Michel Onfray: “Temos que aprender novamente a sentir o gosto natural das coisas”

19/11/2014
Anne-Sophie y Gastón: os dois chefs filosofaram sobre gastronomia

Anne-Sophie y Gastón: os dois chefs filosofaram sobre gastronomia

Entro na sala de conferências da Unesco, em Paris, e me acomodo na primeira fila (neste caso, não quer dizer que eu seja importante, porque isso não é desfile de moda). Olho para a mesa onde estão os palestrantes, e logo reconheço um sujeito admirável. Era o chef Gastón Acurio. Chego perto para uma foto, e quem está a seu lado é outra pessoa que muito admiro, ainda que só de longe, já que nunca estive em seus restaurantes: era a chef Anne-Sophie Pic, possivelmente a cozinheira mais premiada da História. Como se não bastasse, leio ao lado deles a plaquinha com o nome de outro convidado para aquela mesa: simplesmente Michel Onfray, uma dessas pessoas que mudaram a minha visão de mundo através de um livro, no caso “A razão gulosa: filosofia do gosto” (leia, por favor).
Foi inesperado para mim. Estava ali para acompanhar parte do congresso da associação de hotéis Relais & Château, um encontro anual com esses hoteleiros. Havia dirigentes da entidade, e alguns políticos franceses, de alta patente. Salão lotado. E o que se falou foi sobre identidade, tradição, localismo, sustentabilidade. E esses conceitos passam, sobretudo, pela cozinha.
– Trabalhamos para uma cozinha melhor e mais humana, dando importância às tradições atemporais. Gastronomia e hospitalidada dizem respeito à arte de viver, sentir a forte emoção do sabor, da experiência. Precisamos confrontar as diferenças, observar as culturas alimentares, valorizar os artesãos -disse Olivier Roellinger, vice-presidente do Relais & Châteaux, em seu discurso de abertura.
Sobre artesãos ele se referia ao agricultor familiar, e também aos pequenos produtores de alimentos, classes massacradas pela indústria de alimentos, e pela pressa cotiana.
– Trabalhamos por uma cozinha melhor e mais humana, que dê a devida importância às tradições atemporais. Isso quer dizer priorizar os ingredientes sazonais, proteger de maneira unida o tempo de colheita, dividir a paixão, criar um mundo mais feliz e saudável. A cozinha pode servir de inspiração para um mundo melhor – disse Anne-Sophie, mostrando mesmo ser sábia, em seu primeiro aparte.
Logo em seguida, Michel Onfray se manifestou.
– Quando você cozinha para quem gosta, a comida fica melhor. Mas se faz para quem não gosta não tem como ficar bom. Esse é um dado curioso da gastronomia. Temos as mais profundas discussões à mesa, as mais profundas, sejam políticas ou filosóficas – comentou o escritor, para emendar em seguida – Por isso, temos que aprender novamente a sentir o gosto natural das coisas, o que se perdeu nas últimas décadas com a indústria alimentícia. Nosso corpo é muito importante, temos que combinar saúde e prazer.
Já ouvi coisas semelhantes de muita gente, mas isso vindo de um filósofo mostra que a comida vai se entranhando nas academias, como talvez nunca antes tenha ocorrido, nem na Antiguidade Clássica, nem na Idade Média ou em qualquer outro período da História da Humanidade. Parece bobagem, mas não é. Michel Onfray leva a gastronomia às mais profundas discussões científicas. Não se pode mais conviver com uma comida insípida e padronizada, como parece que se quis nos empurrar por goela abaixo no século passado. Chega de McNuggets, chega de presuntada, ou tomatões gigantes e sem sabor, todos trabalhados no agrotóxico. Chega de alimentos cruzando os oceanos, desperdiçando seu frescor e muita energia. Chega de crianças aprendendo a comer bobagem. As cidades não suportam mais o êxodo rural. O mundo precisa mudar. E a comida, necessidade mais básica do ser humano, tanto no sentido fisiológico quanto psicológico, é o principal vetor dessa mudança.
E então foi a vez do Gastón Acurio falar. Falou e disse.
– O Peru tem 7 mil anos de cultura. Não se pode viver com alimentos desenvolvidos por engenheiros, responsáveis pelos que se come mundo ag=fora. Milho, tomate, batata, feijão, pimenta… Tudo manipulado. Precisamos estar junto a Pachamama, ter conexão com a natureza. Precisamos dar valor ao agricultor, aos ingredientes, proteger a diversidade que ainda existe. Os pescadores locais que sofrem com a indústria pesqueira. Quando um chef faz um ceviche não pode se esquecer o pescador, que trabalha a noite inteira para nos fazer feliz. Os vendedores de rua, com as suas frutas. O mundo mudou, as identidades regionais estão mais fortes hoje. Não existe apenas uma gastronomia no mundo da cozinha.
Isso não é mais algo a se pensar. É para se colocar em prática. Já.

