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Guia 450 Sabores do Rio 19 – Columbia: o frango assado mais amado da Tijuca

18/03/2015
O frango assado do Columbia, inaugurado em 1974, na rua Rua Haddock Lobo, que tem como trunfos o tempero acertado, a pele tostadinha e o sabor que da brasa que assa também algumas carnes

O frango assado do Columbia, inaugurado em 1974, na rua Rua Haddock Lobo, que tem como trunfos o tempero acertado, a pele tostadinha e o sabor que da brasa que assa também algumas carnes

Pergunte a um tijucano qual é o melhor frango assado, não do bairro, nem do Rio, mas do mundo. Provavelmente ele responderá “Columbia”. A casa, inaugurada em 1974, se expandiu, chegando à Barra da Tijuca (em 2006), na beira da praia, ao shopping Nova América (2008) e a Botafogo (2010). Mas é a Tijuca mesmo o seu ponto de referência, embora a unidade da Lucio Costa com Olegário Maciel foi quem deu projeção ao restaurantes fora dos domínios tijucanos. O segredo so sucesso não está apenas no tempero acertado, um tom vermelho que realça o sabor do frango, com a pele tostadinha, ponto exato de cozimento, mas principalmente na brasa, uma das estrelas do restaurante, sempre à vista da clientela, o movimento constante com suas grelhas repletas. E o ícone do Columbia é o frango com farofa, que muita gente pede em casa, em porção que pode ser acrescida de arroz branco e fritas (uma montanha, há quem peça meia), e muitas vezes feijão. E há até quem peça a guarnição “à Oswaldo Aranha”, com arroz, farofa, batata portuguesa e alho. Farofa de ovos? Tem. Molho à campanha? Muitos pedem. A mesma brasa que assa os frangos (e galetos) também é a usada no preparo de outras especialidades da casa, a começar pelas linguiças, um dos abre-alas mais pedidos, assim como os pães de alho, além de carnes, como picanha, e toda uma linhagem de “churrasco”. O chope bem na tulipa, gelado, na pressão, e faz sucesso. Os clientes são fiéis, e alguns chamam o restaurante pelo seu nome completo, Na Brasa Columbia, outros já mais íntimos podem até abreviar para simplesmente Columbia.

COLUMBIA (NA BRASA) – Rua Haddock Lobo, 346 (esquina com rua Afonso Pena, Tijuca. Tel. 2568-1283. De seg. a sáb., das 11h às 2h; dom. e feriados, de 11h à 1h. http://www.nabrasacolumbia.com.br Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 14 – Vice-Rey, a microcervejaria artesanal da Barra da Tijuca, um patrimônio carioca

14/03/2015

 

O chope tipo PIlsen do restaurante Vice-Rey, na Barrao ali, que produz a bebida logo ali, atrás do balcão

O chope tipo Pilsen artesanal do restaurante Vice-Rey, na Barra, que produz a bebida logo ali, atrás do balcão, em pequenos tanques: menu tem pescados, especialidade alemães e cariocas

