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Chez Claude: a cozinha afetiva do chef Troisgros

24/09/2018

Chez Claude: ovos e ovas – Foto de Bruno Agostini

“Mais à vontade do que nunca na Chez Claude, sua casa que faz um ano em dezembro, Monsieur Troisgros aproveita para apresentar ao mundo sua pupila Jéssica Trindade, que é quem está no comando da cozinha no dia-a-dia, mostrando competência e simpatia.
– Ela sabe exatamente como eu gosto de minha comida, e cozinha muito bem – elogia o chef, que sempre que a agenda permite dá expediente no salão, onde a cozinha é elemento central, dividindo o ambiente em dois, com um balcão debruçado sobre ela.
O preparo dos pratos é um show, e acontece uma deliciosa interação entre os clientes e os cozinheiros, que servem os pratos. Não à toa as filas na porta acontecem diariamente.”
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Guia 450 Sabores do Rio 54 – Nam Thai: um passeio pelos sabores do Sudeste Asiático no Leblon

22/04/2015
Um mix de entradinhas do Nam Thai, para poder provar várias coisinhas: Pla Shell Yahng pode ser considerada indispensável:  vieras grelhadas e servidas na concha, com chili, limão e molho de ostras, além de mandiopan; trouxinhas de frango com molho picante; bolinhos de camarão com chutney de abacaxi; espeto de frango satay com molho picante de amendoim

Um mix de entradinhas do Nam Thai, para poder provar várias coisinhas: Pla Shell Yahng pode ser considerada indispensável: vieras grelhadas e servidas na concha, com chili, limão e molho de ostras, além de mandiopan; trouxinhas de frango com molho picante; bolinhos de camarão com chutney de abacaxi; espeto de frango satay com molho picante de amendoim

O chef David Zisman é um pesquisador incansável. Viajou à Tailândia para aprender a cozinha tradicional do país, e abriu o seu restaurante em 1998, em Itaipava, um dos primeiros do Brasil dedicados à especialidade. Três anos depois trocou de endereço, e desceu a serra, inaugurando a casa da rua Rainha Guilhermina, no Leblon. Nos últimos anos começou a investigar outras cozinhas do Sudeste Asiático, visitando – e aprendendo – países como Cingapura, Malásia e Vietnã, incorporando alguns pratos ao cardápio (quando a receita não é tailandesa, a procedência é indicada, ao lado de outras informações, como nível de pimenta, vegetariano ou se tem ou não glúten). O lugar é despojado, e serve pratos com notável regularidade, explorando bem a complexidade da cozinha tailandesa, baseada na composição de pratos com vários elementos: o ácido, o doce, o salgado, o picante. É sempre difícil escolher o que pedir. Mas, de uma maneira geral, os pratos de peixes e frutos do mar estão sempre entre as melhores pedidas. Das entradas, a chamada Pla Shell Yahng pode ser considerada indispensável: são seis vieras grelhadas e servidas na concha, com chili, limão e molho de ostras, além de mandiopan. Essas vieiras podem aparecer em outra boa pedida para começar, os pratos que misturam várias entradinhas. O Bangkok combina trouxinhas de frango com molho picante; bolinhos de camarão com chutney de abacaxi; espeto de frango satay com molho picante de amendoim e thai salmão gravlax, com creme de leite aromatizado.  Dá até vontade de ficar só nas preliminares, como a Yam Kung Mammuang, uma salada picante – e refrescante – de camarão, manga e papaya. Pedida certeira é o Poh Pia Phed, dois rolinhos primavera de pato e gengibre confit, com chutney de abacaxi. Entre os pratos principais, o Pla Nam Prik é um lombo de peixe do dia, sempre muito bem grelhado, servido com com chutney de gengibre e chili, e servido em leito de acelga e shitake. Há boas massas e arrozes, coomo o Pennag Laksa, originário da Malásia: talharim de arroz frito com frutos do mar (camarões, vieras e lulas) leite de coco, curry malaio, tamarindo, folhas de limão kafir e hortelã. O Gaeng Phed Yang é surpreendente: leva peito de pato fatiado, curry vermelho tailandês, abacaxi, leite de coco, tomate e manjericão. Para os carnívoros, o Nuea Paad Kannaa também causa surpresa: mignon fatiado temperado em saquê, óleo de gergelim torrado, preparado com brócolis, shitake e molho de ostras.

