Archive for the ‘O meu Rio’ Category

Guia 450 Sabores do Rio 16 – Esplanada Grill, templo das carnes: wagyu é a estrela do vasto menu carnívoro

15/03/2015
Da esquerda para a direita: filé mignon, bife de chorizo e ojo de bife, de wagyu australiano, exclusividade do Esplanada Grill

Da esquerda para a direita: filé mignon, bife de chorizo e ojo de bife, de gado da raça japonesa wagyu criada na Austrália, com importação limitada, uma  deliciosa exclusividade do Esplanada Grill. Repare na untuosidade da carne e no ponto de cozimento, um pouco mais tostado que o habitual, mas mantendo o interior suculento e rosado

Eu poderia escolher o ojo de bife, meu corte convencional preferido. Ou, então, o asado de tira, carnudo, quando tem. Quem sabe a picanha, que vem sempre no ponto que mais goste. As costeletas de cordeiro chegam como manda o figurino: agarradas ao osso, macia, e rosada por dentro, cheia de sucos. O prime rib, ali também chamado “pirulito”, é sempre uma pedida certeira. Se optasse pelas morcillas estaria revelando meu apreço pelas “achuras” da parrilla platense, de Uruguai e Argentina. Se escolhesse o costelão que circula pelo salão, uma edição limitada, uma única unidade por dia, que quando acabou, acabou, estaria demonstrando todo o meu apreço pelo jeito brasileiro de assar boi, o churrasco em cozimento longo, que derrete a gordura, temperando o conjunto, junto ao sal grosso, se entrando na carne, que sai se desfiando. Eu poderia eleger quando um desses cortes para representar o Esplanada Grill. Mas preciso render a minha homenagem ao feliz encontro que une dois hemisférios orientais, o Japão, origem da raça wagyu, e a Austrália, terra onde este gado é criado com sucesso imenso, e chega ao Brasil importado em pequenas levas, para poucos lugares, como o Esplanada Grill. Entre tantas visitas que fiz ao restaurante, a minhas experiência mais espetacilar de todas foi uma degustação de três cortes de wagyu australiano: filé mignon, com maciez e sabor incomparáveis; o bife de chorizo, com gordura bem marcada na parte de cima, e bife ancho, com a gordura enviesada, demarcando duas carnes um pouco diferentes entre si. Em todos os casos, aquela nobre gordura entremeada, que besunta tudo, o prato, a boca. Acompanhamento? Nem precisa. Mas uma farofinha sempre vai bem para limpar os caldos que sujam o prato. Neste dia aprendi que wagyu com esses níveis de marmorização da gordura, como se diz, precisa ser servido um pouco mais passado que o que seria recomendável para um gado normal, para derreter um pouco dessa matéria gorda que se encontra entranhada na carne. Assim, temos o sabor do tostado na camada externa, os defumados, aquela história toda de caramelização (aquela história de Reação de Maillard). Minha dica. Reúna um grupo de três pessoas, peça os três cortes, e que cada um prove um pouco da cada. Não será barato, mas com certeza inesquecível. Mas ligue antes, pra saber se tem, porque é mesmo raridade, tipo uma joia carnívora. E olha que nem falei de outras coisas que são sensacionais no Esplanada Grill, a começar pela caipirinha de caju, dos bons e  velhos Bira e Walter, e dos pães de queijo do couvert (os melhores!), e também a vinagrete de cebola, da salada com molho caprichado, melhor ainda com palmito, a farofinha sempre no ponto e o bom e velho beef tea, talvez o único lugar da cidade que ainda sirva o legítimo e revigorante caldo de carne (meu conselho: peça um copo de Jerez ou madeira seco, jogue um pouco no copo e beba o resto). E os corações? E as linguicinhas e salsichinhas, com boa mostarda?

