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Uma noite perfeita no Cipriani

01/10/2018

 

Gran finale: merengue, em apresentação linda e escultural, com o brasileiríssimo cupuaçu, além de morango e macedônia – Foto de Bruno Agostini

Era uma noite fria de quinta-feira, e chamou a atenção o salão bem cheio, quase lotado, do Cipriani. Movimentado daquele jeito eu só tinha visto em eventos fechados. Sentei no balcão do bar, embalado pelo piano logo ao lado. Pedi um bellini. Elogiei. Pedi explicações sobre o purê de pêssego.

– Eu faço aqui mesmo – explicou sem ostentação o bartender, o que em associação ao Prosecco de ótima qualidade explica a razão de estar tão bom o coquetel de origem veneziana, clássico do Cipriani original na cidade italiana.

Deu vontade de pedir mais um, mas já sabia que seria longa a noite, e segui para a  mesa. Olhando ao redor, era mais ou menos metade de estrangeiros, e a outra de brasileiros, entre cariocas – muitos – e turistas de outros estados. Muitos parecem hóspedes, mas várias mesas estavam claramente comemorando algo. O Cipriani é mesmo muito adequado para ocasiões especiais. Dois grupos diferentes tinham aniversariantes, e o clima de romance atraía muitos casais, daqui e de alhures.

Jantar no Cipriani é mesmo especial, e recentemente entrou seguramente para a lista de melhores restaurantes do país, em qualquer seleção que se faça. Difícil de competir: a vista linda da piscina mais famosa do Brasil, o serviço que está impecável, um pouco menos formal que antes (que bom), a lista de vinhos e os drinques e – sobretudo – e o que é o mais importante em um restaurante: uma cozinha de alto nível. Altíssimo nível. Dos grandes italianos do mundo. Do mundo, sim.

LEIA MAIS EM: https://brunoagostini.wordpress.com/cipriani/

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Guia 450 Sabores do Rio 42 – Officina del Gelato: o melhor picolé do Rio, e uma linha completa de sorvetes de derivados

10/04/2015
O lugar muito simpático, que naturalmente também produz sorvetes de primeira grandeza, tem uma linha de sorvetes no palito muito da gostosa: chamados de “Stecco”, são envoltos em fina camada de chocolate belga, e podem ser envoltos por uma espécie de farofa de pistache ou amendoim, por exemplo

O lugar muito simpático, que naturalmente também produz sorvetes de primeira grandeza, tem uma linha de sorvetes no palito muito da gostosa: chamados de “Stecco”, são envoltos em fina camada de chocolate belga, e podem ser envoltos por uma espécie de farofa de pistache ou amendoim, por exemplo

O Rio de Janeiro, felizmente, ganhou nos últimos cinco anos várias sorveterias muito boas. Existem hoje na cidade pelo menos dez marcas, entre redes e lojas únicas, dignas de nota, e a batalha pelo melhor sorvete carioca é uma disputa acirrada. Fato. Mas, quando o assunto é picolé, não tem pra ninguém: a Officina del Gelato, em Copacabana, ganha com vários corpos de vantagem. O lugar muito simpático, que naturalmente também produz sorvetes de primeira grandeza, tem uma linha de sorvetes no palito muito da gostosa. Chamados de “Stecco”, são cobertos por uma fina camada de chocolate belga, e podem ser envoltos por uma espécie de farofa de pistache ou amendoim, por exemplo. Por trás do sucesso da casa está o italiano Roberto Falleti, mestre sorveteiro formado em universidade na cidade Bolonha. Em termos de sorvetes, e seus pares, é de longe a casa mais completa do Rio. Além dos “gelati” feitos diariamente na casa, em espaço envidraçado, junto ao balcão, à vista do público, a casa serve granitá (gelo triturado com frutas batidas), sanduíches de biscoito com recheio de sorvete, e brioche recheado com sorvete, além de tortas geladas e milk-shakes. A linha de sorvetes pode apresentar combinações como caramelo e flor de sal, limão com hortelã, fios de ovos e melancia, além de clássicos como pistache, café, doce de leite. Todos bem feitos, com ingredientes de qualidade e aquela cremosidade que é a marca característica de um bom sorvete à moda italiana. Vale destacar ainda a decoração: o espaço é amplo e confortável, incluindo belas poltronas de couro, e um visual retrô que remete aos anos 1950, incluindo aí os uniformes dos funcionários. Vale a pena passar por lá até para tomar um despretensioso cafezinho. Espresso, claro. E curto.

