Rio de Janeiro a Dezembro entra em recesso para reformulação

25/02/2014

Amigos, infelizmente não tenho conseguido fazer posts com a frequência que um blog exige. De modo que, por ora, vou deixar este querido espaço sem atualizações até que consiga reformular as minhas atividades.

Agradeço de coração as visitas, que eu espero continuem acontecendo, já que o blog continua no ar neste momento de transição.

Por ora, vocês me encontram lá no blog Enoteca (http://oglobo.globo.com/blogs/enoteca/), nas páginas do Boa Viagem, da Revista O Globo e na edição digital,  O Globo a Mais, exclusiva para tablets, onde escrevo às segundas sobre vinhos, além do caderno Ela, com reportagens esporádicas, e em outras publicações para as quais eu colaboro, como Wish Report e Eatin’ Out, entre outras.

Obrigado pela ilustre companhia nesses quase cinco anos de blog, com 721 e quase um milhão de visitantes únicos. Foi sempre uma alegria escrever aqui.

Um forte abraço.

P.S. – Aproveito para deixar o link para o post mais importante deste blog, onde organizo todo o conteúdo. Para ler o “Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro”, clique aqui. 

Uma noite alla italiana na casa da Alessandra Sposetti, no Leblon: aula de cozinha, menu refrescante e alto astral

12/02/2014

Não é só aqui. Essa é uma deliciosa febre mundial. Na Europa, nos Estados Unidos, em vários países latino-americanos, no Caribe, no Brasil. Muitas pessoas abrem as cozinhas de suas casas para receber gente interessada em apredender receitas interessantes ao redor de uma mesa agradável, bebendo um bom vinho, papeando, ouvindo músicas e, é claro, fazendo um jantar participativo e descontraído.
Tem até um site ( http://www.eatwith.com/#!/ ) que lista vários desses cozinheiros, gente que ama a boa mesa e veste o avental de professor. Aqui no Rio, por exemplo, tem muita gente fazendo isso. A minha amiga querida Manu Zappa, que criou o Prosa na Cozinha (prosanacozinha.com.br), em seu apartamento do Leblon, recebendo gente bacana para aulas-jantares, que também podem acontecer na casa das pessoas. Tanto sucesso, que na semana que vem ela inaugura um café no Jardim Botânico, na rua Lopes Quintas, bem a lado da simpática loja Dona Coisa.
Outra amiga que organiza eventos do gênero é a Gueta Ridzi, do Dona Gueta (www.donagueta.com.br), que cozinha na casa das pessoas, ou em clubes e afins.
Na semana passada, finalmente conheci a Alessandra Sposetti, cozinheira italiana de mão cheia, que recebe pequenos grupos, às quintas e sextas, em seu simpático apartamento do Leblon. Na agradável cozinha aberta, junta a um mesão de madeira, o cardápio é sempre italianíssimo, seguindo as estações, os sabores do mercado. A trilha sonora embala os trabalhos, ao som – por exemplo – do italiano Rino Gaetano. Bravo!
Conheci a Alessandra através do Facebook, depois de uma reportagem que fiz sobre a Toscana (o link está aqui). Fiquei sabendo dos seus eventos caseiros, e depois ainda tive mais detalhes deles através de outra amiga, a Ligia Ghizi, amante da boa mesa e “food hunter” dos Destemperados no Rio de Janeiro, onde cultiva um delicioso blog.
As aulas acontecem às quintas e sextas, a partir das 19h30. Para mim, dias e horários são pouco convenientes, e assim levei mais de um ano até conseguir estar lá, pouco depois das 20h, ainda no comecinho do programa.
Perdi o início da preparação da sobremesa, sorbet de café, que mostro lá no final.

Alessandra Sposetti 1 - vinho

Aceitei logicamente o vinho que está incluído no preço (R4 140), que inclui a aula, a comida, a bebida, a trilha sonora e o clima descontraído.

Alessandra Sposetti 3 - mesa 2
Noite legal, e barata diante dos preços aos quais estamos acostumados por aí.

Alessandra Sposetti 4 - insalata
A primeira etapa foi a deliciosa salada de atum sotto’olio com feijão branco, temperada com cebola roxa, azeite, limão siciliano e uma salsinha picadinha, e um bocadinho de pimenta-do-reino moída na hora.

Alessandra Sposetti 5 - insalata 2

Delícia. Pra você ver só. Outro dia, comi a mesma salada no Satyricon, simplesmente no Satyricon, o melhor restaurantes de pescados da cidade. O da minha aula estava melhor.

Alessandra Sposetti 6 - pão
Pois vamos em frente, saboreando a salada com um copo do vinho, molhando o pão naquele caldo cítrico e saboroso, papeando, fotografando, filosofando.
A etapa seguinte era uma massa com lula, feita com molho de tomate-cereja, pimenta calabresa, vinho branco e azeite.
– Mas e como fazer pra lula não ficar dura? – pergunta a aula.
– Ah, tem que usar ela bem fresca. Pode congelar, mas tem que comprar fresca – respondeu a chef-professora, que compra os seus pescados no Posto 6, direto dos pescadores, e os ingredientes no Zona Sul, incluindo o bons vinhos servidos.

Alessandra Sposetti 7 - calamari
De fato, deixamos o molho apurar bom um bom tempo.

Alessandra Sposetti 8 - mesa 3Cozinhamos a massa al dente.

Alessandra Sposetti 10 pasta ai calamari

Um farfalle De Cecco. Al dente, claro.
E novamente brindamos com o frescor o catalão Mas Rabell, branco gostoso mesmo da família Torres.

Alessandra Sposetti 11 granita di caffè
Enquanto isso, era explicado novamente como se fazer a granita di caffè com panna (não sabia, por incrível que pareça, já que adoro o pannacotta, que panna é chantilly). Delícia refrescante, facílima de fazer.
Eu vou tentar em casa, com limão siciliano, sem chantilly. Só pra dar um refresco.
Esta semana o cardápio está apetitoso. Veja.
A entrada é a focaccia pugliese (focaccia da região Puglia, a base de farinhas de trigo e batatas).
O prato principal é o pesce del giorno al forno con patate (peixe fresco do Posto 6 assado ao forno com batatas e temperos). Para a sobremesa, sorbetto di limone (sorbê de limão siciliano).
Vou te falar uma coisa, baixinho. Cara, R$ 140 por uma noite dessas, com uma comida muito boa, alto astral, regada a vinho de qualidade e adequado ao menu, em local agradável assim, com trilha sonora da boa. Tá barato pacas.
Depois de ver umas fotos no Instagram (@brunoagostinifoto), a Ligia Ghizi, uma das “food hunters” cariocas dos Destemperados, me disse. “Bruno, tem que provar o gnocci ao ragu de pato”, ou algo assim.
Sempre quis aprender a fazer gnocci, prato que adoro e tenho imenso respeito. Faço um respeitável ragu de pato, modéstia à parte. Quer aperfeiçoar. Já me inscrevi na aula, que acontece ali pelo outono, quando o cardápio dá uma encorpada conforme os termômetros vão baixando.
Visitar a Alessandra Sposetti foi uma linda descoberta.

Se animou?
Fala com ela: 98137-4773 ou  alessandra.sposetti@gmail.com

Eu curti muito.