ESPLANADA GRILL – Rua Barão da Torre 600, Ipanema. Tel. 2512-2970. De seg. a qui., do meio-dia às 16h e das 19h à meia-noite; sex. e sáb., do meio-dia à 1h; dom., do meio-dia à meia-noite. esplanadagrill.com.br Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 15 – Bar do Oswaldo: o rei das batidas, há 69 anos na Barra da Tijuca

15/03/2015
Trio campeão: as batidas de coco (a que deu origem a tudo), maracujá e limão estão entre os sabores mais pedidos no Bar do Oswaldo, um clássico da boemia carioca

Trio campeão: as batidas de coco (a que deu origem a tudo), maracujá e limão estão entre os sabores mais pedidos no Bar do Oswaldo, um clássico da boemia etílica carioca

As batidas já faziam sucesso desde os anos 1950, quando o casarão começou a ficar badalado, numa Barra da Tijuca ainda não povoada, um grande areal. O Bar do Oswaldo dava as boas-vindas aos visitantes que chegavam até lá pela Estrada do Joá, onde ele se encontra até hoje, conservado através das décadas. Inaugurado na euforia do pós-guerra, em 1946, viu o bairro crescer, e foi personagem importante desta História desde os tempos em que os casais iam até aquelas paragens, então remotas, quase um balneário a ser descoberto longe da metrópole, para namorar nos carros estacionados á beira-mar. Iam ver corrida de submarinos, dizia-a na época, como sendo uma travessura juvenil numa cidade recatada, em tempos mais inocentes. E o Bar do Oswaldo sempre abasteceu esses amores, fornecendo suas doses de batidas de coco, limão, maracujá e amendoim, só para ficar em quatro dos sabores mais famosos e vendidos. Ao longo dos anos, viu a clientela mudar, mas nem tanto assim, já que fica estrategicamente na entrada de uma via conhecida como Rua dos Motéis, por razões autoexplicativas. E o Bar do Oswaldo continua lá, firme e forte, aos 69 anos de idade. O Coquinho do Oswaldo, a batida de coco que deu início à fama do lugar, numa época (mostram fotos nas paredes) em que havia um “Festival Carioca da Batida”, mudou de receita ao longo dos anos. Novos sabores chegaram, como o cocaxi, obviamente uma mistura de coco e abacaxi. Para comer? Mas e o que tem mesmo para comer no Bar do Oswaldo? Um menu conservado, como antigamente. Sim, tem feijoada no sábado, e uma batida de limão vai sempre bem com ela, e a primeira está incluída no preço do bufê. O almoço executivo honesto atrai alunos de escolas e faculdades das redondezas, além do pessoal que trabalha por lá. À noite, a frequência é de grupos de jovens e casais, que vão nos petiscos. Sim, vende muita batata frita. Tem bolinha de queijo, carne-de-sol acebolada com aipim, e todo aquele nosso repertório de belisquetes de boteco. E sempre há os que vão até lá só para comprar as suas garrafas de batida, para beber em casa, ou para um esquenta antes da noitada.

BAR DO OSWALDO – Estada do Joá 3.896, Barra da Tijuca. Tel. 2493-1840. De dom. a qui., do meio-dia à 1h; sex. e sáb., do meio-dia às 3h. http://www.bardooswaldo.com.br Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 14 – Vice-Rey, a microcervejaria artesanal da Barra da Tijuca, um patrimônio carioca

14/03/2015

 

O chope tipo PIlsen do restaurante Vice-Rey, na Barrao ali, que produz a bebida logo ali, atrás do balcão

O chope tipo Pilsen artesanal do restaurante Vice-Rey, na Barra, que produz a bebida logo ali, atrás do balcão, em pequenos tanques: menu tem pescados, especialidade alemães e cariocas

