Archive for the ‘Vinho’ Category

A caminho da Campanha Gaúcha, de onde saem alguns dos vinhos brasileiros que mais me encantam

03/03/2015
O Merlot vinificado como branco, da Dunamis, uma das oito vinícolas no roteiro

O Merlot vinificado como branco, da Dunamis, uma das oito vinícolas no roteiro

Já estive umas dez vezes na Serra Gaúcha. Talvez 12. Mas jamais visitei a região da Campanha Gaúcha, de onde saem alguns dos vinhos brasileiros que mais me encantam atualmente. Resolvo esta questão a partir de hoje, quando embarco para Porto Alegre para quatro dias de viagem por cidades como Bagé, Uruguaiana e Rosário do Sul, tendo como base Santana do Livramento, onde estarei hospedado.
O roteiro combina vinícolas veteranas, como a Almadém, hoje pertencente ao grupo Miolo, que chegou à região ainda nos anos 1970, fruto de investimentos estrangeiros, e novatas, como a Guatambu, cuja cantina foi inaugurada há menos de cinco anos, um dos projetos mais interessantes da Campanha Gaúcha.
As visitas propriamente começam hoje, por volta das 18h, quando chegamos a uma das vinícolas brasileiras mais simpáticas, a Routhier & Derricarrère, aquela cujo símbolo é uma Kombi vermelha, localizada em Rosário do Sul.
De modo que, nos próximos dias, esse blog vai estar cheio de assunto: ainda tem histórias da viagem à Argentina para contar aqui; a série “450 Sabores do Rio” está a pleno vapor (o prato de hoje é o kassler à mineira, do Bar Brasil, uma criação de ninguém menos que Paulinho da Viola) e logo vou começar também a escrever sobre a Campanha Gaúcha.
Adoro essa diversidade de assuntos e lugares.

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Portugal de Norte a Sul: um passeio pelos vinhos do país, na Cavist

27/02/2015

Este ano começo a dar aulas e palestras de vinho regularmente, e de temas afins, como turismo e gastronomia, e cervejas. Em paralelo, vamos organizar, com diversos parceiros, eventos, almoços e jantares. E até viagens. Vou, por assim dizer, começar a diversificar os negócios, fazendo consultorias, montando cartas de bebidas e dando treinamentos.
Dizem que a propaganda é a alma do negócio. Então, vamos a ela. O trabalho começa no dia 9 de março, com uma aula sobre vinhos portugueses na Cavist de Ipanema. No dia 16, a aula se repete, na filial da Barra da Cavist. Os vinhos servidos serão representantes de cinco zonas vinícolas das mais importantes do país, mostrando a sua diversidade enológica em termos de uvas e estilos.
Serão eles:
– Vinhos Verdes – Quinta do Ameal
– Douro – Flor do Crasto Branco
– Dão – Vinhas Paz Colheita
– Alentejo – Anas Tinto – Herdade do Sobroso
– Porto – Taylor’s Selection
Custa R$ 170. E começa às 20h. Mais informações e reservas nos telefones 2123-7900 (Ipanema) e 2493-6161 (Barra)
Haverá outros, que já estou acertando, que irei divulgar aqui oportunamente (de certo, nos dias 4 e 5 de maio, na mesma Cavist, haverá degustação de Champanhe).

Para ampliar a imagem abaixo, para ver mais detalhes, basta clicar em cima.

image (1)

Mendoza, segundo dia, parte 2 – O Vale de Uco: passeio imperdível

27/02/2015

Vale de Uco 1

Em termos de paisagem, mesmo com a forte concorrência (Patagônia, Luján, Pedernal), a viagem de aproximadamente uma hora e meia de Mendoza ao Vale de Uco foi a mais bela. Seguimos rumo ao Sul, acompanhando a Cordilheira dos Andes, à nossa direita. Quando viramos em direção às montanhas, deixando a estrada principal, já vamos subindo um pouco de altitude, nos embrenhando nas raízes dos Andes, que vão se tornando cada vez mais imponentes quanto mais próximos estamos deles. O vulcão Tupungato é uma rocha sólida e nevada, branca, com sombreados, de contornos preciosos, tipo obra de arte, um desenho de precisa beleza acidentada.
O clima campestre, as parrillas de beira de estrada e os vinhedos que vão surgindo dão contornos bucólicos ao passeio. Passamos por pequenos vilarejos pacatos, onde podemos comer maravilhosos pescados, garante-me o meu motorista, e eu acredito nele.
– Que pescados? Trutas da região? Salmão? – pergunto.
– Sim, claro. Também. Mas eles fazem de tudo. Camarões, lulas, peixes marinhos. Muito recomendável.

O Vale de Uco anda se sofisticando, no ritmo da fama de seus vinhos. Algumas das mais lindas e modernas bodegas da Argentina estão por lá, como a Salentein, que era o nosso destino naquela manhã ensolarada, depois de um raro dia nublado em Mendoza. O movimento enófilo atraiu vários hotéis e pousadas, e consequentemente, bons restaurantes e um interessante comércio local, com umas lojinhas de artesanato, butiques, coisa e tal.
O cenário é desértico, com plantações alimentadas pela água do degelo dos Andes. Entramos na vinícola, passamos por uma capelinha e logo estamos de frente para o prédios de linhas retas, em tons ocres, combinando com a paisagem, bem integrado a ela.
Na verdade, são duas edificações, distantes cerca de 100 metros uma da outra.

Salentein 2

Na primeira, uma espécie de centro de visitantes, com recepção, loja etc.

Salentein 24

Há um restaurante com vista para os vinhedos.

Salentein 26

 

As empanadas que provei estavam bem boas.
Salentein 29

E o lugar tem até uma galeria de arte.

Salentein 25

Gostei dessa obra, um emaranhado de lentes, que distorce os quadros.

Vale de Uco 5 - Salentein 2
E há várias peças espalhadas por diversas partes, externas e…

Salentein 1
… internas.

Salentein 3
Do outro lado está a bodega propriamente dita, onde é produzido o vinho. Vamos caminhado pela alameda que atravessa o vinhedo,…

Salentein 6

… tirando aquelas fotografias clássicas.

Salentein 5

As roseiras, com os vinhedos, e neste caso, com uma bossa especial, os Andes ao fundo.

Salentein 7
Comemos algumas uvinhas, porque ninguém resiste a verificar os graus de açúcar e acidez, delicioso exercício de imaginação. A fruta suculenta, a secura dos taninos, o caldo agridoce. A tinta que colore os nossos dedos ao esfregarmos as cascas. O sabor amargo da semente, que mordemos para testar os taninos.
Soube que tinha nevado na noite anterior.

Salentein 9
– Essas montanhas ontem não estavam assim. Caiu muita neve – informa-me um local.

Salentein 10
Do lado de fora podemos dizer que o prédio é discreto, quase camuflado na paisagem, com a vegetação andina, tambpem em tons desbotados, ocres. Não se imagina que lá dentro o cenário é imponente, com ares de catedral, um templo do vinho. As barricas estão como em altares. Dedicados a Baco. Dionísio.