NAM THAI – Rua Rainha Guilhermina 95, lojas A e B, Leblon. Tel. 2259 2962. Seg., das 19h à 1h; de ter. a sex., do meio-dia às 16h e das 19h à 1h; sáb., do meio-dia à 1h; dom., do meio-dia às 22h30. namthai.com.br Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 46 – Casa do Alemão: um clássico serrano que marcou gerações de gerações de cariocas

14/04/2015
Croquete de carne e sanduíche de linguiça (com mostarda, por favor): o pedido mais clássico entre tantos clássicos da mítica Casa do Alemão, nascida em Petrópolis

Croquete de carne e sanduíche de linguiça (com mostarda, por favor): o pedido mais clássico entre tantos clássicos da mítica Casa do Alemão, nascida em Petrópolis e hoje espalhada pelo Estado, principalmente em estradas, mas com duas lojas no Rio: no Leblon e na Barra da Tijuca

Durante anos, os cariocas só podiam comer os sanduíches, croquetes, doces, biscoitos amanteigados, o canudinho com chocolate e outros produtos da marca Kern, ou seja a Casa do Alemão, quando viajavam para a Região Serrana, na clássica parada nas duas filiais de Duque de Caxias, dos dois lados da pista, perfeito para quem vai, e para quem vem. Mas de uns dez anos para cá a cidade ganhou duas unidades, na Barra da Tijuca e no Leblon. E a vantagem de se estar no Rio, é que se pode aproveitar com mais calma o lugar, e até beber um chope para acompanhar. Agora podemos aproveitar as iguarias germânicas quando der vontade. Grande parte dos clientes pede um croquete (ou dois) e um sanduíche de lingüiça no pão de leite (queijo pode ser pedido à parte, e combina). O croquete é imitado por muitos, mas jamais copiado: tem aquele interior cremoso, o tempero perfeito, e a casquinha crocante. Tem parecido, igual não tem. A linguiça é picante na medida, com um tempero bem dosado, para não assustar as crianças. Nos dois casos, a mostarda escura faz um bem danado. Isso, apesar de haver uma série de produtos que podem ser considerados clássicos também. Entre os salgados, vale destacar o brioche de presunto (ou de queijo, que podem ser usados para montar sanduíches), os cahorros-quentes, com salsichas e salsichões, brancos e vermelhos, as refeições com kassler e eisbein da casa, de primeira linha, com salada de batata e chucrute, os biscoitinhos, e os doces alemães, sem falar em itens menos badalados, mas não menos recomendáveis, como o sanduíche de língua defumada, uma das melhores pedidas do lugar, ainda que pouca gente peça. Também podemos comprar vários desses produtos para levar. A linguiça, por exemplo, é uma das melhores que se pode comprar no Rio para abrilhantar um bom churrasco. Kassler, eisbein, língua s]ao vendidos quase prontos, defumados: a nós, em casa, no conforto do cabe, cabe apenas a fácil finalização.

CASA DO ALEMÃO – Av.Ataulfo de Paiva 644, lojas A e B, Leblon. Tel. 2540-7900. De seg. a qua., de 8h30 à meia-noite; qui. e dom., das 8h30 à 1h; sex. e sáb., de 8h30 às 2h. Matriz em Petrópolis, e outra loja no Rio na Barra da Tijuca (entre outras no interior do Estado). www.casadoalemao.com.br Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 45 – Chico & Alaíde: um boteco-boteco, com alma e cozinha brasileira de primeira linha

13/04/2015
O choquinho de camarão é um dos melhores petiscos da cidade: um enorme crustáceo empanado em massa leve, recheado com catupiry e envolvido por uma camada de batata palha antes de ser frito

