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Rio de Janeiro a Dezembro: um olhar amador (no sentido literal) sobre os bares, restaurantes e outras delícias cariocas

07/11/2018

O Pão de Açúcar, visto do terraço do hotel Yoo2 – Foto de Bruno Agostini

Sempre observei  o Rio de Janeiro com aquele olhar curioso de quem é um pouco residente e um pouco turista. Não sei se por ter morado parte da adolescência em Teresópolis, mas o Rio onde nasci e cresci, estudei, me formei e trabalhei – talvez por seu tamanho – sempre foi um pouco misterioso, até mesmo distante. O que é ótimo. É maravilhoso morar em um lugar e não conhecê-lo por inteiro, e ter sempre algo novo a explorar, um lugar desconhecido a visitar, um quitute jamais visto a se experimentar, um balcão inédito a se gastar a tarde. O Rio é assim.  Para mim.

Mesmo que há mais de dez anos eu tenha transformado o que era lazer em trabalho, ainda preservo um olhar amador sobre isso. Amador no sentido literal mesmo. Segundo o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, da Michaelis, amador (adj sm) é: 1)Que ou aquele que ama; amante; 20) Que ou aquele que gosta muito de alguma coisa; amante, apreciador; 3) Que ou aquele que se dedica a algo não por profissão, mas por diletantismo; diletante. E é disso que se trata. É assim que sou. Mesmo em missão de trabalho. Faço por amor, por paixão, e que sorte é poder trabalhar com aquilo que se gosta.

Ir a bares e restaurantes sempre foi um dos meus passatempos prediletos, e mesmo antes de entrar para a faculdade de jornalismo, e apesar da pouca idade, eu já me considerava um especialista em bares e botequins (também tinha boa experiência com grandes restaurantes, mas neste caso patrocinado pela família que sempre gostou de comer fora), porque os frequentava desde cedo, com fome e sede.  Continua sendo uma diversão, mas também é um trabalho, e já faz muito tempo que não entro em um bar ou restaurante sem esse olhar curioso, um tanto amador, mas também observador e provador profissional. Eu me divirto enquanto trabalho, e trabalho enquanto me divirto.

A partir de 2006, quando fui morar em São Paulo, comecei a escrever sobre o Rio de janeiro, pois até então só fazia reportagens de turismo e gastronomia. Fui, assim, a partir do prédio da Editora Abril na Marginal Pinheiro, afinando esse olhar de forasteiro, uma vez que eu escrevia para publicações de especializadas em Turismo, como a revista Viagem e Turismo, o Guia Quatro Rodas (naquela época já rebatizado de Guia Brasil) e o site Viaje Aqui, onde criei o blog Direto do Rio, que existiu até 2009, quando fui trabalhar no Boa Viagem, d’O Globo – e então criei este blog aqui, Rio de Janeiro a Dezembro, que andou um pouco descuidado nos últimos tempos, enquanto em pensava de que modo eu voltaria a usar esse espaço.  Ele, então, se torna uma parte do site Menu Agostini, que em breve será lançado (onde o Rio também terá destaque, é claro). Mas esse Rio de Janeiro a Dezembro se torna um lugar dedicado 100% à cidade, explorando também o interior, das serras ao litoral. Um guia com os melhores lugares para se comer e beber no Rio de Janeiro, com resenhas, crônicas e críticas sobre bares, restaurantes, cafés, enotecas, cervejarias, padarias, quiosques, mercados, feiras, armazéns e outras bodegas e botequins que mereçam atenção. Na pauta, listas de melhores em diferentes categorias, votações com especialistas, roteiros gastronômicos, crônicas gulosas e afetivas, memórias das comidas da infância, e muitas fotografias – em vídeos, muito em breve.

A ideia aqui também é começar a organizar textos, fotos e informações para a edição de livros, a começar por um guia com o melhor do Rio (nos moldes do que lancei em 2011, pela Editora Senac-RJ), e outros um pouco mais focados em temas mais específicos, como uma seleção de lugares antigos e cheios de histórias para contar e um projeto dedicado a mapear o universo cervejeiro do estado, com bares, lojas, fábricas, rótulos, tours e tudo o mais que envolve este assunto. Rio de Janeiro a Dezembro vira também um selo editorial.

Por ora é isso. Apertem os cintos que isso aqui será a maior viagem.