Salentein 11

Dele temos um bom panorama do edifício que recebe os visitantes.

 

Salentein 12
Quando chegamos ao salão principal, um imenso buraco redondo no chão revela uma sala de barricas que é como uma grande caverna.

Salentein 13
Tem acústica de sala de concertos, e um piano de cauda está sempre ali, esperando o próximos maestro (são pelo menos duas apresentações por ano, uma de tango, outra de música clássica). Uma rosa-dos-ventos no chão é sinal de orientação.

Salentein 16
Descemos até o chão. A energia no local é boa. Flui. As barricas. Redondas. O salão. Arredondado. Os grandes tonéis. Circulares. Tudo fluido.
O buraco que era no piso, agora está no teto. E dele vem uma luz bonita, apoteótica, quase divina, daquela que vemos em igrejas antigas, invadindo a nave através do mosaico meticulosamente pensado.

Salentein 18
Há várias enotecas, salas não muito grandes que guardam os vinhos já engarrafados, em armários com portas de metal. São também salas de degustação, para que os grupos de visitantes em cada prova não sejam muito grandes. E há de vários tipos.
A mesa é belíssima. Um tipo de mármore, em pedra bruta, que lembra uma rolha.

Salentein 23
Nem sempre se tem a sorte de degustar os vinhos com o seu autor. Quando isso acontece, é sempre melhor.Quem nos recebeu para a prova foi o enólogo da casa, Pepe Galante.

Salentein 19

E começamos a prova.

O Salentein Reserve Sauvignon Blanc 2014 era muito aromático, com pimenta branca, mentolado, e vegetal, com notas de capim-limão e grama cortada, com uma mineralidade, e um toque salino. É uma especialidade da casa. São 1,2 milhão de garrafas ao ano.

– Somos a única vinícola da Argentina que produz mais Sauvignon Blanc do que outros brancos, como Chardonnay e Torrontés. E fazemos isso porque aqui em Uco o clima é mais fresco, e adequado a esta variedade – explica Pepe Galante.

O Salentein Reserve Chardonnay 2013 é fermentado em  barraica, ganhando untuosidade, com textura gorda. Tem notas florais, e de frutas, como melão, e cítricos, como limão. Tem volume de boca, deixando um rastro adocicado, de baunilha, mas com isso tudo, sem perder o frescor.

Salentein 20

Partimos para os tintos. O Salentein Reserve Pinot Noir 2013 puxou a fileira, com muita fruta, e uma pimentinha. Um vinho claro, com bonita cor, límpido e puro, com notas de rosas e cerejas, e algo de ervas, com um tomilho fresco muito nítido, e um final longo e agradável.

Salentein 21

O Salentein Reserve Malbec 2013 trazia as típicas notas florais de violeta, e tília, com muita fruta fresca, notas de chá, e taninos macios, com textura agradável. Uma seda. Muito delicado.

Salentein 22

Foi a vez do Numina Cabernet Franc 2013. Bastou um giro na taça, e uma respirada na borda dela para sentir o perfume do vinho, terroso, floral, cheio de fruta, cheio graça. Já ali tinha a certeza que estava diante de um dos vinhos preferidos da viagem. O que comprovei em seguida, ao sentir a textura firme e sedosa, o sabor rico, com tudo aquilo que os aromas revelavam, e algo mais. Cogumelos. Trufas. Especiarias. Ervas. Fruta, muita fruta. Amoras e mirtilos. Jaboticaba. Um Cabernet “Franco”, direto e puro, sincero eu diria. Elegante.

Depois, ainda provamos o Numina Malbec 2012 (aroma delicadamente doce, com taninos firmes e textura fina: “delícia”, como escrevi); e o Numina Gran Corte (coisa séria, meio misterioso, com muito frescor; complexo, floral, com notas de frutas em compota, floral, bem longevo, com acidez marcante e taninos  redondos: acho que chega ao auge em uns 10, 15 anos).

Eu, que acredito nas energias, e na influência delas em todas as coisas, tenho a certeza de que aquela bodega bonita, com jeito de basílica, em suas formas fluidas, arredondadas, ajudam o vinho a ter esse estilo redondo, macio e sedoso. Ele descansa em barricas muito bem acomodadas, e que por vezes são brindados com belos concertos. Dizem que a música faz bem ao vinho. E eu acredito. Ainda mais depois desta visita à Salentein.

 

Mendoza, segundo dia, parte 1 – O Vale de Uco

26/02/2015
A estrada a caminho do Vale de Uco: viramos a direita e temos os Andes à nossa frente, e vamos nos entranhando nele, em busca de alguns dos melhores vinhedos da Argentina, e de  algumas das bodegas mais lindas, e dos hotéis mais charmosos

A estrada a caminho do Vale de Uco: viramos a direita e temos os Andes à nossa frente, e vamos nos entranhando nele, em busca de alguns dos melhores vinhedos da Argentina, e de algumas das bodegas mais lindas, e dos hotéis mais charmosos

Num país como a Argentina, com produção de vinhos gigantesca, encontramos a um só tempo muitas tendências. Hoje, por exemplo, podemos dizer sem medo de errar que uvas como Cabernet Franc, Petit Verdot e Semillon andam em alta, bem como o surgimento de single vineyards. Em termos de geografia, em se tratando de Mendoza, a região que está mais badalada no momento é o Valle de Uco, a cerca de uma hora e meia de carro, por uma estrada reta, que primeiro vai acompanhando paralelamente o traçado dos Andes, aquele cenário de picos lindos e imponentes, até que viramos à direita, e vamos nos entranhando nas montanhas, seguindo um circuito agora sinuoso, com paisagem que vai se tornando cada vez mais bela.

O vulcão extinto Tupungato, e sua neve eterna

O vulcão extinto Tupungato, e sua neve eterna

Até surgir imponente o vulcão Tupungato, ícone da paisagem linda, com picos de neve eterna. É o pedaço mais quente e “cool”, de Mendoza. Quente, entenda por badalado, porque esta é das zonas mais frias, e alta, o que é grande parte de suas credenciais de distinção e qualidade. Áreas como La Consulta e Gualtallary estão na moda, e o Valle de Uco, como um todo. Quem visita Mendoza hoje em dia não pode deixar a preguiça tomar conta, restringindo o programa apenas às bodegas mais próximas da área central, e como Maipú, Godoy Cruz, Agrelo e até Luján de Cuyo. Uco é necessário.
E quem quiser pode até se hospedar por lá, em hotéis como The Vines Resort & Spa, entre tantas possibilidades de hospedagem, desde pousadas de charmes a resorts temáticos (sobre vinho, claro).

