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Os vencedores da nona edição do Argentina Wine Awards

14/02/2015
Os vencedores e jurados posam para a foto oficial após a premiação

Os vencedores e jurados posam para a foto oficial após a premiação

A Wines of Argentina, entidade de promoção dos vinhos do país, anunciou ontem à noite na bodega Trivento (que é chilena, da Concha y Toro) os vencedores da nona edição do Argentina Wine Awards, principal prêmio da enologia local. O resultado confirma o crescimento na qualidade da Cabernet Franc na terra da Malbec, e também aponta a Petit Verdot como uma uva com grande potencial, duas coisas que a gente já tinha percebido depois de dez dias de viagem, período no qual já degustamos aproximadamente 250 vinhos.
Alguns dos rótulos vencedores nós já provamos durante a viagem, como o Numina Cabernet Franc, desta bodega bem conhecida no Brasil, e o Proemio Reserve Cabernet Sauvignon, de uma vinícola que chega às nossas prateleiras no mês que vem. Os outros, e esses também, vamos degustar daqui a pouco, numa degustação dirigida, com os vinhos premiados.
No total, foram 671 amostras de 137 bodegas diferentes, avaliadas por 12 juradas, já que esta edição tinha como tema “O apoderamento da mulher no vinho”.
Os vinhos são divididos em categorias de preço, e desde o ano passado, também há premiações para cada uma das regiões vitivinícolas do país: Salta, San Juan, Mendoza e Patagônia.
– Nós queremos federalizar o prêmio – disse a presidente da Wines of Argentina, Suzana Balbo.

De US$ 20 a US$ 29,99 – Ruca Malén Sparkling Brut

De US$ 6,90 a US$ 12,99 – Finca La Escondida Reserva Chadonnay 2014, da Bodegas La Rosa

De US$ 30 a US$ 49,99 – Salentein Single vineyard Chardonnay 2012

De US$ 30 a US$ 49,99 – Cadus Single Vineyard Finca Las Tortugas Bonarda 2013

De US$ 13 a US$ 19,99 – Septima Obra Malbec 2012

De US$ 20 a US$ 29,99 – Finca Las Divas Quinto Malbec 2013, da Riglos

De US$ 30 a US$ 49,99 – Casarena Single Vineyard Jamilla’s Vineyard Perdrirl Mslbec 2012

Mais de US$ 50 – Família Zuccardi Aluvional Vista Flores Malbec 2012

De US$ 30 a US$ 49,99 – Finca Decero Mini Ediciones Petit Verdot Remolinos Vineyard 2012

De US$ 20 a US$ 29,99 – La Mascota Cabernet Franc 2013, da Bodegas Santa Ana

De US$ 30 a US$ 49,99 – Salentein Numina Cabernet Franc 2012

De US$ 13 a US$ 19,99 – Proemio Reserve Cabernet Sauvignon 2013

De US$ 30 a US$ 49,99 – Serie Fincas Notables Tannat 2012 – El Esteco

Mais de US$ 50 – Sophenia Synthesis The Blend 2011

E agora, os prêmios locais, com os vinhos com pontuação mais alta em cada região.
Salta – Serie fincas Notables – bodegas El Esteco

Mendoza – Decero Mini Ediciones Petit Verdot Remolinos Vineyard 2012 (Era da Ana Import, e agora estão procurando importador: fica a dica)

San Juan – Santiago Graffigna 2011

Patagônia – Bodegas del Fin del Mundo Special Blend 2010

Casa Valduga vai lançar quatro rótulos e cerveja:

06/02/2015

Cervejas da Casa Valduga
Sabe aquele ditado que diz “Se não pode vencê-los, junte-se a eles “? Pois é.
O mercado de cervejas especiais no Brasil teve um crescimento brutal nos últimos anos. E o pessoal do vinho está de olho nisso, acompanhando de perto esse movimento. O que eu não esperava era que uma das maiores vinícolas do país fosse lançar uma cerveja. Mas vai. Não uma, mas quatro, logo de uma vez. E virão mais depois.
Em breve chega às prateleiras do Brasil quatro rótulos que vão ser lançados pela Casa Valduga: uma Strong Ale, uma Witbier, uma Weiss e uma Ipa.
Fico imaginando as possibilidades. Fazer cervejas maturadas em barricas de carvalho usadas, e tentar a produção de sour, com vinho e uvas etc etc etc.
Pelo que escutei falar, a meta é produzir nada menos que 20 milhões de garrafas ao ano. Curioso para provar. Parece que comparam uma cervejaria no Rio Grande do Sul.

P.S. – Só peço desculpas pela qualidade da foto, reprodução de um slide.