É triste dizer isso, mas o restaurante Vice-Rey está prestes a renunciar. O casarão em estilo colonial dos anos 1970 que ocupa uma grande área na Barra da Tijuca, ali na Praça do Ó, a poucos metros da praia, é uma relíquia do Rio de Janeiro. Merecia tombamento como patrimônio da cidade, mas seu destino parece ser um dia derrubado para dar lugar a mais um prédio. Pena. Mas ainda é tempo de visitar o lugar, um dos mais pitorescos que eu conheço, quase um museu, com decoração antiga, de fazenda, o piso de lajota, os móveis de madeira de demolição, ambiente que logo nos remete aos anos 1970, com jeito rural, de casarão colonial (foi inaugurado em 1976, quando começava a expansão da cidade em direção à Barra, até então um grande areal). Nas paredes vemos fotos, recortes de jornal e uma coleção de arpões e outras armas de pesca, com um acervo divertido para aqueles, como quase todo o carioca, que amam o mar, memória de Lucio Lenz, sócio da casa. Uma mesa de sinuca está à disposição, e as mesas são bem espaçadas entre si. Há um conforto descontraído no ar. O cardápio, como se pode supor, é focado em pescados, com boas receitas à moda antiga, de peixes e frutos do mar, como sardinha frita, anéis de lula empanados, polvo com arroz e brócolis, camarões ao Catupiry, moqueca… Mas, honrando as raízes alemães da família Lenz, há especialidades ancestrais germânicas, como salsicha aperitivo, kassler, eisbein, escalope Holstein e algumas receitas típicas de outrora, o que venho chamando aqui de cozinha urbana do Rio de Janeiro, como bolinhos de bacalhau, medalhões ao molho Madeira com arroz à piemontesa e o bom e velho Oswaldo Aranha. E é justamente essa veia alemã que faz do Vice-Rey um lugar especial, e único. Muito antes de ser moda a produção de cerveja artesanal o lugar já era uma microcervejaria com boa estrutura. Hoje são servidas duas receitas, Pilsen e Amber Ale (minha preferida), ambas deliciosas. Uma alegria. Cervejas bem feitas, que saem dos tanques (que estão logo atrás do balcão) direto para os canecões, trincando de gelados, com a espuma densa, transbordante. Adoro o lugar, e fico triste que pouca gente conheça. Uma pena. Mas fica a dica: aproveite o Vice-Rey antes de acabe. E espalhe pros amigos.

VICE-REY – Avenida Monsenhor Ascânio (Praça do Ó) 535, Barra da Tijuca. Tel. 2493-5560. Diariamente, do meio-dia às 2h. http://www.vice-rey.com.br/ Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 10 – Bar da Amendoeira: carne-seca na farofa, pimenta e chope na caldereta

11/03/2015
A carne-seca passada na farofa e o ótimo chope na caldereta, tipo schinitt: duas belas razões para ir até este boteco clássico em Maria da Graça

A carne-seca passada na farofa é servida com o ótimo chope na caldereta, tipo schinitt, com espuma cremosa: duas belas razões para ir até este boteco clássico em Maria da Graça

A carne-seca é preparada com a sabedoria de um grande cozinheiro. Dessalgada no ponto certo, é cozida e depois… assada, acho eu, ganhando uma casquinha mais saborosa, durinha, e com aquele tostadinho que dão relevo a um prato, com o interior rosado, macio, desfiando-se ao toque do talher. Para melhorar, os blocos de charque são envolvidos em uma farofinha leve e branquinha, um empanado de farinha de mandioca. Em seguida, antes de nos servir tal iguaria, o atendente ainda tem a nobreza de cortar os pedaços, para ficarem do tamanho perfeito para serem levadas à boca, espalhando sobre o petisco uns palitinhos, pra faciliar o manuseio de quem dispesa garfo e faca nessa hora. O Bar da Amendoeira, em Maria da Graça, um dos monumentos suburbanos mais relevantes da gastronomia carioca, consegue com algo tão simples preperar um acepipe delicioso, sem igual na cidade (o Bunda de Fora, em Ipanema, mas um parecido, bom, mas que não chega aos pés). Melhora a situação o fato de que a pimenta do Bar da Amendoeira – assim batizado por causa da árvore que enfeita a sua fachada azul desgastada pelo tempo – é muito boa; e que o chope, servido na caldereta, tipo schnitt, está entre os (meus) três melhores do Rio, ao lado do Bar Brasil e Adonis (já resenhados aqui nesta série). Mas não pense que é só carne-seca, pimenta e chope, o que já seria muito. O bar serve, além de petiscos botequeiros, tipo jiló, moela, pernil e bolinho de bacalhau, refeições antológicas, como o angu à baiana dos sábados, que atrai legiões de fãs fieis, e outros clássicos do almoço executivo dos bares cariocas, como carne-seca com abóbora, feijoada (sexta). Há alguns anos, Cesar, o dono, morreu, dentro do bar, após uma briga com o cliente. Apesar da trajédia, o Amendoeira continua firme e forte com um dos bastiões da cultura botequeira do Rio de Janeiro. Graças a Deus, e Maria da Graça.

BAR DA AMENDOEIRA – Rua Conde de Azambuja 881, Maria da Graça. Tel. 2501-4175. Seg. a qui., das 6h às 22h; sex., das 6h à meia-noite; sáb. até 20h. Aceita cartões.