69 lugares para amar no Rio de Janeiro (parte 1)

15/12/2009 por brunoagostini

Hidro, poltronas de frente para a lareira, edredon quentinho e macio, na pousada Tankamana, em Petrópolis: sair para quê?

Ontem a Cris Berger lançou aqui na bar Londra, no Fasano, o livro 69 Lugares para Amar, como bem disse o Ric, “um dos melhores títulos de livro dos últimos tempos”.
Eu fui lá comprar o livro e conversar com ela.
Das 69 viagens, em pelo menos uma eu estive com ela: foi para Bento Gonçalves, quando colhemos uvas na Miolo.

A capinha do gostoso livro, que serve para inspirar viagens a dois

Inspirado pela sugestão dela, comecei a pensar nos lugares do Rio de Janeiro que poderiam estar ali.
Quando vi, já estava no meio da confecção de uma lista. No meio, literalmente. Fiz só metade, amanhã completo o resto (será que teremos mais 34 pousadas e hotéis de charme no Rio? Nem garanto…). Para a tarefa, que não me parece tão fácil assim, conto com a ajuda de vocês.

As fotos são lindas. E a arte foi feita pela querida Elaine Ianicelli. Por isso, o livro está uma graça.

1 – Copacabana Palace – Precisa explicar por que?
2 – Fasano – Com aquela vista, com aquela comida…
3 – Hotel Santa Teresa – “Amour” no Marais carioca.
4 – Tankamana (Petrópolis) – Edredon, ofurô, fondue: fazer o quê?
5 – Sofitel – Jante no Le Pré Catelan, peça um champanhe e suba pro quarto (com vista pro mar)
6 – Casas Brancas (Búzios) – Aproveite a paisagem.
7 – Terras Altas (Visconde Mauá) – Peça o quarto com ofurô e sauna. E nem saia de lá.
8 – Casa Turquesa (Paraty) – O filé mignon do Centro Histórico.
9 – Pousada Arte Urquijo (Paraty) – Arte, amor e charme.
10 – Le Gite d’Indaiatiba – Pela ordem: sauna, cachoeira, cherne com manga e gengibre, cama
11 – Vip’s – Pegue uma daquelas suítes especiais e o melhor motel do Rio passa a valer a pena
12 – Le Relais Marambaia – Aposto que ela nunca ouviu falar nesta pousada carioca
13 – Marina All Suites – Leblon, design, modernidade, sabor, luxo: tudo junto
14 – Bromélia, Sabiá e Companhia (Teresópolis) – Com esse nome, só pode ser romântica
15 – Pousada Toca-Terê (Teresópolis) – No meio do mato, lareira, sauna, hidro…
16 – Fazenda das Videiras (Petrópolis) – Escolha um chalé/região (Loire, Champanhe), o vinho e nada mais
17 – Tambo los Incas (Petrópolis) – Uma gracinha de lugar
18 – Mauá Brasil (Visconde de Mauá) – Simplesmente o melhor de Mauá
19 – Frontera (Visconde de Mauá) – Arte, conforto, visual
20 – Locanda della Mimosa (Petrópolis) – Aproveite enquanto o Danio ainda está por lá.
21 – Casa Bonita (Visconde de Mauá) – Donos simpáticos, com dons artísticos, que adoram receber
22 – Villa Rasa Marina (Búzios) – Melhor comida de lá, na beira da praia…
23 – Insólito (Búzios) – O mais incrível de Búzios, com vista linda
24 – Sitio do Lobo (Ilha Grande) – Escondidinha no esplendor da Ilha Grande, quase uma casa de amigos.
25 – Estrela da Ilha (Ilha Grande) – Cercada pela mata, na Enseada das Estrelas (porque reflete o céu)
26 – Pedra da Laguna (Búzios) – Hidro junto à cama, vista para a Ponta da Lagoinha…
27 – Vivenda Les 4 Saisons (Eng. Paulo de Frontin) – Bom restaurante, muito charme
28 – Mama Ruissa – Pequena joia em Santa Teresa.
29 – Solar do Império (Petrópolis) – Sim, há pousada romântica e charmosa no Centro Histórico de Petrópolis.
30 – Pestana (Angra dos Reis) – Se diz resort, mas está mais para pousada de (muito) charme
31 – Parador Lumiar (Friburgo) – Um lago, ofurôs, travesseiros, lençóis: tudo conspira a favor
32 – Pousada Serra da Índia (Penedo) – Acredite: há vida charmosa e elegante em Penedo
33 – Pousada Enseada das Graças (Sã Pedro d’Aldeia) – Nem parece São Pedro d’Aldeia…
34- Sankay (Ilha Grande) – Para casais-mergulhadores (ou não)
35 – Rio 180º Suites e Cuisine – “Amour” no Marais carioca (parte 2)