O choquinho de camarão é um dos melhores petiscos da cidade: um enorme crustáceo empanado em massa leve, recheado com catupiry e envolvido por uma camada de batata palha antes de ser frito

Alaíde é uma cozinheira e tanto. Falando de comida brasileira, é uma das grandes referências do país. Começou no Bracarense, onde deu forma ao mais famoso acepipe da casa, o bolinho de aipim com camarão e Catupiry, trabalhando na apertada cozinha, e servindo carnes assadas, pernis, feijoadas, rabadas, costelinhas, empadas e outros quitutes seguindo a mais fina linhagem da cozinha popular carioca. Em parceria com Chico, o colega de Braca, o garçom mais popular do Leblon, abriu o seu próprio bar, onde deu prosseguimento ao seu talento culinário, apresentando um cardápio que é quase um sonho aos que gostam de comida brasileira, ali tratada com esmero, e originalidade em alguns casos. Lá ela serve tudo isso citado acima. Mas, ao abrir a sua casa, Alaíde teve um surto criativo (que perdura, com menor intensidade), e assim nasceu uma seleção de petiscos realmente fora de série. Há condensações de pratos como o baião-de-dois, chamado cascudinho, versão em forma de bolinho, empanado com torresmo e queijo coalho. Nesse ímpeto de construções de novos acepipes Alaíde inventou o choquinho de camarão. Um monumento. Um dia, quem sabe, farão uma estátua de bronze, coisa que anda na moda na cidade, louvando Alaíde e seu choquinho de camarão, e ela será colocada justamente ali, naquele entrocamento da rua Dias Ferreira com a Bartolomeu Mitre, no Leblon, endereço deste bar que, embora tão jovem (inaugurado em março de 2009), já seja um clássico. Pois o tal do choquinho de camarão é um enorme crustáceo empanado em massa leve, recheado com catupiry e envolvido por uma camada de batata palha antes de ser frito. É uma das melhores criações da gastronomia carioca nos últimos anos. Mais que uma usina de bolinhos criativos, o Chico & Alaíde é um boteco-boteco. Tem manjubinha frita, diversas fritadas (até de siri mole), croquete de carne, vinagrete de polvo, sanduíche de linguiça, rissoles camarão, empada de siri, frango à passarinho, lula à dorê, filé aperitivo, isca de peixe, carne-seca com aipim, isca de fígado com jiló, torresmo, caldinho de feijão, coxinha de galinha e todo aquele tradicional repertório de petiscos que tão bem acompanham um chope gelado. Com pimenta da casa. Os PFs podem ser considerados entre os melhores da cidade. Vá no de carne assada. E com preços realmente que valem a pena. Comida com alma, boa e barata. No Leblon. O Chico & Alaíde é único.

CHICO & ALAÍDE – Rua Dias Ferreira 679, Leblon. Tel. 2512-0028. De seg. a qui., das 11h30m à meia-noite; sex. e sáb., das 11h30m à 1h; dom., de 11h30m às 22h. www.chicoealaide.com.br Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 31 – Bracarense: o bom e velho boteco do Leblon, e o seu bolinho de aipim com camarão e Catupiry, tão emblemático

30/03/2015
Em meio a outros acepipes de responsa, como o camarão empanado com catupiry, o bolinho de abóbora com carne seca e  o bolinho de feijoada, brilha o mais famoso salgadinho do Bracarense, o  bolinho de aipim com camarão e catupiry

Em meio a outros acepipes de responsa, como o camarão empanado com catupiry, o bolinho de abóbora com carne seca e o bolinho de feijoada, brilha o mais famoso salgadinho do Bracarense, o bolinho de aipim com camarão e Catupiry

 