É triste dizer isso, mas o restaurante Vice-Rey está prestes a renunciar. O casarão em estilo colonial dos anos 1970 que ocupa uma grande área na Barra da Tijuca, ali na Praça do Ó, a poucos metros da praia, é uma relíquia do Rio de Janeiro. Merecia tombamento como patrimônio da cidade, mas seu destino parece ser um dia derrubado para dar lugar a mais um prédio. Pena. Mas ainda é tempo de visitar o lugar, um dos mais pitorescos que eu conheço, quase um museu, com decoração antiga, de fazenda, o piso de lajota, os móveis de madeira de demolição, ambiente que logo nos remete aos anos 1970, com jeito rural, de casarão colonial (foi inaugurado em 1976, quando começava a expansão da cidade em direção à Barra, até então um grande areal). Nas paredes vemos fotos, recortes de jornal e uma coleção de arpões e outras armas de pesca, com um acervo divertido para aqueles, como quase todo o carioca, que amam o mar, memória de Lucio Lenz, sócio da casa. Uma mesa de sinuca está à disposição, e as mesas são bem espaçadas entre si. Há um conforto descontraído no ar. O cardápio, como se pode supor, é focado em pescados, com boas receitas à moda antiga, de peixes e frutos do mar, como sardinha frita, anéis de lula empanados, polvo com arroz e brócolis, camarões ao Catupiry, moqueca… Mas, honrando as raízes alemães da família Lenz, há especialidades ancestrais germânicas, como salsicha aperitivo, kassler, eisbein, escalope Holstein e algumas receitas típicas de outrora, o que venho chamando aqui de cozinha urbana do Rio de Janeiro, como bolinhos de bacalhau, medalhões ao molho Madeira com arroz à piemontesa e o bom e velho Oswaldo Aranha. E é justamente essa veia alemã que faz do Vice-Rey um lugar especial, e único. Muito antes de ser moda a produção de cerveja artesanal o lugar já era uma microcervejaria com boa estrutura. Hoje são servidas duas receitas, Pilsen e Amber Ale (minha preferida), ambas deliciosas. Uma alegria. Cervejas bem feitas, que saem dos tanques (que estão logo atrás do balcão) direto para os canecões, trincando de gelados, com a espuma densa, transbordante. Adoro o lugar, e fico triste que pouca gente conheça. Uma pena. Mas fica a dica: aproveite o Vice-Rey antes de acabe. E espalhe pros amigos.

VICE-REY – Avenida Monsenhor Ascânio (Praça do Ó) 535, Barra da Tijuca. Tel. 2493-5560. Diariamente, do meio-dia às 2h. http://www.vice-rey.com.br/ Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 13 – Pobre Juan: a casa de carnes que aposta em edições especiais e limitadas de cortes raros

14/03/2015
No momento, por exemplo, está em cartaz uma prime rib de wagyu, importada da Austrália, de se comer rezando de tão macia e saborosa, com alto índice de marmorização de gordura. O pedação de carne grudado ao osso, da primeira vértebra, tem uns três de altura e dá para três pessoas, ou duas, com muita fome

No momento está em cartaz a prime rib de wagyu, importada da Austrália, de se comer rezando de tão macia e saborosa, com alto índice de marmorização de gordura. O pedação de carne grudado ao osso, da primeira vértebra, tem uns três dedos de altura e dá para três pessoas, ou duas, com muita fome

O Pobre Juan, a rede paulistana de casas de carnes com acento platense, com duas unidades no Rio, vem fazendo um admirável trabalho de, digamos, difusão da cultura carnívora. Algumas vezes ao ano lançam edições especiais e limitadas de cortes raros, e gados pouco comuns por aqui (trouxeram até o mais famoso açogueiro do mundo, o italiano Dario Cecchini): já teve, recentemente, Ruby Devon, Shorthorn e o wagyu em diversas formas. No momento, por exemplo, está em cartaz uma prime rib de wagyu, importada da Austrália, de se comer rezando de tão macia e saborosa, com alto índice de marmorização de gordura. O pedação de carne grudado ao osso, da primeira vértebra, tem uns três dedos de altura e dá para três pessoas, ou duas, com muita fome. Praticamente uma raquete de tênis… É diferente de tudo o que estamos acostumados. É algo enlouquecedor. A carne chamuscada em fogo algo, soltando a sua gordura. Mastigamos besuntando a língua, e sem qualquer esforço. Para acompanhar, mousseline de batata da chef Priscila Deus (os acompanhamentos criados por ela, aliás, estão entre os pontos fortes da casa, fugindo do óbvio e trivial, que também encontramos ali: há guarnições como farofa de pistache e purê de cenoura com jasmim e ervas, mas também farofa de ovo, arroz biro-biro, batatinhas suflê e palmito pupunha assado). Portanto, fique de olho no calendário. E, quando não tem edição especial, a seleção de carnes de maturação própria continua valendo o ingresso: para começar, aposte nas empanadas (indispensáveis, eu diria), nas minicroquetas de jamón e no steak tartare, e depois de pedir morcillas e mojellas, escolhemos entre ojo de bife, bife Pobre Juan e carré de cordeiro, encerrando com algo de doce de leite (churros, pudem, panqueca ou mesclado a sorvete de creme). Vale ficar de olho na carta de vinho, que também tem escolhas fora do usual.