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Casa do Sardo: verdadeira cantina italiana em São Cristóvão, com comida boa e preços justos, um alento em tempos de Rio $urreal

04/02/2014

No ano de 2012 eu me encantei com os vinhos da Sardenha, a bela ilha italiana. Neste mesmo ano, em fevereiro, abria as portas, no bairro de São Cristóvão, a Casa do sardo, uma verdadeira cantina italiana. Passei o ano de 2013 inteiro escutando elogios a respeito do lugar. Não só porque a comida é boa, mas porque – em tempos de “Rio $urreal” – os preços são bem acessíveis (no final do post, o cardápio completo da casa).
Finalmente, na semana passada, fui visitar o lugar. Já que o intuito é economizar, embarquei no metrô e saltei na estação Afonso Pena, e peguei um táxi (ou seja, com R$ 15 cheguei lá). O ideal seria pegar a transferência para a Linha 2, e saltar na estação São Cristóvão, mas o calor me impediu.

Casa do Sardo - salão 1
Cheguei pouco depois do meio-dia, e o restaurante estava absolutamente lotado, com pequena fila de espera na porta.

Casa do Sardo - decoração

Acabei conseguindo uma mesa rapidinho, no canto, com vista para o salão, que tem decoração rústica, como convém a uma cantina.

Casa do Sardo - Vermentino di Sardegna
Para começar, um branco refrescante e bom de preço, o Vermentino DOC Sella & Mosca, vendido a R$ 66 na carta. Sa Sardenha, claro.

Casa do Sardo - bruschetta e vinho 2
Para a entrada, fui na bruschetta, com coberturas simples sobre o bom pão da casa. Fui nos clássicos, tomate e cogumelos.

Casa do Sardo - gnocchi
Era dia 29, não tinha me dado conta. Dia de gnocchi della fortuna. Como ando mesmo precisando de um dinheirinho, não pude evitar pedir a massa. Escolhi, assim, uma receita que está entre os pratos mais emblemáticos da Casa do sardo, segundo consta: o gnocchi di baroa ai gamberi e rucola, ou seja, nhoque de batata baroa com camarão e rúcola, um toque verde-amarelo, incluisve na cor do prato, no cardápio italiano do restaurante.
Estava muito bom, massa saborosa e bem cozida, um molho umedecendo o fundo do prato, os camarões de bom tamanho no ponto certo, as folhas de rúcula desmaiadas. Custou R$ 37. Considerando que o dólar está ali por volta de R$ 2,50, sai na verdade a R$ 34,50.
Satisfeito, pulei a sobremesa. E agora, preciso voltar. Saí de lá com vontade de provar muita coisa, novamente bebendo um vinho branco da Sardenha, como o ravioli di Sardegna “culurgiones”, uma massa fresca recheada com batata, pecorino e hortelã, ao molho de pomodoro; o tortelloni Casa do Sardo, “prato descrito pelo garçom”, segundo o menu, cuja descrição não ouvi, mas que já gostei; o risoto de camarão com aspargos; a aragosta alla catalana, um bem cotado prato de lagosta, feito apenas quando tem produto fresco (o que não é o caso de agora, tempo de defeso); o polpo alla marinara, feito inteiro, cozido no vinho branco, com azeite, salsinha, aipo e filé de tomate fresco, e o gamberoni innamorati, camarões tipo VG, envoltos em bacon e louro.

Casa do Sardo - salão 2
Restaurante bom é assim. E sai com vontade de voltar. Ainda mais com esses preços. Em tempos de Rio $urreal, uma Casa do Sardo é um alento. Comida boa, preços justos, serviço simpático e eficiente, em um lugar bacana. Não à toa, vem ficando lotado.
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Agora, o menu. Algumas fotos estão meio prejudicadas pelo reflexo, mas se pode ter uma boa noção do cardápio e seus preços (no final, uma pequena amostra da carta de vinhos, que acompanha a filosofia da casa, de cobrar preços justos). Para ampliar, clique na imagem.

Casa do Sardo - cardápio 1 - gnocchi

Página 1, gnocchi della fortuna, em cartaz todo o dia 29 (este mês não tem).

Casa do Sardo - cardápio 2

Página 2, antipasti e algumas massas.

Casa do Sardo - cardápio 3

Página 3,  mais algumas massas, e risotos.

Casa do Sardo - cardápio 4

Página 4, carnes, peixes e frutos do mar.

Casa do Sardo - cardápio 5

Página 5, saladas e pratos infantis.

Casa do Sardo - cardápio 6

Página 6, bebidas, exceto vinhos (logo abaixo), e sobremesas.

Agora, uma amostra da carta de vinhos (não fotografei inteira, só uma página de brancos e outra de tintos, para dar uma noção dos preços. Um dos destaques é a boa oferta dos vinhos da Sardenha, que andam em alta em todo o mundo.

Casa do Sardo - Carta de vinhos 1

Página 1, dos vinhos brancos.

Casa do Sardo - Carta de vinhos 2

Página 2, dos vinhos tintos.

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Peixes e frutos do mar brilham no menu de verão do D’Amici: sabor, simplicidade, leveza, frescor

29/01/2014

 

Nesses últimos dias, para a minha própria felicidade e alegria, tenho vivido à base de peixes, frutos do mar, espumantes e vinhos brancos, com algumas raras exceções, como um hambúrguer no Irajá ou um bife de chorizo na Parrilla, em Teresópolis. Tem sido assim desde meados de dezembro, quando o calor se instalou com força aqui nos trópicos, inspirando menus mais leves e delicados.
Quando salivo lembrando de pescados frescos, um dos primeiros restaurantes que eu penso é o D’Amici, um porto seguro para peixes e frutos do mar. Fazia uns dois anos que eu não ia até a simpática casa do Leme para comer a comida do chef Antônio Salustiano, que comanda a cozinha. Desde sempre, os peixes e frutos do mar estiveram entre as suas especialidades. Na semana passada eu almocei ali, e a primeira boa surpresa foi encontrar o jovem e competente sommelier Paulo Limarque, que eu havia conhecido há quase dois anos, no Guy.

D Amici 2 - Cave Geisse Nature

Competente mesmo, tanto assim que sugeriu um dos grandes espumantes brasileiros, o Cave Geisse Nature, gastronômico e elegante por natureza, para começar. Sempre digo que começar uma refeição com um champanhe é um bom indício do que virá a seguir. O mesmo vale para todos os vinhos da Cave Geisse, pra mim a mais importante vinícola do Brasil, mesmo diante do tamanha relativamente acanhado (foram eles que deram a maior projeção internacional aos nossos vinhos).

D Amici 1 - antipasti
Com ele na taça, cumprimos as duas primeiras etapas. O couvert, com pães quentinhos, que me fez extrapolar a minha cota de pizza bianca para aquela semana: crocante, delicada, saborosa. Evidentemente que também petisquei o pratinho com grana padano, mortadela, presunto de Parma e salame.

D Amici 3 - carpaccio trimare

Logo em seguida, o chamado carpaccio trimare, linda composição, com lula, polvo e salmão, temperados com azeite e ervinhas, e umas rodelas de aspargos. Belo prato, boa sacada. Repare só. A lula recebe o recheio do seu primo polvo e do salmão, para então ser finamente fatiada. Simples, fresco, saboroso, original. O prato entrou no cardápio de verão, e não sei até quando fica em cartaz.

D Amici 4 - salada de camarão com manga
Então, foi a vez da levíssima salada da camarões grelhados com amêndoas e manga, onde enxerguei três acertos fundamentais: o ponto de cozimento do crustáceo e o ponto de madurez da fruta, amarelinha, docinha, divina, além do toque crocante das amêndoas. Bingo! Outra receita da estação, com prazo indeterminado.

D Amici 5- bacalhau com feijão
Ainda bebíamos o Cave Ceisse Nature quando o próximo prato chegou. Uma salada de bacalhau com feijão, combinação clássica reinventada. O bacalhau, salgado como deve ser, com sabor intenso, os grãos íntegros, o tempero acertado.

