Archive for the ‘Outras viagens’ Category

Boipeba, linda e deliciosa, assim como, apesar dos espinhos, as suas lagostas e as rosas

16/02/2011

No fogo de lenha, na areia da praia, as lagostas do Guido: uma sensação

Esse pessoal acostumado só a comer caranguejo na beira da praia, quando come lagosta… se machuca. Hoje provei uma senhora lagosta, preparada no Guido, restaurante com mesas espalhadas pelas areias da praia da Cueira. Uma, não, foram cinco. Estava sensacional. E, olha só, dizem que nem é a melhor da ilha, que na Cova da Onça haveria um pessoal que faz melhor. Amanhã, se o tempo ajudar, vou conferir. Depois de serem levemente aferventadas na água pura e salgada do mar elas vão para uma frigideira grande, onde é finalizado o preparo no calor intenso da lenha, na beira do mar, numa cozinha a céu aberto. Pedi a frita, que é feita com cebola, limão e azeite, em fogo bem quente. Eu e meu guia, o figuraça do Marquinhos, nos fartamos. Eram cerca de 11h da manhã, e o dia estava começando apenas. Não me lembro de ter comido lagosta de manhã em outra oportunidade… Estava ótima, fresca e com bom tempero (o que significa quase nada), com a carne do rabo saindo fácil. Comi com a mão. De vez em quando, jogava uma boa pimenta arriba-saia, outra especialidade local, e um pouco de limão, afundando o rabão numa ótima farofa. Mas que sensacional. Degustado o rabo, eu ia direto para as patinhas, que guardam preciosos pedacinhos de carne, suculentas, macias, prazer acentuado pelo trabalho que dá para obter a carne, de cor levemente arroxeada. Uma verdadeira preciosidade reservada aos que têm paciência. E é preciso cuidado, porque esta espécie, a lagosta vermelha, abundante neste mar verde e lindo, tem muitos espinhos nas patas. E esse mané aqui, acostumado a caranguejo e toda sua inofensividade, cortou um dedo, espetou um outro. Tudo em nome da carninha que as perninhas finas abrigam. Como as rosas, a lagosta de Boipeba tem espinhos. Rosas são lindas e lagostas, deliciosas. Mas lagostas também são lindas e rosas, deliciosas.
Boipeba, assim como elas, é linda e deliciosa.

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Boipeba, muito prazer, me chamo Bruno

15/02/2011

Praia de Itapoã vista da janela de um monomotor com cinco lugares

 

Estou quase seguro de que a primeira vez em que ouvi falar da Ilha de Boipeba foi logo após o carnaval de 1997, quando deixei Salvador para voltar ao rio no Uno Mille guerreiro, cor de vinho e sem ar-condicionado, que tantas vezes me levou à Bahia.

Na volta para casa paramos em Valença, onde deixamos o carro e pegamos um barco para passarmos uns dias em Morro de São Paulo, que então era um destino badalado – ainda não era tão ruim como hoje, mas também já não tinha mais os encantos de antes, já estava em franca decadência, com uma urbanização desordenada, muito lixo, esgoto a céu aberto. Não curti Morro de São Paulo, ainda que tivesse passado bons momentos na ilha, principalmente na Quarta Praia e na área do antigo forte.

Mas desde esse tempo sou louco para conhecer a vizinha Ilha de Boipeba, que já naquele tempo era anunciada como um paraíso intocado, com praias maravilhosas e um clima abem pacato, ainda uma vila de pescadores. Quando eu me dizia meio decepcionado com Morro de São Paulo, todos me diziam.

– Tens que visitar Boipeba, tens que visitar Boipeba.

Pois é chegada a hora. De lá para cá Boipeba ficou famosa, mas já deu para perceber que nem por isso perdeu o seu encanto, a sua magia, nem tampouco sofreu com o turismo indiscriminado.

Acabo de chegar aqui, quase 14 anos depois de ter ouvido falar pela primeira vez desse lugar. A impressão que tenho é que pouca coisa mudou, senão por Boipeba ter ganho boas pousadas, como a das Mangabeiras, onde estou hospedado, e até restaurantes, como o Chez Iris & Igor, realmente a casa desse casal, que recebe os clientes na sala – e ambos cuidam da comida e do serviço.