A Salentein tem uma arquitetura integrada à paisagem

A Salentein tem uma arquitetura integrada à paisagem

Entre as bodegas de visita obrigatória está a Salentein, pela combinação da arquitetura meticulosamente linda e original, bem integrada à paisagem, e com raro perfil, passando pela própria qualidade dos vinhos em si, …

Obras de arte estão espalhadas pela Salentein

Obras de arte estão espalhadas pela Salentein

… e até chegar à coleção de arte que se espalha pela propriedade, e pela loja bem montada, e o restaurante de paredes envidraçadas, com vista para as montanhas, que era o nosso destino naquela manhã. Acordamos e saímos cedo, e a esticada até lá já começa a valer a pena só pela paisagem que podemos apreciar pela janela (escolha um lugar no lado direito).
E este é o tema do próximo post da série (para ler, clique aqui).

Mendoza, primeiro dia, parte 3 – Seis bodegas e um jantar

25/02/2015

Feira - Finca Agostino

 

De todas as bodegas que encontraria naquela noite, que ainda estava clara por volta das 21h, eu apenas não conhecia a Finca Agostino, que pertence a uma família de raízes italianas, como tantas em Mendoza, mas que imigrou para o Canadá, e anos mais tarde voltou à capital do vinho argentino para começar a produzir a bebida, numa trajetória muito particular. Comecei por ela. Provei um corte de Chardonnay e Viognier que é untuoso e amendoado, cremoso.

Maria e as lhamas
Pulei para a mesinha da Tapiz, bodega que conheço com certa intimidade, onde já havia me hospedado, em 2008 (para ler um post da época, clique aqui), numa pousada campestre, em meio aos vinhedos, com piscina frequentada por lhamas (acredite), e quartos instalados em um casarão antigo, de modo que a gente se sente em casa. A foto acima é “de arquivo”, roubada do post de 2008, lá no blog Enoteca.

Feira 2- Tapiz
Ali nos esperavam três vinhos da linha Alta Collection: Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Malbec. O primeiro segue a estirpe amadeirada, untuoso e rico, cítricos, com notas de peras suculentas, com bom frescor e final agradável. O Cabernet tem muita fruta madura, e aromas refrescantes, que remetem a ervas como menta e hortelã, com taninos persistentes. O Malbec também era potente, bem típico da uva, com ameixa e violeta, com notas adocicadas.

Feira 3 Finca El Origem
Na mesa da Finca El Origen, mais um Viognier ensolarado, floral, como se espera, o Reserva 2013. A vinícola opta por um estilo musculoso, com madeira marcante.

Feira 4 - Trivento
Na Trivento, um trio de Malbec, para investigar seus estilos. De uma maneira geral, entre os vinhos argentinos, os mais leves e frutados me dão mais prazer, e são bem mais baratos. Assim, achei sagaz e alegre o Malbec Reserva 2012, floral, frutado. O Golden Reserve 2012 é apimentado, com notas de violetas, as mais vinhedos de Luján de Cuyo, de onde saem as uvas deste vinho. Chegamos, então, ao Eolo, ícone deste bodega que faz parte da Chandon, e por consequência, do grupo LVMH, um vendaval, concentrado, espesso. Aí, neste exemplar da safra 2011, ainda encontramos tudo muito misterioso e concentrado. Há baunilha, chocoleta amargo, café. Há ameixas e uvas passas. Há geleias de amoras e mirtillos. Há flores. E ervas. Pode ser um tempero para pratos fortes.

Feira 5- Argento

A Argento levou um trio de perfil bem variado. O Pinot Gris mostra que esta casta anda mesmo em alta em várias áreas do novo mundo, dos EUA e Austrália, até a Argentina, já contaminando o resto da América do Sul.
Hoje a vinícola tem a sua própria bodega e vinhedo. E a Bonarda tem aquele perfil de que falávamos, de fruta, leveza, um vinho correto para o dia a dia, de preço justo, acessível.
O Malbec-Malbec Reserva 2012 é um corte de vinhos da mesma uva, que tem a virtude do equilíbrio.

Altocedro 1- Restaurante
O jantar foi bem agradável. O restaurante é uma unidade mendocina de uma casa porteña, que segue a linhagem “confort food”, buscando produtos orgânicos para resultar numa cozinha aconchegante. Levamos para a mesa os vinhos das provas. E outros foram abertos. O Altocedro Año Cero Rosé de Malbec é uma tchutchuca, delicado, refrescante e fresco, com sabor de maçã, com casca, daquelas suculentas, ácidas, e com alguma doçura. Lindeza.

Altocedro 2 - Restaurante
Foi com ele na taça que eu fui dando bicadinhas nessa xícara esmaltada, que trazia uma piperrada, sopinha fria, prima do gaspacho.

Altocedro 3 - Restaurante
Depois, eu fiquei namorando por muito tempo o Altocedro Pinot Noir. E pedi mais uma taça. Coloquei um pouco de Eolo. E nem estava pensando em harmonizar, porque a etapa seguinte era uma torradinha fina de focaccia, com provoleta de cabra, assada no forno, com casquinha crocante, ressaltando a sua salinidade e gordura, com uma espécie de ratatouille, e saladinha da horta, com folhas orgânicas, tomatinhos. Puro conforto. Maridaje? O Pinot ficou um tesão com esse prato.

Altocedro 4 - Restaurante
O prato principal era um matambre de porco, com recheio tipo “pascualino”, com queijo, espinafre, em base de ovo, com um purê verde (talvez de batatata com favas) e vagens francesas, em dois tons de cor, com molho de… Pimentão, se não me valha a memória (não tomei nota deste prato).

Altocedro 5 - Restaurante
O “postre” foi um pudim. Chamado por lá de flan. E, neste caso, preparado de modo que eu jamais havia visto, em tabuleiro, para ser cortado em quadradinhos, retângulos, ou como se queira. Ao lado, uma generosa colherada de doce de leite reforçava a doçura.

E amanhã vamos pegar uma estradinha, rumo ao cada vez mais badalado Vale de Uco.

 

Mendoza, primeiro dia, parte 2 – Proemio, novidade no Brasil, e Altocedro, que está de volta: bom ficar de olho neles

24/02/2015

 

Depois do almoço no Bistro M, do Park Hyatt, começamos a jornada vinícola mendocina com uma novidade para o mercado brasileiro: fomos conhecer a Proemio, que a partir de março começa a ser vendida por aqui, uma bodega que eu resumiria como pragmática: querem fazer bons vinhos, usando madeira e uva de qualidade. E conseguem. O que vi foi uma linha de perfil conservador, que usa madeira de alta qualidade, fazendo uma classificação básica, com vinhos sem barrica, e outros com, e os rótulos de alta gama.

A sala de barricas da Proemio, que comprou uma bodega de 1930

A sala de barricas da Proemio, que comprou uma bodega de 1930

Na sua linha mais simples, enxergamos a fruta, e encontramos alguma leveza e frescor, como deve ser.

O Proemio Cabernet Sauvignon Reserve, ao lado de outros vinhos de alta gama da Proemio

O Proemio Cabernet Sauvignon Reserve, ao lado de outros vinhos de alta gama da Proemio

O seu Proemio Cabernet Sauvignon Reserve, com passagem em madeira, foi um dos vencedores do Argentina Wine Awards. “Condimentado, defumado, com taninos bem marcados e uma acidez nervosa, que vai lhe dar condições de muito melhorar nos próximos cinco anos, acho eu. Seco, com uma piracina interessante, que me lembrou ají amarelo, e boa expressão da fruta, com a madeira de qualidade bem integrada”, foi o que escrevi no post sobre os vinhos premiados.
Os vinhos apresentam uma boa relação qualidade-preço, mas como não são baratos, vão atingir mais o consumidor que busca mais qualidade do que preço.Gostei da purereza e do frescor do Chardonnay, sem barrica, um vinho limpo e fácil de beber, com acidez agradável.