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Guia 450 Sabores do Rio 49 – Botto Bar: entre as 20 torneiras de cerveja da casa jorra sempre a Noi Amara, uma das melhores do Brasil

17/04/2015
A Noi Amara é produzida por Leonardo Botto na fábrica de Niterói: com uma espuma densa e muito perfumada, é uma Imperial IPA (India Pale Ale), com 10,5% de álcool, cheia de notas cítricas e maltadas. A receita leva cinco tipos de maltes e dois lúpulos diferentes — o americano summit e o australiano galaxy

A Noi Amara é produzida por Leonardo Botto na fábrica de Niterói: com uma espuma densa e muito perfumada, é uma Imperial IPA (India Pale Ale), com 10,5% de álcool, cheia de notas cítricas e maltadas. A receita leva cinco tipos de maltes e dois lúpulos diferentes — o americano nugget e o australiano galaxy

Exibida, encorpada e alcoólica, a cerveja Noi Amara é cotada como uma das melhores do Brasil. Produzida em Niterói seguindo a receita do mestre cervejeiro carioca Leonardo Botto, é deliciosa na garrafa, e consegue ser ainda melhor, como quase sempre acontece, quando servida “on tap”, direto das torneiras. Com uma espuma densa e muito perfumada, é uma Imperial IPA (India Pale Ale), com 10,5% de álcool, cheio de notas cítricas e maltadas. A receita leva cinco tipos de maltes e dois lúpulos diferentes — o americano nugget e o australiano galaxy. Pois o Leonardo Botto inaugurou o Botto Bar, e quase sempre – tem entre as suas 20 torneiras – a Noi Amara, servida no copo especial para IPAs. Não pode haver lugar melhor para se provar essa cerveja. A escolha de cervejas vendidas na casa geralmente é muito bem feita, criteriosa, com uma seleção de estilos diversos, de marcas de diversas procedências. Difícil ter algo que não seja bom. A cozinha segue a cultura cervejeira, com um apanhado de comidinhas com inspiração nos principais países produtores. Para celebrar a Bélgica, carbonade flamande, clássico da gastronomia flamenga, nacos de carne cozidos em cerveja e gratinados com queijo, macios e saborosos, servido com pão de malte feito na casa. Há deliciosos croquetes de queijo, empanados com massa cabelo de anjo, inspirada na receita do albergue vizinho à Abadia Notre Dame de Scourmont, na Bélgica, produtora da Chimay, a famosa trapista. No menu executivo, encontramos kassler com salada de batatas, lembrando a tradição alemã. E, festejando a cultura cervejeira dos EUA, wings picantes: oito coxinhas de frango fritas e marinadas em molho picante da casa, servidas com molho blue cheese e palitos de aipo. Não poderia faltar hambúrguer. A Inglaterra jamais seria esquecida neste painel, e a homenagem chega em forma de fish ‘n’ chips, claro, com molho tártaro e limão siciliano. A cerveja muitas vezes é usada ns receitas, caso do croquete cremoso a base de pernil assado no chopp. Acompanha molhinho de abacaxi agridoce; e do escondidinho Botto Bar, uma das melhores pedidas da casa: cubos de carne cozidos em molho cremoso de chope e cobertos por purê de aipim ao gorgonzola, tudo gratinado com mix de queijos, e servido em panelinha. Quente pra diabos, e ainda fica melhor se colocar ainda mais umpouco. Pra beber, uma Noi Amara, naturalmente. Encontro de gigante. Sábado rola feijoada. E na trilha sonora, rock, muito rock, muitas vezes tocado ao vivo, por bandas que desfilam repertórios clássicos do gênero.