OFFICINA DEL GELATO – Av. Nossa Senhora de Copacabana 903, Copacabana. Tel. 3256-4480. Diariamente, das 11h às 23h. http://www.officinagelato.com Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 32 – Aboim, em Copacabana: o melhor PF do Rio, com feijão e farofa mais que perfeitos

31/03/2015
O PF de carne-seca com abóbora do Aboim, em Copacabana: feijão cremoso e bem temperado e uma farofinha crocante e tostada na medida certa

O PF de carne-seca com abóbora do Aboim, em Copacabana: feijão cremoso e bem temperado e uma farofinha crocante e tostada na medida certa

 

O Aboim, em Copacabana, é um boteco de alta classe. A poucos passos do calçadão da mítica Avenida Atlântica, é lugar para poucos. Cabem no máximo seis pessoas em seu interior, um dos tantos bundas de fora da cidade devido ao perfil modesto de suas instalações. Do lado de dentro todos os clientes ficam de pé, apoiados no balcão, onde reluzem pastéis (imperdíveis, em especial o de carne-seca), carnes assadas, pernis suínos e outras iguarias tradicionalistas. Do lado de fora, há mesinhas e cadeiras baixas, mas não é fácil consegui-las. Lotam nos fins de semana, claro, boa parte levada pelos próprios frequentadores, como um dia foi no Bracarense. O PF do Café e Bar Aboim, nome oficial, é cotado como o melhor do Rio por gente como Guilherme Studart. Assinamos embaixo. O feijão e a farofa são mais que perfeitos. O primeiro é cremoso, encorpado, com tempero bem marcado, e sempre aquelas nuances de carne de porco que compõem a feijoada. O segundo tem a medida certa de tostagem, dando crocância e intensificado o sabor. A mistura dos dois, com gotas de pimenta, já seria uma refeição de gala. São acompanhamentos, mas jamais figurantes. O elemento principal escolhemos à parte. Carne assada e pernil, que também podem ser convertidos em sanduíche ou servidos como aperitivo, sempre estão disponíveis na casa, expostos na vitrine toda a sua gostosura. E há os pratos do dia. Rabada, carne-seca com abóbora, mocotó… Eles são servidos em pratinho à parte, enquanto feijão e farofa (também é possível pedir macarrão ou arroz, mas eu acho dispensáveis diante da qualidade da dupla citada) chegam forrando o prato, preparado e montado pelo chef Chicão, que fica lá atrás, na minúscula cozinha, manejando com destreza rara as suas panelas, conchas, escumadeiras e facas. Prato feito por ele, que vai perguntando as quantidades desejadas, e até se o sujeito quer o feijão por cima ou por baixo. PF de primeira. Para beber, ecletismo justo: cerveja, cachaça, caipirinha e até uma seleção de uísque boa, com preços imbatíveis na Zona Sul. Como se isso tudo não bastasse, o Aboim tem uma frequência que representa bem a fauna urbana do Rio de Janeiro: reúne pedreiros, pintores de parede, guardas municipais e PMs, apontadores do Jogo do Bicho, estudantes e boemios em geral, senhores praianos e elegantes de Copacabana e grupos de amigas, turistas e cariocas da gema, jornalistas, garçons e sommeliers. Uma síntese deliciosa da cidade. Sem contar que podemos passar lá na ida ou na volta da praia, ou em ambos os casos, coisa tão típica e agradável essa.