Proemio Cabernet Sauvignon 2014: a pureza da fruta, a partir do mês que vem no Brasil, a R$ 49

Proemio Cabernet Sauvignon 2014: a pureza da fruta, a partir do mês que vem no Brasil, a R$ 49

O seu Cabernet Sauvignon básico, que será vendido na casa dos R$ 49 (é o preço da linha sem mandeira), muito me agrada. Um ponto interessante da prova foi harmonizar os vinhos com doces.
A empresa tem um perfil de atuação amplo em termos de negócios envolvendo o mundo do vinho.
– Queremos nos tornar um conglomerado de viticultura. Tudo começou com a importação de barricas francesas Vicard para a Argentina. Depois, veio a vontade de fazer vinho. Começamos comprando uvas, e hoje já temos os nossos vinhedos. E compramos essa bodega, que é de 1930, há 12 anos. O projeto inclui vários outros produtos, como polifenóis de semente de uva para cosméticos, e mesmo para a adição em vinhos – diz Julián Iñarra Iraegui, gerente de exportações da Proemio, que hoje produz 12 mil caixas por anos, e pretende vender mil delas para o mercado brasileiro, através da importadora Wine & Co.

A nova sede da Altocedro, em uma antiga bodega, em Coquimbito, na área de Maipú: "La Consulta é muito longe", diz Karim Mussi, o enólogo da casa

A nova sede da Altocedro, em uma antiga bodega, em Coquimbito, na área de Maipú: “La Consulta é muito longe”, diz Karim Mussi, o enólogo da casa

De lá fomos até Coquimbito, na área de Maipú, onde está uma espécie de novo posto avançado da bodega Altocedro, que assumiu uma antiga vinícola, estando agora também um pouco mais perto da cidade de Mendoza.
– La Consulta, onde estamos, é muito longe – resume Karim Mussi, o enólogo da Altocedro, que ainda dá consultorias, e fas projetos paralelos.
Foi ótimo reencontrá-lo (para ler uma reportagem sobre essa degustação, clique aqui). Karim Mussi é um dos expoentes da nova geração de enólogos argentinos, um cara com perfil empreendedor, e que faz os seus vinhos com a mesma personalidade que mostra ao falar deles. Tem ideias originais. E, o mais importante, sabe fazer vinhos. Durante esse encontro, algumas frases dele me chamaram a atenção.
“Tem muita gente fazendo Cabernet Franc varietal na Argentina. Ótimos vinhos, mas não vou fazer um vinho assim, porque não gosto de modismos”.
“Na hora de fazer vinhos, eu gosto de ter opções sobre a mesa. Não gosto de vinhos sobremaduros, porque quero preservar a boa acidez, e o frescor, e não quero um resultado muito alcoólico. Porém, na hora de montar um corte, é bom podemos misturar um vinho mais jovem, fresco, com um mais potente, encorpado. Este trabalho é um dos mais difíceis para um enólogo, e dos mais prazerosos”.

O Altocedro Gran Reserva Icone Malbec 2012: "Muito fino e elegante. Profundo e complexo.  Bom agora, melhor em dez anos"

O Altocedro Gran Reserva Icone Malbec 2012: “Muito fino e elegante. Profundo e complexo. Bom agora, melhor em dez anos”

“O nosso Gran Reserva não é um macho forte, um vinho potente, musculoso. Pensamos nele como uma dama elegante. Queremos mudar este paradigma. Fazemos uma cofermentação, com cerca de 2 ou 3% de Sémillon”.
Resumi assim o vinho – feito com uvas de um vinhedos de mais de 100 anos, em La Consulta – no meu bloquinho: ” SENSACIONAL. Muito fino e elegante. Profundo e complexo. Bom agora, melhor em dez anos.

Abras Malbec e Abras Torrontés: produzidos em Salta

Abras Malbec e Abras Torrontés: produzidos em Salta

Começamos a nossa degustação com um Torrontés de Salta, o Abras 2014. No meu bloquinho de notas, escrevi em letras garrafais (homenagem ao amigo Pedro Mello e Souza): “Gosto disso”. Ao lado, outros comentários: “Bem + elegante mas com a mesma exuberância no aroma do que outros Torrontés. Muita flor, sim, mas com lichia, e outras notas que o aproximam de um Sauvignon Blanc, cítrico, algo vegetal, e acidez lá em cima”. Está dito.
– Colhemos a Torrontés em três etapas, mais verde, mais madura, e bem madura, para jorgar com a acidez, e o frescor, e a madurez, a estrutura, o álcool – explica Karim.

Año Cero Pinot Noir 2013,  um vinho raro em termos de enologia argentina: "Foi um dos melhores, entre os quase 300 provados durante a viagem".

Año Cero Pinot Noir 2013, um vinho raro em termos de enologia argentina: “Foi um dos melhores, entre os quase 300 provados durante a viagem”.

E os vinhos de Karin se encaixam no meu perfil. O seu Año Cero Pinot Noir 2013 é um vinho raro em termos de enologia argentina. Um vinho altamente sedutor, muito agradável de beber, com pimentas, especiarias, um tostadinho aqui, um defumado ali, tudo isso sem esconder a fruta fresca, que brilha em forma de notas de cerejinhas, amorinhas… Tudo isso com muita elegância, um vinho equilibrado, com acidez e frescor, e com volume de boca, untuoso.
Outro destaque foi o Cabernet Sauvignon Año Cero 2013, com aromas de morrones (pimentões vermelhos) assados, pimenta preta, amora frescor, e umas fumacinhas, com taninos marcantes.
E, antes que eu me esqueça… Os vinhos, que já foram importados para o Brasil pela Terramatter, estão voltando, por coincidência, assim como a Proemio, chegando ao Brasil agora em março, pelas mãos de uma nova importadora (que tem os dedos do Marcio Moualla, da Terramatter) chamada Ares dos Andes. Se eu fosse você, ficava de olho.
Além dos vinhos da Altocedro, ainda provamos rótulos de mais quatro bodegas (três de cada: Finca El Origen, Argento, Finca Agostino, Trivento e Tapiz). E, no lugar, também funciona um bom restaurante, e foi lá que jantamos. Mas isso é assunto para o post de amanhã, né? Este já está bem longo. E, nos próximos dias, vamos fazer assim. Vou continuar falando de Mendoza, e de San Juan, encerrando a jornada argentina, enquanto ao mesmo tempo também volto a falar do Rio de Janeiro, e de cerveja, e de vinhos de outras partes, e de cachaça. Ok?

