Posts Tagged ‘Lapa’

Guia 450 Sabores do Rio 24 – Alvaro’s: a casa ibérica que faz o melhor e mais amado pastel do Rio

23/03/2015
O pastel do Alvaro's: O grande trunfo do salgado é a massa, feita com cerveja e aguardente, receita de origem espanhola, cidade de Santiago de Compostela, terra de Manolo Casal, sócio da casa, que chegou ao Brasil em 1962. Crocante e sequinha, fica bem aerada, deixando o conjunto leve. Carne, queijo e camarão são os recheios clássicos. Catupiry é outro muito pedido.

O pastel do Alvaro’s: O grande trunfo do salgado é a massa, feita com cerveja e aguardente, receita de origem espanhola, cidade de Santiago de Compostela, terra de Manolo Casal, sócio da casa, que chegou ao Brasil em 1962. Crocante e sequinha, fica bem aerada, deixando o conjunto leve. Carne, queijo e camarão são os recheios clássicos. Catupiry é outro muito pedido.

Alguns restaurantes param no tempo. E isso é bom. Viram porto seguro quando queremos um lugar afetivo, tradicional, daqueles que nos proporcionam uma viagem ao passado. No Rio, o Alvaro’s é um dos mais importantes representantes da categoria. Comer ali significa obrigatoriamente pedir uns pastéis. O grande trunfo do salgado é a massa, feita com cerveja e aguardente, receita de origem espanhola, cidade de Santiago de Compostela, terra de Manolo Casal, sócio da casa, que chegou ao Brasil em 1962. Crocante e sequinha, fica bem aerada, deixando o conjunto leve. Carne, queijo e camarão são os recheios clássicos. Catupiry é outro muito pedido. Muitos amigos vão até lá, e a petiscaria é das mais clássicas: presunto cru espanhol, ovos estrelados com bacon, frango à passarinho, gurjões de peixe com molho tártaro e até provolone à milanesa, além de picles e azeitonas. O restante do cardápio parece não ter mudado em nada desde os anos 1970, e o mesmo se pode dizer da execução dos pratos. Assim, honrando as raízes ibéricas do Alvaro’s, bacalhau e polvo estão entre as melhores pedidas. No primeiro caso, entre as dez receitas, escolha a versão ao Bráz, desfiado, com batata palha, azeitonas, ovos e alho; e no segundo, à provençal, frito, com cogumelos, alho e salsa. É um dos poucos lugares na cidade onde encontramos verdadeiros heróis da resistência, como a língua ao Marsala, o frango à Kiev (na receita distorcida, com catupiry em vez de manteiga), medalhão à piemontese, badejo à belle meunière, filé à francesa, haddock cozido no leite com manteiga quaimada, tornedor ao roquefort, camarão ao pomme d’or (cozido em molho branco, com maçã e arroz de amêndoas) e espaguete ao alho e óleo. Para encerrar, figos com creme, pudim de laranja, mousse de chocolate, banana frita, papaia com creme de cassis e torta alemã. É como voltar ao passado.

ALVARO’S – Rua Ataulfo de Paiva 500, Leblon. Tel. 2294-2148. De dom. a qui., do meio-dia à 1h; sex. e sáb., do meio-dia às 2h http://www.alvaros.com.br/ Aceita cartões.

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Guia 450 Sabores do Rio 8 – Nova Capela: o cabrito assado mais famoso do Rio de Janeiro

09/03/2015
O cabrito do Nova Capela tem como companheiro clássico o arroz de brócolis,  as batatas coradas, e uma generosa camada de alho frito, um conjunto que pede por um bom chope gelado

O cabrito do Nova Capela tem como companheiro clássico o arroz de brócolis (vale regar com azeite e a boa pimenta da casa), as batatas coradas, e uma generosa camada de alho frito, um conjunto que pede por um bom chope gelado

Uns garantem que sim, é carne de cabrito, o filhote do bode com a cabra. Outros afirmam categoricamente que a carne é de cordeiro, o filhote do carneiro com a ovelha. Seja lá qual for, por lá o prato é mais conhecido como cabrito mesmo, e tem como companheiro clássico o arroz de brócolis, as batatas coradas, e uma generosa camada de alho frito, um conjunto que pede por um bom chope gelado. Vale regar o arroz com azeite e pimenta. Os cortes ovinos ficam expostos numa vitrine sobre o balcão clássico do bar, com altar a Nossa Senhora. Há devotos fervorosos do prato. Garçons trajados à moda antiga, com gravatinha borboleta, calça preta e paletó branco, assim como os seus cabelos, servem uma clientela fiel, entre os almoços executivos dos dias de semana às madrugadas repletas de boêmios das mais diversas vertentes que ocupam a Lapa. O cardápio tem raízes lusitanas, e ao longo do tempo foi se adaptando ao que podemos chamar de cozinha urbana do Rio. Temos bolinhos de bacalhau, para começar, e pratos como rins ao molho Madeira com purê de batatas, canja de galinha, leitão assado, iscas de fígado à lisboeta e carne assada “à moda” montam um repertório saudosista de receitas. O salão com paredes ajulejadas cheias de premiações e reportagens reforça o clima dos anos 1960, quando o antigo Capela, inaugurado no começo do século passado, agregou o Nova ao nome, instalando-se no endereço atual, um monumento da gastronomia carioca.