ABOIM – Rua Souza Lima 16-B, Copacabana. Tel. 3072-0094. Diariamente, das 7h à meia-noite. Não aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 28 – Haru Sushi Bar: com suas ostras frescas e menu esperto, o japonês é um achado em Copacabana

27/03/2015
Enaltecendo o frescor do marisco, o nama kaki é a ostra quase pura, temperada com cítricos do molho ponzo e do limão, com um toque picante da pimenta japonesa togarashi

Enaltecendo o frescor do marisco, o nama kaki é a ostra quase pura, temperada com cítricos do molho ponzo e do limão, com um toque picante da pimenta japonesa togarashi

Nas noites de quarta-feira, por volta das 22h, chega ao Haru Sushi Bar, em Copacabana, um carregamento de ostras, recolhidas na manhã do mesmo dia, em Santa Catarina. Pode atrasar um pouco, até umas 23h. O fato é que essa é a melhor hora para se chegar ao pequeno restaurante, na entrada de uma galeria, com seis mesas na calçada e três no lado interno. Porque elas podem em poucos minutos chegar à mesa. No Japão, muitos dos melhores chefs trabalham assim, em lugares pequenos, com uma cozinha enxuta, e muitas vezes em locais inusitados, como estações de metrô e salas comerciais. É um lugar de ambiente simples, e cozinha ótima, o que se reflete no preço. É possível conversar com o chef Aurélio dos Santos, sócio da casa ao lado de Menandro Rodrigues, o homem por trás do Boodah Sushi Lounge, que estão lá todas as noites. Aurélio fica na cozinha muito perto dos clientes das mesas internas. Para quem curte comida, é o melhor lugar. E a melhor pedida é a degustação do chef, o omakasê, o menu confiança japonês. Basta informar preferências e restrições, que ele monta um percurso cheio de bossa, roteiro que muda regularmente. As ostras são fundamentais. Além de recém-colhidas, são pequenas, com sabor mais delicado e concentrado. Podem chegar em molhos orientais, ou empanadas em panko, entre outras versões. Enaltecendo o seu frescor, o nama kaki é a ostra quase pura, temperada com cítricos do molho ponzo e do limão, com um toque picante da pimenta japonesa togarashi. O usuzukuri chega em cortes finos e precisos, os mais delicados da cidade, expondo o peixe em sua melhor forma. Vale notar na louça produzida por ceramistas japoneses de São Paulo, que realçam a apresentação cuidadosa dos pratos. O repertório é rico, executado com boa técnica e precisão, e pode ter boas sacadas, como um carpaccio de polvo, fininho, fininho, servido com mini nirá salteado e azeite quente, que perfuma o prato, temperado com gergelim e cebolinha picada. E sempre é possível pedir a la carte, pinçando do menu especialidades do chef, como rolinhos de camarão crocante com salmão brûlée. Novidade fresquinha recém-lançada é o wagyu em molho cremoso de cogumelos frescos: além da maciez suprema da carne, chama a atenção o ponto do molho, e seu sabor. A cereja no bolo neste segredinho gostoso que só poderia mesmo existir em Copacabana. Ou em Tóquio… E já ia me esquecendo… Muito boa carta de saquês, com ótimos preços, e até uma refrescante Jeffrey Niña, que vai bem com comida japonesa, aliás.

HARU SUSHI BAR – Rua Raimundo Correia 10, Copacabana. Tel. 2547-6867. De seg. a sáb., do meio-dia à meia-noite. http://www.harurestaurante.com.br Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 9 – A Polonesa: o suflê de chocolate de uma das casas mais tradicionais do Rio

10/03/2015
O suflê de chocolate do restaurante A Polonesa deve ser encomendado na chegada, e é servido com uma casca de ovo em chamas

O suflê de chocolate do restaurante A Polonesa deve ser encomendado na chegada, e é servido com uma casca de ovo em chamas (para não deixar o doce murchar)