D Amici 6 - Bouza Chardonnay
Na taça, um vinho de uma bodega querida, o uruguaio Bouza Chardonnay, puro refresco, um belo vinho desta uva, muitas vezes mascarada pelo uso excessivo da madeira. Beleza pura.

D Amici 8 - vermelho com endívias
Para encerrar, duas delicadezas. Uma marinha, outra francesa. Do mar, vermelho ao forno com alho poró, vinho branco e endívias era tudo o que eu precisava para um almoço de verão: sabor, simplicidade, leveza, frescor.

D Amici 7 - Mâcon-Villages

Para acompanhar com esses mesmos predicados (sabor, simplicidade, leveza, frescor), Paulo Limarque serviu um lindo Borgonha, o Macôn-Villages 2012 do Domaine Eloy, a glória para um dia quente. Mais um prato do menu de verão, que realmente está muito bom e de acordo com o clima da estação, tudo muito leve e fresco.
Éramos três, e fechamos o almoço divinamente incrível com um petit gâteau de goiaba servido ao lado de um sorvete de queijo. Romeu e Julieta em verão francófila com tempero italiano. Uma coisa assim, deliciosa, outro item fora do cardápio regular da casa. Saí de lá leve e faceiro, feliz e contente, levando um único peso na consciência: não posso, jamais, ficar dois anos sem ir ao D’Amici. Não posso mesmo. Jamais ficarei.

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Vem aí o Bonde do Becoza, uma van que vai percorrer os botecos do Rio de Janeiro na ilustre companhia de Juarez Becoza, colunista da revista Rio Show

28/01/2014

A famosa costela assada no bafo do boteco Cachambeer que eu posso apostar está entre os que serão visitados pela turma

A famosa costela assada no bafo do boteco Cachambeer que eu posso apostar está entre os que serão visitados pela turma

Meu amigo Juarez Becoza, colega de jornal O Globo, é um sujeito admirável. Colunista quinzenal de botequins da revista Rio Show, trabalha de maneira incansável em busca de descobrir os melhores botecos do Rio de Janeiro. Cidade e estado. Já tive a feliz oportunidade de acompanhá-lo em algumas dessas investidas, e posso garantir: ir a um botequim com ele é muito divertido.

Para este 2014 , ano promissor, ele apresenta uma novidade muito bacana, tanto para os cariocas quanto para os turistas que visitam a cidade. Novidade esta fresquinha que eu cumpro o prazer de divulgar.
Deixo o próprio explicar o que é o “Bonde do Becoza”. Eu, por exemplo, quero me programar para fazer o roteiro de Nova Iguaçu, que exige uma certa logística, não é verdade?

P.S. – A mensagem é do final de 2013, mas só descobri hoje a incrível novidade.

VEM AÍ O BONDE DO BECOZA! – Por Juarez Becoza

“Caros amigos, colegas e leitores:
Queria desejar um feliz Natal a todos e aproveitar esse momento de festa para divulgar mais uma: o BONDE DO BECOZA!
Entre janeiro e março de 2014, vou realizar saídas regulares para levar turistas e cariocas para passeios pelos botequins mais pitorescos do Rio.
As saídas serão em vans para até 12 pessoas, aos sábados e domingos, sempre passando por quatro bares. Em cada um deles, haverá uma seleção de petiscos escolhidos por mim e, claro, cerveja e refrigerante à vontade.
Serão quatro possibilidades de passeio, à escolha: uma pelos bares da Zona Sul, uma pelos botecos da Zona Norte, outra por estabelecimentos do Subúrbio e ainda uma quarta – esta para caçadores “avançados” de boteco – que rodará pés-sujos de Nova Iguaçu (sim, amigos, lá tem cada bar que tem te conto!).
Cada saída terá um preço fixo por pessoa. É entrar na van e não se preocupar com mais nada que não seja comer, beber e se divertir. No trajeto entre um bar e outro, água à vontade, pra reidratar, e histórias pitorescas sobre os bares, seus donos e frequentadores, que eu mesmo terei prazer em compartilhar. No fim da viagem, quem quiser leva pra casa uma brochura com a ficha completa dos bares visitados, o mapa do passeio e a reprodução das minhas resenhas sobre estes lugares, publicadas ao longo dos últimos dez anos no Globo.
É o BONDE DO BECOZA! A partir do dia 11 de janeiro!
Para mais detalhes e reservas, basta entrar em contato comigo aqui pelo Facebook ou diretamente pelos telefones: (21) 99375-7580 e (21) 3177-1068.
Um abraço, Feliz Natal e até 2014!”

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O menu omakasê do Irajá: Pedro de Artagão cria cardápio degustação autoral seguindo a filosofia japonesa, com muito peixe cru e pouca carne

20/01/2014
Omakasê é o tradicional menu degustação japonês. Pedro de Artagão é o chef do Irajá, em Botafogo. Sem fazer muito alarde, foi com este nome nipônico que ele batizou o seu novo cardápio, lançado no fim de 2013. Longe de ser uma sequência de pratos japoneses, o jantar segue alguns princípios fundamentais dessas refeições, encontradas por todo o país asiático, de Tóquio a Osaka, de Kyoto a Nagoya.
Tudo começa com pratinhos que primam pela delicadeza, com base em pescados crus, até terminar com um único serviço de carne, em pedaço não muito grande, como acontece no país asiático. No Japão é parecido: o início seria ao sabor de sushis e sahimis, finalizando com uma única receita carnívora – que nas boas casas do ramo da terra do sol nascente, invariavelmente é o Kobe Beef, ou pelo menos um bom wagyu. Assim, o jantar, mesmo longo, termina leve, feliz, memorável.

