Posts Tagged ‘Rio de Janeiro’

Rio de Janeiro a Dezembro: um olhar amador (no sentido literal) sobre os bares, restaurantes e outras delícias cariocas

07/11/2018

O Pão de Açúcar, visto do terraço do hotel Yoo2 – Foto de Bruno Agostini

Sempre observei  o Rio de Janeiro com aquele olhar curioso de quem é um pouco residente e um pouco turista. Não sei se por ter morado parte da adolescência em Teresópolis, mas o Rio onde nasci e cresci, estudei, me formei e trabalhei – talvez por seu tamanho – sempre foi um pouco misterioso, até mesmo distante. O que é ótimo. É maravilhoso morar em um lugar e não conhecê-lo por inteiro, e ter sempre algo novo a explorar, um lugar desconhecido a visitar, um quitute jamais visto a se experimentar, um balcão inédito a se gastar a tarde. O Rio é assim.  Para mim.

Mesmo que há mais de dez anos eu tenha transformado o que era lazer em trabalho, ainda preservo um olhar amador sobre isso. Amador no sentido literal mesmo. Segundo o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, da Michaelis, amador (adj sm) é: 1)Que ou aquele que ama; amante; 20) Que ou aquele que gosta muito de alguma coisa; amante, apreciador; 3) Que ou aquele que se dedica a algo não por profissão, mas por diletantismo; diletante. E é disso que se trata. É assim que sou. Mesmo em missão de trabalho. Faço por amor, por paixão, e que sorte é poder trabalhar com aquilo que se gosta.

Ir a bares e restaurantes sempre foi um dos meus passatempos prediletos, e mesmo antes de entrar para a faculdade de jornalismo, e apesar da pouca idade, eu já me considerava um especialista em bares e botequins (também tinha boa experiência com grandes restaurantes, mas neste caso patrocinado pela família que sempre gostou de comer fora), porque os frequentava desde cedo, com fome e sede.  Continua sendo uma diversão, mas também é um trabalho, e já faz muito tempo que não entro em um bar ou restaurante sem esse olhar curioso, um tanto amador, mas também observador e provador profissional. Eu me divirto enquanto trabalho, e trabalho enquanto me divirto.

A partir de 2006, quando fui morar em São Paulo, comecei a escrever sobre o Rio de janeiro, pois até então só fazia reportagens de turismo e gastronomia. Fui, assim, a partir do prédio da Editora Abril na Marginal Pinheiro, afinando esse olhar de forasteiro, uma vez que eu escrevia para publicações de especializadas em Turismo, como a revista Viagem e Turismo, o Guia Quatro Rodas (naquela época já rebatizado de Guia Brasil) e o site Viaje Aqui, onde criei o blog Direto do Rio, que existiu até 2009, quando fui trabalhar no Boa Viagem, d’O Globo – e então criei este blog aqui, Rio de Janeiro a Dezembro, que andou um pouco descuidado nos últimos tempos, enquanto em pensava de que modo eu voltaria a usar esse espaço.  Ele, então, se torna uma parte do site Menu Agostini, que em breve será lançado (onde o Rio também terá destaque, é claro). Mas esse Rio de Janeiro a Dezembro se torna um lugar dedicado 100% à cidade, explorando também o interior, das serras ao litoral. Um guia com os melhores lugares para se comer e beber no Rio de Janeiro, com resenhas, crônicas e críticas sobre bares, restaurantes, cafés, enotecas, cervejarias, padarias, quiosques, mercados, feiras, armazéns e outras bodegas e botequins que mereçam atenção. Na pauta, listas de melhores em diferentes categorias, votações com especialistas, roteiros gastronômicos, crônicas gulosas e afetivas, memórias das comidas da infância, e muitas fotografias – em vídeos, muito em breve.

A ideia aqui também é começar a organizar textos, fotos e informações para a edição de livros, a começar por um guia com o melhor do Rio (nos moldes do que lancei em 2011, pela Editora Senac-RJ), e outros um pouco mais focados em temas mais específicos, como uma seleção de lugares antigos e cheios de histórias para contar e um projeto dedicado a mapear o universo cervejeiro do estado, com bares, lojas, fábricas, rótulos, tours e tudo o mais que envolve este assunto. Rio de Janeiro a Dezembro vira também um selo editorial.

Por ora é isso. Apertem os cintos que isso aqui será a maior viagem.