POBRE JUAN – São Conrado Fashiona Mall, Estrada da Gávea 899, 3º andar , São Conrado Tel. 3324-5381. Seg. a sex., do meio-dia às 16h; e das 19h à meia-noite. Sáb., do meio-dia à meia-noite. Dom, do meio-dia às 23h. Filial no Village Mall. http://www.pobrejuan.com.br Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 12 – Jeffrey Store: Niña, a cerveja do pato mais carioca de todos

13/03/2015
A Jeffrey Niña é uma witbier, seguindo a escola belga, cerveja de trigo temperada com coentro e limão siciliano (em vez de laranja, usada tradicionalmente neste estilo)

A Jeffrey Niña é uma witbier, seguindo a escola belga, cerveja de trigo temperada com coentro e limão siciliano (em vez de laranja, usada tradicionalmente neste estilo)

Assim como a Brahma, a cervejaria Jeffrey tem DNA carioca. Tal a Bohemia, a Jeffrey logo será produzida em Petrópolis, com a inauguração de sua fábrica. Assim como a Antárctica, a Jeffrey tem uma ave como símbolo, no caso um pato cheio de estilo. Ao contrário da Skol, a Jeffrey Niña desce redondo. Receita criada por amigos da Confraria do Marquês, a Jeffrey Ninã foi a primeira cerveja lançada pela marca, e ainda a única – por enquanto – a ser produzida regularmente. Tipo witbier, segue a linhagem belga das cervejas de trigo, temperada com coentro, como é comum em terras flamengas, e limão siciliano, em substituição à laranja, usada tradicionalmente dentro deste estilo, que tem entre os rótulos mais comerciais e conhecidos a Hoegaarden. Leve, mas com 5,3% de álcool, refrescante, cítrica e muito perfumada, a Jeffrey Niña tem por natureza vocação para ser apreciada no Rio de Janeiro, e logo chegou a muitos dos restaurantes mais cariocas do Rio, como o Irajá (onde fui apresentado a ela), Bazzar, Botero, Delirium Café, Comuna, Adega Pérola, Cerveja Social Clube, Brewteco, Oui Oui, Mira, Dom Barcelos, Stuzzi, Boteco DOC, Q Gastrobar, Padano, Crustô, Miam Miam, Mr Lam, Teto Solar, Caverna e no Copacabana Palace, incluindo aí todos os seus bares e restaurantes, e também o frigobar dos quartos do hotel. Boa para sushi, também podemos encontrar a Jeffrey Niña em vários dos melhores japoneses do Rio, como Ten Kai, Seidô, Epifania, Minimok e Haru. A loja fica na rua Tubira, no Leblon, um espaço, digamos, multidisciplinar, onde podemos comprar a cerveja e outros produtos da marca, como camisetas, e apreciar uma exposição de arte. No andar de cima está a microcervejaria, onde acontecem brassagens experimentais, muitas vezes com chefs de cozinha. Alás, vários dos melhores cozinheiros do Rio são parceiros da marca, como Roberta Sudbrack, Pedro de Artagão e Thomas Troisgros, que vez ou outra aparecem por lá nos fins de semana para cozinhar. Já teve SudDog, TT Burger e outras gostosuras. Acompanhadas de Jeffrey Niña bem gelada.