BOTTO BAR – Rua Barão de Iguatemi 205, Praça da Bandeira. Tel. 3496-7407. De ter. a sáb., das 15h à meia-noite; dom., das 15h às 22h. http://www.bottobar.com.br Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 46 – Casa do Alemão: um clássico serrano que marcou gerações de gerações de cariocas

14/04/2015
Croquete de carne e sanduíche de linguiça (com mostarda, por favor): o pedido mais clássico entre tantos clássicos da mítica Casa do Alemão, nascida em Petrópolis

Croquete de carne e sanduíche de linguiça (com mostarda, por favor): o pedido mais clássico entre tantos clássicos da mítica Casa do Alemão, nascida em Petrópolis e hoje espalhada pelo Estado, principalmente em estradas, mas com duas lojas no Rio: no Leblon e na Barra da Tijuca

Durante anos, os cariocas só podiam comer os sanduíches, croquetes, doces, biscoitos amanteigados, o canudinho com chocolate e outros produtos da marca Kern, ou seja a Casa do Alemão, quando viajavam para a Região Serrana, na clássica parada nas duas filiais de Duque de Caxias, dos dois lados da pista, perfeito para quem vai, e para quem vem. Mas de uns dez anos para cá a cidade ganhou duas unidades, na Barra da Tijuca e no Leblon. E a vantagem de se estar no Rio, é que se pode aproveitar com mais calma o lugar, e até beber um chope para acompanhar. Agora podemos aproveitar as iguarias germânicas quando der vontade. Grande parte dos clientes pede um croquete (ou dois) e um sanduíche de lingüiça no pão de leite (queijo pode ser pedido à parte, e combina). O croquete é imitado por muitos, mas jamais copiado: tem aquele interior cremoso, o tempero perfeito, e a casquinha crocante. Tem parecido, igual não tem. A linguiça é picante na medida, com um tempero bem dosado, para não assustar as crianças. Nos dois casos, a mostarda escura faz um bem danado. Isso, apesar de haver uma série de produtos que podem ser considerados clássicos também. Entre os salgados, vale destacar o brioche de presunto (ou de queijo, que podem ser usados para montar sanduíches), os cahorros-quentes, com salsichas e salsichões, brancos e vermelhos, as refeições com kassler e eisbein da casa, de primeira linha, com salada de batata e chucrute, os biscoitinhos, e os doces alemães, sem falar em itens menos badalados, mas não menos recomendáveis, como o sanduíche de língua defumada, uma das melhores pedidas do lugar, ainda que pouca gente peça. Também podemos comprar vários desses produtos para levar. A linguiça, por exemplo, é uma das melhores que se pode comprar no Rio para abrilhantar um bom churrasco. Kassler, eisbein, língua s]ao vendidos quase prontos, defumados: a nós, em casa, no conforto do cabe, cabe apenas a fácil finalização.

CASA DO ALEMÃO – Av.Ataulfo de Paiva 644, lojas A e B, Leblon. Tel. 2540-7900. De seg. a qua., de 8h30 à meia-noite; qui. e dom., das 8h30 à 1h; sex. e sáb., de 8h30 às 2h. Matriz em Petrópolis, e outra loja no Rio na Barra da Tijuca (entre outras no interior do Estado). www.casadoalemao.com.br Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 45 – Chico & Alaíde: um boteco-boteco, com alma e cozinha brasileira de primeira linha

13/04/2015
O choquinho de camarão é um dos melhores petiscos da cidade: um enorme crustáceo empanado em massa leve, recheado com catupiry e envolvido por uma camada de batata palha antes de ser frito

O choquinho de camarão é um dos melhores petiscos da cidade: um enorme crustáceo empanado em massa leve, recheado com catupiry e envolvido por uma camada de batata palha antes de ser frito

