Archive for the ‘Viagens cariocas’ Category

Um roteiro pelas melhores feijoadas do Rio de Janeiro (lembrando que o prato nada tem que ver com escravos, e menos ainda com a África)

22/10/2015
Na Casa da Feijoada o prato é servido em sistema de rodízio, a R$ 62,70 por pessoa (vale a pena pedir em casa, a porção serve tr~es ou quatro)

Na Casa da Feijoada o prato é servido em sistema de rodízio, a R$ 62,70 por pessoa (vale a pena pedir em casa, a porção serve três ou quatro)

Na rotina sofrida das senzalas, os escravos ao menos comiam bem. Naqueles ambientes escuros e insalubres eles conseguiram criar o prato mais emblemático do Brasil, a feijoada. Usavam, para isso, os restos de carnes de porco salgada, dispensadas pelos senhores, cozidas com feijão preto. A história é bonita, talvez por isso tenho sido propagada por tanto tempo. Porém, por mais triste que seja dizer isso, não, a feijoada não nasceu assim. Os senhores, mesmo eles, não tinham carnes de porco sobrando. E, lamentavelmente, essa é apenas uma lenda histórica, já há muito consertada pelos estudiosos do tema. É inacreditável que, em pleno século 21, no ano de 2015, ainda exista gente que conte essa história como se fosse verdade. Pior ainda, se for um jornalista especializado no assunto. Porque ainda tem leitor que acredita, e assim essa linda mentira continua sendo perpetuada. Lamentável.

Pior ainda é dizer que a feijoada tem origem africana… Aí, meu amigo… Não, a feijoada não tem origem africana, mas europeia. É uma receita derivada de tantos ensopados preparados com feijões ou seus primos, de cores, tamanhos e formatos variados. Ao contrário do que se diz, com ingenuidade e ignorância, a feijoada não tem origem humilde, mas muito nobre. Nasceu sob a inspiração do cassoulet francês, da fabada asturiana, dos caldos ricos italianos, e, principalmente, de tantas variações de pratos afins que existem por Portugal.

Sem querer cortar o barato de ninguém, jornalista deve ser fiel aos fatos. E os fatos são esses.

É tão ridículo quanto outra teoria de um ícone brasileiro, a cachaça. Sim, há quem diga que o nome aguardente vem da dor que sentiam os escravos ao ter um pouco de pinga caindo sobre as suas costas machucadas pelo açoite. Francamente…

Os melhores lugares do Rio pra beber cachaça a gente pode deixar pra outro dia. Já das feijoadas podemos falar hoje.

As mais divertidas da cidade acontecem nas quadras das escolas de samba, que já estão fervilhando no clima pré-carnavalesco. A Portela, com as suas quituteiras de mão cheia, e seus sambistas de fino trato e grandes composições, sem dúvida é a mais emblemática no quesito (inclusive já até lançaram um livro de receitas, “Batuque na cozinha – As receitas e as histórias das tias da Portela”). Mas, tradicionalista que sou, indico ainda a Mangueira, o Império Serrano e o Salgueiro. Como as escolas fazem as feijoadas em fins de semana alternados, sempre tem alguma rolando. Na Feira das Yabás, que acontece todo o segundo domingo do mês, na Praça Paulo da Portela, em Oswaldo Cruz, as tias da Portela, incluindo Dona Neném, do alto de seus 87 anos, servem várias comidas em suas barracas, que servem refeições bacanudas por cerca de R$ 15. Marlene é famosa pela sua feijoada.

Seguramente, em nenhum restaurante ou hotel a feijoada será tão animada quanto esses da turma do samba. Nos hotéis, muitas vezes o bufê de feijoada dos sábados é servido com um conjunto, que anima o ambiente com clássicos. Já fui no Caesar Park (antes de virar Sofitel), em Ipanema, e no Sofitel, no Posto 6, em Copacabana. Achei a comida boa, e música contribuiu para a minha felicidade (raramente gosto de música ao vivo em restaurantes, como aqueles de Paraty, onde somos obrigados a jantar com um banquinho e violão tocando, mas ás vezes curto a ambiência sonora, caso dos pianos da Brasserie Lapeyre, no Centro, e da Churrascaria Palace, em Copacabana).

Servida como reza a tradição aos sábados, a feijoada do Rubaiyat Rio, no Jockey Club, tem várias bossas extras, a começar pelas corridas de cavalo, que acontecem ao longo da tarde (vale tentar uma mesa na varanda, mas evite isso nos dias muito quentes), passando pelas batidas, servidas livremente, e pelo bufê de sobremesas, tudo incluído no preço. No belo balcão de madeira que recebe os panelões com as carnes também abriga um belo leitão, além de tudo aquilo que nos habituamos a ver nos serviços de feijoada. Um caldeirão com o feijão, e vários outros com as carnes separadas, a farofa, o arroz, a couve, o torresmo e a laranja, além de complementos suínos, como linguiça, bisteca, pernil e costelinha, sem falar na banana frita.  Pelo conjunto a obra, eu diria que todo o carioca deveria fazer esse programa ao menos uma vez na vida. Como ir até o Corcovado e subir o Pão de Açúcar. Custa R$ 109, e incluindo isso tudo, está de bom tamanho.