Houve um tempo em que o Bracarense papava todos os prêmios de botequins no Rio. Ganhava como melhor bar, melhor chope, melhor happy hour, melhor PF… Ganhava tudo, mas ganhava, sobretudo, no quesito melhor salgado, ou melhor petisco, seja lá que nome se dava aos acepipes típicos do Rio. Ganhava por causa do arredondado bolinho de aipim com camarão em Catupiry, ainda que as empadas sempre fossem sublimes, que as porções de pernil de porco assado estivessem invariavelmente entre as mais cobiçadas da cidade e que os PFs da casa eram campeões na relação preço-qualidade-quantidade-serviço. Isso foi lá em meados dos anos 1990, quando os cariocas começaram a dar mais valor aos seus botecos, e foram assim criados troféus gastronômicos, livros sobre o tema, e guias, como o clássico e icônico Rio Botequim. Se o bom e velho Braca sempre tinha uma comida altamente saborosa – naquele lindo repertório luso-carioca, com polvo, bacalhau, tutu, pernil, carne assada, feijão e feijoada, e a média do café da manhã, e os salgadinhos expostos na vitrine aquecida – também tinha ao mesmo tempo o seu elemento mais emblemático: o tal bolinho de aipim com camarão e Catupiry. Alaíde fez as malas e se partiu, hoje à frente do bar Chico e Alaíde (ótimo, por sinal), perto dali, no mesmo Leblon, ao lado de seu companheiro de Bracarense, Chico, que é dos garçons mais famosos e carismáticos do Rio. E a macaxeira recheada com a perfeita combinação entre o crustáceo e o requeijão, tão brasileira fórmula, continua sendo o carro-chefe do Braca. Continua igual ao que sempre foi. Há quem diga que não. Me parece o mesmo de sempre. Mas o Braca deixou de ser cartão-postal do Rio. Voltou a ser algo como o que sempre foi, dos anos 1950, quando abriu as portas, até o final dos anos 1990, quando entrou na moda. Dirceu continua no comando da chopeira, enchendo os copos com a dosagem certa de pressão. Os mesmos coroas do Leblon ainda aparecem pela manhã, para jogar conversa fora, e às vezes baralho e porrinha, derramando os seus copos de chope, de vinho e de aguardente. As mesas do lado de fora, que durante algum tempo foram propriedade apenas dos clientes cativos, estão cheias em todas as noites, naquele belo movimento do final de tarde do Rio. As empadas de siri, essas lindas, permanecem tapadas com plástico, para não deixar ressecar o recheio aberto, que merece gotas de pimenta, da casa, da boa. E podemos pedir sempre que quisermos o filezinho aperitivo com cebola, alho e salsinha, acompanhado de aipim frito. A impressão que se tem é que o Bracarense nunca foi tão Bracarense como hoje. Mas não espalha.

BRACARENSE – Rua José Linhares 85, Leblon. Tel. 2294-3549. De seg. a sex., das 8h à meia-noite; sáb., das 9h30m à meia-noite; dom., das 10h às 22h. http://www.bracarense.com.br Aceita cartão de débito.

Miwok, uma perfumada e equilibrada Session IPA, estreia em grande estilo da cervejaria Rock Bird

28/03/2015

Conheci o Afonso Dolabella há exatamente um ano, em março do ano passado, no Herr Pfeffer. Fui apresentado a ele, e a uma de suas cervejas, uma outmeal stout, que ainda por cima foi o que regou o joelhão de porco, antes de ele voltar ao voltar para ser levemente glaceado antes de ser servido (para ler essa história, clique aqui).
Pois na quinta passada, no mesmo Herr Pfeffer, no Leblon, e desta vez por pura coincidência, nos encontramos novamente. Esse é um dos meus locais preferidos na cidade hoje, para comer comida alemã (mas com ingredientes do Rio) e beber cervejas do mundo todo, e papear com os amigos. Na série 450 Sabores do Rio, destaquei justamente o joelhão da casa, algo único na cidade, e delicioso.

Afonso Dolabella tira a sua primeira cerveja comercial na torneira do Herr Pfeffer, no Leblon

Afonso Dolabella tira a sua primeira cerveja comercial na torneira do Herr Pfeffer, no Leblon

Pois na quinta passada o Afonso estava lá. Novamente levando uma cerveja de lavra própria. Mas desta vez, ao contrário do growler do ano passado, ele trazia um barril. Em vez de ter sido feita em casa, como a outmeal stout, tinha sido produzida em tanques, da cervejaria Röter, parceira dele, fundador da Rock Bird Craft Brewery (vejo enorme futuro nela).