 

Casa Carandaí lança linhas de produtos: tem desde goiabada cascão mineira até os grissini do Lorenzo Bistrô

03/02/2015

A Casa Carandaí abriu as portas há quase três anos. E eu aplaudi. Não pela inauguração de um simpático espaço, misto de padaria, delicatessen, café e loja de vinhos. Eu não contive o entusiasmo com a novidade por conta dos queijos. Pela primeira vez no Rio de Janeiro poderíamos comprar regularmente alguns exemplares mineiros, proibidos de serem comercializados fora de Minas Gerais, por serem feitos com leite cru, um efeito de nossas leis, que regular o setor alimentício, favorecido a indústria em detrimento dos pequenos produtos. João Luiz Garcia, o Janjão, quando criou a Casa Carandaí, teve coragem de enfrentar a tal lei. E passou a vender os queijos. Em minha opinião, ele foi – junto com algumas outras pessoas, e da pressão de vários grupos ligados à gastronomia – um dos responsáveis pelas mudanças que essas leis andam recebendo.

Casa Carandaí 3
Novamente a Casa Carandaí e Minas Gerais se encontram, para a nossa alegria. Agora, em forma de goiabada cascão, das melhores que já provei, cremosa, não muito doce, com as sementinhas crocantes. Show. Melhor ainda com um bom queijo mineiro, ou quem sabe – como fiz – com uma linda colherada do queijo de ovelha curado (feito na estilo Serra da Estrela) da Quinta da Pena, no Vale das Videiras (não conhece? Vá correndo comprar).
– Eu fui lá, conheci a produtora. Tudo muito simples e artesanal, mas com aquele cuidado com a escolha dos ingredientes, e com o preparo, que faz toda a diferença. Fiz alguns ajustes na receita com eles. Está vendendo muito, um sucesso desde que começamos a fazer os testes com o público – conta Janjão.
Também de Minas Gerais chega uma outra joia da doçaria de tacho típica dos interiores do Brasil: uma bananada com canela e um toque de cravo. Também cremosa e não tão doce.
Além desses, há outros produtos pinçados de pequenos produtores, como diversos tipos de castanha (são mais de 20, de castanha de caju a macadâmia, passando por amendoim caramelado, amêndoas defumadas, amêndoas laminadas, grão de bico torrado, nozes, pecan, damasco e pistache.). Esses integram a chamada linha “Seleção da Casa”, com itens escolhidos por Janjão, em parceria com a sua filha Mariana, minha colega de faculdade, aliás, quem cuidou do desenvolvimento da marca (e não é porque ela é minha amiga, mas está linda).
O xodó da família Garcia, porém, são os produtos de fabricação própria. Entre eles o famoso grissini, do vizinho Lorenzo Bistrô, que também pertence a eles, além de pães da padaria. Tem mini-cachorro quente, almofadinho com queijo mineiro curado… Foram devidamente provados e aprovados. Esses aí integram a linha “Produtos Feitos na Casa”.

Casa Carandaí 1

No mais, é isso: a Casa Carandaí continua a ser um dos melhores lugares do Rio para um café da manhã. Como não amar torradinhas fresquinhas com ovos mexidos e suco de melancia?

 

Casa Carandaí 2

E esse misto quente?

Casa Carandaí 4

Os produtos já estão sendo vendidos há algumas semanas, mas o lançamento oficial é no próximo sábado, lá mesmo na Casa Carandaí, onde encontramos ainda este belo lustre feito com nobres garrafas.

SERVIÇO: Casa Carandaí – Rua Lopes QuintaS 165, Jardim Botânico. Tel.: (21) 3114-0179. http://www.casacarandai.com.br/

 

E o Adegão Português chega a Ipanema em abril (que bom!)

31/01/2015
Arroz de pato (esq.) e de arroz de cabrito, especialidades do Adegão Português, que chega à Zona Sul com a inauguração de uma filial em Ipanema, em abril

Arroz de pato (esq.) e de arroz de cabrito, especialidades do Adegão Português, que chega à Zona Sul com a inauguração de uma filial em Ipanema, em abril

 

Interrompo a série de posts sobre Lima, que aliás está próxima do fim, para uma edição extraordinária deste blog. A notícia é da maior relevância. Neste ano de 2015 que promete ser agitado na gastronomia do Rio, com várias inaugurações (Formidabile Bistrot, de Pedro de Artagão, por exemplo) e eventos (Guia Michelin, Sirha) previstos, mais uma bela novidade para os cariocas. Sabe aquele prédio de três andares (ou quatro?) na esquina da Rua Barão da Torre com a Vinícius de Morais, em Ipanema? Pois o imóvel vai abrir uma filial do Adegão Português. Jamais vou abandonar a minha querida matriz, em São Cristóvão, mas saber que a poucas quadras de minha casa vou poder encontrar aquele cozido, aquele leitão, aquele polvo, aqueles bacalhaus, e todos os arrozes, o de coelho, o de pato…