A chegada em Paris, e um inesperado almoço três-estrelas no Le Cinq

18/11/2014

Durante minhas viagens de trabalho é relativamente comum que eu coma duas vezes em uma refeição. Já cheguei ao cúmulo, num gordo exercício de reportagem que jamais repetirei, a visitar seis restaurantes em um mesmo dia, e comendo em todos eles (fazendo, inclusive, dois longos menus degustação, um no almoço, outro no jantar), durante uma viagem para Buenos Aires, para uma matéria sobre os melhores restaurantes da cidade (e para ler as matérias sobre os melhores lugares para se comer na capital argentina, clique aqui ou aqui).
Geralmente eu me planejo, de modo que controle os horários e também o que vou pedir em cada lugar, para que não haja exageros. Ontem, porém, almocei duas vezes, sem ter me programado para isso.
Começando do começo… Cheguei ao meu hotel em Paris, Le Bristol, dos meus preferidos. Subi ao quarto, tomei um banho e fui pedir indicações ao concierge. Queria um bistrô não muito longe dali, que fosse tradicional, e frequentado pelos moradores de Paris. Ele acabou me indicando três, e escolhi o Chez Savy, brasserie inaugurada em 1923, numa pequena rua transversal à Avenue de Montaigne.

Paris 1

Cheguei, gostei do lugar, e pedi um pichet de Borgonha genérico, para ir entrando no clima.

Paris 2

O couvert tinha tudo o que eu precisava: um patê sensacional, e um pão idem.

Paris 3
Para o prato, escolhi um pato confit com batatas, lamentando ainda não ser quarta-feira (ou seja, amanhã),…

Paris 4

… quando terá início da temporada de carnes de caça, com javali, veado, lebre e outros simpáticos bichinhos que estão começando a ilustrar os cardápios europeus.
Terminei de comer, e pedi a conta, junto com a senha do wifi para dar uma espiada nas mensagens, e ver se tinha algo urgente. E tinha, sim. Era uma mensagem da relações públicas da rede Four Seasons no Brasil. O relógio marcava 13h50, e o texto dizia o seguinte. “Bruno, você poderia almoçar no Le Cinq? Tenho uma reserva para vocês âs 14h, me confirma?”.
Confirmei, claro, pedindo para chegar às 14h15. E lá fui eu…
Em menos de dez minutos de caminhada, e  lá estava eu na porta do hotel George V. Pego de surpresa, não tinha paletó, que foi providenciado por eles.

Paris 5
Salão lotado, mesmo no almoço. Vi um casal de japoneses comendo com admiração e tranquilidade, e outro casal, festejando algo importante, muitos executivos também. Eu mal me acomodei na mesa, e chegou o garçom oferecendo uma taça de champanhe. Vai perguntar se macaco quer banana? Aceitei, e era um rótulo que eu ainda não conhecia, um rosé topo de gama da Lanson, o Noble Cuvée. Muito bom, fino e delicado.

Paris 6
Foi com ele em mãos que recebi contente o amuse bouche: um trio de delicadezas. Uma bola de textura macia, com sabor de gengibre e campari; um crocante de cebola com raiz forte e o melhor de tudo, uma combinação de foie gras com maracujá, algo muito usual, mas neste caso com um troque de café, que fez toda a diferença, causando surpresa e entusiasmo.

Paris 7

Mais amuse bouche. Um  jus de cèpe com ecrevisses e foi gras, e uma pétala de rosa com uma gota de mel ao lado.

Logo chegaram os pães, e as manteigas, com ou sem sal. Até lamentei ter comida o (delicioso) confit de canard… Queria ficar ali, revezando-me entre a baguete crocante e um pão escuro, meio integral. Mas achei por bem cessar esta irresistível degustação, para poder chegar com alegria ao final da refeição, que pelo o seu começo prometia ser incrível, como de fato foi (ninguém tem três estrelas Michelin à toa).
Já cheguei ao restaurante sem fome, de modo que para mim ficou mais evidente a qualidade da comida. Porque eu não tinha o melhor tempero, como se diz, que é justamente a fome.
Acatei todas as quatro sugestões do garçom, que me mostrou o menu indicando os pratos mais emblemáticos do chef Christian Le Squer.

Paris 8
O primeiro prato foi um assombro, em forma de “hommard bleu”, a deliciosa lagosta azul, servida com um toque de pimenta, uma espécie de geleia rala de grapefruit, endívias e um molho cremoso de manteiga. E se o prato já estava lindo com o champanhe, imagine quando chegou o sommelier da casa, Eric Beumard, um dos melhores do mundo, trazendo o vinho sugerido para ele.

Paris 9

Um Risling alsaciano, de produtor que eu não conhecia, com ligeiro açúcar residual, difícil de se notar devido à acidez pontiaguda. Aí, sim!!!
– Eu não sei se o senhor vai se lembrar, mas nós almoçamos juntos, lado a lado, em 2006, no restaurante D.O.M., em São Paulo, quando visitou a cidade. Naquela época eu trabalhava na revista Viagem e Turismo, e vivia em São Paulo. Hoje moro no Rio – eu comentei.
– Ah, sim, eu me lembro. Bem que notei que seu rosto não me era estranho – respondeu ele, saindo da minha mesa e ainda fazendo um gestual relativo à passagem do tempo – 2006… Bah, muito tempo…

Paris 10
Logo chegou o segundo prato. Um pedaço alto, com sete centímetros de altura, como havia informado o tal garçom que fez a sugestão, de turbot selvagem. Era um dado de carne branca e delicada, com textura firme, que estava colocado sobre uma cama de batatas, em molho leve, mesmo que feito com creme de leite, aerado. Sobre tudo, um pedacinho de trufa negra em formato quadrado, montando o prato minimalista em preto e branco, lindo de se ver, e ainda mais de comer.