Prazer em conhecer, C&A: Chico e Alaíde, no Leblon, um boteco-boteco

15/12/2009 por brunoagostini

Caricatura da dupla por Chico

Pode ser que alguém não goste. Não tem hostess à porta. O Chico & Alaíde é o que se pode chamar, parodiando o Wanderlei Luxemburgo, de boteco-boteco. Com a vantagem de aceitar cartões de crédito. E de ficar no Leblon, bairro de grandes botecos. O Chico & Alaíde chegou para se juntar ao Jobi, ao Clipper, ao Cantinho do Leblon (você me permite chamar o Cantinho de boteco, né?), ao Azeitona, à Academia da Cachaça e ao Bracarense, é claro, que aliás deu origem ao C&A (eu já batizei assim a casa). O C&A tem um quê de Fla-Flu. É uma dissidência do Braca, como o futebol do rubro-negro nasceu de uma dissidência do tricolor. Se for assim, não vai demorar para superar a matriz, não é, Julio?
Sábado estive lá à tarde. Mesas lotadas, porta lotada. As grades que envolvem a varanda, estrategicamente planas e não arredondadas, serviam de apoio para o chope de quem estava do lado de fora. O papo fluía entre todos, de dentro para fora, de fora para dentro. Gostei do que vi. Estava temeroso. Confesso que quando fui ver como estava o bar, no dia da inauguração, já que eu viajaria, não gostei muito da decoração. Azulejos bonitinhos, lustres redondos dependurados do teto, placas da AmBev imitando cartazes clássicos. Fiquei mesmo com medo. Parece com esses tantos botecos arrumadinhos que, à medida que foram infestando o Brasil, me fizeram desenvolver uma grande implicância pela categoria. Criei um mantra, repita comigo: “Boteco arrumadinho nunca mais, boteco arrumadinho nunca mais, boteco arrumadinho nunca mais”.
E, à primeira vista, o Chico & Alaíde estava arrumadinho demais. Mas, claro, era um boteco novo, ainda nem inaugurado. Não poderia, então, ter cara de boteco velho, entende? Aos poucos, as paredes vão encardir um pouco, os clientes cativos vão ter as suas contas e garrafas de uísque, e o chão vai perder o aspecto de salão de baile das antigas. Até o banheiro, breve, vez ou outra vai entupir e, então, homens e mulheres dividirão a mesma portinha.  Mas hoje, ainda cheirando a novo, o C&A tem espírito de boteco que é, afinal, o que importa mesmo.
Foi bom eu emendar duas viagens seguidas. Porque, sem tempo de ir lá logo nos primeiros dias de funcionamento da casa, cheguei com as engrenagens aparentemente mais azeitadas. E o que isso significa? Um caos organizado, onde a confiança impera. Ouvi algumas queixas dos primeiros freqüentadores. Eu não posso me queixar, até porque, gosto desse tipo de caos.
Voltemos ao sábado. Quando vi o movimento logo desisti de lutar por uma mesa. Queria só provar os bolinhos, só ver como estavam. Porque boteco não é como restaurante. O pessoal fica horas. Para almoçar num restaurante até que dá para encarar uma fila, em boteco não recomendo. Nunca se sabe a que horas a turma vai desistir de comer e beber. Ainda mais num sábado modorrento, de mormaço muito chato e chuvinha fina, como neste último aqui no Rio. Ainda mais no Leblon, onde a rapaziada gosta de gastar a tarde, ainda mais de sábado, na mesa de um bar.
Primeiro chamei o garçom e perguntei se podia pedir uns bolinhos e chopes dali de fora mesmo. Claro que sim. Já me animei. Em bom boteco, você come e bebe onde quiser, até do outro lado da rua, como no Bar Urca. Ele trouxe primeiro os bolinhos e os chopes. Na hora do segundo pedido, sugeriu que eu fosse até o balcão e pedisse, seria mais rápido. Bastava dar o meu nome que eles comandavam de lá mesmo. Também gostei disso. Gosto de boteco honesto. E, além disso, em boteco que é boteco o cara também tem que se virar – caso contrário ele teria ido a um bar temático. Quer coisa mais chata que o garçom vir acender o teu cigarro num boteco? Ou puxar a cadeira para a tua namorada? Se eu quisesse garçom puxando a cadeira para a minha namorada não tinha ido a um boteco, ora bolas!
E lá fui eu ao bar. À minha esquerda estava o ator Antonio Pedro tomando a sua Brahma Black. Hummm. Brahma Black, ainda mais naquele copinho tipo sundae, com logomarca e tudo, coisa de barzinho arrumado… Tudo bem, no C&A eu deixo.

Chico no comando da chopeira

Confesso que fiquei feliz quando o Chico, comandando a chopeira, me viu e acenou: E aí, rapaz, beleza?. Aproveitei a intimidade e, diante de uma vitrine cheia de salgadinhos, fui elegendo o que queria. Me dá esse, esse, esse, esse também. “E esse aí, é de que?”, perguntei sobre um, que para mim era novidade (todos os outros eu já conhecia do Braca). “É a almofadinha de frutos do mar”, responderam. “Dá duas”. Com uma massinha delicada e arredondada, tinha recheio cremoso, com polvo predominando. Delicado, uma delícia. Custa R$ 3,50.
No mais, os clássicos do Bracarense preparados por quem os criou, Alaíde. E o Chico comandando a chopeira e o serviço. Não tinha como dar errado. Os famosos bolinhos de camarão e catupiry, que deram fama universal ao Braca, ali são chamados de bolinhos da Alaíde, muito justamente, e custam R$ 2,50. É para comer uns 10. Provei ainda o bobozinho de macaxeira, a R$ 3,20, a maravilhosa de camarão (acho que é maravilha de camarão, mas na nota fiscal veio escrito maravilhosa), a R$ 3,80, a empada de camarão e catupiry, de R$ 2,80. Gostei demais de tudo.

Uma das especialidades é o tôtivendo, uma espécie de escondidinho aparecido, sem recheio escondido, sacas? Tem de vários sabores.

Jogue um pouquinho de azeite, muitas gotas de pimenta e seja feliz

De camarão com catupiry…

Feijoada em forma de escondidinho: um novo olhar sobre um velho conhecido

… de feijoada

Na minha primeira visita nem consegui pegar a boa pimenta da casa. Só da segunda fez recebi uma garrafinha, e a pimenta é muito boa, obrigado, digna de um boteco-boteco, porque bar que se preza tem malagueta – tabasco, que me desculpem os adeptos, mas é coisa de restaurante mexicano ou americano.

Tranqüilo, tranqüilo mesmo, para chegar com calma à mesa, só ali pelas 16h, 17h de um dia de semana, que não seja quinta e sexta, me avisou a caixa. Tudo bem, seguirei o conselho da moça. Das modernidades que permito a um boteco está trabalhar com cartões de crédito e débito. E o C&A trabalha. Ótimo assim, até porque eu estava sem um puto no sábado. Só uma moedinha de R$ 1 pro guardador e três pacotinhos de figurinha pra filha – e olhe lá..
No mais, o ideal é fazer como se fazia antigamente no Bracarense, quando mesas não havia e tanto o Chico quanto a Alaíde ainda eram celebridades apenas de bairro: leve a sua cadeira de praia e pronto. Ou, então, torça para que o banquinho do tipo praça da pizzaria ao lado esteja vago. Eu dei essa sorte.

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Publicado em 25/3/2009

La Goulue: Paris em Copacabana

14/12/2009 por brunoagostini

Não dá mais para segurar, explode coração...

No fim da noite um casal, como que contratado pela casa para reforçar o caráter romântico do lugar, usou o palco para trocar juras de amor. Ele, um francês, ajoelhou-se. Disse algumas palavras, emocionado. Ela, brasileira, sentada na cadeira ocupada anteriormente pela cantora, fazia sinal de negativo com a cabeça, como que atordoada. Choraram. Abraçaram-se, beijaram-se. Foi bonito de ver. Pelo que entendi o rapaz volta pra França. A moça fica. Parece que vão se casar.
Se aquilo é teatro eu não sei. Mas se for verdade eles escolheram o lugar certo para a despedida – ainda mais em se tratando de algum francês. O restaurante La Goulue, em Copacabana, forma com a creperia Le Blé Noir, logo defronte, um dos enclaves mais franceses do Rio. Dá mesmo para se sentir um pouco na França em plena Xavier da Silveira – dos dois lados da rua.
O restaurante tem algumas particularidades. O chef Patrice Reignault, francês, é claro, desfila um repertório do cancioneiro popular de seu país em algumas noites. Noutras, músicos convidados sobem ao simpático e pequenino palco, com capacidade máxima para duas pessoas, acredito eu – bateria não cabe. A decoração tem um quê de cabaré, com pesadas cortinas vermelhas, velas, espelhos e quadros retratando a boemia parisiense.
Patrice chegou não faz muito tempo ao Brasil. Deixou para trás a sua estrela no Guia Michelin, adquirida no restaurante Des Peintres, que manteve até dois anos atrás, em Cagnes sur Mer, na Côte D’Azur. Coisa fina. Ele bolou o cardápio e eventualmente deve até manejar as panelas. Mas a cozinha hoje é comandada por uma jovem e muito simpática chef, que tem por hábito ir à mesa dos clientes saber o que achamos. Mostra boa técnica, alcançando um ponto correto nas carnes e equilíbrio nas receitas. O cardápio tem ícones franceses, a começar pelos patês do couvert, com pães caseiros quentinhos. Omeletes e suflês podem satisfazer os que estão com pouca fome. Para uma investida maior, há uma boa variedade de pratos, embora a lista não seja muito grande (ainda bem). Há peixes, cordeiro, pato, coq au vin, boeuf bourguignon… Patrice prefere controlar o salão, o que faz com cordialidade, agradavelmente.