Anúncios

Uma noite perfeita no Cipriani

01/10/2018

 

Gran finale: merengue, em apresentação linda e escultural, com o brasileiríssimo cupuaçu, além de morango e macedônia – Foto de Bruno Agostini

Era uma noite fria de quinta-feira, e chamou a atenção o salão bem cheio, quase lotado, do Cipriani. Movimentado daquele jeito eu só tinha visto em eventos fechados. Sentei no balcão do bar, embalado pelo piano logo ao lado. Pedi um bellini. Elogiei. Pedi explicações sobre o purê de pêssego.

– Eu faço aqui mesmo – explicou sem ostentação o bartender, o que em associação ao Prosecco de ótima qualidade explica a razão de estar tão bom o coquetel de origem veneziana, clássico do Cipriani original na cidade italiana.

Deu vontade de pedir mais um, mas já sabia que seria longa a noite, e segui para a  mesa. Olhando ao redor, era mais ou menos metade de estrangeiros, e a outra de brasileiros, entre cariocas – muitos – e turistas de outros estados. Muitos parecem hóspedes, mas várias mesas estavam claramente comemorando algo. O Cipriani é mesmo muito adequado para ocasiões especiais. Dois grupos diferentes tinham aniversariantes, e o clima de romance atraía muitos casais, daqui e de alhures.

Jantar no Cipriani é mesmo especial, e recentemente entrou seguramente para a lista de melhores restaurantes do país, em qualquer seleção que se faça. Difícil de competir: a vista linda da piscina mais famosa do Brasil, o serviço que está impecável, um pouco menos formal que antes (que bom), a lista de vinhos e os drinques e – sobretudo – e o que é o mais importante em um restaurante: uma cozinha de alto nível. Altíssimo nível. Dos grandes italianos do mundo. Do mundo, sim.

LEIA MAIS EM: https://brunoagostini.wordpress.com/cipriani/

Chez Claude: a cozinha afetiva do chef Troisgros

24/09/2018

Chez Claude: ovos e ovas – Foto de Bruno Agostini

“Mais à vontade do que nunca na Chez Claude, sua casa que faz um ano em dezembro, Monsieur Troisgros aproveita para apresentar ao mundo sua pupila Jéssica Trindade, que é quem está no comando da cozinha no dia-a-dia, mostrando competência e simpatia.
– Ela sabe exatamente como eu gosto de minha comida, e cozinha muito bem – elogia o chef, que sempre que a agenda permite dá expediente no salão, onde a cozinha é elemento central, dividindo o ambiente em dois, com um balcão debruçado sobre ela.
O preparo dos pratos é um show, e acontece uma deliciosa interação entre os clientes e os cozinheiros, que servem os pratos. Não à toa as filas na porta acontecem diariamente.”

Guia 450 Sabores do Rio 58: Rio Minho, o berço da mitológica sopa Leão Veloso, a bouillabaisse carioca

26/04/2015
A sopa Leão Veloso do clássico restaurante Rio Minho, inaugurado em 1884, na rua do Ouvidor número 10: camarão, polvo, lula, cherne e mexilhões

A sopa Leão Veloso do clássico restaurante Rio Minho, inaugurado em 1884, na rua do Ouvidor número 10: camarão, polvo, lula, cherne e mexilhões