Alaíde é uma cozinheira e tanto. Falando de comida brasileira, é uma das grandes referências do país. Começou no Bracarense, onde deu forma ao mais famoso acepipe da casa, o bolinho de aipim com camarão e Catupiry, trabalhando na apertada cozinha, e servindo carnes assadas, pernis, feijoadas, rabadas, costelinhas, empadas e outros quitutes seguindo a mais fina linhagem da cozinha popular carioca. Em parceria com Chico, o colega de Braca, o garçom mais popular do Leblon, abriu o seu próprio bar, onde deu prosseguimento ao seu talento culinário, apresentando um cardápio que é quase um sonho aos que gostam de comida brasileira, ali tratada com esmero, e originalidade em alguns casos. Lá ela serve tudo isso citado acima. Mas, ao abrir a sua casa, Alaíde teve um surto criativo (que perdura, com menor intensidade), e assim nasceu uma seleção de petiscos realmente fora de série. Há condensações de pratos como o baião-de-dois, chamado cascudinho, versão em forma de bolinho, empanado com torresmo e queijo coalho. Nesse ímpeto de construções de novos acepipes Alaíde inventou o choquinho de camarão. Um monumento. Um dia, quem sabe, farão uma estátua de bronze, coisa que anda na moda na cidade, louvando Alaíde e seu choquinho de camarão, e ela será colocada justamente ali, naquele entrocamento da rua Dias Ferreira com a Bartolomeu Mitre, no Leblon, endereço deste bar que, embora tão jovem (inaugurado em março de 2009), já seja um clássico. Pois o tal do choquinho de camarão é um enorme crustáceo empanado em massa leve, recheado com catupiry e envolvido por uma camada de batata palha antes de ser frito. É uma das melhores criações da gastronomia carioca nos últimos anos. Mais que uma usina de bolinhos criativos, o Chico & Alaíde é um boteco-boteco. Tem manjubinha frita, diversas fritadas (até de siri mole), croquete de carne, vinagrete de polvo, sanduíche de linguiça, rissoles camarão, empada de siri, frango à passarinho, lula à dorê, filé aperitivo, isca de peixe, carne-seca com aipim, isca de fígado com jiló, torresmo, caldinho de feijão, coxinha de galinha e todo aquele tradicional repertório de petiscos que tão bem acompanham um chope gelado. Com pimenta da casa. Os PFs podem ser considerados entre os melhores da cidade. Vá no de carne assada. E com preços realmente que valem a pena. Comida com alma, boa e barata. No Leblon. O Chico & Alaíde é único.

CHICO & ALAÍDE – Rua Dias Ferreira 679, Leblon. Tel. 2512-0028. De seg. a qui., das 11h30m à meia-noite; sex. e sáb., das 11h30m à 1h; dom., de 11h30m às 22h. www.chicoealaide.com.br Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 31 – Bracarense: o bom e velho boteco do Leblon, e o seu bolinho de aipim com camarão e Catupiry, tão emblemático

30/03/2015
Em meio a outros acepipes de responsa, como o camarão empanado com catupiry, o bolinho de abóbora com carne seca e  o bolinho de feijoada, brilha o mais famoso salgadinho do Bracarense, o  bolinho de aipim com camarão e catupiry

Em meio a outros acepipes de responsa, como o camarão empanado com catupiry, o bolinho de abóbora com carne seca e o bolinho de feijoada, brilha o mais famoso salgadinho do Bracarense, o bolinho de aipim com camarão e Catupiry

 

Houve um tempo em que o Bracarense papava todos os prêmios de botequins no Rio. Ganhava como melhor bar, melhor chope, melhor happy hour, melhor PF… Ganhava tudo, mas ganhava, sobretudo, no quesito melhor salgado, ou melhor petisco, seja lá que nome se dava aos acepipes típicos do Rio. Ganhava por causa do arredondado bolinho de aipim com camarão em Catupiry, ainda que as empadas sempre fossem sublimes, que as porções de pernil de porco assado estivessem invariavelmente entre as mais cobiçadas da cidade e que os PFs da casa eram campeões na relação preço-qualidade-quantidade-serviço. Isso foi lá em meados dos anos 1990, quando os cariocas começaram a dar mais valor aos seus botecos, e foram assim criados troféus gastronômicos, livros sobre o tema, e guias, como o clássico e icônico Rio Botequim. Se o bom e velho Braca sempre tinha uma comida altamente saborosa – naquele lindo repertório luso-carioca, com polvo, bacalhau, tutu, pernil, carne assada, feijão e feijoada, e a média do café da manhã, e os salgadinhos expostos na vitrine aquecida – também tinha ao mesmo tempo o seu elemento mais emblemático: o tal bolinho de aipim com camarão e Catupiry. Alaíde fez as malas e se partiu, hoje à frente do bar Chico e Alaíde (ótimo, por sinal), perto dali, no mesmo Leblon, ao lado de seu companheiro de Bracarense, Chico, que é dos garçons mais famosos e carismáticos do Rio. E a macaxeira recheada com a perfeita combinação entre o crustáceo e o requeijão, tão brasileira fórmula, continua sendo o carro-chefe do Braca. Continua igual ao que sempre foi. Há quem diga que não. Me parece o mesmo de sempre. Mas o Braca deixou de ser cartão-postal do Rio. Voltou a ser algo como o que sempre foi, dos anos 1950, quando abriu as portas, até o final dos anos 1990, quando entrou na moda. Dirceu continua no comando da chopeira, enchendo os copos com a dosagem certa de pressão. Os mesmos coroas do Leblon ainda aparecem pela manhã, para jogar conversa fora, e às vezes baralho e porrinha, derramando os seus copos de chope, de vinho e de aguardente. As mesas do lado de fora, que durante algum tempo foram propriedade apenas dos clientes cativos, estão cheias em todas as noites, naquele belo movimento do final de tarde do Rio. As empadas de siri, essas lindas, permanecem tapadas com plástico, para não deixar ressecar o recheio aberto, que merece gotas de pimenta, da casa, da boa. E podemos pedir sempre que quisermos o filezinho aperitivo com cebola, alho e salsinha, acompanhado de aipim frito. A impressão que se tem é que o Bracarense nunca foi tão Bracarense como hoje. Mas não espalha.

