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Guia 450 Sabores do Rio 36 – Winehouse, em Botafogo: poderia haver 100 casas como essa espalhadas pelo Rio

04/04/2015
Digno de distinção é o parfait de fígado de galinha, acompanhado de cebola caramelizada e torradinhas

Digno de distinção é o parfait de fígado de galinha, acompanhado de cebola caramelizada e torradinhas

Seria ótimo que houvesse espalhadas pela cidade várias casas nos moldes da Winehouse, em Botafogo. Um bar de vinhos pequeno e aconchegante, que propõe uma seleção enxuta, porém certerira, de rótulos e comidinhas. Um lugar para o pré ou o pós cinema ou teatro, para um encontro romântico ou reunião entre amigos. A oferta de conservas, queijos, embutidos e carnes curadas tem coisas como berinjela marinada, chabichou, jamón serrano, fuet espanhol, brie, azeitonas, tudo de boa qualidade. É possível montar distintas combinação entre eles, com picles, geleias e outros adornos. Digno de distinção é o parfait de fígado de galinha, acompanhado de cebola caramelizada e torradinhas. Um patê cremoso, tão bom, mas tão bom, que remete a foie gras. Um deleite. Bom para acompanhar um branco seco bem aromático, como Rieslig ou Gewürztraminer, ou doce, feito com essas mesmas uvas (de preferência na Alemanha ou na francesa Alsácia), ou Tokaj, Sauternes e outros nessa linha. O guacamole também é digno de nota, e acompanha tortillas mexicanas. Há também um quintetto de bruschettas, com coberturas como queijo de cabra, pimentão vermelho e redução de balsâmico ou salmão defumado com cebola roxa, cream cheese e alcaparras. A seleção de vinhos alterna denominações e vinícolas clássicas com algumas novidades e inovações. Quem não quer vinho tem cerveja Noi. São apenas 35 lugares, divididos entre as mesinhas na calçada e o pequeno e simpático salão, decorado com madeira e azulejos e quadros negros que listam alguns petiscos do dia, e os vinhos disponíveis em taça. Seria ótimos haver umas 50 Winehouses espalhadas pelo Rio de Janeiro. Ou 100…

WINEHOUSE – Rua Paulo Barreto 25, loja E, Botafogo. Tel. 3264-4101. De ter. a qui., das 17h à meia-noite; sex. e sáb., das 17h à 1h; dom. das 17h à meia-noite. http://www.winehouserio.com.br Aceita cartões.

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Guia 450 Sabores do Rio 30 – Lima Restobar, em Botafogo: a casa peruana que, além dos ceviches, serve ótimas carnes assadas longamente

29/03/2015
O canelone recheado com pato confit desfiado, ao molho cremoso de queijo: uma das melhores pedidas na casa peruana de Botafogo

O canelone recheado com pato confit desfiado, ao molho cremoso de queijo: uma das melhores pedidas na casa peruana de Botafogo

O Lima é um restaurante peruano. Naturalmente, ali encontramos ceviches, tiraditos, causas e pisco sour preparados com perfeição. Mas a cozinha do chef Marco Espinoza vai muito além dos (deliciosos) clichês. Entre as receitas mais emblemáticas da casa estão algumas carnes, de longo cozimento, como a costelinha de porco, o cordeiro e o pato – este último, confitado e desfiado, recheia um canelone de massa fina, com molho cremoso de queijo. Folhinhas de manjericão ou salsinha, pedacinhos de tomate-cereja, lâminas de rabanete e cubinhos de queijo branco dão frescor e leveza ao conjunto, equilibrado e de sabor marcante. O chef nascido em Lima e com restaurantes em Brasília e, em breve, Porto Alegre e Niterói, sabe como poucos trabalhar com contrastes de sabores e texturas, seguindo a linhagem contemporânea da cozinha peruana. E o melhor, com preços acessíveis, o que tornou no Lima Restobar uma das melhores relações custo-benefício do Rio. Come-se muito bem, pratos bem acabados e originais, gastando pouco. Por isso, o lugar vive cheio. E o cardápio é altamente confiável. Os ceviches são preparados como manda a regra, com o peixe marinado no leite de tigre, e cortado em cubos. Uma entrada imperdível são as butifarras criollas, adoráveis sanduichinhos de porco desfiado, muito bem temperado, com cebola roxa. Outro petisco altamente recomendável é o camarão empanado em quinoa, servido com purê de feijão e molho picante. Mais uma bela sacada é o “Pescado, camarón, mandioca”, combinação entre peixe do dia grelhado, molho de camarão, pimenta ao açafrão e croquetes de mandioca recheados de queijo gruyère e saladinha criolla. Outra escolha certeira Para beber, além do pisco, vale investir nos drinques preparados por Pablo Eduardo Lopez Torres, barman importado do Peru, como boa parte da equipe, que está entre os melhores do Rio, criando coquetéis gastronômicos, com acidez e muito bem temperados, com ervas, pimentas e muitos ingredientes importados, como infusões de folhas de coca.