Muito fácil de beber, a Miwok é fresca, saborosa e intensa, bem equilibrada, com boa textura, espuma firme, um acerveja de assumida inspiração californiana, que usa lúpulos da costa oeste dos EUA, e busca referência em clássicos da região

Muito fácil de beber, a Miwok é fresca, saborosa e intensa, bem equilibrada, com boa textura, espuma firme, um acerveja de assumida inspiração californiana, que usa lúpulos da costa oeste dos EUA, e busca referência em clássicos da região

Era uma West Coast Session IPA megalupulada, com 4,8%, batizada de Miwok Indian Series. Puta cerveja. Para os “hopheads”, ou seja, fanáticos por lúpulo. Muito fácil de beber, é fresca, saborosa e intensa, bem equilibrada, com boa textura, espuma firme. Um acerveja de assumida inspiração californiana, que usa lúpulos da costa oeste dos EUA, e busca referência em clássicos da região.
Ela seria lançada na sexta, e ele acertava os detalhes com Fabio Santos, sócio do Herr Peffer. Por sorte, tive o prazer e o privilégio, e a honra, de ver o Afonso plugar a sua primeira cerveja comercial na torneira. E também acompanhei ele tirar a primeira leva, com a devida pressão. E brindamos juntos com essa cerveja que achei incrível.
– Tem 16 gramas por litro de lúpulo. Uma IPA convencional tem 8 em média. Fiz um dry hopping poderoso.

A cerveja é muito aromática, cheia de ervas, com notas de frutas, como manga e melão, e toques cítricos

A cerveja é muito aromática, cheia de ervas, com notas de frutas, como manga e melão, e toques cítricos

O resultado é uma cerveja super aromática, com frescor intenso, e perfumes campestres, de ervas, grama cortada, mato, skank. Cheio de frutas tropicais também, com manga, melão e pêssego, algo cítrico, de abacaxi. Vai fazer sucesso, pode apostar.
Imagino que fique muito bom com peixes e frutos do mar em temperos asiáticos picantes, para sushis e sashimis mais encorpados, tipo enguia, polvo e toro, para usar wasabi e gengibre à vontade, além de queijos intensos, maduros e mais untuosos, gorgonzola e grana padano, por exemplo, e uma variedade de burgers, dos mais potentes, com cargas de picles, bacon defumado, barbecues, temperos picantes e queijos gordos. Achei que é muito boa para comida, por seu equilíbrio, seu perfil harmônico, mas com muita potência aromática, frescor, persistência e sabor marcante.

Miwok
O Lançamento continua pelos próximos dias nos principais redutos cervejeiros do Rio. Deixo o calendário.

Miwok 2
E a descrição da cerveja pela própria marca.
Belíssima novidade. Com identidade. Visual, inclusive. Afonso é designer, e criou uma programação visual interessante.

 

Guia 450 Sabores do Rio 25 – Giuseppe Grill: a casa de carnes que aposta na maminha (e nos pescados também)

24/03/2015
Entre tantos cortes recomendáveis do Giuseppe Grill, a maminha ganha destaque pela raridade, e pela execução perfeita, em termos de tempero e tempo de grelha (a carvão!), alcançando uma maciez e suculência difícil de se ver, sendo servida em fatias finas, o que reforça a delicadeza do corte

Entre tantos cortes recomendáveis do Giuseppe Grill, a maminha ganha destaque pela raridade, e pela execução perfeita, em termos de tempero e tempo de grelha (a carvão!), alcançando uma maciez e suculência difícil de se ver, sendo servida em fatias finas, o que reforça a delicadeza da carne