– O que é legal é que as partes suínas são todas de baby pork da Fazenda Rubaiyat. O feijão também é supernovo, igualmente da fazenda. A feijoada tem todos os pertences separados: carne seca de Brangus, costela fresca, costela defumada, paio, língua, rabinho, pé, orelha. O Claude só vai lá por conta desses três últimos– conta um dos sócios da casa, David Zylbersztajn.

Já se vão lá mais de 20 anos que a Casa da Feijoada (na foto), em Ipanema, se converteu em um dos poucos restaurantes que também são ponto turístico da cidade. Fazendo um trabalho junto a hotéis e guias de viagem, a  Casa da Feijoada recebe muitos turistas, e não tantos cariocas assim. Besteira. Seguramente é um dos melhores lugares do Rio para se dedicar a esse prato, servido em sistema de rodízio, na mesa, com preço por pessoa (R$ 62,70).  Pra começar,  caldinho de feijão e linguiça mineira, além de batidas de limão e maracujá (também incluídas no preço). Com o feijão, são 11 opções de carnes, que podem ser encomendadas pelos clientes: bacon defumado, orelha de porco, lombo salgado, carne seca, linguiça fresca, rabo, costela salgada, língua defumada, chispe, carne de boi e paio. Os acomapanhamentos de sempre. E a sobremesa são as compotas caseiras de abóbora com coco, banana e o doce de leite. Vale pedir para a viagem. São muitas quentinhas, que servem umas três ou quatro pessoa, sendo assim de preço praticamente imbatível. Confira.

Pra minha surpresa, porém, descobri que os dois restaurantes portugueses mais tradicionais do Rio também servem admiráveis feijoadas. No Antiquarius e no Adegão Português eu como feijoadas não menos que sublimes, com toda aquela fartura que nos habituamos a ver na culinária portuguesa.

Essas são as minhas feijoadas preferidas em terras cariocas (muito aprecio a do Tempero com Arte, em Teresópolis, e do Parador Lumiar, em Nova Friburgo, ambas também aos sábados). Falam-me, ainda, maravilhas de duas feijoadas tijucanas. Do Bar do Momo e do Bar do Pavão. Nunca fui, mas diante das observações de bambas como Guilherme Studart e Gabriel Cavalcante (o da Muda), eu confio cegamente nas dicas.

Sem que a gente possa se esquecer do antológico e inigualável bolinho de feijoada do Aconchego Carioca, servido na matriz, na Praça da Bandeira, e também na filial do Leblon.

Feijoada é uma delícia, o mais brasileiro dos pratos. Mas nada tem que ver com escravos, e menos ainda com a África. Ok?

Acerva-Teresópolis faz brassagem coletiva com cerveja caseira e feijoada no próximo domingo

16/03/2015
Produção caseira de cerveja de panela na casa do amigo e confrade André Zahle Nader

Produção caseira de cerveja de panela na casa do amigo e confrade André Zahle Nader: no dia da festa serão produzidas duas cervejas, uma Muniche Helles e uma Brown Ale, e servidas outras, com feijoada

Na qualidade de membro pouco ativo mas entusiástico da coordenadoria de comunicação da Acerva-Teresópolis, eu aproveito para anunciar a realização, no próximo domingo, dia 22, da primeira confraternização desta nova fase da entidade que reúne cervejeiros caseiros. Na ocasião, os cervejeiros vão levar algumas produções caseiras, e vão acontecer duas brassagens, a partir das 10h manhã, feitas pela associação para competirmos no concurso da Acerva Petrópolis, em maio, produzindo uma Munich Helles e uma Brown Ale no dia do evento, junto do público. A festa acontece no Cenário Bier, agora em novo endereço, em Agriões (rua Carmela Durtra 306), e custa R$ 50 por pessoa. O preço inclui a feijoada em sistema de bufê que será servida ao longo da tarde. Uma festa cervejeira com cervas artesanais liberadas, fechando as comemorações pelo Saint Patrick’s Day.

A conexão entre Teresópolis e a Dinamarca através da cerveja (ou Estamos a caminho de Copenhague pra beber sour ales)