O plaquinho: Toda a noite é um tal de Charles Aznavour para cá, Ne me Quite pas para lá

Nem precisa dizer que o repertório musical é de clássicos franceses – seja lá quem se apresente. Toda a noite é um tal de Charles Aznavour para cá, Ne me Quite pas para lá. A cantora daquela noite, sensível, ficou visivelmente emocionada ao cantar Ne me quite pas. Depois confessou que foi por causa das carícias que tomaram conta do pequeno salão ao momento.
A carta de vinhos não é muito extensa, mas bem adequada à proposta da casa, o que significa o foco nos rótulos franceses, próprios para serem combinados com os pratos.
Saí com vontade de voltar. Queria ver o chef em ação. No palco, mas também na cozinha.
Nunca estive em Paris. Talvez seja até por isso. Mas por uma noite me senti num bistrozinho típico de Montmartre ou do Marais. Até porque o garçom, francês, mal falava português. Eu que tampouco falo a língua dele tive a mesma dificuldade em me comunicar com ele como teria em Paris. Será que ele fala português e, assim como o casal, estaria só criando um clima? Pode ser, pode ser.

Publicado em 26/4/2009

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Escola do Pão: o melhor café da manhã do Rio (e mais cinco bons lugares para se começar o dia)

13/12/2009 por brunoagostini

Sanduíches, fondue de queijo, ovo mexido, requeijão, geléias, pães e uma espécie de cocada: isso é só o começo

Há muitos bons lugares para começar o dia com um belo café da manhã no Rio de Janeiro (fiz até uma listinha lá no fim deste post). Mas nada se compara à Escola do Pão, no Jardim Botânico.  O desjejum só é servida aos sábados, domingos e feriados. Custa uns R$ 50 por cabeça.. Mas vale, viu?
A sequência começa com iogurte batido com frutas (delícia), coalhada com granola caseira e mel. Depois vem a cestinha de pão, com manteiga, requeijão e geléia, além de um fondue de queijos incrível. Quase no mesmo instante é servido o pratinho de sanduíches: ciabatta com queijo e blanquete, pão de leite com brie e damasco, cachorro quente em pão fofinho… Em seguida vem o curau delicioso e, se não me falha a memória, vem até um ovinho mexido.

Cachorro quente, o preferido da Maria Luisa: "ô, delícia".

Nisso a Clécia Casagrande passa pela mesa, pergunta se queremos algo mais. Pedimos mais uns cachorros quentes, o preferido da Maria Luisa.

Bolinhos no encerramento: mais um café, por favor

Café e suco de laranja são servidos novamente. Nisso, chegam os bolinhos, petit fours, biscoitinhos e afins. Com os docinhos, encerramos o café da manhã. E só vamos pensar em comida de novo à noite.

E, para terminar, mais lugares em que vale a pena tomar café da manhã no Rio de Janeiro:
- Da Casa da Tatá – Lojinha charmosa na Gávea, serve um café com jeito de roça: bolos caseiros, pamonha, café passado no coador, pão de queijo, geléias…
- Garcia & Rodrigues – Já foi mais barato, mas a ótima seleção de pães, e a possibilidade de turbinar a brincadeira com os frios especiais e também com as pastas, conservas e outras coisinhas da rotisserie da casa, fazem o café do Garcia um dos mais legais do Rio.
- Talho Capixaba – Alguns dos melhores pães da cidade daquele deste forno. Há pouco temo ganhou um mezanino, o que melhorou bastante a estrutura para quem quem tomar café ali. O problema é que todo mundo se tocou disso…
- Café Botânica – Dentro do Jardim Botânico, tem aprazíveis mesinhas do lado de fora, contornando as árvores. Bons cafés e bolos.
- Copacabana Palace – Pelas mesmas razões do brunch, tomar café no Copacabana Palace é a melhor de todas entre os hotelões do Rio. Porque o Copa é o Copa.

Onde jantar na noite de Natal no Rio – parte 1

13/12/2009 por brunoagostini

Espumante no Bar do Le Pré Catelan: bom lugar para a ceia

Onde jantar na noite de Natal?
Esta é a pergunta do Nuno, de São Paulo, que estará em Copacabana com a família na noite do dia 24.
A Luciana Froes escreveu ontem em seu ótimo blog um texto a respeito disso, lembrando que comer em restaurantes cariocas na data é mais caro que em Paris, Santiago, Lisboa e Londres.

Bom, para começar é crescente o número de restaurantes que abrem na noite de Natal, com cardápio especial para a data.
Vou dar uma pesquisada sobre o assunto, tá?

Mas já adianto que, estando em Copa, os melhores hotéis do bairro são boas opções. Eu, em primeiro lugar, pensaria no Copacabana Palace e no Sofitel (na foto o Le Pré Catelan, restaurante do hotel comandado por Rollard Villard). No Fasano, bem perto de Copa, também deve haver algo bem interessante.  Certamente serão programas caros, ali entre R$ 250 e R$ 350 por cabeça.
Nesta semana vou pesquisar sobre os restaurantes do bairro e nos próximos dias faço outro post, sobre a programação dos restaurantes, ok?

Hotéis baratos no Rio de Janeiro

13/12/2009 por brunoagostini

Terrasse Hostel, em Ipanema: opção barata

Agora é a vez de falarmos de hotéis baratos, pedido do Guilherme Biazzi Nogueira, que a gente relembra:
“O Meu Caro Amigo Bruno,
Estou louco à procura e hotéis bons e baratos no Rio de Janeiro. Será que poderia me ajudar ?! Estou indo com a minha namorada no começo de Janeiro.
Grato Pela Atenção,
Guilherme”

Vamos lá.?
Luca já respondeu, dando uma boa dica, de quem sabe:
“Guilherme,
Tem um hotelzinho fofo e simples do lado da minha casa chamado hotel Santa Teresa que cobra uns R$120-150 a diária (um albergue na zona sul vai te custar, no mínimo, uns R$ 35). É no Bairro Peixoto, que é dentro de Copacabana, mas é uma região super calma, perto do metrô e da praia.”