BRACARENSE – Rua José Linhares 85, Leblon. Tel. 2294-3549. De seg. a sex., das 8h à meia-noite; sáb., das 9h30m à meia-noite; dom., das 10h às 22h. http://www.bracarense.com.br Aceita cartão de débito.

Trópica: nova cervejaria carioca lança dois rótulos colaborativos com a Röter

29/03/2015
A Trópica 01 Bora Bora é uma American Blond com perfume de witbier, de coentro e casca de tangerina

A Trópica 01 Bora Bora é uma American Blond com perfume de witbier, de coentro e casca de tangerina, com 4,8%

 

O mundo das cervejas artesanais no Brasil é um universo em ebulição, e em expansão. Na mesma semana em que foi lançada a Miwok, produzida pela Rock Bird em parceria com a Röter, essa mesmo cervejaria apresentou outros dois rótulos colaborativos: Bora Bora (na foto) e Arequipa, ambos assinados pela Cervejaria Trópica, outra novidade tinindo de nova.  A Bora Bora é  Trópica 01, e a Arequipa é a Trópica 02. O Lançamento da dupla aconteceu na quarta-feira passada, reunindo a nata do mundo da cerveja no Rio.

As duas cervejas tinham exatos 4,8% de álcool. Bora Bora assume um estilo híbrido. Uma American Blonde Ale, com laranja e casca de tangerina, dando uma pincelada no perfume, trazendo notas típicas de uma witbier. Está vendendo mais, e provavelmente será assim para sempre. Tem um estilo mais comercial, adequado ao mercado brasileiro.

Porém, os cervejeiros presentes foram unânimes em preferir a Arequipa, uma Session Ipa com mate (tipo o mate de praia mesmo), o que dá uma reforçada no amargor, de maneira delicada.

Cada uma em seu estilo, mostram personalidade, com receitas bem ajustadas. E a julgar pelas primeiras impressões do público (ouvi muito cervejeiro experimentado), a Trópica, assim como a Rock Bird, são marcas de futuro muito promissor.

Boto fé.

Guia 450 Sabores do Rio 29 – Boteco DOC: cervejas especiais e comidinhas bem boladas em Laranjeiras e Ipanema

28/03/2015
O trio de mini burger tem o tamanho ideal para ser apreciado em cinco ou seis mordidas, e virou um símbolo do lugar: a carne chega alta, quase uma almôndega, macia e suculenta, por um macio pão de parmesão, suja banda superior vem ao lado, permitindo uma visão melhor do sanduichinho. Derretendo-se, um queijo que minas padrão, e sobre ele temos picles de beterraba e cebola caramelizada

O trio de mini burger tem o tamanho ideal para ser apreciado em cinco ou seis mordidas, e virou um símbolo do lugar: a carne chega alta, quase uma almôndega, macia e suculenta, por um macio pão de parmesão, suja banda superior vem ao lado, permitindo uma visão melhor do sanduichinho. Derretendo-se, um queijo que minas padrão, e sobre ele temos picles de beterraba e cebola caramelizada