01/12/2014

Saison Ipa Goiaba
Há exatos 102 anos, precisamente em 1912, nascia a cervejaria Therezópolis, na cidade com este nome, com a sua grafia antiga. A marca foi fundada pela família Claussen, de origem dinamarquesa, num momento em que a bebida preferida de Gambrinus começava a fazer imenso sucesso por aqui, com o surgimento de várias pequenas fábricas artesanais espalhadas por todo o país.
A produção da Therezópolis foi interrompida por muito tempo, até que a cerca de dez anos uma grande fábrica de bebidas da cidade fez um acordo com a família, e relançou a marca, com uma linha que foi ganhando corpo e qualidade ao longo dos anos. Abriram o complexo com bares, lojas e restaurantes, no bairro do Alto, e foram ampliando a quantidade de rótulos, lançando cervejas sazonais, que mudam a cada estação. Já tivemos o outono marcado pelo sabor de uma boa rauchbier, enquanto o inverno ganhou o tempero de uma pimentinha, duas cervejas bem acertadas dentro de seus parâmetros. A primavera, que está em sua reta final, ganhou a delicadeza de uma Session Ipa feita com goiaba, uma cerveja leve e refrescante, perfumada e muito fácil de beber e de gostar (essa belezura que enfeita o alto deste post).
Quem vem fazendo barulho com essas produções é o jovem mestre cervejeiro Gabriel de Martino, meio-irmão do primo de uma ex-namorada minha de adolescência. Mas isso não importa. O rapaz é fera, e vem mostrando grande talento, um dos mais promissores cervejeiros do Brasil, que aos 20 e poucos anos assumiu uma baita responsabilidade – conduzir uma das cervejarias mais importantes do país no momento da explosão do mercado das artesanais. E vem fazendo bonito.
Este ano, encorpou a linha com mais dois rótulos. A Jade, uma IPA que vai em sentido contrário ao mercado, que vem pegando pesado na lupulagem (eu gosto) e fez uma India Pale Ale mais leve e delicada, e me parece que a delicadeza é um traço de seu trabalho. Porque outro lançamento deste ano de 2014 que vai chegando ao fim foi a Or Blanc, uma witbier leve, refrescante, com notas cítricas características, por conta do uso de cascas de laranja na receita. Ele já tinha tirada um tanto do açúcar residual que muitas vezes deixava meio enjoativa a Irish Red Ale.
Ontem gastei parte da minha tarde por lá, saboreando a cerveja de primeira, a tal Session IPA com goiaba, e depois uma Irish Red Ale, ambos “on tap”.
Não à toa, o rapaz está na Alemanha, para um intercâmbio de mestres cervejeiros, e deixo ele mesmo contar mais detalhes (copiei de um post que ele fez nas redes sociais): “Amanhã estou embarcando para o treinamento e intercâmbio de cervejeiros que é oferecido pela Maltaria Weyermann, na maior densidade cervejeira do mundo, em Bamberg na Alemanha!
A busca pelo conhecimento, evolução e também melhorias naquilo que se faz, nunca pode parar… Então vou com tudo pra poder absorver ao máximo que eu puder!”
E esse post de hoje é para saudar o Gabriel di Martino. Mas ele também acontece porque além de ser cliente fiel das cervejas da Therezópolis, e frequentador da cervejaria Villa Sankt Gallen, eu curto esta história da família dinamarquesa fazendo cerveja na serra. E porque hoje eu estou embarcando para ir lá beber na fonte. Viajo em minutos em direção a Roma, de onde pego um avião para Copenhague, chegando amanhã na hora do almoço, ainda em tempo de começar a explorar os sabores locais. Vou visitar algumas cervejarias da Royal Unibrew, que produz a Faxe. Uma viagem altamente estimulante para um amante da boa mesa, especialmente se também for alguém que goste de apreciar uma boa cerveja. Feliz em dobro, ainda mais porque ando apaixonado por cervejas azedinhas, tipo Sour Ale, e toda a linhagem das Lambics (e sei que a Dinamarca anda fazendo coisas incríveis nesses estilos). Feliz x 3.
Não, não consegui reserva no Noma… Infelizmente, mas continuo tentando. Nos próximos dias vou contar por aqui algumas historinhas desta viagem.
Como sempre, é um prazer ter a sua companhia.

Rota da Cerveja celebra a tradição (e as novidades) na Região Serrana do Rio de Janeiro

25/11/2014

St Gallen 7 escura

Na semana passada o governo Rio de Janeiro lançou a Rota Cervejeira, um circuito turístico reunindo produtores do da Região Serrana. A iniciativa reúne grandes marcas, como Bohemia, as de médio porte, como a Sankt Gallen, bem como os cervejeiros caseiros, além de bares dedicados à bebida.
O projeto vem cororar um processo que ganhou força na uma última década, quando cidades como Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo resgataram a antiga tradição na produção de cerveja.
A notícia nem é tão nova assim, já tem uma semana. Este post aqui é, para além de celebrar a boa nova, reunir alguns links relacionados ao tema.
Inaugurada a Villa St. Gallen, o templo cervejeiro

Petrópolis, cidade imperial e capital da cerveja

A boemia sobe a serra em direção a Teresópolis

– Villa Sankt Gallen: a cervejaria mais bacana do Rio

– A tradição cervejeira das montanhas do Rio cada vez mais forte

– Uma seleção das melhores cartas de cervejas na serra fluminense

 

Da horta para a (boa) mesa no Parador Lumiar: o trabalho delicado, criativo e autêntico do chef Isaias Neries

06/12/2013
O chef orgulhoso no meio de sua horta, junto à plantação de uma prima da sálvia, conhecida por nomes como peixinho de horta ou lambarizinho, porque tem textura e sabor que remetem a peixes

O chef orgulhoso no meio de sua horta, junto à plantação de uma prima da sálvia, conhecida por nomes como peixinho de horta ou lambarizinho, porque tem textura e sabor que remetem a peixes

Uma horta com mais de 100 variedades de plantas, entre verduras, legumes, ervas, flores comestíveis e frutas, é o sonho de qualquer chef de cozinha. Pois Isaias Neries, do Parador Lumiar, neste distrito de Nova Friburgo, tem essa riqueza ao alcance das mãos, o que contribui para que o restaurante da pousada seja um dos mais atraentes do interior do estado do Rio, um dos poucos que seguem a filosofia, muito comum na Europa, de ser um hotel de campo aonde as pessoas vão para comer bem e relaxar em meio à natureza.