O restaurante A Polonesa, em Copacabana, cujo nome revela a sua especialidade culinária, está longe de ser uma unanimidade. Há uma turma que ama esta casa tão tradicional, inaugurada em 1948, e tão carioca. Outros, detestam o lugar, reclamando de garçons irritadiços, ambiente tristonho, escuro, de preços altos e comida insossa. Eu, que não sou fã nem desafeto, preciso reconhecer que o suflê de chocolate é um dos clássicos maiores da gastronomia carioca. Eu preferia que tivesse menos gosto de ovo, e que o chocolate usado fosse melhor. Mas é inegável o seu valor histórico e sentimental. Como demora a ser preparado, como qualquer suflê, deve ser pedido logo no começo da refeição. O doce chega com uma casca de ovo em chamas. O que parece uma estranha forma de decoração, tem efeito prático: não deixa a massa murchar, a derrota de qualquer suflê. Ali, o menu apresenta um receituário polonês, que é também tradicional de outros países do leste europeu, como Ucrânia e Rússia. Para começar, a borscht, a sopa de beterraba com creme. Depois, pirogi (massa recheada), estrogonofe ou goulash. Uma bom aguardente de ameixa, bebida típica da Polônia, vai bem, obrigado. E a refeição se encerra com o suflê. A Polonesa é um desses lugares emblemáticos da gastronomia carioca, que todos deveriam visitar ao menos uma vez. Nem que seja para aderir a corrente dos que falam mal da casa.

A POLONESA – Rua Hilário de Gouveia 116, Copacabana. Tel. 2547-7378. De ter. a sex., das 18h à meia-noite; sáb. e dom., do meio-dia à meia-noite. Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 5 – Cervantes, reduto da boemia e dos sanduíches mais clássicos do Rio

06/03/2015
O sanduíche de pernil com queijo e abacaxi no pão de leite: obra-prima do Cervantes, em Copacabana

O sanduíche de pernil com queijo e abacaxi no pão de leite: obra-prima do Cervantes, em Copacabana, que fica aberto madrugada adentro

O sanduíche de pernil com queijo e abacaxi é uma espécie de Dom Quixote: a obra-prima do Cervantes. No caso, o bar e restaurante clássico de Copacabana, inaugurado em 1955, verdadeiro dois em um: é possível comer tranquilamente, com a família, no pequeno salão, com entrada pela rua Prado Junior; ou se debruçar sobre o balcão do bar, voltado para a movimentada Barata Ribeiro. São três ou quatro fatias generosas da perna traseira de porco, com queijo derretido e o abacaxi, montados em um bom pão de leite. Para acompanhar, um pedaço de limão, que dá uma temperada da boa; e um chope, pra matar a sede. No cardápio de perfil clássico encontramos pratos como língua com purê; miolos à milanesa, picanha e outras “minutas” executadas à moda antiga, para o bem, e para o mal. Mas são os sanduíches que fazem da casa um lugar especial, sem contar o fato de que é um refúgio seguro nas madrugadas cariocas, onde a boemia bate ponto, entre chopes e discussões ébrias, de cunho futebolístico, carnavalesco e outros temas relevantes. Há quem prefira o filé com abacaxi e queijo. Ou mesmo o tender, com sabor realçado pela fruta, que é preparada de maneira única, mantendo a suculência, com a acidez domada pelo cozimento, e o açúcar que contrabalança o sal das carnes, que ficam expostas numa vitrine. Com todo o respeito aos adeptos de outras versões, o grande ícone do Cervantes, o Don Quixote da gastronomia copacabanense, é mesmo o sandíche de pernil, com a carne gostosa, e aquela casquinha escurecida pelos caldos do cozimento, de sabor intenso. O de filé, vá lá, pode ser no máximo um Sancho Pança… Ou, quem sabe, um Rocinante…

CERVANTES – Rua Barata Ribeiro 7, Copacabana. Tel. 2275-6147. De ter a qui, e dom., do meio-dia às 4h; sex. e sáb., do meio-dia às 6h. restaurantecervantes.com.br Aceita cartões.