Posts Tagged ‘Barra da Tijuca’

Guia 450 Sabores do Rio 46 – Casa do Alemão: um clássico serrano que marcou gerações de gerações de cariocas

14/04/2015
Croquete de carne e sanduíche de linguiça (com mostarda, por favor): o pedido mais clássico entre tantos clássicos da mítica Casa do Alemão, nascida em Petrópolis

Croquete de carne e sanduíche de linguiça (com mostarda, por favor): o pedido mais clássico entre tantos clássicos da mítica Casa do Alemão, nascida em Petrópolis e hoje espalhada pelo Estado, principalmente em estradas, mas com duas lojas no Rio: no Leblon e na Barra da Tijuca

Durante anos, os cariocas só podiam comer os sanduíches, croquetes, doces, biscoitos amanteigados, o canudinho com chocolate e outros produtos da marca Kern, ou seja a Casa do Alemão, quando viajavam para a Região Serrana, na clássica parada nas duas filiais de Duque de Caxias, dos dois lados da pista, perfeito para quem vai, e para quem vem. Mas de uns dez anos para cá a cidade ganhou duas unidades, na Barra da Tijuca e no Leblon. E a vantagem de se estar no Rio, é que se pode aproveitar com mais calma o lugar, e até beber um chope para acompanhar. Agora podemos aproveitar as iguarias germânicas quando der vontade. Grande parte dos clientes pede um croquete (ou dois) e um sanduíche de lingüiça no pão de leite (queijo pode ser pedido à parte, e combina). O croquete é imitado por muitos, mas jamais copiado: tem aquele interior cremoso, o tempero perfeito, e a casquinha crocante. Tem parecido, igual não tem. A linguiça é picante na medida, com um tempero bem dosado, para não assustar as crianças. Nos dois casos, a mostarda escura faz um bem danado. Isso, apesar de haver uma série de produtos que podem ser considerados clássicos também. Entre os salgados, vale destacar o brioche de presunto (ou de queijo, que podem ser usados para montar sanduíches), os cahorros-quentes, com salsichas e salsichões, brancos e vermelhos, as refeições com kassler e eisbein da casa, de primeira linha, com salada de batata e chucrute, os biscoitinhos, e os doces alemães, sem falar em itens menos badalados, mas não menos recomendáveis, como o sanduíche de língua defumada, uma das melhores pedidas do lugar, ainda que pouca gente peça. Também podemos comprar vários desses produtos para levar. A linguiça, por exemplo, é uma das melhores que se pode comprar no Rio para abrilhantar um bom churrasco. Kassler, eisbein, língua s]ao vendidos quase prontos, defumados: a nós, em casa, no conforto do cabe, cabe apenas a fácil finalização.

CASA DO ALEMÃO – Av.Ataulfo de Paiva 644, lojas A e B, Leblon. Tel. 2540-7900. De seg. a qua., de 8h30 à meia-noite; qui. e dom., das 8h30 à 1h; sex. e sáb., de 8h30 às 2h. Matriz em Petrópolis, e outra loja no Rio na Barra da Tijuca (entre outras no interior do Estado). www.casadoalemao.com.br Aceita cartões.

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Guia 450 Sabores do Rio 19 – Columbia: o frango assado mais amado da Tijuca

18/03/2015
O frango assado do Columbia, inaugurado em 1974, na rua Rua Haddock Lobo, que tem como trunfos o tempero acertado, a pele tostadinha e o sabor que da brasa que assa também algumas carnes

O frango assado do Columbia, inaugurado em 1974, na rua Rua Haddock Lobo, que tem como trunfos o tempero acertado, a pele tostadinha e o sabor que da brasa que assa também algumas carnes

Pergunte a um tijucano qual é o melhor frango assado, não do bairro, nem do Rio, mas do mundo. Provavelmente ele responderá “Columbia”. A casa, inaugurada em 1974, se expandiu, chegando à Barra da Tijuca (em 2006), na beira da praia, ao shopping Nova América (2008) e a Botafogo (2010). Mas é a Tijuca mesmo o seu ponto de referência, embora a unidade da Lucio Costa com Olegário Maciel foi quem deu projeção ao restaurantes fora dos domínios tijucanos. O segredo so sucesso não está apenas no tempero acertado, um tom vermelho que realça o sabor do frango, com a pele tostadinha, ponto exato de cozimento, mas principalmente na brasa, uma das estrelas do restaurante, sempre à vista da clientela, o movimento constante com suas grelhas repletas. E o ícone do Columbia é o frango com farofa, que muita gente pede em casa, em porção que pode ser acrescida de arroz branco e fritas (uma montanha, há quem peça meia), e muitas vezes feijão. E há até quem peça a guarnição “à Oswaldo Aranha”, com arroz, farofa, batata portuguesa e alho. Farofa de ovos? Tem. Molho à campanha? Muitos pedem. A mesma brasa que assa os frangos (e galetos) também é a usada no preparo de outras especialidades da casa, a começar pelas linguiças, um dos abre-alas mais pedidos, assim como os pães de alho, além de carnes, como picanha, e toda uma linhagem de “churrasco”. O chope bem na tulipa, gelado, na pressão, e faz sucesso. Os clientes são fiéis, e alguns chamam o restaurante pelo seu nome completo, Na Brasa Columbia, outros já mais íntimos podem até abreviar para simplesmente Columbia.