Mendoza, primeiro dia, parte um: um almoço regado a Inéditos Torrontés Brutal 2012

23/02/2015

 

Bistrô M - Park Hyatt Mendoza 1

Adoro a cozinha aberta do Bistrô M, no hotel Park Hyatt, de Mendoza.  E foi ali, com um belo café da manhã (depois de dez horas de viagem madrugada adentro, desde Neuquén, de ônibus), que começou o primeiro dos nossos cinco dias na cidade ,- a capital do vinho argentino (são cerca de 1.400 vinícolas!!!) -, com direito a uma escapada até San Juan, onde visitamos três bodegas.

Bistrô M - Park Hyatt Mendoza 2

Ao centro, um grande forno, a gás, que parece a lenha, pela forma, e pelo resultado do que é assado ali dentro.

Inéditos Torrontés Brutal 2012
A chegada a Mendoza foi triunfal. Pelo que bebemos. No almoço, abrimos uma garrafa do Inéditos Torrontés Brutal 2012, um desses vinhos desconcertantes, não filtrado, com aromas que fogem do usual, um branco com estrutura, vinificado como se fosse um tinto, com maceração com as cascas. Sim, um vinho laranja, uma das obras-primas de Matias Michellini. O vinho tem aromas de mel, uvas passas (brancas), tâmaras e casca de laranja cristalizada. Um vinho denso, com volume de boca, e uma alta acidez – direta, picante, pontiaguda.

Bistrô M - Park Hyatt Mendoza 4
Foi o destaque do almoço, mostrando grande versatilidade à mesa. No meu caso, se entendeu muito bem com a entrada, uma espécie de pizza (fugazetta, para eles), com rúcula, azeitonas pretas e um toque de queijo azul.
Ok, isso era de se esperar. Mas, ando cada vez mais convencido de que certos brancos vão bem com carnes, e esse é o caso dos vinhos laranjas. Pra mim, os vinhos de Josko Gravner (que não são laranja, e não são mesmo, mas sim, âmbar) são altamente gastronômicos, e pratos com cordeiro e vitela ficam divinos com eles (para ler mais sobre os vinhos de Gravner, clique aqui).

Bistrô M - Park Hyatt Mendoza 5

De modo que deixei um pouco do vinho, não só para prolongar o prazer de degustar o Inéditos Torrontés Brutal 2012, mas também porque imaginei que ele se entenderia bem com o prato principal, uma carne (esqueci qual, mas acho que vacío) fatiada, servida com acompanhamentos generosos: queijo, cebola, pimentão vermelho, e um molho roti.

Cabernet Franc

Tínhamos na mesa um Cabernet Franc, mais um belo Cabernet Franc argentino. Essa, uma escolha segura e certeira para um prato assim. E, de fato, ficou muito bom. Mas o Torrontés também brilhou. E eu fiquei ali, com momentos de grande prazer, fazendo algo que tenho gostado muito. Provar dois vinhos com um mesmo prato, e melhor ainda se for um branco e um tinto. Dou um gole no branco. E então uma garfada na comida. Sinto o entendimento da dupla. E então bebo um gole de água, ou vou mesmo direto ao tinto. E dou outra garfada. E sinto como se comportam juntos. E vou ao branco novamente. Que limpa e boca. E, nesse motocontínuo, amigo, só tenho algo a lhe dizer: o vinho nasceu para dar prazer, e não trazer preocupações.

Bistrô M - Park Hyatt Mendoza 6
Encerrei com um sorvete caseiro de pistache, bem bom gostosinho.

Melodía Malbec Rosé Dulce

 

Foi servido com um alegre espumante rosado, e docinho. Ficaria melhor com um doce com frutas vermelhas, tipo tartelete de framboesas, cheseecake com calda de morango e outras variedades do gênero, bem como no preparo de coquetéis.

E de lá começamos uma intensa agenda de visitas e degustações (só em Mendoza, provamos cerca de 200 vinhos, em cinco dias). Mas isso é assunto para outro post, certo?

Um panorama dos vinhos argentinos através de 12 rótulos

21/02/2015

Depois de um almoço sempre bom no La Cabrera, com molleja inteira e asado de tira, fomos visitar Joaquín Alberdi. Tínhamos um horário livre, e tudo o que não se deve fazer em viagens do tipo, é descansar nas horas vagas. Nessas horas, muitas vezes, acontecem algumas das melhores coisas.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - terraço
Chegamos e fomos conferir as boas novas. Subimos as escadas até o terraço, área nova, onde acontecem degustações de vinho, ao lado de uma baita parrilla, vizinha de um belo forno.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - pia