O Boteco DOC abriu as portas em 2013 com uma proposta bem antenada às demandas da boemia carioca. Comida boa, com receitas inteligentes e bem boladas, boa seleção de cervejas e preços camaradas. Por trás do sucesso da casa, um espaço pequeno e intimista em Laranjeiras, está o chef Gabriel de Carvalho,que cria receitas confortáveis e bem montadas. O trio de mini burger tem o tamanho ideal para ser apreciado em cinco ou seis mordidas, e virou um símbolo do lugar, pedido praticamente obrigatório. É mesmo muito bom. A carne chega alta, quase uma almôndega, macia e suculenta, por um macio pão de parmesão, suja banda superior vem ao lado, permitindo uma visão melhor do sanduichinho. Derretendo-se, um queijo que minas padrão, e sobre ele temos picles de beterraba e cebola caramelizada. Ou seja, todos os elementos de um burger perfeito. Outras boas sacadas são o pastel de carne assada, à moda do boeuf bourguignon; os dadinhos de queijo coalho empanados na tapioca; a barriga de porco assada com cogumelos em molho tonkatsu e o escondidinho de linguiça, com tutu de feijão, couve e farofa de laranja. O menu muda sempre, e no almoço há boas pedidas. Para encerrar, bolo de aipim com doce de leite e coco queimado. Para beber, há sempre alguns diferentes tipos de cerveja da Noi, direto das torneiras. Abriu filial em Ipanema, em lugar igualmente pequeno e acolhedor, com cardápio praticamente igual, e um foco também nos drinques, não apenas nas cervejas.

BOTECO DOC – Rua das Laranjeiras 486, Laranjeiras. Tel. 3486-2550. De ter a sex., do meio-dia à meia-noite; sáb., das 13 h à 1h; dom., das 13 h às 19h. http://www.botecodoc.com Aceita cartões.

Miwok, uma perfumada e equilibrada Session IPA, estreia em grande estilo da cervejaria Rock Bird

28/03/2015

Conheci o Afonso Dolabella há exatamente um ano, em março do ano passado, no Herr Pfeffer. Fui apresentado a ele, e a uma de suas cervejas, uma outmeal stout, que ainda por cima foi o que regou o joelhão de porco, antes de ele voltar ao voltar para ser levemente glaceado antes de ser servido (para ler essa história, clique aqui).
Pois na quinta passada, no mesmo Herr Pfeffer, no Leblon, e desta vez por pura coincidência, nos encontramos novamente. Esse é um dos meus locais preferidos na cidade hoje, para comer comida alemã (mas com ingredientes do Rio) e beber cervejas do mundo todo, e papear com os amigos. Na série 450 Sabores do Rio, destaquei justamente o joelhão da casa, algo único na cidade, e delicioso.

Afonso Dolabella tira a sua primeira cerveja comercial na torneira do Herr Pfeffer, no Leblon

Afonso Dolabella tira a sua primeira cerveja comercial na torneira do Herr Pfeffer, no Leblon

Pois na quinta passada o Afonso estava lá. Novamente levando uma cerveja de lavra própria. Mas desta vez, ao contrário do growler do ano passado, ele trazia um barril. Em vez de ter sido feita em casa, como a outmeal stout, tinha sido produzida em tanques, da cervejaria Röter, parceira dele, fundador da Rock Bird Craft Brewery (vejo enorme futuro nela).

Muito fácil de beber, a Miwok é fresca, saborosa e intensa, bem equilibrada, com boa textura, espuma firme, um acerveja de assumida inspiração californiana, que usa lúpulos da costa oeste dos EUA, e busca referência em clássicos da região

Muito fácil de beber, a Miwok é fresca, saborosa e intensa, bem equilibrada, com boa textura, espuma firme, um acerveja de assumida inspiração californiana, que usa lúpulos da costa oeste dos EUA, e busca referência em clássicos da região

Era uma West Coast Session IPA megalupulada, com 4,8%, batizada de Miwok Indian Series. Puta cerveja. Para os “hopheads”, ou seja, fanáticos por lúpulo. Muito fácil de beber, é fresca, saborosa e intensa, bem equilibrada, com boa textura, espuma firme. Um acerveja de assumida inspiração californiana, que usa lúpulos da costa oeste dos EUA, e busca referência em clássicos da região.
Ela seria lançada na sexta, e ele acertava os detalhes com Fabio Santos, sócio do Herr Peffer. Por sorte, tive o prazer e o privilégio, e a honra, de ver o Afonso plugar a sua primeira cerveja comercial na torneira. E também acompanhei ele tirar a primeira leva, com a devida pressão. E brindamos juntos com essa cerveja que achei incrível.
– Tem 16 gramas por litro de lúpulo. Uma IPA convencional tem 8 em média. Fiz um dry hopping poderoso.