Bacalhau à lagareiro, um clássico da casa

Bacalhau à lagareiro, um clássico da casa

Que bela novidade! A inauguração está prevista para o final de abril.
O cardápio terá todos os clássicos, e alguns pratos novos, como o bacalhau Maria Conceição (em lascas, assado no forno sobre cebola e tomate, com queijo parmesão e regado com molho de camarão e alho poró no azeite, e servido com batatas ao murro.
Amanhã continuamos a nossa programação normal, com um post sobre um linda exposição com fotos da fauna marina, que vi no shopping Larcomar, em Lima.

Katia Barbosa, do Aconchego Carioca, anuncia mais uma novidade: será o bar Calango, na Praça da Bandeira

20/12/2014

“As pessoas sempre chegam para mim dizendo que sou um cara de sorte. Que viajo, bebo os melhores vinhos e cervejas, como nos melhores restaurantes, e ainda sou pago para isso. Nem gosto de rebater dizendo que é tudo trabalho, que existem mil e uma obrigações etc etc etc. Digo apenas que a pessoa não entende mesmo o que faz o meu trabalho algo realmente interessante para quem, como eu, gosta de viajar, comer e beber. O que me faz sentir privilegiado são as pessoas que eu conheço. Viajar, comer e beber bem todo mundo pode. Se for caro, basta pagar. Se for longe, basta ir até lá. Se for um segredinho, basta ter boas fontes. Mas estar com pessoas como o Mikkel Borg Bjergsø… E ainda beber umas cervejas com ele…Isso não tem preço. Isso é que o que me faz trabalhar com um puta tesão, e agradecer por esse privilégio
https://riodejaneiroadezembro.wordpress.com/2014/12/07/um-dia-em-copenhague-de-uma-cerveja-com-mikkel-borg-bjergso-da-mikkeller-ate-um-jantar-no-relae/”
Foi com este texto que eu apresentei o post sobre um dia que passei em Copenhague. Resolvi reaproveitá-lo. Porque ele serve para falar sobre outras pessoas que a vida profissional e o apreço pelos prazeres de se compartilhar bons momentos à mesa me trouxeram. A Katia Barbosa, do Aconchego Carioca. Ela como capitã de um time de amigos que está incluído no pacote: sua filha Bianca, sua sócia Rosa, a “família Bar da Frente”, Valéria, mãe, Mariana, a filha; e mais os outros agregados, o Kadu Tomé, do Bracarense, e fotógrafo Berg Silva, minha amiga e ex-companheira de O Globo, a Marcella Sobral, e tanta gente legal. Um privilégio estar entre eles.
Especialmente quando se aproxima o Natal, e uma celebração das mais deliciosas e divertidas acontece na casa da rua Barão de Iguatemi. É a noite do Perupatolinha, cuja última edição, em dezembro de 2012, eu já relatei neste blog (para ler, clique aqui).
Mas vou resumir. Perupatolinha é a versão brasileira de uma receita típica dos Estados Unidos, para lá de doida, e até exagerada, como de fato gostam os americanos. Por lá, chama-se turducken (aglutinação de turkey, duck and chicken). Isso mesmo. Trata-se de um peru, recheado com um pato, e ambos recheados com um frango. O desafio foi lançado pela minha amiga querida Kamille Viola, jornalista de O Dia. E a Katia topou fazer. O trio de aves formando quase um rocambole vai ao forno. No nosso caso, com batatas, que absorvem os caldos do cozimento, ganhando sabor e textura cremosa. Para dar um tempero brasieiro, uma farofinha untuosa e rica, com um toque de passas brancas.
Pois ontem foi a noite do Perupatolinha. Um programa que eu classifico como “o único evento imperdível no meu calendário”. E foi aquela farra de sempre.