Em algumas regiões do Brasil ela é chamada de ponta de alcatra. Mas na maior parte do país ela atende pelo simpático nome de maminha (ou maminha de alcatra). Já viveu os seus dias de glória, e até os anos 1980 era a carne mais nobre para um bom churrasco. Uma fina camada de gordura garante aquela dose especial de sabor, realçando o gosto delicado de carne, muito vermelha, resultado de uma grande irrigação sanguinea. Tende a ser macia, com a sua estrutura de fibras finas, lisas, macias. Não se sabe bem por quais razões, mas a maminha anda sumida dos menus, e também das churrasqueiras caseiras. Por isso, entre tantos cortes recomendáveis do Giuseppe Grill, a maminha ganha destaque pela raridade, e pela execução perfeita, em termos de tempero e tempo de grelha (a carvão!), alcançando uma maciez e suculência difícil de se ver, sendo servida em fatias finas, o que reforça a delicadeza da carne. Para acompanhar, farofa é suficiente, dando uma textura crocante e absorvendo os sucos que a maminha vai soltando no prato, mas as batatinhas suflê da casa também sempre vão bem. Pena que outras steak houses cariocas não façam o mesmo, só as churrascarias rodízio andam servindo este corte clássico. Além da maminha, vale explorar outras carnes que são especialidade da casa, como prime rib, T-bone, picanha supra-sumo e um lançamento recente, o New York Strip da raça wagyu (simplesmente sensacional). Apesar de ser uma casa de carne, os pescados também brilham, centollas, camarões, garoupas e lagostas enfeitando uma bancada de gelo, na frente da cozinha, antes de irem à churrasqueira, o que fez do lugar um dos melhores do Rio para se comer peixes e frutos do mar. Tem até pampo, peixe tão comum em nossas águas e tão raro em nossas mesas, além de olho de boi, badejo, robalo… Na verdade, nem todos os cortes estão disponíveis sempre, porque dependem do que o mar entrega às redes e anzóis dos pescadores (não é raro vê-los chegando no meio da tarde para entregar a seleção do dia). Mas as vieiras, preparadas na na brasa, quase sempre estão disponíveis. A carta de vinhos acompanha a proposta, com uma seleção ampla de rótulos, com boa variedade de brancos e tintos, incluindo safras antigas, produtores icônicos e algumas verticais de grande importância. Tem filial no Centro.

GIUSEPPE GRILL – Avenida Bartolomeu Mitre 370, Leblon. Tel. 2249-3055. Seg. a qui. do meio-dia às 16h e das 19h à meia-noite; sex. e sáb., do meio-dia à 1h; dom., do meio-dia às 23h. http://www.bestfork.com.br/giuseppegrill/leblon Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 22 – Herr Pfeffer: o alemão que tem coisas que nenhum alemão tem, incluindo um joelho de porco para dez pessoas

21/03/2015
O joelhão do Herr Pfeffer: a peça, que pesa entre 5 e 6 kg, geralmente, serve fácil, fácil umas dez ou doze pessoas, e sozinha já justifica uma visita ao lugar. Depois de assada lentamente, ela ainda é regada com uma cerveja, que o cliente escolhe (paga à parte), e volta para o forno, para a finalização

O joelhão do Herr Pfeffer: a peça, que pesa entre 5 e 6 kg, geralmente, serve fácil, fácil umas dez ou doze pessoas, e sozinha já justifica uma visita ao lugar. Depois de assada lentamente, ela ainda é regada com uma cerveja, que o cliente escolhe (paga à parte), e volta para o forno, para a finalização