O risoto de raízes com cogumelo eryngui

O risoto de raízes com cogumelo eryngui

Todos os anos, entre outubro e novembro, ele muda o cardápio, que também sempre ganha novas receitas ocasionalmente, de acordo com a sazonalidade dos produtos, com a oferta da horta. O novo menu, imperdível, entrou em cartaz no dia 16 de novembro, apresentando receitas temperadas por boas doses de criatividade, como o crostini de açaí com queijo de cabra, surubim e tomatinhos marinados ao azeite de vique (esta é uma plantinha que é a base do Vick Vaporub e que dá um toque refrescante aos pratos) e o risoto de raízes com cogumelo eryngui, entre outras boas novas (no final do post eu coloco todos os pratos do novo cardápio).
— O Isaias é um dos chefs mais queridos do Rio de Janeiro, e não há quem o conheça e não goste dele. É uma referência em profissionalismo, carisma e competência. Admiro demais a trajetória dele, a humildade, as convicções e a maneira como ele enxerga a cozinha e o nosso ofício. Ainda não tive a chance de visitá-lo no hotel, mas sei que tem uma horta todinha pra ele, o que me deixa com mais vontade de realizar esse desejo rápido — conta a chef Roberta Sudbrack, uma das tantas fãs da cozinha do chef.

O delicioso risoto de chuchu com capim-limão e lâminas de amêndoas

O delicioso risoto de chuchu com capim-limão e lâminas de amêndoas

No Parador há oito anos, Isaias — que foi sous-chef de Flavia Quaresma, no Carême — combina técnica apurada na cozinha com muita intuição, montando pratos com base clássica mas sempre com uma pitada autoral, levando a sua assinatura. Nesse novo menu encontramos pratos surpreendentes como o nhoque de batata-doce com um toque de canela ao molho cremoso de Parmigiano Reggiano. Para a sobremesa, duas receitas tradicionalmente salgadas brilham no novo cardápio: o risoto de chuchu com capim-limão e lâminas de amêndoas (delicioso) e o ravióli de avelã com banana ao molho cremoso de tomilho (idem).
— Uma das coisas mais difíceis no trabalho de um cozinheiro é encontrar os ingredientes. Aqui eu estou feliz porque tenha uma ótima matéria-prima à disposição. Além de tudo o que eu planto, tenho fornecedores locais para carne de porco, cogumelos, queijos. Assim fica realmente fácil cozinhar — conta o chef, nascido na cidade de Santo Amaro da Purificação, terra de Dona Canô e seus filhos, Caetano Veloso e Maria Bethânia.

Adultos e crianças às margens do lago: hotel nasceu com foco em casais, mas hoje recebe muitas famílias, que muitas vezes vão até lá apenas para visitar o restaurante, aberto a não hóspedes

Adultos e crianças às margens do lago: hotel nasceu com foco em casais, mas hoje recebe muitas famílias, que muitas vezes vão até lá apenas para visitar o restaurante, aberto a não hóspedes

Aos sábados é servida a feijoada, que já fez fama na região, atraindo muita gente que não está hospedada ali. Além de uma admirável seleção de saladas (nada como uma boa horta, de onde saem quase todos os ingredientes, colhidos momentos antes de serem servidos), há o bufê servido sobre o fogão a lenha que domina o salão. Um dos segredos é a variedade de carnes.
— Uso porco fresco, salgado e defumado, e tiro a gordura, buscando uma feijoada que tenha muito sabor, mas seja mais leve — revela o chef, que serve, ainda, no almoço de sábado, uma seleção de doces e compotas caseiras, como a combinação de carambola com rapadura.
Em um imenso terreno junto à entrada do hotel ele planta desde ingredientes mais comuns, como alface, alecrim, tomilho e pimenta dedo-de-moça até outros bem raros por aqui, como ruibarbo, além de ter a possibilidade de colher brotos variados. Entre as mais de 100 hortaliças na plantação orgânica, encontramos brócolis, ervilha torta, rúcula, tomate-cereja, cebola, capim-limão, endro, taioba, couve-flor, nirá, alho poró, mostarda, beterraba, rabanete e gengibre, entre outras variedades.

Resumo da ópera: hoje, o restaurante do Parador Lumiar não é simplesmente um dos melhores do interior do estado, mas está entre os grandes do Rio, considerando os da capital. É uma dessas raras cozinhas que justificam uma viagem. É um dos pouquíssimos restaurantes de hotel (aí, sim, falando dos que estão no interior) que servem uma comida de alta classe aos seus hóspedes (e não hóspedes). Ninguém conquista a admiração da Roberta Sudbrack, e de tanta gente querida e importante no meio da gastronomia carioca, à toa. Fiz ali uma das refeições mais agradáveis e surpreendentes dos últimos meses. Duas, porque ainda teve uma feijoada memorável no sábado, com um louvável bufê de saladas e outro de doces caseiros, além de uma pinga da boa. Eu sei que já estou doido para voltar.