JEFFREY STORE – Rua Tubira 8 loja C, Leblon. Tel. 2274-0000. De seg. a sex. das 11 às 20h. Sáb. do meio-dia às 18h. http://www.jeffrey.com.br/ Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 11 – Satyricon: “Gran Piatto di Mare”, a sublimação dos pescados

12/03/2015
O "Gran Piatto di Mare" pode variar de acordo com a sazonalidade, uma imperdível seleção de preparações de peixes e frutos do mar à moda mediterrânea, com azeites, limões, pimentas, cebolas, ervas e outros temperos e perfumes

O “Gran Piatto di Mare” pode variar de acordo com a sazonalidade, uma imperdível seleção de preparações de peixes e frutos do mar à moda mediterrânea, com azeites, limões, pimentas, cebolas, ervas e outros temperos e perfumes

O Satyricon nasceu em 1983, em Búzios, e pouco tempo depois chegou a Ipanema. Desde então, é o melhor restaurante de pescados do Rio, quiçá do Brasil. Numa cidade litorânea, é uma pena que haja poucas casas dedicadas aos peixes e frutos do mar. O Satyricon é um porto seguro. Algumas especialidades estão ainda vivas, mantidas em aquários. Outras, reluzem fresquinhas, entre pedras de gelo. O menos, ali, é mais. Lagostins chapeados com azeite de limão e alho, pargo ao sal grosso, cherne alla “belle meunière”… Um festival de receitas com perfil mediterrâneo, seleção de pratos certeiros para explorar as iguarias marinhas. Entre tantas variações com acento italiano, a melhor pedida é um dos clássicos do restaurante, um apanhado de receitas com o sugestivo e acertado nome de “Gran Piatto di Mare”, definido apropriadamente como “festival de frutos do mar”. O prato mais icônico do Satyricon, na verdade, são vários pratinhos com preparações frias, que chegam juntos, em uma grande montagem preservada no gelo, com limões, siciliano e taiti. Tartares e carpaccios, e diversas marinadas. Alguns nos chegam crus, outros levemente cozidos, uma oferta que varia de acordo com a temporada, com o que entregam as redes e os anzóis dos pescadores. Mas há, digamos, uma espinha dorsal: ostras cruas, vinagretes de polvo e mexilhões, conserva de atum, anéis de lula marinados, camarões em molho de tomate, e um ou outro tartare ou carpaccio, e vez ou outra ovas no azeite, ouriço, e nós sempre podemos pedir itens extras, como vieiras, dessas que saem diretamente do aquário para a mesa, mais frescas impossível… É o mar em sua mais pura essência. De fato, um “Gran Piatto di Mare”, um dos maiores pratos não do Rio, mas do Brasil, em toda a sua quase simplicidade.
Deixo ainda uma sugestão adicional: a matriz, em Búzios, debruçada sobre o mar da Praia da Armação, com seus barquinhos a balançar a final de tarde cinematográfico, com o sol caindo no horizonte, é a sublimação disso tudo. O mar à mesa, o mar diante dos olhos. Comer ali é um acontecimento.

SATYRICON – Rua Barão da Torre 192, Ipanema. Tel. 2521-0627.  De dom. a qui., do meio-dia à meia noite; sex. e sáb., do meio-dia à 1h. http://www.satyricon.com.br Aceita cartões.

450 Sabores do Rio: a lista de lugares por ordem alfabética

11/03/2015

A publicação do guia 450 Sabores do Rio, aqui neste blog, segue uma ordem aleatória, agrupando certas especialidades durante determinado período. Ou não.
Este post aqui é para organizar, em ordem alfabética, todos os lugares listados, facilitando a navegação.
Basta clicar sobre o nome de cada restaurante (ou bar, ou café, padaria etc) para que abra o link levando ao texto sobre ele.

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Aboim

Aconchego Carioca

Adegão Português

Adonis

Alvaro’s

Amélie Creperie

Bar Brasil

Bar da Amendoeira

Bar da Frente

Bar da Gema

Bar da Portuguesa

Bar do Momo

Bar do Oswaldo

Bar Lagoa

Barsa

Bazzar Lado B

Boteco DOC

Botto Bar

Bracarense

Cachambeer

Cantinho das Concertinas

Casa Carandaí

Casa do Alemão

Cervantes

Chapéu de Couro

Chico & Alaíde

Columbia (na Brasa)

Cosmopolita

Cuisinart

Empório Jardim

Entretapas

Epifania Oriental

Escola do Pão

Esplanada Grill

Giuseppe Grill

Guimas

Gurumê

Haru Sushi Bar

Herr Pfeffer

Jeffrey Store

Lima Restobar

Mr Lam

Nam Thai

Nova Capela

Officina del Gelato

Paladino

Paris Bar

Pastoria (28) *

Pobre Juan

A Polonesa

Satyricon

Stuzzi Bar

Vice-Rey

Winehouse

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Muitos bares e restaurantes do Rio acabam ganhando apelidos, que muitas vezes até superam o nome. Aqui vamos listar alguns desses casos.