Mas o melhor da nova parte alta da loja são as pias, feitas em cima de barricas. Curti.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - queijos
Outra novidade, esta no térreo, é o balcão refrigerado que abriga uma admirável seleção de queijos de cabra, da Cabañas Piedras Blancas, incluindo variedades como reblouchon e um negro, pintado com tinta de lula. Pois, assim, é possível provar uns vinhos e “picar”, que é petiscar para os argentinos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - porão
A prova ocorreu no porão, área reservada, ideal para pequenos grupos. Além de nós quatro havia outros quatro brasileiros (duas amigas, de Cuiabá; e um casal de São Paulo), Joaquín Alberdi, e alguns de seus funcionários e amigos.
O homem então se animou, e enfileirou uma baita bateria de vinhos, com uma boa amostra da produção argentina, reunindo clássicos como o Achaval Ferrer Finca Mirador e experimentações, como o Cara Sur, que é “100% Criolla de Parral de más de 80 años”, ou seja, um vinho fino de uva Criolla.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Gran Medalla
Abrimos com um vinho top de uma bodega gigante. Era o Trapiche Chardonnay 2012, com pêssego e limão, uma madeira bem integrada, e uma boa persistência.Bem feito, mas sem ser encantador (custa 398 pesos). Mais para a frente falamos sobre a Trapiche, que está com projetos bem  interessantes depois que foi comprada pela família que era dona da cervejaria Quilmes, antes dessa ser comprada pela brasileira Ambev.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Lágrima Canela
Depois, o Lágrima Canela 2011, com madeira surgindo em aromas de canela e baunilha, acidez na medida certa, com notas cítricas refrescantes, e um final de boca amplo e gordo. Custa 308 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Desierto Pinot Noir
Desierto 25 Pinot Noir 2013 é um vinho com muitos méritos. Para começar, tem bom preço: 100 pesos. Ou seja, uns R$ 25 (a cotação do Real, em lojas, hoje está na casa dos 4 para 1). Por esta pechincha levamos um vinho puro, leve, com boa expressão da fruta, com sabor de cereja em conserva e framboesa, fácil de gostar e de beber, com boa acidez e taninos sutis.Vinho leve, para ser bebido mais fresco. Muito bom para embalar a conversa, ou um prato de comida, com a sua assumida humildade.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Cara Sur
O já citado Cara Sur, “100% Criolla de Parral de más de 80 años”, foi uma bela surpresa. Resultado de fermentação natural, com leveduras indígenas, este vinho leva a assintura de Sebastian Zuccardi & Francisco Bugallo. As uvas estão plantadas em Barreal, Valle de Calingasta, em San Juan, a 1.500 metros acima do nível do mar. Não parece ter os seus 14% de álcool. Um vinho que afaga o ego da uva Criolla, nada valorizada. Custa 155 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Finca Mirador
O vinho seguinte foi igualmente outro usado como exemplo da diversidade desta prova: o Finca Mirador 2011. Um dos grandes da Argentina, sempre muito bom, quando não excepcional, como é o caso desta safra, que ainda se mostra com certa timidez, porque este é um rótulo que precisa de algum tempo para se apresentar melhor, por inteiro. O que se pode fazer é usar um decanter, deixando o vinho respirar. No meu copo, ele mudou intensamente durante o tempo que eu pude prová-lo. Resumindo, um vinho delicado no nariz, com buquês de flores, as rosas, as violetas… Na boca, é potente e firme, mas com certa ternura, os taninos marcantes, mas macios, e a acidez que deixa a textura sedosa, e agradável. A madeira traz notas de especiarias, que se entendem bem com a fruta, sem mascarar, mas apenas temperando, aquele conhecido pomar que a Malbec apresenta, a ameixa seca, os mirtilos e amoras, aqui ainda frescas, mas que devem evoluir para algo em compota. Vale ficar atento a este vinhos nos próximos anos. Aqui o preço já é sério: 1.012 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Special Blend
Depois, mais Achaval Ferrer, agora um vinho que eu ainda não havia provado: o Special Blend 2011. Corte de Malbec e Carménère, é um vinho interessante, que apresenta da primeira as notas de violeta, e da segunda os aromas herbáceos, de tomilho e alecrim. Algo de alcaçuz, que eu entendo mais como rapadura, também me remetia a alguns outros exemplares de Malbec que já provei. Mas vale uma observação: não consegui confirmar o corte das uvas, já li que é Cabernet Franc e Petit Verdot, mas na degustação disseram se trata de Malbec e Carménère, e no site da vinícola eu não encontro as informações. Se alguém as tiver, agradeço o compartilhamento. Custa 500 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Gran Enemigo
Seguimos com o Gran Enemigo 2010 Cabernet Franc, com muita fruta, um vinho concentrado, de textura agradável, firme, escuro, e um tanto misterioso. Tem aromas de cafá, chocolate, grafite, alcaçuz… Vinhaço, para resumir. Belo trabalho de Alejandro Vigil. Foi o vinho que primeiro despertou a minha atenção para Gualtallary (se pronuncia “Gualtajarí”), subregião do Vale de Uco, perto de Tupungato, em Mendoza, e que eu ainda provaria muitos vinhos interessantes de lá, uma zona que é queridinha dos enólogos. Custa 875 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - De Angeles
O próximo era um vinho de uma bodega preciosa, que o próprio Joaquín Alberdi tratou de me apresentar, através de Pablo Rivero, do restaurante Don Julio, para mim a melhor parrilla de Buenos Aires, e com uma carta de vinhos à altura das carnes, cuidada pelo próprio Pablo, da família proprietária da casa. Era o De Angeles Grand Cabernet S 2012, fresco, intenso e profundo. Custa 480 pesos.
Tá pensando que terminou? Pois ainda veio o Yacuil (Yacochuya-Tacuil, parceria entre essas duas bodegas), um vinho produzido em Salta, exuberante e ensolarado, cheio de fruta madura, equilibrado, com notas de violetas e também algo animal, de salame, pele de salame, estruturado, e bem elegante, um tanto diferente do perfil dos vinhos de Salta. Gostaria de provar este vinho com um belo curry de cordeiro. Custa 900 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - El Esteco
E o Joaquín se animou. Sacou o El Esteco Chañar Punco, um canhão. Mas ainda está bem sisudo, fechadão. Mas, quando se abrir, daqui a uns cinco anos, promete dar o que falar. Custa 965 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Témporis
E depois, mais Achaval Ferrer, mostrando a grandeza da casa. Era o Témporis 2011. Confesso que não tomei notas desse vinho, já distraído com o clima de confraternização que tomava conta da sala, os outros brasileiros se despedindo. Mas lembro que gostei, e também me marcou a textura, um vinho amplo, com taninos firmes, cheio de vitalidade e elegância. Custa 1.350 pesos.

Lo de Joaquín Alberdi 2 - Montesco Agua de Roca
– Agora, para limpar a boca, vamos abrir esse Montesco Agua de Roca 2014, da Pasionate Wines. Uma beleza, pura refrescância, cítrico, acidez pontiaguda, uns 10% de álcool, um vinho inimaginável para a Argentina. Uma delícia – anunciou Joaquín, para a minha alegria de quem já tinha sido apresentado a este vinho dois dias antes, em jantar no restaurante Uco, no Fierro Hotel (para ler o post, clique aqui). Custa 170 pesos, de pura alegria, juventude e frescor.
E assim, com a boca limpa para a próxima prova, voltamos ao hotel para nos arrumarmos para o show de tango. Mas isso é assunto pro próximo post.

Lo de Joaquín Alberdi: a minha loja de vinhos preferida em Buenos Aires (e em todo o mundo)

20/02/2015

O que não falta em Buenos Aires são lojas de vinho. Há muitas, algumas cadeias, como a Winery, onde até encontramos alguns rótulos interessantes, a preços justos. Mas não recomendo nenhuma dessas.

A fachada amarela da loja, em Palermo, perto da Plaza Cortázar (ex-Plaza Serrano)

A fachada amarela da loja de vinhos Lo de Joaquín Alberdi, em Palermo, perto da Plaza Cortázar (ex-Plaza Serrano)

Sempre que um amigo me pede dicas de onde comprar vinhos na capital argentina eu indico Lo de Joaquín Alberdi, em Palermo. A começar pela localização, a poucos passos da Plaza Serrano, hoje chamada Cortázar, mas que ainda é mais conhecida pelo seu nome antigo, epicentro do burburinho boêmio de Buenos Aires. Sem falar que fica na rua Jorge Luis Borges, número 1772. Adoro Jorge Luis Borges 1772.
Se não falha a minha memória, conheci a loja em 2006 (impressionante como o tempo passa), e desde então passei a frequentá-la e indicá-la, e a resposta que tenho dos amigos é sempre muito positiva.