Lá embaixo eu deixo mais quatro sugestões, reaproveitando um post antigo sobre este mesmo tema.
Outro lugar legal é o Castelinho 38, em Santa Teresa. Custa entre R$ 170 e R$ 370 e é um lugar charmoso e bem cuidado, com internet gratuita o que, hoje em dia, é algo bastante desejado por muita gente.
Também em Santa Teresa, a Pousada Pitanga. São apenas quatro apartamentos, com preços entre R$ 160 e R$ 200.
Se quiser ficar na Zona Sul, recomendo alguns albergues. Quase todos têm quartos individuais, perfeitos para casais.  E estão bem localizados, como A odveture Hostel, Albergue Hostel Ipanema, Crab Hostel, Ipanema Beach House,, Rio Hostel Ipanema e Terrasse (leia mais lá embaixo), todos em Ipanema, e Best Rio Hostel, Che Lagarto e Rio Backpackers, estes três em Copacabana. Esses são os bairros com mais albergues. O Che Lagarto, por exemplo, tem duas unidades no Rio, uma em Ipanema, outra em Copa. Santa Teresa já tem vários. E o Leblon já começa a ter os seus.

Para encerrar, republico um texto que fiz para o outro blog, incluindo uma colaboração para a edição internacional da National Geografic, há pouco mais de um ano.

“Mais um da série você pergunta e eu respondo.
O Paulo pediu no post passado: “qquer dia vc podia fazer um post sobre hotéis e pousadas bacanas no Rio e em Búzios”.
Posso, sim Paulo.
Hotéis bacanas há de todos os tipos e preços. Preferi fugir um pouco dos óbvios Copacabana Palace, Fasano, Sofitel e outros medalhões sobre os quais tanto já se falou, se fala e ainda se falará. Aliás, já que falamos em hotéis, em maio o Hotel Glória (na foto) fecha para obras. O mais novo investimento de Eike Batista deve ficar dois anos em reformas. Nas últimas visitas ao Rio, Lula – normalmente fiel ao Sofitel aqui e em São Paulo – tem se hospedado lá.
Como um projeto desse não se sustenta sem uma guaribada também no entorno, esperamos que a obra contemple a Glória como um todo. Seria ótimo para a cidade. Porque a Glória, assim como o vizinho Catete (sede da República por décadas,cenário do suicídio de Getúlio), por exemplo, são bairros importantíssimos para a história do Rio que andam muito maltratados ultimamente. Mas há esperança de que uma revitalização como a da Lapa aconteça. O Hotel Glória by Eike é um ótimo começo.
Mas, voltando às dicas de hotéis que o Paulo pediu, prefiro aqui ir destacar o custo-benefício, as novidades e os segredos que não estão nos guias. Aquela coisa BBB: bom, bonito e barato.
Com esse propósito, fiz há pouco tempo uma listinha para a National Geografic Traveler que reproduzo agora.
E, aliás: o Hotel Glória não tem nada com a lista abaixo. A reforma deve trazer de volta os dias de glória (perdão pelo trocadilho infame). O hotel vai reabrir certamente bom e bonito, mas não barato. Chegará para competir com Fasano, Copacabana Palace, Sofitel, Marriot… Ou você acha que o Eike tá de bobeira?

Terrasse Hostel – Um dos mais novos hostels de Ipanema, fica na esquina da Farme de Amoedo com Prudente de Morais, no epicentro do quadrilátero gay, mas a freqüência não se resume a homossexuais. No prédio muito simpático e bem localizado, a apenas uma quadra da praia, há quartos coletivos (R$ 40 por pessoa) e privativos (a partir de R$ 50 por pessoa). O preço inclui café da manhã.
Rua Farme de Amoedo, 35 – Ipanema – Rio de Janeiro
Telefone.: (21) 2247-6130
www.terrassehostel.com
Ouro Verde – De frente para a praia de Copacabana, num charmoso prédio art-déco da década de 50, um emblema do bairro tombado pelo patrimônio cultural da cidade. Parece até South Beach, na Flórida. Reformado recentemente, ganhou luzes na fachada e um novo restaurante. As festas com DJs estavam fazendo o maior sucesso, mas uma denúncia de bebidas falsificadas pôs água no chope do lado festeiro do hotel. As diárias dos apartamentos de frente para o mar para casal custam desde R$ 240 (com café).
Av. Atlântica 1.456 – Copacabana – Rio de Janeiro
Telefone.: (21) 2543-4776
www.dayrell.com.br/ouroverde
Pousada Girassol – Uma pousada em Copacabana? Pois é, existe. Fica
numa pacata vila bem no meio do burburinho da Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Lá dentro, nem parece que estamos no Rio: o clima é de pousadinha do Nordeste, com atendimento cordial – os próprios donos atendem os clientes.  Diárias custam R$ 110 (para uma pessoa), R$ 140 (duas), R$ 160 (três) e R$ 170 (quatro), com café da manhã.
Travessa Angrense, 25 A (entre a Raimundo Correa e a Santa Clara)  –
Copacabana – Rio de Janeiro
Telefone.: (21) 2256-6951
www.girassolpousada.com.br
Íbis/Formule 1 – As duas bandeiras populares da rede Accor inauguraram as primeiras unidades cariocas. Ficam bem no Centro da cidade, a um passo da Lapa. Traduzindo: são excelentes para os que querem quer curtir a noite e não tão boas para quem o propósito é só praia (mas cabe lembrar que a zona central é bem servida de transporte público e em apenas 20 minutos de ônibus você chega em Copacabana). No Íbis, cada quarto custa desde R$ 119 por noite (para até duas pessoas), enquanto no Formule 1 sai a R$ 99 (para até três pessoas) – o café é cobrado à separadamente. Há ainda uma outra unidade na Rua Marechal Câmara, 280 (21 3506-4500), também no Centro, a 200 metros do aeroporto Santos Dumont.
Rua Silva Jardim, 32 – Torres 1 e 2 – Centro – Rio de Janeiro – RJTelefone:  (21) 3511-8200
www.accorhotels.com.br”

Pérgula, do Copacabana Palace: o melhor brunch do Rio

13/12/2009 por brunoagostini

Salão do Pèrgula: almoço de domingo a R$ 170. Será que vale?

Por ordem de chegada, vamos começar com o pedido do Caio. Dicas de brunchs no Rio. “Nessa minha estada aí no Rio nesse verão eu quero provar todos os brunchs da cidade aos domingos: Intercontinental, Marriott, Sofitel, Copa etc.
Alguma dica?”