NOVA CAPELA – Av. Mem de Sá 96, Lapa. Tel. 2252-6228. Diariamente, das 11h às 4h (sex. e sáb. até 5h). Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 2 – Bar Brasil: onde Paulinho da Viola uniu Alemanha e Minas Gerais através da gastronomia

03/03/2015
Bar Brasil - kassler à mineira

O kassler à mineira do Bar Brasil, o carré defumado, em pedaço alto, servido com arroz, couve e tutu, e um limãozinho, criado a pedido de Paulinho da Viola (bravo!)

No Rio de Janeiro existe um lugar centenário, onde Alemanha e Minas Gerais se encontram, sob as bênçãos de ninguém menos que Paulinho da Viola. E só poderia mesmo ser na Lapa. Inaugurado em 1908, o Bar Brasil ganhou fama ao combinar um chope muito bem tirado (dos melhores do Rio) com um cardápio de iguarias germânicas. Até que o compositor portelense, antigo cliente da casa, teve uma ideia tão simples como incrível: pedir o famoso kassler da casa, mas no lugar dos acompanhamentos usuais (salada de batata e chucrute) ele sugeriu a guarnição à mineira, com arroz, couve e tutu de feijão. Nascia assim uma receita que tem a cara do Rio, não apenas por ser criação de um sambista como Paulinho da Viola, mas também por trazer um toque de irreverência que é a cara da cidade. Nesse caso, podemos pedir pimenta, no lugar da mostarda escura.
Mesmo sem ter um padrinho célebre, compondo o receituário clássico da gastronomia alemã, a lentilha garni é uma espécie de feijoada germânica, e talvez seja o prato mais famoso do Bar Brasil, com lentilhas, salsichão, meia lingüiça defumada, carne assada, kassler, carré de porco fresco e língua fresca. Além das salsichas e salsichões, e um joelho de porco respeitável, outra receita emblemática da casa é o bolo de carne – e, para encerrar, o appfelstrudel, servido com chantilly, bem à moda antiga. Mas só mesmo o kassler à mineira tem sangue azul. Sangue e azul e branco, da Portela.

BAR BRASIL – Av. Mem de Sá 90, Lapa. Tel. 2509-5943. De seg. a sáb., das 11h30m à meia-noite. Aceita cartão de crédito e de débito.

Guia 450 Sabores do Rio 1 – Cosmopolita: aqui nasceu o filé à Oswaldo Aranha

02/03/2015
Filé à Oswaldo Aranha, do Cosmopolita, berço da receita: um filé nem alto nem fino, que chega suculento, grelhado a fogo alto em frigideira de ferro, com lascas de alho frito por cima, e ladeado por arroz, farofa e batata portguesa, daquelas tipo suflê, infladinhas

Filé à Oswaldo Aranha, do Cosmopolita, berço da receita: um filé nem alto nem fino, que chega suculento, grelhado a fogo alto em frigideira de ferro, com lascas de alho frito por cima, arroz, farofa e batata portuguesa

Todo carioca tem obrigação de, ao menos uma vez na vida, visitar o Cristo Redentor de trenzinho, subir o Pão de Açúcar no bondinho e torcer pelo seu time no Maracanã. Comer o filé à Oswaldo Aranha também é necessário. Entre os pratos que integram o patrimônio gastronômico do Rio de Janeiro, esse é um dos mais importantes, nascido e criado na Lapa, mais precisamente no bar Cosmopolita, numa esquina boemia, precisamente na Travessa do Mosqueira, número 4 – espaço com varadinha na calçada e um pequeno salão que transpira História desde a sua inauguração, em 1926. O político e diplomata inventor do prato batizado com o seu nome era frequentador da casa, nos anos 1930, que já então era chamada de Senadinho, devido à clientela influente. Oswaldo Aranha pedia sempre a mesma coisa, que acabou virando receita consagrada: um filé nem alto nem fino, que chega suculento, grelhado a fogo alto em frigideira de ferro, com lascas de alho frito por cima, e ladeado por arroz, farofa e batata portuguesa. Para deleite geral, o garçom ainda sugere misturar os acompanhamentos nos sucos que restam na frigideira, resultando em algo não menos que divino, o arroz e a farofa molhadinhos nos caldos da carne, a batata absorvendo essa indecência, e o filé macio, e suculento, jogando no prato ainda mais líquidos carnívoros. E vamos misturando tudo. Porção à moda antiga, farta, para dois. Neste caso, o melhor a se fazer é pedir um chope.
Este é um prato tão carioca, mas tão carioca, que chegou a ser traduzido para o inglês, em um restaurante de Copacabana, em sua versão contrafilé, como “Against filet Oswald Spider”. Só mesmo no Rio de Janeiro…
Se algum dia quiser variar, o cardápio tem uma boa oferta de pratos com raízes ibéricas, com aquele repertório de receitas com polvo e bacalhau, muito azeite, na companhia de batata, arroz e quem sabe até um pouco de alho frito, o mesmo do famoso filé carioca.

COSMOPOLITA – Travessa do Mosqueira 4, Lapa. Tel. 2224-7820. Seg. a qui., das 11h30m à meia-noite; sex. e sáb., das 11h às 5h. Aceita cartão de crédito e débito.