Aconchego Carioca 1 - almofadinha de queijo
Os petiscos celestiais foram fazendo afagos no estômago. E a cerveja da casa, a Electra (que também foi assunto de post) ia molhando a goela. E esta almofadinha de queijo, com sua delicada massa de tapioca, regada com a pimenta Samba do Crioulo Doido, bem forte, um perigo, foi um dos pratinhos compartilhados pela turma.
E é sempre nessas horas que acabamos tendo acessos a informações em primeira mão. Foi assim, só para ficar no ambiente do Aconchego, quando revelamos que a Katia Barbosa queria abrir um boteco com comida brasileira (para ler, clique aqui). Ela falava do Comedoria, que também fomos um dos primeiros a ir conferir: para ler, clique aqui (post que, aliás, está bombando, com centenas de acessos por dia, que chegam via ferramentas de pesquisa como o Google). Agora, temos outra novidade em primeira mão. No começo do ano que vem, talvez em fevereiro, talvez em março, abre as portas ali pertinho, também na Praça da Bandeira, mais uma casa da chef. Vai se chamar Calango, e terá cardápio de sanduíches.
– Vão ser sanduíches brasileiros. Carne assada, pernil. Vou fazer de carne-seca com cebola. Porcoburger, cachorro-quente. Quero cobrar preços legais. Tipo entre R$ 10 e R$ 15. O lugar é pequeno, e as mesas e cadeiras serão feitos com latões. Tudo muito simples – adianta Katia Barbosa, que vai reverter metade da renda do lugar para projetos sociais. – Vou doar para entidades que já trabalhamos, como o projeto Gastromotiva – diz.
A farra rolou no pátio, e chegou a chuviscar, dando um alívio no calor. Enquanto a boa música embalava as conversas idem, o povo ia chegando.

Aconchego Carioca 2 - katia e bianca
A estrela da noite foi servida por mãe e filha, para delírio dos paparazzi. Mas voltou pro forno, ainda precisava de mais tempo.
Mais bolinhos, Electras…

Aconchego Carioca 7 - Perupatolinha

… e chega o Perupatolinha, desta vez no ponto.

Aconchego Carioca 6 - Perupatolinha

E a turma foi ao delírio. Repare nas três carnes. A de pato, no meio, mais escura, no ponto, ainda ligeiramente sangrenta, e extremamente macia.
E a bagunça, que começou às 19h, chegou ao fim pouco depois das duas da madrugada. Uma bela festinha de despedida e confraternização. E que, de quebra, ainda nos deu uma notícia em primeira mão. Alguém por acaso duvida que o Calango será um sucesso?
Eu, não.

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Comedoria: novo bar de Katia Barbosa abre as portas no Leblon pronto para o verão carioca

10/12/2014

Comedoria 3
Vou interromper a série sobre Copenhague para dar uma notícia extraordinária, de interesse geral da nação carioca, e – por que não? – brasileira. É novidade fresquinha, e pra lá de promissora.
Abriu as portas na quinta-feira passada o bar Comedoria, nova jogada da craque Katia Barbosa, do Aconchego Carioca, seguramente uma das novidades mais aguardadas do ano na gastronomia do Rio de Janeiro.

Comedoria 1
O Comedoria é o casamento de dois ícones da cidade: o bar Belmonte, de Antônio Rodrigues, e o Aconchego Carioca da Katia Barbosa, que agora chega ao Leblon: o restaurante fica na rua Rainha Guilhermina, na quadra da praia, na esquina com a General San Martin. E desde já se apresenta como uma das melhores pedidas para aquela tão gostosa botecada pós-praia que tanto o carioca gosta.

Comedoria 4
Meu voo de Copenhague chegou ao Rio às 19h30. Saí rapidamente do aeroporto, cheguei em casa, tomei um belo e reconfortante banho frio, e parti para lá, para conhecer a novidade. Não só por ser um bar novinho em folha, e por ter a comida da Katia. Mas também porque eu cheguei com fome de cozinha brasileira. Smorrebrod é muito bom, eu adoro salsichas, cachorro-quente e hambúrguer, mas andava com saudades dos nossos quitutes. Muita saudade.

Comedoria 2
O lugar é arejado, janelões de vidro com cortininhas, uns tecidos pendentes do teto, mesas típicas de botequim cobertas toalhas de papel, daquelas pro povo desenhar, cadeiras de madeira. No fundo, o bar, com as geladeiras de portas de vidro exibindo as cervejas. Pra beber, a propósito, o foco são as cervejas e as cachaças.

Comedoria 6

Fotos em uma parede relembram momentos da Katia com outras colegas de profissão.
Do Aconchego Carioca, o único prato que faz parte do menu são os bolinhos de feijoada, um dos acepipes mais celebrados do Brasil na última década (e não sem razão).
Da cozinha saem pratos que viajam pela cozinha brasileira, mas tratados com a costumeira verve criativa da Katia, prestando homenagens a chefs de todo o Brasil. Tem o jiló do Claude. E se vinho, Thomas Troisgros, é homenageado com o sanduíche de barriga de porco na cebola puxada na cerveja escura, sua bebida preferida. Já o paraibano Onildo Rocha foi a fonte de inspiração para a criação do nhoque de veijão verde, enquanto Alex Atala é o cara de um prato que todo mundo faz em casa, mas que nunca vi em restaurante: feijão com macarrão.
Candidato a estrela é o camarão no coco com purê de baroa. E a rabada prensada com agrião (homenagem ao chef Paulão). No final deste post, deixo o cardápio da casa, e basta clicar na foto para ela abrir em tamanho maior e legível.

