no pátio, e chegou a chuviscar, dando um alívio no calor. Enquanto a boa música embalava as conversas idem, o povo ia chegando.

Aconchego Carioca 2 - katia e bianca
A estrela da noite foi servida por mãe e filha, para delírio dos paparazzi. Mas voltou pro forno, ainda precisava de mais tempo.
Mais bolinhos, Electras…

Aconchego Carioca 7 - Perupatolinha

… e chega o Perupatolinha, desta vez no ponto.

Aconchego Carioca 6 - Perupatolinha

E a turma foi ao delírio. Repare nas três carnes. A de pato, no meio, mais escura, no ponto, ainda ligeiramente sangrenta, e extremamente macia.
E a bagunça, que começou às 19h, chegou ao fim pouco depois das duas da madrugada. Uma bela festinha de despedida e confraternização. E que, de quebra, ainda nos deu uma notícia em primeira mão. Alguém por acaso duvida que o Calango será um sucesso?
Eu, não.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.

Comedoria: novo bar de Katia Barbosa abre as portas no Leblon pronto para o verão carioca

10/12/2014

Comedoria 3
Vou interromper a série sobre Copenhague para dar uma notícia extraordinária, de interesse geral da nação carioca, e – por que não? – brasileira. É novidade fresquinha, e pra lá de promissora.
Abriu as portas na quinta-feira passada o bar Comedoria, nova jogada da craque Katia Barbosa, do Aconchego Carioca, seguramente uma das novidades mais aguardadas do ano na gastronomia do Rio de Janeiro.

Comedoria 1
O Comedoria é o casamento de dois ícones da cidade: o bar Belmonte, de Antônio Rodrigues, e o Aconchego Carioca da Katia Barbosa, que agora chega ao Leblon: o restaurante fica na rua Rainha Guilhermina, na quadra da praia, na esquina com a General San Martin. E desde já se apresenta como uma das melhores pedidas para aquela tão gostosa botecada pós-praia que tanto o carioca gosta.

Comedoria 4
Meu voo de Copenhague chegou ao Rio às 19h30. Saí rapidamente do aeroporto, cheguei em casa, tomei um belo e reconfortante banho frio, e parti para lá, para conhecer a novidade. Não só por ser um bar novinho em folha, e por ter a comida da Katia. Mas também porque eu cheguei com fome de cozinha brasileira. Smorrebrod é muito bom, eu adoro salsichas, cachorro-quente e hambúrguer, mas andava com saudades dos nossos quitutes. Muita saudade.

Comedoria 2
O lugar é arejado, janelões de vidro com cortininhas, uns tecidos pendentes do teto, mesas típicas de botequim cobertas toalhas de papel, daquelas pro povo desenhar, cadeiras de madeira. No fundo, o bar, com as geladeiras de portas de vidro exibindo as cervejas. Pra beber, a propósito, o foco são as cervejas e as cachaças.

Comedoria 6

Fotos em uma parede relembram momentos da Katia com outras colegas de profissão.
Do Aconchego Carioca, o único prato que faz parte do menu são os bolinhos de feijoada, um dos acepipes mais celebrados do Brasil na última década (e não sem razão).
Da cozinha saem pratos que viajam pela cozinha brasileira, mas tratados com a costumeira verve criativa da Katia, prestando homenagens a chefs de todo o Brasil. Tem o jiló do Claude. E se vinho, Thomas Troisgros, é homenageado com o sanduíche de barriga de porco na cebola puxada na cerveja escura, sua bebida preferida. Já o paraibano Onildo Rocha foi a fonte de inspiração para a criação do nhoque de veijão verde, enquanto Alex Atala é o cara de um prato que todo mundo faz em casa, mas que nunca vi em restaurante: feijão com macarrão.
Candidato a estrela é o camarão no coco com purê de baroa. E a rabada prensada com agrião (homenagem ao chef Paulão). No final deste post, deixo o cardápio da casa, e basta clicar na foto para ela abrir em tamanho maior e legível.

Comedoria 7
A Katia cuidou com carinho do menu, criado ao longo dos últimos meses, quando ela anunciou (neste post aqui) este novo projeto, inclusive já usando a palavra “comedoria”. Sua mão certeira para criar bolinhos resultou em outra bênção: o de rabada. Foi a minha primeira – e certeira – pedida.

Comedoria 8
O bolinho é sequinho, e denso, com a carne desfiada. Comer este croquete de rabo de boi, sozinho, é bom. Mas ele só alcança mesmo grau de excelência quando usamos um poderoso recurso servido ao lado: é o glorioso vinagrete de banana, que dá grandeza e profundidade ao prato, com o seu caráter agridoce, o que fica ainda (muito) melhor se regado com a (boa) pimenta da casa, que está sobre todas as mesas.