 

Paris 11
Aí, então, veio o grandioso Chassagne-Montarachet Clos Saint-Jean 1er Cru, do Domaine Michel Niellon, vinhaço este que – por coincidência – eu havia provado na minha última visita a Paris, em abril passada, durante outra refeição de gala, um jantar no restaurante comendado pelo chef Alain Ducasse no hotel Le Meurice (para ler a reportagem, clique aqui).
Este é o caso típico de harmonização que trai a lógica, e desfaz os conceitos matemáticos. 1 + 1 = 3. O vinho melhora a comida, e comida melhora o vinho. E, assim, fui economizando cada gole, cada garfada (na verdade, o talher para este prato era quase uma combinação de colher, quase chata, com garfo, já que na ponta havia uns dentinhos, para podermos saborear o caldo e espetar a carne).

Paris 13
O prato prncipal, assim como o resto, entrou para uma espécie de galeria de honra que cultivo no meu peito: a de pratos preferidos de toda a vida. Sim, era um “ris de veau”, ou timo de vitelo, como se diz no Brasil, onde a iguaria (sabe-se lá por quais razões) é rara, ou sweetbread, em inglês, ou ainda molleja, como se diz na língua espanhola, mais familiar assim aos brasileiros que visitam a Argentina ou o Uruguai, dois povos loucos por este miúdo de sabor marcante, textura macia e muita untuosidade.
Eu, que sou apaixonado por “ris de veau” só havia comida uma vez a pela assim, inteira (tinha sido no La Cabrera, em Buenos Aires – aliás naquela mesma viagem das seis refeições que relatei no início do texto).
A carne vinha espetada por duas hastes de capim-limão, que lhe emprestavam um agradável sabor herbáceo, algo cítrico, além de uma inusitada beleza. Duas coisas me causaram ainda mais alegria (sem contar os nacos crocantes de alguma castanha que coroavam a carne).

Paris 12

A primeira: o vinho servido em cestinha de prata era um Gevrey-Charbertin desses de encanto, combinação de delicadeza e potência, elegância e profundidade, frutas e sabores terrosos. Era um exemplar ainda jovem, de 2009, mas delicioso de se beber, produzido pela pequena vinícola Sérafin Pére & Fils. A segunda: por debaixo do “ris de veau” havia cubinhos salteados de cogumelos, e um molho verde que quebrava qualquer resquício de monotonia.

Paris 14
Jamais recuso o carrinho de queijos. Pedi, como sempre faço, os mais intensos, de sabor marcante. Desculpem, mas não sou capaz de decorar os nomes dos queijos (o genial Charles de Gaulle, que entre outras frases brilhantes, como “O Brasil não é um país sério”, disse certa vez que é impossível governar um país que tem mais de 300 queijos diferentes, e ele se referia à França, claro – que, aliás, tem hoje mais de mil variedades distintas). Confesso que não estava animado a anotar, porque estava relaxado, curtindo o momento. Só me lembro que havia um camembert bem maduro e fedido, do jeito que a gente gosta.

Paris 15
Como se já fosse pouco isso, ainda veio o complemento perfeito à degustação dos queijos: um porto 1986…

Paris 16
POis, voilá, era hora da sobremesa. O pré-desert chegou em forma de um potinho de frutas cítricas com salsinha, para limpar a boca, além de pequenos bocados.

Paris 17

Em seguida, outro momento de antologia gastronômica, uma bem montada combinação de chocolate com caramelo e nougat. Ulalá!!!, como dizem os franceses, foi o que pensei quando, ao dar a primeira garfada, fui brindado ainda com o melhor Banylus que já bebi, de safra 1989.

Paris 18
Dispensei o café, mas numa ato de gentileza o garçom me trouxe uma bandeja com chocolatinhos, e também uma caixa com alguns petit fours. E essa massinha folheada, crocante que só ela, com amêndoas carameladas.
Agradeci, feliz, já imaginando a alegria da filha ao provar os docinhos, no próximo domingo, quando chego ao Brasil.
Caminhei muito ontem, como gosto de fazer em qualquer cidade, ainda mais em Paris, e para não dizer que foi tudo perfeito, ganhei uma baita bolha no calcanhar. Achei merecido. A felicidade, a alegria, para serem inteiras, precisam ter um bocadinho de tristeza.
Mas só um bocadinho mesmo. Porque no momento em que escrevo este texto estou no trem. A caminho da Borgonha, onde fico até sábado. Se não me perdi nas contas (se fosse bom em matemática não seria jornalista) vamos saborear nada menos que 12 estrelas Michelin, com direito a três restaurantes com o prêmio máximo da gastronomia mundial, as três estrelas do Guide Rouge. Caramba!!!

Mais informações sobres os restaurantes nos sites do Chez Savy e do Le Cinq.

L’Ecluse: um belo bar de vinhos de Bordeaux com sete unidades em Paris

17/11/2014

Sei que Bordeaux não anda lá muito na moda. Porém, Bordeaux é Bordeaux. E, no mais, a partir de amanhã passarei quatro dias só bebendo Borgonha…

A fachada do L'Ecluse, um belo bar de vinhos na 64, rue François 1er (Paris 8ème)

A fachada do L’Ecluse, um belo bar de vinhos na 64, rue François 1er (Paris 8ème)

E um bom lugar para beber rótulos de Bordeaux é no L’Ecluse, um bar de vinhos com sete unidades em Paris, criado em 1978. Uma delas fica a poucos passos da Avenue George V, numa transversal tranquila (o endereço é número 64 da rue François 1er – Paris 8ème). O lugar, com decoração simpática, tem jeitão de bistrô típico parisiense, e são servidas comidinhas para acompanhar a bebida. A carta tem cerca de 30 vinhos vendidos em taça: são cinco brancos, um clairet, 22 tintos e outros dois “vins blancs liquoreux”, doces, tipo Sauternes.