Cheguei de maneira um tanto improvável, de avião – sim, há linhas regulares a partir de Salvador, em pequenos aviões para apenas quatro passageiros. Menos de uma hora de voo, lindo visual, viajando baixinho, curtindo a paisagem que vai ficando mais linda conforme o destino final de aproxima. Como Boipeba é linda do alto. Não só pela economia de tempo e conforto, mas pelo visual, vale demais a pena cacifar uma passagem aérea.
O serviço de bordo é como o da Gol, ou seja: nada…

Mas voltemos à terra. Em Boipeba come-se bem. No cardápio tradicional, muitas lagostas, como a preparada pelo Seu Guido, na linda praia da Cueira. E moquecas, é claro. Afinal, estamos na Bahia – só alegria!

Mal cheguei e já deu para perceber que Boipeba é sem dúvida um dos lugares mais lindos do litoral brasileiro, com mata intocada e praias quase virgens, com mangues vivos e um clima agradável, tipicamente baiano. Só o fato de não haver carro…
É um dos lugares mais bonitos que já vi.

Também é fácil notar que, para se feliz aqui, basta um short e um chinelo. E máscara de mergulho.

Enfim, como nem tudo é perfeito, o tempo não está ajudando: nuvens feias e chatas ocupam todo o céu. Mas de vez em quando até entra um solzinho.

Cadê a carrocinha com o picolé de mangaba, fruta que adoro?

Hoje quero uma lagosta. Acho que amanhã também. Quero ostras e comarões, peixe fresco, sururu. Será que encontro um bom vinho branco?

No mais: será que hoje tem forró?

Restaurante Paraíso Tropical, de Beto Pimentel: o futuro da culinária brasileira começa aí

07/02/2011

Uma senhora moqueca, com camarão, siri mole e siri catado, além de biri-biri, maturi, licuri, coco fresco, jambo... Coisa de maluco, deliciosa e diferente

A gastronomia brasileira vive, sem dúvida, um momento muito feliz. Há muitos chefs fazendo trabalhos consistentes, apresentando propostas culinárias diferentes, em todos os cantos do país. Mas são poucos os cozinheiros que efetivamente contribuem, ou contribuíram, para que aos poucos o mundo comece a olhar para a nossa cultura gastronômica, para nossos ingredientes e técnicas, com mais atenção. O baiano Beto Pimentel, do restaurante Paraíso Tropical, em Salvador, é um desses caras que conseguiram pegar a cozinha tradicional, a matéria-prima típica, e lhe dar uma nova dimensão. O futuro da cozinha brasileira está na exploração de nossos frutos, coisa que muito chef faz com maestria, como Claude Troisgros e Roland Villard. Mas Beto, que é dono de fazenda, e tem intermináveis pomares com centenas de frutas, foi quem melhor explorou o nosso imenso patrimônio frutífero. Beto Pimentel merece a bênção e a reverência das novas gerações de chefs. Merece estátua. Merece missa. Merece condecoração. Ele, sim, fez algo diferente, saboroso e ousado. Uma proposta que hoje já é muito valorizada. E será ainda mais. Beto Pimentel é um dos maiores nomes da culinária brasileira. Está ali, junto de Paulo Martins, Alex Atala e poucos outros.

O que Beto fez foi algo relativamente simples, olhando agora: ele pegou o receituário clássico da culinária baiana (e algo da cozinha serteneja), e, ao mesmo tempo, deixou-a mais leve e complexa. A leveza veio da aposta na utilização de ingredientes mais frescos: em vez de usar leite de coco ou azeite de dendê, que tal investir na utilização dos frutos? A complexidade é emprestada pelas frutas: a acidez do biri-biri, a crocância untuosa do maturi, que é a castanha de caju sem passar pelo processo de salga a torra, a oleosidade do coco verde, as ervas nativas, como a vinagreira…

– Nessa panela não entra nada industrializado, diz o garçom – Em vez de leite de coco batemos a água com a polpa de coco fresco. Usamos o fruto do dendê em lugar do azeite.