Existem hoje no Rio dezenas de bares e restaurantes com boas cartas de cervejas. Mas nenhuma igual à do Herr Pfeffer, no Leblon. Fábio Santos, o sócio, é quem escolhe os rótulos da casa, e só deixa passar os melhores. À porta, sempre encontramos novidades e das torneiras, além da Paulaner, jorram cervejas difíceis de se ver “on tap”. Também encontramos ali uma rara seleção de shnapps, os digestivos alemães, que encerram brilhantemente um jantar. Se a seleção etílica é de alto nível, e foge da obviedade, o mesmo se pode dizer da cozinha. Como boa casa alemã, encontramos clássicos do gênero, como croquetes de carne, um bom eisbein, ou kassler (e salsichas diversas), que podem ser escoltados com chucrute e salada de batatas, e mostarda da boa, como manda a tradição. Os embutidos reluzem. Produzidos artesanalmente por um alemão de Mendes, estão entre os destaques do menu. Não existe nada parecido, por exemplo, com dupla formada por morcela e patê quente, esta última uma espécie de salsicha, deliciosa. Outra pedida que não encontra equivalente na cidade é a porção de patês, com cinco versões (de vitelo, de pato, de galinha, de porco), em diferentes preparações e curas, e temperos. Ainda do repertório do alemão de Mendes, a “linguiça da Diretoria” é feita com pimenta verde, e é servida frita: das melhores. Encontramos até um belo currywurst, a salsicha acompanhada com potinho de ketchup temperado com páprica e curry, iguaria típica das ruas de Berlim. Há versões germânicas, usando essas carnes, de feijoada (com feijão branco) e cozido (com eisbein, salsichas branca e bock, kassler, bacon, chouriço, morcela, chucrute e batatas cozidas). Fica difícil escolher, de modo que ir bando ao Herr Pfeffer é sempre uma boa pedida, porque assim podemos provar mais cervejas (e shnapps) e pratos. Um deles, porém, exige não apenas um grupo grande, mas também planejamento: trata-se de um joelho de porco, que incorpora um pedaço do pernil. Coisa de maluco. A peça, que pesa entre 5 e 6 kg, geralmente,, serve fácil, fácil umas dez ou doze pessoas, e sozinha já justifica uma visita ao lugar. Depois de assada lentamente, ela ainda é regada com uma cerveja, que o cliente escolhe (paga à parte), e volta para o forno, para a finalização. O resultado é um joelho de porco único, sem nada igual na cidade, com vários tipos de carne unidas pelo osso, umas partes externas, tostadinhas, e outras com distintos níveis de gordura, um conjunto macio, que se desfia, e com tempero na medida exata. Para encerrar, uma torta alemã, que vai bem com uma stout.

HERR PFEFFER – Rua Conde Bernadotte, 26, Leblon. Tel. 2239-9673. Dom., seg. e ter., do meio-dia à meia-noite; de qua. a sáb., do meio-dia às 2h. http://www.herrpfeffer.com.br/ Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 17 – Stuzzi Bar: cozinha italiana confortável (e muito gostosa), drinques e badalação na Dias Ferreira

16/03/2015
A costeleta de cordeiro em crosta de avelã e alecrim, com pur~e cremoso de baroa e uma espécie de molho roti é um dos pratos que se pode incluir na categoria "absolutamente imperdível"

A costeleta de cordeiro em crosta de avelã e alecrim, com pur~e cremoso de baroa e uma espécie de molho roti é um dos pratos que se pode incluir na categoria “absolutamente imperdível”

Pequenino, com varandinha discreta, voltada à rua Dias Ferreira, no Leblon, e um salão pequeno e acolhedor, com um bar vistoso, o restaurante Stuzzi tem uma proposta original, eu diria que única na cidade. Um lugar onde uma coquetelaria de alto nível convive perfeitamente com uma cozinha italiana de perfil jovial (por conta dela, os vinhos não são esquecidos), criado pela chef Paula Prandini. Um bar onde se come muito bem, obrigado, com trilha sonora ao vivo, sempre com DJs que atuam com discrição, volume adequado, até o começo da madrugada, quando um clima de festa toma conta do lugar. O que sai da cozinha, porém, é ainda o principal chamariz da casa. O cardápio tem muitos petiscos, para serem colocados ao centro da mesa, e divididos por todos, como os croquetinhos de cordeiros servidos com mostarda Dijon, as lulas crocantes com tomate e manjericão, a polenta cremosa com ragu de funghi, além de uma série de bruschettas, e uma boa seleção de antipasti, servidos em duas diferentes tábuas (nelas há coisas como pato defumado, grana padano com mel e nozes, tomate confitado, sardella, abobrinha marinada e presunto de Parma). Definitivamente come-se bem por lá, e entre os pratos principais podemos escolher coisas como ravióli de vitelo ao molho de cogumelos, panelinha de frutos do mar ao perfume de limão siciliano e linguine com lagostim e molho de tomate-cereja. Existe um prato ali, porém, que é digno de antologia, um dos melhores do Rio, pela harmonia, pela execução impecável, pela escolha de ingredientes de qualidade. Trata-se de uma costeleta de cordeiro preparada em crosta de avelã e alecrim, com aquela casquinha dourada e crocante, que preserva uma carne ainda suculenta e macia em seu interior, agarrada ao osso, como se deve. É servida com um purê cremoso de baroa, e um rastro de uma espécie de molho roti. Seguramente, um dos meus pratos preferidos no Rio de Janeiro. Não menos que divino. E nem falei das sobremesas, mas deixo um final doce nesta resenha: tem tiramisu de frutas vermelhas e mousse de nutella com crocante de avelã…