O pote de barro vem fumegando, com camarões VG expostos, corpo mergulhado, rabo saltando do líquido espesso, com tons de tijolo, avermelhados, por conta do urucum, usado no caldo de cabeça de peixe, e do tomate, base importante do tempero refogado. A sopa Leão Veloso foi criada no Rio Minho, no começo do século passado, pelo diplomata de mesmo nome (há quem conteste o autor, mas não o berço da receita), e entrou para a galeria de grandes pratos emblemáticos do Brasil, especialmente do Rio de Janeiro. Inspirado na bouillabaisse, de Marselha, no sul da França, ganhou contornos tropicais, apostando na nobreza marinha – o camarão, o polvo, a lula, o cherne, os mexilhões (às margens do Mediterrâneo, a receita tradicional dos pescados usa os peixes mais baratos, “de fundo de rede”, como se diz). Para encorpar, um truque: um pouco de creme de arroz. Um ramo de hortelã dá um pouco de cor, perfume e frescor. Além da qualidade dos pescados, é notável o ponto de cozimento de cada um dos ingredientes principais, ganhando todos texturas macias, nunca borrachudas. E o tempero vem na medida, e os sabores podem – e devem – ser realçados pela boa pimenta da casa, forte como se deve ser. Coisa de quem está mais do que habituado a fazer o prato. Vale dizer que a meia porção já serve duas pessoas, e pode valer um almoço. Inaugurado em 1884, o Rio Minho tem o charme de ser o restaurante mais antigo da cidade, funcionando há mais de 130 anos no mesmo endereço, o número 10 da histórica Rua do Ouvidor, veia das mais importantes do Rio Antigo. Na parte externa, sem ar-condicionado, alguns pratos são vendidos em versão. O cardápio é um desfile de pratos marítimos, com forte influência ibérica (fundada por portugueses do Minho, hoje é administrada por espanhóis da Galícia). Uma diversidade enorme de pratos de bacalhau, incluindo os ótimos bolinhos que podem ser pedidos de entrada, tem execução segura, à moda tradicionalista, usando postas altas, de alta classe, da melhor qualidade. Existe um grelhado misto que tem adeptos fervorosos, e reúne cherne, polvo, camarões, cavaquinha, mexilhões e lulas, acompanhados de arroz de brócolis, batatas coradas (ruins) e alho frito (o trio clássico que pode acompanhar outros pratos, como os tentáculos vistosos de polvo). A partir de quarta é servido um prato que é absolutamente necessário: o bobó de lagostins, que novamente apresenta os méritos do lugar de maneira enfática: bons ingredientes, técnica de cozinha ancestral e segura, tempero na medida e uma certa dose de amor que encontramos entranhada nesses restaurantes antigos, algo um pouco inexplicável, mas lindamente delicioso.

RIO MINHO – Rua do Ouvidor 10, Centro. Tel. 2509-2338. De seg. a sex., das 11h às 16h. Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 57: Padaria Bassil, na Saara, com mais de 100 anos de tradição, esfihas e pães assados no forno a lenha

25/04/2015
As esfihas da Padaria Bassil, inaugurada em 1913, ficam expostas na vitrine aquecida, ao lado de quibes, pães árabes e manuches

As esfihas da Padaria Bassil, inaugurada em 1913, ficam expostas na vitrine aquecida, ao lado de quibes, pães árabes e manuches: tem de carne, a campeã de vendas, ricota e espinafre

A massa é fina e delicada, macia, e acomoda um recheio úmido de carne, com cebola e a medida exata de temperos. Assada no forno a lenha, a esfiha da Padaria Bassil, na Saara, tem pontos mais tostadinhos, que acentuam o sabor. Expostas em vitrine aquecida, saem aos montes na rotina apressada dos trabalhadores do Centro do rio. Uns comem ali mesmo, na bancada – com os molhos árabes, de limão, feito na casa, de pimenta e de alho – que fica de frente para a parede alvi-negra, homenagem ao Botafogo, cheia de reportagens sobre o lugar. Outros chegam e levam o salgado para viagem. A esfiha de carne é a campeão de vendas, e os outros recheios também são bem cotados, como o de ricota e o de espinafre. Inaugurada em 1913, a casa vive cheia, e o pefume constante das fornadas que saem ao longo de todo o dia chegam até a rua. Além das esfihas, e de ótimos quibes, de carne e de ricota, a Padaria Bassil não tem esse nome à toa, e produz o melhor pão árabe do Rio. Esses pães árabes, aliás, são usados no preparo do manuche, cobertos com zátar, gergelim e azeite. A pequena portinha revela um dos melhores segredos do Rio. E azar de quem não conhece.

PADARIA BASSIL – Rua Senhor dos Passos 235, Centro. Tel. 3970-1673. De seg. a sex., das h às 18h; sáb., das h às 14h. Não aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 56: Ten Kai, um japonês que vai muito além do sushi

24/04/2015
A língua bovina do Ten Kai, servida com limão e molho à base de shoyo: restaurante importa ingredientes japoneses, como minipolvo, lula e gafanhoto caramelizado

A língua bovina do Ten Kai, servida com limão e molho à base de shoyo: restaurante importa ingredientes japoneses, como minipolvo, lula e gafanhoto caramelizado