Além de coco fresco, e do fruto do dendê, Beto incorporou às panelas (de barro, na maioria das vezes) da moqueca algumas frutas como biri-biri, pitanga e maturi (que é a castanha de caju verde). Além das moquecas, um dos clássicos da casa, que fica junto a uma chácara que tem cerca de 120 espécies de árvores frutíferas, é um misto de pescados grelhados, com lagosta, camarão e polvo, servidos com várias frutas também grelhadas. Como combinam a lagosta e o caju. E o camarão com o abacaxi. E o polvo com a goiaba. A graça é essa: fatiar o pescado, espetar um padacinho da fruta, e apreciar a comunhão de mar e terra.

Ontem, como despedida da curta temporada soteropolitana, fui até o distante bairro da Cabula,  fora do circuito turístico da capital baiana, onde está o restaurante, para um almoço sensacional (que pretendo contar com mais detalhes das páginas do Boa Viagem). Mas adianto que foi algo sublime, que começou com uma inacreditável salada de frutas (com manga, jambo, coco verde, maturi, biri-biri temperados só com azeite doce, que é como os baianos chamam o azeite de oliva, e sal) e uma travessinha com siri mole frito, passado em farinha e ovo (o melhor siri mole de minha vida).

– Rapaz, o pessoal aí não limpa o siri mole, não, prepara com tudo. Tem que limpar bem, tirar o intestino – explica o Beto, se esquecendo que o mérito da receita não vem só dali: o crustáceo passado na farinha para depois ser frito é mais crocante e tem mais carne que os outros, a casca é molinha, e o tempero, perfeito, ainda mais com rodelas de biri-biri e uma pimentinha arretada da porra.

Depois desse prelúdio com cara de clímax, uma moqueca e uma bandeja de grelhados. Roubaram a cena. Um espetáculo. E o que dizer das farofinhas (uma só na manteiga, minha favorita, ou de dendê)? E o que podemos falar do aipim na manteiga?

Para acompanhar, umas caipirinhas: de coco verde com goiaba, de biri-biri, de tamarindo… Para encerrar, um bandejão de frutas, com destaque para a jaca dura, como já havia me alertado a Carla, minha chefe, a melhor de todas. Também curti o axaxá-iru. E achei curioso o ingá, com textura de algodão.

Poucos nomes de restaurante são tão apropriados. O Paraíso Tropical, de fato, é tropicalmente paradisíaco. É ótimo. É brasileiríssimo. É baiano até o caroço. É um monte de coisa, um monte de coisa boa. Mas é, sobretudo, imperdível.

Axé!

Convento do Carmo: Portugal na Bahia

05/02/2011

Piscina do Convento do Carmo: delícia

Nem no Antiquarius, nem na festa portuguesa dos sábados na Cadeg, em Benfica, nem mesmo em São Januário, no Centro Histórico de São Luiz ou nas cidades coloniais de Minas Gerais. Nem em Paraty ou no Parrô do Valentim. Nem tampouco com a TV ligada na RTP1. Nunca, em nenhum lugar neste país, me senti tão próximo de Portugal como no Pestana Convento do Carmo, em Salvador.

Andar pelo prédio do século 16 imediatamente traz à mente lembranças das viagens a Portugal. Mais especificamente remete aos mosteiros, abadias e conventos, especialmente aqueles que foram transformados em hotel, como a Pousada Rainha Santa Isabel, em Estremoz, ou a Pousada dos Lóios, em Évora (lá, assim como cá, os quartos ficam nas antigas celas). Acho que, para reforçar essa impressão, vou até pedir um porto branco, bem gelado, com uma lasquinha e laranja e gelo, como aperitivo.

O restaurante Conventual, dedicado à cozinha clássica portuguesa em tratamento contemporâneo, acentua essa sensação. É claro que vou almoçar um bacalhau.

Hoje no café aconteceu uma coisa engraçada. O garçom perguntou o número do meu quarto. Não me lembrava de cabeça. Cheguei tarde, já de madrugada, e com sono. Peguei a chave do quarto, e disse:

– 1586.

O garçom foi embora. E eu fiquei pensando em como soara estranho aquele número para mim. Logo o rapaz volta.

– Senhor, acho que o número do quarto é outro, o senhor deve estar confundindo.