O bar tem duas Enomatics, uma com seis e outra com 12 torneira

O bar tem duas Enomatics, uma com seis e outra com 12 torneiras

Os vinhos são vendidos em porções de 100 ou 150 ml, com preços entre 3,80 euros (100 ml do Domaine de Saint Amand 2012) e 10,80 euros (100 ml do Château Grand Puy Lacoste 2006, um Pauillac de respeito). As garrafas abertas ficam devidamente acondicionados em duas Enomatics que dominam a decoração do bar; uma com seis torneiras; outra com 12.

No total são pelo menos 30 vinhos de Bordeaux vendidos em taça

No total são pelo menos 30 vinhos de Bordeaux vendidos em taça

Dá para fazer várias visitas sem repetir nenhum vinho, e vale a pena escutar as sugestões do atendente no balcão. Já virei cliente, e sempre que passo por ali acabo entrando para relaxar as pernas ao sabor de um bom vinho.

Uma taça do La Réseve de Leoville Barton 2009 custa 8,70 euros

Uma taça do La Réseve de Leoville Barton 2009 custa 8,70 euros

Desta vez, motivado pelo friozinho bom que fazia do lado de fora, fui no La Réseve de Leoville Barton. Uma bela taça de boas-vindas à França.

Tim tim!!!

Mais informações no site do L’Ecluse.

 

Rumo à Borgonha, com parada em Paris: blog volta das atividades em grande estilo (vem comigo)

16/11/2014
O simpática bar  Ambassade de Bourgogne, em Paris, com vinhos inteiramente dedicados à região francesa

O simpático bar Ambassade de Bourgogne, em Paris, com vinhos inteiramente dedicados à região francesa

E este blog Rio de Janeiro a Dezembro retoma as atividades em grande estilo. Já estou na sala de embarque do Galeão. No final da tarde decolo em direção a Paris, onde faço um saboroso pit stop antes de partir rumo à Borgonha, de trem (vai ter um jantar incrível no Palais de Tokyo).
O roteiro na Borgonha tem uma incrível seleção de restaurantes, incluindo nomes como Maison Lameloise e o relais Bernard Loiseau, além de visitas a toneleiros, em Mersault, e a fabricantes de mostarda, em Fallot, uma escapada até Chablis, Beaune, Pommard, Auxerres, Vézelay… Além de momentos de relaxamento no spa do Relais & Châteaux La Côte Saint Jacques & Spa (onde, aliás, jantamos), porque ninguém é de ferro…
Na última vez que estive em Paris, em abril, eu dediquei parte do meu tempo na cidade justamente a fazer uma matéria sobre a Borgonha: lugares especializados nos vinhos, e na cozinha deste região francesa, paraíso de qualquer enófilo, disposta entre Dijon, ao norte, e Lyon, ao Sul, considerando aí a região de Beaujolais. São endereços como o Ambassade de Bourgogne, que aparece na foto que ilustra este post. Para ler a matéria, clique aqui.
Também aproveitei aquela viagem para jantar no restaurante de Alain Ducasse, no Le Meurice (agora, o chef reabriu a sua cozinha no recém-reformado Plaza Athenée, que vou tentar visitar amanhã para ver como está depois das obras), além de outras aventuras gastronômicas que ainda não posso contar (mas que em breve você verá em alguma banca perto de você). Para ler a matéria do Alain Ducasse, clique aqui.

Paris é sempre bom, mas eu gosto ainda mais no outono, ou comecinho do inverno, com seu frio acolhedor, ruas mais vazias, e a possibilidade de se agasalhar para caminhar por suas ruas de rara beleza, um charme urbano poucas vezes visto. Paris…Sempre fico feliz indo a Paris.

Vou ficar feliz em ter a sua companhia nesta viagem, ainda mais porque inaugura uma nova fase deste blog.

Vem!
Mais matérias de Paris?
Este post aqui tem links para várias delas, feitas por mim.

E mais:

– Bistronomiques: 10 restaurantes em Paris que você precisa conhecer

– Um flaneur gourmet em Paris

– Dicas gastronômicas de Paris por Roland Villard

– As melhores baguetes e o primeiro bistrô de Paris em Montmartre

– Cenário de cinema, diversão e arte, Canal Saint-Martin agrada a turistas e parisienses

– Três harmonizações clássicas testadas e aprovadas em Paris

– Os sete palácios capitais: os hotéis mais chiques de Paris

– Os sabores da tradição nos balcões clássicos de Paris

Mais Borgonha?