O menu custa R$ 260  e as harmonizações de bebidas, R$ 130 ou R$ 180 (que foi a nossa).
Esse encontro entre o Japão e o Brasil é um dos melhores menus em cartaz na cidade hoje. Um desses programas que a gente fica até desconcertado, desvendando os mistérios e delícias apresentados em cada prato, rememorando os sabores dias depois, indicando aos amigos gourmets. Foi uma das grandes refeições que fiz recentemente, combinação de leveza, delicadeza, pureza e equilíbrio, numa sequência arrebatadora, deliciosa, e valorizada pelos vinhos bem escolhidos pela Julieta Carrizo, sommelière que gosta de fugir do trivial.
Ao longo do jantar, lembrei do bate papo recente que tive com a minha cozinheira predileta.
- O Pedro de Artagão é um chef incrível. Adoro o trabalho dele, sensível, inteligente – disse-me no final do ano passado a chef Roberta Sudbrack, quando a entrevistava para uma reportagem sobre o seu novo livro, lançando neste começo de 2014 (para ler, clique aqui).
Para o jantar da semana passada, tudo começou nos últimos dias de dezembro, quando por conta de uma reportagem sobre a salada niçoise, publicada no Ela, eu estava trocando umas mensagens com o Pedro de Artagão, que numa delas me convidou para ir lá provar a novidade. Sabendo da nossa amizade e do nosso gosto comum pelos prazeres insanos da boa mesa, ele também chamou para a noitada o seu xará Pedro Mello e Souza, meu grande amigo, do site Talheres, Cheguei. Resolvemos fazer a segunda edição de uma experiência bacana: jantamos juntos o mesmo menu, escrevemos textos separadamente, para que sejam colocados no ar no mesmo instante (a estreia foi no Térèze: para ler, clique aqui).
- Sirvo sete ou oito desses menus desses por noite, no máximo, e nada mais. Faço questão de ir apresentar os pratos na mesa. Pode ser em mesas separadas, mas no máximo oito pessoas. Só podemos servir sob reserva, com três dias de antecedência, porque compramos muitos insumos só pra ele, e aí dependemos dos fornecedores – explica o chef.
Irajá 2 - caipirinha de maracujá com carambola e alecrim
Pois na noite de quarta, com o dilúvio se abatendo sobre a cidade, quase cancelamos. Mantivemos o programa, e fui o primeiro a chegar. Para esperar, uma caipira de maracujá com carambola e alecrim fresco,….
Irajá 3 - chips de aipim com manteiga de garrafa e grana padano
… servida com a irresistível travessa com chips crocantes de mandioca, com manteiga de garrafa e grana padano. Comi tudo, e não restou uma migalha qualquer.
Driblando as poças espalhadas pela Zona Sul e o trânsito que se instalou pós-temporal, os dois Pedros chegaram quase ao mesmo tempo.
Rufem os tambores. Toquem as trombetas. O show vai começar.
Irajá 1 - mesão
Grupos podem reservar a mesa colocada diante da cozinha, para facilitar a logística do serviço, e aproximar os comensais do chef e sua equipe. O jantar ganha ares de espetáculo, o vaivém na montagem dos pratos, os pedidos chegando através da voz dos garçons, que deixam as suas comandas e levam a comida pro salão.
Com o restaurante lotado mesmo com o dilúvio, nos sentamos no salão principal, nos fundos da casa.
Irajá 5 - vieiras com capuchinho
O primeiro ato, servido no canto do prato, redondo e branco, era uma composição florida e alaranjada: os capuchinhos escondiam vieiras e gomos de tangerina. Levando o trio à boca, tínhamos a cremosidade, os tons marinhos e o leve dulçor das vieiras, o amargor agradável das flores de capuchino e a suculência da fruta, cítrica e docinha. O prazer da simplicidade.
Irajá 4 - Joaquim
 A sommelière Julieta Carrizo contribuiu para o espetáculo, propondo uma harmonização de vinhos certeira, por vezes surpreendente. Para a primeira etapa, escolheu um espumante brasileiro, simples como o prato, sem grandes complexidades, mas leve, fresco e com acidez lá em cima, e borbulhas abundantes.
Irajá 6 - Lagostim com tomate e manjericão
O segundo prato também carregava o espírito zen, a filosofia nipônica do minimalismo e da execução perfeita. A estrela era um lagostim quase cru, fresco e já cortado em pedacinhos (não dá para ver, porque a montagem reproduziu a carne como se estivesse íntegra, mas, já fatiada, tinha as porções exatas para levarmos à boca).  Sobre ele, cubinhos de tomate bem maduro, folhinhas de coentro e um chá clarificado de tomate, bem condimentado, que teve efeito fundamental para tornar a receita ainda mais marcante, dando profundidade e persistência ao conjunto, bem picante e que contava ainda com uma farofinha crocante levemente adocicada, que dava um tapa no sabor e na textura.
Irajá 7 - Chablis Domaine de Vauroux
Para reforçar esse caráter marinho e delicado do prato, nada melhor que um Chablis como este do Domaine de Vauroux, pura alegria mineral, salinidade e frescor.
Irajá 8 - atum com tutano
Depois, um tijolinho de atum cru coroado por um naco de tutano, com brotinhos de beterraba, tiras finíssimas de rabanete, outra farofinha pra dar um crocantezinho e um molho tarê,  denso e rico, agridoce.
- O tutano é o novo foie gras – bem observou o Pedro Mello e Souza.
Depois de três pratos com pescados crus, para começar, fica ainda mais clara a inspiração na cultura gastronômica japonesa.
- É um omakasê filosófico – diz o Pedro em uma de suas visitas à mesa.
Irajá 9 - steak tartare com mostarda gengobre jus de vôngole e folha de couve
Continuamos nos crus. Com tempero marcante de mostarda e gengibre, enrolado em folha de couve e colocado numa poça de jus de vôngole, o steak tartare cortado finamente chegou como um elemento de transição. O mar deixa de ser a estrela dos pratos seguintes. Terra começa a brilhar.
Irajá 10 - burrata com quiabo jus de vôngole couve e gengibre
Assim, a próxima receita era uma burrata de enternecer, cremosa e fresca, salpicada de elementos terrestres: pedacinhos de quiabo defumado, chamuscado no fogo, brotinhos e azeite verde de manjericão. Foi um dos destaques, pelo sabor, equilíbrio e caráter surpreendente.
Para acompanhar, um Avondale rosé, sul-africano floral, com intensidade aromática, arredondando tudo, amaciando a receita, e surpreendendo este escriba, que escolheria um branco para o prato, sem sombra de dúvida. Gosto dessas subversões. Vivendo e aprendendo.
Irajá 11 - burrata com quiabo jus de vôngole couve e gengibre 2
Merece um close.
Irajá 12 - Pedro Mello e Souza em ação
Um cardápio desses, e ainda mais no Irajá, tem que ter uma receita reverenciando o ovo, esses ingrediente tão especial e versátil. No caso, era uma composição de enlouquecer. Na foto, Pedro Mello e Souza em ação, fotografando a finalização do prato.
Irajá 13 - ovo perfeito com costelinha crisp caldo de costela coentro pimenta dedo de moça
Um ovo daqueles perfeitos, gema mole, clara macia. Pedacinhos de costelinha de porco crisp (pode imaginar o que é isso?). Caldo denso e encorpado do cozimento de costela. Folhinhas de coentro. Pimenta dedo-de-moça picadinha. Acho que nem preciso explicar mais detalhes do prato, certo? Parece-me que a descrição basta.
Irajá 14 - ovo perfeito com costelinha crisp caldo de costela coentro pimenta dedo de moça 2
Se não bastar, mais uma foto há de ser o suficiente. A imagem mostra, ainda, a torradinha que acompanha, que podemos usar para furar o ovo, primeiramente, e depois para limpar o prato. O meu voltou limpíssimo para a cozinha.
Irajá - bochecha de cherne castanha-do-pará abacaxi confitado
Aí, como se fosse um clímax, um flashback, voltamos ao mar. Desta vez para saborear bochechas de cherne, com castanha-do-pará e um toque agridoce do abacaxi confitado. Um molho denso, untuoso e rico besuntava a carne do peixe, de sabor imenso.
Irajá 15 - Julieta servindo o vinho beb
Para acompanhar, mais uma pequena e deliciosa subversão, o tinto alentejano .beb, de Tiago Cabaço, leve, fresco e frutado, com espírito moderno, para ser servido mais frio que o habitual.
Irajá - mexilhões cozidos no sangue talharim com tinta de lula e creme fresco de crustáceos
Em seguida, mais mar, mais surpresa.
- Esse é o mexilhão cozido no sangue – anunciou o chef – emendando antes mesmo que eu perguntasse – Abro o marisco na marra, antes de cozinhar. Aí, ele solta um líquido de sabor intenso, que chamamos de sangue. Abro na marra e cozinho os mariscos ali, com aquele líquido, para realçar o sabor – conta.
O prato era pura celebração das iguarias marinhas. O talharim caseiro, delicado, tinha tinta de lula. O mar branco que serve de base era um creme fresco de crustáceos. O pozinho também vinha do mar. Era o chamado “coral”.
- São ovas de camarão secas e transformadas em pó – explica o chef.
Da terra, só umas refrescantes e delicadas folhinhas de manjericão.
Se estamos no mar, que o vinho venha de uma ilha. E o eleito pela Julieta foi o espetacular Tenuti Dettori Renosu Bianco, produzido na Sardenha, um desses vinhaços, dourado, intenso, complexo, salino e mineral, com acidez eletrizante e muita concentração. Feito com longa maturação com as cascas, é praticamente um orange wine insular, marcante, e com preço bom (custa uns R$ 100, na Decanter, e vale cada centavinho).
 Bravo!
Irajá 17 - Pedro de Artagão servindo e Pedro Mello e Souza fotografando
Quando chegou um prato de carne, eu já sabia que o jantar estava terminando. Seria o último curso entre os salgados. Como acontece no Japão. Artagão servindo, Mello e Souza clicando. Penso: ô, sorte esse jantar.
Irajá 18 - Costela 40 horas com saladinha ácida e farofinha de alho tipo oswaldo aranha
Pois bem. Era um peito de boi, wagyu, claro, cozido por 40 horas, em baixa temperatura, perdendo muita gordura, amaciando e concentrando o sabor. Depois, a carne foi à grelha, fogo aberto, como se fosse churrasco, para dar um crocante e um toque defumado. Para finalizar, foi glaceada no molho de seu próprio cozimento. Com tanto poder, untuoso, de sabor carnudo e toda a concentração do preparo, a potência do caldo de cozimento, os tostados, era preciso um toque de frescor. Assim, uma saladinha cítrica, ácida, foi o contraponto que a costela precisava.  O alto teor de gordura imediatamente nos remeteu aos cortes mais nobres do wagyu, dos bem marmorizados.
Irajá 19 - retângulo de tapioca com geleia
Brincadeirinha gostosa foi um pratinho entre o salgado e o doce que veio a seguir. Um bloco de tapioca crocante com uma geleia de frutas, compacta, feita com base em melancia e maracujá, quase um chutney.
Irajá 21 - Terrine fria de morango amora e framboesa com creme de polpa de maracujá
Mais frutas, para encerrar, como geralmente acontece no Japão. No caso, era uma terrine gelada, quase sorbet, um bloco delicado, fresco e saboroso, feito com maracujá, morango, amora e framboesa, coberto de florezinhas, ao lado de um creminho.
Irajá 20 - cachaça Fazenda Soledade Jequitibá
Com tanta delicadeza, a Julieta sacou da cartola uma pinga de alta qualidade, a Fazenda Soledade Jequitibá, curtida nesta brasileiríssima madeira.
E assim, curtindo a potência da pinga e o frescor das frutas, encerramos um memorável jantar de gala. Impressionante, delicioso, marcante.
Bourbon County
De lá, leves, felizes e inebriados, ainda fomos parar nas mesas do Delirium Café. Provamos cervejas especialíssimas, como esta magnífica Bourbon County, uma stout da pesada, amadurecida em barricas usadas na produção do tradicional destilado de milho dos Estados Unidos (a foto é do Instagram: @brunoagostinifoto). Uma doideira de cerveja. Mas isso é assunto pra outro post…
Para ler a crônica do Pedro Mello e Souza, clique neste link aqui.
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Fat Choi: um raro restaurante com cozinha de Macau, no Catete