No que olhei a chave e percebi o óbvio.

O número do quarto, 244, estava atrás, colado. O 1586 que vem gravado na frente do chaveiro, abaixo do nome do hotel, refere-se ao ano de construção do prédio, que é mesmo uma beleza, e tem uma das piscinas mais gostosas que já mergulhei. Sauna, hidromassagem, e a piscina em questão… tem até internet sem fio… Pois é, acho que desta vez, de maneira inédita, venho a Salvador e não vou à praia.

Ai, ai que saudade eu tenho da Bahia (muita felicidade a caminho de Salvador)

04/02/2011
 
 

"São Salvador, Bahia de São Salvador/ A terra de Nosso Senhor/ Pedaço de terra que é meu/ São Salvador, Bahia de São Salvador/ A terra do branco mulato/ A terra do preto doutor"

Ai, ai que saudade eu tenho da Bahia…
 
Ali por volta de 1996 dei uma de Vinícius de Morais e me apaixonei pela Bahia. Por pelo menos cinco verões consecutivos pegava o carro com uns amigos e ia subindo o litoral. Primeira parada, Itaúnas, última praia do Espírito Santo, para uns dias de descanso e muito forró. Depois a gente ia seguindo, parando geralmente em Arraial d’Ajuda, Trancoso e Caraíva. Visitei Itacaré quando ainda um destino selvagem, sem a linda estrada que hoje derrama por lá muitos turistas. Estive em Morro de São Paulo quando ainda era um destino legal, mas já mostrava franca decadência. Ia subindo até Salvador, onde ficava por dias, pegando em alguns anos o carnaval.
Só queria saber de ir para a Bahia. Teve viagem que chegou a durar mais de dois meses. Outras, só uma semana, uns dez dias. Foram verões incríveis. Cheguei ao cúmulo de ir até Salvador, voltar ao Rio para umas duas semanas de aula na faculdade para então voltar novamente para a Boa Terra. Axé!
Mas aí foi ficando cada vez mais difícil tirar férias longas. Dois meses, nem pensar. 
E comecei a ir menos para a Bahia. Quase sempre em viagens curtas e a trabalho. A última vez que passei uns dias livres em Salvador foi no réveillon de 2003 para 2004. Depois disso estive pelo menos umas 15 vezes no aeroporto de Salvador, mas nunca para visitar a cidade de novo. Ou estava fazendo conexão a caminho de outros destinos no estado (como Trancoso) ou indo em direção ao litoral norte baiano, como Costa do Sauípe e Praia do Forte. Salvador? Nunca mais.
   
Por isso tô tão animado hoje. Embarco à noite para Salvador. Volto na segunda. Viagem curtinha. Muito ócio e alguns bons restaurantes estão no programa, como Paraíso Tropical, Conventual, Amado e Soho.
Ai, ai que saudade eu tenho da Bahia…

Fotoblog: um passeio até a Pedra Furada, em Jeri, levado pelo Lula

02/02/2011

Logo que saímos da vila de Jeri demos de cara com o cemitério.

Depois, seguimos pela estrada afora, por cima do Serrote.

Chegamos à Pedra Furada, com os últimos raios de sol daquela tarde. Depois o tempo fechou. Que sorte.

Olha só, 25 minutos depois, como ficou: precisei até usar de leve o flash para fotografar o jegue no caminho de volta.

Para encerrar, seu Reginaldo, que votou na Marina e depois na Dilma.

O dia em que o Lula me levou para um passeio até a Pedra Furada, em Jericoacoara

01/02/2011

 

Se Reginaldo e Lula, que ao contrário do outro trabalha duro: ponto na praia de Jeri

No domingo, meu primeiro dia em Jeri, fiquei pela vila, papeando com as pessoas, fotografando, visitando uns restaurantes, bares e lojas.

Depois fui até a Pedra Furada. Estava com pouco tempo. E o sol ardia no meio da tarde. Preferi pegar uma carona confotavelmente na carroça do seu Reginaldo, que faz ponto na Praia de Jeri: R$ 15 por pessoa (ou R$ 20, para um só passageiro, como foi o meu caso).

Puxei conversa.