Comedoria 10
Depois, fui no sanduíche que homenageia Thomas Troisgros, que tinha um naco de barriga de porco coberta com cebola ligeiramente caramelizada na cerveja Therezópolis Ebenholz. Carne deliciosa, e a cebolano ponto certo. Boa comunhão entre eles. Mas o sanduíche estaria um pouco melhor se o pão tivesse sido levemente tostado, ganhando aquela casquinha mais dura e queimadinha, como manda o figurino dos melhores hambúrgueres, e assim o miolo não teria ficado encharcado e mole como ficou. Mas em termos de sabor, nota 10. Simples e delicioso.
Para acompanhar, pedi, é claro, a própria Therezópolis Ebenholz, uma bela cerveja escura, no estilo, Munich Dunkel, e não poderia mesmo haver melhor pedida para este sanduba suíno.
Logo antes de chegar o sanduíche e a cerveja, avistei o Fabio Codeço, da Veja Rio. E acabei me sentando ao lado dele. Ele provou metade do meu sanduíche. E eu pude dar um confere em dois dos seus pedidos. Um chamado cápsulas de aipim com queijo, brilhante bolinho em formato coquetel, pra gente comer como se fosse pipoca. Foi difícil ser educado e não ficar petiscando na mesa do amigo até aquilo terminar.
Ao menos, ao lado havia o bolinho de moqueca (homenagem ao chef Juarez Campos), outra bela sacada da Katia, petisco que eu vislumbro ter um futuro brilhante pela frente.
Pedi licença. Porque me deu uma baita vontade de ir até o Herr Pfeffer, ali perto, na rua Conde Bernardotte. Tipo intuição.

Mikkeller

Chegando lá, encontro amigos, como o Fabio Santos e o Cadinha. Papo ótimo, muita Dinamarca no assunto. Acabei provando, entre outras coisas, como sempre acontece por lá, cervejas que eu ainda não conhecia, como as que a Mikkeller (para ler o post sobre esta cervejaria, clique aqui) fez exclusivamente para o mercado brasileiro, esta bela APA com brett, fresca e perfumada, com este rótulo simpático, braços abertos sobre a Guanabara.
Cheguei com tudo. E o Comedoria também. Vida longa e ele. E que esse interesse do Mikkeller pelo Brasil, e do Brasil pelas cervejas mais azedinhas, e de fermentação espontânea, como muitas das que ele faz, também permaneçam crescendo.
Amanhã voltamos à Dinamarca, para o último dia dessa viagem deliciosamente fria e cervejeira. E depois continuamos com a nossa programação normal. Ou seja, Rio de Janeiro, viagens, bares e restaurantes, vinhos e cervejas, praias e montanhas, cidades e roças.

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Agora, o cardápio (clique na foto para ampliar).

Comedoria - menu 1

Da cozinha.

Comedoria - menu 2

E do bar.

 

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.

 

Suco de cevada: ele existe, e parece melado de cana

05/12/2014

Você já bebeu suco de cevada? Mas, não, não falo de cerveja, ou alguma bebida outra bebida alcoólica. Na verdade, o nome oficial é suco de malte. Mas, se o malte é de cevada, por consequência… É suco de cevada. Não conhecia o produto, que faz muito sucesso em países africanos (e onde há colônias expressivas de imigrantes do continente), principalmente, e também no Caribe, na Colômbia e na Venezuela , onde é usado como energético. Fui apresentado a ele ontem, numa visita à fábrica da cerveja Faxe, na cidade de mesmo nome, a cerca de uma hora de Copenhague.

Faxe 3
Um dos rótulos tem DNA bem brasileiro: é o Vita Malt Plus, feito com açaí, guaraná e aloe vera. Em tempo: açaí eles chamam de acai, sem o cedilha e o acento.

Faxe 5

Além desse, provei outro, o Supermalt Original, a versão clássica, o que valeu mesmo pela curiosidade: não é um produto para o meu bico. Muito doce e viscoso, lembra melado. Eu não bebo melado, mas acho que na cozinha é algo que pode ser usado com sucesso. Mas não imagino que algum dia seja algo que vá chegar ao Brasil.

Faxe 2
O que vai chegar ao Brasil, em março, é um lançamento mundial da marca, uma Witbier que segue o estilo clássico, com coentro e casca de laranja, de olho no gosto do brasileiro por este estilo, que aliás tem tudo a ver com o nosso clima, e que tão bem combina com mariscos, de uma maneira geral, e com receitas asiáticas picantes da cozinha asiática feitas com pescados.
– O Brasil é visto por nós como um mercado-chave. E depois de avaliar a resposta lá, o produto pode ir para outros lugares. Mas o lançamento é exclusividade do Brasil. Identificamos essa necessidade no país -conta Jan Ankersen, responsável pela área de exportação da Unibrew, dona da Faxe.
A cerveja será vendida na tradicional lata de um litro, marca registrada da Faxe, que capricha no desenho.
– A marca voltou ao país a partir de 2010 quando eles viram que uma garrafa vazia era vendida no Mercado Livre por R$ 30, já que sempre são feitas edições especiais, artísticas, e que viram objeto de coleção – completa Paulo André Pomerantzeff, gerente da marca Faxe no Brasil.
Porque quando o assunto é cerveja, a beleza também é fundamental. Quem nunca comprou uma cerveja (ou vinho) só porque simpatizou com a embalagem?


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