Comedoria 7
A Katia cuidou com carinho do menu, criado ao longo dos últimos meses, quando ela anunciou (neste post aqui) este novo projeto, inclusive já usando a palavra “comedoria”. Sua mão certeira para criar bolinhos resultou em outra bênção: o de rabada. Foi a minha primeira – e certeira – pedida.

Comedoria 8
O bolinho é sequinho, e denso, com a carne desfiada. Comer este croquete de rabo de boi, sozinho, é bom. Mas ele só alcança mesmo grau de excelência quando usamos um poderoso recurso servido ao lado: é o glorioso vinagrete de banana, que dá grandeza e profundidade ao prato, com o seu caráter agridoce, o que fica ainda (muito) melhor se regado com a (boa) pimenta da casa, que está sobre todas as mesas.

Comedoria 10
Depois, fui no sanduíche que homenageia Thomas Troisgros, que tinha um naco de barriga de porco coberta com cebola ligeiramente caramelizada na cerveja Therezópolis Ebenholz. Carne deliciosa, e a cebolano ponto certo. Boa comunhão entre eles. Mas o sanduíche estaria um pouco melhor se o pão tivesse sido levemente tostado, ganhando aquela casquinha mais dura e queimadinha, como manda o figurino dos melhores hambúrgueres, e assim o miolo não teria ficado encharcado e mole como ficou. Mas em termos de sabor, nota 10. Simples e delicioso.
Para acompanhar, pedi, é claro, a própria Therezópolis Ebenholz, uma bela cerveja escura, no estilo, Munich Dunkel, e não poderia mesmo haver melhor pedida para este sanduba suíno.
Logo antes de chegar o sanduíche e a cerveja, avistei o Fabio Codeço, da Veja Rio. E acabei me sentando ao lado dele. Ele provou metade do meu sanduíche. E eu pude dar um confere em dois dos seus pedidos. Um chamado cápsulas de aipim com queijo, brilhante bolinho em formato coquetel, pra gente comer como se fosse pipoca. Foi difícil ser educado e não ficar petiscando na mesa do amigo até aquilo terminar.
Ao menos, ao lado havia o bolinho de moqueca (homenagem ao chef Juarez Campos), outra bela sacada da Katia, petisco que eu vislumbro ter um futuro brilhante pela frente.
Pedi licença. Porque me deu uma baita vontade de ir até o Herr Pfeffer, ali perto, na rua Conde Bernardotte. Tipo intuição.

Mikkeller

Chegando lá, encontro amigos, como o Fabio Santos e o Cadinha. Papo ótimo, muita Dinamarca no assunto. Acabei provando, entre outras coisas, como sempre acontece por lá, cervejas que eu ainda não conhecia, como as que a Mikkeller (para ler o post sobre esta cervejaria, clique aqui) fez exclusivamente para o mercado brasileiro, esta bela APA com brett, fresca e perfumada, com este rótulo simpático, braços abertos sobre a Guanabara.
Cheguei com tudo. E o Comedoria também. Vida longa e ele. E que esse interesse do Mikkeller pelo Brasil, e do Brasil pelas cervejas mais azedinhas, e de fermentação espontânea, como muitas das que ele faz, também permaneçam crescendo.
Amanhã voltamos à Dinamarca, para o último dia dessa viagem deliciosamente fria e cervejeira. E depois continuamos com a nossa programação normal. Ou seja, Rio de Janeiro, viagens, bares e restaurantes, vinhos e cervejas, praias e montanhas, cidades e roças.

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Agora, o cardápio (clique na foto para ampliar).

Comedoria - menu 1

Da cozinha.

Comedoria - menu 2

E do bar.

 

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Suco de cevada: ele existe, e parece melado de cana

05/12/2014

Você já bebeu suco de cevada? Mas, não, não falo de cerveja, ou alguma bebida outra bebida alcoólica. Na verdade, o nome oficial é suco de malte. Mas, se o malte é de cevada, por consequência… É suco de cevada. Não conhecia o produto, que faz muito sucesso em países africanos (e onde há colônias expressivas de imigrantes do continente), principalmente, e também no Caribe, na Colômbia e na Venezuela , onde é usado como energético. Fui apresentado a ele ontem, numa visita à fábrica da cerveja Faxe, na cidade de mesmo nome, a cerca de uma hora de Copenhague.