A primeira dica que eu daria é: em vez de provar todos, que tal ir só o melhor, pelo conjunto da obra?  Guarde os demais domingos para outros programas.
Eu sugiro apenas o brunch do Copacabana Palace. A tarde do domingo é uma das melhores oportunidades de visitar o hotel. É caro, custa R$ 170 por pessoa – de garganta seca. Ou seja, só para entrar você gasta R$ 200, considerando os 10%. Com uma garrafinha de espumante, a conta vai dar, pelo menos, R$ 500 para um casal.
Mas acontece que o Copa é o Copa, não é verdade?  O Pérgula fica de frente para a piscina mais famosa do Brasil. Se a tarde não estiver tão quente vale a pena escolher uma das mesas externas, para poder ficar acompanhando o movimento. Comer ali é sem dúvida um charme.
Depois que se tornou chef executivo do hotel, coisa recente, Francesco Carli cuida também do Pèrgula. Assim, além de criar pratos novos para o cardápio, ela supervisiona a produção do brunch dominical, o que por si só já deve ter melhorado um pouco a qualidade da comida servida ali. Francesco é craque.
Incluindo frios, pratos quentes e sobremesas, a lista de pratos pode chegar a uns 100. Só de quentes são uns 20. As saladas variam.
O mesão de mármore acolhe as muitas saladas, queijos, pães, embutidos e frios. O melhor a se fazer é explorar o setor de peixes e frutos do mar. Ótima fama têm o salmão. Suas ovas e as lâminas defumadas estão entre as melhores maneiras de se começar a farra. Salada de frutos do mar e ostras frescas quase sempre estão na lista. A seleção de queijos é ótima.
Em datas especiais, como Páscoa e Dia das Mães, o preço pode subir um pouquinho, até uns R$ 200, mas aí passa a incluir bebidas, geralmente (pelo menos uma tacinha de espumante).
O brunch rola do meio-dia e meia às 16h30. E mais informações você pode obter ligando pro 2548-7070.

E, se precisar indicar mais um brunch, vá no Sofitel, servido no restaurante Atlantis, ao lado da piscina, com agradável vista para a orla de Copacabana. Este é bem mais barato, quase metade do preço: R$ 90, ou R$ 99 com os 10%. Também vale, mas se for para escolher um, seria o do Copa.

Colocando a correspondência em dia

13/12/2009 por brunoagostini

Piscina do Copa: uma das razões para se investir no brunch do Pérgula

Aproveitando o domingo chuvoso, hoje é dia de colocar a correspondência em dia. Este é o primeiro post de uma pequena série, respondendo as perguntas que chegaram na caixa de comentários nos últimos dias.

Vamos ver se é só isso mesmo?
- Brunchs na cidade, pergunta do Caio (que também vai ganhar um post sobre a Escola do Pão).
- Hotéis baratos, dica para o Guilherme Biazzi Nogueira.
- Ceia de Natal, para o Nuno

Alguém aí tem mais alguma pergunta? Ficou alguma dúvida para trás?

O Caio escreveu: “Nessa minha estada aí no Rio nesse verão eu quero provar todos os brunchs da cidade aos domingos: Intercontinental, Marriott, Sofitel, Copa etc.
Alguma dica?”
Já adianto que minha sugestão é o Copacabana Palace (na foto). Já explico porque no post seguinte.

Guilherme perguntou: “O Meu Caro Amigo Bruno,
Estou louco à procura e hotéis bons e baratos no Rio de Janeiro. Será que poderia me ajudar ?! Estou indo com a minha namorada no começo de Janeiro.
Grato Pela Atenção,
Guilherme”

E o Nuno pediu: “Bruno
alguma sugestão legal para jantar do dia 24/12?casal nos seus 40 e duas filhas adolescentes…coisa descontraída…
Valeu”

Começamos com os brunchs, depois falamos dos hotéis baratos e ceia de Natal. Terminamos com o café da Escola do Pão.

Combinado?

¡Venga!: me voy

12/12/2009 por brunoagostini

O ambiente é charmoso, com latões de azeite, pôsteres, castanhas e conservas de todo o tipo, lembrando um armazém

O balcão refrigerado da Adega Pérola, com suas dezenas de acepipes frios, era o que o Rio tinha de mais próximo dos bares de tapas da Espanha – conceito que, aliás, é uma febre mundial. Mas desde a última semana a coisa mudou. O que temos agora de mais parecido com a filosofia do tapear é o ¡Venga!. Parecido, não, praticamente igual. A simpática (e aguardada) casa abriu as portas na última terça-feira, na rua Dias Ferreira, no Leblon. O pequenino bar de tapas tem uma proposta que me pareceu muito acertada à primeira vista, da decoração ao cardápio e carta de bebidas.
Não fui só eu que fiquei curioso para conhecer o lugar. Na noite de sexta muita gente teve a mesma ideia. A porta e a calçada estavam lotadas de pessoas esperando mesa, tapeando e dando uns tragos. Tal como numa daquelas portinhas típicas da Espanha, seja em Barcelona, em Granada ou em Sevilha. O serviço, como costuma a acontecer nos primeiros dias de funcionamento, estava um tanto confuso, mas a simpatia dos garçons compensa essas falhas. Os sócios, pelo menos pareciam ser os sócios, ajudavam no trabalho, interessados em saber como estavam se saindo as coisas. Diante disso tudo, vejo um futuro muito promissor para eles, que podem desde já contar comigo como cliente. Lembrei até do Caymmi:: “Ustedes ya fuiste a España, chica? No? Entonces, Venga!”.

Pincho frio de sardinha com uma tacinha de Jerez: perfeito

O cardápio é bem autêntico, explorando os clássicos do tapeo, principalmente os da Andaluzia e da Catalunha. São quatro seções distintas: “Para empezar”, “Seguiendo”, “Y aún tienes que provar” e “¿Quieres algo dulce?”. No primeiro setor, azeitonas recheadas com anchova (R$ 5,80), jamón Pata Negra (R$ 38,50), queijo manchego (R$ 27,70), gazpacho (R$ 6), pão com tomate, azeite e flor de sal (R$ 5,90), o popular pan con tomate. A pedida para este circuito é uma taça de Jerez, que vai bem com tudo o que é salgado, acompanhamento mais popular na Espanha (leia mais neste post aqui). O gazpacho, receita dificíl que mesmo na terra de Cervantes às vezes se apresenta pesada, estava – na medida do possível – leve e fresco.

Seguiendo: as batatas bravas, um clássico apimentado

A segunda parte é a mais extensa do menu. A fidelidade às casas de tapas espanholas se confirma. Não há qualquer concessão a estrangeirismos.