19/01/2014

 

Mesmo em Macau, absorvido pela China em 1999 depois de 400 anos de colonização portuguesa, não é fácil encontrar restaurantes que servem a cozinha típica do período de influência lusa. Imagine no Rio de Janeiro. Pois no meio do ano passado abriu as portas, no Catete, bem perto do palácio e dos seus aprazíveis jardins, o Fat Choi, que vem apresentar aos cariocas essa culinária, que tem base chinesa, um toque europeu e algumas referências a Goa, outra antiga colônia portuguesa, na Índia, que fazia parte das rotas comerciais de Macau. Tem caril de frango. Também há receita africana, pela mesma razão, já que os portuguesas iam parando na costa africana, um frango picante

Fat Choi 6 - salão

Poucos restaurantes na cidade podem ser tão autênticos. O lugar é simples e barato, decorado com fotos de Macau, imagens bonitas, daquelas divulgadas por escritórios de turismo.

Fat Choi 3 - tanque de tilápias

Na entrada, um tanque de tilápias apresenta uma das principais iguarias do lugar nadando, nadando, nadando.

Fat Choi 4 - bufê

Ao lado, no almoço, um bufê apresenta boa parte do cardápio.

À primeira vista, a cozinha é mais chinesa que portuguesa. Não resta dúvida. Se alguém me falasse que aqueles pratos são da culinária chinesa eu acreditaria, com certeza.

Fat Choi 1 - sopa e chá

Abri o cardápio (no final do post, reproduzo todas as suas cinco páginas). E recebi duas cortesias, algo bem oriental. Um chá e um caldo de frango com couve e agrião. Mesmo com o calor senegalês de terça passada, aceitei as ofertas. Quem quiser, descobri depois, pode pedir o chá frio. Recomendo, à esta altura do ano.

Fat Choi 2 - cardápio digital

 

Também manuseei o menu digital, com as fotos, uma tradição da cozinha asiática, apresentar imagens dos pratos. Várias coisas me interessaram. Veja. Aos sábados, tem feijoada macauense e, aos domingo, arroz de bacalhau, traduzindo a herança portuguesa. Terça é dia de vaca estufada, nome totalmente lusitano. Ou seja, me parece que os pratos do dia são mais coloniais, enquanto o menu regular tem raízes um pouco mais chinesas.

Fat Choi 7 - wantan frito

Pedi um wantan para começar, os bolinhos fritos de camarão. Os pasteizinhos estavam muito bons, com recheio saboroso e massa crocante e sequinha, mas é preciso ter cuidado com o molho, muito salgado.

No setor das entradinhas, encontramos rolinhos primavera, tofu frito, espetinhos de lula e camarão e… bolinhos de bacalhau. Há sanduíche. Sim, prego no pão.

Para o prato principal, eu pensei, pensei, pensei… Várias coisas despertaram interesse. Mas como estava só, e sabendo que a cozinha chinesa é muito farta, fui dar um confere no bufê. Considerando que era uma primeira visita (já estava decidido a voltar), resolvi escolher alguns pratos dali, ainda que eu pessoalmente tenha desenvolvido certa antipatia a esse tipo de serviço, que prejudica muito o resultado final quando falamos de pratos quentes (para saladas, frios, queijos e embutidos, frutas e sobremesas, ok, mas para pratos quentes tenho mesmo preconceito: não gosto, e ponto). Mas acabei decidindo pegar um pouquinho de vários pratos. E percebi a cozinha com tempero caseiro, feita com atenção, em execuções bem acertadas. Reforçou minha vontade de voltar.

Fat Choi 8 - prato do bufê

Montei o prato com vários bocadinhos. Vamos lá: de arroz com ovo e cebolinha e costelinha agridoce; iscas de filé acebolado em molho agridoce; lombo cantonês; batatinha apimentada;  carne moída cozida no vinho do Porto com batatas (o minchi, que seria o prato mais tradicional de Macau, servido com ovo).

Fat Choi 5 - mesa

Há mesas grandes, para grupos de oito a dez pessoas, e salas privativas no andar superior, mais reservadas, para grupos, com direito a jogos tradicionais, mais usados pela comunidade de Macau no Rio (sim, existe até um clube, se não me engano, na Tijuca).

Fat Choi 9 - bolo menino

Para a sobremesa, há pasteis de nata da Arte Conventual, que eu adoro. Mas acabei escolhendo algo de produção local, o bolo menino, que não leva farinha na massa.

Com duas águas, minha conta deu R$ 34. E a experiência foi válida, e bem interessante. Eu recomendo.

 

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Agora, o cardápio.

Fat Choi 10 - cardápio 1

Página 1. Petiscos, entradas, sanduíches, caldos e sopas.

Fat Choi 10 - cardápio 2

Página 2. Pratos do dia, boi, porco, frango e frutos do mar.

Fat Choi 10 - cardápio 3

Página 3. Massa, arroz, vegetais e saladas, sobremesas.