COLUMBIA (NA BRASA) – Rua Haddock Lobo, 346 (esquina com rua Afonso Pena, Tijuca. Tel. 2568-1283. De seg. a sáb., das 11h às 2h; dom. e feriados, de 11h à 1h. http://www.nabrasacolumbia.com.br Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 15 – Bar do Oswaldo: o rei das batidas, há 69 anos na Barra da Tijuca

15/03/2015
Trio campeão: as batidas de coco (a que deu origem a tudo), maracujá e limão estão entre os sabores mais pedidos no Bar do Oswaldo, um clássico da boemia carioca

Trio campeão: as batidas de coco (a que deu origem a tudo), maracujá e limão estão entre os sabores mais pedidos no Bar do Oswaldo, um clássico da boemia etílica carioca

As batidas já faziam sucesso desde os anos 1950, quando o casarão começou a ficar badalado, numa Barra da Tijuca ainda não povoada, um grande areal. O Bar do Oswaldo dava as boas-vindas aos visitantes que chegavam até lá pela Estrada do Joá, onde ele se encontra até hoje, conservado através das décadas. Inaugurado na euforia do pós-guerra, em 1946, viu o bairro crescer, e foi personagem importante desta História desde os tempos em que os casais iam até aquelas paragens, então remotas, quase um balneário a ser descoberto longe da metrópole, para namorar nos carros estacionados á beira-mar. Iam ver corrida de submarinos, dizia-a na época, como sendo uma travessura juvenil numa cidade recatada, em tempos mais inocentes. E o Bar do Oswaldo sempre abasteceu esses amores, fornecendo suas doses de batidas de coco, limão, maracujá e amendoim, só para ficar em quatro dos sabores mais famosos e vendidos. Ao longo dos anos, viu a clientela mudar, mas nem tanto assim, já que fica estrategicamente na entrada de uma via conhecida como Rua dos Motéis, por razões autoexplicativas. E o Bar do Oswaldo continua lá, firme e forte, aos 69 anos de idade. O Coquinho do Oswaldo, a batida de coco que deu início à fama do lugar, numa época (mostram fotos nas paredes) em que havia um “Festival Carioca da Batida”, mudou de receita ao longo dos anos. Novos sabores chegaram, como o cocaxi, obviamente uma mistura de coco e abacaxi. Para comer? Mas e o que tem mesmo para comer no Bar do Oswaldo? Um menu conservado, como antigamente. Sim, tem feijoada no sábado, e uma batida de limão vai sempre bem com ela, e a primeira está incluída no preço do bufê. O almoço executivo honesto atrai alunos de escolas e faculdades das redondezas, além do pessoal que trabalha por lá. À noite, a frequência é de grupos de jovens e casais, que vão nos petiscos. Sim, vende muita batata frita. Tem bolinha de queijo, carne-de-sol acebolada com aipim, e todo aquele nosso repertório de belisquetes de boteco. E sempre há os que vão até lá só para comprar as suas garrafas de batida, para beber em casa, ou para um esquenta antes da noitada.

BAR DO OSWALDO – Estada do Joá 3.896, Barra da Tijuca. Tel. 2493-1840. De dom. a qui., do meio-dia à 1h; sex. e sáb., do meio-dia às 3h. http://www.bardooswaldo.com.br Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 14 – Vice-Rey, a microcervejaria artesanal da Barra da Tijuca, um patrimônio carioca

14/03/2015

 

O chope tipo PIlsen do restaurante Vice-Rey, na Barrao ali, que produz a bebida logo ali, atrás do balcão

O chope tipo Pilsen artesanal do restaurante Vice-Rey, na Barra, que produz a bebida logo ali, atrás do balcão, em pequenos tanques: menu tem pescados, especialidade alemães e cariocas