28 (Pastoria) – O Café e Restaurante Pastoria é mais conhecido como 28, em relação ao número da casa onde está instalado, na Gamboa, na rua Barão de São Félix. O Bar, lamentavelmente, fechou as portas, no final de fevereiro.

Capela (Nova Capela) – Ainda tem muito carioca que se refere ao bar apenas como Capela, que era o nome completo da casa até os anos 1960, quando mudou de endereço, acrescentando o Nova ao letreiro.

Casa Paladino (Paladino) – Um carioca nunca vai chegar e dizer: “Vamos à Casa Paladino”. Todos abreviam o nome, e muitos nem sabem que o lugar se chama Casa Paladino.

Na Brasa (Columbia) – A tradicional casa tijucana, especializada em frangos e galetos na brasa, tem a fonte de calor no nome, mas é chamado resumidamente apenas de Columbia.

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(*) – O asterisco indica que o restaurante fechou as portas.

E mais: índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro já publicados neste blog:clique aqui.

Guia 450 Sabores do Rio 10 – Bar da Amendoeira: carne-seca na farofa, pimenta e chope na caldereta

11/03/2015
A carne-seca passada na farofa e o ótimo chope na caldereta, tipo schinitt: duas belas razões para ir até este boteco clássico em Maria da Graça

A carne-seca passada na farofa é servida com o ótimo chope na caldereta, tipo schinitt, com espuma cremosa: duas belas razões para ir até este boteco clássico em Maria da Graça

A carne-seca é preparada com a sabedoria de um grande cozinheiro. Dessalgada no ponto certo, é cozida e depois… assada, acho eu, ganhando uma casquinha mais saborosa, durinha, e com aquele tostadinho que dão relevo a um prato, com o interior rosado, macio, desfiando-se ao toque do talher. Para melhorar, os blocos de charque são envolvidos em uma farofinha leve e branquinha, um empanado de farinha de mandioca. Em seguida, antes de nos servir tal iguaria, o atendente ainda tem a nobreza de cortar os pedaços, para ficarem do tamanho perfeito para serem levadas à boca, espalhando sobre o petisco uns palitinhos, pra faciliar o manuseio de quem dispesa garfo e faca nessa hora. O Bar da Amendoeira, em Maria da Graça, um dos monumentos suburbanos mais relevantes da gastronomia carioca, consegue com algo tão simples preperar um acepipe delicioso, sem igual na cidade (o Bunda de Fora, em Ipanema, mas um parecido, bom, mas que não chega aos pés). Melhora a situação o fato de que a pimenta do Bar da Amendoeira – assim batizado por causa da árvore que enfeita a sua fachada azul desgastada pelo tempo – é muito boa; e que o chope, servido na caldereta, tipo schnitt, está entre os (meus) três melhores do Rio, ao lado do Bar Brasil e Adonis (já resenhados aqui nesta série). Mas não pense que é só carne-seca, pimenta e chope, o que já seria muito. O bar serve, além de petiscos botequeiros, tipo jiló, moela, pernil e bolinho de bacalhau, refeições antológicas, como o angu à baiana dos sábados, que atrai legiões de fãs fieis, e outros clássicos do almoço executivo dos bares cariocas, como carne-seca com abóbora, feijoada (sexta). Há alguns anos, Cesar, o dono, morreu, dentro do bar, após uma briga com o cliente. Apesar da trajédia, o Amendoeira continua firme e forte com um dos bastiões da cultura botequeira do Rio de Janeiro. Graças a Deus, e Maria da Graça.