Cortada em bifinhos finos, a língua bovina é grelhada, a ponto de ficar suculenta e macia. Fatiada, vai à mesa acompanhada de limão taiti e molho de shoyo. Pra comer de palitinho. Um dos melhores restaurantes japoneses da cidade, o Ten Kai, em Ipanema, vai além dos sushis, sashimis e yakisobas. E o músculo bucal da vaca é das melhores pedidas para fugir do trivial. Quem quer o básico não tem do que reclamar ali. Há sushis de salmão e atum, em cortes precisos. Encontramos ussuzukuris de peixe branco servidos em linda louça, com cortes delicados e tempero preciso, de pimenta, gergelim, cebolinha e molho ponzu. As duplinhas são muitas. De camarão e de polvo. Há sempre um combinado de sushis, que pode trazer enguia, pargo (com a pele), lula com sal negro, salmão brulée com ovas do mesmo, e os sashimis variam o tamanho e altura dos cortes de acordo com os peixes, valorizando cada carne, de modo que linguado e robalo são de admirável delicadeza.O tataki de atum é impecável. Os conezinhos de massa crocante recheados com salmão em cubinhos temperado com gergelim agradam iniciantes e iniciados na cozinha japonesa. Os tempurás de lula, camarão e peixe chegam sequinhos e crocantes. E há aquele delicioso repertório de receitas aconchegantes, os arrozes com camarão e ovo, as massinhas tipo noodle chapeadas com shoyo, vegetais e carnes. Mas o que faz do Ten Kai um lugar verdadeiramente distinto são os ingredientes importados diretamente do Japão, escolhidos por Cesar Hasky, sócio do restaurante, que também tem filial no Centro. Além da seleção de saquês, das melhores do Rio, o cardápio da casa pe abrilhantada com aqueles adoráveis minipolvos, macios e de sabor ligeiramente adocicado, as lulas, de textura quase cremosa, e até excentricidades, como o tsukudani inago, ou seja, gafanhoto caramelizado. Na hora da sobremesa, há criações sobre ingredientes típicos do Japão, como o sorvete de chá verde com ameixas, mas também clássicos universais, como o brownie com sorvete e calda de chocolate. Para comer bebendo o licor de ameixas Choya, ácido e docinho, como se faz em casas nipônicas.

TEN KAI – Rua Prudente de Moraes 1.810, Ipanema. Tel. 2540-5100. De ter. a sex., das 19h à 1h; sáb., das 13h à 1h; dom., das 13h à meia-noite. Aceita catões.

 

 

Salve Jorge, padroeiro dos botequins cariocas

23/04/2015

Devemos desconfiar de um boteco carioca que não tenha um altar dedicado a São Jorge. O santo guerreiro, tão identificado com o Rio de Janeiro, e toda a cultura popular e religiosa, do samba ao candomblé, abençoa grande parte dos botequins da cidade.

Hoje, dia 23 de abril, com São Jorge é festejado, reuni três botecos da cidade que contam com os seus altares.

A Adega Flor de Coimbra, na Lapa.

O Bar da Portuguesa, em Ramos.

O Gracioso, na Gamboa, em foto pré-incêndio.

 

Salve, Jorge!

 

 

Guia 450 Sabores do Rio 55 – El-Gebal: o árabe mais lindo e saboroso do Saara, quase um segredinho

23/04/2015
Os docinhos árabes, em versão miniatura, do El-Gebal: distintas combinações com massa folheada, frutos secos, mel e água de flor de laranjeira

Os docinhos árabes, em versão miniatura, do El-Gebal: distintas combinações com massa folheada, frutos secos, mel e água de flor de laranjeira