É triste dizer isso, mas o restaurante Vice-Rey está prestes a renunciar. O casarão em estilo colonial dos anos 1970 que ocupa uma grande área na Barra da Tijuca, ali na Praça do Ó, a poucos metros da praia, é uma relíquia do Rio de Janeiro. Merecia tombamento como patrimônio da cidade, mas seu destino parece ser um dia derrubado para dar lugar a mais um prédio. Pena. Mas ainda é tempo de visitar o lugar, um dos mais pitorescos que eu conheço, quase um museu, com decoração antiga, de fazenda, o piso de lajota, os móveis de madeira de demolição, ambiente que logo nos remete aos anos 1970, com jeito rural, de casarão colonial (foi inaugurado em 1976, quando começava a expansão da cidade em direção à Barra, até então um grande areal). Nas paredes vemos fotos, recortes de jornal e uma coleção de arpões e outras armas de pesca, com um acervo divertido para aqueles, como quase todo o carioca, que amam o mar, memória de Lucio Lenz, sócio da casa. Uma mesa de sinuca está à disposição, e as mesas são bem espaçadas entre si. Há um conforto descontraído no ar. O cardápio, como se pode supor, é focado em pescados, com boas receitas à moda antiga, de peixes e frutos do mar, como sardinha frita, anéis de lula empanados, polvo com arroz e brócolis, camarões ao Catupiry, moqueca… Mas, honrando as raízes alemães da família Lenz, há especialidades ancestrais germânicas, como salsicha aperitivo, kassler, eisbein, escalope Holstein e algumas receitas típicas de outrora, o que venho chamando aqui de cozinha urbana do Rio de Janeiro, como bolinhos de bacalhau, medalhões ao molho Madeira com arroz à piemontesa e o bom e velho Oswaldo Aranha. E é justamente essa veia alemã que faz do Vice-Rey um lugar especial, e único. Muito antes de ser moda a produção de cerveja artesanal o lugar já era uma microcervejaria com boa estrutura. Hoje são servidas duas receitas, Pilsen e Amber Ale (minha preferida), ambas deliciosas. Uma alegria. Cervejas bem feitas, que saem dos tanques (que estão logo atrás do balcão) direto para os canecões, trincando de gelados, com a espuma densa, transbordante. Adoro o lugar, e fico triste que pouca gente conheça. Uma pena. Mas fica a dica: aproveite o Vice-Rey antes de acabe. E espalhe pros amigos.

VICE-REY – Avenida Monsenhor Ascânio (Praça do Ó) 535, Barra da Tijuca. Tel. 2493-5560. Diariamente, do meio-dia às 2h. http://www.vice-rey.com.br/ Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 13 – Pobre Juan: a casa de carnes que aposta em edições especiais e limitadas de cortes raros

14/03/2015
No momento, por exemplo, está em cartaz uma prime rib de wagyu, importada da Austrália, de se comer rezando de tão macia e saborosa, com alto índice de marmorização de gordura. O pedação de carne grudado ao osso, da primeira vértebra, tem uns três de altura e dá para três pessoas, ou duas, com muita fome

No momento está em cartaz a prime rib de wagyu, importada da Austrália, de se comer rezando de tão macia e saborosa, com alto índice de marmorização de gordura. O pedação de carne grudado ao osso, da primeira vértebra, tem uns três dedos de altura e dá para três pessoas, ou duas, com muita fome

O Pobre Juan, a rede paulistana de casas de carnes com acento platense, com duas unidades no Rio, vem fazendo um admirável trabalho de, digamos, difusão da cultura carnívora. Algumas vezes ao ano lançam edições especiais e limitadas de cortes raros, e gados pouco comuns por aqui (trouxeram até o mais famoso açogueiro do mundo, o italiano Dario Cecchini): já teve, recentemente, Ruby Devon, Shorthorn e o wagyu em diversas formas. No momento, por exemplo, está em cartaz uma prime rib de wagyu, importada da Austrália, de se comer rezando de tão macia e saborosa, com alto índice de marmorização de gordura. O pedação de carne grudado ao osso, da primeira vértebra, tem uns três dedos de altura e dá para três pessoas, ou duas, com muita fome. Praticamente uma raquete de tênis… É diferente de tudo o que estamos acostumados. É algo enlouquecedor. A carne chamuscada em fogo algo, soltando a sua gordura. Mastigamos besuntando a língua, e sem qualquer esforço. Para acompanhar, mousseline de batata da chef Priscila Deus (os acompanhamentos criados por ela, aliás, estão entre os pontos fortes da casa, fugindo do óbvio e trivial, que também encontramos ali: há guarnições como farofa de pistache e purê de cenoura com jasmim e ervas, mas também farofa de ovo, arroz biro-biro, batatinhas suflê e palmito pupunha assado). Portanto, fique de olho no calendário. E, quando não tem edição especial, a seleção de carnes de maturação própria continua valendo o ingresso: para começar, aposte nas empanadas (indispensáveis, eu diria), nas minicroquetas de jamón e no steak tartare, e depois de pedir morcillas e mojellas, escolhemos entre ojo de bife, bife Pobre Juan e carré de cordeiro, encerrando com algo de doce de leite (churros, pudem, panqueca ou mesclado a sorvete de creme). Vale ficar de olho na carta de vinho, que também tem escolhas fora do usual.

POBRE JUAN – São Conrado Fashiona Mall, Estrada da Gávea 899, 3º andar , São Conrado Tel. 3324-5381. Seg. a sex., do meio-dia às 16h; e das 19h à meia-noite. Sáb., do meio-dia à meia-noite. Dom, do meio-dia às 23h. Filial no Village Mall. http://www.pobrejuan.com.br Aceita cartões.