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Agora, o novo cardápio completo.

. Crostini de açaí com queijo de cabra, surubim, tomatinhos marinados ao azeite de vique
. Nhoque de canela com batata doce, parmigiano-reggiano ao molho mi-chèvre
. Albacora sobre pirão de farinha d’àgua do Maranhão com extrato de coco e frutos do mar
. Filé sete luas sobre baião de dois e crocante de chia com tapioca
. Cocainhame com calda de cumaru
. Risoto de raízes com cogumelo eryngui
. Risoto de chuchu com capim limão e lâminas de amêndoas
. Ravióli de avelã com banana ao molho cremoso de tomilho

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 P.S. – Esta reportagem foi escrita para a edição de 14/11 da revista Boa Viagem, do jornal O Globo.

Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

As aventuras gastronômicas de Maria no Rio de Janeiro

17/09/2013
Maria avaliando a vieira do Cipriani, um dos seus ingredientes preferidos

Maria avaliando a vieira do Cipriani, um dos seus ingredientes preferidos

A Maria adora viera, coelho e pato, mas odeia trufas, ainda que tenha gostado de uma massa que fiz outro dia, com uma boa manteiga trufada, salpicada de grana padano. Mas a vida não é só glamour e falsa sofisticação, então a menina assumidamente adora miojo, jujuba e Pringles.
O que importa é que ela é uma superparceira. Sempre me acompanha nas idas a restaurantes, com paciência e bom humor, disposta a experimentar as mais estranhas iguarias que eu esteja disposto a oferecer. Pode não gostar, mas prova, uma virtude sublime.
Por conta do ofício, e mesmo por prazer, frequentar restaurantes é um programa que faz parte da minha rotina, como acordar, escovar os dentes e ler os jornais. Por sorte, tenho uma filha que entende a situação, e me faz doce companhia à mesa.
Outro dia, para a minha surpresa, perguntei o que ela gostaria que eu preparasse para um almoço em casa, no domingo passado. Dei todas as possibilidades. Diga, Maria, o que mais gosta de comer, que eu vou fazer.
– Vou dar uma dica. Tem duas sílabas – ela disse.
– Hummmmm. Massa? Doce? – fui, carente de imaginação, arriscando, e ganhando sucessivas negativas.
– Vou dar mais uma chance. Começa com a letra pê – ela continuou a me dar dicas.
Como não consegui imaginar algo que ela pudesse gostar, que tivesse duas sílabas e começasse com a letra pê, desisti.
– Ai, papai, como é que você não sabe? É polvo, você não sabe que eu adoro polvo?

Caldo de Piranha - polvo ao alho e óleo

O polvo ao alho e óleo do Caldo de Piranha, em Teresópolis

Saber e sabia, mas não imaginava que seria o que ela mais gostava… Assim, diante da impossibilidade de conseguir um bom polvo para o almoço dominical, no sábado fomos almoçar no Caldo de Piranha, um belo boteco teresopolitano, que serve um dos melhores polvos do estado do Rio, na versão alho e óleo, para regarmos com pimenta de azeite (e eu ainda peço uma porção extra de alho frito).

Durante as suas férias, ela – que mora em Teresópolis – passou uma curta temporada no Rio, e aproveitamos para cumprir um delicioso roteiro gastronômico, numa série de almoços e jantares que relatei aqui, lentamente, nas últimas semanas.
Este post tem este propósito: de reunir todas essas histórias e ajudar a estimular que os pais saiam com os seus filhos para comer fora, e que apresentem para eles novos pratos e ingredientes, porque é triste ver um adulto com cardápio muito restrito porque não teve estímulos assim quando criança.
Sempre digo a ela: Maria, quanto mais coisas você gostar de comer, melhor, assim, tem menos chances de passar fome ou apertos quando te oferecerem um almoço, e vai sempre extrair mais prazer de uma refeição, que é algo que temos que fazer pelo menos três vezes ao dia ao longo da vida.
Agora, para encerrar, facilitando a navegação, deixo todos os links das aventuras gastronômicas de Maria (nem todas as refeição eu fiz com ela, mas de certo modo ela está envolvida em todos os posts), seguindo a ordem cronológicas, dos fatos e das publicações.