LIMA RESTOBAR – Rua Visconde de Caravelas 113, Botafogo. Tel. 2527-2203. Seg. a sex., das 11h45 às 15h30 e das 19h à 1h; sáb., das 11h45m à 1h; dom, das 11h45m às 18h. http://www.limarestobar.com.br Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 23 – Entretapas: o bar de tapas fiel à sua proposta, que serve os indecentes huevos rotos, com fritas e linguiça

22/03/2015
Uma travessa de barro chega à mesa forrada com batata frita mesclada a linguiça esfarelada e tostadinha (também há pedaços do embutido), com dois ovos, reluzindo feito ouro, salpicados de salsinha; e conforme a gema (mole, claro) vai se incorporando ao resto, a coisa fica ainda melhor

Uma travessa de barro chega à mesa forrada com batata frita mesclada a linguiça esfarelada e tostadinha (também há pedaços do embutido), com dois ovos, reluzindo feito ouro, salpicados de salsinha; e conforme a gema (mole, claro) vai se incorporando ao resto, a coisa fica ainda melhor

Se existe um prato no Rio de Janeiro que pode ser classificado de indecente, deliciosamente indecente, são os huevos rotos, do Entretapas. Veja se não. A receitas é simples, e executada com brilhantismo. Uma travessa de barro chega à mesa forrada com batata frita mesclada a linguiça esfarelada e tostadinha (também há pedaços do embutido), com dois ovos, reluzindo feito outro, salpicados de salsinha. Conforme a gema (mole, claro) vai se incorporando ao resto, a coisa fica ainda melhor. Devorar o prato é um ato quase erótico. No menu, uma parte é dedicada aos ovos, caso único na cidade. Além dos rotos, temos o revuelto de champignons e camarões, e outras versão, com a piparrada (típico do País Basco, um refogado com tomate, cebola, pimentão e páprica). Fiel à proposta de ser um bar de tapas, a casa tem uma seleção de petiscos de primeira linha, a começar pelas croquetas (a de jamón é pura alegria), com recheio cremoso e casquinha crocante. As chistorras são linguicinhas levemente picantes, servidas sobre uma fina fatia de pão. A tortilla é executada com perfeição, assim como outros clássicos ibéricos, como o gazpacho, receita das mais difíceis. As favas com jamón seguem a mesma linha, tipo puro conforto, caso também dos montaditos, que são fatias de pão com uma cobertura (a que leva ovo de codorna na chapa com chorizo espanhol salteado em vinho branco é a melhor pedida). Há receitas com mais subastancia, tipo as carrilleras al vino tinto, que são bochechas de vitelo cozidas ao vinho tinto servidas com purê de grão de bico; e a costilla lacada con damasco, uma costela suína desossada, cozida e desfiada, depois grelhada e laqueda, acompanhada de purê de damasco. Nos fins de semana, as melhores paellas do Rio brilham. A valenciana leva frango e coelho, legumes e açafrão; já a paella de mariscos tem lula, mexilhão, polvo e camarão, também com açafrão. O arroz negro é feito com lulas (e sua tinta) e camarões, com alioli; enquanto o arroz de cotillejas foge do trivial, uma receita típica do sudeste da Espanha, feita com costelinha e outros cortes suínos, com pimentão vermelho e tomilho. Fechamos com churros, acompanhados de calda de chocolate e doce de leite ou com crema catalana, a versão espanhola do creme brulée. Abriu uma filial em Ipanema, maior, com carta de drinques e de vinhos ainda mais caprichada (lá o cardápio é um pouco maior, e as paellas são servidas diariamente).