– Nuits-Saint-Georges: a elegância encorpada da Borgonha

– Queijos na França: da Normandia à Borgonha

– Borgonha popular: geralmente caros, existem tintos a menos de R$ 100

– Os brancos da Borgonha, o elegante e profundo reino da Chardonnay

Plunct, Plact, Zum… Pode partir sem problema algum

14/11/2014
O Plunct Plact Zum... Pode partir sem problema algum

O Plunct Plact Zum…
Pode partir sem problema algum

Durante cinco anos eu mantive dois blogs, o que me deixava ligeiramente confuso. Um dedicado ao Rio de Janeiro, de uma maneira geral, mas voltado principalmente para as crônicas sobre bares e restaurantes, e outros endereços gastronômicos. Trata-se mesmo deste Rio de Janeiro a Dezembro, que hoje volta à ativa. Outro sobre vinhos, chamado Enoteca, e hospedado no site do jornal O Globo, onde eu trabalhava até o mês passado, como editor assistente do caderno Boa Viagem. Manter dois blogs era confuso, porque naturalmente o vinho e o Rio de Janeiro, onde moro, se cruzavam, e eu tinha dúvidas sobre o que postar em cada um. E muitos dos melhores conteúdos que eu conseguia nas minhas andanças mundo afora eu reservava para o jornal, para as matérias das revistas Boa Viagem, às quintas, e O Globo, aos domingos. Agora, não. Vou reunir tudo aqui, como um laboratório para o site que quero criar a partir do próximo ano, um espaço democrático e interativo, de produção de conteúdo e troca de experiências relacionadas ao universo da gastronomia e do turismo, envolvendo vinhos, cervejas e outras cachaças, como diz um amigo. Um site para se encontrar boas histórias, novidades quentinhas e dicas relevantes sobre o mundo das viagens e da boa mesa, que se cruzam praticamente o tempo inteiro, porque um dos grandes prazeres de qualquer viagem é comer e beber, da mesma forma que esta é a melhor maneira de se tatear a cultura local, e de se experimentar as tradições de qualquer lugar. Com descontração e bom humor, mas com seriedade também. A ideia também é publicar algumas receitas, falando de harmonização de vinho (ou cerveja) e comida.
É com alegria que retomo os trabalhos.
Obrigado pela companhia.
E vamos viajar. Plunct, Plact, Zum… Pode partir sem problema algum

Rio de Janeiro a Dezembro entra em recesso para reformulação

25/02/2014

Amigos, infelizmente não tenho conseguido fazer posts com a frequência que um blog exige. De modo que, por ora, vou deixar este querido espaço sem atualizações até que consiga reformular as minhas atividades.

Agradeço de coração as visitas, que eu espero continuem acontecendo, já que o blog continua no ar neste momento de transição.

Por ora, vocês me encontram lá no blog Enoteca (http://oglobo.globo.com/blogs/enoteca/), nas páginas do Boa Viagem, da Revista O Globo e na edição digital,  O Globo a Mais, exclusiva para tablets, onde escrevo às segundas sobre vinhos, além do caderno Ela, com reportagens esporádicas, e em outras publicações para as quais eu colaboro, como Wish Report e Eatin’ Out, entre outras.

Obrigado pela ilustre companhia nesses quase cinco anos de blog, com 721 e quase um milhão de visitantes únicos. Foi sempre uma alegria escrever aqui.

Um forte abraço.

P.S. – Aproveito para deixar o link para o post mais importante deste blog, onde organizo todo o conteúdo. Para ler o “Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro”, clique aqui. 

Uma noite alla italiana na casa da Alessandra Sposetti, no Leblon: aula de cozinha, menu refrescante e alto astral

12/02/2014

Não é só aqui. Essa é uma deliciosa febre mundial. Na Europa, nos Estados Unidos, em vários países latino-americanos, no Caribe, no Brasil. Muitas pessoas abrem as cozinhas de suas casas para receber gente interessada em apredender receitas interessantes ao redor de uma mesa agradável, bebendo um bom vinho, papeando, ouvindo músicas e, é claro, fazendo um jantar participativo e descontraído.
Tem até um site ( http://www.eatwith.com/#!/ ) que lista vários desses cozinheiros, gente que ama a boa mesa e veste o avental de professor. Aqui no Rio, por exemplo, tem muita gente fazendo isso. A minha amiga querida Manu Zappa, que criou o Prosa na Cozinha (prosanacozinha.com.br), em seu apartamento do Leblon, recebendo gente bacana para aulas-jantares, que também podem acontecer na casa das pessoas. Tanto sucesso, que na semana que vem ela inaugura um café no Jardim Botânico, na rua Lopes Quintas, bem a lado da simpática loja Dona Coisa.
Outra amiga que organiza eventos do gênero é a Gueta Ridzi, do Dona Gueta (www.donagueta.com.br), que cozinha na casa das pessoas, ou em clubes e afins.
Na semana passada, finalmente conheci a Alessandra Sposetti, cozinheira italiana de mão cheia, que recebe pequenos grupos, às quintas e sextas, em seu simpático apartamento do Leblon. Na agradável cozinha aberta, junta a um mesão de madeira, o cardápio é sempre italianíssimo, seguindo as estações, os sabores do mercado. A trilha sonora embala os trabalhos, ao som – por exemplo – do italiano Rino Gaetano. Bravo!
Conheci a Alessandra através do Facebook, depois de uma reportagem que fiz sobre a Toscana (o link está aqui). Fiquei sabendo dos seus eventos caseiros, e depois ainda tive mais detalhes deles através de outra amiga, a Ligia Ghizi, amante da boa mesa e “food hunter” dos Destemperados no Rio de Janeiro, onde cultiva um delicioso blog.
As aulas acontecem às quintas e sextas, a partir das 19h30. Para mim, dias e horários são pouco convenientes, e assim levei mais de um ano até conseguir estar lá, pouco depois das 20h, ainda no comecinho do programa.
Perdi o início da preparação da sobremesa, sorbet de café, que mostro lá no final.