Qual é o melhor restaurante árabe do Saara? Uns apontarão o Cedro do Líbano. Outros citarão o Sírio e Libanês. Poucos serão aqueles que vão se lembrar do El-Gebal, na Rua Buenos Aires, inaugurado em 1958. Menor, tem fachada discreta. Da rua, vemos apenas o balcão, onde muitos clientes apressados fazem as suas refeições ligeiras, ou pegam suas salgados e doces para viagem. Nos fundos está o pequeno restaurante, em ambiente charmoso, meio art deco. O salão pequeno é um achado. As garçonetes são simpáticas e eficazes, e o cardápio desfile aquele clássico repertório de pratos árabes. Com uma vantagem: a cozinha ainda usa uma churrasqueira a carvão, o que faz sempre a diferença no preparo de carnes, incluindo aí as kaftas. Quem tem fome e quer uma panorama completo da casa pode escolher um dos dois rodízios. O mais completo traz quibes (frito e cru) e esfirras, três pastas (coalhada seca, homus e baba ghanouj, simplesmente a melhor do Rio, defumada, equilibrada, de incrível textura), saladas, arroz com lentilhas, músculo com trigo, kafta de cordeiro, michuí de mignon, e aqueles recheados de arroz e carne: folha de uva, abobrinha, berinjela e folha de repolho. Uma festa. O cardápio apresenta outras fórmulas interessantes, os chamados combinados. Neles, montamos seleções como kafta com trigo à moda e salada árabe; quibe de ricota com arroz com lentilha e tabule; e cordeiro com fatuch e repolho recheado, entre outras. Também encontramos coisas que fogem da especialidade, como trilha frita, picadinho, iscas de fígado e couve-flor à milanesa, tudo sempre com tempero caseiro. É, sem dúvida, uma cozinha aconchegante. Ao final, é obrigatório provar alguns dos doces árabes, os melhores da cidade, servidos inclusive em versão menor, para se comer em uma só bocada. São aquelas lindas preparações, bolinhos, ou envelopes com massa folheada (ou aletria), que envolve os frutos secos, como pistache, amêndoas, nozes e damasco, o gergelim, tudo regado a mel e água de flor de laranjeira, em formartos diversos. Um ótimo regalo para levar para casa, e presentear a família e os amigos com tanta ternura adocicada e crocante.

 

EL-GEBAL – Rua Buenos Aires 328, Saara, Centro. De seg. a sex., das 7h30 às 18h; sáb., das 7h30 às 15h. Tel. 2224-2171. http://www.elgebal.com.br

 

Guia 450 Sabores do Rio 54 – Nam Thai: um passeio pelos sabores do Sudeste Asiático no Leblon

22/04/2015
Um mix de entradinhas do Nam Thai, para poder provar várias coisinhas: Pla Shell Yahng pode ser considerada indispensável:  vieras grelhadas e servidas na concha, com chili, limão e molho de ostras, além de mandiopan; trouxinhas de frango com molho picante; bolinhos de camarão com chutney de abacaxi; espeto de frango satay com molho picante de amendoim

Um mix de entradinhas do Nam Thai, para poder provar várias coisinhas: Pla Shell Yahng pode ser considerada indispensável: vieras grelhadas e servidas na concha, com chili, limão e molho de ostras, além de mandiopan; trouxinhas de frango com molho picante; bolinhos de camarão com chutney de abacaxi; espeto de frango satay com molho picante de amendoim

O chef David Zisman é um pesquisador incansável. Viajou à Tailândia para aprender a cozinha tradicional do país, e abriu o seu restaurante em 1998, em Itaipava, um dos primeiros do Brasil dedicados à especialidade. Três anos depois trocou de endereço, e desceu a serra, inaugurando a casa da rua Rainha Guilhermina, no Leblon. Nos últimos anos começou a investigar outras cozinhas do Sudeste Asiático, visitando – e aprendendo – países como Cingapura, Malásia e Vietnã, incorporando alguns pratos ao cardápio (quando a receita não é tailandesa, a procedência é indicada, ao lado de outras informações, como nível de pimenta, vegetariano ou se tem ou não glúten). O lugar é despojado, e serve pratos com notável regularidade, explorando bem a complexidade da cozinha tailandesa, baseada na composição de pratos com vários elementos: o ácido, o doce, o salgado, o picante. É sempre difícil escolher o que pedir. Mas, de uma maneira geral, os pratos de peixes e frutos do mar estão sempre entre as melhores pedidas. Das entradas, a chamada Pla Shell Yahng pode ser considerada indispensável: são seis vieras grelhadas e servidas na concha, com chili, limão e molho de ostras, além de mandiopan. Essas vieiras podem aparecer em outra boa pedida para começar, os pratos que misturam várias entradinhas. O Bangkok combina trouxinhas de frango com molho picante; bolinhos de camarão com chutney de abacaxi; espeto de frango satay com molho picante de amendoim e thai salmão gravlax, com creme de leite aromatizado.  Dá até vontade de ficar só nas preliminares, como a Yam Kung Mammuang, uma salada picante – e refrescante – de camarão, manga e papaya. Pedida certeira é o Poh Pia Phed, dois rolinhos primavera de pato e gengibre confit, com chutney de abacaxi. Entre os pratos principais, o Pla Nam Prik é um lombo de peixe do dia, sempre muito bem grelhado, servido com com chutney de gengibre e chili, e servido em leito de acelga e shitake. Há boas massas e arrozes, coomo o Pennag Laksa, originário da Malásia: talharim de arroz frito com frutos do mar (camarões, vieras e lulas) leite de coco, curry malaio, tamarindo, folhas de limão kafir e hortelã. O Gaeng Phed Yang é surpreendente: leva peito de pato fatiado, curry vermelho tailandês, abacaxi, leite de coco, tomate e manjericão. Para os carnívoros, o Nuea Paad Kannaa também causa surpresa: mignon fatiado temperado em saquê, óleo de gergelim torrado, preparado com brócolis, shitake e molho de ostras.