Fat Choi 10 - cardápio 4

Página 4. Bebidas, incluindo cervejas, digestivos, licores e destilados.

 

Fat Choi 10 - cardápio 5

Página 5. Vinhos.

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Vem coisa boa e bela aí: em março abre as portas na cobertura do Sheraton Leblon um restaurante do francês Jean-Paul Bondoux (ou Resposta ao Chico: carioca gosta sim de comer olhando o mar)

16/01/2014

Vista do alto do Sheraton - por Sarah Moreira
Chico Buarque, certa vez, disse que o carioca não gosta de comer em restaurantes com vista para o mar. A frase é boa, mas não concordo que seja verdadeira. Pelo menos inteiramente. Eu faria uma mudança na sentença: o carioca não vai a restaurante ruim só porque tem vista linda. Ponto, acho que é isso. Comer no Le Saint Honoré era a glória não só por conta da cozinha que deixou saudades, mas também pelo panorama que se tinha lá do alto do Meridién, Copacabana aos nossos pés. A mureta do Bar Urca faz sucesso em grande parte por conta do visual que se tem dali, a qualquer hora do dia e da noite, a parede de montanhas, o Cristo a nos abençoar, os barquinhos navegando na enseada, o movimento de carros entre Botafogo e o Flamengo, os prédios da cidade. O chope e a comida, mesmo altamente recomendáveis, são acessório, detalhe: ali, quem brilha é o Rio.No caso do Albamar, os pratos com peixes e frutos do mar sempre foram a isca mais importante na hora de fisgar clientes, mas as janelas amplas descortinando a Guanabara, a Ponte Rio-Niterói, as barcas chegando á Praça XV, a ilha Fiscal, as canoas rústicas dos pescadores e os aviões pousando no Santos Dumont sempre foram, sem sombra de dúvida – e até hoje são – uma das razões principais da longevidade da casa, agora agradavelmente renovada. Ainda que o recorte não seja dos mais vistosos, a Enoteca Uno – no alto do prédio RB1, na Praça Mauá com Rio Branco, de frente para os navios parados no porto – tem na vista um dos seus atrativos, além da cozinha impecável do luso-germânico Joachim Koerper. A cozinha do restaurante principal do Othon Palace, o Skylab, no alto do prediozão da Atlântica, não faz a gente suspirar, mas todos os anos, quando tem o tradicional e imperdível festival de queijos franceses, eu fico com vontade de ir jantar lá, atraído pelo belo panorama noturno da orla movimentada de Copacabana (e fico feliz quando alguém marca ali uma degustação de vinhos ou outro encontro do gênero). Não dá para dizer que os exemplos são muitos, mas é certo que existem alguns bons restaurantes no Rio de Janeiro com vista para o mar.
A hotelaria, claro, é responsável por grande parte desses lugares. Além dos dois já citados, temos uma série de bares e restaurantes localizados a partir do segundo piso, com especial panorama do Oceano Atlântico. No Marina All Suites, no Leblon, o Bar d’Hotel nos proporciona lindas janelas emoldurando a praia (o melhor ali é ir com calma, numa tarde ensolarada de inverno, pegar uma mesa junto a elas, e se deliciar com a comida da chef Maria Vitória associada ao visual. Em Ipanema, pelo menos mais três exemplos, todos relativamente novos. Vamos pela ordem geográfica. Com boa carta de cervejas e petiscos apetitosos, o Espaço 7zero6, bar na cobertura do Praia Ipanema Hotel, quase no Jardim de Alah, tem piscina e vista linda, Dois Irmãos à direita, Pedra do Arpoador à esquerda, balizando o panorama. Também no alto, no 23º do antigo Caesar Park, agora com a bandeira Sofitel, na esquina de Vieira Souto com Maria Quitéria, o restaurante Galani voltou aos holofotes no finalzinho de 2013. Agora sob o comando do comptetente chef William Halles, voltou a ser um lugar altamente considerável para uma refeição, como já tinha sido um dia. William é fera:foi por anos o braço direito do mestre Roland Villard, do Le Pré Catelan, no Sofitel de Copa – que, aliás, tem uma vista simpática da orla ali do Posto 6. Perto dali, na altura do Posto 9, o Gabbiano al Mare no segundo andar do Hotel Sol Ipanema tem uma cozinha italiana bem executada pelo chef boa praça Romano Fontanive, com natural vocação marinha, e vista bem simpática da praia.
Em Copacabana tem os já citados Le Pré Catelan e Skylab, Copacabana tem outros lugares que apresentam bonita vista da praia.
A despeito do serviço mocorongo, tomar café da manhã ou fazer um lanche nas mesinhas da Colombo do Forte, com toda a orla de Copacabana arredondando o cenário até perder de vista, é um dos programas imperdíveis desta cidade – e que todo mundo deveria fazer ao menos uma vez na vida. E quem não gosta de almoçar nas exclusivas mesas do restaurante do Clube dos Marimbás, ali ao lado, desfrutando desse mesmo panorama?
Não é mar, mas quase isso, na Lagoa temos pelo menos três lugares com agradável vista para o espelho d’água: Pomodorino (no segundo andar), Mr Lam (na cobertura) e, principalmente, na varanda do complexo gastronômico do Lagoon.
Não queria contratiar Chico Buarque, sujeito que eu muito aprecio, mas a verdade é que carioca gosta, sim, de comer olhando o mar. Pode não fazer questão disso, mas gosta, como quase todas as pessoas, porque olhar o mar faz bem, e ainda inspira a gente a pedir um cardápio com pescados, naturalmente. Adoro comer vendo o mar. Aposto que você também.
Pois bem. Toda essa longa abertura, é para dar a notícia quentinha. No começo de março abre as portas no alto do Sheraton da Avenida Niemeyer um restaurante que promete ser uma das grandes novidades, parte do esforço da rede Starwood para dar nova vida ao hotel. A cozinha terá a supervisão do francês Jean-Paul Bondoux, chef “Relais & Chateaux” dos restaurantes La Bourgogne de Buenos Aires (no chiquérrimo e tradicionalíssimo Alvear Palace Hotel), e de Punta del Este.
Desconfio que vem coisa (muito) boa aí. A vista, na cobertura do hotel, 26º andar, é deslumbrante. Isso eu já posso garantir. E a foto lá de cima deixa bem claro.
Foi mal, Chico.

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Gastronomia paulista em terras cariocas e vice-versa

15/01/2014
 
 
Perguntados sobre novos projetos, Alex Atala, do D.O.M., e Helena Rizzo, do Maní, não se cansam de repetir que sonham em ter restaurantes no Rio de Janeiro. A futura – e provável – chegada à Guanabara de dois dos mais badalados chefs de São Paulo, e do Brasil, seria o ápice de um movimento que começou timidamente, há mais de 20 anos, e que ganhou força há pouco mais de uma década, para se consolidar definitivamente nos últimos meses: o intercâmbio de grifes gastronômicas entre as duas maiores cidades do Brasil é uma deliciosa realidade.
 
Os camarões à Zico, um clássico do Antiquarius

Os camarões à Zico, um clássico do Antiquarius

 
Em 1990, quando o Antiquarius cruzou a Via Dutra para se instalar nos Jardins, São Paulo ganhou não apenas um grande restaurante português, mas também a casa pioneira neste saboroso troca-troca. O restaurante fechou as portas no ano passado, mas no início de 2014 a marca volta à capital paulista, dessa vez como Antiquarius Grill, com cardápio que combina o DNA lusitano com uma bela lista de carnes, em ambiente um pouco mais informal.
 