Uma maratona gastronômica infantil no Rio de Janeiro (ou Maria, obrigado pela companhia)

Mira, na Casa Daros: programa gostoso para se fazer em família

Um coelho na Teresópolis-Friburgo e a língua grelhada do Ten Kai: histórias gastronômicas de Maria

Um jantar em família no Ten Kai, parte 2: saquês, pescados e alegrias

O brunch do mexicano Azteka: tem huevos rancheros nos fins de semana em Ipanema

O novo corte australiano do Esplanada Grill e uma linda tarde dominical

Ráscal: com inclinações italianas e mediterrâneas, um bufê muito competente

La Mole: tudo igual, nós é que mudamos

O T-bone indecente e delicioso do Giuseppe Grill, ponto alta de um jantar, gastronomicamente falando, é claro

O menu executivo do Outback: a melhor pedida (mais barato, e com as carnes no mesmo nível)

Sá, no hotel Miramar, em Copacabana: uma das melhores novidades de 2013 na gastronomia do Rio de Janeiro

Vero: a melhor sorveteria do Brasil, e seus sabores, entre os clássicos, os etílicos e os exóticos

“Feitos à mão”: a nova coleção de Roberta Sudbrack, o artesanato do paladar

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

Um coelho na Teresópolis-Friburgo e a língua grelhada do Ten Kai: histórias gastronômicas de Maria

02/08/2013
ten Kai - língua

A língua grelhada do Ten Kai: delícia

Essa história começa há pouco menos de dois anos, nas montanhas. Passeava com a Maria, prestes a completar seis anos, e com a sobrinha, com quase sete, pela Teresópolis-Friburgo, quando paramos para almoçar na Birosca Romana di Sandro, um restaurante italiano que funciona dentro de um posto de gasolina, no Vale Feliz. Adoro este lugar em toda a sua simplicidade. Faz uma cozinha caseira, com cardápio sedutor, do tipo bom, bonito e barato, e já escrevi sobre ele aqui (para ler, clique aqui e aqui). Massas, polentas, pizzas, enriquecidas por molhos gostosos, e carnes de longo cozimento, compõem um receituário que muito aprecio. Não me lembro o que pedimos de entrada naquela tarde. Acho que foi polenta com ragu de carne. Mas jamais esquecerei do prato principal. Não por ele em si, que estava muito bom, mas sim pelo que se seguiu depois. Bem, foi a primeira vez que a Maria comeu coelho, e a sobrinha também. Adoraram. 

Depois do repasto, que estava delicioso, fomos para a casa de amigos, Raul e Karina, e suas filhotas praticamente na mesma faixa etária da Maricota, Luana e Bebel. Num dado momento, passei pelo corredor, e escutei a conversa das meninas, que falavam alto, e gargalhavam. Diante de assunto tão atraente, não pude resistir à cafajestagem de escutar o papo por detrás da porta. A filha se vangloriava de ter experimentado o coelho, para espanto das amiguinhas, chocadas provavelmente com o ato maldoso de comer bichinho tão simpático. Foi quando a Maria jogou mais pimenta na brincadeira.
– Ah, mas vocês não sabem. Meu pai come língua, língua de boi. Que nojo!!!
– Eca, que nojo. Eca! – bradaram as irmãs, em uníssono.
Eu ri muito por dentro, mas achei que era hora de intervir. E me meti na conversa.
– Ah, gente, mas língua é muito bom, uma delícia. É um dos pratos que mais gosto.
– Ah, não, papai, é muito nojento.
– Maria, é muito bom. Um dia, vou te dar um pedaço de língua, dizer que é carne comum, você vai provar e, garanto, vai adorar.
Ela colocou as mãos na cintura, e disse com toda a convicção do mundo.
– Você não vai fazer isso, pai, você sempre me diz o que está me dando para comer.
Ela sabia o que estava dizendo. Jamais daria algo para ela comer sem dizer o que é. Nunca fiz, nunca farei. Ao menos enquanto ela for criança, porque pregar peça do gênero em adultos não é tão grave assim.
– Maria, é claro que eu nunca vou fazer isso. Tô só implicando. Um dia, Maria, vou te levar em um dos meus dois restaurantes japoneses preferidos no Rio, o Azumi ou o Ten kai. Eles fazem uma língua grelhada, fininha. Tenho certeza de que você vai adorar. Vamos?
– Ah, papai, não sei.
O assunto não morreu ali. Gostei tanto da história, que sempre contava aos amigos, e Maria ficava cheia de vergonha ao escutar a narrativa. Depois disso, continuamos indo a restaurantes, e a mocinha nunca deixou de provar as coisas. Adora polvo, vieiras, mas também miojo, pipoca e hambúguer. Odeia trufas. Atum cru acha uma delícia, e adorou provar cavala, em Búzios, até por causa do nome do peixe. Enfim, de lá para cá foram muitos e muitos momentos gostosos à mesa, comendo em casa ou em restaurantes finos, em botequins e em hotéis, no Rio, em Teresópolis, em Petrópolis, em Friburgo, em Búzios…
Provamos muita coisa, mas a língua era uma carta na manga, e eu fazia questão que ela provasse pela primeira vez no Azumi ou no Ten Kai, por ter a absoluta certeza de que ela adoraria, e que assim perderia o preconceito com a deliciosa iguaria.
Não deu outra. Na noite de sábado, depois de muita farra no Parque dos Patins, fomos jantar no Ten Kai. Tivemos um longo e lindo menu, com detalhes que vou deixar para detalhar no final de semana, senão este post ficará demasiadamente longo.
O que importa é que no meio de uma degustação memorável, temperada por saquês deliciosos e o interesse da pequena pelas iguarias japonesas, pedimos uma porção de língua. Com aquele pauzinho para crianças, com armação de plástico que facilita o manuseio, ela provou a língua. Levou a boca o primeiro hashi com uma engraçada cara de nojo, quase pavor, que logo se desfez.
– Hummmm… É  bom, papai. Muito bom mesmo. Parece churrasco. Quero mais um.
E ela foi comendo. Eu, provei dois ou três. Deixei para ela a porção, comeu tudo, não sobrou nem um pedacinho. Provou com o molho, de soja, gengibre e óleo de gergelim, segundo creio. Achou bom, mas preferiu sem. Também adorou a borboletinha de cenoura.