Pulpo a la gallega: com batatas e páprica, um clássico espanhol

Pulpo a la gallega (com batatas e páprica picante, a R$ 15,90), croquetas de jamón (com presunto serrano e emmenthal, R$ 4), patatas bravas (picantes, como o nome leva a crer, a R$ 10,80), tortilla (R$ 8), espárragos a la plancha (aspargos grelhados com ovo poché, azeite trufado e crisps de presunto serrano, a R$ 12,80) e sardinhas em escabeche (R$ 10,40) compõem uma lista de 16 variedades de tapas bem autênticas.

No bar são listados os pinchos do dia. Pinchos são os primos catalães da bruschetta italiana: uma fatia de pão recebe coberturas variadas, que podem ser frias ou quentes

No balcão do bar, a cada dia, são listadas mais algumas – fique de olho no quadro.

Pincho de salada de ovo com uma presuntinho cru: lista muda todos os dias

Ali estão listados os pinchos, que são fatias de pão com coberturas variadas, como esta aí de cima, a salada de ovo…

Pincho de chistorra com cebola caramelizada: bonito de gostoso

… e esta outra, chistorra  com cebola caramelada.

A bomba (R$ 4), um bolinho de batata recheado com filé mignon picante, estava bom de sabor, mas com o recheio ainda frio, fruto de uma fritura inadequada. Os aspargos vieram em bom ponto de cozimento, assim como o ovo, com gema mole, mas a quantidade de presunto decepcionou a mesa. Penso que sejam problemas facilmente superáveis quando as engrenagens da casa estiverem azeitadas. Eu, pessoalmente, só senti falta dos chipirones a la plancha, que tanto me fizeram feliz nos bares de Sevilha e de Granada (chipirones são lulas atarracadas, gordinhas e pequenas, muito macias e saborosas, campeãs de público nos bares de tapas espanhóis, quase sempre servida com uma maionese caseira com ervas). No capítulo “Y aún tienes que probar” estão as poucas receitas que fogem, um pouco,  do tradicional. Provei o pincho moruno (R$ 12,90), um saboroso espetinho de filé de porco com chutney de acerola, de carne muito macia e um molho levemente cítrico e doce que caiu muito bem. A brocheta de gambas leva geléia de pimenta e hortelã (R$ 18) e a  flauta de salmón (R$ 17) remete aos nórdicos, misturando este peixe marinado, com ovo cozido, creme azedo e broto de trevo.

Helado de turrón: para encerrar o circuito adocicando a vida

Nas sobremesas quatro opções 100% espanholas: helado de turrón R$ 14,80), chocolate com churros (R$ 11,50) e crema catalana (R$ 11,50), além de um chocolate com azeite e flor de sal (R$ 12), explosiva união de sabores fortes, apresentado como que uma homenagem aos grandes chefs do país, como Ferrán Adrià, chegados nessas subversões.
Falando no mentor do El Bulli, que promoveu – ao lado de muitos compatriotas – uma revolução na gastronomia mundial, ele é um dos tem destaques da carta de bebidas. Entre as cervejas espanholas figura a Estrella Damm Inedit, que tem espírito (e preço) de vinho, desenvolvida pelo catalão. A garrafa de 750 ml custa R$ 53 e é servida em taças especiais. Sangrias tinta (R$ 36) e branca (R$ 32), água de Valencia (R$ 25), uma combinação de espumante, suco de laranja e licor de laranja, carregam nas tintas espanholas as bebidas. No outro lado da carta, os vinhos. Com duas exceções (os brasileiros Maximo Boschi Merlot 2000, a R$ 58, e o branco Cavalleri 2007, de R$ 48), são todos espanhóis, com sugestões não tão óbvias, como a Cava Juvé y Campus 2005 Brut (R$ 148), um exemplar safrado da melhor estirpe. Entre os tintos, o Infinitus 2006, de Castilla, e até um rótulo do Priorato, a região vinícola mais falada na Espanha neste momento, o Perinet 04/05, a R$ 298. Teoricamente deveria haver uma boa seleção de vinhos em taça, oito no total. Mas nos primeiros dias de funcionamento você sabe como é, né? Na sexta havia muito poucos disponíveis. Mas a gente sabe que com o tempo as coisas se  ajustam. E também faria um bem danado haver mais alguns rótulos de Jerez, que são a melhor companhia para as tapas, na minha opinião.
Essa coisa de tapas chegou com força ao Rio.  A turma do Miam Miam também acaba de inaugurar um bar de tapas, ali onde Botafogo encontra o Humaitá, chamado Oui Oui. E o ¡Venga!, com uma proposta muito bem amarrada, tem toda a pinta de que vai virar franquia. Espero que sim. Ipanema bem que podia ser a próxima investida. É só colocarem a luminária vermelha com o nome ¡Venga!, que eu me voy…

Publicado em 3/5/2009

O Rio de helicóptero

11/12/2009 por brunoagostini

O cristo visto do helicóptero, com a Lagoa e o mar ao fundo: o que dizer?

Aproveito para republicar aqui no blog uma matéria sobre passeio de helicóptero no Rio, que fiz para a Viagem e Turismo este ano. É muito oportuno, aliás, o assunto. Porque o Rio se candidatou neste 2009 a Patrimônio Mundial da UNESCO numa nova categoria: Paisagem Cultural. Nela não bastam as belezas naturais, mas é preciso haver as intervenções humanas. Poucas cidade do mundo foram tão mexidas. A Floresta da Tijuca, por exemplo, foi totalmente replantada. Boa parte da orla de Copacabana e do Aterro do Flamengo foram áreas tomadas do mar. Quase toda a orla da cidade passou por aterros e redesenhos, a Lagoa ganhou a forma de coração que se vê do alto depois de perder parte do espelho d’água – para quem não sabe, ela ia quase até o Jardim Botânico, toda aquela área foi aterrada. Muitos morros, como o do Castelo, foram derrubados. Assim, o Rio foi moldado pelo homem em cima de um cenário incrível Muito da beleza (e também das mazelas) do Rio tem a mão do homem. Não há lugar melhor para observar como esta cidade é bonita, como ela foi modificada ao longo dos tempos, do que do alto. O passeio de helicóptero nos ajuda a compreender o Rio – e a amá-lo cada vez mais.

Vamos ao texto?