– E qual é mesmo o nome do cavalo¿

– Lula.

– E qual a idade dele?

– Oito anos.

– Ah, então o senhor em homenagem ao presidente que tinha acabado de ser eleito?

– Sim. E sabia que o Lula tava aqui ontem? Passou o dia na cidade, depois foi embora de helicóptero.

– É mesmo?

– Pois é, agora é que ele ta aproveitando de verdade. Só vai viajar, curtir a vida…

– E o senhor votou na Dilma?

– Mais ou menos. Primeiro votei naquela outra mulher…

– A Marina?

– Isso mesmo. Aí, depois voltei na Dilma. Naquele outro cara, não dava, não.

Depois eu conto mais sobre este passeio.
E se o Lula barbudo estava mesmo em Jeri, eu não sei.

Música eletrônica em Jericoacoara? Meus Deus, aonde chegamos…

30/01/2011

Pelo menos ainda existe o Forró de Dona Amélia, mas só às quartas-feiras e aos sábados, infelizmente

Cheguei esta madrugada em Jeri, quase três da matina. Larguei as coisas no hotel e corri para a padaria Santo Antônio – afinal, voar de Gol significa chegar ao destino esfomeado (o que se agravou depois de quase quatro horas de estrada).

Pedi um de queijo, por R$ 2, e um de coco, que custa apenas R$ 0,50. Acho que esses caras merecem uma medalha do governo. Tenho quase certeza que esses são os mesmos preços desde janeiro de 2003, quando visitei Jeri pela primeira vez.

Uma das razões do sucesso da casa é a massa leve e o forno a lenha que assa os pães. O de queijo não é no estilo mineiro. Parece mais um sanduíche no pão careca, só que já preparado com o queijo, de coalho, claro, já no recheio, o que deixa a masa na parte de baixo molhadinha, levemente solada (se fosse queijo minas frescal ia empapuçar tudo, tinha que ser um coalho mesmo). Recém-saído do forno, fumegante, é uma beleza. A massa é levinha.  O de coco também é muito bom, com uma cobertura docinha, agradável. E, numa boa, pelos preços cobrados, não poderia ser melhor que isso. Relação custo-benefício imbatível, ainda mais se considerarmos que estamos na alta estação, com a cidade lotada.

O lugar faz um sucesso danado. Fica cheio das 2h da madrugada, quando abre, até umas 5h, 6h ou até 7h, horário de fechamento (geralmente encerra por volta das 5h, mas quando tem movimento estica um pouco mais).

Muita coisa continua do mesmo jeito em Jeri, mas muita coisa mudou. Ontem desci até a rua da praia, depois do lanchinho da madrugada, em busca de um forró. E sabe o que encontrei¿ Música eletrônica. Pelo amor de Deus… Como alguém consegue ouvir música eletrônica em Jeri. O mundo está mesmo perdido, não tem mais jeito. Eram dois lugares tocando essa coisa medonha. Um desses espaços fica ao lado da Pousada Ponta das Pedras. Eu que não quero me hospedar ali. Imagine só, um bate-estaca durante toda a madrugada, do lado do seu quarto. Algo passível de suicídio.

Pelo menos ainda resiste o tradicional Forró da Dona Amélia, que até batizou a rua onde está, que se chama… Rua do Forró. Mas, que pena, esse só acontece às quartas e sábados.

Música eletrônica é uma tragédia, uma das maiores pragas recentes da humanidade. Viva o samba, viva o forró!!!

Recentemente, em Santiago, depois de um jantar sublime no restaurante Osaka, no hotel W, subi para o terraço. Vista maravilhosa da cidade, com direito a lua cheia, muita gente bonita, tudo ótimo… se não fosse por um detalhe, a trilha sonora: puta merda, só bate-estaca. Para mim, foi uma ofensa um lugar tão agradável ter música tão ruim.
O mundo está mesmo perdido…

Aliás, Jeri tem ótimos nomes de rua. Tem a Principal, a da Farmácia, a da Igreja, a dos Coqueiros, a das Dunas, a do Ibama… E também há os becos: da Malhada, do Guaxelo, do Chocolate… Este último, aliás, ganhou este nome por funcionar ali o restaurante Chocolate, um dos mais antigos de Jeri (em 2003 já funcionava e comi ali bons risotos, lembro-me bem. O restaurante funcionava num espaço na Rua do Forró, com agradável varandinha, hoje ocupado por uma casa de tapioca. Voltarei ao Chocolate, com certeza.