NAM THAI – Rua Rainha Guilhermina 95, lojas A e B, Leblon. Tel. 2259 2962. Seg., das 19h à 1h; de ter. a sex., do meio-dia às 16h e das 19h à 1h; sáb., do meio-dia à 1h; dom., do meio-dia às 22h30. namthai.com.br Aceita cartões.

Guia 450 Sabores do Rio 53 – Amélie Creperie: galettes e crepes à moda da Bretanha em lugar simpático

21/04/2015
Uma das melhores pedidas atende pelo nome de  Île Saint-Louis: a versão é feita com queijo brie, presunto de Parma (parte dele em preparação crocante, no forno), figo confit, mel trufado e nozes - e chama a atenção a delicadeza da massa

Uma das melhores pedidas atende pelo nome de Île Saint-Louis: a versão é feita com queijo brie, presunto de Parma (parte dele em preparação crocante, no forno), figo confit, mel trufado e nozes – e chama a atenção a delicadeza da massa

 

Inaugurado em março de 2014, a Amélie Creperie é sem dúvida um lugar simpático. Instalado no primeiro piso do Shopping da Gávea, serve galettes (salgadas) e crepes (doces), seguindo a tradição bretã, com massa de trigo sarraceno, além de mais algumas entradinhas e pratos de massa. É um lugar atraente tanto para um almoço ligeiro e leve ou um jantar pré ou pós teatro ou cinema. Para petiscar, o La Concorde é um ótimo abre-alas: um canudo crocante de massa de harumaki recheado com carne de pato desfiada e palmito pupunha fresco salteado em tirinhas, com um vinagrete de alecrim. Outra boa pedida fora da lista de crepes é oVersailles, um ravióli de brie com molho de aspargos e nozes. As galettes são servidas com uma saladinha de folhas vistosas, temperadas com molho de mostarda. E vale pedir uma xícara de cidra para acompanhar (seguindo a tradição, o fermentado de maçã, com baixo teor alcoólico, é servido em xícara de porcelana). As galettes são divididas em duas seções: primeiro, uma lista que mescla combinações clássicas, como Quartier Latin, com presunto, queijo emmenthal e ovo. Uma das melhores pedidas atende pelo nome de Île Saint-Louis. A versão é feita com queijo brie, presunto de Parma (parte dele em preparação crocante, no forno), figo confit, mel trufado e nozes. No recheio. ingredientes de boa qualidade, o contraste de sal e doce, as texturas de diversas densidades. Em todos os casos, chama a atenção a massa, leve e delicada, com furinhos que reforçam essas características, quase uma tela de trigo sarraceno, com um toque de rum. Virtude repetida nos crepes. Na lista dos doces, encontramos o crepe Tour Eiffel, com maçã cozida, caramelo com flor de sal (muito bom o caramelo!) e sorvete de creme; o Jardin des Tuileries, simplesmente com limão e açúcar; o Champs-Élysées, o clássico das ruas de Paris, com Nutella; o Notre Dame, com doce de leite e farofa de castanhas; o Arc de Triomphe, com banana, chocolate belga e chantilly; o Musée d’Orsay, com frutas vermelhas, queijo de cabra boursin e coulis de framboesa; e Sacre-Coeur, com pêra cozida, calda de chocolate belga, amêndoastostadas e sorvete de creme.

 

AMÉLIE CREPERIE –   Shopping da Gávea: Rua Marquês de São Vicente 52, loja 112, Gávea. Tel. 2249-8153. De seg. a qua., das 10h às 22h30; qui., das 10h às 23h30; sex. e sáb., das 10h às 00h30; dom, do meio-dia às 22h30. http://www.ameliecreperie.com.br Aceita cartões.