ENTRETAPAS – Rua Conde de Iraja 115, Humaitá. Tel. 2537-0673. Sáb., das 13h à 1h; dom., das 13h à meia-noite; de seg. a qui, das 19h à meia-noite; sex. (e véspera de feriado), das 19h à 1h. http://www.entretapas.com.br/ Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 19 – Columbia: o frango assado mais amado da Tijuca

18/03/2015
O frango assado do Columbia, inaugurado em 1974, na rua Rua Haddock Lobo, que tem como trunfos o tempero acertado, a pele tostadinha e o sabor que da brasa que assa também algumas carnes

O frango assado do Columbia, inaugurado em 1974, na rua Rua Haddock Lobo, que tem como trunfos o tempero acertado, a pele tostadinha e o sabor que da brasa que assa também algumas carnes

Pergunte a um tijucano qual é o melhor frango assado, não do bairro, nem do Rio, mas do mundo. Provavelmente ele responderá “Columbia”. A casa, inaugurada em 1974, se expandiu, chegando à Barra da Tijuca (em 2006), na beira da praia, ao shopping Nova América (2008) e a Botafogo (2010). Mas é a Tijuca mesmo o seu ponto de referência, embora a unidade da Lucio Costa com Olegário Maciel foi quem deu projeção ao restaurantes fora dos domínios tijucanos. O segredo so sucesso não está apenas no tempero acertado, um tom vermelho que realça o sabor do frango, com a pele tostadinha, ponto exato de cozimento, mas principalmente na brasa, uma das estrelas do restaurante, sempre à vista da clientela, o movimento constante com suas grelhas repletas. E o ícone do Columbia é o frango com farofa, que muita gente pede em casa, em porção que pode ser acrescida de arroz branco e fritas (uma montanha, há quem peça meia), e muitas vezes feijão. E há até quem peça a guarnição “à Oswaldo Aranha”, com arroz, farofa, batata portuguesa e alho. Farofa de ovos? Tem. Molho à campanha? Muitos pedem. A mesma brasa que assa os frangos (e galetos) também é a usada no preparo de outras especialidades da casa, a começar pelas linguiças, um dos abre-alas mais pedidos, assim como os pães de alho, além de carnes, como picanha, e toda uma linhagem de “churrasco”. O chope bem na tulipa, gelado, na pressão, e faz sucesso. Os clientes são fiéis, e alguns chamam o restaurante pelo seu nome completo, Na Brasa Columbia, outros já mais íntimos podem até abreviar para simplesmente Columbia.

COLUMBIA (NA BRASA) – Rua Haddock Lobo, 346 (esquina com rua Afonso Pena, Tijuca. Tel. 2568-1283. De seg. a sáb., das 11h às 2h; dom. e feriados, de 11h à 1h. http://www.nabrasacolumbia.com.br Aceita cartões.