Faxe 3
Um dos rótulos tem DNA bem brasileiro: é o Vita Malt Plus, feito com açaí, guaraná e aloe vera. Em tempo: açaí eles chamam de acai, sem o cedilha e o acento.

Faxe 5

Além desse, provei outro, o Supermalt Original, a versão clássica, o que valeu mesmo pela curiosidade: não é um produto para o meu bico. Muito doce e viscoso, lembra melado. Eu não bebo melado, mas acho que na cozinha é algo que pode ser usado com sucesso. Mas não imagino que algum dia seja algo que vá chegar ao Brasil.

Faxe 2
O que vai chegar ao Brasil, em março, é um lançamento mundial da marca, uma Witbier que segue o estilo clássico, com coentro e casca de laranja, de olho no gosto do brasileiro por este estilo, que aliás tem tudo a ver com o nosso clima, e que tão bem combina com mariscos, de uma maneira geral, e com receitas asiáticas picantes da cozinha asiática feitas com pescados.
– O Brasil é visto por nós como um mercado-chave. E depois de avaliar a resposta lá, o produto pode ir para outros lugares. Mas o lançamento é exclusividade do Brasil. Identificamos essa necessidade no país -conta Jan Ankersen, responsável pela área de exportação da Unibrew, dona da Faxe.
A cerveja será vendida na tradicional lata de um litro, marca registrada da Faxe, que capricha no desenho.
– A marca voltou ao país a partir de 2010 quando eles viram que uma garrafa vazia era vendida no Mercado Livre por R$ 30, já que sempre são feitas edições especiais, artísticas, e que viram objeto de coleção – completa Paulo André Pomerantzeff, gerente da marca Faxe no Brasil.
Porque quando o assunto é cerveja, a beleza também é fundamental. Quem nunca comprou uma cerveja (ou vinho) só porque simpatizou com a embalagem?

Rota da Cerveja celebra a tradição (e as novidades) na Região Serrana do Rio de Janeiro

25/11/2014

St Gallen 7 escura

Na semana passada o governo Rio de Janeiro lançou a Rota Cervejeira, um circuito turístico reunindo produtores do da Região Serrana. A iniciativa reúne grandes marcas, como Bohemia, as de médio porte, como a Sankt Gallen, bem como os cervejeiros caseiros, além de bares dedicados à bebida.
O projeto vem cororar um processo que ganhou força na uma última década, quando cidades como Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo resgataram a antiga tradição na produção de cerveja.
A notícia nem é tão nova assim, já tem uma semana. Este post aqui é, para além de celebrar a boa nova, reunir alguns links relacionados ao tema.
Inaugurada a Villa St. Gallen, o templo cervejeiro

Petrópolis, cidade imperial e capital da cerveja

A boemia sobe a serra em direção a Teresópolis

– Villa Sankt Gallen: a cervejaria mais bacana do Rio

– A tradição cervejeira das montanhas do Rio cada vez mais forte

– Uma seleção das melhores cartas de cervejas na serra fluminense

 

Michel Onfray: “Temos que aprender novamente a sentir o gosto natural das coisas”