Hoje, domingão, fico aqui mesmo pela vila. No máximo, uma caminhada até a Pedra Furada. E, certamente, uma subida até a Duna do Pôr-do-Sol, em sua hora mais cheia e sublime.

Jeri vamos nós!

29/01/2011

Redes banhadas na Lagoa da Torta, com lagosta na brasa e cerveja gelada para acompanhar. Êta, lelê!

Se tudo der certo, porque depender de avião no Brasil é fogo, daqui a cerca de dez horas to chegando em Jericoacoara. Vou direto pro forró e pra padaria, claro.

Estive por lá no finalzinho do ano passado, quase a jato, a caminho do Piauí e do Maranhão. Apesar de ter ficado só uma noite por lá, gostei do que vi. Tinha visitado Jeri em janeiro de 2003. Lugar lindo, viagem inesquecível. A impressão que tive foi a de que a vila cresceu de maneira ordenada. Há muito mais gente, é certo. Gente mais arrumadinha, sem dúvida. Mas o clima despojado persiste, e não há socialite capaz de quebrar esse encanto em alguns lugares, como Búzios.

Isso tem um lado bom. Há hoje muitas pousadas charmosas, restaurantes com boa comida.  E isso não agrediu o ambiente, porque ainda bem que Jeri é protegida por um parque nacional, e não vemos ali as invasões que assolam o nosso litoral de norte a sul. Mas continuam por lá as hospedarias familiares, os vendedores de ostra cresça. E, claro, a galera que aproveita os ventos fortes. Em 2003 Jeri era o paraíso do windsurfe. Hoje a vila continua sendo a praia dessa tribo. Mas surgiu o kitesurfe, e essa galera se concentra na Praia do Preá.

Os passeios de bugre continuam sendo fundamentais. Assim como o forró das madrugadas. Para conjugar ambos, melhor deixar o passeio para mais tarde, assim, depois do meio-dia.

É isso aí!
Jeri vamos nós!!!

Azeite de abacate: essa eu não conhecia

24/01/2011

Aceite de palta: novidade

Para encerrar a série sobre o Chile, mais uma novidade a que fui apresentado nesta viagem: o azeite de abacate (ou aceite de palta). Adoro esta fruta, em suas mais variadas formas: desde o nosso creme de abacate (um bom coupe camargue, clássico da cozinha carioca tradicional, é algo que adoro: trata-se de um creme de abacate, que pode ser feito com sorvete de creme, servido com um pouco de vinho do porto) até o guacamole e o sanduíche de pollo (frango) com palta, muito popular no Chile e também na Argentina. Sempre como, sempre adoro esta combinação entre a carne magra e de textura seca do frango com o sabor adocidado e a textura cremosa do abacate. Demais! fatias de palta (este abacate popular em muitos outros países da América Latina, menor, mais docinho e de consistência mais dura que o nosso) também vão bem com carne bovina, e podem compor sanduíches variados, como hambúrgueres, saladas etc etc etc.

O azeite de abacate mais escuro e esverdeado que o de oliva, com sabor intenso, bastante frutado e fresco, com ótima acidez. Adorei. Fica ótimo para ser servido só com pão, flor de sal e pimenta-do-reino moído na hora, e também para temperar saladas e sopas frescas,dessas para serem servidas geladas, como aí aí da foto abaixo, apreciado no mesmo almoço na Viña Errázuriz no qual fui apresentado ao azeite de abacate. A sopa de tomate com abacate, gergelim e coentro era muito saborosa, e ficava ainda mais se regada com o azeite.
Por fim, me contaram por lá: em termos de benefícios ao coração, o azeite de abacate é ainda melhor que o de oliva, porque aumenta o colesterol bom e dimunui o ruim. Tomara que alguém comece a importar para o Brasil. 

Sopa de tomate e abacate com coentro e gergelim, na vinícola Errázuriz