Para o prato principal, comeu arroz com ovo e camarão. Adorou.

Ten Kai - Maria e o brownie

E encerrou com um indecente brownie com sorvete, para que nem tudo naquela noite fosse tão exótico assim para a menina, que curtiu muito sentar na esteira, com a mesa na altura do chão, e achou o máximo a salinha privativa com tatame, ocupada por um grupo de amigos.
– Papai, esse foi um dos melhores restaurantes que eu já fui na vida. Quero um dia comer na salinha.
Fiquei contente com o comentário. Adoro o Ten Kai. Fiquei orgulhoso por ela ter provado a língua, e tantas outras gostosuras.
Fomos embora felizes. Acho que eu ainda mais do que ela.

Para ler mais: Um jantar em família no Ten Kai, parte 2: saquês, pescados e alegrias

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Menu no Sri Lanka em cartaz no tailandês Sawasdee: picante, fresco e leve

11/04/2013

O chef Marcos Sodré foi um dos primeiros no país a apostar na cozinha tailandesa. Em 1998 inaugurou o seu Sawasdee, em Búzios, que há uns cinco anos chegou ao Rio, primeiro se instalando na Rua Dias Ferreira, no Leblon, e depois no Fashion Mall, em São Conrado. Nas duas lojas cariocas ele com certa regularidade serve menus de outros países da Ásia, para onde sempre viaja em busca de inspiração, ultimamente na companhia do filho, Thiago, que hoje divide com ele as responsabilidades na cozinha.

Desta vez Marcos apresenta ao cariocas a culinária típica do Sri Lanka, que tem um quê de interseção entre Índia e Tailândia. Ontem estive lá, numa animada mesa entre amigos, incluindo o próprio chef, que vez ou outra aparecia para um brinde, e para apresentar as receitas.

Sempre comi bem no Sawasdee, mas ontem sem dúvida tive uma de minha melhores experiências. O menu custa R$ 120, por pessoa e fica em cartaz até o dia 14, ou seja, o próximo domingo. Em Búzios, na matriz, a lindíssima casa original na Orla Bardot,  o menu será servido nos dias 19, 20, 26 e 27 de abril. Uma boa desculpa para ir até lá para quem não puder provar durante a temporada carioca.

Para quem gosta da cozinha asiática, é uma brincadeira imperdível, uma deliciosa refeição picante, fresca e leve.

Mango lassi

O boas-vindas é o mango lassi, uma espécie de suco de manga com toque de iogurte. Refrescante, saboroso.

Sawasdee - mandiopan

Mas nós começamos mesmo foi com uma cava, que acompanhou muito bem o mandiopan com curry, o amuse bouche da casa.

Sawasdee - Riesling alsaciano

E logo partimos para dentro da Riesling. Primeiro, saboreando um lindo alsaciano, o Domaine Barmès Buecher Herrenweg Riesling 2009,  seco, fresco, mineral, aromático. Foi ele que nos acompanhou durante a primeira rodada, casando perfeitamente com a comida, picante, intensa, aromática.

Sawasdee - menu Sri Lanka

Os acompanhamentos chegam todos juntos, com o prato principal, ocupando toda a mesa:  arroz basmati com coco torrado; sambal de coco fresco; berinjelas grelhadas com castanhas e semente de mostarda; chutney de abacaxi; kale malung (salada de taioba com chili, limão e coco fresco); chapatis de farinha integral e …

Sawasdee - batatinhas

… batatinhas douradas com feno-greco e hortelã (close nelas!).

É preciso escolher entre três opções de prato principal: o curry de cordeiro com grão de bico que aparece em posição central, com o pauzinho de canela,  na foto da mesa com os pratos servidos (duas imagens acima);…

Sawasdee - Curry Negro de Peixe com Quiabo grelhado e tomate cereja

… o curry negro de peixe com quiabo grelhado e tomate-cereja…

Sawasdee - Chicken Massala com castanhas de caju

… ou o chicken massala com castanhas de caju e iogurte.

Adorei os três. E acho que bom mesmo deve ser formar uma mesa grande, pra provar de tudo. Só de escrever esse post eu salivo, e fico com vontade de voltar para provar novamente. O trio reforça, uma vez mais, o talento do Marcos Sodré na criação de molhos com leite de coco e especiarias. Eu comia esses caldos aromáticos, encorpados, picantes e apaixonantes com colher, com certa compulsão, e imenso prazer. Coisa de doido. Clap clap clap clap clap!!!!! Aplaudo de pé. Com lágrimas nos olhos e soltando fogo pelas ventas, numa alegria incontornável, quase juvenil, que a comida boa é capaz de me proporcionar. 🙂

Sawasdee - Riesling alemão

Pedimos um repeteco do cordeiro e do frango (não que fossem os melhores). Agora, apreciando um belíssimo Riesling alemão, o Schloss Vollrads Riesling 2010, que ficou ainda melhor com o menu do Sri Lanka. Como eu gosto da uva Riesling, e como eu sou apaixonado pelos exemplares da Alemanha!