Alessandra Sposetti 1 - vinho

Aceitei logicamente o vinho que está incluído no preço (R4 140), que inclui a aula, a comida, a bebida, a trilha sonora e o clima descontraído.

Alessandra Sposetti 3 - mesa 2
Noite legal, e barata diante dos preços aos quais estamos acostumados por aí.

Alessandra Sposetti 4 - insalata
A primeira etapa foi a deliciosa salada de atum sotto’olio com feijão branco, temperada com cebola roxa, azeite, limão siciliano e uma salsinha picadinha, e um bocadinho de pimenta-do-reino moída na hora.

Alessandra Sposetti 5 - insalata 2

Delícia. Pra você ver só. Outro dia, comi a mesma salada no Satyricon, simplesmente no Satyricon, o melhor restaurantes de pescados da cidade. O da minha aula estava melhor.

Alessandra Sposetti 6 - pão
Pois vamos em frente, saboreando a salada com um copo do vinho, molhando o pão naquele caldo cítrico e saboroso, papeando, fotografando, filosofando.
A etapa seguinte era uma massa com lula, feita com molho de tomate-cereja, pimenta calabresa, vinho branco e azeite.
– Mas e como fazer pra lula não ficar dura? – pergunta a aula.
– Ah, tem que usar ela bem fresca. Pode congelar, mas tem que comprar fresca – respondeu a chef-professora, que compra os seus pescados no Posto 6, direto dos pescadores, e os ingredientes no Zona Sul, incluindo o bons vinhos servidos.

Alessandra Sposetti 7 - calamari
De fato, deixamos o molho apurar bom um bom tempo.

Alessandra Sposetti 8 - mesa 3Cozinhamos a massa al dente.

Alessandra Sposetti 10 pasta ai calamari

Um farfalle De Cecco. Al dente, claro.
E novamente brindamos com o frescor o catalão Mas Rabell, branco gostoso mesmo da família Torres.

Alessandra Sposetti 11 granita di caffè
Enquanto isso, era explicado novamente como se fazer a granita di caffè com panna (não sabia, por incrível que pareça, já que adoro o pannacotta, que panna é chantilly). Delícia refrescante, facílima de fazer.
Eu vou tentar em casa, com limão siciliano, sem chantilly. Só pra dar um refresco.
Esta semana o cardápio está apetitoso. Veja.
A entrada é a focaccia pugliese (focaccia da região Puglia, a base de farinhas de trigo e batatas).
O prato principal é o pesce del giorno al forno con patate (peixe fresco do Posto 6 assado ao forno com batatas e temperos). Para a sobremesa, sorbetto di limone (sorbê de limão siciliano).
Vou te falar uma coisa, baixinho. Cara, R$ 140 por uma noite dessas, com uma comida muito boa, alto astral, regada a vinho de qualidade e adequado ao menu, em local agradável assim, com trilha sonora da boa. Tá barato pacas.
Depois de ver umas fotos no Instagram (@brunoagostinifoto), a Ligia Ghizi, uma das “food hunters” cariocas dos Destemperados, me disse. “Bruno, tem que provar o gnocci ao ragu de pato”, ou algo assim.
Sempre quis aprender a fazer gnocci, prato que adoro e tenho imenso respeito. Faço um respeitável ragu de pato, modéstia à parte. Quer aperfeiçoar. Já me inscrevi na aula, que acontece ali pelo outono, quando o cardápio dá uma encorpada conforme os termômetros vão baixando.
Visitar a Alessandra Sposetti foi uma linda descoberta.

Se animou?
Fala com ela: 98137-4773 ou  alessandra.sposetti@gmail.com

Eu curti muito.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

Casa do Sardo: verdadeira cantina italiana em São Cristóvão, com comida boa e preços justos, um alento em tempos de Rio $urreal

04/02/2014

No ano de 2012 eu me encantei com os vinhos da Sardenha, a bela ilha italiana. Neste mesmo ano, em fevereiro, abria as portas, no bairro de São Cristóvão, a Casa do sardo, uma verdadeira cantina italiana. Passei o ano de 2013 inteiro escutando elogios a respeito do lugar. Não só porque a comida é boa, mas porque – em tempos de “Rio $urreal” – os preços são bem acessíveis (no final do post, o cardápio completo da casa).
Finalmente, na semana passada, fui visitar o lugar. Já que o intuito é economizar, embarquei no metrô e saltei na estação Afonso Pena, e peguei um táxi (ou seja, com R$ 15 cheguei lá). O ideal seria pegar a transferência para a Linha 2, e saltar na estação São Cristóvão, mas o calor me impediu.

Casa do Sardo - salão 1
Cheguei pouco depois do meio-dia, e o restaurante estava absolutamente lotado, com pequena fila de espera na porta.

Casa do Sardo - decoração

Acabei conseguindo uma mesa rapidinho, no canto, com vista para o salão, que tem decoração rústica, como convém a uma cantina.

Casa do Sardo - Vermentino di Sardegna
Para começar, um branco refrescante e bom de preço, o Vermentino DOC Sella & Mosca, vendido a R$ 66 na carta. Sa Sardenha, claro.

Casa do Sardo - bruschetta e vinho 2
Para a entrada, fui na bruschetta, com coberturas simples sobre o bom pão da casa. Fui nos clássicos, tomate e cogumelos.