Picanha fatiada do Esplanada Grill: casa nascida em São Paulo, que hoje existe apenas no Rio de Janeiro

Picanha fatiada do Esplanada Grill: casa nascida em São Paulo, que hoje existe apenas no Rio de Janeiro

 
Poucos anos antes, o Esplanada Grill fez o caminho inverso. Nasceu em São Paulo, e migrou para o Rio. Hoje a casa matriz não existe mais, mas a churrascaria chique adorada por nomes como Boni (e família) continua firme e forte,  na esquina da Aníbal de Mendonça com a Barão da Torre, coração de Ipanema.
 
A sensacional costeleta de vitelo á milanesa, do Gero, que causou uma pequena revolução ao chegar ao Rio, em 2002

A sensacional costeleta de vitelo á milanesa, do Gero, que causou uma pequena revolução ao chegar ao Rio, em 2002

 
Foi a partir de 2002, com a inauguração do Gero, vizinho ao Esplanada Grill – na esquina da mesma Aníbal de Mendonça, com a Redentor – que esse trânsito de restaurantes foi ganhar corpo. O Garo de Ipanema marcou a chegada ao Rio de Janeiro do clã Fasano, sinônimo de elegância e da melhor cozinha italiana que se pode imaginar. Mesmo nas cidades mais ricas da Itália não é muito fácil encontrar um “ristorante” deste nível. A chegada do Gero ao Rio foi um desses lances que fazem bem a todos. Para o grupo Fasano, trouxe algumas doses da informalidade carioca (é possível até almoçar de bermudas, algo impensável nas casas paulistas do grupo). Para o Rio de Janeiro, estabeleceu um novo padrão de qualidade na cozinha e – ainda mais – no serviço.
 
Nicola Giorgio e Dionísio Chaves: saídos do grupo Fasano para abrir boas casas italianas

Nicola Giorgio e Dionísio Chaves: saídos do grupo Fasano para abrir boas casas italianas no Rio de Janeiro, na Barra, no Leblon e no Centro

 
Não à toa, muita gente que passou pelas casas do grupo em terras cariocas, como também acontece em São Paulo, saiu para montar os seus próprios negócios, como a dupla Dionisio Chaves e Nicola Giorgio, hoje sócios de três endereços italianos no Rio: o Duo, na Barra; a Bottega del Vino, no Leblon; e o Uniko, no Centro, trio que mantém o alto nível, da comida e do atendimento, estabelecido pela “famiglia” Fasano.
 
Atum com stracciatella, figos e croûtons, uma das estrelas dos cardápios do novo chef do Fasano al Mare, o italiano Paolo Lavezzini

Atum com stracciatella, figos e croûtons, uma das estrelas dos cardápios do novo chef do Fasano al Mare, o italiano Paolo Lavezzini

 
O negócio em terras cariocas deu tão certo que foram chegando, aos poucos, outras grifes com a assinatura Fasano ao Rio de Janeiro. Primeiro, a Forneria São Sebastião, que hoje já não tem mais o grupo como sócio, mas se mantém firme e forte – e cheio – na mesma Aníbal de Mendonça, a uma quadra de distância do Gero. Depois, em 2007, foi a vez de abrir as portas o hotel Fasano, na avenida Vieira Souto, na mesma Ipanema, trazendo acoplado, no térreo, um restaurante que carrega o nome da família. No Fasano al Mare, o cardápio faz jus à localização junto à praia, apresentando receitas que exploram com mais ênfase os peixes e os frutos do mar – e hoje a cozinha anda vivendo uma grande fase, com a chegada há cerca de um ano do chef italiano Paolo Lavezzini, pescado da mesma Enoteca Pinchiorri, o famoso três-estrelas Michelin de Florença, de onde já tinha vindo o seu compatriota Luca Gozzani, agora trabalhando no Fasano de São Paulo – e que, aliás, foi quem o indicou para assumir a cozinha do restaurante carioca. Depois, em 2011, abriu as portas o Gero da Barra da Tijuca, mostrando que não falta apetite para os Fasano continuarem expandindo os seus negócios em solo carioca.
 
Os tentáculos de polvo, temperados com alho, pimenta dedo-de-moça e cebolinha francesa, com tomate assado, fritas e saladinha: simplesmente perfeito

Os tentáculos de polvo do Le Vin, temperados com alho, pimenta dedo-de-moça e cebolinha francesa, com tomate assado, fritas e saladinha: simplesmente perfeito

 
O Gero foi um sucesso imediato, e continua assim até hoje, o que acabou inspirando a chegada de outras grifes da boa mesa paulistana ao Rio de Janeiro. Foi também Ipanema o endereço escolhido por outra marca de sucesso em São Paulo para se apresentar aos cariocas. Mas, desta vez, com sotaque francês. Com a inauguração do Le Vin, também em 2007, na Rua Barão da Torre, não muito longe dos demais restaurantes ipanemenses já citados, o Rio de Janeiro ganhou uma casa dedicada à cozinha francesa clássica, executando com perfeição um receituário tradicional que logo foi um sucesso imediato e que, assim como aconteceu com a grife Fasano, logo gerou filhotes: hoje o grupo Le Vin  tem três endereços no Rio de Janeiro, incluindo uma loja que vende vários produtos de produção própria, como pães, bolos e macarons, no Barrashoping, e um quiosque no Village Mall, também na Barra.
 
As magníficas alheiras do Astor, exclusividade da filial carioca

As magníficas alheiras do Astor, exclusividade da filial carioca

 
O ano de 2007 marcou a invasão paulista. Foi em abril deste ano que o Rio de Janeiro ganhou a primeira filial da mais famosa pizzaria paulistana. A abertura da grande e linda Bráz no Jardim Botânico,  com direito a um terraço agradável com vista para o Cristo Redentor, foi também outro marco, que trouxe a reboque outros investimentos posteriores da Cia. Tradicional de Comércio, grupo que tem várias outras casas em São Paulo (Original, Pirajá, Astor e Lanchonete da Cidade). Assim, algum tempo depois, Ipanema viu novamente a estreia em terras cariocas de uma marca da gastronomia paulistana, desta vez o bar Astor, que ocupou lindamente o antigo – e histórico – Barril 1800, que andava bem caidinho nos últimos anos. Novamente, os cariocas agradeceram, e o cardápio da casa incorporou alguns pratos típicos do Rio, e assumiu a influência lusitana que é uma característica do gastronomia carioca, lançando um prato que muito bem simboliza isso, as alheiras com fritas e ovos estalados, uma das melhores pedidas no endereço da Vieira Souto, esquina com Rainha Elizabeth. Hoje, a Cia Tradicional de Comércio busca um lugar para inaugurar uma Lanchonete da Cidade no Rio.
O sucesso de todas essas grifes paulistanas acabou trazendo outras, inclusive aquelas de perfil mais trivial, como a rede de hamburguerias The Fifities e o Ráscal, que consegue ser um excelente rodízio gourmet, de inclinações italianas, com especial atenção à cozinha mediterrânea. E, seguindo a mesma filosofia das casas paulistas, funcionando em shoppings, como o Leblon e o Rio Sul.
 
As veiras com sal vermelho, uma das melhores pedidas do Naga, no Village Mall, inaugurado no ano passado

As veiras com sal vermelho, uma das melhores pedidas do Naga, no Village Mall, inaugurado no ano passado

 
 Com potencial de ser um marco para a cozinha japonesa no Rio de Janeiro, a chegada do Naga, no Village Mall, trouxe vários cozinheiros importados de São Paulo para a cidade, além de ótimos fornecedores de pescados e um extremo cuidado na elaboração das cartas de saquê.
 