“Chegou a minha vez. É bastante animador ver a cara, meio abobalhada meio incrédula, dos passageiros que descem do pequeno helicóptero, com capacidade para quatro pessoas, incluindo o piloto, à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas. O motor nem é desligado e as hélices não param de girar. Corremos com a cabeça abaixada. Dá uma emoção. Atrás de mim sobe um casal de portugueses. Ao meu lado direito, o piloto Leandro Monçores, que é a cara no atacante Nilmar, do Internacional.     
Apertamos o cinto. Desgarramos rapidamente do chão e logo estamos no meio da lagoa, quase sobre a Árvore de Natal então recém-inaugurada – era uma manhã ensolarada de dezembro. A subida vertiginosa dá um friozinho na barriga, talvez medo, talvez deslumbramento, mais provável a combinação dos dois sentimentos. Com tanta cara de bobo quanto os turistas que vi sair momentos antes, tenho o Rio aos meus pés. O piso de acrílico, embora distorça e embace um pouco as fotos, favorece a apreciação da cidade. Tenho praticamente 90° de visão, à esquerda e à frente – e também para baixo e para cima. Não é preciso mais que isso. Me senti, por instantes, mais importante que o Lula, o Sergio Cabral e o Eduardo Paes juntos: sou o Rei do Rio.     
Vamos acompanhando o traçado reto do canal do Jardim de Alah, voando exatamente sobre a linha divisória do Leblon e de Ipanema. Ao longe vemos as montanhas de vegetação luxuriante que cada vez mais dão espaço aos barracos das favelas. Do alto percebemos que a Rocinha, o Vidigal, a Chácara do Céu e a favela Parque viraram um só complexo, gigantesco, amedrontador. Já alguns metros mar adentro, tornamos à esquerda num movimento agradável que inclina a aeronave. À medida que aumenta a velocidade o mesmo acontece com a beleza do cenário. À direita, as Ilhas Cagarras, o farol e os navios que esperar a hora da traçar na Baía da Guanabara. À esquerda, Ipanema, seus prédios, areias e favelas na divisa com Copacabana. Abaixo de nós, uma dezena de traineiras pescando lulas. Dessa vez não deu inveja dos que tomam sol na piscina do hotel Fasano. Rá rá rá. O único incômodo é o barulho que, na verdade, nada atrapalha.      
Invadir Copacabana pelo alto é um momento triunfal. Primeiro o Arpoador e suas pedras ficam para trás, depois o Forte e seus canhões prateados que apontam o oceano. Então somos os senhores da Princesinha do Mar. Sei que ninguém reparava em mim, mas acenei para banhistas, jogadores de vôlei e surfistas. Não estávamos tão alto, as pessoas não eram formiguinhas. Tentei identificar conhecidos – em vão, claro. Achei que fiquei meio narcotizado pelo que via. Estava abestalhado mesmo. Olhava um pouco, fazia uns cliques, dava um sorriso feliz. Olha ali as mesinhas da Confeitaria Colombo do Forte. Os barquinhos da colônia de pescadores do Posto. Ih, até a estátua do Drummond deu para ver, como sempre rodeada de turistas fotógrafos. Do alto o calçadão do Burle Marx fica ainda mais belo – e só dessa maneira podemos perceber os contornos modernistas do canteiro central, geralmente privilégio dos que moram nos andares mais altos dos prédios da Avenida Atlântica. O ruim é que tudo passa muito rápido – nem com o zoom da câmera consegui ver quem era a moça que tomava sol na piscina da cobertura do Copacabana Palace. Se lá embaixo há trombadinhas, prostitutas e camelôs, do alto Copacabana é a imagem da perfeição, uma riviera tupiniquim.      
Para tirar fotos lanço mão da abertura na porta. Nem dá para chamar de janela, mal cabe a lente da câmera – em voos especiais eles podem tirar a porta para filmagens, trabalhos fotográficos e mesmo para fazer uma chuva de pétalas de rosa, me informa o piloto ao ouvir minha queixa. Foram as fotos mais fáceis da minha vida, apesar do empecilho. Para onde apontasse a câmera a imagem ficava bonita, lembrando aquelas panorâmicas das novelas do Gilberto Braga e do Manoel Carlos. Ser fotógrafo assim é fácil. Mas uma foto é só uma foto, um recorte. O barato do voo é ter o todo. A foto não dá a dimensão do voo. Eu já tinha visto tantas. Mas nunca antes tinha ficado daquele jeito – melhor que isso só mesmo o voo de asa-delta partindo da Pedra Bonita.      
Quase sem que eu reparasse, ocupado em ver, colamos no Pão de Açúcar. Contornamos a pedra nua do Morro da Urca e pousamos no heliponto. “Vamos abastecer rapidamente. Vocês devem descer por razões de segurança”, disse Leandro.     
Pulamos do helicóptero e passamos agradáveis momentos a observar a vista, de um lado Copacabana que momentos antes era toda nossa. Do outro, a Enseada de Botafogo, nosso próximo passo, imaginei. Obrigado pela surpresa, não sabia do abastecimento. Se puder escolher um vôo com ou sem abastecimento, escolha o primeiro. Os turistas que subiram de bondinho ficam em polvorosa, tiram fotos de mim como se eu fosse um astro de cinema. Até acenam. Vão sair dali, garanto, direto para o guichê da empresa. Se vão voar, não sei, porque não é barato. Mas que a paradinha para reabastecimento é uma bela ferramenta de marketing para eles, isso é.      
Dali viajamos pela primeira vez por sobre a cidade de concreto depois de passar pela Lagoa, pelo canal e então o mar. Ganhamos a Baía da Guanabara para, depois, passarmos sobre os prédios do Centro deixando para trás o Hotel Glória (Eike, compraste um belo imóvel, heim. Já vi até o seu heliporto lá na cobertura a garanto que você curtir chegar ao trabalho voando). Depois o Outeiro, o Monumento aos Mortos da Segunda Guerra e o MAM e o Santos Dumont. Fazemos um traçado quase que exato sobre as duas vias principais do Centro. No sentido contrário ao trânsito caótico lá embaixo, atravessamos a Avenida Rio Branco, começando pela Cinelândia. À altura da Candelária mais ou menos seguimos a Presidente Vargas. Passamos ao lado da Central do Brasil. Agora é o Maraca, que já se pode ver ao fundo. Para um flamenguista, o templo maior do futebol. Nos aproximamos pelo lado da Mangueira, a estação primeira, seguindo uma hipotética linha de trem aérea. Não resisti e cantei, em pensamento, Cartola e alguns gritos de guerra do Flamengo. Damos um giro completo no estádio – como deve ser isso num dia de jogo (sim, eles voam nos dias de jogos). “Ó, meu Mengão, eu gosto de você…”.         
E então iniciamos uma outra subida, quase tão vertiginosa quanto a decolagem. Como que num roteiro de cinema, o clímax acontece perto do fim, uma reviravolta total que nos desperta da narcose que a paisagem causa. Vamos subindo pelas encostas, alcançamos a corcova da montanha (daí vem o nome Corcovado, sabia?), que perde a cobertura vegetal para exibir a pedra, o famoso dorso rochoso. Num movimento rápido alcançamos o cume. Como uma cortina que se abre para baixo, o cenário se apresenta: é o nosso ponto de partida, a Lagoa, Ipanema, Leblon, o arquipélago das Cagarras, Jardim Botânico, a Pedra da Gávea, ao longe.     
Estamos na altura da coroa do Redentor. Um outro helicóptero está no lado oposto (dá para ver no canto superior esquerdo da foto), cara a cara com o monumento. Logo estaremos como eles, mas temos que esperar – pois é, tem engarrafamento no céu, isso eu não sabia. Mas, neste caso, esperar é bom, muito bom. Porque dá tempo de respirar e refletir – o que, diante da paisagem, não acontecera até então. É tudo tão bonito que você não pensa em nada. Dá para perceber como a cidade cresceu ganhando espaço do mar e das lagoas, em parte aterrados, e derrubando morros.
Ainda pensando sobre o urbanismo carioca contornamos a estátua, temos a cidade inteira escancarada por todos os lados. Nada impede a nossa visão do todo. Niterói, a ponte, as lagoas da Barra, vemos tudo. É um triunfo. Quando temos em primeiro plano o Cristo e ao fundo a Zona Sul, estamos ao vivo e a cores no principal cartão-postal da cidade, talvez a imagem mais emblemática do Rio e do Brasil. Para deleite as manobras são lentas, para apreciarmos com calma os mais belos momentos do passeio. Olhando nos olhos do Cristo, como só se pode fazer dali, agradeci.      
Só quando começamos a descida aceleradamente me dou conta que já estamos perto do fim. Ainda rodo a cabeça procurando novos ângulos. Dou o último suspiro, faço o último clique. Num movimento rápido, mas macio, tocamos o chão. Acabou.  
 No fim passaram-se apenas 15 minutos, talvez um pouco mais por conta da parada no Morro da Urca.       
Foram, talvez, os momentos mais incríveis da minha vida. Os mais longos, certamente. E os mais lindos também. O Bruno que desceu do helicóptero acha o Rio bem mais bonito que aquele que subiu. Do alto, a cidade ainda é maravilhosa. Mas dá um certo medo. Não do helicóptero, tudo me pareceu muito seguro. Dá medo da cidade acabar. Ali no alto, descendo em direção ao fim do passeio, sabendo que tudo estava acabando, bateu uma sensação estranha. Não era só o meu voo que estava acabando, mas muito da beleza do Rio também. O crescimento desordenado das favelas, visto daquele ponto, no alto das montanhas, é assombroso. É impressionante até onde chegam os barracos, dependurados nas encostas, e como pode alguém viver neles. Por outro lado é animador observar que ainda há muita floresta de pé. Os contornos da cidade, suas montanhas, praias e lagoas. Basta deixá-la assim que ainda está muito bom. Só não podemos continuar a torturar esta cidade.  