Joaquín Alberdi, o próprio

Joaquín Alberdi, o próprio

Eis então que escrevi algumas matérias sobre Buenos Aires, e cheguei a citar a loja mais de uma vez, tanto na revista Viagem e Turismo, quanto em O Globo. Acho que até em alguns frilas que não me lembro bem. Fiz ainda um post no blog Enoteca também. E então, em 2009 (se a memória não me trai), visitei a loja mais uma vez (acho que em todas as últimas cinco vezes que estive em Buenos Aires estive em Lo de Joaquín Alberdi). Fui recebido por um sujeito simpático, empolgado, e determinado a sugerir vinhos raros, de pequenos produtores. Papo vai, papo vem, descobri que ele era o próprio Joaquín Alberdi, um ex-chef de cozinha que fez fama na capital Argentina, dono também do restaurante Cabernet, do outro lado da rua, bem em frente à loja. Apresentei-me a ele, como um “periodista” brasileiro, que escreve sobre vinhos, viagens, restaurantes e afins.
– Mucho gusto. Me chamo Bruno Agostini.
– Bruno Agostini???
– Sim.
Desculpe o momento vaidoso, mas ele faz parte indissociável desta história. Ele não hesitou em me dar um forte abraço, agradecendo pelas reportagens, e pela quantidade de gente que mandei pra lá, direta (os amigos) ou indiretamente (os leitores). Engatamos em um papo agradável, comprei uma vez mais vinhos interessantes e fora dos padrões e do mainstrean, degustamos outros rótulos, e nos tornamos amigos em mídias sociais, tipo Facebook e Instagram. Eu diria que hoje a nossa amizade extrapola o ambiente digital, embora os encontros sejam raros.

 

Os vinhos degustados enfileirados: um post à parte sobre esta prova

Os vinhos degustados enfileirados: um post à parte sobre esta prova

São raros os encontros, mas muito bons (a degustação que fizemos com ele no sábado passado, ao lado de outros turistas brasileiros, foi antológica, memorável, emocionante, e ele é assim: abre mesmo vinhos para os potenciais compradores. E abre vinhos bons. E essa história em acho que merece um post à parte (já pronto, para ler, clique aqui), pelas mudanças que a loja sofreu, e pelos vinhos que provamos naquela tarde ensolarada e “inolvidable”).

A seleção criteriosa de vinhos tem raridades, como os rótulos da Viña 1924 De Angeles

A seleção criteriosa de vinhos tem raridades, de pequenas bodegas, como os rótulos da Viña 1924 De Angeles

Então, em uma outra visita que fiz à cidade, em 2012 (esta não tem erro, porque a reportagem que publiquei em seguida não me permite errar a data), eu estava com um roteiro superapertado, tendo que visitar muitos e muitos restaurantes (já contei aqui que cheguei a ir a seis em um único dia). Mas ele viu que eu estava em Buenos Aires. E me mandou uma mensagem, exigindo uma visita, ainda que ligeira. Lá fui, feliz com a exigência, aproveitando que precisava comer em um restaurante em Palermo, não muito longe dali.

Ao longo do dia várias garrafas são abertas para os clientes degustarem

Ao longo do dia várias garrafas são abertas para os clientes degustarem

Até hoje eu sou grato a ele por ter praticamente me obrigado a ir, no dia seguinte, mesmo com um almoço já marcado (no Hernán Gipponi, que funcionava no Fierro Hotel), conhecer o restaurante Don Julio. Ali fui apresentado ao Pablo Rivero, o jovem dono da casa, sommelier competente, hoje à frente do negócio da família, quem por sua vez me apresentou a entraña, um corte raro e que anda na moda na Argentina, de extrema maciez e sabor, e também os vinhos da bodega De Angeles Viña 1924. Ali eu vi o parrillero pegar um quarto traseiro de um boi, inteiro, com todos os ossos e músculos, e gorduras e nervos, e ir destrinchando a peça, separando com precisão cada corte. O cara não é só um parrillero, mas um carnicero (açogueiro) completo. Até hoje me arrependo de não ter filmado a cena, que aconteceu em rapidez impressionante.
– Olha. Aqui temos o bife de chorizo. Essa é a parte mais saborosa dele. O ojo de bife ancho. Aqui o entrecôte. Entre costelas, entende? Daí o seu nome, derivado do francês. E o asado de tira eu saco daqui. Tá vendo esta parte? É o lomo. Aqui seria o T-bone, juntando com o bife de chorizo, mantendo o osso. E, com cuidado, junto ao osso, pegamos a entraña, com a mão mesmo – e ele foi listando as partes do boi, enquanto acendia o fogo, com rara habilidade, e ia separando os cortes na bandeja. Foi uma aula.
Dizer que as carnes servidas depois do show açogueiro estavam impecáveis é pouco. Cada corte com o seu caráter evidente, no ponto exato de cozimento e de salga, e um repertório de achuras, que abriram o almoço, de ser aplaudido de pé. Desde então, quando amigos me perguntam qual a melhor parrilla de Buenos Aires, eu tenho a resposta na ponta da língua: Don Julio, com todo o respeito que eu nutro por outros endereços respeitáveis, como La Cabrera (o único lugar da vida que eu já vi uma molleja servida inteira), Cabaña las Lilas (caro, mas bom, e em lindo lugar) e El Pobre Luis (hoje desfalcado com a morte precoce de seu dono, o uruguaio boa-praça Luis Acuña), além, de outros endereços clássicos e que “a mi me gusta”, como El Desnível (simpático boteco carnívoro de San Telmo, digno de entrar em guias como Rio Botequim), La Brigada (muito bom, mas muito cheio, muito tumultuado), Las Nazarenas (é meio turístico na aparência, mas só vejo argentino por lá) e Arturito (herói da resistência tradicionalista na Corrientes, ao lado de lugares como a pizzaria Guerrín, e sua redondas, suas empanadas e seus fainás; e El Gato Negro, linda e deliciosa casa de chás e especiarias). Sim, o Palácio de las Papas Fritas, e outros do gênero, eu dispenso. É seguro que estou me esquecendo de boas parrillas. Falo de minhas preferidas, e as que já visitei. E que recomendaria, depois da Don Julio, claro.
E, assim, quando alguém me perguntar qual é a melhor loja de vinhos de Buenos Aires, e a melhor parrilla, duas questões muito corriqueiras em minha vida, eu nem vou responder. Vou mandar o link deste post.
Post este em que, de quebra, e como cereja do bolo, eu deixo outra dica que considero preciosa: a melhor empanada de Buenos Aires está na Ña Serapia, em Palermo, na parte de baixo do Parque Las Heras, uma preciosa dica do meu amigo Alexandre Bronzatto, que compatilho com vocês. Ou seja: quando me perguntarem qual a melhor empanada de Buenos Aires (algo muito menos comum que pedidos de indicações de parrillas e lojas de vinho), eu também vou compartilhar este link. Com todo o respeito a El Sanjuanino (famoso pacas, merecidamente), La Americana (muito bom, mas frequentada só por porteños) e a já citada Guerrín. De modo que este post vai virar algo como, “compre um, leve três”.

A loja fica na rua Jorge Luis Borges 1772

A loja fica na rua Jorge Luis Borges 1772

Para mim, Lo de Joaquín Alberdi é a melhor loja de vinhos; Don Julio, a melhor parrilla; e Ña Serapia, a melhor empanada. Um trio de ouro para se sentir a alma porteña, para tatear a gastronomia e a enologia hermana. Três lugares, enfim, para ser feliz em Buenos Aires.

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Para encerrar, deixo esta foto, de um painel que está na vitrine da loja, para orientar o cliente na escolha do vinho para comprar.

Lo de Joaquín Alberdi - painel - grande

 

É divertido. Clique na imagem para ampliar.