A cerveja é muito aromática, cheia de ervas, com notas de frutas, como manga e melão, e toques cítricos

A cerveja é muito aromática, cheia de ervas, com notas de frutas, como manga e melão, e toques cítricos

O resultado é uma cerveja super aromática, com frescor intenso, e perfumes campestres, de ervas, grama cortada, mato, skank. Cheio de frutas tropicais também, com manga, melão e pêssego, algo cítrico, de abacaxi. Vai fazer sucesso, pode apostar.
Imagino que fique muito bom com peixes e frutos do mar em temperos asiáticos picantes, para sushis e sashimis mais encorpados, tipo enguia, polvo e toro, para usar wasabi e gengibre à vontade, além de queijos intensos, maduros e mais untuosos, gorgonzola e grana padano, por exemplo, e uma variedade de burgers, dos mais potentes, com cargas de picles, bacon defumado, barbecues, temperos picantes e queijos gordos. Achei que é muito boa para comida, por seu equilíbrio, seu perfil harmônico, mas com muita potência aromática, frescor, persistência e sabor marcante.

Miwok
O Lançamento continua pelos próximos dias nos principais redutos cervejeiros do Rio. Deixo o calendário.

Miwok 2
E a descrição da cerveja pela própria marca.
Belíssima novidade. Com identidade. Visual, inclusive. Afonso é designer, e criou uma programação visual interessante.

 

Guia 450 Sabores do Rio 24 – Alvaro’s: a casa ibérica que faz o melhor e mais amado pastel do Rio

23/03/2015
O pastel do Alvaro's: O grande trunfo do salgado é a massa, feita com cerveja e aguardente, receita de origem espanhola, cidade de Santiago de Compostela, terra de Manolo Casal, sócio da casa, que chegou ao Brasil em 1962. Crocante e sequinha, fica bem aerada, deixando o conjunto leve. Carne, queijo e camarão são os recheios clássicos. Catupiry é outro muito pedido.

O pastel do Alvaro’s: O grande trunfo do salgado é a massa, feita com cerveja e aguardente, receita de origem espanhola, cidade de Santiago de Compostela, terra de Manolo Casal, sócio da casa, que chegou ao Brasil em 1962. Crocante e sequinha, fica bem aerada, deixando o conjunto leve. Carne, queijo e camarão são os recheios clássicos. Catupiry é outro muito pedido.

Alguns restaurantes param no tempo. E isso é bom. Viram porto seguro quando queremos um lugar afetivo, tradicional, daqueles que nos proporcionam uma viagem ao passado. No Rio, o Alvaro’s é um dos mais importantes representantes da categoria. Comer ali significa obrigatoriamente pedir uns pastéis. O grande trunfo do salgado é a massa, feita com cerveja e aguardente, receita de origem espanhola, cidade de Santiago de Compostela, terra de Manolo Casal, sócio da casa, que chegou ao Brasil em 1962. Crocante e sequinha, fica bem aerada, deixando o conjunto leve. Carne, queijo e camarão são os recheios clássicos. Catupiry é outro muito pedido. Muitos amigos vão até lá, e a petiscaria é das mais clássicas: presunto cru espanhol, ovos estrelados com bacon, frango à passarinho, gurjões de peixe com molho tártaro e até provolone à milanesa, além de picles e azeitonas. O restante do cardápio parece não ter mudado em nada desde os anos 1970, e o mesmo se pode dizer da execução dos pratos. Assim, honrando as raízes ibéricas do Alvaro’s, bacalhau e polvo estão entre as melhores pedidas. No primeiro caso, entre as dez receitas, escolha a versão ao Bráz, desfiado, com batata palha, azeitonas, ovos e alho; e no segundo, à provençal, frito, com cogumelos, alho e salsa. É um dos poucos lugares na cidade onde encontramos verdadeiros heróis da resistência, como a língua ao Marsala, o frango à Kiev (na receita distorcida, com catupiry em vez de manteiga), medalhão à piemontese, badejo à belle meunière, filé à francesa, haddock cozido no leite com manteiga quaimada, tornedor ao roquefort, camarão ao pomme d’or (cozido em molho branco, com maçã e arroz de amêndoas) e espaguete ao alho e óleo. Para encerrar, figos com creme, pudim de laranja, mousse de chocolate, banana frita, papaia com creme de cassis e torta alemã. É como voltar ao passado.