Casa do Sardo - gnocchi
Era dia 29, não tinha me dado conta. Dia de gnocchi della fortuna. Como ando mesmo precisando de um dinheirinho, não pude evitar pedir a massa. Escolhi, assim, uma receita que está entre os pratos mais emblemáticos da Casa do sardo, segundo consta: o gnocchi di baroa ai gamberi e rucola, ou seja, nhoque de batata baroa com camarão e rúcola, um toque verde-amarelo, incluisve na cor do prato, no cardápio italiano do restaurante.
Estava muito bom, massa saborosa e bem cozida, um molho umedecendo o fundo do prato, os camarões de bom tamanho no ponto certo, as folhas de rúcula desmaiadas. Custou R$ 37. Considerando que o dólar está ali por volta de R$ 2,50, sai na verdade a R$ 34,50.
Satisfeito, pulei a sobremesa. E agora, preciso voltar. Saí de lá com vontade de provar muita coisa, novamente bebendo um vinho branco da Sardenha, como o ravioli di Sardegna “culurgiones”, uma massa fresca recheada com batata, pecorino e hortelã, ao molho de pomodoro; o tortelloni Casa do Sardo, “prato descrito pelo garçom”, segundo o menu, cuja descrição não ouvi, mas que já gostei; o risoto de camarão com aspargos; a aragosta alla catalana, um bem cotado prato de lagosta, feito apenas quando tem produto fresco (o que não é o caso de agora, tempo de defeso); o polpo alla marinara, feito inteiro, cozido no vinho branco, com azeite, salsinha, aipo e filé de tomate fresco, e o gamberoni innamorati, camarões tipo VG, envoltos em bacon e louro.

Casa do Sardo - salão 2
Restaurante bom é assim. E sai com vontade de voltar. Ainda mais com esses preços. Em tempos de Rio $urreal, uma Casa do Sardo é um alento. Comida boa, preços justos, serviço simpático e eficiente, em um lugar bacana. Não à toa, vem ficando lotado.
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Agora, o menu. Algumas fotos estão meio prejudicadas pelo reflexo, mas se pode ter uma boa noção do cardápio e seus preços (no final, uma pequena amostra da carta de vinhos, que acompanha a filosofia da casa, de cobrar preços justos). Para ampliar, clique na imagem.

Casa do Sardo - cardápio 1 - gnocchi

Página 1, gnocchi della fortuna, em cartaz todo o dia 29 (este mês não tem).

Casa do Sardo - cardápio 2

Página 2, antipasti e algumas massas.

Casa do Sardo - cardápio 3

Página 3,  mais algumas massas, e risotos.

Casa do Sardo - cardápio 4

Página 4, carnes, peixes e frutos do mar.

Casa do Sardo - cardápio 5

Página 5, saladas e pratos infantis.

Casa do Sardo - cardápio 6

Página 6, bebidas, exceto vinhos (logo abaixo), e sobremesas.

Agora, uma amostra da carta de vinhos (não fotografei inteira, só uma página de brancos e outra de tintos, para dar uma noção dos preços. Um dos destaques é a boa oferta dos vinhos da Sardenha, que andam em alta em todo o mundo.

Casa do Sardo - Carta de vinhos 1

Página 1, dos vinhos brancos.

Casa do Sardo - Carta de vinhos 2

Página 2, dos vinhos tintos.

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Peixes e frutos do mar brilham no menu de verão do D’Amici: sabor, simplicidade, leveza, frescor

29/01/2014

 

Nesses últimos dias, para a minha própria felicidade e alegria, tenho vivido à base de peixes, frutos do mar, espumantes e vinhos brancos, com algumas raras exceções, como um hambúrguer no Irajá ou um bife de chorizo na Parrilla, em Teresópolis. Tem sido assim desde meados de dezembro, quando o calor se instalou com força aqui nos trópicos, inspirando menus mais leves e delicados.
Quando salivo lembrando de pescados frescos, um dos primeiros restaurantes que eu penso é o D’Amici, um porto seguro para peixes e frutos do mar. Fazia uns dois anos que eu não ia até a simpática casa do Leme para comer a comida do chef Antônio Salustiano, que comanda a cozinha. Desde sempre, os peixes e frutos do mar estiveram entre as suas especialidades. Na semana passada eu almocei ali, e a primeira boa surpresa foi encontrar o jovem e competente sommelier Paulo Limarque, que eu havia conhecido há quase dois anos, no Guy.

D Amici 2 - Cave Geisse Nature

Competente mesmo, tanto assim que sugeriu um dos grandes espumantes brasileiros, o Cave Geisse Nature, gastronômico e elegante por natureza, para começar. Sempre digo que começar uma refeição com um champanhe é um bom indício do que virá a seguir. O mesmo vale para todos os vinhos da Cave Geisse, pra mim a mais importante vinícola do Brasil, mesmo diante do tamanha relativamente acanhado (foram eles que deram a maior projeção internacional aos nossos vinhos).

D Amici 1 - antipasti
Com ele na taça, cumprimos as duas primeiras etapas. O couvert, com pães quentinhos, que me fez extrapolar a minha cota de pizza bianca para aquela semana: crocante, delicada, saborosa. Evidentemente que também petisquei o pratinho com grana padano, mortadela, presunto de Parma e salame.

D Amici 3 - carpaccio trimare

Logo em seguida, o chamado carpaccio trimare, linda composição, com lula, polvo e salmão, temperados com azeite e ervinhas, e umas rodelas de aspargos. Belo prato, boa sacada. Repare só. A lula recebe o recheio do seu primo polvo e do salmão, para então ser finamente fatiada. Simples, fresco, saboroso, original. O prato entrou no cardápio de verão, e não sei até quando fica em cartaz.