19/11/2014
Anne-Sophie y Gastón: os dois chefs filosofaram sobre gastronomia

Anne-Sophie y Gastón: os dois chefs filosofaram sobre gastronomia

Entro na sala de conferências da Unesco, em Paris, e me acomodo na primeira fila (neste caso, não quer dizer que eu seja importante, porque isso não é desfile de moda). Olho para a mesa onde estão os palestrantes, e logo reconheço um sujeito admirável. Era o chef Gastón Acurio. Chego perto para uma foto, e quem está a seu lado é outra pessoa que muito admiro, ainda que só de longe, já que nunca estive em seus restaurantes: era a chef Anne-Sophie Pic, possivelmente a cozinheira mais premiada da História. Como se não bastasse, leio ao lado deles a plaquinha com o nome de outro convidado para aquela mesa: simplesmente Michel Onfray, uma dessas pessoas que mudaram a minha visão de mundo através de um livro, no caso “A razão gulosa: filosofia do gosto” (leia, por favor).
Foi inesperado para mim. Estava ali para acompanhar parte do congresso da associação de hotéis Relais & Château, um encontro anual com esses hoteleiros. Havia dirigentes da entidade, e alguns políticos franceses, de alta patente. Salão lotado. E o que se falou foi sobre identidade, tradição, localismo, sustentabilidade. E esses conceitos passam, sobretudo, pela cozinha.
– Trabalhamos para uma cozinha melhor e mais humana, dando importância às tradições atemporais. Gastronomia e hospitalidada dizem respeito à arte de viver, sentir a forte emoção do sabor, da experiência. Precisamos confrontar as diferenças, observar as culturas alimentares, valorizar os artesãos -disse Olivier Roellinger, vice-presidente do Relais & Châteaux, em seu discurso de abertura.
Sobre artesãos ele se referia ao agricultor familiar, e também aos pequenos produtores de alimentos, classes massacradas pela indústria de alimentos, e pela pressa cotiana.
– Trabalhamos por uma cozinha melhor e mais humana, que dê a devida importância às tradições atemporais. Isso quer dizer priorizar os ingredientes sazonais, proteger de maneira unida o tempo de colheita, dividir a paixão, criar um mundo mais feliz e saudável. A cozinha pode servir de inspiração para um mundo melhor – disse Anne-Sophie, mostrando mesmo ser sábia, em seu primeiro aparte.
Logo em seguida, Michel Onfray se manifestou.
– Quando você cozinha para quem gosta, a comida fica melhor. Mas se faz para quem não gosta não tem como ficar bom. Esse é um dado curioso da gastronomia. Temos as mais profundas discussões à mesa, as mais profundas, sejam políticas ou filosóficas – comentou o escritor, para emendar em seguida – Por isso, temos que aprender novamente a sentir o gosto natural das coisas, o que se perdeu nas últimas décadas com a indústria alimentícia. Nosso corpo é muito importante, temos que combinar saúde e prazer.
Já ouvi coisas semelhantes de muita gente, mas isso vindo de um filósofo mostra que a comida vai se entranhando nas academias, como talvez nunca antes tenha ocorrido, nem na Antiguidade Clássica, nem na Idade Média ou em qualquer outro período da História da Humanidade. Parece bobagem, mas não é. Michel Onfray leva a gastronomia às mais profundas discussões científicas. Não se pode mais conviver com uma comida insípida e padronizada, como parece que se quis nos empurrar por goela abaixo no século passado. Chega de McNuggets, chega de presuntada, ou tomatões gigantes e sem sabor, todos trabalhados no agrotóxico. Chega de alimentos cruzando os oceanos, desperdiçando seu frescor e muita energia. Chega de crianças aprendendo a comer bobagem. As cidades não suportam mais o êxodo rural. O mundo precisa mudar. E a comida, necessidade mais básica do ser humano, tanto no sentido fisiológico quanto psicológico, é o principal vetor dessa mudança.
E então foi a vez do Gastón Acurio falar. Falou e disse.
– O Peru tem 7 mil anos de cultura. Não se pode viver com alimentos desenvolvidos por engenheiros, responsáveis pelos que se come mundo ag=fora. Milho, tomate, batata, feijão, pimenta… Tudo manipulado. Precisamos estar junto a Pachamama, ter conexão com a natureza. Precisamos dar valor ao agricultor, aos ingredientes, proteger a diversidade que ainda existe. Os pescadores locais que sofrem com a indústria pesqueira. Quando um chef faz um ceviche não pode se esquecer o pescador, que trabalha a noite inteira para nos fazer feliz. Os vendedores de rua, com as suas frutas. O mundo mudou, as identidades regionais estão mais fortes hoje. Não existe apenas uma gastronomia no mundo da cozinha.
Isso não é mais algo a se pensar. É para se colocar em prática. Já.

Uma noite alla italiana na casa da Alessandra Sposetti, no Leblon: aula de cozinha, menu refrescante e alto astral

12/02/2014

Não é só aqui. Essa é uma deliciosa febre mundial. Na Europa, nos Estados Unidos, em vários países latino-americanos, no Caribe, no Brasil. Muitas pessoas abrem as cozinhas de suas casas para receber gente interessada em apredender receitas interessantes ao redor de uma mesa agradável, bebendo um bom vinho, papeando, ouvindo músicas e, é claro, fazendo um jantar participativo e descontraído.
Tem até um site ( http://www.eatwith.com/#!/ ) que lista vários desses cozinheiros, gente que ama a boa mesa e veste o avental de professor. Aqui no Rio, por exemplo, tem muita gente fazendo isso. A minha amiga querida Manu Zappa, que criou o Prosa na Cozinha (prosanacozinha.com.br), em seu apartamento do Leblon, recebendo gente bacana para aulas-jantares, que também podem acontecer na casa das pessoas. Tanto sucesso, que na semana que vem ela inaugura um café no Jardim Botânico, na rua Lopes Quintas, bem a lado da simpática loja Dona Coisa.
Outra amiga que organiza eventos do gênero é a Gueta Ridzi, do Dona Gueta (www.donagueta.com.br), que cozinha na casa das pessoas, ou em clubes e afins.
Na semana passada, finalmente conheci a Alessandra Sposetti, cozinheira italiana de mão cheia, que recebe pequenos grupos, às quintas e sextas, em seu simpático apartamento do Leblon. Na agradável cozinha aberta, junta a um mesão de madeira, o cardápio é sempre italianíssimo, seguindo as estações, os sabores do mercado. A trilha sonora embala os trabalhos, ao som – por exemplo – do italiano Rino Gaetano. Bravo!
Conheci a Alessandra através do Facebook, depois de uma reportagem que fiz sobre a Toscana (o link está aqui). Fiquei sabendo dos seus eventos caseiros, e depois ainda tive mais detalhes deles através de outra amiga, a Ligia Ghizi, amante da boa mesa e “food hunter” dos Destemperados no Rio de Janeiro, onde cultiva um delicioso blog.
As aulas acontecem às quintas e sextas, a partir das 19h30. Para mim, dias e horários são pouco convenientes, e assim levei mais de um ano até conseguir estar lá, pouco depois das 20h, ainda no comecinho do programa.
Perdi o início da preparação da sobremesa, sorbet de café, que mostro lá no final.