O QUE DIZEM OS TURISTAS
“A geografia da cidade, com os morros cobertos de vegetação luxuriante, as entradas no mar e as lagoas formam uma paisagem única no mundo, singular. Do alto as favelas são impressionantes, de perto é que é triste”.
Pedro de Moura Reis, português
“Do helicóptero temos uma visão macro. É impressionante, conseguimos entender a geografia da cidade”.
Patrícia de Lorena de Moura Reis, portuguesa   “Sou estudiosa do urbanismo da cidade. Fico encantada com a forma como o Rio se formou, os aterros que ganharam área do mar, os morros que foram derrubados, o reflorestamento do Maciço da Tijuca. O Rio é uma cidade criada pela mão do homem, embora todos achem que é tudo obra da natureza”.
Verena Andreatta, brasileira residente em Barcelona
“É absolutamente emocionante. O contraste da floresta com a cidade e o mar, ver as pessoas na praia”.
Elisenda Castellón Blanco, espanhola 
 
 SERVIÇOS ESPECIAIS     
Além dos nove roteiros apresentados pela Helisight, a empresa – que opera desde 1991 no Rio e desde 1972 em Foz do Iguaçu – também pode fazer alguns serviços especiais. Filmagens e “chuvas” de pétalas de rosa estão entre os mais procurados. Também tem fiel clientela o serviço de transfer para cidades como Búzios e Paraty e o transporte de executivos. “Já houve um turista que ficou uma semana com o helicóptero. Foi para Búzios, Foz do Iguaçu e Pantanal”, lembra Luis Carlos Munhoz, sócio da empresa O valor cobrado nesses casos é por hora: R$ 2.400. O transfer até Paraty, por exemplo, sai a R$ 4.800 e, para Búzios, R$ 4.400. Já a chuva de pétalas de rosa, se puder ser feito em vôo de meia hora, custa R$ 1.540.
Também é possível voar à noite: os helicópteros operam até 22h.  
 
HISTÓRIAS CURIOSAS     
“Muitos artistas e personalidades nos procuram: Pelé, U2, Romário, Dolph Lundgren. Em eventos corporativos e de incentivo o passeio de helicóptero é o ponto alto. Um dos nossos clientes é o Silvio Santos. Certa vez ele e a esposa voaram conosco. Estava acontecendo um Fla x Flu e cada um voou separadamente até o Maracanã. Primeiro o Silvio Santos, que é tricolor. Quando ele estava justamente sobre o estádio o seu time fez um gol. Em seguida o helicóptero voltou e pegou a mulher dele. Quando ela chegou lá em cima, pronto, gol do Flamengo, o seu time”, lembra Luis Carlos Munhoz.      
Pedidos de casamentos frente a frente com o Cristo são relativamente comuns. “Teve até casamento gay”, diz Luis Carlos. “Depois de casar na frente do Corcovado foram direto para o Morro da Urca”.     
Bebidas alcoólicas são proibidas a bordo. Mas há casos em que os turistas são recepcionados com champanhe. Muitas vezes os roteiros podem ser combinados com outros programas bem cariocas. “Faz enorme sucesso com os estrangeiros um roteiro que começa cedo. Os turistas saem de bicicleta do hotel e tomam café num quiosque da Lagoa. Depois pegam o helicóptero e voam até o Mirante Dona Marta, com voltinha no Cristo e tudo, o ponto alto de qualquer roteiro. Ali estão esperando os jipes que levam para um tour por Santa Teresa e o Corcovado”, diz Luis Carlos.   
 
SERVIÇO
São nove roteiros diferentes com preços entre R$ 150 (seis minutos) e R$ 875 (uma hora). “Se me perguntam digo que o de melhor custo-benefício é o número 6”, diz Luis Carlos Munhoz. Foi o passeio feito por esta reportagem. Custa R$ 350.
Todos os preços são por pessoa para grupos de no mínimo três passageiros.
São quatro helipontos: Lagoa, Morro da Urca, Mirante Dona Marta e Píer Mauá (só na temporada de cruzeiros).
Helisight – www.helisight.com.br; (21) 2511-2141 e (21)2542-7895; C.C: todos; CD: todos.”

Publicado em 6/5/2009