D Amici 4 - salada de camarão com manga
Então, foi a vez da levíssima salada da camarões grelhados com amêndoas e manga, onde enxerguei três acertos fundamentais: o ponto de cozimento do crustáceo e o ponto de madurez da fruta, amarelinha, docinha, divina, além do toque crocante das amêndoas. Bingo! Outra receita da estação, com prazo indeterminado.

D Amici 5- bacalhau com feijão
Ainda bebíamos o Cave Ceisse Nature quando o próximo prato chegou. Uma salada de bacalhau com feijão, combinação clássica reinventada. O bacalhau, salgado como deve ser, com sabor intenso, os grãos íntegros, o tempero acertado.

D Amici 6 - Bouza Chardonnay
Na taça, um vinho de uma bodega querida, o uruguaio Bouza Chardonnay, puro refresco, um belo vinho desta uva, muitas vezes mascarada pelo uso excessivo da madeira. Beleza pura.

D Amici 8 - vermelho com endívias
Para encerrar, duas delicadezas. Uma marinha, outra francesa. Do mar, vermelho ao forno com alho poró, vinho branco e endívias era tudo o que eu precisava para um almoço de verão: sabor, simplicidade, leveza, frescor.

D Amici 7 - Mâcon-Villages

Para acompanhar com esses mesmos predicados (sabor, simplicidade, leveza, frescor), Paulo Limarque serviu um lindo Borgonha, o Macôn-Villages 2012 do Domaine Eloy, a glória para um dia quente. Mais um prato do menu de verão, que realmente está muito bom e de acordo com o clima da estação, tudo muito leve e fresco.
Éramos três, e fechamos o almoço divinamente incrível com um petit gâteau de goiaba servido ao lado de um sorvete de queijo. Romeu e Julieta em verão francófila com tempero italiano. Uma coisa assim, deliciosa, outro item fora do cardápio regular da casa. Saí de lá leve e faceiro, feliz e contente, levando um único peso na consciência: não posso, jamais, ficar dois anos sem ir ao D’Amici. Não posso mesmo. Jamais ficarei.

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Vem aí o Bonde do Becoza, uma van que vai percorrer os botecos do Rio de Janeiro na ilustre companhia de Juarez Becoza, colunista da revista Rio Show

28/01/2014

A famosa costela assada no bafo do boteco Cachambeer que eu posso apostar está entre os que serão visitados pela turma

A famosa costela assada no bafo do boteco Cachambeer que eu posso apostar está entre os que serão visitados pela turma

Meu amigo Juarez Becoza, colega de jornal O Globo, é um sujeito admirável. Colunista quinzenal de botequins da revista Rio Show, trabalha de maneira incansável em busca de descobrir os melhores botecos do Rio de Janeiro. Cidade e estado. Já tive a feliz oportunidade de acompanhá-lo em algumas dessas investidas, e posso garantir: ir a um botequim com ele é muito divertido.

Para este 2014 , ano promissor, ele apresenta uma novidade muito bacana, tanto para os cariocas quanto para os turistas que visitam a cidade. Novidade esta fresquinha que eu cumpro o prazer de divulgar.
Deixo o próprio explicar o que é o “Bonde do Becoza”. Eu, por exemplo, quero me programar para fazer o roteiro de Nova Iguaçu, que exige uma certa logística, não é verdade?

P.S. – A mensagem é do final de 2013, mas só descobri hoje a incrível novidade.

VEM AÍ O BONDE DO BECOZA! – Por Juarez Becoza

“Caros amigos, colegas e leitores:
Queria desejar um feliz Natal a todos e aproveitar esse momento de festa para divulgar mais uma: o BONDE DO BECOZA!
Entre janeiro e março de 2014, vou realizar saídas regulares para levar turistas e cariocas para passeios pelos botequins mais pitorescos do Rio.
As saídas serão em vans para até 12 pessoas, aos sábados e domingos, sempre passando por quatro bares. Em cada um deles, haverá uma seleção de petiscos escolhidos por mim e, claro, cerveja e refrigerante à vontade.
Serão quatro possibilidades de passeio, à escolha: uma pelos bares da Zona Sul, uma pelos botecos da Zona Norte, outra por estabelecimentos do Subúrbio e ainda uma quarta – esta para caçadores “avançados” de boteco – que rodará pés-sujos de Nova Iguaçu (sim, amigos, lá tem cada bar que tem te conto!).
Cada saída terá um preço fixo por pessoa. É entrar na van e não se preocupar com mais nada que não seja comer, beber e se divertir. No trajeto entre um bar e outro, água à vontade, pra reidratar, e histórias pitorescas sobre os bares, seus donos e frequentadores, que eu mesmo terei prazer em compartilhar. No fim da viagem, quem quiser leva pra casa uma brochura com a ficha completa dos bares visitados, o mapa do passeio e a reprodução das minhas resenhas sobre estes lugares, publicadas ao longo dos últimos dez anos no Globo.
É o BONDE DO BECOZA! A partir do dia 11 de janeiro!
Para mais detalhes e reservas, basta entrar em contato comigo aqui pelo Facebook ou diretamente pelos telefones: (21) 99375-7580 e (21) 3177-1068.
Um abraço, Feliz Natal e até 2014!”

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