Alessandra Sposetti 1 - vinho

Aceitei logicamente o vinho que está incluído no preço (R4 140), que inclui a aula, a comida, a bebida, a trilha sonora e o clima descontraído.

Alessandra Sposetti 3 - mesa 2
Noite legal, e barata diante dos preços aos quais estamos acostumados por aí.

Alessandra Sposetti 4 - insalata
A primeira etapa foi a deliciosa salada de atum sotto’olio com feijão branco, temperada com cebola roxa, azeite, limão siciliano e uma salsinha picadinha, e um bocadinho de pimenta-do-reino moída na hora.

Alessandra Sposetti 5 - insalata 2

Delícia. Pra você ver só. Outro dia, comi a mesma salada no Satyricon, simplesmente no Satyricon, o melhor restaurantes de pescados da cidade. O da minha aula estava melhor.

Alessandra Sposetti 6 - pão
Pois vamos em frente, saboreando a salada com um copo do vinho, molhando o pão naquele caldo cítrico e saboroso, papeando, fotografando, filosofando.
A etapa seguinte era uma massa com lula, feita com molho de tomate-cereja, pimenta calabresa, vinho branco e azeite.
– Mas e como fazer pra lula não ficar dura? – pergunta a aula.
– Ah, tem que usar ela bem fresca. Pode congelar, mas tem que comprar fresca – respondeu a chef-professora, que compra os seus pescados no Posto 6, direto dos pescadores, e os ingredientes no Zona Sul, incluindo o bons vinhos servidos.

Alessandra Sposetti 7 - calamari
De fato, deixamos o molho apurar bom um bom tempo.

Alessandra Sposetti 8 - mesa 3Cozinhamos a massa al dente.

Alessandra Sposetti 10 pasta ai calamari

Um farfalle De Cecco. Al dente, claro.
E novamente brindamos com o frescor o catalão Mas Rabell, branco gostoso mesmo da família Torres.

Alessandra Sposetti 11 granita di caffè
Enquanto isso, era explicado novamente como se fazer a granita di caffè com panna (não sabia, por incrível que pareça, já que adoro o pannacotta, que panna é chantilly). Delícia refrescante, facílima de fazer.
Eu vou tentar em casa, com limão siciliano, sem chantilly. Só pra dar um refresco.
Esta semana o cardápio está apetitoso. Veja.
A entrada é a focaccia pugliese (focaccia da região Puglia, a base de farinhas de trigo e batatas).
O prato principal é o pesce del giorno al forno con patate (peixe fresco do Posto 6 assado ao forno com batatas e temperos). Para a sobremesa, sorbetto di limone (sorbê de limão siciliano).
Vou te falar uma coisa, baixinho. Cara, R$ 140 por uma noite dessas, com uma comida muito boa, alto astral, regada a vinho de qualidade e adequado ao menu, em local agradável assim, com trilha sonora da boa. Tá barato pacas.
Depois de ver umas fotos no Instagram (@brunoagostinifoto), a Ligia Ghizi, uma das “food hunters” cariocas dos Destemperados, me disse. “Bruno, tem que provar o gnocci ao ragu de pato”, ou algo assim.
Sempre quis aprender a fazer gnocci, prato que adoro e tenho imenso respeito. Faço um respeitável ragu de pato, modéstia à parte. Quer aperfeiçoar. Já me inscrevi na aula, que acontece ali pelo outono, quando o cardápio dá uma encorpada conforme os termômetros vão baixando.
Visitar a Alessandra Sposetti foi uma linda descoberta.

Se animou?
Fala com ela: 98137-4773 ou  alessandra.sposetti@gmail.com

Eu curti muito.

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