“Mucha Ambre” nessa hora…

14/02/2012

O salão tem decoração moderninha, mas clean, sem excessos

O Ambre Cuisine & Bar, em Botafogo, uma das boas novidades de 2011 no Rio de Janeiro, aponta duas tendências no cenário gastronômico carioca. A primeira está exposta no complemento do nome “Cuisine & Bar”: o lugar tem clima de bar moderninho, tipo lounge, mas dedica especial atenção à comida.  Esse tipo de lugar está mais que na moda por aqui, e reflete o interesse cada vez maio dos jovens pelos prazeres da boa mesa. O outro apontamento é a transformação de Botafogo (e Humaitá) em um pólo gastronômico variado, mas que tem nos bares desse estilo o carro-chefe. É coisa que começou há cerca de cinco anos, mas se reforçou definitivamente no ano passado, Isso já é não mais uma tendência, é uma realidade. O primeiro foi o Miam Miam, depois veio o Oui Oui, o Meza, o Doiz, o Entretapas e o Irajá, todos em Botafogo, cada qual a seu modo, apostando na combinação de boa comida, servida em pequenas porções (e ainda temos o Syuzzi, a Bottega del Vino, o Brigitte’s, todos na rua Dias Ferreira, no Leblon, outro aglomerado desse tipo de restaurante). Gosto de todos nessa lista. Por isso, hoje em dia, quando penso em sair para jantar, Botafogo é sempre um bairro cogitado. Até porque ainda tem o Alameda, a Cobal, o Yorubá…

Svmma Varietales 2004: elegante corte de Syrah, Petit Verdot e Cabernet Sauvignon

Estive lá recentemente com uma amiga, para bater papo e provar um vinho, um senhor vinho, o espanhol Marquês de Griñon Svmma Varietales 2004, de Valdepusa, uma DO de Pago nos arredores de Toledo, em Castilla-La Mancha: um vinhaço elegante, complexo e gastronômico, importado pela Winebrands (custa R$ 181), mas isso é tema lá para a Enoteca.

Bolinhos de baião de dois: mais uma interpretação de pratos com feijão em forma de croquete

Gostei bastante do cardápio, que tem ingredientes que aprecio, como cordeiro e rabada, em composições interessantes. São receitas aparentemente bastante aconchegantes, várias delas inspiradas em clássicos, como baião-de-dois, moqueca e bife à cavalo. Existe alguma critividade e umas pitadas de ousadia (ravióli de banana-da-terra com camarão?). Para acompanhar o lindo vinho, pedimos umas boas comidinhas. Primeiro, bolinhos de baião de dois com carne-de-sol e molho de pimenta-de-cheiro, seguindo a onda de transformar pratos de feijão em primos dos croquetes. Estava bem gostoso, divertido.

Rolinhos de cordeiro com pesto de queijo de cabra: boa sacada

Junto pedimos rolinhos de cordeiro com pesto de queijo de cabra. Na verdade, essa era para vir antes, porque pedimos primeiro, mas trouxeram tudo junto. Ora, se é um bar de pequenas porções, é melhor que chega uma de cada vez, não é? Essa coisa de vir tudo junto é para quando cada um vai comer um prato. Pois provavelmente o rolinho ficou pronto antes, e ficou lá na cozinha, esperando os bolinhos. Assim, chegou frio à mesa. O recheio estava saborosa á beça, a massa era delicada e tinha boa crocância, mesmo fria, e estava bem sequinha. Porque não foi servido antes? Uma pena. Mas gostei.

Escondidinho de cordeiro com batata baroa e mascarpone: bom, mas gordo

Finalizamos a parte salgada com um escondidinho de cordeiro com batata baroa e mascarpone, que estava bem gostoso, mas podeia ter menos gordura. Todos acompanharam muito bem o vinho, diga-se lá.

Pudim de cupuaçu com coulis de frutas vermeljas e tuille de castanhas: gran finale

Encerramos com um pudim de cupuaçu (amo cupuaçu) com coulis de frutas vermelhas e tuille de castanhas, que estava muito bom e equiliabrado, com boa harmonia entre salgado e o azedinho. Olha que beleza. Em toda a sua simplicidade, foi um gran finale.

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Agora, o cardápio. Clique na imagem para ampliar.

Preciso voltar para provar um monte de coisa: a terrine de queijo de cabra; a bruschetta de filé à cavalo com cebolinha francesa; a bruschetta de rabada; a trilogia de tapioca; a salada de bacalhau; as robatas de porco e de filé; a moqueca de peixe e camarão; o risoto de rabada, o ravióli de banana-da-terra com camarão, o tiradito…

Volveré! Con mucha Ambre.

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