STUZZI – Rua Dias Ferreira 48, Leblon. Tel. 2274-4017. De ter. a sáb., a partir das 19h; dom. a partir das 13h. http://www.stuzzibar.com.br/ Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 12 – Jeffrey Store: Niña, a cerveja do pato mais carioca de todos

13/03/2015
A Jeffrey Niña é uma witbier, seguindo a escola belga, cerveja de trigo temperada com coentro e limão siciliano (em vez de laranja, usada tradicionalmente neste estilo)

A Jeffrey Niña é uma witbier, seguindo a escola belga, cerveja de trigo temperada com coentro e limão siciliano (em vez de laranja, usada tradicionalmente neste estilo)

Assim como a Brahma, a cervejaria Jeffrey tem DNA carioca. Tal a Bohemia, a Jeffrey logo será produzida em Petrópolis, com a inauguração de sua fábrica. Assim como a Antárctica, a Jeffrey tem uma ave como símbolo, no caso um pato cheio de estilo. Ao contrário da Skol, a Jeffrey Niña desce redondo. Receita criada por amigos da Confraria do Marquês, a Jeffrey Ninã foi a primeira cerveja lançada pela marca, e ainda a única – por enquanto – a ser produzida regularmente. Tipo witbier, segue a linhagem belga das cervejas de trigo, temperada com coentro, como é comum em terras flamengas, e limão siciliano, em substituição à laranja, usada tradicionalmente dentro deste estilo, que tem entre os rótulos mais comerciais e conhecidos a Hoegaarden. Leve, mas com 5,3% de álcool, refrescante, cítrica e muito perfumada, a Jeffrey Niña tem por natureza vocação para ser apreciada no Rio de Janeiro, e logo chegou a muitos dos restaurantes mais cariocas do Rio, como o Irajá (onde fui apresentado a ela), Bazzar, Botero, Delirium Café, Comuna, Adega Pérola, Cerveja Social Clube, Brewteco, Oui Oui, Mira, Dom Barcelos, Stuzzi, Boteco DOC, Q Gastrobar, Padano, Crustô, Miam Miam, Mr Lam, Teto Solar, Caverna e no Copacabana Palace, incluindo aí todos os seus bares e restaurantes, e também o frigobar dos quartos do hotel. Boa para sushi, também podemos encontrar a Jeffrey Niña em vários dos melhores japoneses do Rio, como Ten Kai, Seidô, Epifania, Minimok e Haru. A loja fica na rua Tubira, no Leblon, um espaço, digamos, multidisciplinar, onde podemos comprar a cerveja e outros produtos da marca, como camisetas, e apreciar uma exposição de arte. No andar de cima está a microcervejaria, onde acontecem brassagens experimentais, muitas vezes com chefs de cozinha. Alás, vários dos melhores cozinheiros do Rio são parceiros da marca, como Roberta Sudbrack, Pedro de Artagão e Thomas Troisgros, que vez ou outra aparecem por lá nos fins de semana para cozinhar. Já teve SudDog, TT Burger e outras gostosuras. Acompanhadas de Jeffrey Niña bem gelada.

JEFFREY STORE – Rua Tubira 8 loja C, Leblon. Tel. 2274-0000. De seg. a sex. das 11 às 20h. Sáb. do meio-dia às 18h. http://www.jeffrey.com.br/ Aceita cartões.