BAR DA AMENDOEIRA – Rua Conde de Azambuja 881, Maria da Graça. Tel. 2501-4175. Seg. a qui., das 6h às 22h; sex., das 6h à meia-noite; sáb. até 20h. Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 9 – A Polonesa: o suflê de chocolate de uma das casas mais tradicionais do Rio

10/03/2015
O suflê de chocolate do restaurante A Polonesa deve ser encomendado na chegada, e é servido com uma casca de ovo em chamas

O suflê de chocolate do restaurante A Polonesa deve ser encomendado na chegada, e é servido com uma casca de ovo em chamas (para não deixar o doce murchar)

O restaurante A Polonesa, em Copacabana, cujo nome revela a sua especialidade culinária, está longe de ser uma unanimidade. Há uma turma que ama esta casa tão tradicional, inaugurada em 1948, e tão carioca. Outros, detestam o lugar, reclamando de garçons irritadiços, ambiente tristonho, escuro, de preços altos e comida insossa. Eu, que não sou fã nem desafeto, preciso reconhecer que o suflê de chocolate é um dos clássicos maiores da gastronomia carioca. Eu preferia que tivesse menos gosto de ovo, e que o chocolate usado fosse melhor. Mas é inegável o seu valor histórico e sentimental. Como demora a ser preparado, como qualquer suflê, deve ser pedido logo no começo da refeição. O doce chega com uma casca de ovo em chamas. O que parece uma estranha forma de decoração, tem efeito prático: não deixa a massa murchar, a derrota de qualquer suflê. Ali, o menu apresenta um receituário polonês, que é também tradicional de outros países do leste europeu, como Ucrânia e Rússia. Para começar, a borscht, a sopa de beterraba com creme. Depois, pirogi (massa recheada), estrogonofe ou goulash. Uma bom aguardente de ameixa, bebida típica da Polônia, vai bem, obrigado. E a refeição se encerra com o suflê. A Polonesa é um desses lugares emblemáticos da gastronomia carioca, que todos deveriam visitar ao menos uma vez. Nem que seja para aderir a corrente dos que falam mal da casa.

A POLONESA – Rua Hilário de Gouveia 116, Copacabana. Tel. 2547-7378. De ter. a sex., das 18h à meia-noite; sáb. e dom., do meio-dia à meia-noite. Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 8 – Nova Capela: o cabrito assado mais famoso do Rio de Janeiro

09/03/2015
O cabrito do Nova Capela tem como companheiro clássico o arroz de brócolis,  as batatas coradas, e uma generosa camada de alho frito, um conjunto que pede por um bom chope gelado

O cabrito do Nova Capela tem como companheiro clássico o arroz de brócolis (vale regar com azeite e a boa pimenta da casa), as batatas coradas, e uma generosa camada de alho frito, um conjunto que pede por um bom chope gelado

Uns garantem que sim, é carne de cabrito, o filhote do bode com a cabra. Outros afirmam categoricamente que a carne é de cordeiro, o filhote do carneiro com a ovelha. Seja lá qual for, por lá o prato é mais conhecido como cabrito mesmo, e tem como companheiro clássico o arroz de brócolis, as batatas coradas, e uma generosa camada de alho frito, um conjunto que pede por um bom chope gelado. Vale regar o arroz com azeite e pimenta. Os cortes ovinos ficam expostos numa vitrine sobre o balcão clássico do bar, com altar a Nossa Senhora. Há devotos fervorosos do prato. Garçons trajados à moda antiga, com gravatinha borboleta, calça preta e paletó branco, assim como os seus cabelos, servem uma clientela fiel, entre os almoços executivos dos dias de semana às madrugadas repletas de boêmios das mais diversas vertentes que ocupam a Lapa. O cardápio tem raízes lusitanas, e ao longo do tempo foi se adaptando ao que podemos chamar de cozinha urbana do Rio. Temos bolinhos de bacalhau, para começar, e pratos como rins ao molho Madeira com purê de batatas, canja de galinha, leitão assado, iscas de fígado à lisboeta e carne assada “à moda” montam um repertório saudosista de receitas. O salão com paredes ajulejadas cheias de premiações e reportagens reforça o clima dos anos 1960, quando o antigo Capela, inaugurado no começo do século passado, agregou o Nova ao nome, instalando-se no endereço atual, um monumento da gastronomia carioca.

NOVA CAPELA – Av. Mem de Sá 96, Lapa. Tel. 2252-6228. Diariamente, das 11h às 4h (sex. e sáb. até 5h). Aceita cartões.


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