O salão da primeira unidade do Pobre Juan, no Village Mall

O salão da primeira unidade do Pobre Juan, no Village Mall

 
Mostrando que essa tendência veio para ficar, o Rio ganhou, ainda no ano passado, logo duas unidades da casa de carnes platenses Pobre Juan, primeiro no Village Mall, na Barra, e depois no Fashion Mall, em São Conrado. E, assim como acontece em São Paulo, onde restaurantes dedicadas às parrillas argentinas e uruguaias já são um sucesso faz algum tempo, a disputa vai ficar ainda mais acirrada: para o início de 2014 está prevista a abertura da primeira filial da rede Corrientes 348 Parrilla Porteña.
 
O pulpo alla gallega, um dos destaques do bar de tapaz Venga, que chegou a São Paulo depois de ser criado no Rio de Janeiro

O pulpo alla gallega, um dos destaques do bar de tapaz Venga, que chegou a São Paulo depois de ser criado no Rio de Janeiro

 
Ainda que com menos intensidade, também acontece um movimento em direção contrária, e algumas casas criadas no Rio de Janeiro estão migrando para São Paulo, geralmente lugares de perfil mais informal, como é o caso do bar de tapas Venga, que chegou À Vila Madalena, o mais carioca dos bairros paulistanos, em 2011 através de uma sociedade com a Cia Tradicional de Comércio.
 
O bolinho de feijoada do Aconchego Carioca, receita que se espalhou pelo Brasil

O bolinho de feijoada do Aconchego Carioca, receita que se espalhou pelo Brasil

 
No ano seguinte, em 2012, foi a vez do Aconchego Carioca, que reproduz nos Jardins o sucesso da casa original, na Praça da Bandeira.  Para o endereço paulistano, Katia Barbosa, a criadora do famoso bolinho de feijoada, hoje reproduzido por todo o país, reservou para o novo bar uma deliciosa novidade, rendendo homenagem aos locais: o bolinho de viradinho à paulista, um verdadeiro símbolo dessa deliciosa aliança entre o Rio de Janeiro e São Paulo através da boa mesa.
 
                                                                                                                                                                                                                          INTERCÂMBIO TAMBÉM DE COZINHEIROS
 
                                                                                                                                                                                                                                          Esse vaivém de grifes gastronômicas entre o Rio de Janeiro e São Paulo também acontece com os chefs, que andam trocando de cidade com frequência. Depois de construir uma carreira de sucesso no Rio de Janeiro, o francês Laurent Suaudeau foi morar na capital paulista, onde dá consultorias e aulas de gastronomia.
Já o italiano Luciano Boseggia fez o contrário. Chegou ao Brasil via São Paulo, “importado” pelos Fasano para trabalhar no grupo, onde ficou por 15 anos. Mestre nos risotos, ele ainda ficou por mais tempo na capital paulista, onde abriu um restaurante, antes de ir morar no Rio de Janeiro, assumindo a cozinha do Alloro, no Windsor Atlântica, que logo se colocou entre os melhores restaurantes italianos do Rio, e é visível a alegria do chef com a nova fase.
O boliviano Checho Gonzales, por sua vez, é um bom exemplo dessa situação. Trabalhou com Alex Atala nos primórdios do D.O.M., foi para o Rio de Janeiro, onde passou por várias casas, como o Zazá Bistrô e o Pecado, voltou para São Paulo e hoje se divide entre as duas cidades, cuidando do cardápio de várias casas, como o novato Escobar, no Leblon, um bar pan-americano, com receitas de vários países da América Latina.
Criador do Meza Bar, do finado Doiz, ambos em Botafogo, e do Barzinho, na Lapa, empreendimento em que ainda está à frente, em sociedade com o DJ e ator Rodrigo Pena, Fabio Battistella nasceu em São Paulo, mas escolheu o Rio para empreender, e já está envolvido em novo projeto, o Complex 111, em Ipanema.  

 O italiano Luca Gozzani chegou ao Brasil para inaugurar o Fasano al Mare e hoje dá expediente no ristorante matriz, em São Paulo


O italiano Luca Gozzani chegou ao Brasil para inaugurar o Fasano al Mare e hoje dá expediente no ristorante matriz, em São Paulo

 
Um dos capítulos mais recentes foi a ida para São Paulo do chef Luca Gozzani, que chegou ao Fasano para substituir Salvatore Loi no comando da cozinha, renovando o cardápio e dando ares um pouco mais joviais às receitas, incluindo a apresentação dos pratos.

 
                                                                                                                                                                                                                                          Esta reportagem foi escrita para a revista Conceito A.
 
                                                                                                                                                                                                                                      Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.
 

Um passeio pela Itália, da Lombardia à Sicília: com formação eclética o chef italiano Luca Orini acaba de assumir a cozinha do Cipriani, no Copacabana Palace, lançando o seu menu de estreia

13/01/2014
O risoto de pera com taleggio é um dos destaques do cardápio lançado no sábado passado

O risoto de pera com taleggio é um dos destaques do cardápio lançado no sábado passado

Ele nasceu na Lombardia, na área do Lago Maggiore, perto da divisa com o Piemonte. Trabalhou por 12 anos em Florença, na Toscana. Depois, viajou para o deserto de Nevada, para uma temporada de mais três anos em Las Vegas. Em seguida, voltou à Itália, fazendo uma escala de duas temporadas na Sicília. Trazendo na bagagem esta eclética formação, que incluiu ainda passagens pelo Colorado (EUA) e pela Ligúria, o chef italiano Luca Orini chegou ao Rio de Janeiro no final de outubro para assumir a cozinha do Cipriani, no Copacabana Palace. Após dois meses de testes, cozinhando em silêncio, pesquisando os nossos ingredientes e sentindo a resposta da clientela, ele lança hoje o novo menu do restaurante, totalmente renovado.

— Alguns clássicos não posso tirar, como o carpaccio e o nhoque de berinjela ao molho de tomate e manjericão. Estou lançando 23 novos pratos, e deixei apenas quatro receitas “classici Cipriani”.

O menu de Luca Orini apresenta pratos de várias regiões da Itália, muitas vezes com um tempero autoral. O tartare, por exemplo, é de wagyu, servido com gelatina ao açafrão, burrata e caviar. Outra entrada com carimbo do chef são as vieiras grelhadas sobre creme de tomate e aipo, combinando leveza e frescor. Entre os primeiros pratos, o risoto de taleggio com pera caramelada é digno de aplausos. Para o prato principal, o linguado grelhado com molho de limão siciliano e alcaparras e o carré de cordeiro em crosta de pistache e batata gratinada estão entre as melhores pedidas. Para encerrar, a pera glaceada ao açafrão com sorvete de vinho tinto e o semifreddo de maracujá com torrone de nozes.

— Gosto da cozinha clássica, mas sem ser escravo. Posso trocar a trilha pelo vermelho, por exemplo, quando o vermelho estiver mais fresco — diz o chef, que também vai servir menus degustação, sempre variando de acordo com a estação e os ingredientes do mercado.

Também há receitas que seguem à risca o receituário clássico, como o minestrone morno ao pesto genovês, o ossobuco em gremolada com risoto de açafrão e o tiramisù.

— A Sicília é um lugar incrível, e me influenciou muito. Apesar de ser do norte da Itália, gosto mesmo é de azeite, de cozinhar com peixes e frutos do mar, com vegetais, usando poucos elementos, três ou quatro coisas, preservando a identidade de cada um. Gosto de explorar a acidez, com frutas. A jabuticaba, que eu não conhecia, é maravilhosa. Também achei incrível o inhame. Estou começando a me familiarizar com os ingredientes daqui — diz.

 Esta reportagem foi escrita para a edição do dia 11/01/2014 do Ela, do jornal O Globo.

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