ALVARO’S – Rua Ataulfo de Paiva 500, Leblon. Tel. 2294-2148. De dom. a qui., do meio-dia à 1h; sex. e sáb., do meio-dia às 2h http://www.alvaros.com.br/ Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 22 – Herr Pfeffer: o alemão que tem coisas que nenhum alemão tem, incluindo um joelho de porco para dez pessoas

21/03/2015
O joelhão do Herr Pfeffer: a peça, que pesa entre 5 e 6 kg, geralmente, serve fácil, fácil umas dez ou doze pessoas, e sozinha já justifica uma visita ao lugar. Depois de assada lentamente, ela ainda é regada com uma cerveja, que o cliente escolhe (paga à parte), e volta para o forno, para a finalização

O joelhão do Herr Pfeffer: a peça, que pesa entre 5 e 6 kg, geralmente, serve fácil, fácil umas dez ou doze pessoas, e sozinha já justifica uma visita ao lugar. Depois de assada lentamente, ela ainda é regada com uma cerveja, que o cliente escolhe (paga à parte), e volta para o forno, para a finalização

Existem hoje no Rio dezenas de bares e restaurantes com boas cartas de cervejas. Mas nenhuma igual à do Herr Pfeffer, no Leblon. Fábio Santos, o sócio, é quem escolhe os rótulos da casa, e só deixa passar os melhores. À porta, sempre encontramos novidades e das torneiras, além da Paulaner, jorram cervejas difíceis de se ver “on tap”. Também encontramos ali uma rara seleção de shnapps, os digestivos alemães, que encerram brilhantemente um jantar. Se a seleção etílica é de alto nível, e foge da obviedade, o mesmo se pode dizer da cozinha. Como boa casa alemã, encontramos clássicos do gênero, como croquetes de carne, um bom eisbein, ou kassler (e salsichas diversas), que podem ser escoltados com chucrute e salada de batatas, e mostarda da boa, como manda a tradição. Os embutidos reluzem. Produzidos artesanalmente por um alemão de Mendes, estão entre os destaques do menu. Não existe nada parecido, por exemplo, com dupla formada por morcela e patê quente, esta última uma espécie de salsicha, deliciosa. Outra pedida que não encontra equivalente na cidade é a porção de patês, com cinco versões (de vitelo, de pato, de galinha, de porco), em diferentes preparações e curas, e temperos. Ainda do repertório do alemão de Mendes, a “linguiça da Diretoria” é feita com pimenta verde, e é servida frita: das melhores. Encontramos até um belo currywurst, a salsicha acompanhada com potinho de ketchup temperado com páprica e curry, iguaria típica das ruas de Berlim. Há versões germânicas, usando essas carnes, de feijoada (com feijão branco) e cozido (com eisbein, salsichas branca e bock, kassler, bacon, chouriço, morcela, chucrute e batatas cozidas). Fica difícil escolher, de modo que ir bando ao Herr Pfeffer é sempre uma boa pedida, porque assim podemos provar mais cervejas (e shnapps) e pratos. Um deles, porém, exige não apenas um grupo grande, mas também planejamento: trata-se de um joelho de porco, que incorpora um pedaço do pernil. Coisa de maluco. A peça, que pesa entre 5 e 6 kg, geralmente,, serve fácil, fácil umas dez ou doze pessoas, e sozinha já justifica uma visita ao lugar. Depois de assada lentamente, ela ainda é regada com uma cerveja, que o cliente escolhe (paga à parte), e volta para o forno, para a finalização. O resultado é um joelho de porco único, sem nada igual na cidade, com vários tipos de carne unidas pelo osso, umas partes externas, tostadinhas, e outras com distintos níveis de gordura, um conjunto macio, que se desfia, e com tempero na medida exata. Para encerrar, uma torta alemã, que vai bem com uma stout.

HERR PFEFFER – Rua Conde Bernadotte, 26, Leblon. Tel. 2239-9673. Dom., seg. e ter., do meio-dia à meia-noite; de qua. a sáb., do meio-dia às 2h. http://www.herrpfeffer.com.br/ Aceita cartões.