– Alguns pratos devem entrar em cartaz, e o cordeiro com certeza eu vou servir no Festival Gastronômico de Búzios – diz o chef Marcos Sodré, me tentando a comparecer à festança culinária do balneário, nos dois primeiros fins de semana de julho.

Sawasdee - Panacota de limão ao molho de abacaxi perfumado com kaffir e capim santo

Para a sobremesa, panacota de limão ao molho de abacaxi perfumado com kaffir e capim santo, para terminar levemente.

E o café, é claro.

Numa boa: gostei muito. E recomendo fortemente para os que apreciam a cozinha picante da Ásia, claro.

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Le Canton ganha pista de esqui

05/04/2013

Le Canton 1

Quem já tem alguma habilidade com os esportes de neve pode deslizar ladeira abaixo com seus esquis ou snowboards, alugados ali mesmo. Para quem não tem intimidade com os equipamentos, há aulas aos sábados e domingos. No fim de semana passado o hotel Le Canton, em Teresópolis, inaugurou uma pista de esqui coberta, aberta também a não hóspedes, projetada pelo arquiteto João Uchôa, que viajou para EUA, Bélgica, Espanha e Dubai para estudar as pistas artificiais e a tecnologia empregada.

Le Canton 3

Ao lado do rinque de patinação no gelo, a pista, com 48 metros de extensão, foi inspirada no Ski Dubai, no Mall of The Emirates, nos Emirados Árabes, mas é bem menor, e usa outra tecnologia. Para subir até o alto, há uma esteira igual às pistas para iniciantes nas estações de esqui.

Le Canton 4

— Não usamos gelo de verdade. É neve sintética. A pista é forrada com um tapete e um tipo de polímero que, quando hidratado, ganha uma consistência que lembra neve. Assim, também não precisamos ter sistema de refrigeração, o que iria gerar um custo altíssimo. Além disso, não é preciso usar roupas especiais de frio, basta estar de tênis — diz Marcelo Campos, administrador do Le Canton, que ainda no primeiro semestre inaugura mais um hotel, o terceiro do complexo, com 46 quartos, além de restaurante de carnes e lojas, em construção ao lado da pista de esqui.

Le Canton 5

São três equipamentos diferentes para se usar na nova pista: boia canadense, para todos os públicos (R$ 20, a hora), que agrada principalmente às crianças; esqui (R$ 45) e snowboard (R$ 60) — esses dois últimos apenas para os que têm habilidade com os esportes (há equipamentos para crianças e adultos). Pelos mesmos preços, hóspedes do hotel têm direito a duas horas. A pista fica aberta, aos sábados, das 14h às 20h (até as 16h é usado apenas para aulas), domingos e feriados, das 11h às 18h30m (até as 13h, somente para aulas).

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Semana Santa em Paraty

28/03/2013
Um dos altares dos Passos da paixão, abertos apenas na Semana Santa

Um dos altares dos Passos da paixão, abertos apenas na Semana Santa

A cerca de 270 quilômetros do Rio, Paraty é um destino sob medida para a Semana Santa. Não apenas por ser perto, mas principalmente porque a cidade realiza neste feriado uma bonita festa, com procissões, missas e ladainhas, tradições antigas na cidade. É uma oportunidade única de ver as seis belas imagens dos Passos da Paixão, as únicas que restam, cujas portas ficam fechadas o ano inteiro, para serem abertas apenas no Sábado de Aleluia. Da mesma maneira, algumas imagens do acervo do Museu de Arte Sacra de Paraty só podem ser apreciadas nesta época, quando saem dos cofres para exibição ao público.

procissao-do-fogareu-paraty

A programação começa na noite de quinta para sexta-feira. Exatamente à meia-noite, com as luzes da cidade apagadas, tem início a Procissão do Fogaréu, que percorre as ruas do Centro Histórico iluminada por tochas carregadas pelos fiéis, que tocam matracas. Eles entram pelos acessos laterais das igrejas, para depois saírem pela porta principal.

Outro aspecto que torna Paraty um destino interessante no início de abril é o clima. O índice pluviométrico na região despenca de quase 300mm por mês para pouco mais de 100mm, na comparação entre março abril. Os dias quentes, úmidos e chuvosos, típicos do verão da Costa Verde, dão lugar a uma temperatura mais amena, com possibilidade de sol brilhando e noites estreladas — apesar de a meteorologia prever alguma chuva para a Páscoa.

Paraty 2

Quem viaja na noite de quinta-feira, ou na manhã de sexta, pode pegar um trânsito infernal na BR-101, ainda mais neste momento de obras não finalizadas. O mesmo vale para os que retornam na manhã do domingo de Páscoa. Portanto, se você puder evitar esses horários…

Esse texto foi publicado no Boa Viagem em março de 2010.