Lo de Joaquín Alberdi – Jorge Luis Borges 1772, Palermo,Buenos Aires. Tel. 54 11 4832-5329.

http://www.lodejoaquinalberdi.com

 

Bodega del Fin del Mundo, a gigante da enologia da Patagônia

19/02/2015

Depois da visita à Família Schroeder seguimos para a Bodega del Fin del Mundo, a uns 15 minutos de carro, a grande gigante da enologia da Patagônia. A vinícola é impressionante. Muito grande, com quatro módulos que foram sendo agregados aos poucos, e espaço para outros tantos.

Bodega del Fin del Mundo 1

Tem o seu próprio reservatório de água, para poder garantir a rega em caso de algum desabastecimento prolongado, procedimento comum na Argentina vitivinícola, de paisagens marcadas pela aridez, e de vinhedos dependentes da irrigação. Um oásis no meio da paisagem desértica. Ter uma barragem é um luxo.

Bodega del Fin del Mundo 2
A linha da Bodega del Fin del Mundo (acho o nome ótimo, e vendedor) é bem grande, principalmente se for somada à produção da NQN – que assim como a Schroeder, foi uma dessas bodegas que compraram um terreno ali. E, alguns anos depois, a própria Bodega del Fin del Mundo, que fez esse trâmite imobiliário, recomprou a propriedade. São duas operações separadas, mas a nossa visita foi como se fosse tudo uma coisa só. Primeiro, estivemos na Bodegas del Fin del Mundo, que tem como enólogo chefe o já citado Marcelo Midas, ops… Marcelos Miras.

Bodega del Fin del Mundo 3
É uma bodega gigante, com alta capacidade produtiva, e possibilidade de expansão. Tenho, como quase todo mundo, implicância com colheitadeiras mecânicas de uva. Sei de cada história… Cobras e outros pequenos animais mortos em tanques de fermentação, pedaços de madeira, sacos plásticos… Enfim. As colheitadeiras mais usuais fazem uma rapa na videira, levando vários elementos indesejados. Por isso, foi com o orgulho que, logo que chegamos à bodega, eles nos mostraram essa máquina aí, lançamento fresquinho (vi o veículo depois, em propagandas que apareciam em grandes outdoors nas estradas que saem de Mendoza, anunciando a novidade). O sistema funciona assim: um montão de hastes de um material meio duro, mas maleável, balança os cachos, fazendo cair as uvas maduras, que vão direto para uma grande caixa de armazenamento. Pelo que pude ver, funciona direitinho, ainda que haja certos danos maiores às cascas, uma chanche maior de oxidação, e fermentação espontânea. Nada se compara à colheita manual, e em pequenas caixas. Mas a tecnologia vem ajudando muito quem tem muita pressa e quer baratear os custos.

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A Fin del Mundo é uma bodega muito grande.

Bodega del Fin del Mundo 10

E se não fosse uma boa coleção de obras de arte trabalhadas em barricas, a visita seria frustrante.

Bodega del Fin del Mundo 12
Quando vi essa barrica aí, confesso que pensei: “Uma espécie de boneca inflável de madeira, para enófilos”.
Ideia pouco original, ao que parece. Logo o anfitrião da tarde comentou.
– Essa aí está boa para ser vendida para um sexy shop.

Bodega del Fin del Mundo 16
Os motivos eram os mais diversos. Havia barricas-conceito.

Bodega del Fin del Mundo 13
E outras que serviam de suporte para uma pintura, como se fosse uma tela de madeira e arredondada, com história para contar, um suporte conceitual para estampar a paisagem da Cordilheira dos Andes, que acompanha a trajetória do vinho na Argentina.

Bodega del Fin del Mundo 6
A não ser, também, pelo fato de que pegamos um remuage acontecendo.

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E também pudemos cumprimentar o Marcelo Miras, saindo de seu escritório.

Bodega del Fin del Mundo 7

E, também, porque uma sala de barricas sempre tem o seu charme, aquele perfume de uva e madeira…

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… a bebida viva, ainda em construção, e o mistério do que virá.

Bodega del Fin del Mundo 11
Mas, com tanto espaço, está sendo criada uma área de acolhimento de turistas, com uma imensa varanda debruçada sobre os vinhedos, restaurante, pequena pousada de luxo, lojinha etc etc etc.

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De lá seguimos até a NQN, onde encontramos uma bodega de linhas modernas, bem integrada à paisagem, praticamente encravada numa elevação, coberta de terra.

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Estavam chegando uvas. Pinot Noir, para vinho base de espumante.

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Numa cantina fresca, cercados de barricas, provamos alguns vinhos das duas casas, de diferentes estilos, uvas e gamas de preço.
Falando em borbulhas… Foi justamente com elas, e com um vinho que tinha Pinot Noir em sua composição, que abrimos a degustação, e novamente vimos que espumantes são uma vocação natural da enologia patagônica, como já falamos -e mais de uma vez – nessa série de posts sobre a região argentina.

NQN 3

O NQN Malma Extra Brut Cuvée Reserve chamou a minha atenção, e tinha a própria Pinot Noir como estrela, ao lado de sua fiel escudeira, amiga de fé, Chardonnay, criando em conjunto um espumante bem harmonioso, com final agradavelmente amarguinho, um espumante com certa delicadeza e elegância, com boa acidez, muita fruta (maçã verde, morango) e umas notas florais, com frescor cítrico e a presença da levedura em boa dosagem.

NQN 4
O Sauvignon Blanc Malma, límpido e fresco, foi dos que mais gostei entre os vinhos feitos com essa casta na Patagônia, com o sabor direto e cítrico de limão siciliano, com um verde de linhagem nobre, herbal, que também lembrava aspargos frescos, era um vinho ligeiro na boca, um tanto nervosinho, com a acidez picante.

NQN 5
A Pinot desfilou estilosa, em padrões interessantes, condimentada, e com algum frescor e caráter.

NQN 6
Mas o vinho que mais se chamou a atenção, apesar de seu comportamento nervoso, foi o Fin del Mundo Single Vineyard Tannat 2010. Um vinho com muito corpo e estrutura, mas com uma textura agradável, bela combinação de taninos firmes e maduros com uma acidez bem marcante, num resultado longo e harmonioso, com sabores de frutas, defumados, minerais e profundos. Tipo um grande vinho uruguaio, tal o grandioso Amat. Gostaria de ver este vinho chegando aí pelos seus 10, 12 anos.

NQN 7
O Special Blend 2009 seguia a mesma linhagem, um vinho bem feito de perfil internacional, poderia ser chileno ou mendocino, californiano ou australiano, bordalês… Tem uma carga forte de madeira, com muitos aromas de coco, tabaco e baunilha, além de especiarias secas, tipo canela e anis. Havia uma fruta madura quase escondida, e uma acidez correta. Um desses tintos que têm muitos adeptos, e que para mim pede por um belo pedaço de carne. Com certa gordura. Uma churrasqueira. E bons amigos à mesa. Aí, ele brilha.
Quem importa a Bodegas del Fin del Mundo é a Mr Man; e a NQN é a Vinhos do Mundo.